Como a LGPD influenciará na segurança de dados do paciente

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz uma série de medidas para garantir a segurança das informações no setor de saúde. Os hospitais têm até agosto de 2020 para adequarem seus sistemas e processos internos à nova legislação.

Pela natureza das informações, as instituições de saúde já atuam com cuidado e têm contratos de confidencialidade, por exemplo, para manter o sigilo de dados sensíveis dos pacientes. Uma das mudanças que a nova lei impõe é que apenas as áreas que realmente precisam de acesso à totalidade dos dados dos pacientes possam acessá-los, com a obrigação de relatar formalmente o uso que fizeram das informações.

Para orientar os hospitais nessas adequações, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) elaborou uma manual com recomendações sobre a LGPD. O conteúdo foi lançado no último Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) e pode ser baixado de forma gratuita aqui: https://bit.ly/2OSSExA 

“A ideia da cartilha surge a partir da necessidade de se chamar atenção para um assunto tão relevante no nosso setor, buscando despertar a consciência de cada instituição para o tema e ao mesmo tempo organizar conceitos e fortalecer a discussão”, afirma a diretora jurídica do Hospital Israelita Albert Einstein, Rogéria Leoni, responsável pela coordenação do manual.

O sistema de saúde, que já é extremamente regulado, terá ainda mais segurança, por exemplo, na troca de dados sensíveis entre os atores do setor de saúde – operadoras de planos, hospitais, clínicas e laboratórios. Ela só será permitida sem precisar do consentimento do paciente se for necessária para a prestação de serviços de saúde e de assistência farmacêutica ou à saúde, incluídos o diagnóstico e a terapia, em benefício dos interesses do titular dos dados. 

A nova lei ainda dá ao paciente maior controle sobre as suas informações. Ele poderá saber quais dados seus constam nos sistemas e para qual finalidade, além de poder solicitar a correção ou a exclusão de alguma informação.

Os profissionais do corpo clínico e assistencial dos hospitais não poderão, por exemplo, salvar informações em meios que não são controlados pela instituição nem compartilhar dados confidenciais em aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mails pessoais.

A LGPD não se restringe à saúde e também regulamenta o armazenamento e uso de dados sobre consumo e hábitos em outros setores. Seu objetivo é acabar com o mercado de informações pessoais coletados inicialmente para outros fins e outras empresas.

Dezembro Laranja: proteção contra o sol deve acontecer o ano todo para evitar câncer de pele

Dezembro chegou com verão, sol forte e dias de descanso. O mês também marca a campanha Dezembro Laranja, sobre a importância de se proteger do sol o ano inteiro para evitar o câncer de pele.

O tipo não-melanoma da doença é o mais frequente no Brasil, representando 30% de todos os tumores malignos registrados, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Até o fim de 2019, a estimativa é de 165,5 mil novos casos de câncer de pele não-melanoma no país, e os homens devem ser os mais afetados. 

De acordo com Letícia Motta, dermatologista do Hospital do Câncer Anchieta, a incidência do câncer de pele vem aumentando no Brasil. “Além de vivermos em um país tropical, onde a exposição à radiação é constante, esse fato ainda é potencializado pela destruição progressiva da camada de ozônio e maior passagem dos raios UVB.”

Por meio de entrevista e exame físico detalhado, o Hospital do Câncer Anchieta avalia lesões suspeitas de malignidade. “O ideal é realizar o diagnóstico o quanto antes, para aumentar a chance de cura”, afirma Letícia. Uma equipe multidisciplinar apoia o paciente do diagnóstico até o tratamento de forma individualizada para garantir o bem-estar e a qualidade de vida.

A implantação de métodos complementares como a dermatoscopia e exames de imagem auxiliam na detecção cada vez mais precoce da doença. A dermatoscopia é uma ferramenta já bem difundida, que amplifica as lesões de pele e torna possível observar achados sugestivos de lesões malignas, antes mesmo que apareçam os sintomas. 

A tomografia óptica de coerência, a ressonância magnética, a ultrassonografia de alta frequência e a microscopia confocal são exames capazes de avaliar a pele até certa profundidade e, portanto, auxiliar no diagnóstico. Contudo, os exames de imagem ainda não são de fácil acesso, ficando mais vinculados às pesquisas.

Em situações mais específicas, ainda é necessário fazer a biópsia, que é o exame indicado para a confirmação diagnóstica do câncer de pele, explica Renata Storani, dermatologista do Hospital Santa Virgínia (HSV). 

“Outros exames podem ser necessários para determinar o estadiamento da doença e decidir o tratamento mais adequado. Por esses exames, é possível identificar se o câncer de pele é melanoma ou não-melanoma e seus tipos”, explica.

Renata diz que é necessário procurar o especialista sempre que o paciente notar alguma alteração na pele como manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram, feridas que não cicatrizam em quatro semanas, além de pintas ou sinais que mudam de tamanho, forma ou cor.

Tratamento

A cirurgia para retirada do tumor é o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas, dependendo do estágio do câncer. Quando há metástase, o câncer de pele melanoma (tipo mais grave), atualmente, é tratado com novos medicamentos imunoterápicos, que apresentam altas taxas de sucesso terapêutico, explica Renata Storani.

O tratamento do câncer de pele tem evoluído com a introdução da terapia-alvo e a imunoterapia. A terapia-alvo envolve drogas que atacam determinada molécula presente na célula tumoral, e a imunoterapia ativa o sistema de defesa do paciente contra as células cancerígenas. Essas novas terapias vêm aumentando a sobrevida dos pacientes com resultados bem promissores.

Prevenção

Quando o assunto é prevenção, nenhuma tecnologia substitui a educação e conscientização sobre os riscos da exposição à radiação solar e necessidade do uso diário de protetores. Confira hábitos que você deve inserir na sua rotina para evitar o câncer de pele: 

  • Use filtro solar todos os dias, fator 30 ou mais e com aplicação três vezes ao dia. O real fator de proteção do produtos varia com a espessura da camada e a frequência de aplicação;
  • Evite ficar no sol entre 10h e 16h, período em que a radiação é mais forte;
  • Use proteção física: óculos de sol e roupas com proteção UV, chapéus de abas largas, sombrinhas e guarda-sol;
  • Prefira ficar em locais sombreados;
  • Crianças e bebês precisam de atenção redobrada. A infância é o período mais suscetível aos efeitos danosos da radiação UV, que se manifestam na fase adulta;
  • Faça um autoexame periodicamente: cheque sua pele à procura de novas manchas ou pintas que se modificaram; 
  • Procure um dermatologista a cada seis meses ou um ano para avaliar detalhadamente as pintas;
  • Se há histórico familiar ou casos anteriores de melanoma, procure um dermatologista para fazer um mapeamento corporal. Neste exame, são feitas fotografias com o auxílio de dermatoscópio digital das principais lesões suspeitas. O objetivo é fazer registros fotográficos periódicos a cada 3 meses, 6 meses ou 1 ano, a depender das características das pintas, para detectar variações discretas e diagnosticar precocemente o melanoma, caso ele apareça.

Dezembro Vermelho simboliza a luta contra a Aids e alerta para importância da prevenção ao HIV

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids é o 1º de dezembro, mas o mês inteiro é marcado por ações que buscam multiplicar as informações sobre o tratamento da doença e medidas para evitar a transmissão do vírus causador, o  HIV – sigla em inglês para o Vírus da Imunodeficiência Humana – e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O Dezembro Vermelho é uma referência ao laço vermelho que simboliza a solidariedade de pessoas ao redor do mundo em relação à epidemia de aids.

Em 2017, o Senado Federal aprovou a lei 13.504, que institui a Campanha Nacional de Prevenção ao HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis durante o mês de dezembro. De acordo com o Ministério da Saúde, 93% das pessoas diagnosticadas com HIV positivo no Brasil já estão em tratamento com níveis indetectáveis para o vírus. Por outro lado, existem cerca de 135 mil brasileiros infectados pelo HIV e não sabem. 

Nos últimos anos, tem-se observado registro de 40 mil novos casos a cada ano. Segundo o Boletim epidemiológico de HIV/Aids publicado em dezembro de 2019, no período de 1980 a junho de 2019 foram 966.058 casos de Aids detectados no país, e de 2012 para 2018 ocorreu uma redução na taxa de detecção da doença de 21,4 para 17,8 para cada 100.000 habitantes.  

“Apesar dessa redução nas taxas de detecção em relação aos anos anteriores, segue um número elevado de novos diagnósticos anuais e de mortes relacionadas a doença”, afirma o chefe do Serviço de Controle de Infecção do Hospital São Lucas da PUCRS, Fabiano Ramos. O Ambulatório de Infectologia do hospital atende pacientes do SUS com HIV. De acordo com o médico, múltiplos fatores estão envolvidos, porém a falha ou o não uso de preservativos é a principal causa da transmissão do vírus. “A doença está mais concentrada em adultos jovens, e o número de homens em relação às mulheres tem aumentado (2,3 homens para cada mulher”, explica Fabiano. “Como a Aids se tornou crônica, e as pessoas que fazem tratamento geralmente não morrem pela doença, parece ser considerada simples, e o medo de possível infecção pelo vírus talvez tenha se perdido.”

Transmissão e prevenção

O vírus HIV ataca o sistema imunológico – responsável por defender o organismo de doenças – e é capaz de alterar o DNA e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. Quando não tomam as devidas medidas de prevenção, os pacientes soropositivos que têm ou não Aids podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é importante fazer o teste regularmente e se proteger em todas as situações.

Entre os métodos de prevenção que podem ser combinados estão a testagem regular para o HIV, realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), a prevenção da transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gravidez); o tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e das hepatites virais; a imunização para as hepatites A e B; programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias; profilaxia pré-exposição (PrEP); profilaxia pós-exposição (PEP); e o tratamento de pessoas que já vivem com HIV. 

“Manter os pacientes em tratamento e com carga viral indetectável no sangue garante não só um tratamento adequado individualmente, mas proporciona uma redução na transmissão viral. Outra estratégia importante adotada nos últimos anos é a utilização da PrEP, onde o uso de antirretrovirais em determinados grupos de pessoas expostas à transmissão viral pode ser fundamental na prevenção”, afirma Fabiano. A  PrEP, novo método de prevenção à infecção pelo HIV, consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo antes de a pessoa ter contato ele. Entretanto, a PrEP não protege de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis – sífilis, clamídia e gonorreia, por exemplo – e, portanto, deve ser combinada com outras formas de prevenção, como a camisinha.

Centro de Inovação e Educação do Oswaldo Cruz foca no mercado de saúde digital

O Hospital Alemão Oswaldo Cruz entrou de vez no mercado de saúde digital ao inaugurar um Centro de Inovação e Educação com foco no desenvolvimento de soluções tecnológicas e na capacitação de profissionais. O objetivo final é tornar ainda mais eficientes os tratamentos e serviços oferecidos à população.

Com investimento de R$10 milhões em infraestrutura, capacitação e contratação de pessoal, o centro ocupa uma área de 800 m² na Avenida Paulista, em São Paulo. O local abriga uma incubadora e aceleradora de startups, um laboratório de ciência de dados e uma ampla estrutura de treinamento com recursos de última geração.

O superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação do Oswaldo Cruz, Kenneth Almeida, contou para o blog como surgiu esta iniciativa, quais ações já estão em andamento e os projetos que o Centro de Inovação tem em vista para os próximos anos.

Por que o hospital decidiu investir em um centro de inovação? 

Kenneth Almeida: Fizemos uma revisão do nosso planejamento estratégico, que gerou uma série de reflexões para o hospital. A tradição inovadora já faz parte dos nossos valores, como um dos norteadores da nossa prática. Isso está indo muito bem, com inovações na área de farmácia, de saúde integral. Mas sentimos a necessidade de avançar um pouco mais, com um espaço físico para a confluência das ideias e inovações do hospital. Algo sistematizado. Lançamos então o Centro de Inovação Oswaldo Cruz na celebração dos 122 anos do hospital, em setembro, marcando uma mudança de estratégia.

Quais startups já são parceiras do Centro de Inovação? 

Kenneth Almeida: Estamos trabalhando com uma startup que desenvolveu o robô Laura, que detecta riscos de sepse a partir dos dados de um pronto-atendimento ou centro cirúrgico. O robô foi desenvolvido por um profissional da área de TI de Curitiba que perdeu a filha por sepse. Do sofrimento ele decidiu desenvolver uma solução para mais hospitais. Estamos entrando com eles em um projeto de jornada do paciente na área de inteligência artificial, usando a experiência que eles já têm com o Laura.

Recentemente, também premiamos um projeto de blockchain (confiabilidade de dados) na área da saúde, desenvolvido por estudantes de Tecnologia da Informação da FIAP.

O espaço de startups vai desde a incubação até a aceleração, como no caso do projeto com a equipe do Laura, no qual vamos desenvolver um produto com a participação de ambos. A equipe do Laura terá uma célula dentro do Centro de Inovação.

Há outras áreas que estão no foco de trabalho? 

Kenneth Almeida: No processo de planejamento do centro foram entrevistados médicos, engenheiros e profissionais de enfermagem para saber as inovações que eles achavam que levariam valor para o hospital. Primeiramente, foram apontados aspectos computacionais e de tecnologia da informação, que é nosso foco direto agora. Também apontaram para biotecnologia e nanotecnologia, que vão nortear nosso desafio do próximo ano.

Como é o trabalho na parte de treinamentos? 

Kenneth Almeida: O Centro de Inovação vai funcionar como um espaço de extensão da faculdade que o Oswaldo Cruz já tem. Temos três impressoras 3D e uma ilha com treinamento de realidade virtual de imersão em anatomia e fisiologia. A ideia é que professores estejam sempre frequentando o espaço, dando aula e também promovendo mentoria para as startups.

Há ainda a área de educação conectada, com 20 pessoas do hospital no Centro de Inovação que trabalham desenvolvendo projetos para o próprio mercado, startups e para o governo, via Proadi. Esse grupo torna viva a convivência com as startups, que precisam ter esse contato.

Quem poderá fazer os cursos do Centro de Inovação?  

Kenneth Almeida: A faculdade do Oswaldo Cruz já recebe alunos de todos os hospitais da região e a ideia é que ocorra o mesmo no Centro de Inovação. Ele tem conectado muitas empresas e organizações, e há uma sinergia de conhecimento. O Centro de Inovação conecta as necessidades de outros atores, não só do hospital. Nosso conceito-chave é parceria. 

O laboratório de ciência de dados funciona de que forma?  

Kenneth Almeida: Os cientistas de dados residentes no Centro de Inovação farão um trabalho focado nas demandas das startups. A ideia é que seja como um delivery mesmo. Por exemplo, uma startup trabalhando em um projeto de blockchain que precisa de uma pesquisa para saber toda a cadeia de um medicamento – como faço para rastrear e ter confiabilidade do envio. O setor de cientistas de dados, com a base enorme que temos do hospital e de relacionamento com a indústria e os laboratórios, pode entregar esse estudo. Eles poderão usar o volume de dados do hospital para realizar simulações, sem individualizar nem identificar nenhum paciente.

Como o Oswaldo Cruz quer se posicionar no mercado digital de saúde a partir do Centro de Inovação? 

Kenneth Almeida: Buscamos desenvolver conteúdo em saúde usando tecnologias digitais. Vou te dar um exemplo prático: na área de educação conectada, a equipe estrutura cursos para a área digital. Já estamos com três propostas para educação médica e saúde à distância. Fizemos uma prospecção ativa com potenciais clientes e três deles nos retornaram. 

Outra questão-chave é trasladar o conhecimento em pesquisa para a prática. Atualmente, temos 35 pesquisas clínicas em andamento e seis estudos epidemiológicos em caráter global. Várias dessas pesquisas morriam em si próprias e não geravam nenhum outro valor agregado. A ideia é que o centro de inovação seja uma ponte de desenvolvimento de pesquisas em serviços e produtos, em atividades práticas. Literalmente, usar o conteúdo de pesquisa e transformar em ações práticas para órgãos públicos, por exemplo.

E quem são os principais clientes do centro? 

Kenneth Almeida: Outros hospitais, de São Paulo ou de fora. Faculdades, principalmente de educação à distância – temos uma agenda bastante cheia nesse sentido. A própria indústria farmacêutica e de equipamentos, que vamos atender com tecnologia educacional, projetos de formação de equipes usando tecnologia digital e as administrações públicas.

Ortopedia sob medida melhora qualidade de vida de pacientes da AACD

Referência em qualidade no tratamento especializado em ortopedia de alta complexidade há quase sete décadas, a AACD oferece uma linha de cuidado completa, incluindo uma Oficina Ortopédica responsável pela produção própria das órteses, próteses, entre outras peças

Foi em 1950 que começou a história da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) com o tratamento de pacientes com deficiência física, em especial as crianças com sequelas de poliomielite. Mas logo a AACD percebeu que não eram apenas as crianças que necessitavam de tratamento, mas também adultos e idosos que possuíam alguma deficiência congênita ou adquirida por meio de acidentes ou enfermidades. “Hoje, 50% dos nossos atendimentos são voltados para as crianças e 50% para adultos. Existia essa demanda, então a associação se adaptou para seguir esse caminho”, conta Valdesir Galvan, CEO da instituição.

Ao longo desses anos, a AACD foi ampliando o seu escopo de atuação e definiu sua especialização em oito linhas de cuidado: paralisia cerebral, lesão encefálica adquirida, amputação, mielomeningocele, má formação congênita, distrofia muscular, lesão medular e poliomielite. Tais patologias possuem uma demanda por intervenções da área de ortopedia, reparações com cirurgia, amputações, correções de deformidades e até mesmo escoliose.

“Muitos casos evoluem para uma necessidade cirúrgica para poder dar sequência na reabilitação, por isso surgiu a ideia e estratégia de se criar uma estrutura hospitalar”, relata Galvan, contando sobre a criação do Hospital Ortopédico AACD, há 26 anos em São Paulo. Com 125 leitos, incluindo os setores de internação e a UTI, o hospital – bem como o Centro de Reabilitação da associação – possui a certificação canadense QMentum, que orienta e monitora padrões de alta performance em atendimento.

“Temos o atendimento pré-hospitalar pelo ambulatório, centro médico e centro de terapia; o tratamento no hospital para cirurgia ou até internação; a reabilitação intra-hospitalar; o pós-cirúrgico e ainda vamos além com a Oficina Ortopédica, que supre a demanda por uma prótese ou uma órtese derivada de um ato cirúrgico. Assim toda a linha de cuidado está compreendida na AACD e são poucos os lugares que podem oferecer isso”, detalha o superintendente de Operações, Emanuel Toscano.

Foi a partir do atendimento a diversos pacientes que precisavam de meios auxiliares de locomoção – por exemplo, muleta, órtese, prótese ou cadeira de rodas – que surgiu a necessidade, ainda no início da associação, de ter uma Oficina Ortopédica que pudesse produzir ou adaptar essas e outras peças para a deficiência de cada um, dando mais conforto e anos de vida aos pacientes. Hoje, ao todo, a instituição possui seis oficinas nos estados de São Paulo (unidades Ibirapuera e Osasco), Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 

“Ter essa interação e proximidade da oficina com o hospital, tendo a equipe multidisciplinar no mesmo lugar, é a grande vantagem. No caso de prescrições mais complexas, como as malformações, nós chamamos um técnico para conversar e ver o melhor a ser feito”, afirma Ciro Pavarina, coordenador da Oficina Ortopédica da AACD, na unidade Central, Ibirapuera. Há mais de 30 anos na instituição, Pavarina orgulha-se de participar desse trabalho. “O que motiva as pessoas a virem trabalhar aqui não é apenas o salário, é um outro tipo de pagamento. É poder fazer uma perna, um braço, uma órtese para colocar no paciente e ver como resultado a gratidão dele com o trabalho executado.” 

Com cerca de 80 funcionários, a oficina da unidade Ibirapuera desenvolve, entre próteses e órteses, de 1.500 a 1.800 peças por mês. Também são produzidas as mais variadas adaptações, como no caso das cadeiras de rodas para que haja uma adequação postural, de acordo com a deficiência e tamanho de cada paciente. “Fazemos até mesmo próteses de membros superiores em alta tecnologia com mãos biônicas. Muitas vezes as pessoas pensam que a AACD só trabalha com o público infantil ou com produtos simples, mas na verdade trabalhamos com alta tecnologia”, revela o coordenador. Ele acrescenta que é utilizada uma enormidade de matérias-primas – como couro, madeira, fibra de carbono, titânio, aço, resina e gesso – para variadas funções na peça, além de ser possível fazer customizações com o nome da pessoa, time de futebol, super-herói, desenhos e cores específicas.

À frente da área de desenvolvimento de produtos e novas técnicas, Pavarina está sempre acompanhando o avanço tecnológico para implantar na oficina. “Somos pioneiros e hoje dominamos a fabricação com tecnologia 3D para escaneamento no país. Com a captura de imagens digital, conseguimos diminuir a subjetividade e ter mais acuracidade nas confecções das órteses e próteses, que era impactante para nós”, explica. Outro benefício da tecnologia é a possibilidade de documentar e comparar índices de evolução daquele paciente, além do ganho na velocidade de alguns processos. O coordenador conta ainda que a AACD está também caminhando para a confecção de peças com impressora 3D. 

Mesmo com a mais alta tecnologia, a mão de obra humana é fundamental para a produção das peças. “O técnico que tirou o molde tem que ter conhecimento em anatomia e biomecânica para poder construir essa peça. Depois de montado, tem o alinhamento estático do equipamento e a verificação da marcha dinâmica, em que o paciente vai ‘testar’ e vamos avaliar se está no lugar”, esclarece. De acordo com Pavarina, encontrar este profissional capacitado é um dos desafios da oficina. “Não tem nenhum curso regular no país para formar esse técnico, as pessoas se formam através de cursos de especialização. Nós costumamos formar esse profissional aqui dentro.” Outro grande desafio é em relação ao custo com aparelhos, materiais e fabricação, bem como o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), que representa cerca de 90% do atendimento pelas oficinas.

Confira a reportagem completa sobre a ortopedia sob medida na AACD publicada na revista Panorama: https://ondemand.anahp.com.br/curso/panorama-edicao-72

Hospitais colocam o paciente no centro do cuidado para uma melhor experiência

Em constante busca por informações sobre especialistas e serviços médicos, os usuários dos serviços de saúde estão mais exigentes e buscam uma experiência melhor e com mais facilidades. Para se adaptar a esse novo cenário, as organizações de saúde têm buscado se transformar, e para isso se faz necessária uma mudança cultural na maneira como é concebida a prestação do atendimento. 

Antes focado na própria instituição, o atendimento agora passa a colocar o paciente e sua família no centro do cuidado. Proporcionar a melhor experiência para o paciente também tem relação com a busca por uma melhor performance em indicadores de qualidade – levando em conta a melhora clínica, o impacto na segurança, a diminuição na readmissão hospitalar e melhores medidas de desfecho. 

“Hoje os pacientes não apenas esperam ótimos resultados clínicos. Eles esperam um acesso excepcional, conveniente para seus horários, um serviço excelente, cuidados compassivos e participação na tomada de decisões sobre seu plano de cuidados – tudo isso ao melhor preço possível”, pontua Anthony Warmuth, diretor-executivo de Qualidade e Segurança da Cleveland Clinic, centro médico acadêmico norte-americano pioneiro em tornar a experiência do paciente um objetivo estratégico, sendo uma das primeiras organizações a nomear um diretor de Experiência e a estabelecer um escritório específico para a área. 

A Cleveland Clinic tem profissionais que atuam como recurso consultivo para iniciativas em todo o sistema de saúde do centro médico, fornecendo recursos e análise de dados; identificando, apoiando e publicando as melhores práticas sustentáveis; e colaborando para garantir a entrega consistente de atendimento centrado no paciente. O escritório de experiência do paciente da instituição tem identificado as melhores práticas com o apoio de funcionários dedicados que atuam como especialistas em cada domínio da Avaliação de Consumidores Hospitalares de Fornecedores e Sistemas de Saúde (HCAHPS) – pesquisa criada nos Estados Unidos no início dos anos 2000 para medir a qualidade dos serviços prestados e a satisfação de pacientes dos hospitais do país que atendem aos seguros públicos de saúde. 

Com base na HCAHPS, a equipe da Cleveland monitora as tendências nacionais e locais da pesquisa para identificar como os hospitais com melhor desempenho mantêm o sucesso. “Compartilhar as práticas recomendadas dentro e fora da organização é extremamente útil para gerar impulso para melhorias”, acrescenta Warmuth. 

Para mostrar na prática o resultado que os esforços de melhoria da experiência do paciente podem gerar, a You Care, empresa de marketing estratégico especializada no setor da saúde privada, promove a Cleveland Experience, imersão de sete dias que já teve duas edições e reúne participantes de todo o setor: representantes de hospitais, laboratórios e clínicas, operadoras de planos de saúde e da indústria.

“Começamos em São Paulo, com a proposta de integrar o grupo e uniformizar o conhecimento sobre experiência através de um workshop, pois é importante que todos estejam na mesma página. Na sequência, vamos para Cleveland e lá participamos de um congresso sobre o tema, que conta com cerca de 2 mil participantes e mais de 70 aulas. Além do evento, passamos um dia exclusivo no centro médico para vivenciar a prática, por meio de visitas e conversas com os responsáveis”, conta Daniela Camarinha, sócia proprietária da You Care. Para encerrar a imersão, de volta na capital paulista, os participantes fazem uma visita técnica em alguma empresa nacional que implantou os processos e já está em um estágio mais avançado. 

Segundo Anthony Warmuth, diretor-executivo de Qualidade e Segurança da Cleveland Clinic que já visitou diversos hospitais ao redor do mundo, os desafios são basicamente os mesmos: manter os pacientes seguros e livres de infecções, fornecer atendimento eficiente e eficaz, atrair e reter o melhor colaborador e fazer tudo isso com o imperativo de redução de custos. “Embora esses temas e desafios estejam em toda parte na área da saúde, existem nuances locais que afetam a capacidade de resolvê-los. As diferenças culturais, de pagamento, estruturais e regulatórias impedem uma solução única para todos os problemas comuns. No entanto, o compromisso com os nossos pacientes e colaboradores, bem como as ferramentas fundamentais de melhoria de desempenho, são universais. Eles podem e devem estar no centro de nossos esforços de mudança, independentemente do país ou região”, esclarece Warmuth. 

A voz do paciente 

Para o executivo da Cleveland, a experiência do paciente é muito mais do que ser gentil. “Trata-se de nunca esquecer o porquê entramos na área da saúde e manter o paciente no centro das decisões que tomamos como cuidadores. Trata-se de conhecer nossos pacientes, suas necessidades e preferências. É sobre envolvê-los e capacitá-los como parceiros sob seus cuidados”, ressalta. Segundo ele, envolver pacientes e famílias em conselhos consultivos e, realmente, ouvir e agir com base em seus comentários é uma etapa fundamental. 

Algumas instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein já adotam esta prática. Lá, foi criado um Conselho Consultivo de Pacientes. “Quando o hospital planeja alguma mudança ou novo projeto, os gestores estão super preparados, mas ainda não têm a visão do paciente. Então o conselho é consultado para definir e levar algumas demandas, dando sugestões e críticas”, conta Marilena Araújo, participante desde 2014. A história dela com a instituição começou alguns anos antes, quando foi diagnosticada com um câncer de ovário em estágio avançado. Desde então, foram muitas idas e vindas até que, ao final do tratamento, um pensamento não saía de sua cabeça: “o que fazer com o conhecimento que adquiri durante este tempo no hospital”. 

Assim, Marilena foi pesquisando e se envolvendo cada vez mais com o tema, tendo participado inclusive de reuniões em Nova Iorque onde assistiu palestras, conheceu modelos de outros hospitais e fez até um treinamento na área. Hoje, ela dá palestras sobre o tema. Quando voltou para o Brasil, levou todo o material que havia reunido ao Einstein e assim foi convidada a participar do Conselho Consultivo, que faz parte da filosofia Planetree – certificação que reconhece as instituições que possuem a filosofia do cuidado centrado na pessoa. No país, desde 2012 o Escritório Planetree Brasil, com sede no Einstein, é responsável por disseminar e treinar as instituições de saúde nos países de língua portuguesa interessadas em obter a certificação. 

O Conselho Consultivo do Einstein conta com um coordenador, que participa de todas as reuniões ao lado de representantes do corpo clínico do setor que estiver em pauta, além dos próprios pacientes. “Em cada encontro, nós já definimos o planejamento para as reuniões seguintes. É legal ver as mudanças acontecendo, tudo o que levamos de demanda nós temos devolutiva e, muitas vezes, o pessoal do setor envolvido participa para apresentar as propostas para assinarmos. Depois acompanhamos o desenvolvimento do projeto de acordo com o seu funcionamento”, esclarece Marilena. 

Confira a reportagem completa sobre o paciente no centro do cuidado publicada na revista Panorama: https://ondemand.anahp.com.br/curso/panorama-edicao-72

Como funciona o banco de sangue de um grande hospital

Em 25 de novembro foi celebrado o Dia do Doador Voluntário de Sangue. A data marca o período de campanhas que antecedem uma época de baixa nas doações de sangue, com as férias e as festas de fim de ano. 

Para explicar melhor sobre essa sazonalidade e também como funciona o banco de sangue de um grande hospital, o blog conversou com André Larrubia,  gerente de banco de sangue da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Por mês, o banco realiza em média 1,2 mil a 1,4 mil coletas e 1,9 mil a 2 mil transfusões nas três unidades que atende. 

Como funciona o banco de sangue da BP? 

André Larrubia: Hoje, em São Paulo, só os grandes hospitais na rede privada que têm um banco de sangue próprio. O nosso atende exclusivamente aos pacientes da BP nos três hospitais: BP Paulista, BP Mirante e BP Filantrópico. Não fornecemos para outros hospitais e também não recebemos sangue de outros hospitais. Nossa demanda é toda interna. 

Quantas pessoas trabalham no banco? 

André Larrubia: Temos aproximadamente 100 pessoas entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, biomédicos, biólogos, farmacêuticos, médicos e os administrativos. Aqui a gente faz toda a captação e coleta e depois distribui para as três unidades. Dentro de cada hospital temos uma agência transfusional, que tem mais funcionários, de diferentes áreas, para fazer todo esse abastecimento para as transfusões.

E como é o fluxo do banco de sangue para as agências transfusionais? 

André Larrubia: A gente chama de ciclo do sangue. No banco, recebemos os doadores e fazemos as coletas. A próxima etapa chamamos de produção, que é todo o fracionamento do sangue. Cada bolsa que a gente colhe, fracionamos em hemocomponentes diferentes: o concentrado de hemácias, o concentrado de plaquetas, o plasma e o crioprecipitado. Uma vez que temos tudo isso produzido e separado dentro de sua bolsa específica, a gente aguarda o processo de liberação dos exames que são feitos em cada bolsa – não só a tipagem sanguínea como toda a sorologia: HIV, hepatite C, hepatite B, sífilis e etc. Na hora em que tudo isso está pronto para o uso, transportamos para as agências transfusionais, com as quantidades específicas para cada hospital. 

Cada agência tem seu estoque, que vai abastecer os pedidos dos pacientes de cada hospital. Então, a agência transfusional de um hospital é aquele setor onde trabalhamos 24 horas por dia atendendo aos pedidos de transfusão que chegam. 

Há uma sazonalidade nas doações? 

André Larrubia: Com certeza. Na BP, temos aproximadamente 1,2 mil a 1,4 mil doações por mês e fazemos entre 1,9 mil e 2 mil transfusões por mês. Para cada doação, até quatro pacientes podem ser atendidos. Pensando em Brasil, temos mais ou menos 3,4 milhões de doações e 2,8 milhões de transfusões por ano. 

Mas é muito cíclico. Há períodos bem específicos nos quais cai muito o número de doações. No inverno, principalmente final de julho e metade de agosto, que são meses mais frios aqui em São Paulo. Também no período de férias e festas, que começa pelo dia 10, 15 de dezembro e, dependendo do ano, vai até o carnaval. Nesse período as doações caem aproximadamente 20%. 

E o que o banco faz para compensar essa baixa? 

André Larrubia: Fazemos campanhas com os doadores que temos no nosso cadastro. Como já sabemos a sazonalidade, começamos com um pouco de antecedência a intensificar a campanha de doação. Chamamos os doadores fidelizados, com os exames negativos e que sabemos que voltam com frequência, e fazemos a campanha para que eles venham doar. 

E qual é o estoque mínimo para um banco de sangue? 

André Larrubia: O estoque mínimo é um cálculo que é feito baseado em tudo o que foi transfundido no período de 6 meses para saber quanto precisa ter de cada hemocomponente de cada grupo sanguíneo. Então, é um cálculo variável. Cada agência transfusional tem o seu estoque mínimo para que nenhum paciente deixe de ser atendido.

Quantos doadores voluntários a BP tem hoje? 

André Larrubia: Temos dois tipos de voluntários: o chamado doador de repetição, que é aquele melhor doador possível. Ele vem mais de duas vezes por ano e tem exames negativos. Há ainda os doadores esporádicos, ou de primeira vez, que o resultado dos exames é sempre uma incerteza. Pensando na segurança do paciente que vai receber, o ideal é que a gente tenha um número cada vez maior de doadores de repetição. Na BP, do total que fazemos de doações, temos aproximadamente 50% de doadores de repetição – de um banco de dados com cerca de 4 mil pessoas. 

Na BP, qual o perfil do paciente geralmente atendido pelo banco? 

André Larrubia: Pacientes oncológicos, que fizeram transplante de medula óssea ou de fígado e que passaram por cirurgias cardíacas. 

Quem quer ser um doador o que deve fazer? 

André Larrubia: Pode ser um doador qualquer pessoa em boa situação de saúde, de 16 a 69 anos de idade e acima de 50 kg. Pela segurança dos pacientes que vão receber as transfusões, há outros requisitos que são avaliados em um questionário bem extenso que é aplicado a todos os voluntários todas as vezes que vão doar.