Cuidados com a saúde hoje ajudam a ter envelhecimento mais saudável

Não há como fugir dele: o envelhecimento é um processo natural, ao qual todos estamos sujeitos. O que você pode fazer é cuidar da sua saúde física e mental, para garantir uma maior qualidade de vida quando for idoso.

Também é primordial que a família do idoso olhe para ele com carinho e empatia. Afinal, todos envelheceremos e gostaríamos de ser tratados com respeito.

O Manual de Gerenciamento e Assistência ao Idoso, criado pela Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, ajuda a pensar sobre essas e outras questões importantes para o bem-estar das pessoas na terceira idade. Clique aqui para acessar e baixar este conteúdo exclusivo e gratuito.

Abaixo, confira um trecho do Manual de Gerenciamento e Assistência ao Idoso:

Em um momento de desafios imprevisíveis para a saúde, como mudanças no clima, novas doenças infectocontagiosas ou uma nova superbactéria, uma coisa é certa: o envelhecimento da população mundial está acelerando rapidamente.

Envelhecer é inevitável, mas é possível envelhecer bem: com saúde, qualidade de vida e dignidade. A sociedade deveria proporcionar à população que envelhece suporte, cuidados e carinho, para que este processo seja o mais saudável possível.

Um fato importante é que a idade civil nem sempre condiz com a idade biológica ou social. Para motivos estatísticos, estabelecemos pontos de corte fixos para definir determinadas populações, mas hoje é cada vez mais difícil definir quem ou o que é um idoso.

Isso fica muito claro quando passeamos pelas alas de hospitais, onde temos pacientes de 80 anos ativos, independentes, ainda líderes em seu círculo familiar e, na outra ponta do espectro, pacientes de 65 anos totalmente dependentes, com múltiplas comorbidades e, muitas vezes, já sendo considerados pesos para seus familiares.

É estarrecedora a diferença de cuidados a estes pacientes que encontramos, sendo algumas famílias participativas, presentes, preocupadas e ativas no cuidado e inclusão de seu familiar e outras deixando o idoso quase que totalmente abandonado; e são estes últimos nos quais vemos uma evolução pior e um final de vida muitas vezes mais sofrido do que o necessário.

Algumas alterações biológicas acontecerão em maior ou menor grau a todos nós na medida que envelhecemos, prejudicando nosso grau de independência. Alterações de visão, audição, olfato, paladar, tato, equilíbrio, mobilidade, entre outras.

Sem contar as alterações sociais, como a viuvez, a perda de amigos, a dificuldade de se inserir, de se sentir útil. E ainda as alterações intelectuais, entre as quais a dificuldade de aprendizado e diminuição de memória.

Ao contrário das sociedades orientais, que valorizam a idade e sabedoria, em nossa sociedade fazemos exatamente o contrário, valorizando a juventude, e tomando medidas custosas e, algumas vezes, perigosas, para aparentarmos juventude. Chegando a ponto de considerarmos estes cidadãos, que tanto contribuíram para o nosso desenvolvimento como sociedade e seres humanos, um fardo a ser carregado.

Os idosos têm muito a contribuir ainda para nossa sociedade, seja dentro de seu círculo familiar, comunidade ou sociedade de forma mais abrangente. Esta contribuição depende em grande parte da saúde com a qual chegam às idades mais avançadas.

Diante desse cenário, cabe a nós, ainda jovens, nos prepararmos para o processo de envelhecimento: inicialmente cuidando de nossa saúde seja física ou mental, bom uso de nosso tempo livre, aproveitando nossas amizades, familiares e entes queridos.

Sabendo que a terceira idade é um momento importante da vida de todos, e que pode ser ainda muito produtiva e prazerosa, temos que proporcionar a todos as condições para o desenvolvimento pleno. Em uma sociedade cada vez mais individualista, cabe um olhar menos crítico e mais compreensivo ao próximo, seja ele de qualquer idade.

Fake news: como não cair nessa cilada quando o assunto é saúde

Conversamos com especialistas das áreas de saúde e da imprensa para saber como identificar notícias falsas

Com a propagação desenfreada das notícias falsas, as chamadas fake news, não seria exagero colocá-las lado a lado com alguns dos males dos últimos tempos. Segundo pesquisa da Avaaz, rede de mobilização que luta por causas ao redor do mundo, nove em cada dez brasileiros viram pelo menos uma informação falsa sobre a pandemia em 2020. Ainda de acordo com o estudo, intitulado “O Brasil está sofrendo uma infodemia de Covid-19”, publicado em maio do ano passado, sete em cada dez brasileiros entrevistados acreditaram em, ao menos, um conteúdo desinformativo sobre o coronavírus.

O Saúde da Saúde conversou com especialistas das áreas da saúde e da imprensa para entender como identificar e evitar o compartilhamento de fake news.

> Entrevista com Chico Marés, coordenador de Jornalismo da Agência Lupa, especializada em fact-checking (checagem de fatos, em português)

Saúde da Saúde: Como as fake news podem impactar na saúde?
Chico Marés: Notícias falsas sobre saúde fazem com que pessoas tomem decisões sobre seu próprio bem-estar baseadas em informações erradas, o que pode levar diretamente a consequências danosas.

Nessa crise da Covid-19, temos uma infinidade de exemplos. Há pessoas que evitaram tomar vacinas, e não apenas expõem a si próprias a uma doença grave, mas comprometem a imunização coletiva. Outras (ou as mesmas) adotam comportamentos de risco, como frequentar locais com aglomerações ou não usar máscaras, porque duvidam do risco da Covid-19. Há ainda aquelas que tomam certos remédios, que como toda droga têm contraindicações e efeitos colaterais, por acreditar em coisas que leem na internet — e também adotam condutas de risco por acreditarem estar imunizadas.

Saindo da seara da Covid-19, há toda uma indústria de suplementos de saúde que utiliza depoimentos falsos de médicos e celebridades para empurrar produtos que, na melhor das hipóteses, são placebos por preços abusivos. Há, ainda, conteúdos de má qualidade sobre dietas que podem gerar falsas expectativas e até mesmo influenciar hábitos alimentares pouco saudáveis.

Saúde da Saúde: Onde buscar informações confiáveis sobre saúde?
Marés: Instituições públicas de saúde (como secretarias de saúde, por exemplo), institutos de pesquisa, universidades e associações médicas sérias (como a SBI, a AMB, ou várias outras sociedades ligadas a doenças específicas) são boas fontes sobre esse assunto. Para quem fala inglês, instituições como o CDC americano e Cancer Research UK têm ótimos guias, bem didáticos, sobre doenças específicas, especialmente câncer.

Na imprensa, vários veículos tradicionais têm boas coberturas no tema, como o G1, a Folha de S.Paulo e a BBC. Mais especificamente, acho o blog do Drauzio Varella fantástico. Há bons influenciadores, como Natália Pasternak, Átila Iamarino, Vítor Mori. Enfim, tem muitos bons lugares para ler sobre saúde — mas, claro, nada disso substitui uma consulta com um médico!

> O que dizem os especialistas em saúde: uma conversa com Maurício Abrão, coordenador de Ginecologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

De acordo com o coordenador de ginecologia da BP, Maurício Abrão, na medicina, as pesquisas sempre estão sendo revistas para confirmação ou correção do que foi escrito no passado — e é por conta disso que se torna possível avançar em termos de diagnóstico, tratamento, cirurgia, medicação e formação médica. No entanto, com a propagação de notícias falsas, o caminho se torna o inverso.

“As fake news podem fazer com que as pessoas deixem de se cuidar e troquem medicamentos por produtos sem comprovação científica. O resultado pode ser desde um mal-estar até a morte”, alerta.

Na dúvida, a indicação é sempre procurar o seu médico. Tendo em mãos o seu histórico, como queixas, diagnósticos, exames e medicações, ele poderá confirmar o que faz sentido ou não para você. “O que é bom para o seu amigo pode não ser bom para você. A queixa médica pode ser a mesma, mas as pessoas são diferentes e, com isso, o tratamento, principalmente de saúde, deve ser específico para quem você é”.

Sobre o “Dr. Google”, o especialista não aconselha consultar a internet antes de marcar uma consulta. Segundo o médico, o ideal é obter o diagnóstico correto com profissionais de saúde. “A pessoa que sente uma dor e procura na internet vai ficar ansiosa, já que tudo o que aparece é relacionado a câncer. Gera uma ansiedade desnecessária.”

Como identificar uma notícia falsa? Confira as dicas da Agência Lupa:

– O primeiro indício é o uso de afirmações como “cura definitiva”, “100% garantido”, “totalmente eficaz”;
– Cheque a fonte, se é desconhecida ou pouco confiável. Materiais com erros flagrantes de português ou com sinais de que foi traduzido por ferramentas como Google Tradutor, por exemplo, também costumam ser falsos.
– Pergunte-se: esse conteúdo foi publicado em um site confiável? Vale fazer uma busca na internet, pois muitas vezes o primeiro resultado é de algum veículo de checagem mostrando que essa informação é falsa.
– Avise quem compartilhou: ao receber uma fake news e constatar que é falsa, avise a pessoa que te enviou para que a “notícia” não seja levada adiante.

Conversar pode evitar suicídios: saiba como ajudar

Mais de 13 mil suicídios são registrados todos os anos no Brasil – e mais de 1 milhão, no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Para prevenir e reduzir estes números, existe a campanha Setembro Amarelo, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina.

“Entender o suicídio é uma questão complexa, já que ele envolve fatores de ordem genética, psicológica, sociológica e biológica, seja por momentos de crise, brigas em relacionamentos, impulso, falta de oportunidades ou desilusão pela vida”, explica Mônia Bresolin, psiquiatra e psicogeriatra que integra o corpo clínico do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC).

Embora não haja causas únicas que expliquem o suicídio, é válido mencionar as mais recorrentes:

– estresse social
– perda de emprego
– dificuldades financeiras (não à toa, 75% dos países que registram suicídios são emergentes ou subdesenvolvidos)
– problemas de relacionamento
– traumas, como abusos sexuais
– depressão
– esquizofrenia
– abuso de álcool
– baixa autoestima
– sofrimento em relação à orientação sexual
– dificuldade de enfrentar problemas
– doenças e dores crônicas
– acontecimentos destrutivos, como grandes conflitos
“Esses fatores podem aparecer isoladamente e, em alguns casos, ainda, combinados”, frisa a profissional.

Todos podem ajudar a prevenir

Para mudar essa situação, uma alternativa apontada pela especialista é conversar abertamente sobre o tema. “Para ajudar uma pessoa a evitar o suicídio, é preciso perguntar sobre o assunto. A ideia que se tem é que, ao falar sobre suicídio, o risco de alguém realmente tirar a própria vida aumenta, mas isso não é verdade. Também é possível incentivar a pessoa a procurar ajuda, de preferência em um pronto atendimento médico”, reforça a psiquiatra.
“Não minimize qualquer conversa ou comportamento auto prejudicial e não subestime comportamentos por atenção. Pensamentos e ideações suicidas são uma emergência médica”, aponta.

Mônia também frisa a importância de uma cultura de escuta e empatia no ambiente familiar: “Quando se tem a abertura para o diálogo, sem críticas ou preconceitos, tem-se a oportunidade de identificar alguma alteração de comportamento da pessoa que convive no mesmo ambiente e, dessa forma, poder ajudá-la, incentivando que procure avaliação com médico psiquiatra para saber se está tudo bem”.

De olho na saúde mental
 
A atenção à saúde mental também é fundamental para diminuir o número de suicídios. “É comum que os casos estejam relacionados a transtornos mentais, como depressão e ansiedade”, explica Mônia.

Estudos mostraram um panorama geral dos transtornos mentais na população adulta, com índices que variaram entre 20% e 56%, acometendo principalmente mulheres e trabalhadores.

Confira alguns sinais de alerta, apontados pela psiquiatra, para doenças da saúde mental:

– Insônia
– Desânimo ou falta de prazer ao fazer suas atividades
– Alteração de humor
– Irritabilidade
– Falta de concentração
– Perda de memória
– Taquicardia (batimento cardíaco acelerado)
– Respiração ofegante ou entrecortada (sensação de falta de ar)
– Formigamento
– Choro constante e estresse excessivo
– Tremores
– Tensão
– Perda ou ganho de peso
– Dores de cabeça
– Dores musculares
– Problemas gástricos e digestivos
“Para diagnosticar uma doença mental, é preciso realizar uma entrevista [consulta] com psiquiatra. Após avaliação de todos os dados do paciente, o médico terá condições de fazer o diagnóstico. Algumas vezes são necessários alguns exames complementares. Cada diagnóstico tem seu tratamento específico. Geralmente se faz com medicações e psicoterapia”, explica a profissional.
Fonte: edição do texto original do Hospital Dona Helena

Estudo mostra que Covid-19 pode afetar placenta e prejudicar bebês

Em parceria com Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, resultados apontam que comprometimento do órgão pode provocar partos prematuros e até mesmo óbito

A placenta funciona como um pulmão para o bebê, sendo a responsável pela respiração e também pelo recebimento de nutrientes. Entretanto, gestantes contaminadas pela Covid-19, que desenvolvem quadros mais graves, podem ter a placenta comprometida, provocando partos prematuros e até mesmo a morte intrauterina.

Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em parceria com os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. O estudo foi publicado no periódico Frontiers in Immunology, revista científica referência mundial em imunologia.

“Ao comparar as placentas de mães com Covid-19 às de mães saudáveis, percebemos que as contaminadas pelo SARS-CoV-2 tinham maior propensão a mostrar características de má perfusão vascular devido à trombose placentária, materna e fetal”, explica o cientista e professor Cleber Machado de Souza, que integra o grupo de pesquisadores.

Ou seja: se a Covid-19 afeta os vasos da mãe, o bebê passa a não receber nutrientes nem oxigênio. Como consequências, foram verificadas morte intrauterina, óbito logo após o nascimento e partos prematuros. Alguns recém-nascidos também precisaram ser hospitalizados por terem sido infectados com o vírus. Já as pacientes com forma leve da doença deram à luz a bebês saudáveis e suas placentas não apresentaram lesões decorrentes da infecção pelo SARS-CoV-2.

A pesquisa

  • Os cientistas compararam a placenta de 19 mães com diagnóstico de Covid-19, oriundas do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), a de 19 mães saudáveis, oriundas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
  • O estudo seguiu o pareamento de idade materna, idade gestacional e comorbidades entre os dois grupos.
  • As gestantes do grupo Covid-19 foram atendidas no Hospital Nossa Senhora das Graças, e as do grupo controle, no Hospital de Clínicas (HC), ambos em Curitiba, com consentimento das pacientes e aprovação do Comitê de Ética das instituições.

Próximos passos
Segundo Souza, a pesquisa terá continuidade, avaliando agora os aspectos genéticos envolvidos. “Queremos entender por que algumas mulheres apresentam maior propensão a desenvolverem a trombose enquanto outras não. Isso poderia, no futuro, ajudar a estabelecer condutas mais seguras na condução de gestações associadas à Covid-19”, realça.

Prevenção é fundamental
Para o professor, a prevenção segue como a melhor opção:

– Higienize as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel;
– Evite tocar nos olhos, nariz e boca se as mãos não estiverem limpas;
– Limpe e desinfete objetos e superfícies tocados com frequência;
– Restrinja o contato com pessoas doentes.
– Evite aglomerações e, se possível, fique em casa;
– Ao sair de casa, sempre utilize a máscara de proteção;
– Mantenha o distanciamento social de, no mínimo, 1,5 m entre as pessoas.

Vacinação

De acordo com Heloísa Giamberardino, coordenadora do Centro de Vacinas do Pequeno Príncipe, há um protocolo a ser seguido para a vacinação de gestantes no Brasil. Segundo a especialista, a imunização é indicada principalmente com os imunizantes da Coronavc e Pfizer. “É muito importante que as gestantes sejam vacinadas, pois há mais risco de complicações. Hoje, o que se discute é se será necessário manter a prescrição médica. Atualmente, existe essa orientação do Ministério da Saúde, o que pode estar afastando muitas gestantes do acesso vacinal.”

Fonte: edição do texto original do Hospital Pequeno Príncipe.

Tudo o que já se sabe sobre a imunização continuada contra a Covid-19

Como forma de reforçar a resposta imunológica de grupos específicos, a terceira dose da vacina já começa a fazer parte do calendário das cidades

Desde que atingiu o patamar de pandemia, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, a Covid-19 apresentou diversas variações e, consequentemente, diferentes respostas do vírus às plataformas vacinais existentes até o momento.

Para reforçar a ação imunizante e, possivelmente, evitar escapes provocados por cepas mutantes, o Ministério da Saúde optou por seguir o exemplo de outros países e recomendar a terceira dose da vacina – a princípio, para idosos acima de 70 anos e pessoas consideradas imunossuprimidas. No entanto, estados como São Paulo já disponibilizaram calendário contemplando outras faixas etárias, a partir dos 60 anos*.

Conversamos com especialistas e respondemos, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre a dose de reforço contra o coronavírus.

> Dra. Viviane Hessel Dias, infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat

Por que a necessidade de uma terceira dose da vacina contra Covid-19?
Por meio das análises de acompanhamento da vacinação, tem sido observada uma queda progressiva de proteção, especialmente em idosos acima de 70-80 anos. Outro grupo que pode ter resposta diminuída de soroconversão são os pacientes imunossuprimidos. Nesses grupos, a administração de uma terceira dose pode melhorar a resposta imunológica.

Qual o intervalo de tempo indicado para o reforço?
Seis meses após a última dose do esquema vacinal utilizado.

O que pode acontecer caso eu não tome a dose de reforço?
Se você pertence a algum dos grupos específicos em que a dose de reforço é indicada, a não realização dessa dose pode impactar em aumento do risco de infecção e hospitalização relacionada à Covid-19.

> Dra. Isabella Albuquerque, infectologista e chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo

A terceira dose da vacina deve ser da mesma marca que tomei anteriormente?
A previsão é de que a terceira dose seja feita com plataforma vacinal diferente da inicial, havendo preferência pela vacina da Pfizer, sempre que disponível. Na sua falta, as demais deverão ser utilizadas.

Que reações posso ter ao tomar a terceira dose?
As mesmas associadas às doses anteriores, dependendo da plataforma vacinal utilizada. Desde nenhuma reação, passando por dor no local da injeção, até reações sistêmicas como febre, dor de cabeça e dor no corpo.

Com a terceira dose, já é permitido abandonar hábitos como o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool em gel?
Não, tais hábitos devem ser mantidos minimamente até que toda a dinâmica da doença e da resposta imunológica às vacinas seja totalmente conhecida.

Fique sabendo!
Quais são os grupos de imunossupressão mediada por doença ou medicamentos e imunossuprimidos?

– Imunodeficiência primária grave

– Quimioterapia para câncer

– Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) que estão usando drogas imunossupressoras

– Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 menor do que 200 céls/mm3

– Uso de corticoides em doses maior ou igual a 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por mais de 14 dias

– Uso de drogas modificadoras da resposta imune

– Pacientes em hemodiálise

– Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, auto inflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

 *Confira o calendário vacinal de seu município. O período pode variar de acordo com a recomendação local. 

A longo prazo, home office pode aumentar incidência de doenças

Segundo especialistas do Hospital Santa Catarina – Paulista,  regime de trabalho à distância contribui para o surgimento de problemas físicos e psicológicos
De acordo com um levantamento do Ipea, de novembro de 2020, cerca de 7,3 milhões de brasileiros trabalham, atualmente, de forma remota, o que representa cerca de 9,1% da população ocupada e não afastada. Dados de uma das maiores plataformas de busca de vagas do país apontam que, também em 2020, as ofertas para regimes flexíveis aumentaram 309%.
No entanto, com a adoção em longo prazo do home office, surgem alertas para novos hábitos que, quando não monitorados adequadamente, podem levar a incidência de complicações físicas e psicológicas envolvendo diversas especialidades.
Confira cinco possíveis impactos do home office prolongado na sua saúde:

1 – Visão

Segundo o Dr. Victor Cvintal, oftalmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, a exposição a monitores por longos períodos pode levar a determinadas repercussões oculares, “como uma eventual diminuição na frequência do piscar dos olhos, que pode acarretar em uma instabilidade da qualidade de visão”, explica.
Sintomas
Secura e ardor. Quando utilizados por períodos prolongados, estes dispositivos podem alterar determinados aspectos da visão, como a capacidade de enxergar de perto. Já nas crianças, estimulam a miopia.
Prevenção
– Pisque o olho de vez em quando para garantir um nível de lubrificação adequado, além de usar lubrificantes para estabilizar a lágrima;
– Faça pausas a cada 20 minutos no trabalho, evitando o uso da visão para perto por 20 segundos;
– Pratique atividades diárias ao sol;
– Posicione seu monitor a um braço de distância, ligeiramente abaixo da linha dos olhos, sem que o brilho da tela compita com a luz ambiente.

2- Ergonomia e sedentarismo

O cenário pandêmico eliminou temporariamente a necessidade de locomoção ao trabalho. Para muitos, sair para trabalhar envolvia breves caminhadas que contribuem para a manutenção do sistema musculoesquelético. Ortopedista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Renato Sorpreso alerta ainda que a utilização de ambientes residenciais como escritório gera situações ergonomicamente desfavoráveis.
Sintomas
Dores no pescoço, lombar, dorsal, braço, antebraço, mãos, entre outras regiões.
Prevenção
– Mantenha uma rotina de atividades físicas, na proporção de 5 a 7 dias por semana, acumulando de 210 a 400 minutos no período indicado.

3 – Alimentação

Atenção ao consumo excessivo de determinados tipos de carboidratos. Os chamados carboidratos simples, que incluem mel, açúcar, xarope de milho e farinhas, ao contrário dos carboidratos complexos, não possuem um nível relevante de nutrientes, vitaminas e fibras.
Sintomas
Endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, o Dr. Ricardo Rienzo afirma que um dos primeiros sinais é o risco de aumento das triglicérides, que contribuem para o armazenamento de energia. “Quando os triglicerídeos se encontram em alto nível no sangue, a probabilidade para o desenvolvimento de doenças cardíacas aumenta”.
Prevenção
– Pratique atividades físicas;
– Opte por uma dieta balanceada, em que os carboidratos correspondam a, no máximo, 60% das refeições individuais. No caso dos açúcares, recomenda-se que componham 5% das refeições.
– Anote seus hábitos alimentares: a prática pode contribuir para o monitoramento adequado.

4 – Cardiopatias

A permanência em casa por longos períodos pode levar ao sedentarismo, facilitando a incidência de complicações que geram maior vulnerabilidade às cardiopatias.
Sintomas
De acordo com o Dr. Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, a inatividade pode levar ao sobrepeso, descontrole dos níveis de pressão arterial, glicemia e colesterol. “Todos esses itens são fatores de risco para desfechos cardiológicos mais graves como infarto, arritmia ou acidente vascular cerebral”, alerta.
Prevenção
– Mantenha uma rotina organizada, que contemple a prática de atividades físicas;
– Tenha uma dieta balanceada, monitorando o consumo de bebida alcoólica e alimentos gordurosos;
– Previna-se com consultas periódicas. “Há diversos recursos digitais que podem ajudar no agendamento, por meio da telemedicina”, recomenda o especialista.

5- Saúde mental

Para a chefe da equipe de psicologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, Giovana Rossi Lenzi, o home office em longo prazo pode causar uma sensação de confinamento. “Por permanecerem em um único ambiente, as pessoas acabam trabalhando com uma carga horária superior em comparação com o cenário pré-pandemia, gerando um esgotamento maior. Muitos alteram a rotina de sono e alimentação, o que impacta diretamente no estado de saúde física e emocional, e na produção de hormônios que regularizam e geram bem-estar no organismo”.
Sintomas 
Quadros de estresse agudo.
Prevenção
– Busque o equilíbrio entre atividades profissionais e recreativas;
– Crie estratégias de autocuidado, como a segmentação de determinados ambientes no espaço residencial, a fim de separar, física e mentalmente, as tarefas laborais dos momentos de lazer e descanso.
Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina.