Nutrição no hospital: por que a dieta é importante na recuperação do paciente

É normal as pessoas sentirem falta da comidinha de casa quando estão internadas. Mas o cardápio servido no hospital é elaborado com a mesma dedicação, pois está diretamente ligado ao processo de recuperação dos pacientes.

Em 31 de agosto é comemorado o Dia do Nutricionista, e o blog conversou com Marisa Resende Coutinho, que atua na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Ela explica como esse profissional trabalha para garantir o fluxo de produção dos alimentos servidos no hospital e também na elaboração da dieta específica para cada diagnóstico.

Qual a importância da dieta no hospital para a recuperação do paciente?
Marisa Coutinho:
Ter uma alimentação harmoniosa e equilibrada associada a uma boa aceitação é essencial para garantir todos os nutrientes que o organismo necessita. Considerando o paciente internado, isso é fundamental para ajudar na recuperação, pois muitas doenças podem aumentar, diminuir ou requerer uma demanda nutricional específica.

Qual a influência do diagnóstico na dieta?
Marisa Coutinho: Há diagnósticos que consomem muita energia, aumentando o gasto energético – por exemplo, o câncer e doenças pulmonares crônicas. Outros, que podem levar a um aumento da necessidade de proteínas, como no caso de pacientes queimados. E há ainda casos que demandam a restrição de algum nutriente. Este paciente precisa de nutrientes específicos e de uma alimentação que supra essas necessidades para garantir a recuperação e reduzir o tempo de internação hospitalar.

E quando o paciente não tem apetite?
Marisa Coutinho: Não é incomum o paciente ficar inapetente em função de alteração de paladar induzida por medicamentos, por estar deprimido em estar internado, pela refeição ser diferente da habitualmente consumida, entre outros fatores. No entanto, é necessário que o especialista entenda este cenário e faça a dieta individualizada, proporcionando ao paciente o prazer de se alimentar. Para favorecer a recuperação e garantir uma boa assistência, a equipe se baseia em protocolos atendendo, assim, às necessidades de cada paciente.

Como é o trabalho do nutricionista na rotina do hospital?
Marisa Coutinho: O trabalho da nutricionista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo possui duas áreas de concentração: o processo produtivo e a assistência nutricional. No processo produtivo, está contemplada a elaboração de cardápios e a produção das refeições obedecendo dietas específicas e individualizadas para que o paciente tenha melhor aceitação e resultado no seu tratamento dietoterápico e clínico como um todo. Ele também elabora as refeições para colaboradores e médicos. No trabalho de assistência nutricional, traçamos a melhor dietoterapia de acordo com o diagnóstico, visando à recuperação ou à manutenção do estado nutricional de cada paciente.

De que forma é elaborado o cardápio dos pacientes?
Marisa Coutinho: O cardápio é a ferramenta que inicia todo o processo produtivo. A partir dele é que se determinará o que será produzido, por quem, quando, quantidade, matérias-primas, equipamentos e procedimentos. São produzidos vários tipos de dietas com diferentes consistências, nutrientes, e o nutricionista prescreve a mais indicada para o estado do paciente. Essa individualização é fundamental para a melhor aceitação e, com isso, garantir todos os nutrientes que o corpo precisa. Para a elaboração dos cardápios, são seguidas as quatro leis citadas por Pedro Escudero [pioneiro do estudo nutricional]: quantidade, qualidade, harmonia e adequação.

Nas unidades do São Camilo, como é a estrutura das cozinhas?
Marisa Coutinho: Hoje, temos uma cozinha com serviço próprio em cada unidade da rede. Contamos com 372 colaboradores, entre nutricionistas, técnicos em nutrição, cozinheiros, copeiros, auxiliares de nutrição, açougueiros, lactaristas e administrativos. Também temos apoio de vários setores, como manutenção, engenharia clínica, hotelaria, suprimentos, e a parceria de todos os setores assistenciais multiprofissionais. Os nutricionistas fazem desde a programação de cardápios, solicitações de compras, processo produtivo, acompanhamento do paciente, prescrição de dietas enterais e suplementos de acordo com cada caso e de acordo com o protocolo. Atualmente, produzimos, em média, 308 mil refeições por mês sendo: 89 mil para pacientes, 17,5 mil para acompanhantes, 187 mil para colaboradores e 14,5 mil para médicos.

Conheça os reais perigos dos alimentos ultraprocessados

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade no Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) foram responsáveis por 51,6% das mortes no ano de 2015, na população de idade entre 30 e 69 anos. Um dos causadores diretos desse número é a mudança alimentar do ser humano moderno. Alimentos in natura ou minimamente processados passaram a ser substituídos por alimentos industrializados prontos, como os preparados no micro-ondas. Estes, são ricos em sódio e açúcar, elementos que, se ingeridos em excesso, podem provocar uma série de doenças – desde obesidade até problemas cardiovasculares, diabetes e câncer.

A publicação de dois amplos estudos na Espanha e na França reforçaram a ligação desse tipo de alimento com a mortalidade precoce. O primeiro, feito pela Universidade de Navarra, acompanhou 19.899 pessoas e suas respectivas dietas por dez anos. Durante o período, 335 participantes morreram e, a cada dez falecidos que comiam menos alimentos ultraprocessados, aconteciam 16 falecimentos entre os que mais ingeriam este tipo de comida (quatro ou mais porções por dia). Já a pesquisa da Universidade de Paris, após seguir 105.158 pessoas por cinco anos, mostrou que os que mais consumiram alimentos ultraprocessados tiveram índice de 12,7% a mais na ocorrência de problemas cardiovasculares que as pessoas que consumiram menos.

Para a nutricionista Regina Stikan Carrijo, do Hospital Santa Catarina, este cenário merece forte atenção da população. “No mundo atual, imediatista e de muita demanda profissional, a tendência é de cada vez mais existir o consumo da comida pronta. Mas, essas, são altamente danosas à saúde, principalmente à saúde do coração. A taxa de nutrientes e fibras dos ultraprocessados é baixíssima”, completa.

O que são alimentos ultraprocessados?

Estes alimentos passaram por maior processamento industrial e possuem grandes quantidades de ingredientes químicos em sua composição, entre eles conservantes, modificadores de sabor e intensificadores de cor. Alguns exemplos são: refeições prontas como lasanhas, pizzas e massas; carnes processadas como bacon, salsichas e hambúrgueres; sopas e bolos instantâneos; shakes que substituem refeições; nuggets de frango e sorvetes produzidos em larga escala.

Relação com a incidência de doenças cardiovasculares

O consumo em grande quantidade dos alimentos ultraprocessados favorece o surgimento de doenças no coração, diabetes e diversos tipos de câncer. De acordo com Diego Gaia, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina, o coração recebe uma bomba quando a pessoa ingere essas comidas. “O coração é o órgão que mais sofre com esse tipo de alimentação. O trabalho dele passa a ser dobrado. Para uma vida longeva e sem sofrimentos, o ideal é investir na ingestão de carnes magras, verduras, legumes e frutas. Além disso, prática regular de exercícios e visitas periódicas ao médico”, conclui.

Você no hospital: cuidados para garantir o sucesso da sua cirurgia

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são realizadas, por ano, cerca de 234 milhões de grandes cirurgias no mundo. O sucesso deste tipo de procedimento depende de uma equipe médica capacitada e também da participação do paciente, com uma série de cuidados que pode tomar antes, durante e depois de passar pela mesa de operação.

Esse é um dos tópicos da Cartilha de Segurança do Paciente elaborada pela Associação Nacional dos Hospitais Particulares (Anahp) com dicas de como evitar situações inesperadas enquanto estiver no hospital. Confira: 

A conversa com o médico

Quando optar por realizar a intervenção, converse com o seu médico sobre as opções de cirurgias possíveis para o seu tratamento, os riscos e benefícios. É muito importante informar sobre alergias e problemas de saúde existentes.  

No dia da cirurgia, o paciente precisa levar todos os exames e documentos necessários para a internação. O anestesiologista fará uma avaliação pré-anestésica, na qual explicará sobre o procedimento, o controle da dor no pós-operatório e possíveis complicações. Preste atenção a todas as orientações e tire as dúvidas que surgirem. 

O mesmo vale na hora de ler os termos de consentimento para a anestesia e a cirurgia, que você precisará assinar. Atenção e, se não entender algo, é direito do paciente perguntar. Estes documentos especificam, por exemplo, procedimentos que o hospital poderá adotar em situações que ocorram dentro do centro cirúrgico.  

Pós-operatório

Após a cirurgia, um ponto fundamental é evitar ao máximo o risco de infecção, que pode comprometer seriamente o processo de recuperação. E alguns cuidados começam antes mesmo do procedimento. 

O paciente não deve remover os pelos no local da cirurgia, pois o uso de lâminas pode causar feridas na pele que seriam portas de entrada para bactérias. Também é necessário um banho imediatamente antes de ir para a sala de operação.

Quando já estiver no quarto, quem for visitar o paciente precisa estar atento às normas de higiene para que não haja nenhum tipo de contaminação.

Sondas e cateteres

Os cateteres ficam na veia do paciente e são usados para administrar medicação e coletar exames. Já as sondas são por onde ele recebe dieta e água em casos nos quais não pode se alimentar normalmente. Também há sondas usadas para drenar líquidos e secreções, e outras para aplicar medicamentos. 

Para que não sejam fonte de infecção ou outro fator que possa complicar a recuperação, eles precisam ser manipulados e cuidados de forma adequada. O ideal é que só a equipe médica manipule o cateter e a sonda, ou que o paciente o faça apenas com a orientação de um profissional do hospital. 

Qualquer pessoa que for mexer nestes dispositivos precisa higienizar as mãos antes e depois. Em alguns casos, eles precisam ser protegidos durante o banho. Quando for se mover, o paciente deve ter cuidado com o cateter e a sonda e verificar se eles estão bem fixos. Qualquer incômodo ou dor na região deve ser informado à equipe de saúde. 

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Saúde do idoso: saiba a importância dos cuidados e desafios com esse paciente

Os dados sobre a população idosa no Brasil são indicativos de que as redes hospitalares precisarão focar ainda mais a assistência médica a esse público. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em 2018, o Brasil tem cerca de 28 milhões de idosos, o equivalente a 13,5% da população. Para 2042, a projeção da população de pessoas acima de 60 anos é de 57 milhões, o que corresponderá a 24,5% dos 232,5 milhões de habitantes estimados no país, seguindo a tendência mundial de envelhecimento.

Com o envelhecimento, naturalmente o corpo humano pode ficar mais suscetível a limitações, tanto para atividades físicas, quanto para ações que requerem o uso da memória e funções cognitivas no geral. Por conta do aumento na população de idosos, hospitais e redes de atendimento precisam buscar constantemente a adequação a esse grupo de pacientes. Esse aprimoramento é importante para resultar na diminuição de fatores de risco à saúde do idoso hospitalizado, como delirium (quadro de alteração na consciência), desnutrição e queda.

Pensando em aperfeiçoar as práticas de atenção ao idoso, o Hospital do Coração – HCor desenvolveu um modelo bem-sucedido de cuidado do paciente na terceira idade. A instituição classifica todos os pacientes acima dos 60 anos de acordo com seu grau de fragilidade por meio de um questionário. Aqueles considerados mais frágeis são direcionados para um programa liderado por uma profissional gerontóloga e após uma avaliação multidimensional que identifica riscos e vulnerabilidades, um plano terapêutico e individual é desenvolvido.

“Esse modelo utilizado no HCor apresentou resultados promissores, com impacto em indicadores de desfecho clínico. Agora, ele está sendo levado como piloto a cinco hospitais públicos em parceria com o Ministério da Saúde através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS)”, conta Daniel Apolinário, geriatra e coordenador médico dos Programas de Atenção ao Idoso da instituição.

O engajamento do paciente também é fundamental para que o modelo de cuidado seja bem-sucedido, considerando que suas opiniões e apontamentos sobre aquilo que será feito são favoráveis no tratamento. Manter o idoso engajado é mantê-lo ativo e motivado a alcançar sua própria melhora, além disso, o engajamento deixa-o impactado positivamente na questão cognitiva, podendo evitar possíveis problemas relacionados a saúde mental. Ao construir uma relação paciente/hospital de maneira transparente e correta, aumentam as chances de promover uma maior independência e autonomia para o idoso no tratamento.

No entanto, o hospital e o paciente não são os únicos que podem contribuir para a recuperação da saúde do idoso. É essencial a valorização e participação dos familiares nas ações de tratamento e tomadas de decisão. Além de ajudar na rapidez da alta do paciente, a família colabora na eficácia dos processos de cuidados, uma vez que as pessoas próximas ao idoso compreendem seu contexto social, quais são suas necessidades e desejos, proporcionam segurança a ele, além de poderem auxiliar também com informações relevantes para o corpo clínico. A continuidade do tratamento na residência do usuário é outro ponto importante que os familiares participam.

Desafios encarados pela equipe médica nos cuidados ao idoso

De acordo com estatísticas do Manual de Gerenciamento e Assistência ao Idoso da Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, entre os idosos hospitalizados por condição clínica aguda, 15 a 30% se encaixam nos critérios para o quadro de delirium no momento em que chegam ao hospital. Outro dado relacionado a esse problema informa que 20 a 40% do total de idosos hospitalizados, desenvolveram delirium em algum momento durante a hospitalização.

Outra questão frequentemente encontrada pelo corpo clínico no cuidado com o idoso é a imobilidade. Estudos com instrumentos que medem a aceleração no ato de andar desses pacientes demonstraram que, durante a hospitalização, o paciente idoso passa em média 70-80% do tempo deitado na cama e apenas 3-5% do tempo em pé ou caminhando. A imobilidade promove uma rápida perda de massa muscular entre os idosos. E esse fenômeno gera um ciclo vicioso, pois a perda de massa muscular causa redução da força, piora a estabilidade postural e gera deterioração da marcha, fazendo com que o indivíduo tenha uma dificuldade cada vez maior de manter-se ativo e assim reduza a sua mobilidade progressivamente.

A queda também é um desafio a ser encarado pelas equipes médicas que tratam de pacientes na terceira idade. Entre os idosos frágeis, 30 a 50% das quedas determinam algum tipo de lesão. Em 5 a 10% dos casos a queda determina algum dano grave como fratura osteoporótica ou traumatismo cranioencefálico. Além das lesões, quedas recorrentes podem resultar em medo de andar e restrição cada vez maior da mobilidade, segundo o manual da Anahp.

Dicas para prevenção de quedas de idosos hospitalizados

– Busca por orientações sobre prevenção a quedas com profissionais da instituição;

– Preferência pelo uso de sapatos seguros, com solados antiderrapantes;

– Utilização de roupas com comprimento acima do tornozelo;

– Orientar a solicitação de ajuda da enfermagem para locomoção no quarto ou uso do banheiro;

– Quando possível, sempre manter um acompanhante no quarto;

– Deixar a campainha, mesa auxiliar e telefone ao alcance do paciente.

Importância da atividade física

O aumento da população idosa reforça a importância da atividade física para longevidade, com qualidade de vida. Realizar exercícios físicos favorece não só a oxigenação e o fluxo sanguíneo no cérebro, pode, também, ativar os reflexos e contribui para prevenir doenças que interferem na parte cerebral e afetam a memória, como hipertensão e diabetes.

Os exercícios físicos são essenciais para proporcionar um envelhecimento saudável. “Praticar atividades físicas é uma excelente maneira de beneficiar as habilidades cognitivas e ajudar os idosos a manterem-se lúcidos, ativos e menos suscetíveis a quedas provocadas pela perda natural de mobilidade”, afirma Mauro Atra, neurologista do Hospital do Coração – HCor.

Em prol do envelhecimento saudável, Atra indica algumas práticas aos idosos, como fazer caminhada, andar de bicicleta, realizar musculação, natação, hidroginástica, pilates e yoga. Essas práticas podem auxiliar o sistema circulatório, fortalecer os músculos, melhorar a capacidade pulmonar e o condicionamento cardiorrespiratório, controlar a pressão arterial, reduzir dores, além de trazer um equilíbrio para a saúde mental. Mas lembre-se, nunca deixe de consultar seu médico antes de estabelecer uma rotina de exercícios físicos.

Você no hospital: como ajudar a reduzir riscos no atendimento ou internação

O ambiente hospitalar exige alguns cuidados que vão além dos dispensados pelos médicos aos pacientes. Quem está internado, seus familiares e visitantes têm papel fundamental para evitar situações inesperadas e garantir o sucesso do tratamento

Para tirar dúvidas e dar orientações a este público, a Associação Nacional dos Hospitais Particulares (Anahp) elaborou a Cartilha de Segurança do Paciente com dicas importantes, que vamos explicar em uma série de posts aqui no Saúde da Saúde. Começamos com identificação e uso de medicamentos.

Checagem de dados

As informações do paciente são essenciais para não haver confusão entre os muitos nomes parecidos de pessoas que estão em atendimento no hospital. Por este motivo, pulseiras, crachás e etiquetas de identificação precisam de mais dados, como a data de nascimento. Ter um documento atualizado e com foto na hora do cadastro faz toda a diferença. 

O paciente pode colaborar também checando se as informações dos itens de identificação estão corretas e pedindo à equipe médica que confira os dados antes da aplicação de qualquer medicamento ou da realização de um procedimento. 

Além de prontuários, declarações e termos, os dados de identificação também estão em bolsas de soro, rótulos de medicamentos e etiquetas de exames na hora das coletas. 

Uso de medicação

Antes de tudo, é fundamental avisar ao seu médico ou à equipe do hospital se você tem alguma alergia a medicamentos. Caso utilize frequentemente algum remédio, também deve prestar essa informação para saber se o uso precisa ser suspenso.

Não tenha vergonha de perguntar aos médicos, enfermeiros ou farmacêuticos qual medicação está sendo aplicada, para que serve e qual o intervalo de administração. Se depois de tomar o remédio você se sentir mal ou tiver algum desconforto, avise à equipe médica imediatamente. E nunca saia do hospital com dúvidas sobre os remédios que vai precisar continuar tomando após a alta.

Já em casa, siga sempre as orientações da receita médica sobre a dosagem. Caso você precise partir ou triturar um remédio, pergunte ao médico ou ao farmacêutico a forma correta de fazê-lo. Tome os medicamentos com água, porque nem todos podem ser ingeridos com leite, suco de frutas ou chá, por exemplo.

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente no Anahp On Demand e saiba mais: https://ondemand.anahp.com.br/categoria/publicacoes.

Saiba como o controle do colesterol reduz riscos de doenças cardiovasculares

O dia 8 de agosto é celebrado como Dia Nacional de Combate ao Colesterol. O objetivo da data é conscientizar sobre a prevenção desse tipo de gordura que, embora tenha função importante no organismo, em excesso pode prejudicar o sistema cardiovascular, principalmente, com a obstrução de vasos sanguíneos no coração e no cérebro. Por isso, o controle do colesterol é essencial para identificar riscos de doenças cardíacas e deve ser feito, pelo menos uma vez ao ano, por meio de um simples exame de sangue.

Antonio Carlos Chagas, cardiologista do Hospital do Coração – HCor, detalha o que é o colesterol e qual é sua função no corpo humano. “O colesterol é um tipo de gordura existente no organismo, que auxilia na produção de hormônios como estrógeno, testosterona, cortisol e ácidos biliares. Mais da metade do colesterol é produzido pelo organismo o restante vem da alimentação e se esta estiver desequilibrada pode aumentar os níveis desta gordura no sangue”, explica.  Embora importante, a presença excessiva de colesterol estimula a formação de placas de gordura nas paredes das artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo.

As Doenças Cardiovasculares (DCV), que podem aparecer quando o nível de colesterol está alto, representaram mais de 30% dos óbitos no mundo, e em países em desenvolvimento, como o Brasil, contabilizam mais de três quartos das causas de morte, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento no índice de colesterol é mais comum nas mulheres (25,9%) do que nos homens (18,8%), de acordo com a Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Tipos de colesterol
Existem dois tipos de colesterol. O LDL (lipoproteína de baixa densidade), que é conhecido como “mau colesterol” e o HDL (lipoproteína de alta densidade), conhecido como “bom colesterol”. O LDL é responsável por levar um pouco de triglicerídeos (tipo de gordura presente no sangue) do fígado e do intestino para os tecidos. E o HDL faz o caminho inverso, removendo o excesso de colesterol dos tecidos e levando para o fígado.

O LDL descontrolado favorece a formação de placas nos vasos do coração e do cérebro que podem evoluir para um infarto ou AVC. Já concentrações elevadas de HDL ajudam a proteger contra essas doenças. Há ainda o colesterol total, que é a soma dos dois. Os índices recomendados são: LDL abaixo de 100mg/dl e HDL superior a 40mg/dl. O colesterol total não deve ultrapassar 200mg/dl, isto para adultos maiores de 20 anos, de acordo com Chagas.

Histórico familiar e tratamento
Thiago Midlej, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, relata que é importante que as pessoas saibam quais são os seus índices de colesterol, sobretudo quando há histórico familiar de doenças cardiovasculares e LDL elevados. Para o especialista, “o tratamento é individualizado, mas seguir uma dieta equilibrada, rica em verduras, frutas e legumes, além da ingestão de pouca gordura animal, é essencial para todos os perfis de pacientes”, diz. Para aqueles que já têm o diagnóstico de colesterol alto e por isso, já fazem uso de medicamentos, é preciso aliar ao tratamento uma boa alimentação e a prática regular de atividades físicas. “O exercício físico potencializa a ação das medicações, reduzindo assim, o colesterol ruim”, comenta Midlej.

O responsável técnico do Anchieta Diagnósticos do Hospital Anchieta, Anderson Benine Belezia, destaca a importância dos procedimentos laboratoriais como ferramenta de auxílio no diagnóstico e tratamento dos altos índices de colesterol. “Os exames laboratoriais são importantes para este acompanhamento bem como exames cardiológicos específicos para a condição/doença da pessoa. A Tomografia Computadorizada das artérias coronárias é capaz de identificar alguma obstrução arterial destes vasos que pode ser decorrente de um controle inadequado dos níveis de colesterol pelo paciente”, conclui.

Refluxo e obesidade: conheça a relação entre as duas doenças

A obesidade no Brasil cresceu 60% em dez anos. Com isso, doenças como o refluxo gastroesofágico (DRGE) tornaram-se mais comuns segundo Rodrigo Surjan, cirurgião do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho. O médico afirma que um paciente obeso tem até 50% a mais de risco de ter refluxo do que uma pessoa com peso ideal, isso ocorre devido aos maus hábitos alimentares, falta de exercícios físicos, gordura em excesso, entre outros fatores.

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o ácido estomacal retorna para o esôfago, causando irritação nas paredes do órgão. A falha acontece por uma deficiência do esfíncter, válvula entre o estômago e o esôfago. “Em pessoas obesas, essa válvula perde sua eficácia e isso causa o refluxo que, caso não seja tratado, pode levar a um câncer de esôfago, por exemplo”, explica o especialista.

Os principais sintomas do refluxo são azia, regurgitação, dor no peito, comprometimento vocal e complicações respiratórias. A azia, também conhecida como queimação, se caracteriza pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Para evitar alguns dos gatilhos que aumentam os riscos do DRGE, Surjan listou algumas dicas: 

– Evite se deitar após comer: O ideal é ir deitar, no mínimo, após duas horas da última refeição para evitar a sensação de “comida na garganta” e permitir que o organismo complete a digestão. “Muitas pessoas jantam e vão dormir. Isso é um hábito muito comum, mas um dos principais ‘aliados’ do refluxo”, relata.

– Gravidez e obesidade: Assim como as pessoas obesas, as grávidas têm um aumento da pressão intra-abdominal, que faz com que os ácidos “subam” e causem azia e mal-estar. “Pacientes que utilizam alguns tipos de medicamentos, idosos e hérnia de hiato também são mais propensos ao refluxo. Para isso, é de extrema importância o acompanhamento médico”, esclarece o médico. 

– Mantenha uma alimentação equilibrada: O cirurgião explica que, na maioria dos casos, com a perda de peso, os episódios de refluxo diminuem. Por isso, manter uma dieta equilibrada e rica em fibras e alimentos mais leves fracionados ao longo do dia, além de evitar alimentos ácidos, bebidas alcoólicas e gasosas, café, chá mate, chá preto, chocolate, frituras e alimentos condimentados, ajuda na melhora dos sintomas da doença e, claro, na perda de peso.

Em casos mais graves, quando o paciente está com os sintomas há muito tempo ou não responde aos tratamentos comuns, o exame de laparoscopia pode ser solicitado.

Fernando Bray, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Santa Catarina, explica que o refluxo pode até atingir a boca, proporcionando inclusive alterações dentárias. “Quando a mucosa estomacal está irritada, diversas alterações acontecem e, quando a pessoa ingere substâncias ácidas ou muito gordurosas, o retorno do conteúdo pode alcançar a boca, dentes ou até laringe e os pulmões”, diz.

Surjan explica que os pilares para a mudança são a prática de exercícios físicos e a perda de peso, aliados a mudanças alimentares. “Apenas um entre três adultos consomem frutas e verduras com frequência. Outros não fazem uma refeição completa por meses. Por isso, o acompanhamento médico e a busca por uma vida efetivamente mais saudável podem sim fazer muita diferença”, finaliza.

Cirurgia robótica: como funciona e quais as vantagens para o paciente

Procedimentos complexos feitos com maior precisão e cortes mínimos, com chances de recuperação mais rápida do paciente. Essa é a revolução que a cirurgia robótica trouxe para os hospitais na última década e que está se aprimorando a cada ano no Brasil.

O Saúde da Saúde conversou com André Berger, coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital Moinhos de Vento (RS) e professor de Urologia da University of Southern California, nos Estados Unidos, para explicar como funciona este método e as principais vantagens para os pacientes. Com mais de 2,5 mil cirurgias robóticas realizadas, Berger afirma que o método reduz a necessidade de transfusão e as chances de ocorrer infecções, e ainda tem resultados mais positivos no pós-alta do paciente.

Quais as principais vantagens da cirurgia robótica para o paciente?
Berger: É uma cirurgia bem menos invasiva, feita com incisões pequenas e menor sangramento – e por isso menor taxa de transfusão sanguínea. A recuperação também é mais rápida, e os pacientes voltam mais cedo para casa. Outra vantagem é uma taxa menor de infecções.

Como funciona a cirurgia robótica? O robô opera sozinho?
Berger: O robô não opera sozinho, e a experiência do cirurgião é fundamental para potencializar as vantagens que a tecnologia robótica traz. Entre elas, está uma visão 3D e em HD da cirurgia e a flexibilidade das pinças robóticas, superior a do próprio punho humano. Além disso, o robô filtra os eventuais tremores da mão do cirurgião e nenhum deles é transmitido para os instrumentos. O cirurgião trabalha sentado, o que é ergonomicamente melhor, pois ele fica menos cansado fazendo a cirurgia.
Os portais de entrada do abdômen ou do tórax são conectados ao braço do robô, que é controlado pelo cirurgião sentado no console, onde manuseia joysticks e pedais. Ao lado do paciente, fica um cirurgião auxiliar, também bem treinado, que auxilia com aspiração, retirada de agulhas etc. 

O que acontece se o robô falhar?
Berger: É uma situação muito rara o robô falhar. Já fiz mais de 2,5 mil cirurgias robóticas e, até hoje, não teve nenhuma vez que o robô parou de funcionar totalmente. Mas, caso isso aconteça, na grande maioria dos casos você consegue recuperar essa falha e continuar a cirurgia. Se o robô falhar e não voltar a funcionar, tem um cirurgião experiente que consegue terminar o procedimento. O robô é deslocado do paciente, e o cirurgião continua usando a técnica de laparoscopia.
A cirurgia robótica é um avanço da laparoscópica. Uma das diferenças é que, na laparoscópica pura, o cirurgião segura os instrumentos que ficam dentro do paciente – que são retos, não flexíveis. E a visão é em duas dimensões. 

Em quais casos a cirurgia robótica é aplicada atualmente?
Berger: Geralmente, é bastante usada em casos de cirurgia dentro do abdômen, no tórax e até transoral, dentro da boca do paciente, em situações específicas. O que vai determinar é o grau de dificuldade e o nível de conforto do cirurgião. As mais comuns no Brasil e no mundo são: urológicas, de câncer de próstata e rim, ginecológicas, do aparelho digestivo, torácicas, de cabeça e pescoço e até cirurgias cardíacas. Na realidade, a cirurgia robótica foi criada para fazer procedimentos cardíacos e depois avançou para outras especialidades. Atualmente, a urologia é a que mais utiliza a cirurgia robótica no mundo.

Há quanto tempo existe a cirurgia robótica no Brasil?
Berger: No país, é um movimento que existe desde 2008, porém o número começou a aumentar de maneira significativa nos últimos três anos. De 2008 até 2016, ainda era pequeno o número de cirurgias e sistemas robóticos instalados. Nos últimos três anos, o número de sistemas quase triplicou. Há cerca de 57 sistemas robóticos [o robô em si] instalados no Brasil, provavelmente entre 45 e 50 hospitais oferecendo esse tipo de cirurgia.

Quantos profissionais fazem esse tipo de cirurgia no Hospital Moinhos de Vento?
Berger: Temos hoje cerca de 25 cirurgiões treinados ou em treinamento. Um dos diferenciais do nosso programa é realmente a experiência de profissionais com quase 3 mil cirurgias feitas em outros hospitais no Brasil e de fora. Então, desde o início, o programa foi capaz de atender casos desafiadores e complexos. Do total de cirurgias robóticas realizadas no hospital, 90% são de câncer de próstata. Mais que dobramos o número de pacientes tratados desta doença no Moinhos de Vento desde que começou o programa de cirurgia robótica. São feitas, em média, de 15 a 20 cirurgias robóticas por mês.

Há dados que mostram os resultados da cirurgia robótica nos pacientes do hospital?
Berger: Eu coletei dados de pacientes operados de câncer de próstata e, em 94% o tumor foi removido totalmente. Também temos números superiores, se comparado aos das cirurgias convencionais, quando falamos de controle de urina e da qualidade de ereções após a procedimento robótico. Três meses depois da cirurgia, 94% deles estavam totalmente continentes e não precisavam de nenhuma proteção contra vazamento de urina, e 83% apresentaram ereções boas o suficiente para ter uma relação sexual.