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Voltas às aulas e a ômicron: como cuidar da saúde das crianças com a alta de casos de Covid-19

A volta às aulas em meio a um pico de transmissão do coronavírus por causa da variante ômicron – e com a vacinação das crianças ainda no início – é motivo de apreensão para os pais e responsáveis. Para saber como escolas e famílias podem contribuir para um retorno mais seguro às salas de aula, o Saúde da Saúde conversou com o infectologista e gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo Oliveira Júnior. Uma das medidas indispensáveis, segundo o especialista, é vacinar as crianças entre 5 e 11 anos o mais rápido possível. Confira outras orientações:

Protocolos de segurança
O infectologista ressaltou que, com a ômicron, não houve nenhuma mudança significativa com relação às medidas de proteção contra o vírus adotadas até agora na pandemia. “É muito importante que as medidas de controle nas escolas funcionem e sejam bastante efetivas”, afirma.

Todos os alunos e funcionários devem utilizar máscaras cobrindo boca e nariz, preferencialmente de modelo N95 ou PFF2, que oferece maior proteção. Quem não tem acesso a esses modelos deve utilizar ao menos a máscara cirúrgica, que seria a segunda melhor opção em nível de segurança.

“Em último lugar, para quem não consegue uma máscara de tamanho adequado, pode-se utilizar as de tecido, fazendo trocas regulares (a cada 2h ou se ficarem úmidas) para evitar que diminua a eficiência”, ressalta Oliveira Júnior. As máscaras podem ser utilizadas por crianças a partir de 2 anos de idade e é obrigatória a partir dos 6 anos.

As escolas também devem garantir o distanciamento dentro das salas de aula e nas filas e corredores, além de reduzir atividades que causem aglomerações dos alunos, como comemorações. Todos os ambientes devem ter a ventilação adequada e, sempre que possível, dar preferência para atividades em locais abertos.

O momento das refeições exige cuidado especial com distanciamento ou que as mesas tenham divisórias de acrílico para evitar o risco de transmissão.

Outra medida importante é reduzir o acesso de pessoas de fora ao ambiente escolar. Pais e responsáveis devem buscar as crianças na porta do colégio e serem estabelecidos horários alternativos para serviços de limpeza e manutenção. “Tudo o que possa ser feito para reduzir o número de pessoas circulando vai diminuir as chances de transmissão”, afirma o infectologista do Sabará.

Casos suspeitos
Pais, responsáveis e a própria escola devem redobrar a atenção com o surgimento de sintomas respiratórios (dor de garganta e coriza, por exemplo) – mesmo que sejam leves. “Sabemos que o coronavírus não é o único vírus que pode causar febre, sintomas respiratórios ou diarreia. Mas, dentro da situação atual, com números altíssimos de novos casos, a presença desses sintomas tem sim que levantar a possibilidade de Covid-19 – e essas crianças não podem ir para a escola”, explica o infectologista.

Também não devem frequentar as aulas o aluno ou aluna que teve contato com algum caso confirmado da doença. “Se não houver essa colaboração das famílias de não mandar suas crianças sintomáticas para a escola, a gente não vai ter como controlar a transmissão dentro das salas de aula”, alerta.

A criança que for identificada dentro da escola com sintomas respiratórios deve ser imediatamente levada para uma sala onde possa ser mantida distante dos demais alunos até que a família vá buscá-la. Os pais podem usar a telemedicina para ter orientação médica.

A testagem deve ser feita sempre que for possível, e todas as pessoas do círculo familiar que apresentarem sintomas ou tiverem o diagnóstico confirmado precisam ficar isoladas para evitar a disseminação do vírus.

Oliveira Júnior diz que as famílias também devem restringir os contatos da criança fora da escola. “É uma medida de bom senso reduzir a circulação, porque é justamente nesses lugares que existe uma alta chance de contato com outras pessoas: dentro de shoppings, de lojas, festas infantis, onde você possa ter contato com outras crianças e correr o risco de transmissão.”

O especialista alerta que, no caso de condições pré-existentes que aumentam o risco de desenvolver formas graves da Covid-19, os pais devem discutir com a escola e com o médico que acompanha a criança a possibilidade de manter as aulas online – ao menos nesse momento em que a taxa de infecção está crescendo vertiginosamente. “Os casos de influenza têm diminuído bastante com relação ao que se viu no mês de dezembro e início de janeiro. O principal vírus respiratório circulando agora, e ainda em fase de crescimento, é o coronavírus”, esclarece o infectologista.

6 coisas que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 para crianças

Desde o início do ano, a inclusão das crianças no programa nacional de vacinação contra a Covid-19 gerou uma série de dúvidas. Muitas foram as informações que começaram a circular pelas redes sociais sobre a efetividade e até a necessidade de imunizar esse público. Veja o que dizem especialistas sobre os principais questionamentos e saiba o que é fato e o que é informação falsa nesse debate nas redes.

Se a Covid-19 é mais leve nas crianças, por que elas precisam ser vacinadas?

Mesmo o número sendo menor com relação aos adultos, há casos de crianças que tiveram a forma grave da doença – com o registro de mais de 310 mortes de pacientes com idade pediátrica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com a vacinação a partir de 5 anos de idade, a letalidade do vírus nas crianças deve diminuir, especialmente para aquelas com a imunidade comprometida, que são as mais vulneráveis.

Além de ser uma medida importante para proteger a saúde das crianças, a vacinação em massa ajuda a conter a circulação do vírus e funciona como uma proteção indireta para familiares que estão nos grupos de risco, como os idosos. Estudos indicam que uma pessoa imunizada tem menor tempo de transmissibilidade do vírus e menor carga viral.

Todas as crianças podem tomar a vacina contra Covid-19?

Sim. Baseado na liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as crianças a partir de 5 anos de idade podem tomar a vacina da Pfizer, que usa uma parte de RNA sintético, feito em laboratório e sem nada do vírus em si. Por isso, é segura também para crianças com a imunidade baixa, doenças inflamatórias, crônicas, entre outras.

A Coronavac, também liberada pela Agência, pode ser aplicada em crianças de 6 e 11 anos, exceto em imunodeprimidas. No caso de crianças em tratamento contra o câncer (que tenha doença ativa ou não), os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis conversem com o oncologista para saber o momento ideal da vacinação e ter a melhor resposta imunológica possível.

Essas vacinas contra Covid-19 são consideradas experimentais e podem ser perigosas?

Não. Os imunizantes liberados pela Anvisa para crianças foram testados e aprovados em todos os órgãos regulatórios – no Brasil e também em outros países. “É uma vacina eficaz, segura e confiável, liberada para as crianças por órgãos competentes”, afirma o infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

A vacina contra Covid-19 para crianças é igual à aplicada nos adultos?

Ela tem praticamente a mesma formulação, com a diferença no volume da dose – que é em torno de um terço menor do que é aplicado no adulto.

A vacina contra covid-19 para crianças pode ter efeitos colaterais?
Sim. São comuns: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e dor no corpo – que, em geral, duram até 48h após aplicação. Se passarem de 72h, é importante procurar o pediatra.

Há situações em que a criança não deve ser vacinada contra Covid?
Se a criança pegou Covid-19, deve esperar 30 dias a partir do início dos sintomas para se vacinar.

Também é importante lembrar a necessidade de seguir a programação das segundas doses ou de reforço, se houver, além de manter os cuidados de sempre, pois a pandemia ainda não acabou: uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Fontes:
– Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe
– Anna Claudia Turdo, infectologista do A.C.Camargo Cancer Center
– Carlos Eduardo Ramos Fernandes, pediatra do A.C.Camargo Cancer Center

Sintomas de Covid: conheça os principais sinais de infecção pela Ômicron e outras variantes

Seja com febre ou uma simples dor de garganta, a Covid-19 pode se manifestar de diferentes formas. É que, além de cada organismo reagir de uma maneira à infecção, as mutações pelas quais o vírus já passou tornam determinadas reações mais comuns ou mais raras.

No início da pandemia, um dos principais sintomas descritos era a perda do olfato e paladar, que poderia durar semanas, meses e, em alguns casos, seriam até irreversíveis. Agora, com a predominância da variante Ômicron no Brasil, é mais provável que pessoas infectadas sintam a garganta arranhando e dores no corpo.

Como a variante Ômicron tem altas taxas de transmissão e seus sintomas são parecidos com os de várias outras doenças – de resfriado à dengue –, é importante estar atento a qualquer alteração na sua saúde. Confira as queixas mais comuns associadas às principais variantes da Covid-19:

Ômicron
Cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e dor de garganta.

Delta
Coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta, tosse persistente e febre.

Gama
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Beta
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Alfa
Perda ou alteração do olfato, perda ou alteração do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dores musculares.

SARS-CoV-2 (vírus original)
Febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar e/ou do olfato.

Casos de Covid-19 subiram mais de 600%
O Brasil enfrenta, neste início de 2022, uma alta nos casos de Covid-19. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) fez uma pesquisa entre seus associados e registrou um aumento médio de 655% no período de dezembro de 2021 até o dia 5 de janeiro. O número foi divulgado junto com orientações importantes para a população sobre quando é preciso procurar um hospital.

(Fontes: Instituto Butantan e Hospital Moinhos de Vento)

Software que une realidades virtual e aumentada permite cirurgias menos invasivas e mais seguras

Novas tecnologias adaptadas à saúde estão se tornando aliadas em cirurgias, permitindo intervenções menos invasivas e realizadas com mais segurança e confiabilidade. O Centro de Inovação e Educação em Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz criou um software que unifica o uso das realidades virtual e aumentada no planejamento do antes, durante e depois de uma cirurgia. Segundo o hospital, ao adotar o auxílio da tecnologia nestes procedimentos, estima-se uma redução de 30% no tempo médio de internação hospitalar.

De acordo com Kenneth Almeida, diretor-executivo de Inovação, Pesquisa e Educação, o intuito é, no futuro, disponibilizar a solução em escala e garantir ao paciente uma jornada cada vez mais rápida e segura dentro do ambiente hospitalar. “Com a realidade mista integrada ao centro cirúrgico, possibilitaremos à equipe médica realizar o seu planejamento em tempo real, no momento da cirurgia. Isso auxilia o cirurgião a executar melhor o procedimento, trazendo mais segurança para o paciente e contribuindo para a redução de insumos e para a ampliação da capacidade do centro cirúrgico”, explica.

O software utiliza as realidades virtual e aumentada com finalidades diferentes e complementares, que criam uma experiência unificada de planejamento e apoio para o cirurgião. Com a realidade aumentada, é possível recriar digitalmente e com mais precisão toda a anatomia do paciente e da área a ser tratada – registradas, primeiramente, em exames de tomografia e ressonância magnética.

Já a realidade virtual proporciona uma experiência de imersão em universo 3D com uso de óculos específicos. Dessa forma, é possível ter acesso digital aos órgãos do paciente, localizar e visualizar lesões, identificar órgãos adjacentes que podem estar afetados e definir qual a melhor abordagem cirúrgica.

Os comandos são feitos por voz ou movimentos das mãos, sem o uso de controles. Com a tecnologia de óculos de realidade aumentada, é possível visualizar e manusear hologramas sem interferir no campo de visão do cirurgião. Cardiologia, Oncologia, Trauma e Ortopedia são algumas das áreas nas quais é possível aplicar a tecnologia desenvolvida pelo Centro de Inovação e Educação em Saúde do Hospital.

Também está em fase de implantação o uso de inteligência artificial e processamento em nuvem para a realização de análises em tempo real e maior qualidade nas imagens que serão visualizadas pelos cirurgiões.

“Como consequência de todo o auxílio que a tecnologia promove ao cirurgião, a adoção da realidade mista possibilita, ainda, um melhor desfecho clínico, reduzindo as chances de complicações intra e pós-operatórias, além de diminuir, em média, 30% do tempo de internação hospitalar”, afirma o cirurgião cardiovascular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Rafael Otto Schneidewind. Outros benefícios seriam a redução do tempo de cirurgia, mais precisão e segurança durante os procedimentos e recuperação pós-operatória mais rápida.

Conheça a crioterapia, que reduz queda de cabelo durante tratamento de câncer

Um dos efeitos colaterais mais conhecidos da quimioterapia é a intensa queda de cabelo, que pode trazer desconforto físico e emocional para quem passa por tratamento contra o câncer. Mas uma tecnologia que já é adotada em hospitais brasileiros pode evitar esse efeito e contribuir para o bem-estar dos pacientes: a crioterapia capilar.

“A queda de cabelo traz uma sensibilidade para os pacientes, às vezes, até deitar-se no travesseiro incomoda. Sem proteção, eles podem ter queimadura de sol no local. Para as mulheres, é uma situação ainda mais delicada. A ausência do cabelo chama a atenção e pode mexer com a autoestima, o que interfere no tratamento”, explica Bruna Zucchetti, oncologista especializada em mamas do Hospital Nove de Julho (SP).

Os quimioterápicos para o combate do câncer de mama estão entre os que mais causam a alopecia, nome técnico para a queda de pelos e cabelo. Por isso, essas pacientes estão ente as que mais demandam o uso da touca de crioterapia.

O equipamento dispõe de uma alta tecnologia de resfriamento do couro cabeludo e precisa ser usada 30 minutos antes, durante e até 90 minutos depois das sessões de quimioterapia. A temperatura varia entre 9°C e 17°C e diminui o fluxo sanguíneo no local. Desta forma, reduz a quantidade de quimioterápico absorvido pelas células do couro cabeludo e evita a queda de cabelo.

“O uso da touca impacta em diversos aspectos, como o convívio social e a manutenção da rotina diária. Certamente, é um avanço significativo ter essa tecnologia à disposição”, afirma Nicole Golin, diretora técnica do Hospital Tacchini (RS), que também oferece a crioterapia. Segundo a instituição, a taxa de sucesso varia entre 60% e 100%, de acordo com a intensidade do tratamento.

Apesar de não ter efeitos colaterais conhecidos, a crioterapia capilar não é indicada em casos de cânceres que afetem a corrente sanguínea, como leucemias e linfomas, pois a touca causa a contração dos vasos sanguíneos e poderia diminuir a efetividade do tratamento.

O paciente precisa ter alguns cuidados em casa para que a crioterapia seja mais eficaz. O ideal é ficar de quatro a cinco dias sem lavar os cabelos – pode ser usado xampu a seco – e evitar escová-los demais. Não é permitido fazer qualquer tipo de química nos cabelos e também não é recomendado o uso de secador ou chapinha.

Dezembro vermelho: o avanço do Brasil na prevenção da Aids em 40 anos

Em dezembro de 1981, era registrado no Brasil o primeiro caso de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – Aids, na sigla em inglês. Ao longo desses 40 anos, o país avançou no tratamento e segue evoluindo com relação aos medicamentos que proporcionam mais qualidade de vida às pessoas que vivem com o HIV. Entretanto, a ciência ainda segue na busca por uma vacina contra o vírus.

“A busca por um imunizante é importante, porém difícil. O vírus tem várias mutações, se esconde no sistema imunológico após a infecção e pode agir de maneiras diferentes em cada pessoa. Além da vacina, que precisa ter 100% de eficácia para realmente proteger as pessoas, também é necessário encontrar a cura para os já infectados”, explica João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Atualmente, há estudos em andamento para a criação de uma vacina, e um deles está em fase de testes de eficácia no Brasil e em outros países.

A Aids é a doença que surge no estágio mais avançado da infecção pelo HIV (vírus da Imunodeficiência Humana em português). Ele ataca o sistema imunológico e age nas células de defesa do corpo.

A transmissão pode ocorrer em:
– Transfusões de sangue contaminado
– Relações sexuais sem uso de preservativo
– Compartilhamento de agulhas, seringas ou objetos infectados
– Da mãe infectada para o bebê no parto ou na amamentação

Ainda na década de 1980, foram criados os medicamentos antirretrovirais, que inibem a multiplicação do HIV no organismo e evitam que o sistema imunológico fique enfraquecido. Apesar de ainda não existir cura para a Aids, o diagnóstico precoce eleva as chances de uma boa evolução no tratamento e uma maior qualidade de vida.

“Quanto mais cedo realizado o tratamento, maior é a chance do paciente ficar com o vírus indetectável. Isso costuma acontecer após três meses do começo das medicações. Por isso, o próprio Comitê Científico de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu um parecer técnico explicando que o paciente com o vírus indetectável não transmite mais o HIV”, diz o infectologista do Hospital São Vicente de Paulo (RS), Gilberto Barbosa.

Prevenção

A prevenção da transmissão de HIV e Aids também avançou com a chamada Prevenção Combinada – que é a associação do uso de preservativo com a PrEP e PEP (Profilaxia Pré-Exposição e Profilaxia Pós-Exposição ao vírus). Além disso, há a prevenção da transmissão vertical durante a gravidez, tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e das pessoas que vivem com HIV ou Aids.

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é o uso de medicamentos antirretrovirais após um possível contato com o HIV, em situações como: violência sexual, relação sexual desprotegida ou acidente ocupacional com instrumentos perfurocortantes ou material biológico contaminado. Já a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é o uso dos medicamentos antirretrovirais antes da possível exposição ao HIV, reduzindo a probabilidade de infecção.

Dados

Cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os anos de 2012 e 2019, houve um decréscimo de 18,7% na detecção de Aids, assim como uma queda de 17,1% na mortalidade entre 2015 e 2019.

Atualmente, os casos no país se concentram entre pessoas de 25 a 39 anos, com 492,8 mil registros até 2019. Esse número destaca a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença.

Por outro lado, o número de pessoas atendidas para a prevenção e tratamento do HIV caiu 11% em 2020, segundo o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Os testes para o vírus recuaram 22%. A organização classificou o impacto da pandemia de Covid-19 na luta contra a doença como “devastador”. Foi a primeira vez que o fundo registrou uma diminuição na prevenção e no tratamento da Aids desde sua criação em 2002.

Ômicron: o que já se sabe sobre a nova variante do coronavírus

São muitas as perguntas ainda em aberto sobre a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul no final de novembro e batizada de ômicron. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas do mundo todo estão monitorando e analisando os casos em busca de respostas. Veja o que, até agora, foi possível identificar sobre os possíveis impactos da ômicron no controle da pandemia.

> É considerada pela OMS como “variante de preocupação”
A nova variante é considerada de preocupação, porque apresenta 50 mutações, sendo mais de 30 delas na proteína spike – que funciona como uma chave para o coronavírus entrar nas células. A maioria das vacinas contra a Covid-19 tem como alvo essa proteína. A classificação da OMS coloca a ômicron no mesmo grupo de outras variantes que tiveram impacto na evolução da pandemia, como a delta, a gama, a beta e a alfa.

> A ômicron é potencialmente mais transmissível
A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que a variante é “muito transmissível”, mas ressaltou que não é necessário pânico, pois o mundo está melhor preparado devido às vacinas desenvolvidas desde o início da pandemia. “Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás”, afirmou.
Todos os continentes já registraram casos de pessoas contaminadas pela nova cepa, reportada à OMS em 24 de novembro pela África do Sul. O Brasil também já tem casos confirmados – eram cinco até o dia 3 de dezembro.

> Evidências sugerem que a ômicron pode facilitar a reinfecção
Uma reunião de especialistas da África do Sul com um grupo da OMS chegou à conclusão de um potencial aumento de risco de reinfecção pelo coronavírus num cenário com a nova variante. Segundo Mariângela Simão, vice-diretora geral de medicamentos da OMS, mais estudos estão sendo feitos e deve haver avanços sobre esse tópico nas próximas semanas.

> Até agora, os sintomas registrados foram considerados leves
Informações preliminares da OMS sugerem que os casos da variante ômicron estão ligados a sintomas leves da Covid-19 – principalmente em pessoas já vacinadas. Até o dia 3 de dezembro, não havia registro de morte causada pela variante. Dados mais concretos sobre a nova cepa devem sair nos próximos dias, mas a OMS ressalta que todas as variantes podem resultar em casos graves, principalmente nas pessoas de grupos de risco e mais vulneráveis ao coronavírus.

> Vacinação, máscara e distanciamento continuam sendo fundamentais para o controle da pandemia
Ainda não se sabe se a nova variante é resistente às vacinas que temos atualmente contra a Covid-19. Vale ressaltar que, na África do Sul, onde a cepa foi identificada, o índice de vacinação está baixo, com menos de 25% da população imunizada.

A OMS reforça a importância da vacinação para reduzir a ocorrência de casos graves e de mortes por Covid-19, inclusive pela variante delta, considerada a mais transmissível atualmente. “As vacinas protegem contra casos graves e mortes. A indústria farmacêutica já está trabalhando com as mutações [da ômicron] e, se tiver necessidade de fazer ajuste, ele será feito”, explicou a vice-diretora-geral de medicamentos da OMS, Mariângela Simão.

As demais recomendações para conter a transmissão da nova cepa são as mesmas: manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e ambientes fechados, além da higiene constante das mãos.

Fritjof Capra: como podemos evitar uma nova pandemia

A Covid-19 é uma resposta biológica do planeta à exploração ilimitada dos recursos naturais e à desigualdade social exacerbada. A afirmação é do físico e autor de best-sellers Fritjof Capra, referência no pensamento humano dos séculos 20 e 21 e que desenvolve um trabalho na promoção da educação ecológica.

“Entendo que o coronavírus deve ser visto como uma reposta biológica do nosso planeta, uma emergência ecológica e social na qual a humanidade acabou se colocando sozinha”, afirmou Capra durante sua participação no Conahp 2021, maior congresso de saúde do país realizado em outubro. Ele também apontou os caminhos que a humanidade deve seguir se quiser evitar que uma nova pandemia ocorra num futuro próximo.

Capra destaca que o mundo vive hoje uma “crise global multifacetada”, na qual nenhum de seus problemas principais – emergência climática, desigualdade econômica e a pandemia de Covid – pode ser entendido de forma isolada.
“São problemas sistêmicos e estão interconectados”, explica. Segundo ele, o desafio-chave da humanidade para reverter esse cenário é mudar seu sistema econômico para um modelo que seja ecologicamente sustentável e socialmente justo.

Para o físico, o progresso deve passar a ser medido pelo bem-estar da humanidade e da terra. Ele ressalta que não defende que países e economias parem de crescer. “Mas é preciso atingir um equilíbrio, que é o crescimento qualitativo, que faz frente ao crescimento quantitativo, do PIB, que é defendido pelos economistas”.

Diferentemente da economia de desperdício e destruição que vivemos hoje, o crescimento qualitativo melhoraria a qualidade de vida, gerando e regenerando recursos. “Precisamos avaliar a saúde da economia em termos qualitativos: indicadores de pobreza, de saúde, de equidade, de educação. Nada disso pode ser reduzido a coeficientes financeiros”, detalha Capra.

A evolução não deve ser mais vista como uma luta competitiva pela existência, mas como uma série de elementos cooperativos em que a criatividade e a novidade são as formas que capitaneiam a evolução. No cerne dessa mudança está que, em vez de ver o mundo como uma máquina, passamos a ver o mundo como uma rede. “Porque uma pandemia como a de Covid-19 só pode ser resolvida a partir de ações cooperativas e colaborativas, não temos outra opção”, diz.

Para Capra, a pandemia mostrou que o mundo é capaz de responder com urgência e coerência pra reduzir a atividade humana – e por consequência seus impactos no meio ambiente – quando existe vontade política. “Talvez os historiadores do futuro vejam que, a longo prazo, a humanidade entendeu que fosse mais seguro trabalhar como comunidade se mantendo longe da extinção”, finaliza.capa

4 fatos sobre Covid-19 e vacinação em gestantes e puérperas

O início da vacinação contra Covid-19 gerou muitas dúvidas em gestantes e puérperas sobre os eventuais riscos de receber o imunizante. Como, por questões éticas, esse grupo não participa dos testes para a criação das vacinas, as informações científicas sobre segurança e efeitos adversos acabam sendo coletadas posteriormente.

Durante o Conahp 2021, a infectologista Rosana Richtmann (Hospital e Maternidade Santa Joana e Instituto Emílio Ribas) apresentou os dados mais recentes sobre a vacinação de gestantes contra Covid-19 e respondeu às principais dúvidas relacionadas a esse público. Confira:

Gestantes precisam se vacinar?  
Sim. É fundamental a vacinação em qualquer etapa da gestação, pois ajuda a evitar que essas mulheres, se contaminadas, desenvolvam casos mais graves da doença – o que, além dos riscos para a mãe, pode levar à prematuridade do bebê.

O que dizem os dados sobre a vacinação de gestantes e puérperas contra Covid-19? 
Segundo a infectologista, a resposta imune das gestantes se mostrou a mesma que a das demais mulheres, e a efetividade da vacina foi boa, resultando em menos casos de Covid-19 entre grávidas vacinadas.

Dados do Ministério da Saúde apresentados por Rosana mostram que a maioria dos efeitos adversos das vacinas ocorridos em gestantes não foram graves. Além disso, não houve registro de que as vacinas tenham causado abortos espontâneos, óbito fetal, prematuridade, anomalia congênita nem morte neonatal.

A especialista ressalta que as gestantes vacinadas apresentaram anticorpos protetores no sangue do cordão umbilical. Outra indicação é de que mulheres vacinadas nos primeiros 45 dias de puerpério apresentaram presença de anticorpos contra o coronavírus no leite materno.

Nos dois casos, Rosana ressalta que ainda estão em andamento estudos para medir quão eficazes e duradouros são os efeitos desses anticorpos na proteção do bebê.

Qual seria a vacina mais segura e eficiente para as gestantes? 
As vacinas de RNA mensageiro – como a da Pfizer – são as mais usadas no mundo em gestantes. “São as que julgo mais indicadas para esse grupo específico, tanto pela boa resposta quanto em relação à experiência e segurança: seja para a gestante, seja para o feto, seja para o recém-nascido.”

No Brasil, a Coronavac também é aplicada em gestantes nos locais onde a logística não permite a chegada e conservação das vacinas da Pfizer. Imunizante de vírus inativo, ela também não tem apresentado risco para esse grupo.

São contraindicadas as vacinas de vetor viral – como AstraZeneca e Janssen. Por questões de segurança, o governo brasileiro parou de aplicar vacinas da AstraZeneca em mulheres grávidas após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro por síndrome trombocitopênica trombótica – único caso registrado no mundo relacionado à vacina, segundo Rosana Ritchmann.

Gestantes podem desenvolver casos mais graves de Covid-19? 
Sim, por isso a importância da vacinação. Apesar de não terem um maior risco de se infectar pelo coronavírus, as gestantes têm mais chances de desenvolver casos graves da doença – com necessidade de hospitalização, de uso de ventilação mecânica, de internação em UTI e, até mesmo, evolução para óbito. “Gestantes são um grupo de risco”, enfatiza a infectologista.

Segundo Rosana, a maioria dos óbitos por Covid-19 em gestantes no Brasil ocorreu no final da gestação. “Essa é uma informação importante, porque mostra que precisamos ter as gestantes totalmente vacinadas quando chegam ao terceiro trimestre”, diz.

A infectologista ressalta que a vacinação para as gestantes precisa ser universal, e não apenas para aquelas que apresentam algum fator de risco, como obesidade, diabetes e hipertensão. “Os dados no Brasil mostram que a maioria das gestantes que evoluíram para casos mais graves não tinham comorbidade.”

A palestra completa de Rosana Ritchmann no Conahp 2021 está disponível no canal da Anahp no YouTube. Acesse:

Novembro azul: com sintomas silenciosos e tabus sobre prevenção, câncer de próstata é o 2º mais comum entre brasileiros

Com sintomas silenciosos e cheio de tabus em relação ao exame de prevenção, o tumor de próstata é o segundo mais comum entre homens no Brasil – ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Só em 2020, cerca de 30% dos casos de câncer masculino foram de próstata.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam 65,8 mil novos casos por ano no triênio 2020-2022 no Brasil. Todos os anos, o câncer de próstata tem 75% dos casos registrados em homens com 65 anos ou mais – e o número de mortes chega a 15,5 mil.

Questões culturais também impactam nesses números: os homens costumam cuidar menos da saúde e ir pouco ao médico para exames de rotina. Com a pandemia, esse cenário se agravou. Segundo dados do hospital A.C. Camargo Cancer Center, houve uma queda de 30% nos atendimentos da área de urologia.

O Novembro Azul traz anualmente campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata e, neste ano, tem uma mensagem principal: os homens precisam retomar os cuidados com a saúde e a prevenção deste tipo de tumor.

“O câncer de próstata, na maioria das vezes, cresce de maneira lenta, levando alguns anos para chegar a 1 cm³. Por isso, é interessante a realização de exames a partir dos 50 anos para quem não tem histórico familiar e dos 45 anos para quem tem”, explica o líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C. Camargo, Stênio de Cássio Zequi. “Quando diagnosticado precocemente, a chance de sucesso no tratamento dos casos favoráveis pode atingir os 90%”, completa.

Antonio Corrêa Lopes Neto, urologista do Hcor – hospital multiespecialista de São Paulo – ressalta que a ida aos consultórios e a realização de exames de sangue e toque permitem não só o diagnóstico precoce do câncer de próstata, como também a identificação de quadros de prostatite (infecção ou inflamação da próstata) e hiperplasia benigna da próstata (aumento de tamanho da glândula).

Segundo o especialista, a realização apenas do exame PSA não é suficiente na decisão de condutas clínicas. Por isso, a comunidade médica defende uma avaliação mais completa, com análise de fatores de risco e histórico familiar, além da realização do toque retal e outros exames complementares, conforme as necessidades de cada caso.

Abaixo, o urologista do Hcor esclarece as dúvidas mais frequentes sobre câncer de próstata:

Quanto tempo dura o exame de toque retal?
Trata-se de um procedimento muito rápido, que dura em torno de 10 segundos. Nesse breve espaço de tempo, o médico consegue verificar se há regiões irregulares na próstata, principalmente nódulos e áreas endurecidas.

O câncer na próstata causa incontinência urinária? 
Não necessariamente. A perda da capacidade de controlar a urina é comum em homens que já passaram por cirurgia ou radioterapia para tratamento do câncer de próstata. Entretanto, hoje há tecnologias que permitem que esses quadros sejam temporários, e o paciente pode recuperar o controle total da bexiga.

Todo tipo de tratamento contra câncer urológico pode causar impotência sexual? 
Não é todo câncer urológico que causa impotência sexual após o tratamento. O quadro depende da condição física prévia do paciente, assim como o tipo e o nível do tumor. “Hoje, muitos médicos utilizam a cirurgia robótica para operar tumores de próstata. Essa técnica minimamente invasiva ajuda a proteger os tecidos e músculos da região. Além disso, existem alternativas para amenizar o problema, como tratamentos hormonais, medicamentos ou próteses penianas”, reforça o urologista.

Posso ficar infértil após o tratamento contra um câncer urológico? 
A possibilidade existe, mas tudo depende do tipo do câncer, da saúde e idade do paciente, bem como do tratamento adotado. Portanto, recomenda-se que o paciente converse com o médico para pensar em alternativas de preservação de espermatozoides, se for necessário.

Vasectomia causa câncer de próstata?
Não. Esse método de contracepção não tem nenhuma influência no desenvolvimento desse tipo de tumor.