Hospital do futuro: como o avanço da tecnologia está revolucionando a saúde

Avanços tecnológicos como a inteligência artificial e machine learning têm um grande potencial para revolucionar a saúde. Alguns deles já chegaram aos hospitais e ajudam no dia a dia das equipes médicas e na relação com o paciente, melhorando os processos e dando mais rapidez e precisão aos diagnósticos.

O Hospital Israelita Albert Einstein é uma das instituições que já adotou a inteligência artificial no suporte para decisões clínicas e na otimização do atendimento, entre outras ações. “Somente as organizações que dominarem estas tecnologias poderão apresentar um diferencial em termos de redução de riscos aos pacientes, queda de custo, diminuição da variabilidade da prática e absorção do volume de novos conhecimentos que está sendo gerado no setor”, afirma Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Confira a entrevista completa de Klajner ao Saúde da Saúde: 

Quais tecnologias de inteligência artificial o Einstein já utiliza para melhorar os processos de saúde no hospital?

Sidney Klajner: De maneira resumida, podemos dizer que usamos inteligência artificial para sistemas de suporte à decisão clínica, automatização dos processos internos, processamento de linguagem natural para dados de prontuário eletrônico, facilitando a relação médico-paciente e o dia a dia do médico, assim como inteligência para reconhecimento de imagens, tanto para o auxílio quanto para a automação do diagnóstico. Inclusive, temos grandes projetos de parceria pública para inteligência artificial em imagens médicas. 

De que forma essa tecnologia tem sido usada para otimizar o atendimento aos pacientes – no tratamento, diagnóstico e prevenção?

Sidney Klajner: Temos soluções que ajudam a prever a possibilidade de um paciente no setor de emergência precisar de um leito de internação com base nas informações do histórico de saúde do paciente e informações coletadas no momento da passagem dele na triagem. Com isso, conseguimos otimizar o tempo de internação, encaminhando o paciente para o quarto mais adequado para o tipo de atendimento que ele precisará. 

Temos também soluções que cruzam informações de diversas fontes e alertam, caso o paciente precise ser submetido a um protocolo específico de cuidados. Além de serem capazes de prever qual a possibilidade de um paciente precisar de uma reinternação se ele tiver alta.

Estamos construindo ainda um projeto de otimização de sala cirúrgica. Cada cirurgião tem um tempo médio de cirurgia e pacientes com determinadas características. A partir do momento em que é realizada a análise de todos os dados pela inteligência digital (do paciente, dos insumos usados na cirurgia, do tipo do procedimento) é possível prever o tempo necessário de sala para esta cirurgia, podendo disponibilizar, na sequência, para outra cirurgia. A previsão é que a gente consiga gerar de três a quatro cirurgias a mais por dia com o mesmo ambiente de salas cirúrgicas.

Estas soluções acabam sendo otimizadas automaticamente à medida que eles acertam ou erram determinada condição. São soluções que permitem ao hospital trabalhar de maneira mais otimizada e, para o paciente, reduz o risco no processo de cuidados. Com estas soluções também estamos apurando reduções de custo em toda cadeia, quer seja por um tempo de internação menor, quer seja pela redução de pedidos de exames e cuidados não necessários, ou ainda porque determinada condição é identificada e tratada antes de ser agravada.

Há dados que apontam o impacto do uso destas tecnologias nos desfechos clínicos e também na rotina dos hospitais?

Sidney Klajner: Atualmente, podemos dizer que temos indícios de benefícios em grandes áreas assistenciais no hospital e também nas áreas executivas operacionais, que se beneficiam dos chamados dashboards ou analytics para gestão do negócio. No projeto que ajuda a prever a possibilidade de internação de um paciente que passa no Pronto Atendimento, por exemplo, conseguimos uma assertividade de 94%. Isso ocorre por meio da inteligência artificial que analisa o volume de dados que temos do histórico do paciente, estado de saúde, tipos de medicamentos que usa, idade e o exame solicitado no momento da triagem. 

Com isso, caso haja a necessidade de internação, do momento em que o médico pede o primeiro exame na triagem, nosso centro de comando já reserva o leito indicado para o diagnóstico deste paciente. E o tempo de espera do momento em que a internação é pedida até chegar ao quarto diminuiu em 1h30. Isso faz com que seja otimizada a operação do hospital, gerando virtualmente mais leitos. 

Para o futuro, quais as apostas do Einstein e o que já está em estudo no campo da inteligência artificial e de outras tecnologias mais avançadas?

Os projetos futuros no Einstein estão avançando para a área de processamento de dados não estruturados, principalmente o processo de imagem, laudos, dados de genética e notas clínicas. Também estamos avançando fortemente na capacidade de processamento em tempo real de dados relacionados a sinais vitais e construindo modelos capazes de prever deterioração clínica. Ainda na linha de processamento em tempo real, os novos equipamentos de engenharia clínica começam a ser dotados de capacidade para apoiar o uso destes equipamentos pelos profissionais de saúde tanto na execução quanto na correção de procedimentos cirúrgicos.

Quais tendências a instituição enxerga para o hospital do futuro?

Acredito que no setor as decisões ainda continuarão sendo tomadas por profissionais de saúde por um bom tempo, mas estas decisões serão cada vez mais aperfeiçoadas com o uso de novas tecnologias, tais como modelos preditivos IoT, machine learning etc. O conjunto destas tecnologias, incluindo as de inteligência artificial, terão um papel decisivo no setor de saúde e somente as organizações que dominarem estas tecnologias poderão apresentar um diferencial em termos de redução de risco aos pacientes, queda de custo, diminuição da variabilidade da prática e absorção do volume de novos conhecimentos que está sendo gerado no setor.

Programa focado em qualidade de vida reduz em 31% estresse de colaboradores de hospital

Lidar com a dor e a ansiedade dos pacientes e de suas famílias, além de ter que tomar decisões importantes rapidamente, é algo que pode gerar estresse das equipes no ambiente hospitalar. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um programa voltado para a saúde e a qualidade de vida conseguiu reduzir em 31% os níveis de estresse dos funcionários.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, conversamos com o geriatra e gerente médico do Saúde Integral do Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, para saber com o Programa Bem-Estar chegou a este resultado e acabou premiado internacionalmente.

“Quando começamos o programa, em 2011, 22% dos colaboradores disseram estar com um nível de estresse que impactava no seu dia a dia. Em um estudo feito entre os médicos, foram apontadas como principais causas de estresse ter que tomar decisões importantes em emergências e dificuldade de deixar de pensar no trabalho ao fim do dia”, diz Piovesan.

Ele explica que, dentro do programa, é feito um trabalho nas áreas onde são identificados muitos casos de afastamento. Nelas, psicólogo e ergonomista – profissional que analisa todo o processo de trabalho – fazem uma avaliação da psicodinâmica da área e apresentam resultados de acordo com o que foi identificado.

Pode ser um curso de comunicação não-violenta, por exemplo, ou a mudança de algum processo que não está funcionando bem e por isso causa estresse na equipe. “Ou, às vezes, sugerem a mudança de função de um colaborador que não tem o perfil para o trabalho que está fazendo e isso está causando estresse”, detalha.

Em outra frente, é trabalhado o acolhimento do profissional que apresenta sintomas de estresse na consulta com o médico generalista ou psicólogo do programa, que fazem o encaminhamento para o tratamento adequado.

Também há um canal confidencial para relatos de casos de assédio, bullying ou agressões – de pacientes ou entre colaboradores. É realizada uma apuração interna dos fatos e oferecido apoio para o colaborador.

Dentro das mais de 20 atividades oferecidas no Programa Bem-Estar, há algumas focadas diretamente no alívio do estresse, como ioga, relaxamento e meditação no bosque do hospital, cantoterapia e acupuntura.

Saúde integral

Piovesan explica que as ações do programa focam na qualidade de vida de uma forma integral, e que o primeiro passo é conhecer o perfil do colaborador. Cada um preenche um questionário antes da consulta periódica no qual conta sobre aspectos como o nível de estresse, a rotina de atividades físicas e alimentação. 

Como essas informações, mais o histórico médico e dados do RH sobre as principais causas de afastamento, é montado um plano de ação individualizado. 

“Pode ser, por exemplo, um coaching, que vai ajudar o colaborador a trabalhar seu estilo de vida como um todo. São 12 sessões com psicóloga e nutricionista, que vão focar na área que o colaborador quer mudar: perda de peso, nível de atividade física, gerenciamento de estresse, parar de fumar etc”, explica Piovesan.

Atualmente, a adesão ao Programa Bem-Estar é de 98% dos 2.840 colaboradores do hospital, pois está atrelado ao exame médico periódico. Uma academia dentro do Oswaldo Cruz faz parte do programa e hoje tem 610 funcionários matriculados que fazem pelo menos 30 minutos de musculação duas vezes por semana.

Na parte de lazer, são oferecidas aulas de balé, muay thai e pilates. Além de aulas de canto individuais ou em coral. Na parte do tratamento de estresse e problemas correlacionados, Piovesan afirma que a cantoterapia tem se mostrado muito eficiente. E em todas as ações do programa, os colaboradores têm apoio de uma equipe multidisciplinar.

Com o Programa Bem-Estar, o hospital também conseguiu reduzir em quase 50% as faltas por adoecimento, em 46% o tabagismo entre os funcionários e em 37% os casos de hipertensão. Houve ainda um aumento de 40% na prática de atividades físicas e 30% de melhora nos hábitos alimentares.

Você no hospital: receber visitas é bom, mas também precisa de cuidados

Durante o período de internação, a presença de amigos e familiares ajuda, e muito, na recuperação do paciente. Mas para que sua visita leve apenas alegria ao quarto de hospital, você tem que estar de olho em algumas regras de segurança

Primeiramente, higienize as mãos antes de tocar no paciente ou em objetos próximos a ele. Não deite, sente ou coloque seus pertences em cima da cama do paciente. Familiares, amigos e nem mesmo o próprio paciente têm permissão para trancar a porta do quarto ou do banheiro. 

Se você estiver doente, melhor adiar a visita. E nunca é demais lembrar que fumar nas dependência do hospital é proibido por lei.  

Muita atenção ao que você leva para o paciente. Aquela comidinha que ele tanto gosta, por exemplo, só com a autorização do médico ou do nutricionista. Cada paciente tem uma dieta específica de acordo com seu diagnóstico, que precisa ser seguida para o sucesso do tratamento e recuperação mais rápida.

E mesmo que você queira muito ver uma pessoa querida que está hospitalizada, lembre-se de que é fundamental respeitar a determinação da equipe médica de restrições de visitas. Há pacientes que não podem recebê-las dependendo do caso. 

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e tenha mais informações. Ela está no Anahp On Demandhttps://ondemand.anahp.com.br/curso/publicacao-cartilha-de-seguranca-do-paciente-volume-2

Por dentro do pronto-socorro de um grande hospital

Porta de entrada dos pacientes que precisam de atendimento mais imediato, o pronto-socorro tem uma dinâmica particular para identificar os casos prioritários e agilizar o diagnóstico, que definirá se há necessidade de uma intervenção cirúrgica, internação ou tratamento com remédios.

Para explicar como funciona essa área tão importante dos hospitais, o Saúde da Saúde conversou com Marco Antonio Cinquetti Junior, coordenador médico da Linha Crítica do Hospital São Camilo Santana. A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo realiza, em média, 65 mil atendimentos por mês nas três unidades onde há pronto-socorro – são cerca de 2 mil atendimentos por dia de complexidades variadas.

Cinquetti Junior explica que as unidades possuem fluxos de atendimentos padronizados e estão preparadas para receber qualquer tipo de urgência e emergência. Todo o atendimento é informatizado, desde o momento da retirada da senha, passando pelas etapas de medicação e observação até a alta, o que otimiza o tempo.

Triagem

Assim que chegam ao pronto-socorro, os pacientes passam pela triagem, onde são avaliados e há uma classificação de acordo com os sintomas e os riscos. “São priorizados os atendimentos de situações críticas, onde há risco à vida”, explica. Pacientes graves já entram pela sala de emergência e não participam deste fluxo.

A triagem é realizada por equipes de enfermagem altamente capacitadas que utilizam um protocolo internacional de classificação de risco para detectar alterações clínicas precoces e priorizar o atendimento médico nos casos de maior risco. “Com a triagem, temos um ganho não só nos tempos, mas na especificidade do atendimento, tornando-o mais rápido e seguro”, afirma.

Para atendimento no consultório, o pronto-socorro conta com clínica médica e também especialistas em cardiologia, infectologia, neurologia, ortopedia, otorrinolaringologia e geriatria.

Exames e diagnóstico

Se forem necessários exames, as unidades de pronto-socorro têm seu próprio laboratório de análises clínicas e ainda conseguem realizar tomografia, ultrassonografia, radiografia, ressonância nuclear magnética, estudos hemodinâmicos, entre outros, 24 horas por dia, diz Cinquetti Junior. Os resultados são fornecidos de forma ágil e integrada ao sistema de atendimento do pronto-socorro, o que permite a visualização direta por parte do médico.

“O paciente tem então seu diagnóstico e daí pode ser tratado de sua patologia inicial, e orientado seguimento ambulatorial, ou internado em nossas unidades de internação, para seguimento com equipe especializada”, explica o médico.

Nas unidades também há instalações e equipamentos que permitem o tratamento imediato de pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outras doenças tromboembólicas, respeitando os critérios de atendimento definidos por protocolos internacionais e nacionais. 

“Sabemos que, nessas situações, o tempo de diagnóstico e tratamento está diretamente ligado ao melhor resultado: quanto mais rápido o diagnóstico e mais rápido e efetivo o tratamento, melhores os resultados para o paciente”, diz Cinquetti Junior. 

Por turno, cada unidade de pronto-socorro do São Camilo tem cerca de 14 técnicos de enfermagem, nove enfermeiros e 18 médicos entre clínicos, neurologistas, cardiologistas, geriatras, otorrinos, infectologistas, cirurgiões e ortopedistas. “Este número de profissionais pode ser adequado considerando situações relacionadas a volumetria e a sazonalidade”, explica.

Você no hospital: como acompanhantes e pacientes podem evitar quedas

Durante uma internação ou atendimento no hospital, há pacientes que têm maior risco de quedas por causa de dificuldades de locomoção, idade ou pelo uso de medicamentos. E alguns cuidados são fundamentais para evitar esse tipo de acidente, que pode causar lesões que acabam estendendo o tempo de permanência no hospital.

Tanto pacientes quanto acompanhantes podem ajudar. O primeiro passo é seguir as orientações da equipe médica, pois eles conhecem melhor do que ninguém a rotina do hospital e o que pode colocar o paciente em risco. 

A cama deve ser mantida em posição baixa e com as grades levantadas por segurança. Quando o paciente precisar levantar, que seja sempre com a ajuda do acompanhante e de uma pessoa da enfermagem. O mesmo para quando for caminhar – não é recomendado que ande sozinho pelo quarto ou pelos corredores. E um calçado de solado antiderrapante é muito recomendável. 

Os acompanhantes podem e devem pedir ajuda da enfermagem sempre que for necessário tirar o paciente da cama. E nunca deixe que ele vá sozinho ao banheiro. Se o acompanhante precisar sair do quarto por alguma razão, é fundamental avisar para a enfermagem, que ficará de olho no paciente.

Crianças e idosos

E quando a queda é o motivo da internação? Esse tipo de acidente é a causa mais comum de hospitalização de crianças e adolescente no país. Entre os idosos, aproximadamente 30% têm alguma queda no ano – sendo 10% dos casos com consequência grave. Cuidados simples podem evitar que isso aconteça: 

  • As crianças devem sempre estar acompanhadas de um adulto
  • Não as deixe dormindo no sofá para evitar quedas e não as coloque em cima do sofá presas ao bebê-conforto
  • No carro, verifique se o cinto de segurança do bebê-conforto está preso corretamente
  • Evitar ter em casa tapetes de tecido ou outro material que possa escorregar. No banheiro, prefira tapetes emborrachados e antiderrapantes
  • O piso deve ser regular e de material mais aderente, e as escadas, livres de objetos e com boa iluminação
  • Idosos devem utilizar calçados com saltos baixos e solado antiderrapante 
  • Manter próximos óculos, bengalas e andadores. Os armários também devem ser de fácil alcance

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Ela está no Anahp On Demand: https://ondemand.anahp.com.br/curso/publicacao-cartilha-de-seguranca-do-paciente-volume-2