Todos os posts de Ana Machado

Doenças cardíacas: atendimentos diminuem e medo da covid-19 pode impactar nas taxas de mortalidade

Os hospitais que atendem pacientes cardiopatas registraram queda nas demandas de urgência com a chegada da pandemia de covid-19. O medo de se infectar ao procurar ajuda médica é uma das razões apontadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Porém, a demora desses pacientes em buscar atendimento nas emergências é uma postura arriscada e que pode refletir no aumento da mortalidade desse tipo de doença, que é uma das que mais mata no país, segundo o presidente da SBC, Marcelo Queiroga.

Em entrevista ao portal, Queiroga aponta os sintomas que precisam de assistência médica imediata, e que devem ser observados pelos pacientes. “É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo”, completa. Leia a entrevista completa abaixo:

Houve redução de atendimento a pacientes cardiopatas pelo medo de irem aos hospitais por causa da covid-19?

Marcelo Queiroga: A pandemia do novo coronavírus tem reduzido atendimentos cardiológicos de urgência em o todo o país. Somente no hospital em que atuo, na Paraíba, costumávamos atender 16 mil pacientes por mês na emergência. Hoje, não ultrapassamos 3 mil atendimentos mensais.

No Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), uma das principais referências de serviços de saúde do Brasil, a redução das angioplastias primárias em março deste ano foi de 50%, quando comparada com o mesmo período de 2019. A média mensal é de 40 casos; mas nos primeiros 13 dias de abril, apenas nove procedimentos foram realizados. 

Esses dados são um indicativo de que podemos ter impacto nas taxas de mortalidade. Ainda não há informações consolidadas e nem uma explicação única sobre essa diminuição. As hipóteses vão desde a possibilidade de estar havendo, de fato, uma diminuição das ocorrências, até a teoria mais plausível, de que as pessoas estão retardando a busca por socorro durante a pandemia, o que pode agravar o quadro cardíaco ou levar à morte repentina em casa. Há também a hipótese dos riscos competitivos.

O fato é que as pessoas não estão chegando às emergências, mas vão continuar morrendo de causas cardíacas. A covid-19 é um fator complicador. O medo pode atrasar a busca por socorro e complicar as doenças cardiovasculares agudas e crônicas.

Quais as consequências futuras para estes pacientes que estão deixando de procurar assistência agora por medo do coronavírus?

Marcelo Queiroga: A demora dos pacientes portadores de doenças cardiovasculares em buscar atendimento nas emergências pode refletir em aumento da mortalidade. Ao procurar ajuda somente na última hora, esses pacientes assumem uma postura considerada arriscada para quem tem a doença que mais mata no país. O problema é grave porque essas doenças, principalmente o infarto, foram responsáveis por cerca de 30% de todas as mortes em 2017, segundo divulgamos em nosso Cardiômetro. Foram 383.961 óbitos por doença cardiovascular naquele ano no Brasil. É um problema de saúde pública que agora é agravado pela pandemia de covid-19, especialmente pelos riscos competitivos.

Quais sintomas não podem ser ignorados por pacientes cardiopatas e que são sinal de que precisam buscar ajuda médica imediatamente?

Marcelo Queiroga: A dor ou desconforto na região do peito, podendo irradiar para as costas, rosto, braço esquerdo e, mais raramente, o braço direito, é o principal sintoma do infarto. Esse desconforto costuma ser intenso e prolongado, acompanhado de sensação de peso ou aperto sobre tórax, com suor frio, palpitações, palidez e vômitos. 

Os portadores de doenças cardiovasculares precisam procurar o médico e as emergências, como faziam anteriormente à pandemia, caso tenham esses sinais de alerta para o infarto do miocárdio. A demora em procurar o atendimento médico de emergência pode levar à morte.

Como os pacientes podem seguir com seus tratamentos em segurança?

Marcelo Queiroga: É muito importante que os pacientes cardiopatas tomem todos os cuidados para evitar a infecção pelo novo coronavírus, já que a letalidade da covid-19 é maior quando há essa comorbidade. Além disso, eles jamais devem abandonar seus tratamentos, mantendo o uso regular de seus medicamentos conforme prescrição médica e fazendo mudanças apenas com orientação, uma vez que a suspensão abrupta dos esquemas terapêuticos em uso pode causar instabilidade clínica e desfechos adversos. É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo.

Os pacientes cardíacos são portadores de doenças crônicas e se, porventura, contrair a infecção pelo novo coronavírus, também devem continuar tomando os medicamentos que utilizam para o tratamento da doença cardíaca. Só deve fazer modificação com orientação do seu médico.    

Como os hospitais têm garantido a segurança dos atendimentos não-covid?

Marcelo Queiroga: Os atendimentos de urgência e emergência nos hospitais e unidades de saúde continuam normais em todas as especialidades. Este tipo de atendimento não pode parar. Uma mudança importante nos hospitais e unidades de saúde foi a separação dos pacientes com sintomas respiratórios dos demais. A classificação deve ser feita logo na porta de entrada, onde um profissional deve oferecer máscara e direcionar os pacientes com sintomas respiratórios para uma área isolada.

Já os pacientes sem sintomas respiratórios devem ser direcionados para outra sala para receber atendimento e outros procedimentos, sem cruzar com os que têm sintomas respiratórios. Dessa forma, busca-se proteger os pacientes, proporcionar o atendimento mais eficiente e mais seguro a todos e garantir que as pessoas não fiquem sem assistência ou acompanhamento médico por medo da pandemia.

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas de nariz e garganta que precisam de atenção médica

Por causa da pandemia, muitas pessoas pensam duas vezes antes de procurar o hospital quando notam que algo não vai bem na saúde. Para sintomas gripais e relacionados à covid-19, é importante, sim, observar a evolução do quadro em casa e procurar atendimento médico se os sintomas se agravarem – além de febre, falta de ar e tosse, vale também observar se há perda de olfato e paladar.

Mas há outros sinais relacionados a nariz e garganta que, se não forem tratados rapidamente, podem representar um risco maior para o paciente. Abaixo você confere uma lista de sintomas elaborada pelos especialistas em otorrinolaringologia da Rede Mater Dei (MG) que são um sinal de que é preciso ir ao hospital: 

  • Dor de garganta com mais de dois dias de evolução com febre
  • Secreção amarelada no nariz por mais de sete dias
  • Rouquidão por mais de cinco dias ou com falta de ar
  • Sangramento nasal
  • Corpo estranho no ouvido e/ou nariz
  • Dor nos dois ouvidos
  • Perda da audição de início súbito
  • Dor de ouvido com febre em menores de 2 anos de idade
  • Paralisia da musculatura da face
  • Inchaço ou vermelhidão na região ao redor dos olhos
  • Tonteira de início repentino
  • Inchaço da orelha com ou sem dor

 

Sintomas que não podem esperar

A vice-presidente assistencial e operacional da Rede, Márcia Salvador Géo, alerta que nem tudo o que é eletivo na saúde pode, necessariamente, ser adiado. “Temos recebido em nossos prontos-socorros pacientes com doenças em estágio avançado e que se agravam devido à demora em vir para o hospital por medo de uma possível contaminação por coronavírus. Cirurgias adiadas também trazem risco de uma deterioração do quadro clínico, com um risco maior para o paciente. E aqui vai outro alerta: nem tudo que é eletivo pode ser adiado”, afirma. 

A médica ressalta que a Rede Mater Dei de Saúde criou fluxos diferentes nos seus hospitais para receber cada tipo de paciente. São entradas e elevadores diferentes, guichês de atendimento, protocolos ainda mais rígidos, tudo para que os clientes tenham a segurança necessária e qualidade no atendimento, afirma Márcia Salvador. 

“Hoje, os hospitais já têm protocolos e fluxos separados para pacientes com sintomas gripais, casos suspeitos e/ou confirmados do coronavírus, além de outros fluxos para quem precisa frequentar o hospital”, explica. 

“Na prática, são entradas e espaços físicos e equipes de atendimento separados. Com certeza, hoje, não há risco de contágio intra-hospitalar nas unidades da Rede Mater Dei de Saúde. Sem dúvida, vir a um hospital é mais seguro do que a maioria dos ambientes comerciais e sociais. Aqui, além da separação total de casos suspeitos ou positivos, toda a comunidade usa máscara cirúrgica ou N95 e tem álcool gel acessível em todos os locais”, completa.

Outras ferramenta que a Rede tem usado no atendimento aos seus pacientes é a Telemedicina Mater Dei, que possibilita a realização de consultas e orientação com clínico geral, ginecologista, obstetra e pediatra pela internet.

Cuidado à distância: a nova realidade da telemedicina no Brasil

A necessidade de isolamento social no combate à pandemia de covid-19 abriu caminho para que a telemedicina – que é o atendimento médico remoto – começasse a se tornar realidade no Brasil.

Autorizada em caráter temporário e emergencial pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para o enfrentamento ao coronavírus, a prática possibilita a triagem de quem está com sintomas de covid-19, reduzindo o risco de contágio no trajeto casa-hospital e protegendo profissionais, que podem orientar remotamente os pacientes.

A telemedicina também mostrou-se uma ferramenta importante para manter o tratamento de doenças crônicas durante a pandemia. “Com o isolamento, muitos dos nossos pacientes não podem vir às consultas eletivas, mas as pessoas continuam com problemas de coração, de pulmão e outras doenças complexas. Então, precisamos garantir o acompanhamento mesmo durante a pandemia”, conta o gerente médico de Novos Serviços e Telemedicina no Hospital Infantil Sabará, Rogério Carballo Afonso, em entrevista à revista Panorama nº 74, da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Com a liberação do recurso pelo CFM, o hospital passou a oferecer serviços de teleorientação de urgência e teleconsulta com especialistas.

Realidade pós-pandemia

O desafio agora, segundo especialistas, é aproveitar a oportunidade para tornar o exercício da medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados uma realidade no Brasil quando a pandemia passar. Para isso, será preciso se adequar para oferecer serviços seguros e de qualidade para um grande número de pessoas. 

“Acredito que o ritmo vai ser acelerado no Brasil e esse método de cuidado vai ganhar espaço de forma irreversível”, diz Chao Lung Wen, médico e chefe da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP.

“Eu chamo de medicina conectada, em que a telemedicina é apenas um método de interação com o paciente e, na medida em que o médico achar que precisa, encaminha para atendimento presencial”, diz o especialista. “Quando entendermos que esse método é só uma organização da cadeia de serviço, então tudo vai ficar mais simples”, afirma Wen.

Desde a sinalização do Ministério da Saúde para a regulamentação da telemedicina durante a crise, os hospitais privados criaram iniciativas como teleorientação de urgência, teleconsulta para atendimento de profissionais da saúde e até televisitas para os pacientes isolados em UTIs. 

No Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, a telemedicina já vinha sendo coloca em prática e, até o final de 2019, havia 330 mil pessoas utilizando os seus serviços. Com a pandemia, esse número aumentou seis vezes, segundo Henrique Neves, vice-presidente do Conselho de Administração da Anahp e diretor-geral do hospital. 

“Temos agora 2 milhões de usuários e, por enquanto, a regulação é temporária, o que é negativo. O que fazemos depois com as pessoas e os profissionais que passaram a adotar o serviço? O Brasil foi muito conservador nesse assunto, o que atrasou a possibilidade de virtualização do atendimento na pandemia”, afirma. 

A implementação de um sistema de telemedicina não é tão simples quanto possa parecer e exige que os gestores e profissionais estejam atentos e bem treinados em relação a questões de segurança da informação, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), para evitar problemas jurídicos caso um paciente seja prejudicado. 

A escolha da equipe é parte muito importante do processo: além de vasta experiência na profissão, também é necessário se adaptar ao modelo virtual da relação médico-paciente. Perfis agregadores são um diferencial, já que a relação pode ficar comprometida pela distância. E os profissionais mais estudiosos e com maior facilidade para seguir protocolos estão entre os mais procurados.

Quer saber mais sobre as perspectivas para a telemedicina no Brasil? Leia reportagem completa na edição 74 da revista Panorama. Baixe gratuitamente aqui: http://conteudo.anahp.com.br/revista-panorama-edicao-74

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas pós-queda que precisam de assistência pediátrica

Com os filhos o tempo todo em casa devido ao isolamento social, os pais precisam redobrar a atenção para evitar acidentes. E se a criança sofrer uma queda é preciso ficar de olho em alguns sintomas que possam aparecer e não exitar em buscar ajuda médica se for preciso – ainda que em meio à pandemia.

Durante esse período, algumas famílias têm evitado ir ao pronto-socorro por medo da Covid-19. Um dos maiores centros pediátricos do país, o Sabará Hospital Infantil (São Paulo) aponta uma queda de 75% nos atendimentos de emergência em abril, e o supervisor do pronto-socorro do hospital, Thales Araújo de Oliveira, alerta para situações em que adiar a busca por atendimento pode significar um risco maior para a saúde da criança. 

Quando o assunto é queda, é indicado que os pais não exitem em procurar o médico se aparecerem alguns dos sintomas abaixo: 

  • Sonolência, vômitos, dor de cabeça, abatimento ou qualquer anormalidade após o tombo;
  • Cortes grandes e/ou com muita perda de sangue;
  • Trauma ou torção que evolui com dor, aumento de volume e/ou deformidade dos ossos e articulações;
  • Infecção da articulação, apresentando dor, dificuldade em caminhar, febre, dificuldade para mover um membro ou prostração;
  • Infecções de origens dentárias e traumas na face devido a acidentes domésticos.

 

Segurança no fluxo de atendimento  

Para garantir a segurança de todos os pacientes, o Sabará mudou os fluxos de pronto-socorro, separando as crianças com sintomas respiratórios e não respiratórios. Além disso, os funcionários também passam por triagem ao entrarem no hospital para trabalhar, com verificação de temperatura e resposta a questionário. 

Assim, as famílias podem ficar mais tranquilas em relação à segurança de seus filhos ao visitar o Sabará. “Todo este cuidado e treinamento com os funcionários resulta também em mais segurança aos nossos pacientes”, afirma Thales.

 O Sabará opera segundo o conceito de “Children’s Hospital”, modelo assistencial que conta com expertise de alta complexidade em todas as especialidades pediátricas e atua com equipe multiprofissional integrada de alta capacidade resolutiva na atenção à criança.

Além de ser referência nacional em qualidade e segurança assistencial para tratamento de crianças, também está entre os melhores hospitais exclusivamente pediátricos segundo a revista chilena América Economia em 2019.

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas que alertam sobre a hora de levar as crianças ao hospital

Durante a pandemia de Covid-19, muitas famílias estão evitando ir ao pronto-socorro mesmo quando os filhos têm sintomas mais graves. Nestes casos, porém, ficar em casa pode representar um risco maior para a saúde do que ir ao hospital, já que, quando finalmente recebem atendimento, as crianças apresentam um quadro mais avançado, como explica Thales Araújo de Oliveira, supervisor do pronto-socorro do Sabará Hospital Infantil, um dos maiores e mais respeitados centros de atendimento pediátricos do Brasil. 

Segundo registros do hospital, o número de atendimentos na emergência pediátrica aponta para uma queda de 75% no mês de abril. “Sabemos que, com a suspensão das aulas nas escolas, é natural que o número de infecções e traumas seja menor que o usual. Isso, aliado ao baixo número de casos graves de Covid-19 em crianças, justifica, em parte, a queda na procura pelo pronto-socorro pediátrico”, diz Thales. “Porém, as crianças continuam tendo doenças como câncer, diabetes e condições cirúrgicas, como apendicite”, ressalta. 

Para garantir a segurança dos pacientes, o Sabará mudou os fluxos de pronto-socorro e separou os casos de crianças com sintomas respiratórios e não respiratórios. Além disso, os funcionários do hospital passam por triagem ao entrarem no trabalho, com verificação de temperatura e resposta a questionário. “Todo esse cuidado e treinamento com os funcionários resulta também em mais segurança aos nossos pacientes”, afirma Thales.

Para ajudar a orientar as famílias, o supervisor do pronto-socorro do Sabará lista os sintomas que indicam a necessidade de procurar atendimento médico. “Se seu filho ou filha apresentar qualquer um desses sintomas, não hesite em ir ao hospital”.

  • Recém-nascido ou bebê que se encontra prostrado, ausente, com dificuldade respiratória, sucção fraca, com sangue nas fezes ou vomitando em grande quantidade. 
  • Se ficar roxinho (cianose) ou muito amarelo (recém-nascido com icterícia), ou se tiver febre (acima de 37,8º) ou queda de temperatura (abaixo de 35,5 / 36º).
  • Febre persistente por mais de 48h.
  • Diarreia: o principal problema é quando a criança fica desidratada. Os sintomas mais comuns da desidratação são lábios e língua seca, diminuição e escurecimento da urina, diminuição da elasticidade da pele, olhos fundos e prostração. Observe também se o problema não vem acompanhado de vômitos persistentes, sangramento ou catarro nas fezes.
  • Dor abdominal: persistente ou com piora progressiva; ou súbita e de forte intensidade; acompanhada ou não de vômitos e distensão abdominal.
  • Distensão abdominal com interrupção da eliminação de gases/fezes, podendo ter vômito. Vômito ou fezes que apresentam sangue vivo ou borra de café.
  • Quadros respiratórios associados a cansaço, chiado no peito e hipoatividade.
  • Quadros alérgicos: manchas na pele e coceira associada à dificuldade para respirar, tosse rouca, chiado ou inchaço nos lábios e garganta.
  • Intoxicação: sempre vá diretamente ao hospital. Não provoque vômitos e tente pegar o rótulo do produto para o médico ter mais detalhes que poderão ajudar no tratamento.
  • Convulsão: procure auxílio médico imediatamente.  
  • Também é importante estar atendo para o aparecimento de qualquer massa ou tumoração na virilha ou no escroto; aumento, vermelhidão ou dor testicular; ingestão de corpos estranhos e também a casos de fimose infeccionada ou acompanhada de dor.

Como evitar que a pandemia agrave quadros de doenças crônicas

Ao interromper o tratamento de uma doença crônica por causa da pandemia de Covid19, o paciente corre o risco de tornar uma enfermidade controlada em um quadro potencialmente fatal. Já quem ainda não apresenta um problema de saúde do tipo, mas tende a negligenciar alguns sintomas por medo de procurar o hospital, pode contribuir para um diagnóstico tardio – o que dificulta o controle da doença posteriormente.

Em entrevista ao portal, a vice-diretora clínica do Hospital Vera Cruz de Campinas (SP), Gisele Figueiredo Ramos, falou dos cuidados necessários para evitar o agravamento de quadros de diabetes, hipertensão e doenças cardiovascular, por exemplo, por causa da pandemia. 

Quais os riscos para um paciente com doença crônica que deixa de fazer o acompanhamento médico durante a pandemia por medo de se contaminar no hospital?

Gisele: Muitos pacientes que possuem doenças como hipertensão, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares, necessitam de um acompanhamento. A perda do seguimento e a interrupção de medicamentos de uso contínuo podem levar a um desfecho desfavorável. O paciente pode ter complicações da própria doença e chegar a um infarto ou AVC. Por isso é tão importante manter o seguimento dessas doenças crônicas no contexto da pandemia. 

Esse cenário pode refletir no aumento da incidência de doenças crônicas no futuro? 

Gisele: Com certeza. Pode aumentar o número de doenças crônicas em decorrência da falta de procura de assistência e de cuidados médicos nesse momento de pandemia – uma vez que os pacientes não estão procurando os médicos para identificar doenças, verificar a pressão, fazer os exames laboratoriais e identificar possíveis complicações e alterações na saúde. Por exemplo, a hiperglicemia no caso de um possível diagnóstico de diabetes. Quando o paciente procurar por atendimento, pode ser que esteja em uma fase já mais complicada, de difícil controle, exigindo internações mais prolongadas. Também ocorre que algumas pessoas estão ansiosas e estressadas em casa, sedentárias e se alimentando mal. Então, há ainda uma questão multifatorial contribuindo para o aumento no número de doenças crônicas. 

Quais sintomas acendem o sinal de alerta para possíveis complicações de doenças como hipertensão, diabetes e cardiovasculares? 

Gisele: É importante que os pacientes, quando perceberem algum sinal, algum sintoma diferente, procurem o atendimento médico. Entre esses sintomas estão emagrecimento, boca seca, aumento da diurese, dor no peito, perda de força em algum lado do corpo. Todos esses sintomas são importante e sinais de que é preciso procurar um atendimento médico. 

A telemedicina pode ser uma alternativa de acompanhamento para pacientes crônicos? Que tipo de monitoramento ela permite?

Gisele: A telemedicina é uma opção, sim, principalmente para a checagem de exame laboratorial, renovação de receita, solicitação de exames. Cada caso é um caso, e alguns precisam ser avaliados pessoalmente. Mas com certeza a telemedicina é uma opção nesse momento de pandemia. 

Como o Vera Cruz tem garantido a segurança no cuidado desses pacientes durante a pandemia?

Gisele: Aqui em Campinas, temos a unidade do Hospital Vera Cruz e também a unidade Casa de Saúde Vera Cruz. Para proteção e para continuar o seguimento dos pacientes de doenças crônicas, pacientes oncológicos, as emergências clínicas e cirúrgicas, para que pudessem continuar sendo atendidos de forma segura, optamos por montar um centro especializado de atendimento a pessoas com suspeita ou com diagnóstico de Covid-19 na Casa de Saúde Vera Cruz. 

Dessa forma, estamos conseguindo separar os pacientes com quadro respiratório, encaminhados para a Casa de Saúde Vera Cruz, e os pacientes que não têm quadro respiratório são atendidos no Hospital Vera Cruz. Assim, conseguimos dar continuidade no atendimento das emergências clínicas, cirúrgicas, cardiológicas e também no tratamento ambulatorial. Foi uma medida muito importante nesse momento, pois não podemos esquecer das doenças crônicas, que têm uma mortalidade altíssima, como as doenças cardiovasculares. Então, acabamos direcionando e garantindo um tratamento seguro para esses pacientes.

#SuaSaúdeNaPandemia: gestantes devem manter pré-natal e ficarem atentas a sintomas gripais

A gestação já é, naturalmente, um período cheio de dúvidas e expectativas para as famílias. Durante a pandemia, o medo de se contaminar por Covid-19 pode levar mulheres a adiar uma visita ao hospital ou os exames de acompanhamento. 

O portal conversou com a coordenadora do pronto-socorro de ginecologia do Vera Cruz Hospital de Campinas (SP), Vanessa de Souza Santos Machado, que explicou a importância de manter o pré-natal em dia mesmo durante a pandemia, e quais são os sintomas e cuidados aos quais as gestantes devem estar ainda mais atentas nesse período.

Qual o risco para a gestante que decide suspender o acompanhamento da gravidez por medo de se contaminar ao procurar um serviço de saúde?

Vanessa: A realização do pré-natal tem papel fundamental na prevenção ou detecção precoce de doenças maternas e fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. Além de ser um tempo dedicado a sanar dúvidas em relação à gestação, parto, pós-parto e amamentação. Nesse momento de isolamento e ansiedade que estamos vivendo, um olhar integral à saúde física e mental da gestante é fundamental. Assim, a manutenção do pré-natal, coleta de exames, realização dos ultrassons e vacinas é muito importante e recomendado mesmo em época de pandemia.

Quais as orientações para as gestantes seguirem com o pré-natal em segurança?

Vanessa: Os cuidados não são muito diferentes da população em geral. A gestante precisa se resguardar, evitar contatos desnecessários e aglomerações, usar máscara cobrindo  boca e nariz ao sair para consultas ou exames. Também deve manter hábitos de higiene adequados, como lavar as mãos com frequência e usar álcool em gel, higienizar as compras, retirar sapatos e higienizá-los ao voltar da rua. As gestantes que apresentarem síndrome gripal deverão ter suas consultas e exames de rotina adiados em 14 dias e, quando necessário, serem atendidas em local isolado das demais pacientes

Quais sintomas são sinal de que a gestante precisa procurar rapidamente um serviço de saúde e que não podem ser negligenciados por medo de ir ao hospital?

Vanessa: Toda gestante deve procurar atendimento se tiver febre associada à tosse, falta de ar ou dificuldade de respirar. Além, claro, se apresentar qualquer sintoma relacionado à gestação, como contrações frequentes e rítmicas, perda de sangue, perda de líquido ou diminuição da movimentação fetal.

No grupo Hospital Care, do qual faz parte o Vera Cruz e a Casa de Saúde, as gestantes com sintomas respiratórios exclusivos são encaminhadas à Casa de Saúde – que se tornou uma espécie de “Covid Care”, blindando ao máximo nosso hospital e maternidade.

As gestantes fazem parte do grupo de risco para Covid-19? 

Vanessa: As gestantes foram incluídas no grupo de risco pela OMS (Organização Mundial da Saúde) há algumas semanas. Essa inclusão se deu por se tratar de uma população normalmente mais suscetível e com imunidade menor. Não existem evidências de que o novo vírus pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gravidez. Até o momento, o novo coronavírus não foi encontrado no sangue do cordão, no líquido amniótico, no fluido vaginal e nem no leite materno, e não se associou ao risco de maior gravidade em gestante. A melhor coisa a se fazer é tomar todas as precauções necessárias para evitar a contaminação pelo novo vírus.

#SuaSaúdeNaPandemia: a importância de manter tratamentos oncológicos e exames diagnósticos de câncer

Com o início da pandemia de coronavírus, o medo de se contaminar com a doença nos serviços de saúde tem levado pacientes com doenças graves, como o câncer, a suspenderem seus tratamentos. Também estão sendo adiados exames que poderiam resultar na descoberta precoce de um tumor, por exemplo, o que aumentaria as chances de cura. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) alerta para uma queda de 70% a 80% no diagnóstico de câncer por cancelamento de exames pelos próprios pacientes nos meses da pandemia.

O portal Saúde da Saúde conversou com o coordenador da equipe de oncologia do Hospital Vera Cruz de Campinas (SP), Paulo Eduardo Pizão, que explicou quais são as diretrizes internacionais para a manutenção do tratamento de pacientes oncológicos durante a pandemia. Ele apontou uma preocupação da comunidade médica para o possível represamento de casos câncer, que agravaria ainda mais o funcionamento dos sistemas de saúde no mundo todo.

Quais os principais riscos para um paciente oncológico que decide parar o tratamento por medo de se infectar com Covid-19 no hospital? 

Essa pandemia é uma situação que a medicina mundial considera inédita, e todos estamos ainda aprendendo com esses primeiros meses. Os casos têm demonstrado que o paciente oncológico que desenvolve a forma grave da Covid-19 tem uma chance maior de evolução desfavorável. É importante, obviamente, que o paciente esteja ciente disso. Porém, vamos lembrar que é apenas uma minoria que se contamina com o vírus e que desenvolve uma forma grave de insuficiência respiratória e da infecção. Então, não faz sentido abandonar o tratamento oncológico, deixar de fazer o controle do câncer por causa dessa possibilidade menor de desenvolver um quadro grave da Covid-19. Esclarecemos aos nossos pacientes que é importante, sim, manter o tratamento para controlar o câncer.

Muito importante, neste sentido, é o esclarecimento e o diálogo com o paciente. Há tanta informação disponível na internet, na televisão, que muitos ficam realmente confusos. Por isso, a equipe médica deve estar sempre disponível para tirar dúvidas não só dos pacientes, mas também dos familiares.

Quais são as orientações para os pacientes oncológicos durante a pandemia? 

Para quem está em vigência de tratamento – fazendo quimioterapia ou com cirurgia prevista, por exemplo – seguimos diretrizes internacionais e procuramos manter o tratamento, e não adiar. Esclarecemos para esses pacientes a importância de manter o cronograma, ao mesmo tempo em que tomamos todas as medidas no sentido de reforçar a educação sobre a necessidade da higiene das mãos, das medidas de distanciamento social etc. 

Além disso, no ambiente da clínica onde são realizados os atendimentos foram tomadas medidas no sentido de reforçar a higienização de superfícies e aumentar a distância entre as poltronas – não só da sala de quimioterapia, mas também na espera.

 Para os pacientes que já passaram pelo tratamento com objetivo de cura e que estão bem, assintomáticos e com exames bons, nós demos a opção de adiar o retorno de consultas e exames para a partir de agosto. Essa decisão também segue diretrizes internacionais, e o paciente que, por qualquer motivo, decidiu manter a consulta para agora, foi atendido. 

E para os pacientes em processo de diagnóstico, que precisam fazer vários exames, qual a recomendação? 

Estamos esclarecendo que, quando há uma suspeita de diagnóstico de câncer e indicação de exame de imagem, ou de uma endoscopia ou mesmo de uma biópsia, esses exames não estão sendo adiados. 

O risco do agravamento de uma doença como o câncer pode ser maior do que o risco do coronavírus? 

Sim. Inclusive, temos conversado com colegas fora do Brasil e existe uma preocupação a nível mundial de que, se não tomarmos cuidado, vamos viver dois problemas. O primeiro é a pandemia em si. E o segundo pode ser causado pelo adiamento desses diagnósticos de câncer, levando, talvez, a um represamento dos casos e até ao prejuízo do paciente por não ter um diagnóstico precoce. A orientação é que todo esforço seja feito no sentido de não deixar que esse segundo problema venha agravar ainda mais a questão do funcionamento dos sistemas de saúde no mundo todo.

Existe um fluxo de atendimento diferente para os pacientes com suspeita de Covid-19 no hospital? 

Sim. Nosso complexo hospitalar tem uma situação que considero privilegiada. Estamos em Campinas, onde a Rede Vera Cruz dispõe de dois hospitais: a Casa de Saúde e o Hospital Vera Cruz. Nesse momento, o Hospital Casa de Saúde foi designado como referência para Covid-19. Todos os pacientes oncológicos com sintomas respiratórios suspeitos de contaminação pelo vírus são orientados a entrar em contato conosco e, se for o caso, são direcionados a esse hospital – onde seguimos um protocolo específico para casos de coronavírus. Então, pacientes com suspeita da doença nem chegam a entrar na clínica onde são realizados atendimentos oncológicos, que é uma unidade separada dos dois hospitais. 

Coronavírus: saiba como as máscaras caseiras podem te proteger na pandemia

O isolamento social é a forma mais eficaz para conter o avanço da pandemia de coronavírus. Caso você precise sair de casa, é importante adotar medidas para reduzir os riscos de contaminação. Uma das orientações das autoridades sanitárias é o uso de máscaras, mesmo se você não está infectado ou com sintomas respiratórios. 

Abaixo, saiba quando e como usar a máscara caseira ou de tecido de forma eficiente e os cuidados necessários para estar protegido. E veja aqui e aqui como fazer em casa dois tipos de máscaras de pano. 

Lembre-se de que comprando ou fazendo a sua máscara de tecido você contribui para que as máscaras profissionais sejam usadas por quem mais precisa: os trabalhadores da saúde, que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. 

Quando devo usar máscara? 

A máscara é uma medida adicional de proteção para as ocasiões em que é necessário sair de casa durante a pandemia. Ela deve ser usada para ir a locais públicos ou com aglomeração de pessoas, como supermercado, farmácia e transporte público. 

Qualquer pessoa pode fazer uso de máscaras faciais de tecido, inclusive crianças maiores de dois anos, desde que respeitado o ajuste e a higiene do material. Deve-se evitar o uso por pessoas inconscientes ou incapacitadas de remover a máscara sem assistência.

Vale lembrar que, mesmo com a máscara, deve ser observada a distância de mais de um metro das outras pessoas. 

Como devo usar a máscara?  

Para ser eficiente, a máscara deve cobrir totalmente boca e nariz, sem deixar espaços nas laterais, mas proporcionando conforto para a respiração. É imprescindível que a máscara seja de uso individual – ela não deve ser compartilhada. O recomendado é que cada pessoa tenha aproximadamente cinco máscaras de uso individual. 

Para removê-la, deve-se manusear o elástico ao redor das orelhas, sem tocar na parte frontal da máscara. Sempre higienize as mãos antes e depois de retirar a máscara. 

As máscaras caseiras são seguras?

 O coronavírus é transmitido através de gotículas eliminadas quando pessoas infectadas falam, tossem ou espirram. As máscaras funcionam como uma barreira física para reduzir a proliferação destas gotículas e atuam como barreira física para pessoas saudáveis, diminuindo a exposição e o risco de infecção para a população em geral. 

Vale ressaltar que as máscaras sozinhas não fornecem proteção total contra o coronavírus. É fundamental que o uso da máscara seja combinado a outras medidas preventivas, como frequente higiene das mãos com água e sabão ou preparação alcoólica a 70%, medidas de higiene respiratória/etiqueta da tosse e evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca. 

 De quanto em quanto tempo devo trocar a máscara?

 A máscara de tecido não deve ser utilizada continuamente por mais de três horas. Deve ser trocadas após este período ou sempre que estiver úmida, suja, danificada ou se houver dificuldade para respirar.

 Quando é hora de descartar a máscara usada?

 A máscara de pano deve ser descartada sempre que for observado possíveis danos que possam comprometer sua eficácia como barreira física. Ex: deformação, desgaste, perda de elasticidade das hastes de fixação ou deformidade no tecido. As máscaras de TNT não podem ser lavadas e devem ser descartadas após o uso. 

 Como higienizar as máscaras caseiras de tecido? 

 As máscaras de tecido devem ser reutilizadas por, no máximo, 30 lavagens. A higienização correta é feita da seguinte forma:

  • lavar separadamente de outras roupas;
  • lavar com água corrente e sabão neutro;
  • depois, deixar de molho em uma solução de água com água sanitária (2 colheres de sopa de água sanitária para 1 litro de água) ou outro desinfetante por 30 minutos;
  • enxaguar bem para remover os resíduos de desinfetante;
  • evitar torcer e deixar secar;
  • passar com ferro quente;
  • armazenar em recipiente fechado.

Telemedicina: uma solução para atendimento à distância em tempos de coronavírus

Uma das medidas adotadas pelas instituições hospitalares para enfrentar o novo coronavírus no Brasil é implementar o uso da telemedicina. O método ganhou destaque nas falas no Ministério da Saúde (MS) que, diante da crise, reconheceu a prática para atendimento médico durante a pandemia. A telemedicina foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2002 e, desde então, vem sendo objeto de discussão entre entidades de saúde para definição das regras do uso correto e ético da prática.

No contexto da pandemia de Covid-19, o CFM reconheceu o uso da telemedicina no Brasil “em caráter de excepcionalidade”, limitando a três práticas: teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta. Dessa forma, é possível viabilizar a assistência médica à distância, diminuindo, assim, os riscos de disseminação da Covid-19, seja no caminho de doentes ao hospital ou na relação médico-paciente. Além disso, facilita também o acompanhamento de pacientes com outros tipos de doença.

Mas, afinal de contas, o que é telemedicina? O professor da Faculdade de Medicina e chefe da disciplina de Telemedicina da USP, Chao Lung Wen, define o recurso como um método da profissão. Ele explica que o que determina a prática é simplesmente o uso de tecnologias eletrônicas associado ao atendimento não presencial. E destaca que manter a qualidade do serviço médico é o que completa o pacote.

“Todos os processos que determinam a qualidade de um ato médico estão totalmente vinculados à telemedicina. Envolve entrevista investigativa estruturada, prontuário digital, decisão de conduta após avaliação do que podemos fazer usando um meio tecnológico. O paciente pode estar à dez metros dentro de outra sala, ou a mil quilômetros de distância e, ainda assim, poderá ser avaliado por meio de tecnologias interativas que estão à nossa disposição para oferecer a extensão do cuidado médico”, explicou o especialista.

Confira agora o que significam os termos da telemedicina e saiba como tudo isso pode funcionar na prática.

Telemonitoramento, teleorientação, teleconsulta e teleinterconsulta. Qual é a diferença?

Seja qual for a expressão, uma coisa é fundamental para que o método funcione: videoconferência. Ligações telefônicas não bastam. Entretanto, Wen destaca que a videoconferência só é válida se ela acontecer dentro das regras da telemedicina, que envolvem questões desde o consentimento do paciente, em relação a valores e serviços oferecidos, até segurança de dados.

O telemonitoramento é quando o médico faz uso de uma televisita para acompanhar as condições clínicas de um paciente. É possível fazer uma avaliação visual e observar as condições, por exemplo, dos olhos, garganta, pele e até padrão de respiração. No caso de alguém com suspeita de coronavírus ou confirmado, que deve ficar isolado, é possível avaliar a condição física do paciente sem que ele tenha que permanecer 14 dias sem acompanhamento de um médico.

A teleorientação não é muito diferente. O termo diz respeito ao que seria uma primeira avaliação com função de orientar o paciente quanto ao uso de medicação OTC (aquelas que não precisam de receita médica) e hábitos que possam aliviar sintomas e prevenir complicações e contágio. Não envolve grande tomada de decisão, apenas serve para orientações básicas e iniciais.

Já a teleconsulta envolve diagnóstico, decisões médicas quanto ao rumo de tratamentos e prescrição. “A princípio, a primeira consulta deveria ser presencial, segundo o CFM, mas quando o governo decreta isolamento social e pede para que a população não vá ao hospital, essa é uma solução. Senão, estamos estimulando a automedicação e o autodiagnóstico”, explica Wen.

A teleinterconsulta diz respeito à interação entre médicos, o que pode ajudar os profissionais em tomadas de decisão.

Em tempos de pandemia, uma das vantagens em todos esses casos é conseguir reduzir a possibilidade de contágio da população por evitar a locomoção dos infectados. Além disso, o acompanhamento médico à distância permite que o encaminhamento para unidades hospitalares seja feito apenas em caso de necessidade, diminuindo a circulação de pessoas em ambientes hospitalares.

Mas eu só posso fazer uso da telemedicina se eu estiver com coronavírus?

Na opinião de Chao Lung Wen, nesse momento esse tipo de atendimento deveria ser oferecido para todos, independentemente do tipo de doença. “A Covid-19 é apenas uma das doenças na área de síndrome gripal. As pessoas continuam hipertensas, com diabetes, com câncer e tendo infarto, e não podem deixar de ser atendidas. Esse método tem que ser expandido para todo cuidado possível, pois o processo de serviço médico foi quebrado com essa pandemia”, diz Wen.

Muitas especialidades podem fazer uso da telemedicina, principalmente as que conseguem fazer uma avaliação clínica visual. Para Wen, cada área e cada profissional precisa ter seu limite bem estabelecido e ser prudente para não comprometer o cuidado com a saúde.

O que eu preciso fazer para ser atendido por telemedicina?

As instituições hospitalares ainda estão se organizando, mas cada um terá um meio específico de prover atendimento via telemedicina e deverá indicar ao paciente como acessá-lo. Algumas usam aplicativos, outras o próprio website. Muito provavelmente, o paciente só terá o trabalho de acessar um link.

Quanto ao paciente, ele poderá ter acesso por meio de um dispositivo de sua preferência, como um smartphone ou computador. Caso o médico ou hospital escolha uma ferramenta interativa específica, basta instalar e pronto.

Também será necessário ter alguns instrumentos em casa para auxiliar o profissional em seu atendimento, como termômetro, balança, medidor de pressão arterial e, até mesmo, um oxímetro digital, no caso de precisar verificar a saturação do oxigênio, entre outros. Tudo vai depender das orientações dadas pelo médico.

E como faz com a receita médica?

Ainda não está regulamentado no Brasil o uso de receitas com assinatura digital. Em alguns países, como a Holanda, já existem plataformas que integram médicos e farmácias para envio eletrônico do documento. Enquanto isso, para casos de prescrição de medicamentos que precisam obrigatoriamente de receita – como é o caso dos antibióticos – uma solução, segundo Wen, é que algum amigo ou familiar busque a receita no consultório, ou que o médico envie um portador para entregar o documento.