Outono: veja quais doenças respiratórias merecem atenção

O tempo muda e, com ele, a saúde também. Quem nunca se viu doente ou, pelo menos, mais vulnerável depois da troca das estações? Com a chegada do outono, não é diferente e a saúde merece atenção, especialmente, em relação às doenças respiratórias.

O outono é o período já conhecido pelo aumento de doenças do tipo. Segundo o  Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e Qualidade Assistencial do Sabará Hospital Infantil, alguns problemas respiratórios merecem mais atenção durante a estação, como gripes e bronquiolites.

A fim de averiguar a proporção da expansão dessas doenças respiratórias, o hospital analisou alguns painéis virais e os resultados mostraram a proporção do crescimento desses problemas de saúde.

Dos 48 painéis virais analisados durante um mês, 96% das amostras carregavam agentes respiratórios, ou seja, corpos prejudiciais ao nosso bem-estar. Alguns tipos de gripes e vírus causadores de bronquiolites se destacaram no levantamento:  

Vírus Sincicial Respiratório (VSR)

Um dos vírus mais comuns durante a estação do outono, o Vírus Sinovial Respiratório pode causar até uma pneumonia e é uma das maiores causas de internação de bebês. O Hospital Infantil Sabará identificou que, de fevereiro para março, a presença do agente respiratório aumentou quase 100%. Do total de 74 amostras coletadas, 36% apresentaram resultado positivo para o vírus.

Influenza A e B (gripe)

Para os testes rápidos de detecção de influenza, durante o mês de março foram coletadas 89 amostras. O resultado que se viu foi um aumento de 14% nos resultados positivos, quando comparamos com os testes realizados no mesmo período dos anos de 2018 e 2017.

Dengue

O verão acabou, mas a dengue, não. Apesar de ser uma doença muito associada à estação mais quente, é durante o outono que os picos de contágio costumam acontecer. Nos testes feitos pelo Hospital Sabará em março de 2019, o aumento de dengue foi de 2,6% quando comparamos ao mês que antecedeu a pesquisa. Mas a instituição alerta que ainda podemos prever aumento de casos suspeitos durante abril.

Claro que às doenças respiratórias são uma preocupação que todos devemos ter, mas atenção especial às crianças nessa temporada, já que os problemas respiratórios podem ser mais impactantes para o organismo ainda menos desenvolvido. Se você não sabe por onde começar os cuidados para essa estação, veja algumas dicas abaixo:

  • Comece sempre pelo básico: higienização das mãos! Use água e sabão e esfregue por pelo menos 20 segundos ou higienize frequentemente as mãos com álcool gel; 
  • Vacinação: deixe as crianças em dia com o calendário de imunização e dê a vacina da gripe anualmente para toda a família. A vacina trivalente será oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS), a partir do dia 10 de abril. Ela pode proteger contra os vírus influenza A, H1N1, H3N2 e influenza do tipo B. Na rede particular, a vacina já está disponível. Neste caso, é oferecida também a vacina tetravalente, que protege contra os mesmos grupos da trivalente e ainda o tipo B Yamagata; 
  • Limitar a exposição dos pequenos a lugares com muita gente, com outras crianças e a qualquer pessoa com resfriado. Deixe-as em casa se estiver doente e ensine a cobrir a boca em caso de tosse e espirro;
  • Desinfetar objetos e superfícies regularmente em casa e evite expor as crianças à fumaça de cigarro; 
  • Amamentação: o leite materno tem anticorpos que previnem e lutam contra infecções. 
  • Algumas crianças com alto risco para desenvolver doença grave pelo VSR, como prematuras e com problemas cardíacos, podem se beneficiar do uso do palivizumabe, que é um anticorpo específico, que reduz o risco de adoecimento pelo VSR. Converse com o seu pediatra sobre isso.

Mentiras no consultório médico: quais as mais contadas?

Não é difícil ouvir por aí que mentiras são inerentes às relações humanas. Quem nunca fez um drama, por exemplo? Ou disse que estava bem quando não era a realidade? Bem, mas quando isso ultrapassa relações sociais e chega ao consultório médico, o prejudicado pode ser você mesmo.

A transparência entre médicos e pacientes é fundamental para o desenvolvimento de tratamentos adequados e efetivos para cada caso. Mas, na prática, nem sempre funciona assim.

Segundo o médico Breno Figueiredo Gomes, clínico geral na Rede Mater Dei de Saúde, geralmente é a insegurança que motiva mentiras ou omissão de informações nas consultas. Ele ainda revela quais são os assuntos que pacientes mais costumam distorcer ou esconder: “As principais que a gente nota são alimentação, quando comem mal ou comem muito doce e não contam; dizer que estão tomando o remédio corretamente, quando na verdade, não estão – muito comum no caso de remédio para pressão, por exemplo. Às vezes você não tá sentindo nada, então pode ser difícil lembrar todo dia”. Mas, esses não são os únicos assuntos em que a verdade passa longe:

Número de parceiros sexuais

Hoje em dia, alguns assuntos são discutidos com bem mais naturalidade do que antigamente. Mas, em muitos casos, falar sobre sexo ainda pode ser um tabu, inclusive no consultório médico.

“Têm algumas doenças sexualmente transmissíveis que o médico só vai suspeitar se o paciente tiver um fator de risco, como múltiplos parceiros. Então, é importante [falar a verdade]”, explica Breno. No entanto, o especialista destaca que  “muitas das vezes, a questão da mentira ou omissão é falta de confiança no médico.”

“Se ele não tem segurança no médico, o paciente não vai falar. Tem que partir de nós [médicos] também criar um ambiente seguro para o paciente se abrir. E para isso, tem que ter tempo”, comenta Breno, ao destacar que essas situações podem ser evitadas pelos próprios profissionais, pois acredita que “a partir do momento que a pessoa tem confiança no médico, ela não vai mentir.”

Linguarudos

E quando os seus próprios familiares te entregam? Muita gente que decide mentir para o médico passa por isso. Neste quesito, Breno destaca mentiras em relação ao hábito ou vício em cigarros, bebida ou outras substâncias:

“A bebida é bem comum [de ser omitida ou escondida], mas geralmente quem desmente são os familiares. Com cigarro, é a mesma coisa. Muitos falam que estão fumando um cigarrinho por dia, mas na verdade é um maço inteiro. Esses são os principais”, conta. E o resultado pode ser o “impacto em exames” e a não identificação de possíveis complicações. No caso do cigarro, por exemplo, o médico ressalta a importância da transparência ao alertar: “O paciente que é tabagista pesado, o risco de tumor aumenta muito”

Insegurança ou má fé?

Apesar de acreditar que um ambiente amistoso para confissões pode ser a solução para o problema das mentiras no consultório, o diretor clínico explica que há exceções, como no caso de pacientes que forjam sintomas para conseguir atestados:

“Acontece muito, principalmente em pronto-socorro. Por diversos motivos, por não querer trabalhar ou querer emendar o feriado, por exemplo, os pacientes inventam sintomas”, conta. E quando os sintomas não são específicos, os médicos ficam de mãos atadas quando o assunto é pegar a pessoa mentirosa “no pulo”.  “Se eu falar pra você que estou com dor de cabeça, com náusea, vomitando… Não tem como o médico provar o contrário.”

Um dos perigos desse tipo de situação, é quando os pacientes chegam até mesmo a serem medicados no atendimento, com remédios intravenosos, para conseguirem o documento que “teoricamente não é falso, mas é conseguido em condições de má fé do paciente”, opina Breno. “É mais soro, e os remédios que utilizamos, como analgésico e remédios para náusea, que não têm grandes efeitos colaterais. Claro que se for usar algum outro remédio, tem os riscos. Às vezes, o paciente pode ter reação ao medicamento indicado”, destaca.

Confie e seja confiável

Deu pra ver que é muito importante ser transparente no consultório médico, não é? E para desenvolver uma relação de confiança com o médico, é importante também fazer a sua parte. “É fundamental que o paciente passe as informações corretas para o médico receitar uma medicação adequada. Eu preciso do histórico clínico, por exemplo, para dar um tratamento adequado. A partir do momento que a pessoa for ao médico, tem que contar tudo que ele perguntar.”

Então, procure um médico de confiança e sempre deixe ele a par da sua saúde e procedimentos que esteja fazendo, como destaca Breno: “Se você tem um médico de confiança, acompanhe com ele. Não importa se é um clínico ou outra especialidade, acompanhe com ele.”