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Mesmo sem infectar células do cérebro, o coronavírus pode causar sequelas neurológicas

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos EUA, realizaram uma autópsia detalhada nos cérebros de pacientes vítimas da Covid-19

Os efeitos no cérebro causados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) têm intrigado a comunidade científica. Sequelas neurológicas como perda de memória recente e dificuldade de concentração são observadas em diversos casos e podem durar meses após a infecção. Agora, um novo estudo publicado no periódico Brain revelou que, mesmo levando a sintomas que afetam funções cerebrais, o vírus não contamina diretamente as células do órgão.

A equipe de cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, realizou autópsias no cérebro de 41 pacientes que foram hospitalizados e faleceram por Covid-19, com idades entre 38 e 97 anos. Todos tiveram os pulmões danificados pelo vírus e 59% foram encaminhados a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Após longas investigações, os pesquisadores não encontraram evidências do vírus nas células cerebrais — baixos níveis do material genético do SARS-CoV-2 foram encontrados por meio de RT-PCR, mas acreditam que isso se deve à sua presença nos vasos sanguíneos e nas leptomeninges, camadas que recobrem o cérebro.

“Ao mesmo tempo, nós observamos muitas mudanças patológicas nos cérebros, o que pode explicar por que pacientes graves podem sofrer de confusão, delírio e outros efeitos neurológicos — e por que os casos leves podem vivenciar o brain fog [condição que leva a sintomas como esquecimento e falta de foco] por semanas e meses”, explica James E. Goldman, um dos autores do estudo.

Se os pesquisadores não encontraram o vírus nas células cerebrais, o que explica, então, esses sintomas neurológicos? De acordo com o estudo, existem duas razões principais. A primeira é a hipóxia, ou seja, falta de oxigenação no órgão, o que o impede de realizar suas funções normalmente. “Todos os pacientes tiveram uma doença pulmonar severa. Não surpreende que exista dano hipóxico no cérebro”, diz Goldman.

Entre as mais de 20 regiões cerebrais estudadas nas autópsias, muitas estavam lesionadas por conta da falta de oxigênio. Em parte, o problema podia ser visto a olho nu. Havia também diversas lesões microscópicas que os cientistas acreditam terem sido provocadas por coágulos sanguíneos — comuns em pacientes graves de Covid-19 — que podem ter interrompido o fornecimento de oxigênio para as áreas prejudicadas.

Outra descoberta, que intrigou pesquisadores, foi a ativação de uma grande quantidade de micróglias, células presentes no tecido cerebral com função de vigilância contra entrada de agentes estranhos (semelhante às células de defesa). A alta concentração foi registrada principalmente no tronco cerebral inferior, que regula os ritmos do coração e da respiração assim como os níveis de consciência, e no hipocampo, uma das estruturas envolvidas no processamento da memória.

Fonte: edição do texto original da Agência Einstein

Perguntas e respostas sobre as diferentes vacinas contra a Covid-19

Tudo o que já se pode saber sobre os imunizantes hoje disponíveis. E o que ainda falta descobrir

Quem se vacina não protege apenas a si mesmo, mas também as pessoas ao redor – e em outros lugares onde a doença pode chegar. Por tabela, os imunizantes beneficiam até pessoas que não podem se proteger, por ter outras doenças graves. Por isso, as vacinas contra a Covid-19 têm sido tão disputadas no mundo inteiro. São oportunas, eficazes e seguras, mas muito novas na perspectiva da ciência.

Para várias perguntas sobre este tema, ainda não há respostas, como explica a bióloga e doutora em imunologia Cristina Beatriz Bonorino, pesquisadora associada do Sistema Único de Saúde (SUS) e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), que falou sobre esse assunto em uma live promovida pelo Hospital Moinhos do Vento, de Porto Alegre. Mas respondemos algumas perguntas sobre o que se sabe até o momento em relação às vacinas disponíveis contra a Covid-19. Confira:

As vacinas contra Covid-19 são seguras?

Sim, de acordo com a SBI. Para qualquer vacina ser liberada, são feitos diversos testes de segurança e eficácia. As vacinas contemporâneas são de vírus inativados ou fragmentados, entre outras tecnologias ainda mais novas, mas nenhuma com potencial infeccioso. Antes de serem liberadas para aplicação na população, os imunizantes também são submetidos aos critérios pré-estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As vacinas contra Covid-19 podem alterar o DNA?
Não. A vacina da Pfizer atua no RNA, um mensageiro que direciona  a produção de proteínas do vírus pelas células do indivíduo para que o sistema imunológico aprenda a reconhecê-lo e criar defesas. Nesse processo, o RNA exerce suas ações em uma região da célula que não tem contato com o DNA.

Quais são os efeitos colaterais dessas vacinas?
Segundo Bonorino, os mais comuns são febre baixa, dores no corpo, fadiga e dor no local da aplicação, que são sinais de que o sistema imunológico está respondendo à vacina. Esses efeitos colaterais são passageiros e desaparecem em 24 horas. Se passar disso, podem ser sintomas de uma infecção viral de outra ordem, que nada têm a ver com a vacinação. Então, é recomendado buscar ajuda médica.

O que fazer caso haja atraso na segunda dose?
“Várias pessoas hoje no Brasil estão nesse limbo, o que não poderia ter acontecido”, afirma a doutora em imunologia. O fato é que a segunda dose deveria ter sido reservada pelas autoridades competentes. Em geral, o que se tem feito é administrar a segunda dose assim que disponível, mas não há estudos sobre a eficácia das vacinas em prazos superiores aos estabelecidos pelos fabricantes. “O ideal agora seria que o Ministério da Saúde promovesse estudos clínicos para verificar isso.”

E se uma pessoa tomar uma dose de um fabricante e a segunda de outro?
Não há estudos que comprovem a eficácia dessa combinação, explica Bonorino. “No Brasil, em particular, há duas vacinas muito diferentes, a Coronavac e a AstraZeneca – uma não vale como segunda dose da outra porque induzem a formas de proteção diferentes”.

Com apenas uma dose, uma pessoa fica ao menos parcialmente imunizada?
A vacina da Johnson & Johnson é a única até o momento que pode ser aplicada em apenas uma dose. As demais preveem duas doses e não se sabe se têm algum grau de eficácia para além de poucas semanas caso a segunda etapa não se concretize.

Deve haver um intervalo entre as vacinas da gripe e da Covid-19?
Não há indicações de riscos relacionados à administração das duas ao mesmo tempo, mas tem se estabelecido um intervalo de 15 dias apenas para evitar confusão com efeitos colaterais dos dois imunizantes. Diversas vacinas para outras doenças já são tradicionalmente aplicadas em conjunto.

Quem já teve a doença, precisa se vacinar?

Sim. Ainda não se sabe exatamente por quanto tempo dura a proteção natural de quem já se contaminou e se curou.

Quem já está imunizado pode abrir mão dos cuidados preventivos (uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos)?
Não. Nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Ainda é possível, por exemplo, que a pessoa se infecte e permaneça assintomática, sendo capaz de transmitir o vírus. Por isso, os cuidados devem ser mantidos por tempo ainda indeterminado.

A imunização contra a Covid-19 deve se tornar anual, como a da gripe?

Como as vacinas contra a doença ainda são muito recentes, ainda não se sabe ao certo quanto tempo deve durar a imunidade que proporcionam. Isso ainda está sendo estudado. “O importante agora é que o maior número de pessoas seja vacinado no menor tempo possível”, afirma a imunologista.

Medidas de prevenção contra a Covid-19: é importante relembrar

Saiba como se proteger em todas as idades, vacinado ou não, saudável ou doente

O Ministério da Saúde lançou uma campanha em larga escala para conscientizar a população sobre três medidas fundamentais no combate à propagação do novo coronavírus e suas variantes: higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. O Saúde da Saúde aproveitou o ensejo para conversar com a infectologista Vera Rufeisen, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, para reforçar a importância das medidas de prevenção contra a Covid-19  enquanto a vacinação avança no país e a propagação da doença segue estável, porém ainda num patamar alto.

Saúde da Saúde – A contaminação por superfícies é menos que intensa do que a por interação social? Por quê?
Vera Rufeisen – As partículas virais são transmitidas diretamente através da eliminação de gotículas respiratórias pela fala, pela tosse e pelo espirro, principalmente.  Mas também indiretamente, tocando as superfícies contaminadas com estas gotículas, e tocando o rosto (nariz, olhos e boca) com as mãos contaminadas.  A via respiratória é a principal forma de transmissão, é onde o vírus adere aos receptores nas células. As superfícies, portanto, podem servir apenas de intermediárias, caso a higiene das mãos não seja realizada adequadamente.

Há alguma diferença de eficácia entre lavar as mãos e usar álcool em gel?
O padrão ouro recomendado pela Organização Mundial da Saúde é a higiene das mãos com álcool em gel a 70%, desde que as mãos estejam sem sujidade aparente. Se estiverem sujas, devem ser lavadas com água e sabão. O álcool tem espectro de ação grande, é mais prático, pode estar no ponto de assistência, tem ação rápida e não causa lesões na pele. O tempo necessário para higiene completa das mãos com álcool em gel é de 20 a 30 segundos. A Campanha deste ano da OMS fala sobre “os 20 segundos que salvam vidas”.

Qual é o papel da alimentação na prevenção e no tratamento da doença?
A alimentação saudável, sem alimentos ultraprocessados, com frutas, legumes e verduras, associada aos bons hábitos de vida e  atividade física  promovem a base da vida saudável, e consequentemente de uma boa imunidade.

Que medidas uma pessoa já contaminada pode tomar para minimizar os riscos de desenvolver a forma grave da doença?
A pessoa contaminada deve permanecer em isolamento social – mesmo em domicílio, se morar com alguém –,  em repouso relativo: não muito tempo deitado nem na mesma posição, a fim de proporcionar expansão pulmonar adequada. Deve também se manter bem hidratado, controlar as doenças pré-existentes, além de monitorar atentamente a sua temperatura e a oximetria do sangue. Habitualmente, as complicações acontecem entre o sexto e o nono dias do início dos sintomas. Caso ocorra queda na oxigenação do sangue ou reaparecimento de febre, por exemplo, deve-se procurar imediatamente o serviço de saúde.

Qual é a importância  de uma grande campanha a nível federal sobre bons hábitos de prevenção?
É de extrema importância que o país tenha uma liderança uníssona para enfrentamento da pandemia. Algumas pessoas, por cansaço ou por desinformação tendem a relaxar as medidas de prevenção, e precisam ser estimuladas e direcionadas por um governo assertivo, guiado por posicionamento científico. Quando um líder questiona as medidas de prevenção, cria uma névoa de dúvidas, confundindo os menos esclarecidos, e dando voz aos que negam a gravidade da maior tragédia sanitária do século.

Gestação e Covid-19: avaliar os riscos é fundamental antes de decidir o melhor momento para ser mãe

Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento esclarece as principais dúvidas sobre gravidez na pandemia
 
Para as mulheres em idade reprodutiva, o contexto atual gera muitas incertezas. Qual seria o real impacto da pandemia numa possível gestação?  Ainda não se conhece por completo o novo coronavírus e todas as suas implicações para mães e bebês. Com base na literatura científica corrente e na própria experiência no enfrentamento do vírus na gestação, o médico obstetra Edson Vieira da Cunha Filho, chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento (RS), esclarece dúvidas comuns das mulheres que sonham ser mães em breve.

Em relação ao momento mais adequado para engravidar, o médico pondera: se a mulher não estiver “correndo contra o próprio tempo biológico” — estando abaixo dos 35 anos, por exemplo —, já possuir filhos e puder adiar a gestação, o melhor seria esperar. “Até o momento, não se viu aumento da incidência de abortos, da ocorrência de fetos malformados ou até mesmo uma taxa alta de transmissão vertical (da mãe para o feto) durante a gestação, mas houve aumento da internação hospitalar de gestantes e de formas mais graves da doença neste grupo”, destaca.

Um estudo americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças comparou quase 24 mil gestantes com mulheres não grávidas, todas pareadas por idade e contaminadas. A pesquisa mostrou que a chance de internação em UTI entre as gestantes foi três vezes maior, bem como a necessidade de ventilação mecânica. Entre elas, o número de mortes também foi 1,7 vez maior. O médico sugere que se considere a proximidade da vacina antes da tomada de decisão.

Já sobre uma suposta suscetibilidade maior de a grávida contrair o novo coronavírus, o médico esclarece que não há relação. “A imunidade da gestante está modificada, mas não significa que esteja com a atividade mais baixa”, afirma. Ao mesmo tempo, “os cuidados devem ser os mesmos, até porque, se pegar a doença, podem haver complicações”. Sobre o tratamento, o obstetra afirma que não há diferença entre pacientes grávidas e não grávidas.

Complicações e transmissão vertical

Edson explica que a relação entre o novo coronavírus e algumas patologias obstétricas, como a pré-eclâmpsia (uma forma grave de hipertensão arterial na gravidez), não está plenamente estabelecida. “Pela resposta inflamatória à Covid-19 e até mesmo pelo uso de determinadas medicações, a gestante pode ter elevação da pressão arterial. Também pode ocorrer alteração de enzimas hepáticas, o que pode levar à interpretação do quadro como uma pré-eclâmpsia grave e a sua diferenciação pode ser difícil ou até mesmo impossível de ser estabelecida. Essa é uma das causas do aumento da taxa de prematuridade nesse grupo.”

Mas uma gestante com Covid-19 pode contaminar a criança? O médico conta que a transmissão vertical ainda é um ponto obscuro. No entanto, a literatura mostra que a taxa fica em torno de 3% a 4%. Entre as crianças que foram contaminadas, a maioria não registrou necessidade de internação, não apresentou sintomas severos e a prevalência da doença foi baixa e de menor morbidade. “O problema também não foi associado com malformação nem abortamento no primeiro trimestre. Mas precisamos de mais tempo para termos certeza.”

Edson reforça que, até o momento, pode-se dizer que as gestantes têm maior risco de complicações devido à contaminação pela Covid-19, mas a enorme maioria têm apresentado quadros leves ou controlados. Nos primeiros sinais da doença, o obstetra deve ser consultado para fornecer as orientações necessárias. “Sinais de maior gravidade, como tosse persistente, febre alta, falta de ar, dor respiratória, dor torácica ou sinais de envolvimento obstétrico (contrações, corrimentos vaginais, dor abdominal, diminuição da movimentação fetal) devem ser avaliados em ambiente hospitalar.”

Fonte: edição do texto original do Hospital Moinhos de Vento.

Cardiologista comenta riscos da automedicação contra a Covid-19

O médico explica que, por enquanto, a vacina é o única forma de prevenir a doença

Como muita gente ainda recorre a medicamentos sem comprovação científica para prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus, o Saúde da Saúde conversou sobre os riscos da automedicação com médico Gustavo Lenci, cardiologista do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba, e professor do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ele foi enfático ao desencorajar a prática, destacando os riscos de efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Saúde da Saúde – De maneira geral, quais podem ser as consequências do uso de medicamentos sem prescrição médica?
Gustavo Lenci – A automedicação é sempre perigosa. Há uma série de doenças que o paciente pode ter ou mesmo interações de remédios que, quando associados, podem levar a mais efeitos colaterais. Por isso, sempre desestimulamos qualquer atividade de automedicação. Quando surgirem dúvidas, o mais recomendado é procurar um profissional.

Infelizmente, alguns médicos têm prescrito remédios sem comprovação científica de benefícios na prevenção ou no tratamento da Covid-19. Quais são os principais riscos envolvidos?
Os riscos se devem ao uso dessas medicações sem saber os efeitos colaterais que podem provocar. Com base em resultados laboratoriais, o médico poderia até ponderar o uso em situações extremas, mas há medicações que são prescritas que comprovadamente não funcionam. Nesses casos, pode-se expor o paciente a efeitos colaterais para algo que está provado não haver benefício.

Além de tratar os sintomas, que remédios podem realmente ser administrados no tratamento da Covid-19?
Pacientes em situações graves precisam de oxigênio ou de corticoides, único tratamento com estudos que comprovam benefício. É importante ressaltar que o tratamento adequado para a Covid-19 ocorre dentro do hospital, com uso de anticoagulação profilática. Infelizmente, para uso domiciliar, ainda não existe nada comprovado. As principais agências reguladoras, do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos, recomendam que não seja utilizado nenhum medicamento em domicílio.

Há algum remédio capaz de prevenir a doença fortalecendo o sistema imunológico?
Sabe-se que o único meio de fortalecimento do sistema imunológico contra a Covid-19 por meio de medicação chama-se vacina. Nos demais casos, ou o estudo é negativo ou ainda está em fase de teste. Medicação preventiva não existe. A melhor forma é se vacinar e garantir o seu bom estado de saúde, regulando a atividade física e mantendo uma boa dieta para controlar doenças que possam agravar o quadro.

Hipertensão e Covid-19: pressão alta aumenta o risco de morte na pandemia

A hipertensão arterial atinge cerca de 25% da população adulta no Brasil – ou seja, entre 35 e 40 milhões de pessoas

Além de estar entre os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial exige atenção durante a pandemia por também estar associada a uma maior incidência de complicações e mortes em casos de infecção pelo novo coronavírus. Apesar dessa relação apontada por estudos científicos, muitos pacientes têm retardado ou até abandonado o tratamento com receio de frequentar consultórios médicos e ambientes hospitalares.

Responsável direta ou indiretamente por metade das mortes por doenças cardiovasculares no mundo, a hipertensão atinge uma média de 25% da população adulta no Brasil – entre 35 e 40 milhões de pessoas – e responde por cerca de 350 mil óbitos anuais, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). Crônica e multifatorial, a hipertensão é a principal causa também de 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC).

“No caso da Covid-19, os hipertensos podem ter mais chances de complicações pela forma grave da doença, com maior risco de morte. Por isso, é importante que o paciente mantenha o acompanhamento de rotina e não interrompa por conta própria o uso de medicamentos”, orienta o cardiologista Eduardo Darzé, diretor-geral do Hospital Cárdio Pulmonar, de Salvador.

“Além do AVC, a hipertensão não tratada é também um importante fator de risco para infarto, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, com necessidade de diálise, e formação de aneurismas”, enumera o médico.  Ele lembra que apenas os hipertensos graves ou que apresentam complicações da doença integram os grupos prioritários de pacientes com comorbidades na fila da vacinação contra a Covid-19 na capital da Bahia.

Novos parâmetros

Diante da importância da doença como uma das principais causas de morte no mundo, especialistas têm se debruçado sobre o tema. No final de 2020, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou dados e lançou a nova edição da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (DBHA), que altera padrões para diagnóstico e tratamento.

Uma das mudanças está ligada a valores de referência para a detecção da doença pela monitorização residencial da pressão arterial (MRPA). A diretriz passou a considerar hipertensão arterial quando as medidas realizadas em casa são iguais ou superiores a 130 mmHg por 80 mmHg. “Antes, o parâmetro para hipertensão era igual ou maior que 135 mmHg por 85 mmHg pela MRPA. Na avaliação em consultório, os valores de referência continuam 140 mmHg por 90 mmHg”, explica Darzé.

O documento da SBC ainda considera como pressão “normal ótima” a que registra números abaixo de 120 mmHg por 80 mmHg. A faixa entre 120 e 129 mmHg e 80 e 84 mmHg é considerada “normal”, mas não ótima e deve ser acompanhada por um especialista. “É fundamental que o paciente tenha em vista a importância das avaliações para detecção precoce da hipertensão, assim como as consultas de acompanhamento para os já diagnosticados”, orienta.

Darzé reforça que a prevenção contra a hipertensão e o controle da doença partem de hábitos saudáveis, que incluem uma dieta com baixo teor de sal, a manutenção do peso ideal, moderação no consumo de álcool, prática de atividades físicas e não fumar.

Entenda por que se atentar também para as vacinas tradicionais ao longo da pandemia

As vacinas em geral são uma parte importante de saúde individual e pública em todas as fases da vida. Inclusive agora

O tema do momento são as vacinas contra a Covid-19, mas outros imunizantes também merecem a sua atenção. De 24 a 30 de abril, a Organização Pan-Americana da Saúde realiza a Semana de Vacinação nas Américas e, em plena pandemia, o alerta é importante: não se pode descuidar das vacinas básicas, previstas no calendário tradicional. Elas ajudam a evitar que outras infecções aflijam a população, novas comorbidades agravem quadros de Covid e ainda mais pessoas precisem de hospitalização em um momento de leitos tão concorridos.

Quem deve se preocupar? Adultos também precisam de vacinas? E como deve proceder quem perdeu o cartão de vacinação? O Saúde da Saúde tirou estas e outras dúvidas com o médico Claiton Brenol, coordenador do Centro de Imunização do Hospital Ernesto Dornelles, de Porto Alegre.

Saúde da Saúde – Num momento em que se fala tanto sobre Covid-19, qual é a importância de se atentar para o calendário tradicional de vacinação?
Claiton Brenol – É muito importante mantê-lo em dia. A vacinação é a medida preventiva de maior impacto na diminuição da ocorrência de diversas infecções em qualquer faixa etária. Sabendo também que a prescrição específica de vacinas durante as revisões de saúde tem impacto positivo no aumento da cobertura de imunizações, é fundamental que os médicos e equipes multidisciplinares sigam as recomendações do governo e sociedades médicas científicas.

Como saber quais tomar em cada momento?
O Calendário Básico de Vacinação é definido pelo Programa Nacional de Imunizações e corresponde ao conjunto de vacinas consideradas de interesse prioritário à saúde pública no país, do nascimento à terceira idade, distribuídas gratuitamente na rede pública. Esse calendário pode ser complementado com uma série de orientações específicas para cada faixa etária e também visando a saúde do trabalhador exposto a riscos e de pacientes portadores de diversas doenças, as chamadas comorbidades.

Se uma pessoa perdeu o cartão de vacinação e não tem certeza sobre o seu histórico, deve tomar tudo de novo? Como proceder?
É uma situação comum na prática clínica. Apenas vacinas devidamente registradas devem ser consideradas válidas. Para uma avaliação correta, é necessário levar em consideração uma série de aspectos: idade, profissão (riscos ocupacionais) e presença de doenças, bem como uso de medicamentos que agem sobre o sistema imunológico. Diante da falta do registro, considera-se o paciente não vacinado e todas as vacinas indicadas para ele devem ser recomendadas. De qualquer maneira, o ideal é que um médico seja procurado para aconselhamento.

Que outras vacinas não inclusas no calendário podem ser encontradas na rede privada?
Muitas só estão disponíveis no setor privado. Em alguns casos, devem ser prescritas. Como exemplo, podemos citar o esquema de vacinação contra pneumonia em pacientes com doenças reumáticas. Sabe-se que a pneumonia pneumocócica é uma grande causa de morbidade e mortalidade nesses pacientes. No SUS, apenas a vacina polissacarídica 23 (VPP13) está disponível de maneira contínua, enquanto que o esquema vacinal mais adequado contém a vacina conjugada 13 (VPC13).

Quando não se vacinar?
Existem situações específicas nas quais se deve ter um cuidado maior. A indicação de vacinas com componentes vivos atenuados requer muita atenção por parte dos médicos e pacientes. Em geral, são contraindicadas durante o tratamento com imunomoduladores ou imunossupressores, incluindo doses mais elevadas de corticosteroides (mais do que 20 miligramas ao dia). É o caso da vacina contra a febre amarela.

Por que a vacina da febre amarela costuma ser tão mencionada quando se fala em contraindicações?
Ela é contraindicada em vários cenários clínicos, como em pacientes com imunodeficiências, indivíduos com imunossupressão secundária à doença ou terapias imunossupressoras – pacientes em quimioterapia, terapia imunobiológica e transplantados. Ela também deve ser evitada em indivíduos que apresentaram hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina e em pacientes com reação alérgica grave à proteína do ovo. O tempo recomendado entre a descontinuidade dos medicamentos imunossupressores e a administração de vacinas vivas atenuadas é variável e sua administração precisa de avaliação médica prévia.

Entenda por que pacientes com doenças crônicas não podem esperar pelo fim da pandemia para se tratar

Na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo a marcação de consultas caiu até 30% em um ano

Com quase 14 milhões de infectados pela Covid-19 e mais de 370 mil mortes, este se configura o pior momento pandemia no Brasil até agora. Mas o problema não atinge apenas os infectados pelo novo coronavírus e suas variantes. Lucas Guimarães, gerente-médico do BP Vital, rede de clínicas e consultórios do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta que pacientes com doença renal, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares, câncer e também pacientes de idade avançada podem sofrer impactos importantes se não mantiverem acompanhamento adequado.

“Um paciente com problema cardíaco, por exemplo, se não acompanhar os níveis de pressão, poderá ter uma descompensação num período de três a quatro meses – isto é, alguma alteração que leve à piora dos sintomas”, afirma o médico. O acompanhamento periódico serve para prevenir esse tipo de piora, com ajuste de medicamentos, solicitação de exames de monitoramento e reforço de orientações relacionadas à dieta e à atividade física, entre outros fatores relacionados.
 
De acordo com dados da instituição, houve uma queda de 30% no volume de consultas em janeiro, se comparado com o mesmo período de 2020. E esse número se agravou ainda mais ao longo das últimas semanas, ocasionando uma nova diminuição de 30%. Uma série de fatores pode ter influenciado essa queda, mas o primordial é o medo – de maneira geral, as pessoas têm receio de procurar serviços de saúde durante a pandemia.

Com a perspectiva da vacinação, alguns pacientes também têm postergado a ida ao médico para depois da imunização. Mas há casos em que não se deve esperar. No mais, é importante considerar que as instituições de saúde trabalham hoje com reforço de segurança, que inclui fluxos específicos para pacientes que necessitam de atendimento. Casos suspeitos de Covid são encaminhados em separado dos demais.

“Aqui na BP, nós também podemos realizar as consultas médicas via videoconferência, as chamadas teleconsultas. E, para a realização de exames, oferecemos um drive-thru, em que o paciente não precisa sair do carro nem para a coleta de sangue”, explica Guimarães.

Hoje, o médico já percebe descompensações em doenças crônicas desencadeadas pela suspensão do acompanhamento periódico. “Não se deve negligenciar consultas, mesmo no momento de isolamento, pois elas podem ser a diferença entre manter-se saudável e necessitar de uma eventual internação.”

Fonte: edição do texto original da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Trabalha de casa na pandemia? Saiba como evitar dor e tendinite no home office

Lesões em membros superiores, como tendinopatias, dor e fadiga muscular chamam a atenção dos especialistas na pandemia

Com a chegada do coronavírus no Brasil, em março do ano passado, muitos profissionais que trabalhavam em escritórios passaram a cumprir o expediente em casa. Mas o que inicialmente parecia provisório avança pelo segundo ano. O resultado é que aumentaram as queixas de tendinopatias nos membros superiores  – especialmente nos pulsos, no pescoço e nos ombros.

Segundo o ortopedista Adalto Lima, coordenador do serviço de cirurgia da mão da Casa de Saúde São José, do Rio de Janeiro, houve um aumento significativo – cerca de 40% – na incidência de tendinopatias em membros superiores devido ao home office (horas de trabalho somadas à falta de estrutura adequada). Alguns casos podem até resultar em cirurgia.

Para o médico, o aumento da carga de trabalho, a falta de infraestrutura ergonômica, maior volume de tarefas domésticas e a redução da prática de atividades físicas são os principais fatores que explicam esse cenário.

“É fundamental dar uma atenção especial  à ergonomia, pois a falta de cuidados gera posições viciosas que afetam a carga tendinosa, causando dor, dormência e perda da capacidade funcional”, ressalta. “A pausa para o cafezinho era um momento importante na rotina do escritório, mas isso não acontece no home office – ao contrário, a carga de trabalho tem sido maior e quando há essa pausa, acabamos fazendo alguma tarefa doméstica”, acrescenta.

Outra questão  frequente nos consultórios é a fadiga muscular, problema que também aumentou durante a pandemia, especialmente no punho e nas mãos. De acordo com Lima, a diminuição dos cuidados médicos durante esse período, aliada à redução dos exercícios físicos e ao aumento da ansiedade, gera um estresse e um aumento de esforço, causando o desconforto e a dor.

Como forma de prevenir lesões e até eventuais tratamentos cirúrgicos, o médico recomenda alongamentos, fortalecimento muscular, ajuste nas posições ergonômicas, divisão adequada na carga de trabalho e de funções domésticas e avaliação periódica de um especialista.

Em tempos de pandemia, compreenda a relação direta entre alimentação e imunidade

Num momento em que se fala tanto sobre saúde, um tema correlato é essencial: alimentação. Para o Dia Nacional de Saúde e Nutrição, 31 de março, o Saúde da Saúde conversou com a nutricionista Paula Elisa Oliveira, líder assistencial de Nutrição Clínica do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre. Nesta conversa, ela explica a relação dos hábitos de alimentação com imunidade, raciocínio, memória, funcionamento do corpo e qualidade do sono. Paula Elisa também comenta os hábitos alimentares do brasileiro e o que pacientes com Covid-19 devem comer, caso permaneçam em casa ao longo de sua recuperação.

Saúde da Saúde – Qual é a relação entre alimentação e imunidade?

Paula Elisa – Está muito clara a relação da alimentação na modulação de nosso sistema imunológico. Quanto mais saudável e variada for a alimentação, com mais alimentos in natura e menos industrializados e ultraprocessados, melhor para nossa imunidade. Micronutrientes, como as vitaminas, têm papel fundamental nesse processo. É importante também termos hábitos de vida saudáveis, como a prática de atividades físicas, e lembrar que não será em duas ou três semanas, após um longo período de uma alimentação errada, que vamos modular o sistema imunológico.

Digestão, sono, concentração, raciocínio, memória… Uma alimentação balanceada também está relacionada ao melhor funcionamento do corpo?

A qualidade da alimentação é preditiva a todos esses aspectos. Por exemplo, quanto melhor estiver nosso peso, sem sobrepeso ou obesidade, a tendência é de que o sono seja de melhor qualidade. Em relação à memória, raciocínio e concentração, o consumo de alimentos com vitamina B12 tem relação direta com essas questões. Quanto melhor for nossa alimentação, mais fácil será a digestão e absorção de vitaminas e minerais, mantendo o corpo em equilíbrio.

Em relação à alimentação típica do brasileiro, o que seria interessante mudar?

Um prato típico nosso, o arroz com feijão, é a única combinação que oferta os 20 aminoácidos essenciais que o organismo necessita, pois não consegue sintetizá-los. De forma mais ampla, já tivemos uma evolução positiva sobre a conscientização e o consumo de alimentos in natura, como verduras e frutas. Podemos ampliar sua ingestão. Há algumas pessoas que não consomem por hábito ou dificuldade de acesso, como o custo, caso das proteínas das carnes, que têm um custo mais alto, mas que podemos intercalar nos diferentes dias da semana com o consumo de ovos, por exemplo. É importante que as carnes tenham o mínimo ou não tenham gordura aparente, pois seu consumo excessivo gera aumento de peso e doenças crônicas.

Como desenvolver melhores hábitos alimentares e consciência nutricional?

É importante que se busque menos dietas restritivas, que têm dificuldade grande de adesão, gerando estresse no indivíduo. O objetivo deve ser mudar os hábitos alimentares dentro de algo que seja factível para cada pessoa. E vem muito como uma iniciativa pessoal de cada um, devendo contar com a orientação de profissionais, como nutricionistas e endocrinologistas.

Quando procurar um nutricionista? E com que frequência isso deve ocorrer?

É algo bem subjetivo, pois existem diversas situações em que o ideal seria buscar esse profissional. Na prática, ainda não é comum, pois as pessoas têm resistência a esse acompanhamento, que segue associado com dieta, restrição e retirada de alimentos, como se fosse algo punitivo. A nutrição evoluiu muito com o passar dos anos. Hoje falamos muito em reeducação e mudança de hábitos alimentares. Ensinar as pessoas a comer de acordo com sua necessidade, acesso e aceitação. O resultado e a adesão do paciente só serão efetivos quando houver uma alimentação adequada, sem sofrimento ou grandes restrições. Quanto à frequência, dependerá da avaliação do profissional e necessidade do paciente.

Hoje, a recomendação é que pessoas com sintomas leves de Covid se cuidem em casa mesmo. Como deve ser a alimentação nesses casos?

Esses pacientes têm sintomas alimentares característicos. Podem sofrer com perda de paladar e olfato, além de dificuldade para engolir. Têm vontade de comer determinado alimento, mas não sentem sabor, ou sentem diferente, o que pode durar vários meses. Por isso, é muito comum haver perda de peso, não só pelo aumento da necessidade calórica da doença, mas pela redução do consumo, o que lhes deixa mais debilitados. Não há uma recomendação específica de alimento, vai de acordo com o que o paciente consegue tolerar e consumir. Alguns precisam de algo mais macio, por exemplo, e têm preferência por líquidos, gelados, cítricos e refrescantes. Mas, sempre que puder, deve ser uma alimentação saudável e variada, com todos os grupos alimentares. Isso, com certeza, auxiliará no tratamento e recuperação do paciente.