Todos os posts de Saúde da Saúde

Fevereiro Laranja: mês dedicado à conscientização sobre a leucemia

A leucemia, que começa na medula óssea e ataca os glóbulos brancos, é considerada um câncer mais raro, se comparado com os demais tipos. Porém isso não diminui a necessidade de atenção, e o mês de fevereiro é dedicado à campanha sobre os sintomas e formas de identificar a doença – que deve ter 11 mil novos casos por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O portal Saúde da Saúde conversou com a hematologista do Hospital Dona Helena (SC) Ana Carolina Moreira de Carvalho Cardoso, que explicou os avanços no diagnóstico e tratamento da doença nos últimos anos.

Qual é o panorama da leucemia no Brasil?
Ana Carolina: Falando mais das leucemias agudas [linfóide e mielóide], é uma doença rara, porque ela corresponde a mais ou menos 1% de todos os cânceres. A linfóide é a mais comum entre as crianças. Nos adultos, se divide um pouco entre a mielóide e a linfóide – que são relativamente mais comum em homens. No geral, há uma média de 5 em cada 100 mil pessoas que recebem diagnóstico de leucemia aguda.

Houve avanços com relação ao diagnóstico da doença nos últimos anos?
Ana Carolina: O tratamento das leucemias padrão, que tem no SUS e nos hospitais particulares, o básico, é o mesmo há muito anos. Uns cinco anos atrás, mais ou menos, foram diagnosticados alguns marcadores específicos para a mielóide, por exemplo, e aí sim alguns tratamentos-alvo estão começando a ser usados na rede particular. Então, nas leucemias agudas, já conseguimos algumas medicações-alvo que prometem um tempo maior de progressão livre da doença.

Como funcionam os tratamentos-alvo?
Ana Carolina: Quando é feito o diagnóstico, buscamos identificar mutações para tentar usar drogas específicas que aumentam a taxa de remissão da doença. As drogas-alvo são drogas contra estas mutações, o que aumenta a taxa de remissão completa. É uma droga que age exatamente em uma mutação que este tipo de câncer tem para aumentar a taxa de remissão – que está relacionado às chances de voltar a ter a doença posteriormente.

Como é feito o diagnóstico da leucemia?
Ana Carolina: Primeiro, o paciente vai procurar algum médico clínico porque vai notar que está um pouco mais cansado, que está tendo algum sangramento anormal ou umas manchas roxas pelo corpo. O clínico vai pedir um hemograma completo e vai perceber alterações nas taxas de hemoglobinas, leucócitos e plaquetas. Aí ocorre o encaminhamento para o hematologista, que fará um exame do sangue periférico, como chamamos, para olhar se ali já tem alguma célula doente. Mas isso não exclui a necessidade de fazer uma biópsia de medula. Colhemos um pouco de sangue e mandamos para os locais específicos: genética, biologia molecular, imunofenotipagem. Nestas áreas, sim, o diagnóstico avançou. Muito anos atrás, não havia alguns marcadores que poderíamos olhar na biologia molecular, por exemplo, para identificar um melhor ou pior prognóstico.

No caso da leucemia, há algum fator de risco que pode aumentar as chances de ter a doença, como ocorre em alguns outros cânceres?
Ana Carolina: A leucemia tem alguns fatores que aumentam o risco, mas que não são tão correlacionados como em outros cânceres – pulmão e intestino, por exemplo. Alguns tipo de quimioterapia e radioterapia podem aumentar o risco de ter leucemia, além do tabagismo e algumas substâncias usadas pela indústria química, como benzeno.

Em quais situações é necessário um transplante de medula?
Ana Carolina: O transplante ocorre nas leucemias em que identificamos marcadores genéticos de mau prognóstico. Nestes casos, sabemos que sem o transplante o paciente pode até entrar em remissão, mas há chances muito grandes de a doença voltar. O transplante é feito nestes pacientes de alto risco e naqueles que não tinham indicação de transplante inicialmente, porém por algum motivo a doença voltou.

Como é o tratamento destes pacientes hoje no Hospital Dona Helena?
Ana Carolina: Temos uma equipe multidisciplinar, porque todo diagnóstico de câncer mexe muito com o paciente como um todo. Então é importante ter sempre psicólogos, terapeuta ocupacional, nutricionista e a própria equipe de enfermagem oncológica.

Há algumas atitudes para tentar prevenir ou ter um diagnóstico mais antecipado da leucemia?
Ana Carolina: Uma diagnóstico antecipado é um pouco mais difícil por se tratar de uma doença bem aguda. A pessoa pode fazer um exame de sangue de rotina e estar tudo ok, e daqui dois ou três meses se sentir cansada, voltar a fazer o exame e ter um diagnóstico de leucemia. Hábitos de vida saudáveis, não fumar, ter uma alimentação com comida de verdade – sem enlatados e industrializados, mais orgânicos e com menos agrotóxicos – e atividade física. Todos esses são fatores que contribuem para evitar, não só a leucemia, como outros tipos de câncer e doenças.

Os tipos de leucemia
As leucemias podem ser classificadas de duas formas: pela evolução e pelo tipo de efeito nos glóbulos brancos.

Pela evolução
– Agudas: as células malignas se encontram numa fase muito imatura e se multiplicam rapidamente, causando uma enfermidade agressiva. Este tipo é mais comum na infância.
– Crônicas: a transformação maligna ocorre em células-tronco mais maduras. A doença costuma evoluir lentamente, com complicações que podem levar meses ou anos para ocorrer. Este tipo é raro em crianças.

Pelo efeito nos glóbulos brancos
– Leucemia linfoide, linfocítica ou linfoblástica: afeta as células linfóides, sendo mais frequente em crianças;
– Leucemia mieloide ou mieloblástica: afeta as células mielóides e é mais comum em adultos.

Hospital humanizado: qualidade de vida e bem-estar do paciente

Um ambiente hospitalar funcional e agradável torna a experiência do paciente muito mais satisfatória. No hospital humanizado, há uma atmosfera de acolhimento em todos os serviços prestados – desde a recepção até a internação. Para o paciente e sua família, este é um fator determinante na recuperação e no bem-estar. Para as equipes médicas, reflete em maior eficiência, conforto, proximidade e flexibilidade.

Em entrevista à revista Panorama, o head de Estratégia e Marketing do segmento de Saúde da Sodexo On-site Brasil, Gabriel Paiva, explicou que entre os fatores que contribuem para um ambiente hospitalar humanizado estão a segurança, a limpeza e a alimentação, que precisa ser adequada às necessidades de cada público – pacientes, visitantes e colaboradores.

“Pacientes que são atendidos de maneira humanizada têm mais confiança na equipe e nos tratamentos, além de responderem melhor aos recursos clínicos”, conta Paiva, acrescentando que este fator é determinante para acelerar o processo de cura.

A humanização também gera bons resultados para o hospital, pois aumenta as chances de retorno do paciente à instituição, caso ele precise de um novo atendimento, e de indicações para outras pessoas.

Dentro do conceito de humanização, a Sodexo oferece diversidade de cardápios para que o paciente não tenha o tratamento prejudicado porque fica sem vontade de comer uma “comida de hospital”. “A compreensão e aceitação do paciente diante das restrições alimentares estabelecidas durante o seu tratamento é encarada como um dos principais desafios pelas equipes médicas”, afirma Paiva.

Para pacientes cardiopatas, há um menu com molhos especiais e ervas frescas que mantêm o aroma e o sabor da comida, compensando a ausência de sal e azeites aromáticos. Para a geriatria e pessoas com dificuldade de engolir, equipes multidisciplinares de saúde criam refeições com cor, sabor e cheiro que estimulem o apetite e façam o paciente voltar a ter prazer sem se alimentar.

Para saber mais, leia a entrevista completa na edição nº 73 da Panorama. Baixe gratuitamente aqui.

Startup brasileira cria primeiro método não invasivo para medir pressão intracraniana

Vencedora do projeto Startups Anahp 2019, realizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a brain4care desenvolveu o primeiro método no mundo totalmente não invasivo capaz de monitorar a complacência cerebral – que é a capacidade do cérebro de manter a sua pressão estável.

Antes, só era possível medir a pressão intracraniana (PIC) fazendo um pequeno furo no crânio, método que não é aplicável a todos os pacientes. Com o dispositivo da startup, o monitoramento é realizado sem dor, com menos risco para o paciente e os resultados demoram entre 15 e 20 minutos. A descoberta permite identificar ou confirmar algumas doenças antes mesmo que os sintomas se manifestem e acompanhar a evolução do paciente ao longo do tratamento.

O diretor de marketing da brain4care, Renato Abe, explicou ao blog como a empresa começou e de que forma seu sensor tem revolucionado a experiência dos pacientes nos hospitais. Atualmente, a tecnologia está em uso em instituições associadas Anahp como o Sírio-Libanês e o Nove de Julho.

Como funciona o projeto apresentado pela brain4care no Startups Anahp?
Renato Abe: Criamos uma plataforma de monitorização da complacência cerebral e tendência da PIC em tempo real por meio de um sensor sem fio. Em 2019, recebemos a liberação do FDA (agência federal do Departamento de Saúde norte-americano) para comercialização nos Estados Unidos e fechamos o ano muito felizes com o reconhecimento da Anahp, que nos celebrou vencedores do Startups Anahp durante o Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp).

Assumimos como missão reduzir a dor e o sofrimento de milhões de pessoas estabelecendo um novo sinal vital, acessível a todos e em qualquer lugar. Deste posicionamento nasceu nosso modelo de negócio, que oferece aos hospitais uma solução inovadora, de baixo custo e sem limite de utilização por um valor fixo inferior a R$ 4 mil mensais.

Por este valor, nossos clientes têm acesso à plataforma de gestão e análise dos dados coletados, ao aplicativo Android para visualização das curvas em tempo real e emissão de relatórios diretamente no seu tablet, um sensor brain4care wireless para monitorização não invasiva da complacência cerebral e tendência da PIC, além de todo o treinamento e suporte necessários para a melhor experiência e desempenho no uso, podendo realizar um número ilimitado de exames, sem consumíveis ou custos adicionais.

Como essa tecnologia funciona nos hospitais?
Renato Abe: A plataforma brain4care se utiliza de um conjunto de tecnologias certificadas pela Anatel, HIPAA compliant e aderentes à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Em primeiro lugar, temos o sensor não invasivo brain4care, que tem sensibilidade suficiente para obter a morfologia do pulso da pressão intracraniana através do movimento de expansão e contração da caixa craniana do paciente por meio de sensores mecânicos. O sensor se comunica via bluetooth 5.0 com o aplicativo brain4care instalado em um tablet Android de propriedade do cliente e conectado à rede de internet wi-fi do próprio hospital.

Através dessa conexão o aplicativo envia os sinais captados pelo sensor para a plataforma brain4care cloud, que processa a informação utilizando algoritmos que permitem uma análise detalhada dos resultados para uso em pesquisa. São emitidos também relatórios para uso clínico enviados diretamente ao tablet utilizado para fazer a monitorização, para que sejam analisados pelo médico na tela do dispositivo ou encaminhado para impressão.

O uso de sensores mecânicos permite que o sistema brain4care obtenha a morfologia do pulso da PIC sem utilizar radiação, ultrassom ou qualquer outro tipo de emissão prejudicial aos pacientes, além de dispensar qualquer tipo de preparação, medicação ou contrastes. Isso permite que os médicos possam obter a complacência cerebral em tempo real a qualquer momento, podendo repetir a utilização quantas vezes for preciso com muita rapidez, simplicidade e segurança – atributos valiosos no contexto da terapia intensiva onde é aplicado.

De que forma o médico utiliza o dispositivo em benefício do paciente?
Renato Abe: O método da brain4care captura as alterações da morfologia do pulso da PIC, que é uma das primeiras variáveis a serem modificadas no desenvolvimento da hipertensão intracraniana e continua atuando em todos os outros estágios. Isso significa que os médicos podem antecipar a percepção que um quadro de hipertensão intracraniana está acontecendo, atuar mais rapidamente e assim reduzir as chances de sequelas nos pacientes.

A solução brain4care é simples o suficiente para ser aplicada pela própria equipe da UTI, na beira do leito e sem necessidade de mobilizar estruturas de apoio. Ela não requer medicação, preparação ou contrastes e isso permite que o intervalo de tempo entre a constatação da necessidade do exame pelo médico e o resultado em mãos seja muito reduzido, bastando 15 a 20 minutos, enquanto a maioria dos métodos supera uma hora.

A praticidade no uso acaba sendo uma grande aliada num ambiente que requer velocidade e flexibilidade, como a UTI, e os médicos vêm utilizando o método para acompanhar a evolução das funções neurológicas dos pacientes ao longo do tempo em casos de suspeita, risco ou presença do quadro de hipertensão intracraniana. Trata-se de uma informação complementar na monitorização multimodal do paciente crítico, qualificando o suporte à tomada de decisão.

Quais resultados o dispositivo já apresentou?
Renato Abe: Ficamos muito felizes quando somos procurados pelos médicos para compartilhar seus casos clínicos, especialmente quando revelam histórias de saúde e felicidade. Nos casos de ajuste de válvula de DVP (derivação ventrículo-peritonial), por exemplo, a regulagem da válvula era realizada de forma empírica e levava vários dias para ser concluída. Com o uso da solução brain4care, o procedimento pode ser concluído em algumas horas, com muito mais precisão, trazendo um impacto muito positivo para a qualidade de vida dos pacientes e familiares, além de promoverem um impacto positivo no uso de recursos.

Recentemente uma menina de 11 anos de idade relatou à mãe que não estava mais enxergando. Foi levada ao hospital e todos os exames de imagem mostraram resultados normais. O uso da solução brain4care indicou hipertensão intracraniana pela alteração da morfologia do pulso da PIC, confirmada por punção lombar, e auxiliou na antecipação do tratamento. Usamos o método para acompanhar a evolução no quadro, as curvas foram evoluindo dia após dia até que no sétimo dia ela voltou a enxergar, com o padrão da morfologia apontando para um quadro de normalidade. O surgimento de novos casos é frequente, muitos deles apresentando aplicações inéditas, como o uso em neuroproteção em cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea.

Ao longo da nossa jornada acumulamos mais de 70 participações em congressos ao redor do mundo, 17 teses e dissertações defendidas e dez artigos científicos publicados. Estamos ajudando os médicos brasileiros a desenvolverem novas contribuições para a medicina ao mesmo tempo em que é muito gratificante constatar que o método está ajudando pessoas a se afastarem do território da doença.

Como você avalia os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Renato Abe: A revolução tecnológica representa uma oportunidade para ajudarmos a resolver os desequilíbrios existentes no ecossistema da saúde, ainda muito orientado ao tratamento curativo num modelo econômico onde a minoria dos procedimentos concentra a maior parte dos recursos e impede que a maioria das pessoas consigam acesso a um cuidado adequado.

Acredito que as healthtechs com posicionamento existencial socioevolutivo podem iniciar um movimento capaz de transformar a forma como os serviços de predição e assistência à saúde são distribuídos para a humanidade, criando um futuro mais justo.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Renato Abe: Imagino o hospital do futuro como um centro de assistência especializada no tratamento de casos críticos e de alta complexidade, criando, documentando e distribuindo conhecimento com foco em altos índices de resolutividade global, numa sociedade muito mais consciente e responsável em relação à saúde coletiva e individual e servida por uma infinidade de soluções muito eficazes e acessíveis em qualquer lugar.

Os cuidados individualizados baseados no sequenciamento genético e amparados pela assertividade das bases de dados em escala global auxiliadas pela tecnologia artificial reduzirão muito o tempo em que um indivíduo permanece doente ao longo da vida e mais ainda as chances de perder a vida por esse motivo. Como o acesso a essas soluções se dará fora do ambiente hospitalar e o atendimento crítico será proporcionalmente menor numa sociedade cada vez mais longeva e saudável, os hospitais do futuro servirão a uma população com muitos humanos bicentenários em busca de soluções que permitam estender a vida útil dos sentidos em plena forma, das funções vitais cheias de energia, para vivenciarmos cada vez mais histórias de saúde e felicidade!

Dia Mundial do Câncer: hospital usa música no auxílio ao tratamento de pacientes

O Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, é a data que lembra da importância de mudar hábitos e dar atenção à saúde para frear a epidemia global da doença – que, atualmente, causa o falecimento de 7,6 milhões de pessoas ao ano. Nesta batalha, avanços têm ocorrido no diagnóstico e tratamento, e os hospitais estão adotando metodologias para promover o bem-estar dos pacientes.

Referência em oncologia no Rio Grande do Sul, o Hospital Moinhos de Vento (HMV) realiza uma vez por semana sessões de musicoterapia para auxiliar no tratamento. Além de descontrair o ambiente das salas de quimioterapia, a música também alivia a ansiedade dos pacientes e de seus familiares, aumenta a sensação de bem-estar e diminui a dor.

Desde 2002, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda a musicoterapia como coadjuvante no tratamento da doença. Segundo o órgão ligado ao Ministério da Saúde, está comprovado que a música é capaz de interferir na batida cardiovascular, no sistema respiratório e na tonicidade muscular.

A música faz parte do processo de combate à doença no HMV desde 2019 e, assim como as medicações, tem dose, indicação e momento específico para acontecer. Segundo a supervisora da Psicologia Assistencial do hospital, Júlia Schneider Hermel, enfermeiros e psicólogos explicam aos musicoterapeutas a condição dos pacientes. De acordo com o contexto e a etapa do tratamento, é decidido o estilo musical e a atividade adequada para cada um.

Diagnosticada com um câncer de mama aos 35 anos, a professora Angélica Mattos de Oliveira começou a participar das sessões de musicoterapia por acaso, quando precisou trocar o dia da quimioterapia por uma questão envolvendo o convênio. Na sessão seguinte, encontrou a equipe do projeto tocando e cantando para os pacientes.

“Eu estava triste, desanimada. Mesmo tentando manter o alto astral, uma hora a gente fica mal. Mas as últimas sessões de quimio foram acompanhadas por música. Eu cantei, dancei, ri, chorei. É muito bom. Diminui a dor, a ansiedade”, afirma Angélica.

Os benefícios da musicoterapia não se limitam ao paciente e também fazem a diferença para parentes e equipe médica. “Para familiares e profissionais, o dia fica mais agradável. Eles nos contam que se sentem felizes ao observar que os pacientes estão mais alegres”, afirma a coordenadora assistencial do Serviço de Oncologia do HMV, Taiana Saraiva. Os profissionais se motivam mais a cuidar dos pacientes e disseminam a prática em outras áreas, melhorando as condições e o ambiente de trabalho.

O projeto é realizado por meio de um convênio entre o hospital e as Faculdades EST – Escola Superior de Teologia, única instituição a oferecer esse curso na grande Porto Alegre. As atividades do Grupo de Musicoterapia são realizadas pelos alunos em estágio curricular e supervisionadas pelas professoras da graduação. A ideia agora é ampliar o projeto em 2020. Até o ano passado, o grupo atendia pacientes oncológicos, da internação pediátrica e UTI Neo Natal.

Se quiser saber mais sobre como a música ajuda no cuidado e melhora a experiência do paciente, acesse o conteúdo disponível no Anahp On Demand e elaborado pelo Grupo Saracura, formado por 30 músicos, com mais de 10 anos de experiência, tendo desenvolvido trabalhos em diversos hospitais da capital paulista, como o Infantil Sabará, AACD, Nipo-Brasileiro e Hospital do Coração – HCor.

Prevenção
Estima-se que 1,5 milhão de mortes por câncer poderiam ser evitadas ao ano com medidas adequadas, e o Dia Mundial do Câncer pretende disseminar informações sobre prevenção e controle da doença.

Segundo o estudo “Estimativa 2020” do INCA, os cânceres que terão mais incidência no país são os de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. Para reduzir os riscos de surgimento da doença, o primeiro passo é evitar exposição aos fatores de risco e adotar um estilo de vida saudável.

Um dos maiores aliados é a prática de atividade física regular. Segundo estudo recente da Sociedade Americana de Câncer, os exercícios reduzem o risco de desenvolvimento de sete tipos de tumores – além de fortalecer as defesas do corpo e, assim, atuar na prevenção de outras enfermidades.

Confira as orientações gerais do INCA para a prevenção ao câncer:
– Não fumar;
– Praticar atividades físicas regularmente;
– Manter o peso corporal adequado;
– Manter uma alimentação saudável;
– Evitar carne processada;
– No caso das mães, amamentar;
– Mulheres devem fazer periodicamente o exame preventivo de câncer do colo do útero;
– Vacinar-se contra HPV e hepatite B;
– Consumir bebidas alcoólicas de forma moderada;
– Usar sempre protetor solar e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.

Hospitais oferecem plantão psicológico e programa de saúde mental no Janeiro Branco

No mês dedicado à saúde mental, os hospitais desenvolvem ações voltadas para o público interno e externo para conscientizar e orientar sobre problemas como depressão, ansiedade e estresse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 12% da população mundial necessita de cuidados para esse tipo de transtorno, mas nem todos conseguem procurar por ajuda profissional. A OMS estima, por exemplo, que são 350 milhões de pessoas com depressão, sendo que 45% não tiveram um diagnóstico especializado – e, logo, não recebem o tratamento adequado.

Em apoio à campanha do Janeiro Branco, o Hospital Santa Virgínia (HSV) realizou uma semana inteira dedicada à saúde mental, com um plantão psicológico para atendimento gratuito da população no ambulatório da instituição em São Paulo. “Realizamos esta ação para orientar, sensibilizar e direcionar os participantes para o cuidado com a saúde mental, fazendo psicoeducação referente às doenças mentais”, explica a psicóloga Maricélia Brito de Lima, coordenadora do serviço de Psicologia do HSV.

Segundo Maricélia, na maioria dos atendimentos foram relatados sintomas de ansiedade, depressão, alto nível de estresse negativo e questões existenciais. “Na Região Metropolitana de São Paulo, há 29,6% de pessoas com transtornos mentais – sendo 10% distúrbios graves –, conforme revelou o estudo São Paulo Megacity Mental Health Survey”, diz a psicóloga. Os transtornos de ansiedade foram os mais comuns, afetando 19,9% dos entrevistados. Em seguida, aparecem transtornos de comportamento (11%), de controle de impulso (4,3%) e abuso de substâncias (3,6%).

“A hora de procurar ajuda profissional é quando os sintomas estão prejudicando a funcionalidade saudável das pessoas. Entretanto, o olhar para o cuidado com a saúde mental necessita vir desde o início da vida, cuidando das crianças para se tornarem adultos mais saudáveis”, afirma Maricélia.

Programa exclusivo de saúde mental
Em atenção à saúde mental dos profissionais que trabalham em ambiente hospitalar, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, lançou durante o Janeiro Branco um serviço permanente de atendimento exclusivo de transtornos mentais voltado para colaboradores e seus familiares.

Segundo o gerente médico do programa de Saúde Integral do hospital, Leonardo Piovesan, o objetivo é mapear as áreas com maior acometimento de doenças, criar um plano individual para cada colaborador ou familiar e trabalhar a gestão de estresse, comunicação e resiliência para líderes de cada setor do hospital. “Partimos da mesma premissa do programa de saúde do colaborador, de que quem é bem cuidado cuida melhor. Por isso, também vamos atuar com iniciativas de acolhimento e prevenção”, comenta Piovesan.

Para derrubar tabus sobre o tema e fazer a informação circular, os colaboradores podem acessar na intranet e também receber por e-mail ou celular conteúdos que falam dos sintomas e das consequências do adoecimento emocional.

A cada seis meses, os profissionais também respondem a um questionário digital, validado cientificamente pela OMS, e que auxilia na compreensão das doenças. O resultado da pesquisa dá acesso ao diagnóstico da saúde mental do indivíduo e propõe o encaminhamento para o tratamento, caso necessário.

O Centro Avançado em Terapia de Suporte e Medicina Integrativa do hospital pode indicar ainda práticas como acupuntura, aromaterapia, cromoterapia e meditação focadas em saúde mental como parte do tratamento.

Uma equipe formada por psicólogos, psiquiatras e médicos de família realiza os atendimentos e, na análise dos casos, recebe consultoria da empresa Gattaz Health & Results – liderada por Wagner Gattaz, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Gattaz afirma que doenças mentais são a segunda principal causa de afastamento em ambientes hospitalares. Em primeiro, estão as doenças osteomusculares, porém parte das queixas de dores podem estar relacionadas a questões de fundo psicológico.

Startup de saúde utiliza telemedicina no monitoramento inteligente de recém-nascidos

Finalista do Startups Anahp, concurso da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a PBSF – Protegendo Cérebros, Salvando Futuros apresentou na edição 2019 do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) o conceito de UTI neonatal neurológica. Trata-se de um sistema que faz uso da telemedicina e do telediagnóstico para o monitoramento cerebral, 24 horas por dia, de bebês considerados em situação de risco com o objetivo de reduzir sequelas neurológicas.

Os bebês são monitorados e avaliados em tempo real. Entre os exemplos de casos que contam com o suporte da PBSF estão prematuros extremos, recém-nascidos com crises convulsivas, hemorragia intracraniana ou cardiopatias congênitas.

A empresa possui uma central de monitoramento com uma equipe de profissionais especializados sempre disponível para atendimento. O médico à beira do leito pode contar com essa assistência remota para discutir, a qualquer momento, protocolos aplicados aos pacientes. Atualmente, 20 hospitais no Brasil contam com o sistema, entre eles a Maternidade Santa Joana, o Pro Matre Paulista, Sepaco, Grupo Perinatal e o Hospital Santa Luzia, da Rede D’Or.

O cofundador da PBSF, Alexandre Netto, conversou com o blog Saúde da Saúde e explicou como é a atuação da empresa nos hospitais e de que forma as tecnologias podem melhorar a experiência e o atendimento dos pacientes no futuro.

Como funciona o trabalho da PBSF apresentado no Conahp 2019?
Alexandre Netto: A PBSF é uma empresa formada por um grupo de especialistas que visa difundir, facilitar e aplicar metodologias capazes de prover diagnóstico precoce e neuroproteção a pacientes de alto risco através do conceito de UTI neonatal neurológica, apoiado em telemedicina e telediagnóstico.
Atuamos desde julho de 2016, e o racional do nosso serviço é que muitas são as patologias no período neonatal e pediátrico que estão associadas ao alto risco de desenvolvimento de sequelas neurológicas. Além disso, recém-nascidos, em 80% das vezes, podem ter crises convulsivas totalmente assintomática, ficando impossível o diagnóstico e o tratamento sem a monitorização.
Estudos sugerem que uma criança com deficiência neurológica grave pode ter incremento do custo direto em saúde até 150 vezes maior, quando comparado a crianças sem deficiência. É para diminuir esse número que a telemedicina e o telediagnóstico facilitam a implantação de assistência altamente especializada de forma rápida, segura e eficaz.

Que tipo de tecnologia a PBSF utiliza em sua atuação nos hospitais?
Alexandre Netto: A tecnologia usada é o monitoramento remoto – 365 dias por ano, 24 horas por dia – de eletroencefalografia de amplitude integrada, espectroscopia infravermelho próximo e hipotermia terapêutica.
Além disso, oferecemos ensinamentos e treinamentos iniciais e longitudinais para cada centro associado, dando homogeneidade ao tratamento e padronização através de protocolos mundialmente validados. O mais interessante é que o centro associado não tem gastos com equipamentos, pois todos são disponibilizados em forma de comodato.

Quais resultados o sistema da PBSF já apresentou?
Alexandre Netto: Já apresentamos nossos resultados em diversos congressos nacionais e internacionais de Neonatologia e Pediatria, assim como em eventos de tecnologia. Até janeiro de 2020, realizamos mais de 159 mil horas de monitorização de mais de 2,4 mil crianças. Também fomos vencedores de prêmios de inovação e de gestão de tecnologia.

Qual sua avaliação sobre os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Alexandre Netto: A tecnologia veio para apoiar, facilitar e, acima de tudo, massificar o conhecimento. Na área de saúde não pode ser diferente. No Brasil, que tem o quinto maior território mundial e é o quinto mais populoso, a tecnologia é a única forma de termos tratamentos semelhantes, de alto padrão e com especialistas, por todo o país.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Alexandre Netto: A essência do hospital e, principalmente, da medicina não pode jamais ser substituída pela tecnologia. Imagino que a tecnologia vem para melhorar diagnósticos, otimizar e precisar tratamentos. Mas vem também para dar mais conforto e acolhimento a todos os pacientes. Vejo o hospital do futuro como um ambiente altamente tecnológico, mas principalmente mais humano.

Janeiro Branco: como a vida moderna afeta nossa saúde mental

Os casos de depressão, estresse e ansiedade têm crescido no mesmo ritmo intenso que as mudanças ocorrem na sociedade moderna. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão – que deve ser a doença mais incapacitante de 2020. Quando se fala de ansiedade, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking, com 9,3% da população (mais de 18 milhões de pessoas) convivendo com o transtorno.

Esses números colocam a saúde mental no foco dos cuidados com os pacientes, que buscam o equilíbrio em uma rotina cada vez mais extenuante e exigente. O Janeiro Branco é uma campanha que pretende chamar atenção para o adoecimento emocional da população e para a importância de políticas voltadas para a saúde mental.

Os fatores que influenciam negativamente na saúde mental costumam estar relacionados às pressões sociais, pessoais e profissionais, à falta de tempo para cuidar de si e de um espaço para falar sobre os problemas.

Um caminho para evitar a ansiedade e a depressão é ter na rotina um momento reservado para atividades que considera prazerosas, tentar minimizar o estresse contínuo e equilibrar as emoções, além de cultivar relações que fazem bem. Também é fundamental praticar exercícios físicos, se alimentar adequadamente e ter um sono adequado.

Notar que não está conseguindo lidar com situações do dia a dia sozinho e de forma saudável pode ser um sinal para procurar orientação de um psicólogo. Todos podemos ter nossa saúde mental afetada, em maior ou menor grau, por acontecimentos como a perda de um ente querido, um divórcio ou desemprego. Também pode ocorrer em fases de mudança na vida, como a entrada na escola, em um emprego novo, na adolescência ou no envelhecimento.

O Hospital Tacchini, no Sul do país, participa de uma programação de Janeiro Branco, em parceria com as secretarias municipais de Saúde de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, que promoverá rodas de conversa e orientação com profissionais, além de palestras.

Em São Paulo, o Hospital São Camilo realiza ações internas e externas de conscientização sobre os cuidados com a saúde mental. As fachadas das unidades do hospital estão iluminadas com a cor da campanha Janeiro Branco. Ao longo do mês estão sendo realizadas palestras com os colaboradores e a divulgação de informações sobre o tema nas redes sociais e canais internos da instituição.

Como os hospitais garantem a segurança da medicação dos pacientes

O sucesso do tratamento de um paciente no hospital passa pela garantia de que os medicamentos que ele recebe são seguros e eficazes. Formas de rastrear os remédios desde o fabricante até o consumidor final são constantemente debatidas no setor de saúde, e os hospitais têm se movimentado para avançar nessa área e difundir uma cultura de qualidade e segurança.

Padrões e normas seguidas pelos fabricantes na produção dos medicamentos são o primeiro passo para uma cadeia segura de fornecimento. Cada embalagem deve conter, por exemplo, o Identificador Único de Medicamento (IUM), que funciona como o “RG” do produto. Ele agrega informações como número do lote, data de validade e código de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Já dentro dos hospitais, os medicamentos começam a ser rastreados a partir do momento que chegam – e todas as unidades dos lotes são contabilizadas. “É importante localizar a distribuição de cada unidade de cada lote em sua menor quantidade de consumo. Os hospitais devem saber todos os lotes que entram na instituição”, explicou Nilson Malta, gerente de Automação Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein. Ele foi um dos especialistas que participou do workshop sobre rastreabilidade de medicamentos promovido pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em São Paulo.

A legislação prevê que sejam comunicadas à Anvisa todas as etapas relacionadas ao processo de movimentação dos produtos: desde a produção pelo fabricante, passando pelo transporte e distribuição até a chegada ao hospital ou farmácia e ao consumo feito por parte do paciente – quando realizado no hospital. 

Um dos pontos destacado por Malta para garantir a veracidade dos produtos é verificar se não há irregularidades com a empresa que transporta os medicamentos. “Outra grande preocupação é fazer com que os softwares estejam interligados e aptos a comunicar corretamente os eventos que precisam ser reportados de acordo com a lei”, explicou. 

A Anvisa e a Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo uma plataforma voltada para os hospitais que deve estabelecer conexão direta com o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM). Por meio dele, será possível comunicar qualquer ocorrência com o produto desde o fabricante até o deslacre e consumo pelo paciente no hospital. 

“O mercado de medicamentos falsos já movimentou R$ 30 bilhões e é importante o uso de uma ferramenta para o consumidor verificar se o medicamento consumido no hospital é de qualidade”, afirmou o pesquisador da Poli-USP, Vidal Zapparoli. O protótipo terá uma interface web para cadastro de apresentação de medicamentos, visualização dos dados imputados, além do cadastro de membros que utilizarão a plataforma.

Leia a cobertura completa do workshop da Anahp sobre rastreabilidade de medicamentos na edição nº 72 da revista Panorama. Clique aqui para baixar gratuitamente.

Reconhecimento facial: tecnologia em favor da segurança da informação e do paciente

O mecanismo de reconhecimento facial, que há pouco parecia algo de ficção científica, já faz parte da rotina de alguns hospitais, usada no controle de acessos e na segurança de dados. Em constante evolução, essa ferramenta agora caminha para, no futuro, poder ajudar a salvar vidas.

Em entrevista à Panorama, revista da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o diretor de inovação e tecnologia da Gocil Segurança e Serviços, Luis Fernando de Campos, explicou que o reconhecimento facial é um meio eficaz para validação de acessos nos hospitais, substituindo sistemas de autenticação com usuário e senha.

Ele pode ser usado em acesso ao celular, aplicativos, computadores pessoais e até na abertura de portas. “Na área da saúde, o reconhecimento facial tem apoiado no controle de acesso a áreas restritas sem a utilização das mãos, evitando possíveis contaminações através do toque”, explica Campos.

Evolução

“O futuro desta tecnologia em hospitais poderá salvar muitas vidas quando pulverizada em diversas outras áreas”, diz Campos. Segundo ele, em conjunto com a inteligência artificial, o reconhecimento facial pode ler expressões e ajudar na interpretação de sentimentos e reações – como a dor de um paciente que esteja com dificuldades de acionar o chamado de emergência no leito de internação.

Campos explica que o reconhecimento facial consiste em algoritmos matemáticos. A imagem capturada é tratada como uma matriz de pixels. Os softwares, por meio destes algoritmos, criam cálculos matemáticos com base nos pixels interpretados como dados e pontos capturados na imagem. 

“A partir destes cálculos é possível fazer uma comparação com alguma base de imagens previamente criada para determinar a semelhança e confirmar a identidade da face capturada”, diz.

Para ter esse sistema, é necessário uma rede de computadores e câmeras com capacidade de capturar as imagens de boa definição e processá-las em um tempo aceitável. “Não é possível que um médico, por exemplo, leve quase um minuto para ser identificado ao tentar acessar uma UTI”, afirma Campos. Outra questão relevante e que ainda está sendo discutida é uma regulamentação específica sobre esta tecnologia no que diz respeito à privacidade de dados.

Veja os detalhes na entrevista completa na revista Panorama (edição nº 72), que pode ser baixada gratuitamente aqui.

Como a LGPD influenciará na segurança de dados do paciente

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz uma série de medidas para garantir a segurança das informações no setor de saúde. Os hospitais têm até agosto de 2020 para adequarem seus sistemas e processos internos à nova legislação.

Pela natureza das informações, as instituições de saúde já atuam com cuidado e têm contratos de confidencialidade, por exemplo, para manter o sigilo de dados sensíveis dos pacientes. Uma das mudanças que a nova lei impõe é que apenas as áreas que realmente precisam de acesso à totalidade dos dados dos pacientes possam acessá-los, com a obrigação de relatar formalmente o uso que fizeram das informações.

Para orientar os hospitais nessas adequações, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) elaborou uma manual com recomendações sobre a LGPD. O conteúdo foi lançado no último Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) e pode ser baixado de forma gratuita aqui: https://bit.ly/2OSSExA 

“A ideia da cartilha surge a partir da necessidade de se chamar atenção para um assunto tão relevante no nosso setor, buscando despertar a consciência de cada instituição para o tema e ao mesmo tempo organizar conceitos e fortalecer a discussão”, afirma a diretora jurídica do Hospital Israelita Albert Einstein, Rogéria Leoni, responsável pela coordenação do manual.

O sistema de saúde, que já é extremamente regulado, terá ainda mais segurança, por exemplo, na troca de dados sensíveis entre os atores do setor de saúde – operadoras de planos, hospitais, clínicas e laboratórios. Ela só será permitida sem precisar do consentimento do paciente se for necessária para a prestação de serviços de saúde e de assistência farmacêutica ou à saúde, incluídos o diagnóstico e a terapia, em benefício dos interesses do titular dos dados. 

A nova lei ainda dá ao paciente maior controle sobre as suas informações. Ele poderá saber quais dados seus constam nos sistemas e para qual finalidade, além de poder solicitar a correção ou a exclusão de alguma informação.

Os profissionais do corpo clínico e assistencial dos hospitais não poderão, por exemplo, salvar informações em meios que não são controlados pela instituição nem compartilhar dados confidenciais em aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mails pessoais.

A LGPD não se restringe à saúde e também regulamenta o armazenamento e uso de dados sobre consumo e hábitos em outros setores. Seu objetivo é acabar com o mercado de informações pessoais coletados inicialmente para outros fins e outras empresas.