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Conversar pode evitar suicídios: saiba como ajudar

Mais de 13 mil suicídios são registrados todos os anos no Brasil – e mais de 1 milhão, no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Para prevenir e reduzir estes números, existe a campanha Setembro Amarelo, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina.

“Entender o suicídio é uma questão complexa, já que ele envolve fatores de ordem genética, psicológica, sociológica e biológica, seja por momentos de crise, brigas em relacionamentos, impulso, falta de oportunidades ou desilusão pela vida”, explica Mônia Bresolin, psiquiatra e psicogeriatra que integra o corpo clínico do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC).

Embora não haja causas únicas que expliquem o suicídio, é válido mencionar as mais recorrentes:

– estresse social
– perda de emprego
– dificuldades financeiras (não à toa, 75% dos países que registram suicídios são emergentes ou subdesenvolvidos)
– problemas de relacionamento
– traumas, como abusos sexuais
– depressão
– esquizofrenia
– abuso de álcool
– baixa autoestima
– sofrimento em relação à orientação sexual
– dificuldade de enfrentar problemas
– doenças e dores crônicas
– acontecimentos destrutivos, como grandes conflitos
“Esses fatores podem aparecer isoladamente e, em alguns casos, ainda, combinados”, frisa a profissional.

Todos podem ajudar a prevenir

Para mudar essa situação, uma alternativa apontada pela especialista é conversar abertamente sobre o tema. “Para ajudar uma pessoa a evitar o suicídio, é preciso perguntar sobre o assunto. A ideia que se tem é que, ao falar sobre suicídio, o risco de alguém realmente tirar a própria vida aumenta, mas isso não é verdade. Também é possível incentivar a pessoa a procurar ajuda, de preferência em um pronto atendimento médico”, reforça a psiquiatra.
“Não minimize qualquer conversa ou comportamento auto prejudicial e não subestime comportamentos por atenção. Pensamentos e ideações suicidas são uma emergência médica”, aponta.

Mônia também frisa a importância de uma cultura de escuta e empatia no ambiente familiar: “Quando se tem a abertura para o diálogo, sem críticas ou preconceitos, tem-se a oportunidade de identificar alguma alteração de comportamento da pessoa que convive no mesmo ambiente e, dessa forma, poder ajudá-la, incentivando que procure avaliação com médico psiquiatra para saber se está tudo bem”.

De olho na saúde mental
 
A atenção à saúde mental também é fundamental para diminuir o número de suicídios. “É comum que os casos estejam relacionados a transtornos mentais, como depressão e ansiedade”, explica Mônia.

Estudos mostraram um panorama geral dos transtornos mentais na população adulta, com índices que variaram entre 20% e 56%, acometendo principalmente mulheres e trabalhadores.

Confira alguns sinais de alerta, apontados pela psiquiatra, para doenças da saúde mental:

– Insônia
– Desânimo ou falta de prazer ao fazer suas atividades
– Alteração de humor
– Irritabilidade
– Falta de concentração
– Perda de memória
– Taquicardia (batimento cardíaco acelerado)
– Respiração ofegante ou entrecortada (sensação de falta de ar)
– Formigamento
– Choro constante e estresse excessivo
– Tremores
– Tensão
– Perda ou ganho de peso
– Dores de cabeça
– Dores musculares
– Problemas gástricos e digestivos
“Para diagnosticar uma doença mental, é preciso realizar uma entrevista [consulta] com psiquiatra. Após avaliação de todos os dados do paciente, o médico terá condições de fazer o diagnóstico. Algumas vezes são necessários alguns exames complementares. Cada diagnóstico tem seu tratamento específico. Geralmente se faz com medicações e psicoterapia”, explica a profissional.
Fonte: edição do texto original do Hospital Dona Helena

Estudo mostra que Covid-19 pode afetar placenta e prejudicar bebês

Em parceria com Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, resultados apontam que comprometimento do órgão pode provocar partos prematuros e até mesmo óbito

A placenta funciona como um pulmão para o bebê, sendo a responsável pela respiração e também pelo recebimento de nutrientes. Entretanto, gestantes contaminadas pela Covid-19, que desenvolvem quadros mais graves, podem ter a placenta comprometida, provocando partos prematuros e até mesmo a morte intrauterina.

Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em parceria com os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. O estudo foi publicado no periódico Frontiers in Immunology, revista científica referência mundial em imunologia.

“Ao comparar as placentas de mães com Covid-19 às de mães saudáveis, percebemos que as contaminadas pelo SARS-CoV-2 tinham maior propensão a mostrar características de má perfusão vascular devido à trombose placentária, materna e fetal”, explica o cientista e professor Cleber Machado de Souza, que integra o grupo de pesquisadores.

Ou seja: se a Covid-19 afeta os vasos da mãe, o bebê passa a não receber nutrientes nem oxigênio. Como consequências, foram verificadas morte intrauterina, óbito logo após o nascimento e partos prematuros. Alguns recém-nascidos também precisaram ser hospitalizados por terem sido infectados com o vírus. Já as pacientes com forma leve da doença deram à luz a bebês saudáveis e suas placentas não apresentaram lesões decorrentes da infecção pelo SARS-CoV-2.

A pesquisa

  • Os cientistas compararam a placenta de 19 mães com diagnóstico de Covid-19, oriundas do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), a de 19 mães saudáveis, oriundas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
  • O estudo seguiu o pareamento de idade materna, idade gestacional e comorbidades entre os dois grupos.
  • As gestantes do grupo Covid-19 foram atendidas no Hospital Nossa Senhora das Graças, e as do grupo controle, no Hospital de Clínicas (HC), ambos em Curitiba, com consentimento das pacientes e aprovação do Comitê de Ética das instituições.

Próximos passos
Segundo Souza, a pesquisa terá continuidade, avaliando agora os aspectos genéticos envolvidos. “Queremos entender por que algumas mulheres apresentam maior propensão a desenvolverem a trombose enquanto outras não. Isso poderia, no futuro, ajudar a estabelecer condutas mais seguras na condução de gestações associadas à Covid-19”, realça.

Prevenção é fundamental
Para o professor, a prevenção segue como a melhor opção:

– Higienize as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel;
– Evite tocar nos olhos, nariz e boca se as mãos não estiverem limpas;
– Limpe e desinfete objetos e superfícies tocados com frequência;
– Restrinja o contato com pessoas doentes.
– Evite aglomerações e, se possível, fique em casa;
– Ao sair de casa, sempre utilize a máscara de proteção;
– Mantenha o distanciamento social de, no mínimo, 1,5 m entre as pessoas.

Vacinação

De acordo com Heloísa Giamberardino, coordenadora do Centro de Vacinas do Pequeno Príncipe, há um protocolo a ser seguido para a vacinação de gestantes no Brasil. Segundo a especialista, a imunização é indicada principalmente com os imunizantes da Coronavc e Pfizer. “É muito importante que as gestantes sejam vacinadas, pois há mais risco de complicações. Hoje, o que se discute é se será necessário manter a prescrição médica. Atualmente, existe essa orientação do Ministério da Saúde, o que pode estar afastando muitas gestantes do acesso vacinal.”

Fonte: edição do texto original do Hospital Pequeno Príncipe.

Tudo o que já se sabe sobre a imunização continuada contra a Covid-19

Como forma de reforçar a resposta imunológica de grupos específicos, a terceira dose da vacina já começa a fazer parte do calendário das cidades

Desde que atingiu o patamar de pandemia, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, a Covid-19 apresentou diversas variações e, consequentemente, diferentes respostas do vírus às plataformas vacinais existentes até o momento.

Para reforçar a ação imunizante e, possivelmente, evitar escapes provocados por cepas mutantes, o Ministério da Saúde optou por seguir o exemplo de outros países e recomendar a terceira dose da vacina – a princípio, para idosos acima de 70 anos e pessoas consideradas imunossuprimidas. No entanto, estados como São Paulo já disponibilizaram calendário contemplando outras faixas etárias, a partir dos 60 anos*.

Conversamos com especialistas e respondemos, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre a dose de reforço contra o coronavírus.

> Dra. Viviane Hessel Dias, infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat

Por que a necessidade de uma terceira dose da vacina contra Covid-19?
Por meio das análises de acompanhamento da vacinação, tem sido observada uma queda progressiva de proteção, especialmente em idosos acima de 70-80 anos. Outro grupo que pode ter resposta diminuída de soroconversão são os pacientes imunossuprimidos. Nesses grupos, a administração de uma terceira dose pode melhorar a resposta imunológica.

Qual o intervalo de tempo indicado para o reforço?
Seis meses após a última dose do esquema vacinal utilizado.

O que pode acontecer caso eu não tome a dose de reforço?
Se você pertence a algum dos grupos específicos em que a dose de reforço é indicada, a não realização dessa dose pode impactar em aumento do risco de infecção e hospitalização relacionada à Covid-19.

> Dra. Isabella Albuquerque, infectologista e chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo

A terceira dose da vacina deve ser da mesma marca que tomei anteriormente?
A previsão é de que a terceira dose seja feita com plataforma vacinal diferente da inicial, havendo preferência pela vacina da Pfizer, sempre que disponível. Na sua falta, as demais deverão ser utilizadas.

Que reações posso ter ao tomar a terceira dose?
As mesmas associadas às doses anteriores, dependendo da plataforma vacinal utilizada. Desde nenhuma reação, passando por dor no local da injeção, até reações sistêmicas como febre, dor de cabeça e dor no corpo.

Com a terceira dose, já é permitido abandonar hábitos como o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool em gel?
Não, tais hábitos devem ser mantidos minimamente até que toda a dinâmica da doença e da resposta imunológica às vacinas seja totalmente conhecida.

Fique sabendo!
Quais são os grupos de imunossupressão mediada por doença ou medicamentos e imunossuprimidos?

– Imunodeficiência primária grave

– Quimioterapia para câncer

– Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) que estão usando drogas imunossupressoras

– Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 menor do que 200 céls/mm3

– Uso de corticoides em doses maior ou igual a 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por mais de 14 dias

– Uso de drogas modificadoras da resposta imune

– Pacientes em hemodiálise

– Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, auto inflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

 *Confira o calendário vacinal de seu município. O período pode variar de acordo com a recomendação local. 

A longo prazo, home office pode aumentar incidência de doenças

Segundo especialistas do Hospital Santa Catarina – Paulista,  regime de trabalho à distância contribui para o surgimento de problemas físicos e psicológicos
De acordo com um levantamento do Ipea, de novembro de 2020, cerca de 7,3 milhões de brasileiros trabalham, atualmente, de forma remota, o que representa cerca de 9,1% da população ocupada e não afastada. Dados de uma das maiores plataformas de busca de vagas do país apontam que, também em 2020, as ofertas para regimes flexíveis aumentaram 309%.
No entanto, com a adoção em longo prazo do home office, surgem alertas para novos hábitos que, quando não monitorados adequadamente, podem levar a incidência de complicações físicas e psicológicas envolvendo diversas especialidades.
Confira cinco possíveis impactos do home office prolongado na sua saúde:

1 – Visão

Segundo o Dr. Victor Cvintal, oftalmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, a exposição a monitores por longos períodos pode levar a determinadas repercussões oculares, “como uma eventual diminuição na frequência do piscar dos olhos, que pode acarretar em uma instabilidade da qualidade de visão”, explica.
Sintomas
Secura e ardor. Quando utilizados por períodos prolongados, estes dispositivos podem alterar determinados aspectos da visão, como a capacidade de enxergar de perto. Já nas crianças, estimulam a miopia.
Prevenção
– Pisque o olho de vez em quando para garantir um nível de lubrificação adequado, além de usar lubrificantes para estabilizar a lágrima;
– Faça pausas a cada 20 minutos no trabalho, evitando o uso da visão para perto por 20 segundos;
– Pratique atividades diárias ao sol;
– Posicione seu monitor a um braço de distância, ligeiramente abaixo da linha dos olhos, sem que o brilho da tela compita com a luz ambiente.

2- Ergonomia e sedentarismo

O cenário pandêmico eliminou temporariamente a necessidade de locomoção ao trabalho. Para muitos, sair para trabalhar envolvia breves caminhadas que contribuem para a manutenção do sistema musculoesquelético. Ortopedista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Renato Sorpreso alerta ainda que a utilização de ambientes residenciais como escritório gera situações ergonomicamente desfavoráveis.
Sintomas
Dores no pescoço, lombar, dorsal, braço, antebraço, mãos, entre outras regiões.
Prevenção
– Mantenha uma rotina de atividades físicas, na proporção de 5 a 7 dias por semana, acumulando de 210 a 400 minutos no período indicado.

3 – Alimentação

Atenção ao consumo excessivo de determinados tipos de carboidratos. Os chamados carboidratos simples, que incluem mel, açúcar, xarope de milho e farinhas, ao contrário dos carboidratos complexos, não possuem um nível relevante de nutrientes, vitaminas e fibras.
Sintomas
Endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, o Dr. Ricardo Rienzo afirma que um dos primeiros sinais é o risco de aumento das triglicérides, que contribuem para o armazenamento de energia. “Quando os triglicerídeos se encontram em alto nível no sangue, a probabilidade para o desenvolvimento de doenças cardíacas aumenta”.
Prevenção
– Pratique atividades físicas;
– Opte por uma dieta balanceada, em que os carboidratos correspondam a, no máximo, 60% das refeições individuais. No caso dos açúcares, recomenda-se que componham 5% das refeições.
– Anote seus hábitos alimentares: a prática pode contribuir para o monitoramento adequado.

4 – Cardiopatias

A permanência em casa por longos períodos pode levar ao sedentarismo, facilitando a incidência de complicações que geram maior vulnerabilidade às cardiopatias.
Sintomas
De acordo com o Dr. Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, a inatividade pode levar ao sobrepeso, descontrole dos níveis de pressão arterial, glicemia e colesterol. “Todos esses itens são fatores de risco para desfechos cardiológicos mais graves como infarto, arritmia ou acidente vascular cerebral”, alerta.
Prevenção
– Mantenha uma rotina organizada, que contemple a prática de atividades físicas;
– Tenha uma dieta balanceada, monitorando o consumo de bebida alcoólica e alimentos gordurosos;
– Previna-se com consultas periódicas. “Há diversos recursos digitais que podem ajudar no agendamento, por meio da telemedicina”, recomenda o especialista.

5- Saúde mental

Para a chefe da equipe de psicologia do Hospital Santa Catarina – Paulista, Giovana Rossi Lenzi, o home office em longo prazo pode causar uma sensação de confinamento. “Por permanecerem em um único ambiente, as pessoas acabam trabalhando com uma carga horária superior em comparação com o cenário pré-pandemia, gerando um esgotamento maior. Muitos alteram a rotina de sono e alimentação, o que impacta diretamente no estado de saúde física e emocional, e na produção de hormônios que regularizam e geram bem-estar no organismo”.
Sintomas 
Quadros de estresse agudo.
Prevenção
– Busque o equilíbrio entre atividades profissionais e recreativas;
– Crie estratégias de autocuidado, como a segmentação de determinados ambientes no espaço residencial, a fim de separar, física e mentalmente, as tarefas laborais dos momentos de lazer e descanso.
Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina.

Como fica o sistema respiratório pós-Covid?

Entenda como o novo coronavírus afeta os pulmões e as consequências para o organismo

O Sars-CoV-2, nome atribuído ao novo coronavírus, atinge cada pessoa de maneira diferente, e esse é o grande desafio em relação à Covid-19. Sabe-se que os grupos de risco, por exemplo, têm mais chances de desenvolver o estado grave da doença, como idosos, pessoas com doenças no coração e nos pulmões, além de pacientes imunossuprimidos.

Apesar de a infecção pelo novo coronavírus apresentar risco para todo o organismo, a porta de entrada acontece pelo sistema respiratório. A atuação se dá da seguinte forma: o vírus é inalado, passa pelo sistema respiratório e, nesse caminho, destrói as células que revestem os brônquios e os alvéolos – pequenos sacos de ar que se encontram dentro dos pulmões, responsáveis pela troca gasosa, ou seja, levam oxigênio ao sangue. E não é só isso: o novo coronavírus também afeta o revestimento dos vasos sanguíneos, o que prejudica a circulação pulmonar, fazendo com que seja ativada uma coagulação e, consequentemente, sejam formados os chamados microtrombos.

Já nos pulmões, o vírus começa uma inflamação grave, que atinge, sobretudo, os alvéolos. Em seguida, o corpo detecta o vírus como uma ameaça e começa o processo para combater a inflamação. Assim, os alvéolos ficam com esses sacos de ar preenchidos com líquido, o que prejudica a troca gasosa. Dessa forma, o sangue não consegue receber oxigênio de maneira suficiente e não consegue eliminar o gás carbônico, que, em grande quantidade, faz com que se torne tóxico. Esse processo, então, gera a falta de ar sentida pelos pacientes. Este é o momento em que as pessoas precisam imediatamente de cuidados médicos.

A inflamação também torna os pulmões mais sensíveis para a entrada de bactérias, ou seja, além da atuação do vírus propriamente dito, pode surgir uma pneumonia bacteriana, que agrava o quadro clínico do paciente. Nesses casos mais graves, a pessoa necessita de oxigênio ou até mesmo ventilação mecânica. Até o momento, sabe-se que pacientes obesos e diabéticos têm mais chances de desenvolver o quadro grave de Covid-19, no entanto, isso também ocorre com pessoas jovens e sem doenças prévias.

De 10% a 15% das pessoas apresentam evolução para coagulopatia trombótica. No entanto, a maior parte dos pacientes – entre 85% e 90% – desenvolve quadros leves, com melhora sem medicação e sem queda na oxigenação. Nesse percentual menor de pacientes graves, vários tecidos do corpo, incluindo os pulmões, são prejudicados pela falta de irrigação no sangue e podem ocorrer trombose, necrose (morte de células ou de parte de um tecido que compõe um organismo vivo) ou fibrose como sequelas em longo prazo.

De acordo com a médica Suzana Pimenta, chefe da Equipe de Pneumologia do Hospital Nove de Julho, a maneira como o sistema respiratório ficará depois da Covid-19 vai depender muito da gravidade da pneumonia que o paciente apresentou. “As pessoas que desenvolveram formas mais leves geralmente apresentam recuperação completa. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver limitação funcional que, na maioria das vezes, é transitória, podendo persistir de semanas a meses, mas uma pequena parcela, entretanto, pode evoluir para fibrose, com perda funcional permanente”, explica.

Ainda de acordo com a médica, as principais sequelas da Covid-19 são danos respiratórios e fraqueza muscular: “As consequências respiratórias podem incluir cansaço, falta de ar e baixa oxigenação, que podem demorar dias, semanas ou meses para normalizar, dependendo da gravidade do quadro. Na fraqueza muscular, os pacientes se queixam de fadiga intensa e indisposição, sintomas que acabam se confundindo um pouco com a falta de ar; é um relato bem persistente da maioria dos pacientes e que pode durar semanas ou meses. A perda de olfato e de paladar também pode persistir”.

Quando buscar ajuda especializada?

– Uma vez diagnosticado com Covid-19, mantenha práticas de proteção ao organismo e tenha a atenção redobrada aos sintomas.

– Monitore a oxigenação do sangue de duas a três vezes ao dia, pelo menos; caso esteja menor que 93% ou que a oxigenação habitual, vá a um hospital.

– Hidrate-se em todas as fases da doença.

– Busque atendimento médico se a febre se mantiver por seis dias depois do começo dos sintomas.

– Não tome medicamentos sem orientação médica.

Ainda segundo Pimenta: “Existem os cuidados gerais, como manter uma boa alimentação e repouso. Os pacientes que permanecem com cansaço a qualquer esforço e até mesmo precisam de oxigênio ou ainda aqueles que estão com dificuldade para se locomover por fraqueza muscular precisam fazer fisioterapia motora e respiratória em casa para auxiliar na reabilitação; os pacientes que ainda precisam de oxigênio suplementar por não terem voltado à oxigenação basal devem manter oxigenoterapia em casa até o desmame, ou seja, a redução gradual do oxigênio até sua suspensão total”.

É necessária muita atenção aos sinais caso esteja doente. Evite aglomerações, use máscara e mantenha os cuidados com a higienização para conter a disseminação da doença. Depois de ter tido Covid-19, caso apresente sintomas como tosse, falta de ar, febre e chiado no peito, procure um médico, pois podem ser consequências da doença.

A médica reforça ainda que a melhor maneira de deixar o sistema imunológico protegido é com a vacinação completa contra o novo coronavírus. “Até o momento, não existe nenhuma medicação que ofereça essa proteção, mas adotar uma boa alimentação e evitar maus hábitos, como fumar e consumir álcool excessivamente, auxilia no processo”, completa.

Fonte: edição do texto originado do Hospital Nove de Julho.

Como perder o excesso de peso acumulado na pandemia?

As mudanças na rotina durante a quarentena acabaram pesando na balança, com aumento do número de pessoas obesas ou com sobrepeso

A pandemia e a necessidade de isolamento social alteraram a nossa rotina, muitas vezes nos levando a um estilo de vida nada saudável. Maior consumo de alimentos industrializados e calóricos, redução das atividades físicas (incluindo os deslocamentos do dia a dia) e o estresse emocional (que muitos compensam comendo mais) acabaram criando um contexto propício para o descontrole do peso e aumento da obesidade na população. Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo com mais de 14 mil pessoas mostrou que, durante a pandemia, 19,7% dos entrevistados ganharam peso nesse período.

Com a vida voltando aos trilhos graças à vacinação e à retomada gradual das atividades, é hora de ficar de bem com a balança. O controle do peso é fundamental para a saúde. Sobrepeso e obesidade podem levar ou agravar doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e articulares, doenças respiratórias e do trato gastrointestinal (como o refluxo). A obesidade, como mostram vários estudos, também está associada a vários tipos de câncer. E quem tem comorbidades também corre mais risco de complicações se for infectado pela Covid-19. Além disso, para muita gente, a questão do peso influencia na autoestima.

Como saber se você está ou não com sobrepeso?

Basta calcular seu Índice de Massa Corporal (IMC), dividindo o Peso (quilos) pela Altura (metros) ao quadrado (altura x altura). O resultado indica sua condição:

IMC | Classificação

Abaixo de 18,5 | Abaixo do peso (magreza)
Entre 18,5 e 24,9 | Peso normal
Entre 25 e 29,9 | Sobrepeso
Entre 30 e 34,9 | Obesidade Grau I
Entre 35 e 39,9 | Obesidade Grau II
Acima de 40 | Obesidade Grau III (obesidade mórbida)

Como perder peso?
A receita para emagrecer é, basicamente, gastar mais calorias do que ingerimos, o que demanda atividade física e dieta equilibrada.  O especialista em Nutrologia Enteral e Parenteral Thiago Mendonça Moret, gerente médico sênior do Américas Serviços Médicos, que inclui o Hospital Pró Cardíaco, dá dicas importantes para uma dieta saudável e com bons resultados:

– Prefira alimentos saudáveis e frescos, com cardápio baseado em verduras, legumes e frutas, sem esquecer as proteínas de carnes magras cozidas ou grelhadas e ovos cozidos. Privilegie as fibras, presentes em frutas e grãos como feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico, e cereais integrais, que ajudam a aumentar a sensação de saciedade. “Ter uma variedade de ingredientes, com um estímulo variado ao paladar, é o que mais pode contribuir para um resultado sustentável”, aconselha o médico.

– Dietas da moda não são recomendáveis e, em geral, não trazem resultados de longo prazo. “Algumas dietas restringem o consumo e isso pode gerar um efeito rebote, com mais avidez por certos alimentos, além de um desequilíbrio na composição dos nutrientes de que necessitamos diariamente”, esclarece o especialista.

– Planeje seu cardápio antes de ir às compras. Não caia na tentação de comprar doces, chocolates, carnes gordurosas etc. Se tiver esses itens em casa, vai ser mais difícil resistir.

– Procure alimentar-se sempre nos mesmos horários. Não coma assistindo à TV ou na frente do computador ou celular. Coma com calma, preste atenção no que está ingerindo e mastigue corretamente

– Tome muito líquido: água e sucos naturais sem açúcar.

– É preciso gastar calorias, então mexa-se! Ainda que os espaços para as atividades físicas estejam voltando à normalidade aos poucos, é possível fazer caminhadas usando máscara, pular corda em casa, dançar, fazer alongamento. Ande, mesmo dentro de casa. Não fique muitas horas inativo no sofá.

– É importante manter o padrão de alimentação para além do período de emagrecimento. “Perder peso rapidamente pode ser até estimulante no curto prazo, mas, paralelamente, deve-se sempre ter em mente as mudanças necessárias nos hábitos alimentares que contribuirão para garantir um resultado consistente no futuro”, afirma Thiago.

Quando é hora de buscar ajuda profissional?
Além do IMC indicando sobrepeso ou obesidade, alguns sintomas de quem está acima do peso denotam a urgência em buscar ajuda profissional, como hipertensão arterial, falta de ar, dores nos joelhos, pernas e costas e dificuldade para realizar tarefas cotidianas simples ou uma leve caminhada.

Tudo começa com uma consulta com médico endocrinologista. Além dele, o cuidado pode envolver outros profissionais, como nutricionista, educador físico e psicólogo. Centros especializados em tratar obesidade são muito bem-sucedidos ao adotar uma abordagem multidisciplinar, que permite combinar a expertise de diferentes profissionais para estabelecer a melhor estratégia para cada paciente, incluindo, quando indicado, a cirurgia bariátrica.

De forma geral, o tratamento é baseado em uma alimentação menos calórica e prática regular de atividade física. Medicamentos podem ser indicados se essa abordagem não gerar os resultados esperados ou se existirem outras doenças.

Fonte: edição do texto do original do Hospital Pró Cardíaco (América Serviços Médicos).

Cânceres de cabeça e pescoço: diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Aos primeiros sintomas, não espere a pandemia passar – procure um médico

Os chamados “cânceres de cabeça e pescoço” são tumores malignos na boca, no seios paranasais, no nariz ou na garganta, que podem começar silenciosamente antes de causar incômodos. Em caso de alterações nessas regiões, que às vezes podem ser confundidas com uma simples infecção de garganta, é preciso buscar orientação médica o quanto antes, mesmo em tempos de pandemia.

Alguns sinais de alerta: alterações de cor na boca, aftas persistentes, feridas nos lábios que não cicatrizam, rouquidão que não passa, nódulos no pescoço, dificuldade para engolir e mudança no timbre da voz.

O aposentado José Afonso Ramos, de 56 anos, travou uma das maiores batalhas de sua vida quando descobriu em 2018 um tumor de cabeça e pescoço, localizado abaixo da língua. Ele começou a sentir dores na língua, na garganta e no ouvido e achou que estava com infecções comuns nesta região. “Eu tinha a sensação de que algo me arranhava na garganta. Minha língua doía, mas não dei muita atenção no primeiro momento. Comecei a me automedicar”, lembra.

Segundo a filha de José Afonso, Geiciane Ramos, depois de mais de um mês de consumo de remédios que não contribuíram para a melhora do pai, o aposentado procurou por um dentista. “A língua dele começou a sangrar e aí começamos a nos preocupar. Nós os levamos a um dentista que fez o pedido da biópsia imediatamente.” Após a biópsia, ele foi encaminhado para o tratamento no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, Minas Gerais.

Ex-tabagista e adepto do consumo de álcool, o aposentado José Ramos fazia parte do grupo de risco para a doença, e entrou para o grupo das mais de 43 mil pessoas que são diagnosticadas com câncer de cabeça e pescoço no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Está entre os mais frequentes na população brasileira, e representa o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum em mulheres.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço da Fundação São Francisco Xavier, Clineu Gaspar Hernandes Júnior, os tumores de cabeça e pescoço são localizados nas vias aerodigestivas superiores e nas glândulas salivares ou glândulas endócrinas. “Os principais locais desse tipo de câncer são a língua, lábios, gengiva, glândulas salivares como a parótida e submandibular, as amigdalas, a laringe, a tireoide, os seios paranasais e a faringe, sendo que a faringe divide em nasofaringe, porofaringe e hipofaringe”, explica.

Segundo o cirurgião, o câncer de pele também pode estar associado a essa região. “Esse tipo de câncer em cabeça e pescoço representa 60% de todos os cânceres de pele do corpo por ser uma área muito exposta ao sol”, explica.
O médico explica que os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço são feridas no corpo ou na boca que não cicatrizam, manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, rouquidão maior que duas semanas, dificuldades ou dor para engolir, caroço no pescoço, irritação ou dor de garganta, mau hálito frequente, perda de peso sem motivo aparente, dentes moles ou com dor em torno deles. E, segundo ele, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Outro fator de risco para o câncer de orofaringe, é o HPV, conhecido como papiloma vírus.
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço, segundo o médico, envolve geralmente a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo a ordem desses tratamentos dependente do tipo e localização do tumor. “A chance de cura está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Então, naqueles tumores iniciais as chances de cura são bem altas, entre 90% e 95%”.
Fonte: edição do texto original do Hospital Márcio Cunha.

O isolamento social prolongado pode prejudicar a memória. Veja como evitar o problema

Ainda não há previsão confiável de retorno à “vida normal”. Até lá, é importante cuidar da saúde mental de todos. Especialmente, dos idosos

A  vacinação avança aos poucos, mas a recomendação de isolamento social no Brasil ainda não tem previsão para acabar. Como resultado, os médicos têm observado o aumento de males como estresse, ansiedade e depressão, todos relacionados a problemas de memória.

“O isolamento social é considerado uma situação estressante que resulta em aumento da reatividade fisiológica a novos estímulos, comportamento alterado em situações usuais e função cerebral prejudicada”, explica Diogo Haddad, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “Situações estressantes em caráter crônico promovem uma clara alteração em nossa resposta de atenção, velocidade de processamento e memória”, acrescenta.

Confira a entrevista com o médico e entenda melhor esse fenômeno.

Saúde da Saúde – Qual é a relação entre o convívio e a memória?
Diogo Haddad – Trabalhos anteriores à pandemia já mostravam a associação de alterações de memória em pacientes isolados durante longos períodos em instituições de longa permanência e asilos. Foi notável que o isolamento precedia às perdas de memória e não o contrário, mesmo em população idosa e com doenças já conhecidas. Na pandemia, ficou muito claro que pessoas sem quaisquer doenças prévias também viveram alterações de memória durante o período de isolamento.

Que pessoas estão mais suscetíveis ao problema neste período?
A verdade é que todos estão suscetíveis, especialmente os idosos – muitos estão em casa sem suas rotinas e sem interação com familiares por medo da pandemia. Devemos tomar todos os cuidados associados à higiene e aglomerações, mas certo convívio deve ser estimulado para preservação da saúde mental, da cognição e da memória. Pacientes que já apresentam doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, devem ser sem bem acompanhados para não apresentar rápida evolução e piora de seu quadro de base.

Por que o isolamento afeta a memória?
Existem três áreas cerebrais importantes que reconhecemos como ativadas durante o isolamento e a solidão: córtex pré-frontal, o hipocampo e a amígdala. O córtex pré-frontal apresenta-se reduzido em pessoas isoladas por longos períodos. Por ser a área definidora em tomadas de decisões e comportamentos sociais, pode promover alterações comportamentais durante período maior e dificuldade de adaptação social no retorno à socialização. O hipocampo é reconhecido como a área da memória, principalmente a recente, e apresenta-se hipofuncionante em pessoas isoladas. Importante notar que ele também influencia diretamente no aprendizado de novas funções. A amígdala é muita associada ao medo e estresse, ela modula as emoções e o reconhecimento do quanto as emoções alteram nossas atividades sociais. Evidências mais recentes sugerem que as amígdalas são menores em pessoas solitárias.

Além da perda de memória, que outros problemas podem emergir na solidão?
Temos alguns estudos preocupantes a respeito de isolamento prolongado. O isolamento social aumentou significativamente o risco de morte prematura, o que comparativamente pode se aproximar ao risco representado por fumar, obesidade e sedentarismo. O isolamento social foi associado a um risco aumentado em cerca de 50% de conversão de síndromes demenciais em pacientes já propensos. Relações sociais precárias, caracterizadas por isolamento social ou solidão, foram associadas a um aumento no risco de doenças cardíacas e de acidente vascular cerebral. A solidão também é associada a taxas mais altas de depressão, ansiedade e suicídio, algo extremamente perigoso em países com pouco estímulo ao acompanhamento, reconhecimento e tratamento de doenças mentais como o caso do Brasil.

O que pode ser feito para minimizar ou compensar essas perdas?
O ser humano é social por natureza. Neste momento, é importante manter a rede de relações próxima, mesmo que virtualmente. Familiares devem estar próximos e vínculos de filhos e netos não devem ser cortados durante a quarentena de forma brusca. Os cuidados devem ser mantidos, mas não a ponto de se evitar os estímulos sociais e cognitivos fundamentais para nosso funcionamento.

Neste contexto, qual é o papel dos profissionais de saúde?
Quase todo adulto acima de 50 anos interage com seu sistema de saúde, seja público ou privado, de alguma forma. Para aquele sem conexões sociais, uma consulta médica ou a visita domiciliar de uma enfermeira pode ser um dos poucos encontros cara a cara que o paciente pode vivenciar. É importante que o profissional reconheça os danos que podem estar associados ao isolamento.

Férias de julho na pandemia: como evitar acidentes domésticos com crianças

Além de medidas práticas, como adaptar o mobiliário, é importante conversar e brincar com os pequenos

Nas férias, aumenta o risco de acidentes domésticos com crianças. Em, especial num período em que enfrentamos uma pandemia, em que os pequenos passam praticamente o todo o tempo em casa. De  acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o risco é maior entre 2 e 5 anos de idade. Ou seja, quando a criança já é capaz de andar, mas ainda não sabe discernir quais brincadeiras podem ser perigosas.

“Os pais nem sempre conhecem as limitações de cada fase, além de não terem o hábito de pensar nos perigos dentro de casa”, afirma a pediatra Carolina Peev, do Sabará Hospital Infantil. “É comum que os adultos esperem da criança pequena uma percepção de risco que ela desenvolve só a partir dos 7 anos.”

Até os 4, explica a médica, a criança é curiosa, mistura realidade com ficção e gosta de imitar os adultos. Isso sem contar que os pequenos caem com mais facilidade porque o tamanho e o peso da cabeça são desproporcionais ao resto do corpo corpo, fazendo com que o centro de gravidade fique na altura do peito, não no umbigo. Além das quedas, outros acidentes comuns envolvem cortes, queimaduras, esmagamentos, mordidas de animais e intoxicação, por medicamentos ou produtos de limpeza, entre outros.

Carolina recomenda que os pais mantenham remédios e produtos químicos trancados. Também é recomendável colocar portõezinhos para impedir o acesso às escadas, à cozinha e à garagem. A pediatra também alerta contra o perigo do andador, que ajuda a criança a se locomover para qualquer direção.

Outras medidas simples também ajudam, como colocar os cabos das panelas virados para o lado de dentro do fogão e colocar limitadores de abertura em portas e gavetas.

Conversar com a criança é fundamental, explicando numa linguagem que ela consiga entender quais comportamentos são de risco e o que pode acontecer caso desobedeça. Outra estratégia é educar participando com ela de brincadeiras, ensinando quais movimentos são seguros e quais devem e ser evitados.

No caso de alguns acidentes, é preciso agir com urgência. Leve a criança imediatamente ao pronto-socorro em casos de traumas na cabeça, cortes profundos, sangramentos que não param, vômitos, desmaios, queimaduras com bolhas e hematomas intensos e extensos.

Para saber mais detalhes sobre como evitar acidentes domésticos com crianças nos diferentes cômodos da casa, acesse o site Pediatria para Famílias, da SBP.

Nem sempre é Covid: no inverno, aumenta a incidência de doenças do sistema respiratório

Especialista alerta sobre cuidados necessários nesta época do ano e aponta semelhanças e diferenças sintomáticas entre doenças como a gripe e a infecção pelo coronavírus

Com a chegada do inverno, ocorrem mais alterações bruscas na temperatura, quedas da umidade do ar e aumento da poluição atmosférica. São fatores que contribuem para uma maior incidência de doenças respiratórias e para a transmissão de gripe e resfriados, assim como outras bactérias e viroses. “Em todos os anos, essas doenças têm sua incidência aumentada neste período”, afirma Marcos de Abreu, pneumologista do Hospital Márcio Cunha e da Fundação São Francisco Xavier. A diferença em 2020 e 2021 é a concomitância com a pandemia de Covid-19.

O médico alerta que é essencial ficar atento aos sintomas, que podem ser parecidos com os do novo coronavírus e confundir os pacientes. No caso da suspeita de Covid-19, é aconselhado observar sinais de alerta como desconforto respiratório progressivo (falta de ar) e febre persistente, que também ocorrem em doenças como a gripe e asma, além da perda de olfato e paladar, específicos da infecção pelo coronavírus. Na dúvida, o paciente deve procurar atendimento médico, preferencialmente por meio da telemedicina ou de algum aplicativo oficial de atendimento à Covid-19.

Segundo o pneumologista, nesta época do ano, as condições do ar contribuem para ressecar as vias aéreas. Na tentativa de compensar essa agressão, o corpo produz mais muco ao mesmo tempo em que pode surgir uma infecção secundária. Para prevenir e amenizar os casos de doenças respiratórias no inverno, Abreu recomenda reforçar a hidratação e manter o ambiente limpo e arejado. Também ajuda se lavar as vias aéreas com soro fisiológico. Outro recurso é deixar uma bacia com água ou uma toalha molhada no ambiente ou mesmo fazer uso de umidificadores.

A asma, cujas crises são mais comuns nesta época, é uma doença inflamatória crônica que acomete os brônquios, dificultando a respiração e podendo resultar em falta de ar. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a asma acomete cerca de 300 milhões de pessoas no mundo – 20 milhões apenas no Brasil.

O pneumologista alerta para o perigo de se negligenciar a asma durante a pandemia. “Quem não faz o uso correto dos medicamentos, ou mesmo suspende o controle da doença, pode retornar aos ambulatórios e consultórios com frequência ou mesmo chegar a precisar de atendimento de emergência”, alerta Abreu.

Mas e a gripe? A vacinação é a melhor estratégia de contenção da doença. E, neste longo período de pandemia, as principais medidas de prevenção contra a Covid-19, como o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização das mãos, também são ótimas estratégias para conter doenças contagiosas que atingem o sistema respiratório.