Volta ao escritório: como manter o coronavírus longe do ambiente de trabalho

Algumas cidades iniciaram a reabertura gradual de empresas, e parte da população está retornando aos poucos ao trabalho nos escritórios. Mas, como o coronavírus ainda está circulando e não há vacina nem medicamento comprovadamente eficaz contra a covid-19, a rotina trabalho será bem diferente do que era antes da pandemia.

A infectologista e consultora da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Camila Almeida, explica quais são essas orientações para empresas e profissionais se prevenirem e deixarem o coronavírus longe do ambiente de trabalho. Confira abaixo: 

Manter o distanciamento social

Como a distância física entre as pessoas ainda é a medida mais eficaz para evitar a transmissão do coronavírus, a preferência deve ser pelo trabalho remoto sempre que possível. A recomendação vale, especialmente, para profissionais que estão no grupo de risco para covid-19 ou que moram ou cuidam de pessoas mais vulneráveis – idosos, doentes crônicos, gestantes de alto risco, diabéticos e pessoas com imunidade baixa. 

Para quem precisa voltar ao escritório e utiliza o transporte público, a orientação para as empresas é flexibilizar o horário de entrada e saída, para que os funcionários não tenham que circular nos períodos de pico, quando ônibus e trens estão mais cheios. 

No convívio dentro do escritório, a distância mínima entre as pessoas deve ser de pelo menos um metro. Isso pode pedir a reorganização das estações de trabalho, dos espaços de uso comum, do acesso e circulação, demarcando os espaços que precisam ficar vazios. 

Se o espaço não permitir o distanciamento de um metro entre as estações de trabalho, é necessária a instalação de barreiras físicas, como divisórias transparentes ou uso de viseiras tipo face shield.

As salas também devem ficar mais ventiladas, deixando, sempre que possível, as janelas abertas para a circulação do ar. Manter as portas abertas vai evitar o toque nas maçanetas. Ainda é fundamental evitar a aglomeração de pessoas, por isso a preferência por reuniões virtuais, por telefone ou videoconferência, deve ser mantida.

Os profissionais devem relatar para a empresa qualquer sintoma sugestivo de covid-19 (febre, tosse, coriza, dor no corpo, dor de cabeça, perda de olfato ou paladar). E a indicação é que o home office seja adotado até que o diagnóstico seja esclarecido – se for confirmado, é importante respeitar o afastamento de 14 dias, seguindo as orientações médicas.

Higiene e uso de máscaras

As medidas de higiene, que são necessárias também fora do ambiente de trabalho, devem ser reforçadas para reduzir o risco de contágio dentro da empresa:

  • Evitar tocar nos olhos, boca e nariz
  • Não ter contato físico, como aperto de mãos, abraços ou beijos
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir o rosto com um lenço de papel descartável ou com o braço flexionado 
  • Lavar as mãos antes do início do trabalho, após tossir, espirrar, usar o banheiro, tocar em objetos de uso comum, dinheiro, antes das refeições, após tocar lixo, restos e sobras.

É importante que o álcool em gel esteja disponível para todos, na entrada do escritório, nas áreas comuns e, se possível, em todas as estações de trabalho, assim como borrifadores de álcool 70% para que os profissionais possam fazer a limpeza de telefones, mesa e teclados quando acharem necessário. É recomendada a higiene desses itens pelo menos duas vezes por turno de trabalho.

Outra ação importante é o uso correto das máscaras. É importante lembrar que as máscaras não reduzem ou substituem a necessidade das medidas de higiene e distanciamento.

A recomendação é ficar de máscara de tecido durante o turno de trabalho. Ela só pode ser retirada caso o profissional esteja sozinho no ambiente. Caso haja necessidade de qualquer aproximação mínima de 1 metro, é preciso usar máscara. 

Vale lembrar que as máscara de pano devem ser trocadas a cada 3 horas ou se estiverem úmidas. Aferir a temperatura dos funcionários na entrada pode ser uma medida a mais de segurança e deve ser realizada com termômetro digital, evitando o contato. 

Alimentação 

É importante controlar o número de pessoas nas copas e áreas de café, já que são locais onde as pessoas estarão sem máscaras por causa da alimentação. O número mínimo vai depender do tamanho dos espaços para que o distanciamento seguro seja respeitado. Se não for possível manter distância de ao menos um metro de outra pessoa, então o indicado é que seja permitida a permanência de apenas uma pessoa por vez.

É indicado que as empresas também tenham nesses espaços borrifadores com álcool em gel para que seja feita a higiene das mesas e de áreas muito tocadas, como o display do micro-ondas. Após as refeições, o ambiente deverá ser higienizado, assim como cadeiras e mesas.  

Já os funcionários devem observar os seguintes cuidados durante a refeição: não compartilhar talheres, pratos ou copos e nem alimentos. Cuidado também com as embalagens que chegam de fora. Elas devem ser removidas e descartadas antes de armazenar os produtos no local de trabalho.

Não é recomendado o uso de bebedouros nos quais é preciso beber água diretamente com a boca. O ideal é que as empresas removam ou lacrem esses equipamentos. Se o bebedouro for acionado por botões ou torneiras, a orientação é sempre higienizar as mãos antes e depois do contato. E vale ressaltar que o uso dos copos deve ser individual.

Banheiros

As empresas devem garantir a limpeza frequente dos banheiros e realizar o controle de acesso, com orientação aos funcionários sobre a restrição do número de pessoas ao mesmo tempo dentro do ambiente. 

Evite tocar diretamente maçanetas das portas – se possível, tente abri-las com o cotovelo – e sempre lave as mãos com água e sabão depois de ir ao banheiro.

Doação de sangue em tempos de Covid-19

No mês em que se comemora o Dia Mundial do Doador de Sangue (14/6), os responsáveis pelos hemocentros dos hospitais pedem aos doadores para que voltem a fazer coletas regulares. E acrescentam que os hospitais estão preparados para recebê-los com toda segurança em relação à covid-19. 

“Em meio à pandemia do coronavírus e com o movimento de isolamento social, nós tivemos uma queda importante do número de doadores de sangue — todos os hospitais do Brasil estão passando por isso”, afirma o hematologista e presidente do Comitê Transfusional do Vera Cruz Hospital (Campinas – SP), Gustavo de Carvalho Duarte.

“Agora, com a volta das cirurgias eletivas e dos tratamentos que não podem mais ser adiados, existe uma demanda maior por transfusões de sangue e, com isso, necessitamos que os doadores retomem suas atividades de doação de sangue regular”, prossegue.

Os bancos de sangue se prepararam para este momento, com medidas que garantem a segurança dos doadores no contexto da pandemia — como agendamento de doações, maior espaço entre as pessoas, equipamentos de proteção individual, coletas em locais espaçosos e, claro, utilização de máscaras e álcool em gel. “É um processo seguro, e os doadores vão poder ajudar pessoas que estão precisando muito.”

Mobilização

“Assim como enfrentamos a letalidade do vírus e a escassez de leitos de terapia intensiva, temos que entender que se não houver uma mobilização social promovendo a doação de sangue, teremos um grande adversário pela frente”, diz Duarte. 

 Segundo o hematologista, a cada dez segundos, uma unidade de sangue é transfundida no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para atender a todos os pacientes que precisam de sangue, seriam necessárias doações regulares de aproximadamente 4% da população. 

“Em um primeiro olhar este número parece algo fácil de ser atingido, mas a realidade não é bem esta. Atualmente, no Brasil, somente 1,6% da população faz doações de sangue regular. Este descompasso nos coloca em uma situação perigosa, na qual podem existir pessoas precisando de sangue, e os bancos sem sangue para atendê-las”, afirma.

Doenças cardíacas: atendimentos diminuem e medo da covid-19 pode impactar nas taxas de mortalidade

Os hospitais que atendem pacientes cardiopatas registraram queda nas demandas de urgência com a chegada da pandemia de covid-19. O medo de se infectar ao procurar ajuda médica é uma das razões apontadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Porém, a demora desses pacientes em buscar atendimento nas emergências é uma postura arriscada e que pode refletir no aumento da mortalidade desse tipo de doença, que é uma das que mais mata no país, segundo o presidente da SBC, Marcelo Queiroga.

Em entrevista ao portal, Queiroga aponta os sintomas que precisam de assistência médica imediata, e que devem ser observados pelos pacientes. “É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo”, completa. Leia a entrevista completa abaixo:

Houve redução de atendimento a pacientes cardiopatas pelo medo de irem aos hospitais por causa da covid-19?

Marcelo Queiroga: A pandemia do novo coronavírus tem reduzido atendimentos cardiológicos de urgência em o todo o país. Somente no hospital em que atuo, na Paraíba, costumávamos atender 16 mil pacientes por mês na emergência. Hoje, não ultrapassamos 3 mil atendimentos mensais.

No Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), uma das principais referências de serviços de saúde do Brasil, a redução das angioplastias primárias em março deste ano foi de 50%, quando comparada com o mesmo período de 2019. A média mensal é de 40 casos; mas nos primeiros 13 dias de abril, apenas nove procedimentos foram realizados. 

Esses dados são um indicativo de que podemos ter impacto nas taxas de mortalidade. Ainda não há informações consolidadas e nem uma explicação única sobre essa diminuição. As hipóteses vão desde a possibilidade de estar havendo, de fato, uma diminuição das ocorrências, até a teoria mais plausível, de que as pessoas estão retardando a busca por socorro durante a pandemia, o que pode agravar o quadro cardíaco ou levar à morte repentina em casa. Há também a hipótese dos riscos competitivos.

O fato é que as pessoas não estão chegando às emergências, mas vão continuar morrendo de causas cardíacas. A covid-19 é um fator complicador. O medo pode atrasar a busca por socorro e complicar as doenças cardiovasculares agudas e crônicas.

Quais as consequências futuras para estes pacientes que estão deixando de procurar assistência agora por medo do coronavírus?

Marcelo Queiroga: A demora dos pacientes portadores de doenças cardiovasculares em buscar atendimento nas emergências pode refletir em aumento da mortalidade. Ao procurar ajuda somente na última hora, esses pacientes assumem uma postura considerada arriscada para quem tem a doença que mais mata no país. O problema é grave porque essas doenças, principalmente o infarto, foram responsáveis por cerca de 30% de todas as mortes em 2017, segundo divulgamos em nosso Cardiômetro. Foram 383.961 óbitos por doença cardiovascular naquele ano no Brasil. É um problema de saúde pública que agora é agravado pela pandemia de covid-19, especialmente pelos riscos competitivos.

Quais sintomas não podem ser ignorados por pacientes cardiopatas e que são sinal de que precisam buscar ajuda médica imediatamente?

Marcelo Queiroga: A dor ou desconforto na região do peito, podendo irradiar para as costas, rosto, braço esquerdo e, mais raramente, o braço direito, é o principal sintoma do infarto. Esse desconforto costuma ser intenso e prolongado, acompanhado de sensação de peso ou aperto sobre tórax, com suor frio, palpitações, palidez e vômitos. 

Os portadores de doenças cardiovasculares precisam procurar o médico e as emergências, como faziam anteriormente à pandemia, caso tenham esses sinais de alerta para o infarto do miocárdio. A demora em procurar o atendimento médico de emergência pode levar à morte.

Como os pacientes podem seguir com seus tratamentos em segurança?

Marcelo Queiroga: É muito importante que os pacientes cardiopatas tomem todos os cuidados para evitar a infecção pelo novo coronavírus, já que a letalidade da covid-19 é maior quando há essa comorbidade. Além disso, eles jamais devem abandonar seus tratamentos, mantendo o uso regular de seus medicamentos conforme prescrição médica e fazendo mudanças apenas com orientação, uma vez que a suspensão abrupta dos esquemas terapêuticos em uso pode causar instabilidade clínica e desfechos adversos. É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo.

Os pacientes cardíacos são portadores de doenças crônicas e se, porventura, contrair a infecção pelo novo coronavírus, também devem continuar tomando os medicamentos que utilizam para o tratamento da doença cardíaca. Só deve fazer modificação com orientação do seu médico.    

Como os hospitais têm garantido a segurança dos atendimentos não-covid?

Marcelo Queiroga: Os atendimentos de urgência e emergência nos hospitais e unidades de saúde continuam normais em todas as especialidades. Este tipo de atendimento não pode parar. Uma mudança importante nos hospitais e unidades de saúde foi a separação dos pacientes com sintomas respiratórios dos demais. A classificação deve ser feita logo na porta de entrada, onde um profissional deve oferecer máscara e direcionar os pacientes com sintomas respiratórios para uma área isolada.

Já os pacientes sem sintomas respiratórios devem ser direcionados para outra sala para receber atendimento e outros procedimentos, sem cruzar com os que têm sintomas respiratórios. Dessa forma, busca-se proteger os pacientes, proporcionar o atendimento mais eficiente e mais seguro a todos e garantir que as pessoas não fiquem sem assistência ou acompanhamento médico por medo da pandemia.

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas de nariz e garganta que precisam de atenção médica

Por causa da pandemia, muitas pessoas pensam duas vezes antes de procurar o hospital quando notam que algo não vai bem na saúde. Para sintomas gripais e relacionados à covid-19, é importante, sim, observar a evolução do quadro em casa e procurar atendimento médico se os sintomas se agravarem – além de febre, falta de ar e tosse, vale também observar se há perda de olfato e paladar.

Mas há outros sinais relacionados a nariz e garganta que, se não forem tratados rapidamente, podem representar um risco maior para o paciente. Abaixo você confere uma lista de sintomas elaborada pelos especialistas em otorrinolaringologia da Rede Mater Dei (MG) que são um sinal de que é preciso ir ao hospital: 

  • Dor de garganta com mais de dois dias de evolução com febre
  • Secreção amarelada no nariz por mais de sete dias
  • Rouquidão por mais de cinco dias ou com falta de ar
  • Sangramento nasal
  • Corpo estranho no ouvido e/ou nariz
  • Dor nos dois ouvidos
  • Perda da audição de início súbito
  • Dor de ouvido com febre em menores de 2 anos de idade
  • Paralisia da musculatura da face
  • Inchaço ou vermelhidão na região ao redor dos olhos
  • Tonteira de início repentino
  • Inchaço da orelha com ou sem dor

 

Sintomas que não podem esperar

A vice-presidente assistencial e operacional da Rede, Márcia Salvador Géo, alerta que nem tudo o que é eletivo na saúde pode, necessariamente, ser adiado. “Temos recebido em nossos prontos-socorros pacientes com doenças em estágio avançado e que se agravam devido à demora em vir para o hospital por medo de uma possível contaminação por coronavírus. Cirurgias adiadas também trazem risco de uma deterioração do quadro clínico, com um risco maior para o paciente. E aqui vai outro alerta: nem tudo que é eletivo pode ser adiado”, afirma. 

A médica ressalta que a Rede Mater Dei de Saúde criou fluxos diferentes nos seus hospitais para receber cada tipo de paciente. São entradas e elevadores diferentes, guichês de atendimento, protocolos ainda mais rígidos, tudo para que os clientes tenham a segurança necessária e qualidade no atendimento, afirma Márcia Salvador. 

“Hoje, os hospitais já têm protocolos e fluxos separados para pacientes com sintomas gripais, casos suspeitos e/ou confirmados do coronavírus, além de outros fluxos para quem precisa frequentar o hospital”, explica. 

“Na prática, são entradas e espaços físicos e equipes de atendimento separados. Com certeza, hoje, não há risco de contágio intra-hospitalar nas unidades da Rede Mater Dei de Saúde. Sem dúvida, vir a um hospital é mais seguro do que a maioria dos ambientes comerciais e sociais. Aqui, além da separação total de casos suspeitos ou positivos, toda a comunidade usa máscara cirúrgica ou N95 e tem álcool gel acessível em todos os locais”, completa.

Outras ferramenta que a Rede tem usado no atendimento aos seus pacientes é a Telemedicina Mater Dei, que possibilita a realização de consultas e orientação com clínico geral, ginecologista, obstetra e pediatra pela internet.

Cuidado à distância: a nova realidade da telemedicina no Brasil

A necessidade de isolamento social no combate à pandemia de covid-19 abriu caminho para que a telemedicina – que é o atendimento médico remoto – começasse a se tornar realidade no Brasil.

Autorizada em caráter temporário e emergencial pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para o enfrentamento ao coronavírus, a prática possibilita a triagem de quem está com sintomas de covid-19, reduzindo o risco de contágio no trajeto casa-hospital e protegendo profissionais, que podem orientar remotamente os pacientes.

A telemedicina também mostrou-se uma ferramenta importante para manter o tratamento de doenças crônicas durante a pandemia. “Com o isolamento, muitos dos nossos pacientes não podem vir às consultas eletivas, mas as pessoas continuam com problemas de coração, de pulmão e outras doenças complexas. Então, precisamos garantir o acompanhamento mesmo durante a pandemia”, conta o gerente médico de Novos Serviços e Telemedicina no Hospital Infantil Sabará, Rogério Carballo Afonso, em entrevista à revista Panorama nº 74, da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Com a liberação do recurso pelo CFM, o hospital passou a oferecer serviços de teleorientação de urgência e teleconsulta com especialistas.

Realidade pós-pandemia

O desafio agora, segundo especialistas, é aproveitar a oportunidade para tornar o exercício da medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados uma realidade no Brasil quando a pandemia passar. Para isso, será preciso se adequar para oferecer serviços seguros e de qualidade para um grande número de pessoas. 

“Acredito que o ritmo vai ser acelerado no Brasil e esse método de cuidado vai ganhar espaço de forma irreversível”, diz Chao Lung Wen, médico e chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP.

“Eu chamo de medicina conectada, em que a telemedicina é apenas um método de interação com o paciente e, na medida em que o médico achar que precisa, encaminha para atendimento presencial”, diz o especialista. “Quando entendermos que esse método é só uma organização da cadeia de serviço, então tudo vai ficar mais simples”, afirma Wen.

Desde a sinalização do Ministério da Saúde para a regulamentação da telemedicina durante a crise, os hospitais privados criaram iniciativas como teleorientação de urgência, teleconsulta para atendimento de profissionais da saúde e até televisitas para os pacientes isolados em UTIs. 

No Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, a telemedicina já vinha sendo coloca em prática e, até o final de 2019, havia 330 mil pessoas utilizando os seus serviços. Com a pandemia, esse número aumentou seis vezes, segundo Henrique Neves, vice-presidente do Conselho de Administração da Anahp e diretor-geral do hospital. 

“Temos agora 2 milhões de usuários e, por enquanto, a regulação é temporária, o que é negativo. O que fazemos depois com as pessoas e os profissionais que passaram a adotar o serviço? O Brasil foi muito conservador nesse assunto, o que atrasou a possibilidade de virtualização do atendimento na pandemia”, afirma. 

A implementação de um sistema de telemedicina não é tão simples quanto possa parecer e exige que os gestores e profissionais estejam atentos e bem treinados em relação a questões de segurança da informação, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para evitar problemas jurídicos caso um paciente seja prejudicado. 

A escolha da equipe é parte muito importante do processo: além de vasta experiência na profissão, também é necessário se adaptar ao modelo virtual da relação médico-paciente. Perfis agregadores são um diferencial, já que a relação pode ficar comprometida pela distância. E os profissionais mais estudiosos e com maior facilidade para seguir protocolos estão entre os mais procurados.

Quer saber mais sobre as perspectivas para a telemedicina no Brasil? Leia reportagem completa na edição 74 da revista Panorama. Baixe gratuitamente aqui: http://conteudo.anahp.com.br/revista-panorama-edicao-74

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas pós-queda que precisam de assistência pediátrica

Com os filhos o tempo todo em casa devido ao isolamento social, os pais precisam redobrar a atenção para evitar acidentes. E se a criança sofrer uma queda é preciso ficar de olho em alguns sintomas que possam aparecer e não exitar em buscar ajuda médica se for preciso – ainda que em meio à pandemia.

Durante esse período, algumas famílias têm evitado ir ao pronto-socorro por medo da Covid-19. Um dos maiores centros pediátricos do país, o Sabará Hospital Infantil (São Paulo) aponta uma queda de 75% nos atendimentos de emergência em abril, e o supervisor do pronto-socorro do hospital, Thales Araújo de Oliveira, alerta para situações em que adiar a busca por atendimento pode significar um risco maior para a saúde da criança. 

Quando o assunto é queda, é indicado que os pais não exitem em procurar o médico se aparecerem alguns dos sintomas abaixo: 

  • Sonolência, vômitos, dor de cabeça, abatimento ou qualquer anormalidade após o tombo;
  • Cortes grandes e/ou com muita perda de sangue;
  • Trauma ou torção que evolui com dor, aumento de volume e/ou deformidade dos ossos e articulações;
  • Infecção da articulação, apresentando dor, dificuldade em caminhar, febre, dificuldade para mover um membro ou prostração;
  • Infecções de origens dentárias e traumas na face devido a acidentes domésticos.

 

Segurança no fluxo de atendimento  

Para garantir a segurança de todos os pacientes, o Sabará mudou os fluxos de pronto-socorro, separando as crianças com sintomas respiratórios e não respiratórios. Além disso, os funcionários também passam por triagem ao entrarem no hospital para trabalhar, com verificação de temperatura e resposta a questionário. 

Assim, as famílias podem ficar mais tranquilas em relação à segurança de seus filhos ao visitar o Sabará. “Todo este cuidado e treinamento com os funcionários resulta também em mais segurança aos nossos pacientes”, afirma Thales.

 O Sabará opera segundo o conceito de “Children’s Hospital”, modelo assistencial que conta com expertise de alta complexidade em todas as especialidades pediátricas e atua com equipe multiprofissional integrada de alta capacidade resolutiva na atenção à criança.

Além de ser referência nacional em qualidade e segurança assistencial para tratamento de crianças, também está entre os melhores hospitais exclusivamente pediátricos segundo a revista chilena América Economia em 2019.