Como o novo ICMS paulista na saúde vai impactar a sua vida, não importa o estado onde você está

No final de 2020, o governo do estado de São Paulo contrariou um acordo histórico entre o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e todos os estados da federação para isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no setor da saúde no país inteiro. Com essa decisão, saltou de 0 para 18% a cobrança sobre remédios, tratamentos, exames e dispositivos médicos e odontológicos a partir de janeiro deste ano, em plena segunda onda da pandemia de Covid-19.

Com o fim da isenção de ICMS na saúde em São Paulo, brasileiros do país inteiro serão afetados, já que grande parte da indústria especializada fica no estado. As consequências serão graves, como aumento nos preços de planos e tratamentos, fechamento de leitos, desemprego na indústria e migração em massa dos pacientes para o SUS. Tudo isso afetará diretamente a vida das pessoas.

Veja, ponto a ponto, o tamanho do problema:

Planos e tratamentos mais caros
Apenas entre os membros da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), estima-se que o ICMS com alíquota de 18% aumentará os custos em cerca de R$ 1,3 bilhão, em plena pandemia, período que registra redução de receitas com cirurgias e tratamentos eletivos, ao mesmo tempo que aumentam as despesas dos hospitais com adaptações necessárias à prevenção e ao tratamento de casos de Covid-19. Isso deve repercutir nos preços de medicações, procedimentos e planos de saúde. Quimioterapias, hemodiálises, diversos outros tratamentos e equipamentos devem ficar mais caros.

SUS desabastecido
Segundo a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi), os preços de diversos equipamentos importantes podem ficar impraticáveis para hospitais públicos. Cerca de 65% dos importadores e distribuidores de materiais hospitalares terão de deixar de atender o SUS durante a maior crise sanitária da história recente.

Aumento do desemprego
Com um novo imposto no contexto de prejuízos acumulados durante a pandemia, unidades privadas de saúde e indústrias terão de se adaptar para continuar em operação. A Abraidi estima que 72% das empresas do setor demitirão funcionários, o que agrava o cenário geral da economia brasileira. Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil já era de 14,3% no terceiro trimestre de 2020, o equivalente a 14,1 milhões de pessoas.

Dispositivos médicos mais caros
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), 70% dos dispositivos médicos que abastecem o Brasil saem do estado de São Paulo. O fim da isenção do ICMS deve custar à saúde privada, em média, R$ 1 bilhão por ano sobre o preço de cerca de 200 dispositivos de alto custo, como implantes ortopédicos, neurológicos, stents, marcapassos e desfibriladores implantáveis.

Fechamento de hospitais
Com a postergação de cirurgias e procedimentos eletivos, os hospitais privados perderam de 17% a 20% da receita ao longo da pandemia até agora, segundo estimativa da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Com o agravamento da crise desencadeado pelo novo imposto paulista, muitos estabelecimentos podem não resistir, o que é especialmente grave num contexto de pandemia. Segundo o Conselho Federal de Medicina, menos de 10% dos municípios brasileiros têm leitos de UTI no SUS. Ou seja, apenas 466 de um total de 5.570 municípios. Não é só. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, cerca de 70% das cirurgias de alta complexidade do SUS acontecem em hospitais privados. Ao mesmo tempo, 54% dos municípios brasileiros não têm nenhum hospital e mais da metade dos que têm só contam com a rede privada.

Um em cada seis adultos aumentou consumo de álcool na pandemia

Entre as válvulas de escape mais buscadas pelas pessoas no isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, destaca-se o consumo excessivo e frequente do álcool. Hoje, 20 de fevereiro, é o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. Nesta oportunidade, o médico Petrus Raulino, psiquiatra do Vera Cruz Hospital, de Campinas, alerta para riscos de ansiedade e depressão atrelados ao hábito.

Segundo o especialista, pesquisas internacionais apontam que um em cada seis adultos apresentou aumento do consumo de álcool ao longo da pandemia de Covid-19. “Quanto maior o consumo de álcool, maior a associação com transtornos mentais, como a depressão. Ou seja, o que seria uma tentativa de fugir da ansiedade pode se tornar justamente uma forma de se intensificar estes problemas”, alerta.

Ainda de acordo com o psiquiatra, há diversas maneiras de se identificar a dependência do álcool: o indivíduo bebe mais do que gostaria ou deseja controlar o uso e não consegue; sente desejo intenso de beber; percebe efeitos negativos do hábito na rotina profissional, familiar ou social; precisa consumir quantidades maiores para obter efeito; e/ou sofre de abstinência ao se interromper o consumo, com sinais como tremores, por exemplo.

“É importante alertar que o preço que se paga pelo alcoolismo deixa de ser somente financeiro, uma vez que o consumo excessivo prejudica a qualidade do sono, exatamente quando o cérebro deveria se regenerar. Além disso, podem surgir problemas como cirrose, cardiopatias, perdas cognitivas, doenças no fígado, coração, pâncreas e cérebro”, enumera o médico.

Diálogo e exercício
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem 3 milhões de mortes por ano no mundo como resultado do uso abusivo de álcool, o que representa 5,3% de todos os óbitos. As melhores opções para reverter esses índices são: diálogo, mudança de hábito e evitar a exposição ao risco. Além disso, o médico reforça que na adolescência e acima dos 60 anos, quando o cérebro ainda está, respectivamente, em formação ou com sinais de neurodegeneração, o consumo é mais prejudicial do que em qualquer outro período da vida.

“O grande erro dos pais está, por exemplo, em permitir que seus filhos adolescentes consumam bebidas alcoólicas dentro de casa por considerarem ali um lugar seguro. O ideal é não permitir e abrir um canal de comunicação, afinal, estamos na era do conhecimento e, muitas vezes, os adolescentes precisam ser entendidos e não submetidos a experiências como essas”, orienta.

Ainda segundo o psiquiatra, atividades físicas, técnicas de relaxamento, acompanhamento psicológico e até atividades ligadas a espiritualidade podem ser grandes aliados no combate a excessos. Em casos mais severos, Raulino recomenda a busca voluntária por tratamento, com medicamentos e psicoterapia.

Fonte: edição do texto original do Vera Cruz Hospital.

Câncer: as vantagens do aconselhamento genético e da biópsia minimamente invasiva

Hoje, 4 de fevereiro, é Dia Mundial do Câncer, uma iniciativa global da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o tema #IAmAndIWill (#EuSoueEuVou), a campanha tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença, além de influenciar a mobilização de governos e indivíduos. Hoje, grandes tendências na área são o aconselhamento genético e a biópsia minimamente invasiva.

Atualmente, 7,6 milhões de pessoas morrem de câncer a cada ano. Estima-se que 1,5 milhão de mortes anuais poderiam ser evitadas com medidas adequadas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, para o sexo masculino, os tipos de câncer mais preponderantes atualmente são os de próstata, intestino e pulmão. Para as mulheres, os mais comuns são câncer de mama, intestino e colo de útero. O câncer pode acometer indivíduos de qualquer idade, mas é mais comum na faixa dos 60 aos 79 anos.

O oncologista Lucas Sant’Anna, do Onco Center Dona Helena, de Joinville (SC), explica que o câncer ocorre quando células do organismo passam a se dividir de forma descontrolada e adquirem ainda capacidade de invadir outras estruturas do corpo, em razão de uma alteração no DNA. Isso pode ocorrer por diversos fatores – alguns, relacionados ao estilo de vida. Por isso, a prevenção também está relacionada a hábitos saudáveis, como praticar exercícios regularmente, evitar consumo excessivo de álcool e o tabagismo, além de manter uma alimentação balanceada.

Mas não é só: a genética também conta. “Defeitos em certos genes podem elevar risco de alguns tipos de câncer, assim como algumas características individuais também podem elevar este risco, como a cor de pele – a branca pode ser fator de risco para o câncer de pele e a negra para câncer de próstata”, exemplifica Sant’Anna.

A oncogenética estuda os aspectos moleculares, celulares, clínicos e terapêuticos de síndromes de predisposição ao câncer. “O objetivo principal é identificar portadores de defeitos genéticos que aumentariam as chances do indivíduo desenvolver câncer e, então, atuar de forma preventiva para reduzir o risco, por meio de exames de rastreamento, cirurgias preventivas e/ou terapias”, afirma o oncologista.

Durante a investigação da suspeita de câncer, o médico pode solicitar uma biópsia de um nódulo detectado em exames. Procura-se hoje dar preferência a tratamentos minimamente invasivos, como a biópsia percutânea, sem necessidade de cirurgia, que pode ser realizada em pacientes de todas as idades. “Por meio de exames de imagem, como ultrassom e tomografia computadorizada, conseguimos localizar a lesão e retirar fragmentos por meio de uma agulha”, ilustra o radiologista Bruno Miranda, especialista em diagnóstico por imagem e medicina intervencionista da dor.

A técnica é feita com anestesia local e, em geral, sem sedação. A liberação do paciente ocorre, no mais tardar, depois de algumas horas em observação. “É um procedimento bastante seguro. Normalmente, o paciente não sente dor, ou sente muito pouca, e é liberado sem nenhuma intercorrência.”

(Fonte: edição do texto original do Onco Center Santa Helena.)

Doenças de verão: para além da Covid-19, confira cuidados importantes a tomar no calor

Para o setor da saúde, Covid sozinha não faz verão. Diversos males típicos da estação também requerem atenção, como queimaduras solares, insolação, micoses, infecções gastrointestinais e arboviroses, como a dengue, entre outros, conforme enumera a médica Márcia Ladeira, coordenadora da emergência do hospital Barra D’Or, do Rio de Janeiro. Leia a entrevista a seguir para entender melhor as causas e encaminhamentos de cada caso.

Saúde da Saúde: O que muda neste verão pandêmico em relação aos anteriores?
Márcia Ladeira: O verão é uma estação propícia ao lazer e a atividades externas, que podem gerar aglomerações indesejadas em um momento de pandemia. Se não pudermos ficar em casa, o local mais seguro, é possível frequentar piscinas e mares desde que os cuidados recomendados sejam seguidos, como respeitar distâncias superiores a 2 metros e evitar entrar na água em caso de aglomeração. Além disso, o compartilhamento de alimentos, bebidas e equipamentos como guarda-sóis e brinquedos deve ser evitado.

E quanto aos cuidados típicos de verão?
Não podemos esquecer dos cuidados de praxe, como hidratação, alimentação leve e saudável e exposição controlada ao sol com uso de protetores solares e chapéus, para equilibrar o benefício da ativação da vitamina D com a exposição a raios ultravioleta – e consequente risco de câncer de pele.

A quais doenças típicas do verão é preciso ficar atento?
Várias. As diarreias podem estar associadas ao calor e à má conservação dos alimentos. A otite externa, por exposição a água de praia ou piscina, e a conjuntivite, por irritação química ou infecções também ocorrem mais no verão, são outros exemplos. Não podemos nos esquecer das arboviroses – dengue, zika e chikungunya, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que se reproduz com maior facilidade no calor e na chuva. Além da desidratação, causada pelo calor e sudorese excessivos, que afeta com maior frequência crianças e idosos. A insolação, que ocorre quando a temperatura do organismo passa dos 40 graus, também costuma se instalar quando se passa muito tempo ao sol sem proteção. Por fim, várias doenças de pele, como as queimaduras e micoses superficiais, também ocorrem mais frequentemente agora.

E quanto às micoses?
As micoses superficiais são doenças fúngicas causadas pelo calor e umidade típicos desta estação, que favorece a reprodução desses organismos. Os fungos podem acometer não somente a pele, mas também as unhas e a região entre os dedos. A prevenção desses problemas se dá por meio do uso de protetores solares e chapéus, hidratação abundante, alimentação saudável, exposição solar criteriosa, entre outros cuidados.

O melhor é optar por teleconsultas neste período?
A telemedicina é um recurso cada vez mais usado no Brasil e no mundo, tendo obtido destaque na pandemia de Covid-19. Estimativas mostram que até 70% dos atendimentos nas grandes emergências poderiam ter resolução ambulatorial. Com a telemedicina os hospitais podem promover atendimento remoto de pacientes, romper barreiras geográficas, ampliar o acesso a especialistas e até mesmo reduzir filas para atendimento. Além disso, evitar idas desnecessárias ao hospital, principalmente ao pronto-socorro, pode reduzir a exposição de um paciente de maior risco ao Sars-Cov 2, vírus causador da Covid-19.

Quando ir ao pronto-socorro?
Os exemplos principais são: dor torácica, principalmente se em aperto ou associada a suor frio e palidez (pela possibilidade de um infarto agudo do miocárdio); perda súbita de força em um lado do corpo ou da face, associados ou não a confusão mental e dor de cabeça (pela suspeita de um acidente cerebro-vascular); e febre associada a falta de ar ou sensação de desmaio (pelo risco de uma pneumonia ou infecção generalizada). Além disso, pacientes com quaisquer sintomas que não tenham sido resolvidos com medicações de uso habitual devem ser levados ao hospital, em especial na avaliação de pacientes potencialmente graves, com doenças de base como insuficiência cardíaca, câncer, enfisema, e quando um exame físico for absolutamente necessário para esclarecimento diagnóstico.