Cinco fatos sobre o coronavírus que é importante saber

O Brasil registrou nesta quarta-feira (26/2) o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus. O homem de 61 anos que mora em São Paulo e esteve recentemente na Itália também é o primeiro caso da doença na América Latina. Descoberto na China, na província de Hubei, o vírus tem se espalhado para outros países, e em todo o mundo já são mais de 80,9 mil casos segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor da OMS, Hans Kluge, afirmou que “não há necessidade de pânico”, pois a letalidade do vírus é de apenas 2%. “Lembrem-se que quatro de cada cinco pacientes têm sintomas leves e se recuperam”, afirmou.

O coronavírus foi tema de um talk show no Hospital Sírio-Libanês (HSL) no dia 11 de fevereiro. Participaram do evento os médicos que fazem parte do Centro de Infectologia do HSL, anunciado oficialmente na mesma ocasião. Os infectologistas esclareceram algumas questões sobre o coronavírus e responderam às dúvidas do público. Veja abaixo cinco fatos sobre o coronavírus que a população deve saber:

Qual a origem do vírus?
Os coronavírus pertencem a uma família de vírus que tem esse nome porque são esféricos e com várias espículas em seu contorno, assemelhando-se a uma coroa – “corona”, em latim. De um modo geral, infectam animais como morcegos, gatos selvagens, porcos e dromedários. “O vírus só infecta humanos quando consegue ter mutações para se ligar a receptores de células do trato respiratório humano”, explicou o infectologista Antonio Carlos Nicodemo. Ao todo, já foram identificados sete coronavírus que causam infecção em humanos.

Qual a letalidade do novo coronavírus?
A epidemia de SARS, a síndrome respiratória grave por coronavírus, que ocorreu em 2002 e também se iniciou na China, teve uma letalidade de 9,6%. Dez anos depois, em 2012, uma outra epidemia por coronavírus que começou na Arábia Saudita foi chamada de síndrome respiratória do Oriente Médio. Assim como a SARS, ela também se espalhou por outros continentes e atingiu uma letalidade de 34,4%. O novo coronavírus foi identificado após casos de pneumonias na China, que foram relacionados ao mercado de uma cidade onde eram vendidos animais selvagens e também alguns alimentos. Uma semana depois de descobrir o vírus, já havia sido feito o seu sequenciamento genético e, por enquanto, se estima a letalidade entre 2% e 3%. “Parece uma letalidade bem inferior aos outros dois surtos de 2002 e 2012”, afirma Nicodemo.
Sobre as chances de contágio, ainda não há um dado específico do novo coronavírus. Para título de comparação, a epidemia de SARS teve cerca de 8 mil casos confirmados, e o novo coronavírus já ultrapassou 80 mil no mundo.

Quais são os principais sintomas?
A doença tem características clínicas muito parecidas com uma gripe habitual. “Os sintomas principais são febre muito elevada, tosse pouco produtiva e dificuldade respiratória. Uma quantidade muito grande de pacientes evolui com dificuldade de respiração. Chamamos isso de dispneia, ou seja, a pessoa sente falta de ar”, explica a infectologista Maria Beatriz Gandra Souza Dias.
No início da epidemia, em torno de 25% dos casos eram mais graves e com necessidade de internação. Ao longo do tempo, isso foi diminuindo, afirma a especialista. “De acordo com o último trabalho publicado, atualmente, cerca de 5% são casos graves”, afirma Maria Beatriz.
Ela explicou ainda que um número menor de casos pode ter desconforto digestivo, com ocorrência de diarreia entre 5% e 10% dos pacientes.

Existe alguma vacina?
A vacina é sempre a situação ideal para a prevenção de qualquer agente infeccioso. Cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) divulgaram um boletim afirmando que devem começar a testar vacinas contra o novo coronavírus em humanos dentro de até três meses. “Mas não vai ser algo rápido. Começam os testes em cerca de três meses e, num cenário muito otimista, com todas as fases para liberação e produção de uma vacina, isso poderia durar cerca de um ano”, afirma a infectologista Tânia Mara Varejão Strabelli.
Até o momento, não há um tratamento específico para o novo coronavírus. Os pacientes recebem medicação para o alívio dos sintomas e suporte de terapia intensiva quando têm dificuldade de respirar.

Como posso me proteger?
Há alguns cuidados simples que podem reduzir as chances de contágio: evitar contato direto com pessoas que tenham sinais de infecção respiratória, cobrir nariz e boca quando for tossir ou espirrar e higienizar as mãos com frequência utilizando água e sabão ou álcool em gel – principalmente após tossir ou espirrar.
A OMS recomenda evitar viagens para a província de Hubei, na China, onde fica a cidade de Wuhan, considerada o epicentro do novo coronavírus.

Quer saber mais? Você pode assistir ao talk show completo no canal do YouTube do HSL.

Fevereiro Laranja: mês dedicado à conscientização sobre a leucemia

A leucemia, que começa na medula óssea e ataca os glóbulos brancos, é considerada um câncer mais raro, se comparado com os demais tipos. Porém isso não diminui a necessidade de atenção, e o mês de fevereiro é dedicado à campanha sobre os sintomas e formas de identificar a doença – que deve ter 11 mil novos casos por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O portal Saúde da Saúde conversou com a hematologista do Hospital Dona Helena (SC) Ana Carolina Moreira de Carvalho Cardoso, que explicou os avanços no diagnóstico e tratamento da doença nos últimos anos.

Qual é o panorama da leucemia no Brasil?
Ana Carolina: Falando mais das leucemias agudas [linfóide e mielóide], é uma doença rara, porque ela corresponde a mais ou menos 1% de todos os cânceres. A linfóide é a mais comum entre as crianças. Nos adultos, se divide um pouco entre a mielóide e a linfóide – que são relativamente mais comum em homens. No geral, há uma média de 5 em cada 100 mil pessoas que recebem diagnóstico de leucemia aguda.

Houve avanços com relação ao diagnóstico da doença nos últimos anos?
Ana Carolina: O tratamento das leucemias padrão, que tem no SUS e nos hospitais particulares, o básico, é o mesmo há muito anos. Uns cinco anos atrás, mais ou menos, foram diagnosticados alguns marcadores específicos para a mielóide, por exemplo, e aí sim alguns tratamentos-alvo estão começando a ser usados na rede particular. Então, nas leucemias agudas, já conseguimos algumas medicações-alvo que prometem um tempo maior de progressão livre da doença.

Como funcionam os tratamentos-alvo?
Ana Carolina: Quando é feito o diagnóstico, buscamos identificar mutações para tentar usar drogas específicas que aumentam a taxa de remissão da doença. As drogas-alvo são drogas contra estas mutações, o que aumenta a taxa de remissão completa. É uma droga que age exatamente em uma mutação que este tipo de câncer tem para aumentar a taxa de remissão – que está relacionado às chances de voltar a ter a doença posteriormente.

Como é feito o diagnóstico da leucemia?
Ana Carolina: Primeiro, o paciente vai procurar algum médico clínico porque vai notar que está um pouco mais cansado, que está tendo algum sangramento anormal ou umas manchas roxas pelo corpo. O clínico vai pedir um hemograma completo e vai perceber alterações nas taxas de hemoglobinas, leucócitos e plaquetas. Aí ocorre o encaminhamento para o hematologista, que fará um exame do sangue periférico, como chamamos, para olhar se ali já tem alguma célula doente. Mas isso não exclui a necessidade de fazer uma biópsia de medula. Colhemos um pouco de sangue e mandamos para os locais específicos: genética, biologia molecular, imunofenotipagem. Nestas áreas, sim, o diagnóstico avançou. Muito anos atrás, não havia alguns marcadores que poderíamos olhar na biologia molecular, por exemplo, para identificar um melhor ou pior prognóstico.

No caso da leucemia, há algum fator de risco que pode aumentar as chances de ter a doença, como ocorre em alguns outros cânceres?
Ana Carolina: A leucemia tem alguns fatores que aumentam o risco, mas que não são tão correlacionados como em outros cânceres – pulmão e intestino, por exemplo. Alguns tipo de quimioterapia e radioterapia podem aumentar o risco de ter leucemia, além do tabagismo e algumas substâncias usadas pela indústria química, como benzeno.

Em quais situações é necessário um transplante de medula?
Ana Carolina: O transplante ocorre nas leucemias em que identificamos marcadores genéticos de mau prognóstico. Nestes casos, sabemos que sem o transplante o paciente pode até entrar em remissão, mas há chances muito grandes de a doença voltar. O transplante é feito nestes pacientes de alto risco e naqueles que não tinham indicação de transplante inicialmente, porém por algum motivo a doença voltou.

Como é o tratamento destes pacientes hoje no Hospital Dona Helena?
Ana Carolina: Temos uma equipe multidisciplinar, porque todo diagnóstico de câncer mexe muito com o paciente como um todo. Então é importante ter sempre psicólogos, terapeuta ocupacional, nutricionista e a própria equipe de enfermagem oncológica.

Há algumas atitudes para tentar prevenir ou ter um diagnóstico mais antecipado da leucemia?
Ana Carolina: Uma diagnóstico antecipado é um pouco mais difícil por se tratar de uma doença bem aguda. A pessoa pode fazer um exame de sangue de rotina e estar tudo ok, e daqui dois ou três meses se sentir cansada, voltar a fazer o exame e ter um diagnóstico de leucemia. Hábitos de vida saudáveis, não fumar, ter uma alimentação com comida de verdade – sem enlatados e industrializados, mais orgânicos e com menos agrotóxicos – e atividade física. Todos esses são fatores que contribuem para evitar, não só a leucemia, como outros tipos de câncer e doenças.

Os tipos de leucemia
As leucemias podem ser classificadas de duas formas: pela evolução e pelo tipo de efeito nos glóbulos brancos.

Pela evolução
– Agudas: as células malignas se encontram numa fase muito imatura e se multiplicam rapidamente, causando uma enfermidade agressiva. Este tipo é mais comum na infância.
– Crônicas: a transformação maligna ocorre em células-tronco mais maduras. A doença costuma evoluir lentamente, com complicações que podem levar meses ou anos para ocorrer. Este tipo é raro em crianças.

Pelo efeito nos glóbulos brancos
– Leucemia linfoide, linfocítica ou linfoblástica: afeta as células linfóides, sendo mais frequente em crianças;
– Leucemia mieloide ou mieloblástica: afeta as células mielóides e é mais comum em adultos.

Hospital humanizado: qualidade de vida e bem-estar do paciente

Um ambiente hospitalar funcional e agradável torna a experiência do paciente muito mais satisfatória. No hospital humanizado, há uma atmosfera de acolhimento em todos os serviços prestados – desde a recepção até a internação. Para o paciente e sua família, este é um fator determinante na recuperação e no bem-estar. Para as equipes médicas, reflete em maior eficiência, conforto, proximidade e flexibilidade.

Em entrevista à revista Panorama, o head de Estratégia e Marketing do segmento de Saúde da Sodexo On-site Brasil, Gabriel Paiva, explicou que entre os fatores que contribuem para um ambiente hospitalar humanizado estão a segurança, a limpeza e a alimentação, que precisa ser adequada às necessidades de cada público – pacientes, visitantes e colaboradores.

“Pacientes que são atendidos de maneira humanizada têm mais confiança na equipe e nos tratamentos, além de responderem melhor aos recursos clínicos”, conta Paiva, acrescentando que este fator é determinante para acelerar o processo de cura.

A humanização também gera bons resultados para o hospital, pois aumenta as chances de retorno do paciente à instituição, caso ele precise de um novo atendimento, e de indicações para outras pessoas.

Dentro do conceito de humanização, a Sodexo oferece diversidade de cardápios para que o paciente não tenha o tratamento prejudicado porque fica sem vontade de comer uma “comida de hospital”. “A compreensão e aceitação do paciente diante das restrições alimentares estabelecidas durante o seu tratamento é encarada como um dos principais desafios pelas equipes médicas”, afirma Paiva.

Para pacientes cardiopatas, há um menu com molhos especiais e ervas frescas que mantêm o aroma e o sabor da comida, compensando a ausência de sal e azeites aromáticos. Para a geriatria e pessoas com dificuldade de engolir, equipes multidisciplinares de saúde criam refeições com cor, sabor e cheiro que estimulem o apetite e façam o paciente voltar a ter prazer sem se alimentar.

Para saber mais, leia a entrevista completa na edição nº 73 da Panorama. Baixe gratuitamente aqui.

Startup brasileira cria primeiro método não invasivo para medir pressão intracraniana

Vencedora do projeto Startups Anahp 2019, realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a brain4care desenvolveu o primeiro método no mundo totalmente não invasivo capaz de monitorar a complacência cerebral – que é a capacidade do cérebro de manter a sua pressão estável.

Antes, só era possível medir a pressão intracraniana (PIC) fazendo um pequeno furo no crânio, método que não é aplicável a todos os pacientes. Com o dispositivo da startup, o monitoramento é realizado sem dor, com menos risco para o paciente e os resultados demoram entre 15 e 20 minutos. A descoberta permite identificar ou confirmar algumas doenças antes mesmo que os sintomas se manifestem e acompanhar a evolução do paciente ao longo do tratamento.

O diretor de marketing da brain4care, Renato Abe, explicou ao blog como a empresa começou e de que forma seu sensor tem revolucionado a experiência dos pacientes nos hospitais. Atualmente, a tecnologia está em uso em instituições associadas Anahp como o Sírio-Libanês e o Nove de Julho.

Como funciona o projeto apresentado pela brain4care no Startups Anahp?
Renato Abe: Criamos uma plataforma de monitorização da complacência cerebral e tendência da PIC em tempo real por meio de um sensor sem fio. Em 2019, recebemos a liberação do FDA (agência federal do Departamento de Saúde norte-americano) para comercialização nos Estados Unidos e fechamos o ano muito felizes com o reconhecimento da Anahp, que nos celebrou vencedores do Startups Anahp durante o Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp).

Assumimos como missão reduzir a dor e o sofrimento de milhões de pessoas estabelecendo um novo sinal vital, acessível a todos e em qualquer lugar. Deste posicionamento nasceu nosso modelo de negócio, que oferece aos hospitais uma solução inovadora, de baixo custo e sem limite de utilização por um valor fixo inferior a R$ 4 mil mensais.

Por este valor, nossos clientes têm acesso à plataforma de gestão e análise dos dados coletados, ao aplicativo Android para visualização das curvas em tempo real e emissão de relatórios diretamente no seu tablet, um sensor brain4care wireless para monitorização não invasiva da complacência cerebral e tendência da PIC, além de todo o treinamento e suporte necessários para a melhor experiência e desempenho no uso, podendo realizar um número ilimitado de exames, sem consumíveis ou custos adicionais.

Como essa tecnologia funciona nos hospitais?
Renato Abe: A plataforma brain4care se utiliza de um conjunto de tecnologias certificadas pela Anatel, HIPAA compliant e aderentes à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Em primeiro lugar, temos o sensor não invasivo brain4care, que tem sensibilidade suficiente para obter a morfologia do pulso da pressão intracraniana através do movimento de expansão e contração da caixa craniana do paciente por meio de sensores mecânicos. O sensor se comunica via bluetooth 5.0 com o aplicativo brain4care instalado em um tablet Android de propriedade do cliente e conectado à rede de internet wi-fi do próprio hospital.

Através dessa conexão o aplicativo envia os sinais captados pelo sensor para a plataforma brain4care cloud, que processa a informação utilizando algoritmos que permitem uma análise detalhada dos resultados para uso em pesquisa. São emitidos também relatórios para uso clínico enviados diretamente ao tablet utilizado para fazer a monitorização, para que sejam analisados pelo médico na tela do dispositivo ou encaminhado para impressão.

O uso de sensores mecânicos permite que o sistema brain4care obtenha a morfologia do pulso da PIC sem utilizar radiação, ultrassom ou qualquer outro tipo de emissão prejudicial aos pacientes, além de dispensar qualquer tipo de preparação, medicação ou contrastes. Isso permite que os médicos possam obter a complacência cerebral em tempo real a qualquer momento, podendo repetir a utilização quantas vezes for preciso com muita rapidez, simplicidade e segurança – atributos valiosos no contexto da terapia intensiva onde é aplicado.

De que forma o médico utiliza o dispositivo em benefício do paciente?
Renato Abe: O método da brain4care captura as alterações da morfologia do pulso da PIC, que é uma das primeiras variáveis a serem modificadas no desenvolvimento da hipertensão intracraniana e continua atuando em todos os outros estágios. Isso significa que os médicos podem antecipar a percepção que um quadro de hipertensão intracraniana está acontecendo, atuar mais rapidamente e assim reduzir as chances de sequelas nos pacientes.

A solução brain4care é simples o suficiente para ser aplicada pela própria equipe da UTI, na beira do leito e sem necessidade de mobilizar estruturas de apoio. Ela não requer medicação, preparação ou contrastes e isso permite que o intervalo de tempo entre a constatação da necessidade do exame pelo médico e o resultado em mãos seja muito reduzido, bastando 15 a 20 minutos, enquanto a maioria dos métodos supera uma hora.

A praticidade no uso acaba sendo uma grande aliada num ambiente que requer velocidade e flexibilidade, como a UTI, e os médicos vêm utilizando o método para acompanhar a evolução das funções neurológicas dos pacientes ao longo do tempo em casos de suspeita, risco ou presença do quadro de hipertensão intracraniana. Trata-se de uma informação complementar na monitorização multimodal do paciente crítico, qualificando o suporte à tomada de decisão.

Quais resultados o dispositivo já apresentou?
Renato Abe: Ficamos muito felizes quando somos procurados pelos médicos para compartilhar seus casos clínicos, especialmente quando revelam histórias de saúde e felicidade. Nos casos de ajuste de válvula de DVP (derivação ventrículo-peritonial), por exemplo, a regulagem da válvula era realizada de forma empírica e levava vários dias para ser concluída. Com o uso da solução brain4care, o procedimento pode ser concluído em algumas horas, com muito mais precisão, trazendo um impacto muito positivo para a qualidade de vida dos pacientes e familiares, além de promoverem um impacto positivo no uso de recursos.

Recentemente uma menina de 11 anos de idade relatou à mãe que não estava mais enxergando. Foi levada ao hospital e todos os exames de imagem mostraram resultados normais. O uso da solução brain4care indicou hipertensão intracraniana pela alteração da morfologia do pulso da PIC, confirmada por punção lombar, e auxiliou na antecipação do tratamento. Usamos o método para acompanhar a evolução no quadro, as curvas foram evoluindo dia após dia até que no sétimo dia ela voltou a enxergar, com o padrão da morfologia apontando para um quadro de normalidade. O surgimento de novos casos é frequente, muitos deles apresentando aplicações inéditas, como o uso em neuroproteção em cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea.

Ao longo da nossa jornada acumulamos mais de 70 participações em congressos ao redor do mundo, 17 teses e dissertações defendidas e dez artigos científicos publicados. Estamos ajudando os médicos brasileiros a desenvolverem novas contribuições para a medicina ao mesmo tempo em que é muito gratificante constatar que o método está ajudando pessoas a se afastarem do território da doença.

Como você avalia os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Renato Abe: A revolução tecnológica representa uma oportunidade para ajudarmos a resolver os desequilíbrios existentes no ecossistema da saúde, ainda muito orientado ao tratamento curativo num modelo econômico onde a minoria dos procedimentos concentra a maior parte dos recursos e impede que a maioria das pessoas consigam acesso a um cuidado adequado.

Acredito que as healthtechs com posicionamento existencial socioevolutivo podem iniciar um movimento capaz de transformar a forma como os serviços de predição e assistência à saúde são distribuídos para a humanidade, criando um futuro mais justo.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Renato Abe: Imagino o hospital do futuro como um centro de assistência especializada no tratamento de casos críticos e de alta complexidade, criando, documentando e distribuindo conhecimento com foco em altos índices de resolutividade global, numa sociedade muito mais consciente e responsável em relação à saúde coletiva e individual e servida por uma infinidade de soluções muito eficazes e acessíveis em qualquer lugar.

Os cuidados individualizados baseados no sequenciamento genético e amparados pela assertividade das bases de dados em escala global auxiliadas pela tecnologia artificial reduzirão muito o tempo em que um indivíduo permanece doente ao longo da vida e mais ainda as chances de perder a vida por esse motivo. Como o acesso a essas soluções se dará fora do ambiente hospitalar e o atendimento crítico será proporcionalmente menor numa sociedade cada vez mais longeva e saudável, os hospitais do futuro servirão a uma população com muitos humanos bicentenários em busca de soluções que permitam estender a vida útil dos sentidos em plena forma, das funções vitais cheias de energia, para vivenciarmos cada vez mais histórias de saúde e felicidade!

Dia Mundial do Câncer: hospital usa música no auxílio ao tratamento de pacientes

O Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, é a data que lembra da importância de mudar hábitos e dar atenção à saúde para frear a epidemia global da doença – que, atualmente, causa o falecimento de 7,6 milhões de pessoas ao ano. Nesta batalha, avanços têm ocorrido no diagnóstico e tratamento, e os hospitais estão adotando metodologias para promover o bem-estar dos pacientes.

Referência em oncologia no Rio Grande do Sul, o Hospital Moinhos de Vento (HMV) realiza uma vez por semana sessões de musicoterapia para auxiliar no tratamento. Além de descontrair o ambiente das salas de quimioterapia, a música também alivia a ansiedade dos pacientes e de seus familiares, aumenta a sensação de bem-estar e diminui a dor.

Desde 2002, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda a musicoterapia como coadjuvante no tratamento da doença. Segundo o órgão ligado ao Ministério da Saúde, está comprovado que a música é capaz de interferir na batida cardiovascular, no sistema respiratório e na tonicidade muscular.

A música faz parte do processo de combate à doença no HMV desde 2019 e, assim como as medicações, tem dose, indicação e momento específico para acontecer. Segundo a supervisora da Psicologia Assistencial do hospital, Júlia Schneider Hermel, enfermeiros e psicólogos explicam aos musicoterapeutas a condição dos pacientes. De acordo com o contexto e a etapa do tratamento, é decidido o estilo musical e a atividade adequada para cada um.

Diagnosticada com um câncer de mama aos 35 anos, a professora Angélica Mattos de Oliveira começou a participar das sessões de musicoterapia por acaso, quando precisou trocar o dia da quimioterapia por uma questão envolvendo o convênio. Na sessão seguinte, encontrou a equipe do projeto tocando e cantando para os pacientes.

“Eu estava triste, desanimada. Mesmo tentando manter o alto astral, uma hora a gente fica mal. Mas as últimas sessões de quimio foram acompanhadas por música. Eu cantei, dancei, ri, chorei. É muito bom. Diminui a dor, a ansiedade”, afirma Angélica.

Os benefícios da musicoterapia não se limitam ao paciente e também fazem a diferença para parentes e equipe médica. “Para familiares e profissionais, o dia fica mais agradável. Eles nos contam que se sentem felizes ao observar que os pacientes estão mais alegres”, afirma a coordenadora assistencial do Serviço de Oncologia do HMV, Taiana Saraiva. Os profissionais se motivam mais a cuidar dos pacientes e disseminam a prática em outras áreas, melhorando as condições e o ambiente de trabalho.

O projeto é realizado por meio de um convênio entre o hospital e as Faculdades EST – Escola Superior de Teologia, única instituição a oferecer esse curso na grande Porto Alegre. As atividades do Grupo de Musicoterapia são realizadas pelos alunos em estágio curricular e supervisionadas pelas professoras da graduação. A ideia agora é ampliar o projeto em 2020. Até o ano passado, o grupo atendia pacientes oncológicos, da internação pediátrica e UTI Neo Natal.

Se quiser saber mais sobre como a música ajuda no cuidado e melhora a experiência do paciente, acesse o conteúdo disponível no Anahp On Demand e elaborado pelo Grupo Saracura, formado por 30 músicos, com mais de 10 anos de experiência, tendo desenvolvido trabalhos em diversos hospitais da capital paulista, como o Infantil Sabará, AACD, Nipo-Brasileiro e Hospital do Coração – HCor.

Prevenção
Estima-se que 1,5 milhão de mortes por câncer poderiam ser evitadas ao ano com medidas adequadas, e o Dia Mundial do Câncer pretende disseminar informações sobre prevenção e controle da doença.

Segundo o estudo “Estimativa 2020” do INCA, os cânceres que terão mais incidência no país são os de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. Para reduzir os riscos de surgimento da doença, o primeiro passo é evitar exposição aos fatores de risco e adotar um estilo de vida saudável.

Um dos maiores aliados é a prática de atividade física regular. Segundo estudo recente da Sociedade Americana de Câncer, os exercícios reduzem o risco de desenvolvimento de sete tipos de tumores – além de fortalecer as defesas do corpo e, assim, atuar na prevenção de outras enfermidades.

Confira as orientações gerais do INCA para a prevenção ao câncer:
– Não fumar;
– Praticar atividades físicas regularmente;
– Manter o peso corporal adequado;
– Manter uma alimentação saudável;
– Evitar carne processada;
– No caso das mães, amamentar;
– Mulheres devem fazer periodicamente o exame preventivo de câncer do colo do útero;
– Vacinar-se contra HPV e hepatite B;
– Consumir bebidas alcoólicas de forma moderada;
– Usar sempre protetor solar e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.