A preparação do Hospital Israelita Albert Einstein para enfrentar o coronavírus

27 de fevereiro, 2020

Para a instituição, foco é a excelência no atendimento e agilidade na identificação de casos do novo coronavírus, mas é essencial garantir que os demais cuidados com a saúde da sociedade se mantenham, de forma eficiente e segura.

A identificação do primeiro caso brasileiro do novo coronavírus pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, demonstra a eficácia da aplicação dos mais modernos recursos diagnósticos e de medidas de contenção apropriadas em casos como o da epidemia de Covid-19 que assusta o mundo. Desde o início da epidemia na China, no final do ano passado, o Hospital vem se preparando para fazer o diagnóstico e tratar pacientes contaminados pelo vírus de acordo com as rigorosas regras determinadas pelos protocolos de segurança do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

Centro latino-americano de referência em saúde, o Einstein está usando todo o seu conhecimento e experiência na atuação em situações semelhantes para garantir o atendimento de excelência e a máxima segurança a pacientes, seus familiares, profissionais da instituição e todas as pessoas que circulam por suas unidades. Os cuidados são extensivos às unidades públicas administradas pelo hospital, como os hospitais municipais Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho (Vila Santa Catarina) e o Dr. Moyses Deutsch (M´Boi Mirim).

Atendimento e diagnóstico
O protocolo para atendimento começa já na identificação de casos suspeitos. Na triagem do Pronto Atendimento, há um totem em que o paciente, antes de retirar a senha, seleciona os sintomas. Caso sejam semelhantes aos da infecção causada pelo coronavírus ou aos de outras doenças infectocontagiosas, recebe uma senha diferenciada, bem como a determinação para o uso de máscara e higienização das mãos com álcool gel – há um espaço na sala de espera em que estão disponíveis máscaras, lenços e álcool gel. Ao mesmo tempo, o caso é notificado à equipe de forma eletrônica e o profissional de enfermagem chega ao primeiro contato com o paciente devidamente informado sobre a queixa e adequadamente protegido pelo uso de máscara, óculos e luvas.

Caso o paciente se encaixe na definição de casos suspeitos – com sintomas respiratórios e histórico de viagem a países onde há epidemia ou contato com alguém dessas localidades -, segue um fluxo separado com espaços exclusivos de atendimento e é submetido a uma primeira bateria de exames. Nesta etapa, já é possível descartar casos totalmente negativos. Se a suspeita permanecer, o paciente é submetido a um teste mais sofisticado e específico: o PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase). Trata-se de uma técnica usada pela biologia molecular para amplificar cópias de DNA. Neste caso, o método busca a identificação da presença de material genético do novo coronavírus. O resultado sai em até 24 horas. Até sua finalização, o paciente permanece em observação e isolamento respiratório. Dependendo de sua condição clínica, ele pode ou não ficar internado.

Se a hospitalização for necessária, o hospital já fez a alocação de 12 leitos com sistemas especiais para isolamento.

O aprimoramento do fluxo de atendimento a pacientes e a definição de condutas e equipamentos de proteção necessários em casos como o do coronavírus são dois dos temas que fazem parte de um extenso e rigoroso treinamento de toda a equipe do Einstein e que vem sendo realizado desde o início do surto. Além disso, foram produzidos vídeos curtos de instrução, e-learnings e projetos lembretes para as áreas assistenciais, realização de simulados nos pronto atendimentos e unidades de terapia intensiva, reuniões clínicas presenciais para toda a organização e informativo para pacientes, acompanhantes, familiares e visitantes. As equipes vivenciam ainda uma intensa rotina de monitoramento da evolução do cenário e novos casos, bem como de obediência aos protocolos, além de realizarem uma constante avaliação das medidas necessárias em caso de aumento do número de atendimentos.

Todas essas medidas contribuem para a excelência em todos os passos do atendimento e para a contribuição do Einstein à saúde brasileira ao se tornar a primeira instituição a detectar o novo coronavírus no Brasil. “Além disso, elas garantem a segurança de todos os que circulam nas unidades do hospital, especialmente a dos pacientes e a de seus familiares. Nosso objetivo é sim oferecer o melhor atendimento aos casos suspeitos da síndrome Covid-19, mas garantindo que não exista nenhum tipo de risco em outros atendimentos de qualquer natureza. Afinal, é essencial que os demais cuidados com a saúde da sociedade se mantenham de forma eficiente e segura”, afirma Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Por essa razão, o hospital mantém sua rotina de atendimento com a certeza de que continua oferecendo a seus pacientes o melhor atendimento e segurança a eles devidos.

Sobre o primeiro caso do novo coronavírus confirmado no Brasil
A identificação Hospital Israelita Albert Einstein recebeu na noite do dia 24 de fevereiro em seu Pronto Atendimento na unidade Morumbi, em São Paulo, um paciente com sintomas semelhantes aos da Covid-19. A confirmação da infecção viral pelo novo coronavírus ocorreu após realização imediata do teste laboratorial PCR, e o caso foi notificado à Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo na manhã do dia 25 de fevereiro. Como protocolo e de acordo com o Plano de Contingência Nacional, o hospital enviou a amostra para o laboratório do Instituto Adolfo Lutz, que confirmou o diagnóstico.

O paciente, um empresário de 61 anos, havia chegado de uma viagem de negócios à Lombardia, na Itália. Ao dar entrada no Pronto-Atendimento, queixava-se de tosse, febre, dor de garganta e coriza. Após a realização dos exames e por não haver razões clínicas para internação, ele foi orientado a voltar para casa, onde permanece em isolamento respiratório – uso de máscara, proteção do nariz ao espirrar ou da boca ao tossir, lavagem das mãos com frequência. Neste momento, encontra-se em bom estado clínico e segue em isolamento domiciliar durante os próximos 13 dias, período no qual será monitorado ativamente pela equipe médica do Einstein. O isolamento e acompanhamento foi estendido a todas as pessoas que tiveram contato próximo com ele.

Entenda mais sobre as condutas para o controle do coronavírus:

1. Por que a recomendação no primeiro caso identificado foi de que o paciente fique em casa?
Porque o paciente encontra-se clinicamente bem, sem manifestação de qualquer complicação decorrente da infecção.

2. O que significa isolamento respiratório domiciliar?
Trata-se de uma medida de segurança para tentar evitar a disseminação da doença. Na prática, significa:

  • Manter distância dos demais familiares, permanecendo em ambiente privativo;
  • Manter o ambiente da casa com ventilação natural;
  • Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante todo o período, as quais devem ser trocadas quando estiverem úmidas;
  • Não frequentar a escola, local de trabalho ou locais públicos e só sair de casa em situações de emergência durante o isolamento, sempre em transporte privado, com ventilação natural;
  • Cobrir o nariz e a boca com lenço descartável ao tossir ou espirrar;
  • Higienizar as mãos frequentemente com gel alcoólico, água e sabonete;
  • Evitar tocar boca, olhos e nariz sem higienizar as mãos;
  • Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.

3. Em que casos um paciente infectado deve ficar internado? Somente quando manifestar quadro clínico que exija cuidados mais intensos, como o desenvolvimento de pneumonia em razão da infecção.

4. Como é feito o exame que detectou o coronavírus?
O PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase) é uma técnica usada pela biologia molecular para amplificar cópias de DNA. Neste caso, o método busca a identificação da presença de material genético do novo coronavírus. O resultado sai em até 24 horas.

5. Quais as medidas adotadas para a proteção dos colaboradores do Hospital?

  • Determinação para o uso de equipamentos de segurança pelos profissionais diretamente envolvidos no atendimento;
  • Realização de treinamento e simulados frequentes;
  • Atualização sobre a evolução da epidemia e métodos de proteção;
  • Distribuição de material informativo distribuído pelas redes internas de comunicação.

Para mais informações ao público em geral, o Einstein disponibiliza conteúdos especiais no https://vidasaudavel.einstein.br/.

Equipe médica da Rede Mater Dei apresenta fluxo para pacientes com suspeita do coronavírus

17 de fevereiro, 2020

O novo coronavírus, recentemente nomeado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Covid-19, vem gerando alerta na população. O vírus, que causa infecções respiratórias, já atinge mais de 20 países, com mais de 40 mil casos confirmados. Apesar do grande número de países com casos confirmados da doença, no Brasil nenhum caso foi confirmado.

Seguindo recomendações do Ministério da Saúde, a Rede Mater Dei de Saúde tem promovido e estimulado ações preventivas para enfrentar o Coronavírus e está preparada para o atendimento de casos suspeitos ou confirmados da doença. Banners foram afixados nas portarias de todos os Hospitais da Rede, alertando sobre os sintomas da doença e as medidas a serem tomadas, além de informativos distribuídos aos pacientes e publicações nas redes sociais.

Foram realizadas mudanças nos protocolos de atendimento aos pacientes, seguindo uma lista de verificação de preparação para profissionais de saúde para transporte e chegada de pacientes potencialmente infectados com o coronavírus (Covid-19), divulgada pela organização norte-americana Centers for Disease Control and Prevention – CDC.

Além disso, os colaboradores e profissionais da saúde passaram por uma capacitação e preparo para, ao realizar o atendimento, seguir o fluxo programado para que pacientes com suspeita do vírus, ou pacientes infectados, não tenham contato com outros pacientes e equipe da Rede.

Prevenir e evitar o contato de um paciente suspeito com outras pessoas é o principal foco do Mater Dei. “Nesse momento, a medida mais importante é estabelecer barreiras para evitar o contato dos casos suspeitos com outros clientes, visitantes e, também, com profissionais da saúde. O objetivo é fazer com que o paciente entre, exatamente, no fluxo de atendimento já programado”, explica a médica Coordenadora do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar da Rede Mater Dei, Silvana de Barros Ricardo.

A médica fala ainda sobre a importância da conscientização da população sobre medidas preventivas simples. “É importante que a própria pessoa esteja atenta ao seu histórico de viagens e sintomas e, se considerar seu caso como suspeito, entre em contato com sua Operadora de Saúde ou o Hospital para que receba instruções de como chegar até o local de atendimento sem colocar em risco outras pessoas. A utilização de máscara é uma medida simples e essencial nesses casos”, conclui Silvana.

Fluxo de atendimento diferenciado
Ao chegar em um dos Prontos-socorros da Rede Mater Dei, o paciente que está com suspeita da doença deve informar ao colaborador responsável pelo seu atendimento. O colaborador, imediatamente, entregará ao paciente uma máscara e um questionário básico sobre seus sintomas e seu histórico de viagens e irá informar a equipe assistencial, que fará uma análise sobre os dados do paciente e, caso necessário, o paciente será conduzido a um quarto de isolamento.

Todos as unidades da Rede Mater Dei já possuem um local específico para isolamento do paciente com suspeita ou infectado pelo coronavírus. O quarto de isolamento, seguindo normas padrões do Ministério da Saúde, possui um sistema de tratamento de ar diferenciado, com filtros específicos, e todos os profissionais que tiverem acesso ao local farão uso de equipamentos de segurança.

O que você precisa saber sobre o coronavírus (Covid-19)
O vírus, que causa infecções respiratórias de leve a moderada, pode infectar animais e seres humanos. A transmissão, ocorre de uma pessoa para outra, pelo ar, tosse ou espirro, através de contato pessoal, como toque ou aperto de mão, e por meio do contato com objetos ou superfícies contaminadas, quando se leva a mão à boca, nariz e olhos.

Dentre os sintomas apresentados pela doença estão febre, tosse ou coriza, dor de garganta e dificuldade de respirar, podendo evoluir, em casos mais graves, para pneumonia, síndrome respiratória aguda grave ou insuficiência renal.

Precauções:

  • Higienização frequente das mãos, inclusive após tossir ou espirrar;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de infecção respiratória.

Ensino Einstein libera conteúdo gratuito sobre coronavírus na internet

13 de fevereiro, 2020

Atualizações são destinadas a profissionais de saúde e disponibilizadas na página do Facebook da organização.

A área de ensino da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein passou a oferecer, de forma gratuita, palestras informativas sobre as atualizações mais recentes acerca do coronavírus para profissionais de saúde.

Os conteúdos são transmitidos ao vivo na internet dentro da página do Ensino e Pesquisa Einstein no Facebook, onde permanecem acessíveis para consulta após o encerramento da transmissão. Entre os temas já abordados estão os aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais sobre a epidemia.

Todo o material é produzido pelos profissionais do Hospital Israelita Albert Einstein. Para esta quinta-feira, 12, está prevista uma atualização sobre dados epidemiológicos.

SERVIÇO

Agenda:
Quinta-feira, dia 13/02, às 12h: Palestra Atualização de Dados Epidemiológicos – Dr. Fernando Gatti de Menezes

Vídeos já disponíveis:
Coronavírus pra profissionais da saúde: Aspectos Epidemiológicos
Coronavírus para profissionais da saúde: Aspectos Clínicos
Coronavírus para profissionais da saúde: Aspectos Laboratoriais

Sobre a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein é uma sociedade civil sem fins lucrativos. Tem mais de 60 anos de história e atua nas áreas de assistência à saúde, educação e ensino, pesquisa e inovação e responsabilidade social. Conta com 14 mil colaboradores, 9,4 mil médicos e está sediada em São Paulo.

O Einstein possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e é qualificada como Organização Social da Saúde para atuar na prestação de serviços no Sistema Único de Saúde (SUS). Seu compromisso com o desenvolvimento amplo do sistema de saúde se traduz na oportunidade de melhoria e na construção de novos modelos de trabalho ajustados aos desafios atuais.

O Einstein integra fóruns nacionais e internacionais de discussão e participa ativamente de iniciativas conjuntas com o poder público, órgãos reguladores, hospitais, operadoras de planos de saúde e entidades setoriais para o desenvolvimento do sistema de saúde brasileiro.

Hospital Santa Izabel conta o que você precisa saber para se cuidar em relação ao coronavírus

12 de fevereiro, 2020

A instituição se prepara para receber pacientes com suspeita da doença.

Desde o mês de dezembro, o mundo inteiro está em alerta. Com o aparecimento do novo subtipo do coronavírus, o Hospital Santa Izabel, através do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, já está preparado para receber casos suspeitos da doença.

Na entrada das Emergências Pediátrica, Adulto e de Otorrinolaringologia, avisos alertam para os sintomas. Distribuição de máscaras e álcool em gel também já fazem parte da rotina hospitalar. Profissionais de saúde e administrativos foram orientados para receber estes pacientes, assim como leitos já foram selecionados para o caso de internamento e acompanhamento.

Nas próximas semanas, com a chegada do Carnaval, alguns cuidados precisam ser intensificados. Confira as dicas da Dra. Raíssa Bastos, infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Izabel.

Afinal, o que é o coronavírus?
Trata-se de uma nova variante do coronavírus, denominada 2019-nCoV. O espectro clínico não está descrito completamente e ainda não se sabe o padrão de letalidade, mortalidade, infectividade e transmissibilidade. Os primeiros coronavírus em humanos foram identificados em meados da década de 60.

A vigilância epidemiológica de Infecção Humana pelo novo coronavírus está sendo construída à medida que a OMS consolida as informações recebidas dos países e novas evidências técnicas e científicas são publicadas, podendo haver alteração a qualquer momento.

Qual é a forma de contágio?
Como é uma doença nova, ainda não tem muitas informações. O que se sabe é que o coronavírus pode se espalhar pelo ar ou através do contato pessoal e secreções contaminadas, como a saliva, espirro, tosse ou contato com superfícies contaminadas. Outra forma de contaminação é coçar os olhos, por exemplo, com as mãos infectadas. Por isso, lavar sempre as mãos e usar álcool em gel são boas formas de evitar a infecção.

Como é feito o diagnóstico?
O período de incubação pode variar de 2 a 14 dias em média. Seu diagnóstico é feito duas formas:

  • Diagnóstico clínico: Depende da investigação clínico-epidemiológica e do exame físico (recomendável que todos casos de síndrome gripal sejam questionados o histórico de viagem para o exterior ou contato próximo com pessoas que tenham viajado para o exterior).
  • Diagnóstico laboratorial: Específico para coronavírus, através da detecção do genoma viral.

É fundamental que o paciente avise aos médicos se fez alguma viagem recente, e/ou se teve contato com quem viajou e/ou com alguém que apresentou sintomas.

Quais os sintomas?
Os sintomas são parecidos com o de um resfriado comum. Em caso de febre, tosse e dificuldade para respirar, é preciso ficar alerta. Em alguns casos, também há complicações respiratórias, podendo evoluir para pneumonias.

Qual é o tratamento?
Assim como não há vacina, também não há tratamento específico. Tem sido indicado repouso, consumo de líquidos, alimentação saudável e algumas medidas para aliviar os sintomas, como medicamentos para dor e febre.

Cuidados extras:
Além dos pacientes, os profissionais de saúde também precisam estar atentos para possíveis infecções. No Hospital Santa Izabel, foi divulgado um informativo entre os colaboradores com dicas para evitar a contaminação, como o uso de equipamentos de segurança (máscara, avental, óculos, luvas), além de água e sabão e uso de álcool em gel.

Toda a equipe, incluindo recepcionistas e porteiros, vem recebendo treinamento para auxiliar pacientes com suspeita da doença e entrega de máscaras.

Tendências tecnológicas que estão mudando o cuidado com o paciente

A tecnologia está revolucionando as nossas vidas, desde a forma como consumimos até como nos relacionamos. A saúde é um dos setores que está no centro deste movimento, com inovações nas áreas de inteligência artificial, internet das coisas e inteligência de dados, transformando a forma como cuidamos do nosso corpo.

No Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) 2019, o fundador e presidente de Medicina Exponencial da Faculty Chair for Medicine da Singularity University, Daniel Kraft, apresentou alguns desses avanços que já estão influenciando o cuidado com o paciente e as perspectivas para o setor nos próximos anos.

Para Kraft, estamos vivendo a 4ª revolução industrial, e as experiências digitais e o acesso aos aplicativos têm mudado as expectativas e necessidades do público – o que inclui os pacientes, que agora têm as informações e decisões literalmente na palma da mão, onde e quando quiserem.

Kraft ressaltou que, no futuro, todo cuidado em saúde será baseado na capacidade de medir dados do corpo humano. “É a saúde quantificada”, afirma. Mas ele afirma que as informações isoladas não são suficientes. Para resultados efetivos, é preciso trabalhar com todos os dados disponíveis para que sejam úteis e plenamente aproveitados.

Entre as inovações com impactos diretos nesta área está a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês). “Hoje, já é possível monitorar por pulseira com mecanismos de GPS pessoas doentes para saber se estão conseguindo se locomover”, exemplificou Kraft.

“Há também dispositivos que podem medir a pressão arterial em tempo real e passar as informações imediatamente, ajudando a cuidar de muita doenças. Existem até mesmo dispositivos que podem ficar embaixo de uma lente de contato e medir índices de potássio, de açúcar”, disse.

Dentro dos limites dos hospitais e clínicas, a tecnologia também já começa a ser implementada na otimização de processos que os profissionais precisam realizar. “Médicos e enfermeiros estão sobrecarregados de digitar prontuários médicos, ou seja, a tecnologia vem para melhorar também a experiência do clínico”, afirma. “O futuro da medicina não é uma única tecnologia, mas trabalhar com todas e combiná-las de forma inteligente”, explicou Kraft.

Quer saber mais sobre tecnologia na saúde? Leia a cobertura completa do Conahp 2019 na edição especial da revista Panorama. Baixe gratuitamente aqui

Como o enfermeiro navegador traz o paciente para o centro do cuidado

Um profissional que acompanha e ajuda a organizar toda a linha de cuidado do paciente, além de ser um elo entre o hospital, a pessoa em tratamento e sua família. Essa é a essência do trabalho do enfermeiro navegador, uma figura ainda relativamente nova no setor de saúde brasileiro, mas que tende a se tornar mais comum – principalmente com o modelo de saúde baseado em valor sendo uma pauta cada vez mais presente entre as instituições.

A enfermeira navegadora do Hospital Leforte, Renata Madrid, explicou para o portal a origem deste profissional, como ele faz diferença no tratamento de pacientes de alta complexidade e seu papel fundamental no bem-estar e na prevenção.

“O enfermeiro navegador vai acompanhar o paciente em toda a linha do cuidado, desde o diagnóstico até o fim de vida – diminuindo as barreiras administrativas, sociais, psicológicas e emocionais que possam impactar na adesão ao tratamento e sobrevida”, diz Renata.

Ela explica que, no Brasil, a navegação de pacientes está mais direcionada ao tratamento de câncer, mas que também é aplicada em casos de doenças crônicas. “É um modelo muito bem aceito pelo paciente, pela equipe médica e que tem tudo para dar certo, crescer e expandir”, conta Renata.

Como surgiu a figura do enfermeiro navegador?
Renata Madrid: A navegação de pacientes é um modelo americano de assistência. O foco inicial foi o paciente oncológico, pensando em toda a complexidade que ele vive desde o diagnóstico – que é muito difícil, muitas vezes relacionado à morte – e durante o longo tratamento, com muitos contextos ao redor para que dê certo.

Foi idealizado pelo médico mastologista Harold Freeman, que trabalhando no Harlem Hospital Center, de Nova York, percebeu que havia uma diferença de sobrevida entre as pacientes de câncer de mama brancas e negras. As negras viviam menos porque chegavam com um diagnóstico avançado. Ao se aprofundar na questão, ele percebeu que questões sociais, psicológicas, de autoestima e a falta de apoio as impediam de fazer os exames preventivos e buscar tratamento.

Freeman percebeu ainda que só o tratamento médico, focado na doença, não era suficiente. Então ele formou uma equipe multiprofissional, coordenada por um enfermeiro – por ter conhecimento técnico e científico da doença, das possíveis reações e ter condições de prever o que pode acontecer com o paciente. Com isso, ele aumentou a sobrevida das pacientes negras de 39% para 60%.

Como o enfermeiro navegador atua?
Renata Madrid: Ele acompanha o paciente em toda a linha do cuidado desde o diagnóstico até o fim da vida – o que significa que o trabalho dele não termina com o fim do tratamento. E esse acompanhamento não é só focado na doença. O enfermeiro vai cuidar do paciente pensando, inclusive, em diminuir as barreiras administrativas dentro do próprio hospital – como questões com o convênio, liberações, etc.

Entendemos que o paciente não é a doença. Quando ele descobre que tem câncer, existe a questão emocional, familiar, os impactos no trabalho, nos estudos – porque ele não planejou ficar doente. São tantas coisas para cuidar, e vem o enfermeiro navegador para tirar dele esse tipo de problema que, normalmente, o sistema de saúde deixa para o paciente também. O enfermeiro navegador ainda organiza todo o apoio psicológico ao paciente, identifica se ele está com medo, com receio, ansioso, o que pode impactar na adesão dele ao tratamento.

Também há um foco na prevenção e no diagnóstico precoce, porque um câncer diagnosticado precocemente tem maiores chances de cura. Há exames preventivos, e o enfermeiro navegador analisa os resultados para identificar eventuais alterações que possam levar ao câncer se o paciente não se cuidar. Existe uma estimativa de 27 milhões de pessoas com câncer em 2030. É muita coisa, e trabalhamos para reduzir esse dado.

Como é a relação com a família do paciente durante todo o processo?
Renata Madrid: O enfermeiro navegador precisa desenvolver um bom vínculo com o paciente, com a família dele e os cuidadores. No monitoramento, são estas pessoas que vão comunicar precocemente se o paciente está tendo algum efeito colateral, por exemplo, e nós, juntamente com o médico e a equipe multidisciplinar, vamos conseguir intervir para que ele não precise vir ao pronto-socorro, ser internado ou se expor a procedimentos desnecessários.

A navegação sempre pensa em prevenção: prevenir uma doença que está crescendo na sociedade, prevenir para que aconteça um diagnóstico precoce e que não ocorra metástase. Também prevenir efeitos colaterais que possam resultar em internações para o paciente, reduzindo assim o risco de infecções. Os focos são: prevenção, otimizar fluxos e agilizar para o paciente sempre. Isso reduz a ansiedade dele, pois o ser humano não é administrativo, ele está doente. Trabalhamos muito também como “advogado” do paciente.

O enfermeiro navegador atua só em casos de pacientes oncológicos?
Renata Madrid: Nos EUA, por lei, todo paciente oncológico tem um enfermeiro navegador. Com o tempo, isso passou a valer também para casos de doenças crônicas. Mas é importante dizer que a navegação não acontece só em casos de câncer. Um enfermeiro da área neurológica também pode fazer a navegação em pacientes com alzheimer e parkinson, por exemplo, o que pode prevenir muitas complicações. Também em casos de doenças reumatológicas, como lúpus e artrite, que causam sofrimento para o paciente. Com uma equipe multidisciplinar e fazendo a navegação, é possível prevenir e aliviar muitas das consequências.

Como o enfermeiro navegador se insere no conceito de saúde baseada em valor?
Renata Madrid: O conceito envolve o valor para o indivíduo e tem tudo a ver com a navegação, já que é um modelo que avalia o todo, o cuidado holístico daquele paciente, que traz a questão física, biológica, psíquica, emocional e social. O enfermeiro navegador vai identificar e sanar as necessidades do paciente neste todo.

Também é um modelo que coloca o paciente no centro do cuidado e, junto com ele, vamos desenhar o plano identificando o que é valor para ele: como lidar com as principais dificuldades, o que vai lhe proporcionar bem-estar etc. Nós levamos o conhecimento técnico e científico do que a instituição tem para oferecer, mas quem define o que precisa de cuidado naquele momento – além da quimioterapia, da radioterapia e da cirurgia –, é o paciente.