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Quanto custa o plano de saúde na renda dos brasileiros?

Quem paga plano de saúde sabe que é preciso planejamento financeiro para dar conta dessa despesa importante. Mas você saberia dizer quanto do orçamento do brasileiro é destinado à assistência em saúde?

Em uma pesquisa realizada em abril deste ano pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), 73% dos usuários dos convênios afirmaram gastar pelo menos 30% de sua renda mensal para despesas de saúde.

Entre os usuários de planos individuais e familiares, a previsão é de que essa despesa aumente ainda mais, já que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um reajuste de 15,5% nessas categorias – o maior da série histórica.

“A saúde suplementar [planos de saúde] está com o seu futuro rigorosamente amarrado ao futuro do Brasil, em termos de economia, emprego e renda. O que pode acontecer? É o que acontece durante as crises econômicas, em que, diminuindo emprego e renda, há redução imediata de pessoas com plano de saúde”, pondera Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, sobre a relação entre o contexto econômico e o acesso aos planos.

A pesquisa da Anahp mostrou ainda que mais da metade dos entrevistados (53%) que utilizaram seu plano nos últimos 12 meses disse estar satisfeita com os serviços, avaliando-os como “ótimo ou bom”. O maior índice de aprovação está entre as mulheres, com 60% das respostas positivas. Em relação à análise por regiões, as melhores avaliações vêm do Norte do país, com índices de “ótimo ou bom” para 64% dos usuários.

Em relação à renda, as avaliações mais positivas encontram-se em duas (distantes) pontas: 80% dos desempregados/sem renda fixa e 70% entre os que ganham acima de 10 salários mínimos. Nos grupos intermediários, o resultado fica em 49% (até 2 salários mínimos), 41% (entre 2 e 5 salários) e 55% (entre 5 e 10 salários mínimos). Observa-se também, sobre a escolaridade, que o maior índice de aprovação está entre os entrevistados com nível superior (56%), seguidos dos ensinos médio (545) e fundamental (21%).

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” contempla a opinião de 3.056 pessoas acima de 16 anos, localizadas em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – 83% usuários do SUS e 17%, da saúde suplementar (mesmos percentuais do universo pesquisado).

Os entrevistados responderam questões sobre a qualidade da Saúde no Brasil e o que deve ser prioridade na área para os próximos governantes. Confira todos os resultados aqui.

O avanço da tecnologia nos hospitais e os benefícios para os pacientes

A telemedicina já faz parte do seu dia a dia? E o acompanhamento digital da evolução dos seus exames? A tecnologia está cada vez mais presente nos processos hospitalares, e essa evolução tem sido observada dos dois lados: os pacientes anseiam por novidades e, do outro lado do balcão, os hospitais estão cada vez mais preparados para oferecer o que há de mais avançado em termos clínicos.

No Hospital Moinhos de Vento (RS), por exemplo, a inovação faz parte do dia a dia. Conectado a pessoas e organizações da área de tecnologia, a instituição promove soluções disruptivas e serviços que possam transformar a saúde do futuro. O investimento em tecnologia como pilar estratégico já rendeu, inclusive, premiações e reconhecimentos.

“Esse processo de inovação está baseado em três pilares. O primeiro, interno, incentiva ideias que possam gerar negócios sustentáveis ou propor melhorias para processos já existentes; o segundo, chamado Atrion Connections, busca novidades e melhorias para atender às demandas atuais e futuras a partir de conexões com startups; o último, o Atrion Labs, é responsável pela conexão com grandes empresas”, detalha Melina Moraes Schuch, gerente de Estratégia, Inovação e Marketing do Moinhos de Vento.

Para o paciente, os resultados são igualmente positivos. Com o uso da tecnologia, há uma gama de recursos disponíveis para mais segurança, agilidade e desfechos satisfatórios no ambiente hospitalar. “No momento em que temos os melhores equipamentos, como um robô que possibilita cirurgias menos invasivas e recuperação mais rápida, ou um aplicativo que emita um alerta para a equipe que vai receber um paciente com um AVC, nós estamos usando a tecnologia e a inovação para atingir o objetivo principal de um hospital: curar e salvar vidas”, afirma a gerente.

Tecnologia e inovação estão entre as principais demandas dos pacientes

Maior investimento em tecnologia e inovação figura em primeiro lugar entre as prioridades para o próximo governo na área da saúde – é o que apontam 28% dos entrevistados na pesquisa “A saúde que os brasileiros querem”, conduzida pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Realizado no período pós-crise da Covid-19 e pré-eleitoral, o estudo traça um panorama do setor a partir do ponto de vista dos usuários, tanto do sistema público quanto do particular. “A pesquisa é um retrato do que vemos na sociedade: pessoas preocupadas com a sua saúde e nem sempre tendo a possibilidade de ter acesso a esses serviços”, comenta Schuch.

A apuração do PoderData foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.

Confira esses e outros resultados aqui.

Capacitação e desenvolvimento de profissionais da saúde influenciam na avaliação dos hospitais

A segurança e satisfação que o paciente sente ao ser atendido em um serviço médico privado passam diretamente pela qualidade dos profissionais que realizam o cuidado. É o que aponta a pesquisa “A saúde que os brasileiros querem”, realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). De acordo com o estudo, 4 a cada 10 usuários (43%) apontaram esse atributo como o mais importante.

O resultado reflete no esforço dos hospitais privados, que têm investido no aprimoramento do quadro de funcionários para manter o alto o nível de seus recursos humanos. No Hospital Dona Helena (SC), por exemplo, o programa “Educação Continuada” atende a demandas de aperfeiçoamento em diversas áreas e níveis hierárquicos, com destaque para o Trainee de Enfermagem.

“É um programa que tem como referência a capacitação, o treinamento e, sobretudo, o aperfeiçoamento dos funcionários – tendo em vista que, na faculdade, há uma vocação natural para a parte conceitual. Já o hospital, através do programa trainee, proporciona a possibilidade de a pessoa ser preparada na prática”, explica José Tadeu Chechi, diretor-geral do Dona Helena.

“Além disso, entendemos que investir no desenvolvimento da nossa mão de obra agrega valor ao hospital, traz fidelização por parte desses profissionais e, ao mesmo tempo, proporciona que esses funcionários possam ocupar posições de liderança dentro da instituição”, acrescenta Chechi.

A enfermeira Danielle Cristini de Souza é um exemplo de evolução de carreira no Dona Helena. Após cinco anos cursando Enfermagem, Danielle se formou e começou, em abril, o programa de Trainee. “Percebo o quanto cresci, não só profissionalmente, mas também como pessoa. Hoje sou responsável e segura em todo os aspectos da minha vida”, afirma sobre a experiência. “O hospital ofereceu essa chance e, aos poucos, fui aprendendo e evoluindo.”

O Dona Helena dispõe também de uma profissional contratada exclusivamente para o treinamento dos médicos, responsável por acompanhá-los desde o momento da integração, passando pelo processo de educação, com rotinas e protocolos ao longo da jornada.

Além disso, o hospital possui uma plataforma interna de treinamentos para todos os colaboradores.

Como foi feita a pesquisa 

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022 pelo PoderData a pedido da Anahp. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado. Depois do atributo “qualidade dos profissionais” ficou, em segundo lugar, a avaliação da estrutura física das instituições de saúde, porém com menos da metade das menções (21%).

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Os entrevistados também responderam questões sobre a qualidade da Saúde no Brasil e o que deve ser prioridade na área para os próximos governantes. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano. Confira esses e outros resultados aqui.

Brasileiros têm a saúde ameaçada pelo sedentarismo

Ana Claudia tem 32 anos e uma vida muito corrida. Ela se preocupa com a saúde e até paga academia, mas raramente consegue tempo para ir. Com os horários apertados entre muitas tarefas, ela acaba se alimentando mal e adiando consultas de rotina. O que Ana Claudia vai descobrir quando conseguir tempo para fazer seus exames é que os impactos já estão acontecendo na sua saúde: uma pré-diabetes e alterações no colesterol.

Ana Claudia é um personagem fictício, mas sua história representa a realidade de muitos brasileiros e brasileiras. Uma pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) revelou que, apesar de ter a saúde entre suas prioridades, a grande maioria dos brasileiros não faz nenhuma atividade para prevenir doenças – como exercícios físicos regulares, alimentação balanceada e consultas de rotina para acompanhamento médico.

Segundo a pesquisa, entre os usuários do SUS, 71% não faz atividades voltadas à prevenção e promoção de cuidados. Entre as pessoas que têm plano de saúde, o número é ainda maior, 85% – sendo as mulheres e os jovens os menos envolvidos nessas iniciativas.

“É necessário que os governos tenham um olhar muito específico para a saúde preventiva, pois os resultados mostrados na pesquisa terão um impacto nos sistemas de saúde ao longo do tempo”, afirma Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. No médio e longo prazos, a falta de ações preventivas pode resultar numa “epidemia” de doenças crônicas na população.

E os impactos na sua saúde?
André Gasparotto, cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que os números da pesquisa se refletem no dia a dia do consultório. “O sedentarismo está diretamente relacionado ao maior ganho de peso, à hipertensão arterial, ao diabetes mellitus e aos distúrbios relacionados ao colesterol. É um fator de risco cardiovascular de extrema relevância, seja na geração de outros fatores ou no agravamento destes”, explica.

Segundo o especialista, as pessoas sedentárias tendem a fazer acompanhamento médico menos regular, e os que são tabagistas também tendem a fumar mais. “Ou seja, o sedentarismo precisa ser combatido como uma doença no sentido mais amplo sobre tratamento”, afirma Gasparotto.

Reverter essa realidade exige só um pouco de dedicação a si mesmo. A recomendação é que as pessoas realizem pelo menos 150 minutos de atividade física regular por semana – ou seja, menos de uma hora dedicada a esse tipo de atividade em três dias da semana. Gasparotto destaca que o ideal é passar por avaliação médica antes de começar.

“Além disso, manter uma alimentação balanceada, pobre em carboidratos e gorduras e rica em proteínas, auxilia muito para o controle de fatores de risco cardiovascular e, naqueles com doenças já estabelecidas, auxilia para que seja necessário menos medicamentos para o controle da mesma”, complementa o cardiologista.

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Pesquisa inédita revela grau de satisfação do brasileiro com a saúde no país

Quatro entre dez brasileiros reprovam a saúde no Brasil, revela pesquisa inédita realizada pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). O levantamento ouviu mais de 3 mil pessoas de todos os estados do país para saber o que pensam sobre os serviços de saúde e quais devem ser as prioridades dos próximos governantes para o setor.

Entre os entrevistados, 43% consideram a saúde, em geral, ruim ou péssima; 45% a classificam como regular, e apenas 9% como boa ou ótima. Outros 3% não responderam à pergunta. Os pesquisadores ouviram tanto pessoas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS) como aquelas que têm plano de saúde.

“O brasileiro agora tem mais propriedade e conhecimento sobre os sistemas, partes boas e ruins, e se sente mais participante das discussões sobre o tema”, afirma Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, em entrevista para o site Poder 360. Para ele, a pandemia de Covid-19 fez crescer a preocupação das pessoas com a qualidade dos serviços de saúde.

A percepção negativa da saúde no Brasil é maior entre as pessoas com mais escolaridade. Metade dos entrevistados com nível superior completo atribuiu a classificação ruim ou péssima – 16 pontos percentuais a mais do que a apurada entre quem tem apenas o nível fundamental (34%).

Os jovens se mostraram mais críticos com relação às condições da Saúde brasileira. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 47% a consideram ruim ou péssima – acima da média nacional identificada na pesquisa.

“Há uma diferença grande quando perguntamos sobre a saúde como um todo, como uma questão geral, mais abstrata, e quando vamos para pontos específicos”, explica Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData. “Quando perguntamos, especificamente, sobre o SUS ou sobre os planos de saúde, vemos que a satisfação é muito maior”, afirma a respeito de outro ponto da pesquisa. Sobre o atendimento que recebem, responderam ser ótimo ou bom 43% dos usuários do SUS, e 53% dos usuários de planos de saúde.

Prioridade dos próximos governos

A pesquisa também perguntou quais deveriam ser as prioridades dos próximos governantes na área da saúde. A maioria dos entrevistados apontou os investimentos em inovação e tecnologia (28%) e mais medicamentos gratuitos pelo SUS (22%).
“O resultado que aponta inovação e tecnologia demonstra que o futuro da saúde deve estar entre as prioridades de qualquer governo que assuma a partir do ano que vem”, analisa o diretor do PoderData.

Na visão de Antônio Britto, para solucionar essa demanda, os governos precisarão definir uma política de inovação, consistente, coerente e continuada para o setor. “O potencial dos nossos cientistas, reconhecido mundialmente, e a capacidade produtiva de instituições como a FioCruz e o Butantan não são acompanhadas de políticas públicas e interesse privado que ampliem o nível de inovação.”

Como foi feita a pesquisa

A pesquisa “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?” foi realizada entre os dias 1º e 8 de abril de 2022. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos em 388 municípios nas 27 unidades da Federação – sendo que 83% são usuários do SUS, e 17%, da saúde suplementar, mesmos percentuais do universo pesquisado.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. O resultado da pesquisa será encaminhado pela Anahp aos candidatos a cargos políticos nas eleições deste ano.

Confira esses e outros resultados aqui.

Telemedicina avança no Brasil com regulamentação. Saiba o que muda para o paciente

A regulamentação da telemedicina no Brasil teve dois avanços importantes na última semana. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei (PL 1998/2020) que autoriza a prática em todo o território nacional – e que agora vai para votação no Senado. E, em outra frente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a resolução (nº 2.314/2022) que regulamenta a prestação de serviços médicos mediados por tecnologias de comunicação.

Especialistas que participaram do webinar Anahp Ao Vivo sobre o tema consideram que houve um “salto de 20 anos” com a regulamentação da prática pelo CFM. Entre as vantagens da telemedicina, eles apontaram a expansão do acesso à saúde, especialmente em um país de proporções continentais como o Brasil. E também lembraram do papel importante que a telemedicina teve na pandemia, permitindo o atendimento remoto de pacientes que precisavam se manter isolados.

Veja alguns destaques da resolução do CFM e como elas impactam os pacientes:

Consulta presencial
O médico tem autonomia para decidir se a primeira consulta será, ou não, presencial. O padrão ouro de referência para as consultas médicas continua sendo o atendimento em pessoa, sendo a telemedicina um ato complementar.
Os serviços médicos à distância não poderão, jamais, substituir o compromisso constitucional de garantir assistência presencial segundo os princípios do SUS de integralidade, equidade, universalidade a todos os pacientes.

Acompanhamento clínico
No atendimento de doenças crônicas ou doenças que requeiram assistência por longo tempo, o paciente deve se consultar presencialmente com seu médico pelo menos uma vez a cada 6 meses.

Termo de consentimento
O paciente ou seu representante legal deve autorizar expressamente o atendimento por telemedicina e a transmissão das suas imagens e dados.

Proteção de dados
Os dados e imagens dos pacientes registrados em prontuário devem ser preservados, obedecendo as normas legais e do CFM pertinentes à guarda, ao manuseio, à integridade, à veracidade, à confidencialidade, à privacidade, à irrefutabilidade e à garantia do sigilo profissional das informações.

Padrões
A prestação de serviço de telemedicina, como um método assistencial médico, em qualquer modalidade, deverá seguir os padrões normativos e éticos usuais do atendimento presencial.

Fiscalização
Os Conselhos Regionais de Medicina manterão vigilância, fiscalização e avaliação das atividades de telemedicina, em seus territórios, no que concerne à qualidade da atenção, relação médico-paciente e preservação do sigilo profissional.
(Fonte: CFM)

Assista à íntegra do debate Anahp Ao Vivo sobre telemedicina:

 

Terapia gênica: conheça novo tratamento de combate ao câncer aprovado no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso no Brasil da primeira terapia gênica contra o câncer, conhecida como CAR-T Cell. Segundo o oncologista do Hospital Dona Helena (SC) Lucas Sant’Ana, a terapia se baseia em uma premissa inédita, na qual nossas próprias células de defesa, os linfócitos, são utilizados para combater a doença.

O especialista afirma que a liberação é uma notícia muito relevante na área, como também uma nova perspectiva para os pacientes. “Para os brasileiros que enfrentam o tratamento contra o câncer, essa é uma terapia extremamente promissora, que deverá ter sua indicação ampliada nos próximos anos e beneficiará ainda mais pacientes”, afirma o oncologista.

A terapia funciona da seguinte maneira, explica Sant’Ana: primeiro, uma linhagem de células de defesa – os linfócitos T – é retirada do paciente. Depois, os linfócitos T são modificados geneticamente para se tornarem ativos contra as células tumorais e, por fim, são reinfundidos no paciente.

“O resultado é uma resposta muito intensa contra a neoplasia alvo e com excelente eficácia. Atualmente, essa terapia é aprovada para tratamento de duas neoplasias malignas, LLA (leucemia linfoblástica aguda) e alguns subtipos de linfoma”, diz o oncologista.

Em 2019, a terapia foi usada de forma experimental no Brasil para tratar o paciente Vamberto Luis de Castro na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP). À época, ele ficou conhecido por ser o primeiro paciente da América Latina a receber terapia com CAR-T Cell, afirma Sant’Ana. “Vamberto tinha diagnóstico de linfoma não-Hodgkin, e, após diversos tratamentos, já não dispunha de alternativas terapêuticas eficazes. Após a realização da terapia gênica, houve redução de quase 100% das lesões que o acometiam.”

A aprovação da terapia pela Anvisa é uma de várias etapas que precisam ser superadas até que a medicação seja incorporada ao sistema de saúde brasileiro.

Inteligência artificial: mais agilidade e eficácia em tratamentos, suporte para decisões clínicas e otimização do atendimento

A tecnologia está conduzindo uma revolução no cuidado e na experiência do paciente nos hospitais. Entre tantas funções, a inteligência artificial pode ser usada para monitorar, em tempo real, pacientes internados e que são atendidos no pronto atendimento de unidades hospitalares.

É o caso do Hospital Santa Catarina – Paulista (SP), em que o sistema da empresa de healthtech Laura trabalha com leitura de dados e emissão de alertas quando há um agravamento dos sinais vitais do paciente. Com a nova facilidade, as equipes médicas podem intervir com mais agilidade e eficácia no tratamento, além de trabalhar de forma preventiva para evitar piora em casos complexos relacionados à sepse, Covid-19 e outras doenças.

Em sistemas assim, os algoritmos do sistema de inteligência artificial conectam os prontuários eletrônicos a um painel de gerenciamento, onde as informações clínicas do paciente podem ser acompanhadas em tempo real. Com a armazenagem de dados, é possível uma leitura mais eficiente do histórico do paciente, identificando riscos e auxiliando na elaboração de tratamentos e terapias personalizados.

A gerente-médica Simone Raiher, do Hospital Santa Catarina, conta que a inteligência clínica de soluções assim costumam garantir uma “compreensão ágil de cada caso atendido pela unidade e consegue proporcionar, junto aos protocolos institucionais e ao atendimento assistencial humanizado, melhor experiência e bem-estar às pessoas”.

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Entenda como a inteligência artificial pode ajudar a cuidar da saúde

Sinusite: como evitar crises que chegam com as temperaturas mais baixas

Para algumas pessoas, outono e inverno são sinônimo de dores de cabeça, nariz entupido e dificuldade para respirar. O ar mais seco e as temperaturas mais baixas facilitam a ocorrência de crises de sinusite, que é a inflamação ao redor das vias nasais.

A doença pode ser causada por vírus e bactérias ou ser um problema crônico desencadeado por outros fatores de risco, como poluição e cigarro. Entre os principais sintomas estão dores na região do nariz e testa, nariz entupido, dificuldade de respirar e dor de cabeça. A inflamação pode se tornar crônica, caso o paciente não se cuide da forma correta e faça automedicação com anti-inflamatórios.

“O paciente com sinusite crônica deve procurar o otorrinolaringologista regularmente para avaliar se ele não está com uma agudização da doença, ou seja, se não tem infecção ativa”, explica o otorrinolaringologista do Hospital Anchieta de Brasília, Jefferson Pitelli.

Ele explica que, aos perceber os sintomas, o primeiro passo é procurar o especialista para ter certeza do diagnóstico, que é feito de acordo com a duração da dor, e se há ou não sintomas persistentes residuais.

A alimentação é um dos caminhos para tentar prevenir o surgimento da sinusite, segundo o médico. Ele recomenda evitar o consumo de farinhas refinadas, açúcar, queijo e derivados do leite. O ambiente também é um fator importante. Costumam funcionar como gatilhos para as crises locais com muita poeira, ar-condicionado sujo, fumaça, poluição e cigarro.

“Procure manter o ambiente arejado, tomar bastante líquido, realizar a lavagem nasal diariamente e seguir as orientações do uso dos medicamentos prescritos pelo médico”, explica Pitelli.

O tratamento da sinusite é realizado, inicialmente, com medicamentos e cuidados com o nariz. Em casos extremos, quando o paciente não responde ao tratamento clínico, uma opção é a cirurgia, na qual se faz uma abertura dos seios nasais para melhorar a drenagem da secreção e a ventilação, explica o médico.

Como fazer a lavagem nasal
– Aqueça cerca de 500 ml de água até ficar morna;
– Coloque a água em uma seringa sem agulha ou um kit de lavagem nasal (lota ou jala neti);
– No banheiro, fique em frente ao espelho da pia. Posicione o nariz na direção do ralo e incline levemente a cabeça para frente, ou para a lateral, com a boca aberta;
– Direcione a seringa ou kit de lavagem em uma narina e deixe a água passar de um lado para o outro. Repita do outro lado;
– Após passar a água pelas duas narinas (250ml para cada uma), sem tapar nenhuma delas, soe o nariz até sair o residual de água.

Covid-19: 4 formas de proteger as crianças que ainda não podem se vacinar

A flexibilização da maioria das medidas de proteção contra a Covid-19 deixou as crianças com menos de cinco anos mais vulneráveis à infecção, pois, para elas, ainda não há vacina aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponível no Sistema Nacional de Imunização.

Segundo o infectologista pediátrico e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe (PR), Victor Horácio, o decorrer da pandemia mostrou que é falsa a afirmação de que a Covid-19 não é perigosa para as crianças. “Tivemos muitos casos de pacientes pediátricos, não só com quadro respiratório, mas com uma série de outras doenças, como infecção no sistema nervoso central, casos de diabetes e de síndrome nefrótica desencadeados pela Covid-19″, afirma o especialista.

Horácio destaca que, hoje, entre todas as doenças para as quais existe vacina, a infecção por Covid-19 é a que mais leva à morte de crianças no país. “Isso é um dado que deve convencer muitos pais a vacinarem seus filhos, porque, infelizmente, não estamos tendo a adesão que gostaríamos”, diz.

Enquanto ainda não há uma vacina disponível para crianças abaixo de cinco anos, confira algumas medidas que podem ser adotadas pelas famílias e pelas escolas para mantê-las protegidas.

1 – Toda a família deve estar em dia com a vacinação contra Covid-19

A criança que ainda não foi imunizada está especialmente vulnerável quando as pessoas ao seu redor não se vacinaram contra a Covid-19. Idosos, adultos, adolescente e crianças de cinco anos ou mais já podem se vacinar e devem receber o ciclo completo de imunização, incluindo o reforço, de acordo com a faixa etária.

Ao se vacinar, pais, familiares e profissionais que têm contato frequente com a criança ou o bebê reduzem as chances de exposição dos pequenos ao vírus.

2 – Ter atenção aos sintomas e não sair com a criança em casos de suspeita de Covid

Horácio ressalta que, por ainda não terem recebido a vacina, crianças com menos de cinco anos requerem ainda mais cuidados em casos de suspeita de Covid-19. “A qualquer sintoma, como coriza, dor de garganta, é extremamente importante que os pais não pratiquem a automedicação. Procurem o pediatra, para que ele possa fazer as corretas orientações e investigação, caso necessário”, afirma.

Também é importante não levar a criança com sintomas para a escola nem para nenhuma atividade externa até que fique esclarecido se o caso é de Covid-19 ou não. A medida é fundamental para evitar que o vírus comece a circular entre a comunidade da qual a criança faz parte.]

3 – Não abrir mão do uso da máscara

Ao longo da pandemia, as crianças mostraram que são capazes de entender a importância do uso da máscara. Assim, para aquelas que ainda não se vacinaram, o ideal é manter o uso dessa proteção, adequada à idade delas, especialmente nos ambientes fechados. Existem máscaras específicas para crianças a partir de dois anos, e os adultos devem orientá-las sobre como usar.

4 – Manter os protocolos nas escolas

Para Victor Horácio, as escolas devem manter protocolos de segurança. Evitar muitas crianças juntas em um mesmo ambiente; manter as salas arejadas e o uso da máscara para alunos e professores; estimular a higienização constante das mãos e, se possível, flexibilizar horários de entrada, saída e recreio, para não haver aglomerações. Professores e funcionários devem estar atentos a eventuais sintomas típicos da Covid-19 e avisar imediatamente aos pais.

“São medidas extremamente importantes e que não protegem só contra o coronavírus, mas também contra outras viroses, já que o inverno está chegando e sabemos que é um momento bem crítico para esse tipo de infecção”, comenta.