Como fica o sistema respiratório pós-Covid?

Entenda como o novo coronavírus afeta os pulmões e as consequências para o organismo

O Sars-CoV-2, nome atribuído ao novo coronavírus, atinge cada pessoa de maneira diferente, e esse é o grande desafio em relação à Covid-19. Sabe-se que os grupos de risco, por exemplo, têm mais chances de desenvolver o estado grave da doença, como idosos, pessoas com doenças no coração e nos pulmões, além de pacientes imunossuprimidos.

Apesar de a infecção pelo novo coronavírus apresentar risco para todo o organismo, a porta de entrada acontece pelo sistema respiratório. A atuação se dá da seguinte forma: o vírus é inalado, passa pelo sistema respiratório e, nesse caminho, destrói as células que revestem os brônquios e os alvéolos – pequenos sacos de ar que se encontram dentro dos pulmões, responsáveis pela troca gasosa, ou seja, levam oxigênio ao sangue. E não é só isso: o novo coronavírus também afeta o revestimento dos vasos sanguíneos, o que prejudica a circulação pulmonar, fazendo com que seja ativada uma coagulação e, consequentemente, sejam formados os chamados microtrombos.

Já nos pulmões, o vírus começa uma inflamação grave, que atinge, sobretudo, os alvéolos. Em seguida, o corpo detecta o vírus como uma ameaça e começa o processo para combater a inflamação. Assim, os alvéolos ficam com esses sacos de ar preenchidos com líquido, o que prejudica a troca gasosa. Dessa forma, o sangue não consegue receber oxigênio de maneira suficiente e não consegue eliminar o gás carbônico, que, em grande quantidade, faz com que se torne tóxico. Esse processo, então, gera a falta de ar sentida pelos pacientes. Este é o momento em que as pessoas precisam imediatamente de cuidados médicos.

A inflamação também torna os pulmões mais sensíveis para a entrada de bactérias, ou seja, além da atuação do vírus propriamente dito, pode surgir uma pneumonia bacteriana, que agrava o quadro clínico do paciente. Nesses casos mais graves, a pessoa necessita de oxigênio ou até mesmo ventilação mecânica. Até o momento, sabe-se que pacientes obesos e diabéticos têm mais chances de desenvolver o quadro grave de Covid-19, no entanto, isso também ocorre com pessoas jovens e sem doenças prévias.

De 10% a 15% das pessoas apresentam evolução para coagulopatia trombótica. No entanto, a maior parte dos pacientes – entre 85% e 90% – desenvolve quadros leves, com melhora sem medicação e sem queda na oxigenação. Nesse percentual menor de pacientes graves, vários tecidos do corpo, incluindo os pulmões, são prejudicados pela falta de irrigação no sangue e podem ocorrer trombose, necrose (morte de células ou de parte de um tecido que compõe um organismo vivo) ou fibrose como sequelas em longo prazo.

De acordo com a médica Suzana Pimenta, chefe da Equipe de Pneumologia do Hospital Nove de Julho, a maneira como o sistema respiratório ficará depois da Covid-19 vai depender muito da gravidade da pneumonia que o paciente apresentou. “As pessoas que desenvolveram formas mais leves geralmente apresentam recuperação completa. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver limitação funcional que, na maioria das vezes, é transitória, podendo persistir de semanas a meses, mas uma pequena parcela, entretanto, pode evoluir para fibrose, com perda funcional permanente”, explica.

Ainda de acordo com a médica, as principais sequelas da Covid-19 são danos respiratórios e fraqueza muscular: “As consequências respiratórias podem incluir cansaço, falta de ar e baixa oxigenação, que podem demorar dias, semanas ou meses para normalizar, dependendo da gravidade do quadro. Na fraqueza muscular, os pacientes se queixam de fadiga intensa e indisposição, sintomas que acabam se confundindo um pouco com a falta de ar; é um relato bem persistente da maioria dos pacientes e que pode durar semanas ou meses. A perda de olfato e de paladar também pode persistir”.

Quando buscar ajuda especializada?

– Uma vez diagnosticado com Covid-19, mantenha práticas de proteção ao organismo e tenha a atenção redobrada aos sintomas.

– Monitore a oxigenação do sangue de duas a três vezes ao dia, pelo menos; caso esteja menor que 93% ou que a oxigenação habitual, vá a um hospital.

– Hidrate-se em todas as fases da doença.

– Busque atendimento médico se a febre se mantiver por seis dias depois do começo dos sintomas.

– Não tome medicamentos sem orientação médica.

Ainda segundo Pimenta: “Existem os cuidados gerais, como manter uma boa alimentação e repouso. Os pacientes que permanecem com cansaço a qualquer esforço e até mesmo precisam de oxigênio ou ainda aqueles que estão com dificuldade para se locomover por fraqueza muscular precisam fazer fisioterapia motora e respiratória em casa para auxiliar na reabilitação; os pacientes que ainda precisam de oxigênio suplementar por não terem voltado à oxigenação basal devem manter oxigenoterapia em casa até o desmame, ou seja, a redução gradual do oxigênio até sua suspensão total”.

É necessária muita atenção aos sinais caso esteja doente. Evite aglomerações, use máscara e mantenha os cuidados com a higienização para conter a disseminação da doença. Depois de ter tido Covid-19, caso apresente sintomas como tosse, falta de ar, febre e chiado no peito, procure um médico, pois podem ser consequências da doença.

A médica reforça ainda que a melhor maneira de deixar o sistema imunológico protegido é com a vacinação completa contra o novo coronavírus. “Até o momento, não existe nenhuma medicação que ofereça essa proteção, mas adotar uma boa alimentação e evitar maus hábitos, como fumar e consumir álcool excessivamente, auxilia no processo”, completa.

Fonte: edição do texto originado do Hospital Nove de Julho.

Como perder o excesso de peso acumulado na pandemia?

As mudanças na rotina durante a quarentena acabaram pesando na balança, com aumento do número de pessoas obesas ou com sobrepeso

A pandemia e a necessidade de isolamento social alteraram a nossa rotina, muitas vezes nos levando a um estilo de vida nada saudável. Maior consumo de alimentos industrializados e calóricos, redução das atividades físicas (incluindo os deslocamentos do dia a dia) e o estresse emocional (que muitos compensam comendo mais) acabaram criando um contexto propício para o descontrole do peso e aumento da obesidade na população. Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo com mais de 14 mil pessoas mostrou que, durante a pandemia, 19,7% dos entrevistados ganharam peso nesse período.

Com a vida voltando aos trilhos graças à vacinação e à retomada gradual das atividades, é hora de ficar de bem com a balança. O controle do peso é fundamental para a saúde. Sobrepeso e obesidade podem levar ou agravar doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e articulares, doenças respiratórias e do trato gastrointestinal (como o refluxo). A obesidade, como mostram vários estudos, também está associada a vários tipos de câncer. E quem tem comorbidades também corre mais risco de complicações se for infectado pela Covid-19. Além disso, para muita gente, a questão do peso influencia na autoestima.

Como saber se você está ou não com sobrepeso?

Basta calcular seu Índice de Massa Corporal (IMC), dividindo o Peso (quilos) pela Altura (metros) ao quadrado (altura x altura). O resultado indica sua condição:

IMC | Classificação

Abaixo de 18,5 | Abaixo do peso (magreza)
Entre 18,5 e 24,9 | Peso normal
Entre 25 e 29,9 | Sobrepeso
Entre 30 e 34,9 | Obesidade Grau I
Entre 35 e 39,9 | Obesidade Grau II
Acima de 40 | Obesidade Grau III (obesidade mórbida)

Como perder peso?
A receita para emagrecer é, basicamente, gastar mais calorias do que ingerimos, o que demanda atividade física e dieta equilibrada.  O especialista em Nutrologia Enteral e Parenteral Thiago Mendonça Moret, gerente médico sênior do Américas Serviços Médicos, que inclui o Hospital Pró Cardíaco, dá dicas importantes para uma dieta saudável e com bons resultados:

– Prefira alimentos saudáveis e frescos, com cardápio baseado em verduras, legumes e frutas, sem esquecer as proteínas de carnes magras cozidas ou grelhadas e ovos cozidos. Privilegie as fibras, presentes em frutas e grãos como feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico, e cereais integrais, que ajudam a aumentar a sensação de saciedade. “Ter uma variedade de ingredientes, com um estímulo variado ao paladar, é o que mais pode contribuir para um resultado sustentável”, aconselha o médico.

– Dietas da moda não são recomendáveis e, em geral, não trazem resultados de longo prazo. “Algumas dietas restringem o consumo e isso pode gerar um efeito rebote, com mais avidez por certos alimentos, além de um desequilíbrio na composição dos nutrientes de que necessitamos diariamente”, esclarece o especialista.

– Planeje seu cardápio antes de ir às compras. Não caia na tentação de comprar doces, chocolates, carnes gordurosas etc. Se tiver esses itens em casa, vai ser mais difícil resistir.

– Procure alimentar-se sempre nos mesmos horários. Não coma assistindo à TV ou na frente do computador ou celular. Coma com calma, preste atenção no que está ingerindo e mastigue corretamente

– Tome muito líquido: água e sucos naturais sem açúcar.

– É preciso gastar calorias, então mexa-se! Ainda que os espaços para as atividades físicas estejam voltando à normalidade aos poucos, é possível fazer caminhadas usando máscara, pular corda em casa, dançar, fazer alongamento. Ande, mesmo dentro de casa. Não fique muitas horas inativo no sofá.

– É importante manter o padrão de alimentação para além do período de emagrecimento. “Perder peso rapidamente pode ser até estimulante no curto prazo, mas, paralelamente, deve-se sempre ter em mente as mudanças necessárias nos hábitos alimentares que contribuirão para garantir um resultado consistente no futuro”, afirma Thiago.

Quando é hora de buscar ajuda profissional?
Além do IMC indicando sobrepeso ou obesidade, alguns sintomas de quem está acima do peso denotam a urgência em buscar ajuda profissional, como hipertensão arterial, falta de ar, dores nos joelhos, pernas e costas e dificuldade para realizar tarefas cotidianas simples ou uma leve caminhada.

Tudo começa com uma consulta com médico endocrinologista. Além dele, o cuidado pode envolver outros profissionais, como nutricionista, educador físico e psicólogo. Centros especializados em tratar obesidade são muito bem-sucedidos ao adotar uma abordagem multidisciplinar, que permite combinar a expertise de diferentes profissionais para estabelecer a melhor estratégia para cada paciente, incluindo, quando indicado, a cirurgia bariátrica.

De forma geral, o tratamento é baseado em uma alimentação menos calórica e prática regular de atividade física. Medicamentos podem ser indicados se essa abordagem não gerar os resultados esperados ou se existirem outras doenças.

Fonte: edição do texto do original do Hospital Pró Cardíaco (América Serviços Médicos).

Cânceres de cabeça e pescoço: diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Aos primeiros sintomas, não espere a pandemia passar – procure um médico

Os chamados “cânceres de cabeça e pescoço” são tumores malignos na boca, no seios paranasais, no nariz ou na garganta, que podem começar silenciosamente antes de causar incômodos. Em caso de alterações nessas regiões, que às vezes podem ser confundidas com uma simples infecção de garganta, é preciso buscar orientação médica o quanto antes, mesmo em tempos de pandemia.

Alguns sinais de alerta: alterações de cor na boca, aftas persistentes, feridas nos lábios que não cicatrizam, rouquidão que não passa, nódulos no pescoço, dificuldade para engolir e mudança no timbre da voz.

O aposentado José Afonso Ramos, de 56 anos, travou uma das maiores batalhas de sua vida quando descobriu em 2018 um tumor de cabeça e pescoço, localizado abaixo da língua. Ele começou a sentir dores na língua, na garganta e no ouvido e achou que estava com infecções comuns nesta região. “Eu tinha a sensação de que algo me arranhava na garganta. Minha língua doía, mas não dei muita atenção no primeiro momento. Comecei a me automedicar”, lembra.

Segundo a filha de José Afonso, Geiciane Ramos, depois de mais de um mês de consumo de remédios que não contribuíram para a melhora do pai, o aposentado procurou por um dentista. “A língua dele começou a sangrar e aí começamos a nos preocupar. Nós os levamos a um dentista que fez o pedido da biópsia imediatamente.” Após a biópsia, ele foi encaminhado para o tratamento no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, Minas Gerais.

Ex-tabagista e adepto do consumo de álcool, o aposentado José Ramos fazia parte do grupo de risco para a doença, e entrou para o grupo das mais de 43 mil pessoas que são diagnosticadas com câncer de cabeça e pescoço no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Está entre os mais frequentes na população brasileira, e representa o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum em mulheres.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço da Fundação São Francisco Xavier, Clineu Gaspar Hernandes Júnior, os tumores de cabeça e pescoço são localizados nas vias aerodigestivas superiores e nas glândulas salivares ou glândulas endócrinas. “Os principais locais desse tipo de câncer são a língua, lábios, gengiva, glândulas salivares como a parótida e submandibular, as amigdalas, a laringe, a tireoide, os seios paranasais e a faringe, sendo que a faringe divide em nasofaringe, porofaringe e hipofaringe”, explica.

Segundo o cirurgião, o câncer de pele também pode estar associado a essa região. “Esse tipo de câncer em cabeça e pescoço representa 60% de todos os cânceres de pele do corpo por ser uma área muito exposta ao sol”, explica.
O médico explica que os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço são feridas no corpo ou na boca que não cicatrizam, manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, rouquidão maior que duas semanas, dificuldades ou dor para engolir, caroço no pescoço, irritação ou dor de garganta, mau hálito frequente, perda de peso sem motivo aparente, dentes moles ou com dor em torno deles. E, segundo ele, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Outro fator de risco para o câncer de orofaringe, é o HPV, conhecido como papiloma vírus.
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço, segundo o médico, envolve geralmente a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo a ordem desses tratamentos dependente do tipo e localização do tumor. “A chance de cura está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Então, naqueles tumores iniciais as chances de cura são bem altas, entre 90% e 95%”.
Fonte: edição do texto original do Hospital Márcio Cunha.

Conheça os principais distúrbios neurológicos causados pela Covid-19

Pacientes com comorbidades correm mais risco de potencialização dos sintomas

Conforme avança o tempo de pandemia, surgem cada vez mais relatos acerca da incidência de diferentes sequelas pós-Covid, com destaque para as manifestações neurológicas, que estão entre as mais frequentes. Um levantamento conduzido por universidades do México, Suécia e Estados Unidos identificou que entre as 55 repercussões da chamada “Covid longa”, como dores de cabeça, dificuldade em manter a atenção e fadiga.

Já uma matéria publicada pela revista científica The Lancet Psychiatry demonstrou que, após serem curados, 34% daqueles infectados pelo SARS-COV-2 desenvolvem problemas neuropsiquiátricos. Esta não é a única associação entre a infecção causada pelo coronavírus e o cérebro. Dados da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte mostram que, no caso de pacientes que já sofrem de determinadas comorbidades neurológicas, as repercussões causadas pelo vírus podem se apresentar de maneira acentuada.

Entre os sintomas neuropsiquiátricos que podem persistir em pacientes já curados da Covid-19 estão dores de cabeça, déficit de atenção, perda de memória, ansiedade, depressão, fadiga, dor muscular e a perda do paladar e do olfato. Não se sabe a origem específica das sequelas, mas uma possível explicação seria uma resposta inflamatória sistêmica, desencadeada pelo organismo para combater as agressões provocadas pelo coronavírus.

Neurologista do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, Maurício Hoshino explica que o cérebro está entre os órgãos mais sensíveis diante da infecção pelo novo coronavírus e, por isso, o monitoramento do processo de reabilitação neurológica pós-Covid é essencial. “Ainda não se sabe por que estas repercussões apresentam dificuldade elevada na reabilitação”, afirma o especialista.

Vale notar que o surgimento dessas manifestações é menos frequente entre pacientes que tiveram quadros leves ou assintomáticos, mas mesmo esse grupo está suscetível às repercussões citadas.  Em casos graves, a infecção pelo coronavírus pode levar a incidência de convulsões e, até mesmo, a um acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC.

Não existe uma média definitiva para a permanência dos sintomas neurológicos causados, porém um estudo publicado no jornal médico Jama Network identificou que estes problemas podem persistir por até nove meses.  Se não monitorados a tempo, os casos podem se agravar e levar a sequelas duradouras.

No entanto, Hoshino destaca que, devido ao modo como o vírus se manifesta no sistema neurológico, os tratamentos disponíveis nem sempre têm a eficácia esperada. “Os tratamentos são específicos e sintomáticos, ou seja, variam de acordo com a função comprometida. Se um indivíduo apresenta certa fraqueza e fadiga, a reabilitação vai girar em torno de exercícios musculares e a utilização de analgésicos. Contudo, sabemos que a resposta será parcial e lenta.”

O neurologista reforça que ainda não existe um tratamento padronizado para estas sequelas. Outro dado preocupante é que não há medidas preventivas ou grupos de risco associados ao fenômeno. Entretanto, o especialista aponta que, para pacientes que já possuíam comorbidades neurológicas antes de serem acometidos pela Covid-19, os novos sintomas causados pela doença podem agravar o quadro já presente.

Os sintomas acabam sendo muito mais intensos e difíceis de aliviar. Segundo o médico, algumas condições crônicas podem ser potencializadas pela presença do vírus e, por isso, indivíduos que se enquadram nessas características devem ficar especialmente atentos a todos os cuidados sanitários recomendados durante a pandemia, visto que não existem métodos específicos de prevenção para essas manifestações.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina.

Como não confundir uma crise alérgica típica de inverno com a Covid-19?

Com o surgimento das variantes do coronavírus, está cada vez mais difícil distinguir os sintomas de certas alergia e os da Covid

O inverno pode desencadear ou agravar crises alérgicas, que, por sua vez, podem causar desconfortos no nariz e na garganta. Em tempos de pandemia, é natural que o paciente se pergunte se está com Covid-19. O Saúde da Saúde conversou sobre o assunto com a otorrinolaringologista Renata Vecentin Becker, do Hospital IPO, de Curitiba. Atualmente, essa confusão faz mesmo sentido.

Saúde da Saúde – Quais são as alergias que costumam ter crises desencadeadas no inverno?
Renata Becker – Alergias respiratórias relacionadas a ácaros (poeira) e fungos (bolor, mofo) são as mais comuns.

Por que isso acontece?
Com o inverno, os ambientes ficam mais fechados e há maior proliferação de ácaros e fungos nos ambientes. Além da rinite alérgica, nessa época do ano, sofremos com a rinite não alérgica ou vasomotora, que causa sintomas devido à irritação da mucosa nasal, ocasionada por agentes como mudança de temperatura, cheiros fortes ou tempo seco.

Quais são os sintomas típicos dessas alergias?
Congestão nasal, espirros, coriza, tosse seca, ressecamento nasal, que muitas vezes, podem evoluir para infecções em ouvido, nariz, garganta e pulmões.

Como diferenciar esses sintomas de alergia dos da Covid-19?
Atualmente, com o aparecimento de novas variantes, está cada vez mais difícil diferenciar um quadro de rinite e Covid. Nesses casos, além de conversarmos sobre a exposição do paciente, solicitamos o isolamento social e pedimos o exame de PCR ou antígeno viral a partir do terceiro dia de sintomas para descartar infecção pelo coronavírus.

Uma pessoa que tem rinite, por exemplo, e tem sofrido com coriza e incômodo na garganta deve fazer exame de Covid-19, por via das dúvidas?
Com certeza!

Como prevenir crises alérgicas no inverno?
Manter os ambientes bem ventilados, aumentar a ingestão de água, manter dieta saudável e umidificar as narinas com uso de soro fisiológico 0,9% frequentemente.

E como tratá-las?
O tratamento deve ser individualizado. Além da lavagem nasal com soro, alguns pacientes se beneficiarão do uso de determinados medicamentos. Para a melhor escolha, o seu médico de confiança deve ser consultado.