Volta às aulas e a ômicron: como cuidar da saúde das crianças com a alta de casos de Covid-19

A volta às aulas em meio a um pico de transmissão do coronavírus por causa da variante ômicron – e com a vacinação das crianças ainda no início – é motivo de apreensão para os pais e responsáveis. Para saber como escolas e famílias podem contribuir para um retorno mais seguro às salas de aula, o Saúde da Saúde conversou com o infectologista e gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo Oliveira Júnior. Uma das medidas indispensáveis, segundo o especialista, é vacinar as crianças entre 5 e 11 anos o mais rápido possível. Confira outras orientações:

Protocolos de segurança
O infectologista ressaltou que, com a ômicron, não houve nenhuma mudança significativa com relação às medidas de proteção contra o vírus adotadas até agora na pandemia. “É muito importante que as medidas de controle nas escolas funcionem e sejam bastante efetivas”, afirma.

Todos os alunos e funcionários devem utilizar máscaras cobrindo boca e nariz, preferencialmente de modelo N95 ou PFF2, que oferece maior proteção. Quem não tem acesso a esses modelos deve utilizar ao menos a máscara cirúrgica, que seria a segunda melhor opção em nível de segurança.

“Em último lugar, para quem não consegue uma máscara de tamanho adequado, pode-se utilizar as de tecido, fazendo trocas regulares (a cada 2h ou se ficarem úmidas) para evitar que diminua a eficiência”, ressalta Oliveira Júnior. As máscaras podem ser utilizadas por crianças a partir de 2 anos de idade e é obrigatória a partir dos 6 anos.

As escolas também devem garantir o distanciamento dentro das salas de aula e nas filas e corredores, além de reduzir atividades que causem aglomerações dos alunos, como comemorações. Todos os ambientes devem ter a ventilação adequada e, sempre que possível, dar preferência para atividades em locais abertos.

O momento das refeições exige cuidado especial com distanciamento ou que as mesas tenham divisórias de acrílico para evitar o risco de transmissão.

Outra medida importante é reduzir o acesso de pessoas de fora ao ambiente escolar. Pais e responsáveis devem buscar as crianças na porta do colégio e serem estabelecidos horários alternativos para serviços de limpeza e manutenção. “Tudo o que possa ser feito para reduzir o número de pessoas circulando vai diminuir as chances de transmissão”, afirma o infectologista do Sabará.

Casos suspeitos
Pais, responsáveis e a própria escola devem redobrar a atenção com o surgimento de sintomas respiratórios (dor de garganta e coriza, por exemplo) – mesmo que sejam leves. “Sabemos que o coronavírus não é o único vírus que pode causar febre, sintomas respiratórios ou diarreia. Mas, dentro da situação atual, com números altíssimos de novos casos, a presença desses sintomas tem sim que levantar a possibilidade de Covid-19 – e essas crianças não podem ir para a escola”, explica o infectologista.

Também não devem frequentar as aulas o aluno ou aluna que teve contato com algum caso confirmado da doença. “Se não houver essa colaboração das famílias de não mandar suas crianças sintomáticas para a escola, a gente não vai ter como controlar a transmissão dentro das salas de aula”, alerta.

A criança que for identificada dentro da escola com sintomas respiratórios deve ser imediatamente levada para uma sala onde possa ser mantida distante dos demais alunos até que a família vá buscá-la. Os pais podem usar a telemedicina para ter orientação médica.

A testagem deve ser feita sempre que for possível, e todas as pessoas do círculo familiar que apresentarem sintomas ou tiverem o diagnóstico confirmado precisam ficar isoladas para evitar a disseminação do vírus.

Oliveira Júnior diz que as famílias também devem restringir os contatos da criança fora da escola. “É uma medida de bom senso reduzir a circulação, porque é justamente nesses lugares que existe uma alta chance de contato com outras pessoas: dentro de shoppings, de lojas, festas infantis, onde você possa ter contato com outras crianças e correr o risco de transmissão.”

O especialista alerta que, no caso de condições pré-existentes que aumentam o risco de desenvolver formas graves da Covid-19, os pais devem discutir com a escola e com o médico que acompanha a criança a possibilidade de manter as aulas online – ao menos nesse momento em que a taxa de infecção está crescendo vertiginosamente. “Os casos de influenza têm diminuído bastante com relação ao que se viu no mês de dezembro e início de janeiro. O principal vírus respiratório circulando agora, e ainda em fase de crescimento, é o coronavírus”, esclarece o infectologista.

6 coisas que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 para crianças

Desde o início do ano, a inclusão das crianças no programa nacional de vacinação contra a Covid-19 gerou uma série de dúvidas. Muitas foram as informações que começaram a circular pelas redes sociais sobre a efetividade e até a necessidade de imunizar esse público. Veja o que dizem especialistas sobre os principais questionamentos e saiba o que é fato e o que é informação falsa nesse debate nas redes.

Se a Covid-19 é mais leve nas crianças, por que elas precisam ser vacinadas?

Mesmo o número sendo menor com relação aos adultos, há casos de crianças que tiveram a forma grave da doença – com o registro de mais de 310 mortes de pacientes com idade pediátrica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com a vacinação a partir de 5 anos de idade, a letalidade do vírus nas crianças deve diminuir, especialmente para aquelas com a imunidade comprometida, que são as mais vulneráveis.

Além de ser uma medida importante para proteger a saúde das crianças, a vacinação em massa ajuda a conter a circulação do vírus e funciona como uma proteção indireta para familiares que estão nos grupos de risco, como os idosos. Estudos indicam que uma pessoa imunizada tem menor tempo de transmissibilidade do vírus e menor carga viral.

Todas as crianças podem tomar a vacina contra Covid-19?

Sim. Baseado na liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as crianças a partir de 5 anos de idade podem tomar a vacina da Pfizer, que usa uma parte de RNA sintético, feito em laboratório e sem nada do vírus em si. Por isso, é segura também para crianças com a imunidade baixa, doenças inflamatórias, crônicas, entre outras.

A Coronavac, também liberada pela Agência, pode ser aplicada em crianças de 6 e 11 anos, exceto em imunodeprimidas. No caso de crianças em tratamento contra o câncer (que tenha doença ativa ou não), os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis conversem com o oncologista para saber o momento ideal da vacinação e ter a melhor resposta imunológica possível.

Essas vacinas contra Covid-19 são consideradas experimentais e podem ser perigosas?

Não. Os imunizantes liberados pela Anvisa para crianças foram testados e aprovados em todos os órgãos regulatórios – no Brasil e também em outros países. “É uma vacina eficaz, segura e confiável, liberada para as crianças por órgãos competentes”, afirma o infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

A vacina contra Covid-19 para crianças é igual à aplicada nos adultos?

Ela tem praticamente a mesma formulação, com a diferença no volume da dose – que é em torno de um terço menor do que é aplicado no adulto.

A vacina contra covid-19 para crianças pode ter efeitos colaterais?
Sim. São comuns: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e dor no corpo – que, em geral, duram até 48h após aplicação. Se passarem de 72h, é importante procurar o pediatra.

Há situações em que a criança não deve ser vacinada contra Covid?
Se a criança pegou Covid-19, deve esperar 30 dias a partir do início dos sintomas para se vacinar.

Também é importante lembrar a necessidade de seguir a programação das segundas doses ou de reforço, se houver, além de manter os cuidados de sempre, pois a pandemia ainda não acabou: uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Fontes:
– Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe
– Anna Claudia Turdo, infectologista do A.C.Camargo Cancer Center
– Carlos Eduardo Ramos Fernandes, pediatra do A.C.Camargo Cancer Center

Sintomas de Covid: conheça os principais sinais de infecção pela Ômicron e outras variantes

Seja com febre ou uma simples dor de garganta, a Covid-19 pode se manifestar de diferentes formas. É que, além de cada organismo reagir de uma maneira à infecção, as mutações pelas quais o vírus já passou tornam determinadas reações mais comuns ou mais raras.

No início da pandemia, um dos principais sintomas descritos era a perda do olfato e paladar, que poderia durar semanas, meses e, em alguns casos, seriam até irreversíveis. Agora, com a predominância da variante Ômicron no Brasil, é mais provável que pessoas infectadas sintam a garganta arranhando e dores no corpo.

Como a variante Ômicron tem altas taxas de transmissão e seus sintomas são parecidos com os de várias outras doenças – de resfriado à dengue –, é importante estar atento a qualquer alteração na sua saúde. Confira as queixas mais comuns associadas às principais variantes da Covid-19:

Ômicron
Cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e dor de garganta.

Delta
Coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta, tosse persistente e febre.

Gama
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Beta
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Alfa
Perda ou alteração do olfato, perda ou alteração do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dores musculares.

SARS-CoV-2 (vírus original)
Febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar e/ou do olfato.

Casos de Covid-19 subiram mais de 600%
O Brasil enfrenta, neste início de 2022, uma alta nos casos de Covid-19. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) fez uma pesquisa entre seus associados e registrou um aumento médio de 655% no período de dezembro de 2021 até o dia 5 de janeiro. O número foi divulgado junto com orientações importantes para a população sobre quando é preciso procurar um hospital.

(Fontes: Instituto Butantan e Hospital Moinhos de Vento)

Covid-19: Ministério da Saúde reduz para 7 dias isolamento de pacientes

O Ministério da Saúde reduziu o período de isolamento para pacientes com covid-19 de dez para sete dias. A nova recomendação foi anunciada em entrevista coletiva do ministro Marcelo Queiroga nesta segunda-feira (10). O ministério ressalta, no entanto, que a medida vale para casos leves e moderados da doença, desde que o paciente não apresente febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24 horas e sem o uso de antitérmicos.

Segundo a recomendação do ministério, o período de isolamento pode ser menor ou maior que 7 dias, dependendo da evolução do paciente com covid-19. Confira abaixo:

Pacientes que ainda apresentem sintomas no 7º dia: é obrigatória a realização da testagem antes de deixar o isolamento. Se o resultado for negativo, a pessoa deve aguardar 24 horas sem sintomas respiratórios e febre (sem o uso de antitérmicos) para sair do isolamento. Em caso de resultado positivo, deve ser mantido o isolamento por pelo menos 10 dias a partir do início dos sintomas. Depois desse prazo, o paciente está liberado do isolamento se não tiver febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24h e sem o uso de remédios.

Pacientes sem sintomas no 7º dia: se o paciente não apresentar sintomas respiratórios nem febre há pelo menos 24 horas e sem o uso de medicação, pode sair do isolamento sem a necessidade de teste.

Pacientes sem sintomas a partir do 5º dia: aqueles que tiverem resultados de teste RT-PCR ou teste rápido de antígeno para covid-19 negativo poderão sair do isolamento, desde que não tenham febre nem sintomas respiratórios (sem o uso de antitérmicos). Se o resultado for positivo, é necessário ficar isolado por 10 dias a contar do início dos sintomas.

O ministério enfatiza que, para todos os casos em que o isolamento for encerrado no 5º ou no 7º dia, as pessoas devem manter as medidas adicionais até o 10º dia, como o uso de máscaras, higienização das mãos, evitar contato com pessoas imunocomprometidas ou que tenham fatores de risco para agravamento da Covid-19.
Segundo o secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Arnaldo Medeiros, a decisão do ministério decorre da atualização do guia epidemiológico, elaborado por especialistas. O material com as orientações está disponível no site do ministério.

Aumento de casos de Covid lotam hospitais: saiba como agir

Hospitais Anahp registram aumento de 655% nos casos de Covid-19 e 270% de Influenza

O ano de 2022 começou já registrando um grande aumento de casos de Covid. Após os encontros e viagens de final de ano, o número de exames positivos para coronavírus disparou por diferentes regiões do país. Como consequência, hospitais particulares e públicos estão com prontos-socorros cheios.

Uma pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) mostrou que o aumento no número de casos de Covid-19 entre os hospitais associados à entidade foi, em média, de 655%, desde dezembro de 2021. Algumas instituições chegaram a relatar aumentos maiores que 1000%.

Além do coronavírus, outra preocupação é o surto de Influenza. O levantamento da Anahp mostrou uma alta, em média, de 270% no número de casos, também sobrecarregando as instituições. Em muitas cidades brasileiras, hospitais estão com espera de várias horas para atendimento no pronto-socorro.

Para ajudar a orientar a população sobre o que fazer em caso de sintomas gripais, a Anahp divulgou importantes recomendações, inclusive sobre quem deve procurar atendimento no pronto-socorro dos hospitais. Confira:

· Devem procurar o pronto-socorro apenas os pacientes com: sintomas persistentes, falta de ar, febre persistente, tosse intensa ou com doenças crônicas pré-existentes.

· A população deve manter rígidos os cuidados com a utilização correta de máscara, o distanciamento social e a higienização adequada das mãos.

· Aqueles que estiverem com sintomas leves ou assintomáticos devem priorizar a busca por atendimentos ambulatoriais (por exemplo, consultas médicas, preferencialmente via telemedicina). Assim, o paciente se protege de uma exposição desnecessária dentro de ambientes como hospitais, que devem ser utilizados para o atendimento de pessoas com sintomas mais severos.

· Ao passar por uma consulta, o paciente será avaliado clinicamente e terá a indicação médica correta sobre a necessidade ou não de testagem, assim como de qual tipo de teste é o mais adequado de acordo com os sintomas que apresenta.

As orientações divulgadas pela Anahp foram listadas por Vania Rohsig, Superintendente Assistencial e de Educação do Hospital Moinhos de Vento e Coordenadora do Grupo de Trabalho Organização Assistencial da Anahp, e Priscila Rosseto, Gerente-executiva de Qualidade, Segurança e Práticas Assistenciais da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e Coordenadora do Grupo de Trabalho de Melhores Práticas Assistenciais da Anahp.