7 hábitos que prejudicam a saúde dos olhos

No dia 06 de maio é comemorado o dia do oftalmologista. Além de parabenizar todos os profissionais da área, é importante aproveitar a oportunidade para lembrar a importância da avaliação médica de rotina, de crianças a idosos, e destacar hábitos diários que prejudicam a saúde dos olhos.

O médico oftalmologista do Hospital Santa Cruz, Dr. Gustavo Mori Gabriel, destaca quais são esses hábitos e como podemos evitar sintomas e problemas maiores na visão.

Excesso de computador e celular – Permanecer concentrado diante da tela do computador ou do celular por muito tempo faz com que a pessoa pisque menos, logo produza menos lágrimas, as responsáveis naturais pela lubrificação dos olhos. Por isso é natural que as pessoas tenham sintoma de olho seco. Além de evitar o uso excessivo de telas e leitura, para quem quer tratar o olho seco, recomenda-se o uso de colírio lubrificante e verificar ainda a saúde da base da pálpebra. Algumas inflamações tênues podem provocar a falta de produção de lágrimas e, consequentemente, acarretar o olho mais seco.

Coçar os olhos – Seja o olho seco causado por excesso de computador, contato com a poluição e até mesmo problemas alérgicos, algumas pessoas têm o hábito de coçar os olhos e isso é muito ruim. “Ao levar as mãos aos olhos você pode passar algum vírus, alguma infecção, mais sujeira, além de causar uma lesão na superfície ocular e até uma deformação na córnea, que é a lente superficial do nosso olho”, relata o médico.  

Não retirar a maquiagem – É importante retirar bem a maquiagem dos olhos no final do dia ou antes de dormir. É na base pálpebra e dos cílios que ocorre a produção da gordura da lágrima. “A médio e longo prazo essa produção pode ficar alterada se a maquiagem não for retirada adequadamente e não tiver cuidado com a superfície ocular”.

Não cuidar das lentes – Com a correria do dia a dia, quem está habituado a usar lentes de contato acaba cometendo alguns erros básicos, mas que, ao longo do tempo, podem prejudicar a visão. “As lentes foram feitas para promover conforto e boa visão. Se está ficando com o olho vermelho ou desconfortável ao usá-las, algo deve estar errado e precisa ser visto. Pode ser necessário trocar a marca, o produto conservante, ou mesmo fazer uma boa higienização das mesmas. Além disso, é preciso evitar dormir com a lente, pois isso atrapalha bastante a produção lacrimal que já citamos e também a lubrificação dos olhos”.

Falta de descanso aos olhos – É comum as pessoas que trabalham por muitas horas com computador reclamarem de cansaço nos olhos ao final do dia. Para evitar essa sensação, é importante ter intervalos de descanso da visão de perto. “Ao longo do dia é importante darmos intervalos de 5 a 10 minutos para que possamos olhar para longe. Evite sair do computador e pegar o celular nesse intervalo. Vá tomar um café e olhe para um corredor ou para o final da rua. Isso vai dar mais mais conforto para o olhar”.

Óculos solar de baixa qualidade – Seja no verão ou inverno, é preciso proteger os olhos do excesso de luz solar. E o uso de óculos escuros é essencial nesse cuidado. “Mais do que estilo, usar óculos escuros é uma necessidade para a saúde dos olhos. Porém é preciso que tenha procedência conhecida e proteção ultravioleta adequada para o tipo de lente que está usando”.

Uso de colírio – Como qualquer medicamento, o uso indiscriminado e sem recomendação médica de colírio pode afetar a saúde ocular. “Assim como qualquer medicação, o colírio também precisa ter uma orientação adequada, pois ele pode dar efeitos colaterais”, finaliza o oftalmologista.

Já ouviu falar em DTM ou dor na mandíbula?

A cada ano 2 milhões de pessoas no Brasil são afetadas por dores na mandíbula, ou melhor, a disfunção temporomandibular (DTM). Ela é causada principalmente pelo estresse e pela tensão da musculatura da mandíbula. Também pode ocorrer em função do bruxismo, hábito involuntário de ranger ou apertar os dentes.

Responsável por ligar a mandíbula ao crânio, a Articulação Temporal Mandibular (ATM) pode sofrer desgaste e provocar dores intensas, dificuldade de mastigação, estalos e travamentos, entre outros transtornos. Em alguns casos, o problema chega a se tornar crônico.

A psicóloga Elisângela Dantas descobriu que sofria de DTM em 2006. A princípio ela se queixava de dor facial, cefaleia, dificuldade para mastigar e dor no ouvido. Após inúmeras avaliações e exames, foi diagnosticado o distúrbio de articulação temporal mandibular. “Passados três anos, o problema só se agravou como até no trabalho eu precisei mudar de função, pois eu era telemarketing de banco e com a DTM precisava de repouso nos movimentos da fala”.

Mesmo com o tratamento clínico, uso de placa de mordida e medicações, Elisângela passou por três procedimentos cirúrgicos de artoplastia, entre 2009 e 2011. “Mas o problema maior foi o dano psicológico. Eu tinha fortes dores diariamente, o que afetava muito minha vida social. Precisei tratar de depressão e síndrome do pânico, por conta desse problema. Hoje, não sinto mais dor todos os dias, mas tenho algumas crises. Houve uma melhora na qualidade de vida, mas ainda preciso de acompanhamento médico e remédios para manutenção da dor, que é bem difícil administrar, não é fácil mesmo”, completa a psicóloga.

Como tratar a DTM

O grande problema da DTM é que, ao contrário de Elisângela, que buscou tratamento, muitas pessoas passam a conviver com o problema, o que contribui para a piora do quadro e não a solução. Segundo Raphael Capelli Guerra, coordenador do Centro de Tratamento de Disfunção Temporomandibular (DTM) do Hospital Leforte, ao identificar qualquer tipo de alteração na região da mandíbula, é recomendável que o paciente procure rapidamente um especialista para avaliar o diagnóstico ou não da DTM, evitando maiores danos.

O tratamento é multidisciplinar, incluindo o clínico, as terapias complementares e a reabilitação oral, com restabelecimento, por exemplo, de dentes perdidos.

Novas descobertas

A cirurgia é necessária em torno de 35% dos casos. O médico Raphael Capelli Guerra foi um dos brasileiros responsáveis pelo desenvolvimento de uma nova técnica minimamente invasiva, que conseguiu reduzir os efeitos colaterais e diminuiu o tempo necessário de internação dos pacientes.

“Com uma pequena incisão, o profissional tem acesso direto à cavidade articular e já consegue fazer a correção de disfunções na ATM”, afirma Guerra.

“O tratamento pode ser simples e, mesmo no caso cirúrgico, é cada vez menos invasivo. Essa nova técnica reduz a taxa de morbidade, edemas e cicatriz através da utilização do endoscópio. Em vez dos dois dias de internação necessários anteriormente, 90% dos nossos pacientes tiveram alta hospitalar no mesmo dia”, completa.

Dores nas costas prejudicam rotina dos trabalhadores

Problema de saúde comum, porém muitas vezes negligenciado. Segundo a Previdência Social, a dor nas costas foi a segunda maior causa de afastamento do trabalhador brasileiro em 2017. Foram 83,8 mil casos durante todo o ano, o que acende um alerta para o problema que atinge muitos brasileiros diariamente.

Já a Organização Mundial da Saúde aponta que cerca de 80% das pessoas no mundo têm ou terão algum tipo de dor nas costas durante a vida. De acordo com Luciano Miller, ortopedista especializado em coluna da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, essas dores podem ser atribuídas a diversos fatores, como falta de exercícios físicos, sobrepeso, tabagismo, horas gastas no trajeto de deslocamento ao trabalho e a falta de ergonomia no ambiente laboral. “O que mais prejudica a coluna durante o período de trabalho são as posturas inadequadas como trabalhar com cadeiras sem apoio, computador em altura inadequada, carregar pesos sem proteger a coluna e muita tensão no trabalho”, comenta o especialista.

Como evitar o problema

O médico acredita que, atualmente, essa epidemia de dor nas costas se justifique por conta da rotina atribulada de trabalho e cada vez menos tempo dedicado às atividades físicas. “A dor nas costas é mais comum na idade adulta em virtude do início da degeneração dos discos e articulações. Levar uma vida saudável e não negligenciar o sintoma de dor nas costas no início é a chave para evitar o problema”, explica.

As dores que acometem a região das costas são sintomas e não uma doença. De acordo com o especialista, na maioria dos casos são autolimitadas e melhoram com repouso e medicações analgésicas. Poucos casos podem ter uma evolução mais complexa como exemplo hérnia de discos volumosas. Nessas ocasiões, os sintomas podem persistir por mais de três meses e a intensidade é forte o suficiente para fazer com que a pessoa acorde durante a noite.

Uso de celular é prejudicial

O uso de smartphones também prejudica a coluna. “A posição em flexão de nossa cabeça – lembrando que nossa cabeça pesa em torno de 5kg e quando inclinamos ela para frente pode aumentar para até 30kg – sobrecarrega os ligamentos dos músculos e discos causando dores crônicas também”, comenta.

O tratamento dessas dores varia dependendo da causa, mas em geral a adoção de hábitos mais saudáveis como praticar exercícios físicos, fazer alongamentos, controlar o peso e diminuir o nível de tensão podem ser a saída para amenizar o desconforto.