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Ortopedia sob medida melhora qualidade de vida de pacientes da AACD

Referência em qualidade no tratamento especializado em ortopedia de alta complexidade há quase sete décadas, a AACD oferece uma linha de cuidado completa, incluindo uma Oficina Ortopédica responsável pela produção própria das órteses, próteses, entre outras peças

Foi em 1950 que começou a história da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) com o tratamento de pacientes com deficiência física, em especial as crianças com sequelas de poliomielite. Mas logo a AACD percebeu que não eram apenas as crianças que necessitavam de tratamento, mas também adultos e idosos que possuíam alguma deficiência congênita ou adquirida por meio de acidentes ou enfermidades. “Hoje, 50% dos nossos atendimentos são voltados para as crianças e 50% para adultos. Existia essa demanda, então a associação se adaptou para seguir esse caminho”, conta Valdesir Galvan, CEO da instituição.

Ao longo desses anos, a AACD foi ampliando o seu escopo de atuação e definiu sua especialização em oito linhas de cuidado: paralisia cerebral, lesão encefálica adquirida, amputação, mielomeningocele, má formação congênita, distrofia muscular, lesão medular e poliomielite. Tais patologias possuem uma demanda por intervenções da área de ortopedia, reparações com cirurgia, amputações, correções de deformidades e até mesmo escoliose.

“Muitos casos evoluem para uma necessidade cirúrgica para poder dar sequência na reabilitação, por isso surgiu a ideia e estratégia de se criar uma estrutura hospitalar”, relata Galvan, contando sobre a criação do Hospital Ortopédico AACD, há 26 anos em São Paulo. Com 125 leitos, incluindo os setores de internação e a UTI, o hospital – bem como o Centro de Reabilitação da associação – possui a certificação canadense QMentum, que orienta e monitora padrões de alta performance em atendimento.

“Temos o atendimento pré-hospitalar pelo ambulatório, centro médico e centro de terapia; o tratamento no hospital para cirurgia ou até internação; a reabilitação intra-hospitalar; o pós-cirúrgico e ainda vamos além com a Oficina Ortopédica, que supre a demanda por uma prótese ou uma órtese derivada de um ato cirúrgico. Assim toda a linha de cuidado está compreendida na AACD e são poucos os lugares que podem oferecer isso”, detalha o superintendente de Operações, Emanuel Toscano.

Foi a partir do atendimento a diversos pacientes que precisavam de meios auxiliares de locomoção – por exemplo, muleta, órtese, prótese ou cadeira de rodas – que surgiu a necessidade, ainda no início da associação, de ter uma Oficina Ortopédica que pudesse produzir ou adaptar essas e outras peças para a deficiência de cada um, dando mais conforto e anos de vida aos pacientes. Hoje, ao todo, a instituição possui seis oficinas nos estados de São Paulo (unidades Ibirapuera e Osasco), Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. 

“Ter essa interação e proximidade da oficina com o hospital, tendo a equipe multidisciplinar no mesmo lugar, é a grande vantagem. No caso de prescrições mais complexas, como as malformações, nós chamamos um técnico para conversar e ver o melhor a ser feito”, afirma Ciro Pavarina, coordenador da Oficina Ortopédica da AACD, na unidade Central, Ibirapuera. Há mais de 30 anos na instituição, Pavarina orgulha-se de participar desse trabalho. “O que motiva as pessoas a virem trabalhar aqui não é apenas o salário, é um outro tipo de pagamento. É poder fazer uma perna, um braço, uma órtese para colocar no paciente e ver como resultado a gratidão dele com o trabalho executado.” 

Com cerca de 80 funcionários, a oficina da unidade Ibirapuera desenvolve, entre próteses e órteses, de 1.500 a 1.800 peças por mês. Também são produzidas as mais variadas adaptações, como no caso das cadeiras de rodas para que haja uma adequação postural, de acordo com a deficiência e tamanho de cada paciente. “Fazemos até mesmo próteses de membros superiores em alta tecnologia com mãos biônicas. Muitas vezes as pessoas pensam que a AACD só trabalha com o público infantil ou com produtos simples, mas na verdade trabalhamos com alta tecnologia”, revela o coordenador. Ele acrescenta que é utilizada uma enormidade de matérias-primas – como couro, madeira, fibra de carbono, titânio, aço, resina e gesso – para variadas funções na peça, além de ser possível fazer customizações com o nome da pessoa, time de futebol, super-herói, desenhos e cores específicas.

À frente da área de desenvolvimento de produtos e novas técnicas, Pavarina está sempre acompanhando o avanço tecnológico para implantar na oficina. “Somos pioneiros e hoje dominamos a fabricação com tecnologia 3D para escaneamento no país. Com a captura de imagens digital, conseguimos diminuir a subjetividade e ter mais acuracidade nas confecções das órteses e próteses, que era impactante para nós”, explica. Outro benefício da tecnologia é a possibilidade de documentar e comparar índices de evolução daquele paciente, além do ganho na velocidade de alguns processos. O coordenador conta ainda que a AACD está também caminhando para a confecção de peças com impressora 3D. 

Mesmo com a mais alta tecnologia, a mão de obra humana é fundamental para a produção das peças. “O técnico que tirou o molde tem que ter conhecimento em anatomia e biomecânica para poder construir essa peça. Depois de montado, tem o alinhamento estático do equipamento e a verificação da marcha dinâmica, em que o paciente vai ‘testar’ e vamos avaliar se está no lugar”, esclarece. De acordo com Pavarina, encontrar este profissional capacitado é um dos desafios da oficina. “Não tem nenhum curso regular no país para formar esse técnico, as pessoas se formam através de cursos de especialização. Nós costumamos formar esse profissional aqui dentro.” Outro grande desafio é em relação ao custo com aparelhos, materiais e fabricação, bem como o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS), que representa cerca de 90% do atendimento pelas oficinas.

Confira a reportagem completa sobre a ortopedia sob medida na AACD publicada na revista Panorama: https://ondemand.anahp.com.br/curso/panorama-edicao-72

Hospitais colocam o paciente no centro do cuidado para uma melhor experiência

Em constante busca por informações sobre especialistas e serviços médicos, os usuários dos serviços de saúde estão mais exigentes e buscam uma experiência melhor e com mais facilidades. Para se adaptar a esse novo cenário, as organizações de saúde têm buscado se transformar, e para isso se faz necessária uma mudança cultural na maneira como é concebida a prestação do atendimento. 

Antes focado na própria instituição, o atendimento agora passa a colocar o paciente e sua família no centro do cuidado. Proporcionar a melhor experiência para o paciente também tem relação com a busca por uma melhor performance em indicadores de qualidade – levando em conta a melhora clínica, o impacto na segurança, a diminuição na readmissão hospitalar e melhores medidas de desfecho. 

“Hoje os pacientes não apenas esperam ótimos resultados clínicos. Eles esperam um acesso excepcional, conveniente para seus horários, um serviço excelente, cuidados compassivos e participação na tomada de decisões sobre seu plano de cuidados – tudo isso ao melhor preço possível”, pontua Anthony Warmuth, diretor-executivo de Qualidade e Segurança da Cleveland Clinic, centro médico acadêmico norte-americano pioneiro em tornar a experiência do paciente um objetivo estratégico, sendo uma das primeiras organizações a nomear um diretor de Experiência e a estabelecer um escritório específico para a área. 

A Cleveland Clinic tem profissionais que atuam como recurso consultivo para iniciativas em todo o sistema de saúde do centro médico, fornecendo recursos e análise de dados; identificando, apoiando e publicando as melhores práticas sustentáveis; e colaborando para garantir a entrega consistente de atendimento centrado no paciente. O escritório de experiência do paciente da instituição tem identificado as melhores práticas com o apoio de funcionários dedicados que atuam como especialistas em cada domínio da Avaliação de Consumidores Hospitalares de Fornecedores e Sistemas de Saúde (HCAHPS) – pesquisa criada nos Estados Unidos no início dos anos 2000 para medir a qualidade dos serviços prestados e a satisfação de pacientes dos hospitais do país que atendem aos seguros públicos de saúde. 

Com base na HCAHPS, a equipe da Cleveland monitora as tendências nacionais e locais da pesquisa para identificar como os hospitais com melhor desempenho mantêm o sucesso. “Compartilhar as práticas recomendadas dentro e fora da organização é extremamente útil para gerar impulso para melhorias”, acrescenta Warmuth. 

Para mostrar na prática o resultado que os esforços de melhoria da experiência do paciente podem gerar, a You Care, empresa de marketing estratégico especializada no setor da saúde privada, promove a Cleveland Experience, imersão de sete dias que já teve duas edições e reúne participantes de todo o setor: representantes de hospitais, laboratórios e clínicas, operadoras de planos de saúde e da indústria.

“Começamos em São Paulo, com a proposta de integrar o grupo e uniformizar o conhecimento sobre experiência através de um workshop, pois é importante que todos estejam na mesma página. Na sequência, vamos para Cleveland e lá participamos de um congresso sobre o tema, que conta com cerca de 2 mil participantes e mais de 70 aulas. Além do evento, passamos um dia exclusivo no centro médico para vivenciar a prática, por meio de visitas e conversas com os responsáveis”, conta Daniela Camarinha, sócia proprietária da You Care. Para encerrar a imersão, de volta na capital paulista, os participantes fazem uma visita técnica em alguma empresa nacional que implantou os processos e já está em um estágio mais avançado. 

Segundo Anthony Warmuth, diretor-executivo de Qualidade e Segurança da Cleveland Clinic que já visitou diversos hospitais ao redor do mundo, os desafios são basicamente os mesmos: manter os pacientes seguros e livres de infecções, fornecer atendimento eficiente e eficaz, atrair e reter o melhor colaborador e fazer tudo isso com o imperativo de redução de custos. “Embora esses temas e desafios estejam em toda parte na área da saúde, existem nuances locais que afetam a capacidade de resolvê-los. As diferenças culturais, de pagamento, estruturais e regulatórias impedem uma solução única para todos os problemas comuns. No entanto, o compromisso com os nossos pacientes e colaboradores, bem como as ferramentas fundamentais de melhoria de desempenho, são universais. Eles podem e devem estar no centro de nossos esforços de mudança, independentemente do país ou região”, esclarece Warmuth. 

A voz do paciente 

Para o executivo da Cleveland, a experiência do paciente é muito mais do que ser gentil. “Trata-se de nunca esquecer o porquê entramos na área da saúde e manter o paciente no centro das decisões que tomamos como cuidadores. Trata-se de conhecer nossos pacientes, suas necessidades e preferências. É sobre envolvê-los e capacitá-los como parceiros sob seus cuidados”, ressalta. Segundo ele, envolver pacientes e famílias em conselhos consultivos e, realmente, ouvir e agir com base em seus comentários é uma etapa fundamental. 

Algumas instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein já adotam esta prática. Lá, foi criado um Conselho Consultivo de Pacientes. “Quando o hospital planeja alguma mudança ou novo projeto, os gestores estão super preparados, mas ainda não têm a visão do paciente. Então o conselho é consultado para definir e levar algumas demandas, dando sugestões e críticas”, conta Marilena Araújo, participante desde 2014. A história dela com a instituição começou alguns anos antes, quando foi diagnosticada com um câncer de ovário em estágio avançado. Desde então, foram muitas idas e vindas até que, ao final do tratamento, um pensamento não saía de sua cabeça: “o que fazer com o conhecimento que adquiri durante este tempo no hospital”. 

Assim, Marilena foi pesquisando e se envolvendo cada vez mais com o tema, tendo participado inclusive de reuniões em Nova Iorque onde assistiu palestras, conheceu modelos de outros hospitais e fez até um treinamento na área. Hoje, ela dá palestras sobre o tema. Quando voltou para o Brasil, levou todo o material que havia reunido ao Einstein e assim foi convidada a participar do Conselho Consultivo, que faz parte da filosofia Planetree – certificação que reconhece as instituições que possuem a filosofia do cuidado centrado na pessoa. No país, desde 2012 o Escritório Planetree Brasil, com sede no Einstein, é responsável por disseminar e treinar as instituições de saúde nos países de língua portuguesa interessadas em obter a certificação. 

O Conselho Consultivo do Einstein conta com um coordenador, que participa de todas as reuniões ao lado de representantes do corpo clínico do setor que estiver em pauta, além dos próprios pacientes. “Em cada encontro, nós já definimos o planejamento para as reuniões seguintes. É legal ver as mudanças acontecendo, tudo o que levamos de demanda nós temos devolutiva e, muitas vezes, o pessoal do setor envolvido participa para apresentar as propostas para assinarmos. Depois acompanhamos o desenvolvimento do projeto de acordo com o seu funcionamento”, esclarece Marilena. 

Confira a reportagem completa sobre o paciente no centro do cuidado publicada na revista Panorama: https://ondemand.anahp.com.br/curso/panorama-edicao-72

Como funciona o banco de sangue de um grande hospital

Em 25 de novembro foi celebrado o Dia do Doador Voluntário de Sangue. A data marca o período de campanhas que antecedem uma época de baixa nas doações de sangue, com as férias e as festas de fim de ano. 

Para explicar melhor sobre essa sazonalidade e também como funciona o banco de sangue de um grande hospital, o blog conversou com André Larrubia,  gerente de banco de sangue da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Por mês, o banco realiza em média 1,2 mil a 1,4 mil coletas e 1,9 mil a 2 mil transfusões nas três unidades que atende. 

Como funciona o banco de sangue da BP? 

André Larrubia: Hoje, em São Paulo, só os grandes hospitais na rede privada que têm um banco de sangue próprio. O nosso atende exclusivamente aos pacientes da BP nos três hospitais: BP Paulista, BP Mirante e BP Filantrópico. Não fornecemos para outros hospitais e também não recebemos sangue de outros hospitais. Nossa demanda é toda interna. 

Quantas pessoas trabalham no banco? 

André Larrubia: Temos aproximadamente 100 pessoas entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, biomédicos, biólogos, farmacêuticos, médicos e os administrativos. Aqui a gente faz toda a captação e coleta e depois distribui para as três unidades. Dentro de cada hospital temos uma agência transfusional, que tem mais funcionários, de diferentes áreas, para fazer todo esse abastecimento para as transfusões.

E como é o fluxo do banco de sangue para as agências transfusionais? 

André Larrubia: A gente chama de ciclo do sangue. No banco, recebemos os doadores e fazemos as coletas. A próxima etapa chamamos de produção, que é todo o fracionamento do sangue. Cada bolsa que a gente colhe, fracionamos em hemocomponentes diferentes: o concentrado de hemácias, o concentrado de plaquetas, o plasma e o crioprecipitado. Uma vez que temos tudo isso produzido e separado dentro de sua bolsa específica, a gente aguarda o processo de liberação dos exames que são feitos em cada bolsa – não só a tipagem sanguínea como toda a sorologia: HIV, hepatite C, hepatite B, sífilis e etc. Na hora em que tudo isso está pronto para o uso, transportamos para as agências transfusionais, com as quantidades específicas para cada hospital. 

Cada agência tem seu estoque, que vai abastecer os pedidos dos pacientes de cada hospital. Então, a agência transfusional de um hospital é aquele setor onde trabalhamos 24 horas por dia atendendo aos pedidos de transfusão que chegam. 

Há uma sazonalidade nas doações? 

André Larrubia: Com certeza. Na BP, temos aproximadamente 1,2 mil a 1,4 mil doações por mês e fazemos entre 1,9 mil e 2 mil transfusões por mês. Para cada doação, até quatro pacientes podem ser atendidos. Pensando em Brasil, temos mais ou menos 3,4 milhões de doações e 2,8 milhões de transfusões por ano. 

Mas é muito cíclico. Há períodos bem específicos nos quais cai muito o número de doações. No inverno, principalmente final de julho e metade de agosto, que são meses mais frios aqui em São Paulo. Também no período de férias e festas, que começa pelo dia 10, 15 de dezembro e, dependendo do ano, vai até o carnaval. Nesse período as doações caem aproximadamente 20%. 

E o que o banco faz para compensar essa baixa? 

André Larrubia: Fazemos campanhas com os doadores que temos no nosso cadastro. Como já sabemos a sazonalidade, começamos com um pouco de antecedência a intensificar a campanha de doação. Chamamos os doadores fidelizados, com os exames negativos e que sabemos que voltam com frequência, e fazemos a campanha para que eles venham doar. 

E qual é o estoque mínimo para um banco de sangue? 

André Larrubia: O estoque mínimo é um cálculo que é feito baseado em tudo o que foi transfundido no período de 6 meses para saber quanto precisa ter de cada hemocomponente de cada grupo sanguíneo. Então, é um cálculo variável. Cada agência transfusional tem o seu estoque mínimo para que nenhum paciente deixe de ser atendido.

Quantos doadores voluntários a BP tem hoje? 

André Larrubia: Temos dois tipos de voluntários: o chamado doador de repetição, que é aquele melhor doador possível. Ele vem mais de duas vezes por ano e tem exames negativos. Há ainda os doadores esporádicos, ou de primeira vez, que o resultado dos exames é sempre uma incerteza. Pensando na segurança do paciente que vai receber, o ideal é que a gente tenha um número cada vez maior de doadores de repetição. Na BP, do total que fazemos de doações, temos aproximadamente 50% de doadores de repetição – de um banco de dados com cerca de 4 mil pessoas. 

Na BP, qual o perfil do paciente geralmente atendido pelo banco? 

André Larrubia: Pacientes oncológicos, que fizeram transplante de medula óssea ou de fígado e que passaram por cirurgias cardíacas. 

Quem quer ser um doador o que deve fazer? 

André Larrubia: Pode ser um doador qualquer pessoa em boa situação de saúde, de 16 a 69 anos de idade e acima de 50 kg. Pela segurança dos pacientes que vão receber as transfusões, há outros requisitos que são avaliados em um questionário bem extenso que é aplicado a todos os voluntários todas as vezes que vão doar. 

Central de Telemedicina do HCor completa 10 anos com 1 milhão de laudos emitidos à distância

A Central de Telemedicina do Hospital do Coração – HCor completou uma década neste ano alcançando a marca de 1 milhão de laudos de eletrocardiogramas emitidos à distância. Uma parceria do hospital com o Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o projeto auxilia no atendimento pré-hospitalar do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e de Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) de todo o país.

Criado com o objetivo de melhorar a qualidade dos exames cardiológicos realizados nas unidades públicas de saúde, o serviço dá agilidade ao atendimento e ajuda na condução de casos complexos com diagnósticos precisos de cardiologistas do HCor. Atualmente, são emitidos cerca de 22 mil laudos por mês.

“Os primeiros minutos são fundamentais em casos de infarto e arritmias. Cerca de 50% das mortes por infarto acontecem nas primeiras 24 horas após o evento cardiovascular. Estamos fornecendo tecnologia de ponta e atendimento especializado para salvar vidas”, diz o cardiologista e coordenador da Telemedicina do HCor, Fábio Taniguchi.

Com um pequeno aparelho semelhante a um smartphone, chamado de Tele-Eletrocardiografia Digital, o exame de coração é transmitido para a Central de Telemedicina do HCor. As informações são analisadas por uma equipe de cardiologistas de plantão, e o laudo é emitido em até 10 minutos.

“A telemedicina permite o acesso a especialistas que não se encontram na região, com redução de deslocamentos desnecessários e oferta de exames complementares não disponibilizados. Programas de apoio ao cuidado clínico também são exemplos de ajuda aos pacientes”, afirma Taniguchi.

Nova fase

Neste ano, a Central de Telemedicina do HCor começou uma nova fase. Além dos laudos de eletrocardiogramas, a equipe de cardiologistas de plantão também entra em contato com as unidades de saúde para dar apoio ao atendimento médico. Este novo serviço faz toda diferença, principalmente, para aquelas unidades onde não há especialistas em cardiologia.

“Assim que emitimos o laudo do eletrocardiograma com supra de ST (sugestivo de infarto agudo do miocárdio) entramos em contato com a unidade de saúde para discussão do caso clínico e apoio à conduta baseada nas diretrizes e boas práticas em cardiologia. Estes pacientes vão contar com a orientação de cardiologistas do HCor, que irão auxiliar na melhor condução do caso clínico aprimorado pelas melhores evidências”, explica Taniguchi.

Também há o acompanhamento do trabalho realizado e do desfecho dos pacientes. “Essa ‘teleconsultoria’, apoiada na consolidação de uma rede de especialistas como uma junta médica, é uma possibilidade num futuro próximo. A chance de oferta de programas de apoio ao paciente, como na insuficiência cardíaca, já realizada em países da Europa, demonstra amplo espectro de ações possíveis na Telemedicina”, ressalta Taniguchi.

Novembro Azul: inovações são aliadas no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata

Tumor maligno com maior incidência entre os homens, estima-se que o câncer de próstata terá 65 mil novos casos em 2020. A longevidade e o acesso à informação têm mudado o comportamento dos homens, que estão mais preocupados com a prevenção. E a tecnologia se tornou uma forte aliada tanto no diagnóstico quanto no tratamento dos tumores.

O urologista do Hospital Vera Cruz, Sandro Faria, explica que as pesquisas estão avançando rapidamente na identificação dos genes associados ao tumor, e novos medicamentos estão surgindo para o tratamento da doença em estágio mais adiantado.

“Já no método cirúrgico, está em desenvolvimento uma ferramenta que realiza a fusão das imagens tumorais na ressonância de próstata com a imagem real durante a cirurgia robótica, o que aumenta ainda mais a precisão e eficiência oncológica”, diz Faria, que já realizou mais de 2 mil procedimentos com robô na carreira.

A cirurgia robótica é a forma de tratamento que tem dado melhores resultados funcionais para os pacientes, que temem sequelas como incontinência urinária e disfunção erétil.

Segundo o urologista, com o ganho tecnológico e a experiência do cirurgião, os pacientes que fazem esse tipo de procedimento têm apresentado recuperação e reabilitação mais rápidas. O Vera Cruz foi o primeiro hospital privado do país a instalar o Sistema Robótico Da Vinci em uma cidade que não é capital. As cirurgias iniciaram em dezembro de 2018 e, dos mais de 200 procedimentos realizados até o momento, 60% foram de próstata.

Para o futuro, Faria explica que estão em desenvolvimento painéis genéticos, que vão permitir um maior conhecimento da doença e de sua agressividade a ponto de identificar qual a melhor combinação de terapias para cada paciente.

Há ainda o ultrassom focal de alta intensidade (HIFU®), desenvolvido na França, que controla a doença com mínimos riscos de procedimento e funcionais. Porém, a indicação é restrita a um grupo específico de portadores.

Faria destaca que ir ao urologista com frequência facilita o diagnóstico precoce, mas não a prevenção. “A prevenção das doenças prostáticas acontece no dia a dia, praticando exercícios físicos regularmente, não ganhando peso e evitando gorduras saturadas. Uma alimentação balanceada é fundamental.” 

Segundo ele, a doença acomete principalmente homens a partir de 65 anos, obesos e sedentários, com história familiar de câncer de próstata ou de mama.

Inteligência artificial, machine learning e robotização de processos: a tríade que está revolucionando a saúde

A tecnologia está conduzindo uma revolução no cuidado e na experiência do paciente nos hospitais. A inteligência artificial, o machine learning (aprendizado de máquina) e a robotização de processos estão presentes desde a elaboração de escalas de trabalho até a análise de imagens que ajudam equipes médicas a traçarem diagnósticos mais precisos e de forma mais rápida.

Em entrevista ao blog Saúde da Saúde, o gerente de Tecnologia da Informação do Hospital Moinhos de Vento, Vitor Ferreira, explica as tecnologias que já estão em funcionamento na instituição e as apostas para o futuro. 

“Eu creio que vivemos um momento em que teremos um conjunto de avanços tecnológicos, envolvendo conectividade, capacidade analítica, Big Data e uma evolução em todos os tipos de dispositivos, que irão transformar muito rapidamente os processos de todas as áreas”, afirma.

Quais recursos de inteligência artificial já são usados no Moinhos de Vento? 

Vitor Ferreira: Inteligência artificial pressupõe uma tecnologia que seja capaz de emular o raciocínio humano. Temos um aplicativo para gestão de escalas de trabalho, com a empresa StarGrid, que atende à esta definição. Também utilizamos a inteligência artificial para o reconhecimento de imagens médicas, com uma startup inglesa, a Brainomix, cujo algoritmo permite o reconhecimento imediato dos padrões de AVC, sendo um excelente apoio para a tomada de decisão médica. 

Como funciona? 

Vitor Ferreira: O algoritmo entra em ação assim que a imagem é obtida e já retorna em poucos segundos um relatório de apoio indicando a porcentagem de células mortas na imagem. Algo que antes dependia de uma ação humana com um delay até de horas. Este tempo rápido de resposta auxilia muito na melhor conduta terapêutica. É um grande apoio para os médicos.

Em quais outras especialidades pretendem usar esse recurso futuramente?

Vitor Ferreira: Atualmente, estamos usando para neurologia, mas a ideia é expandir para outros modelos de diagnóstico por imagem, como cardiologia, tórax, etc. 

Na área de robotização de processo, o que já está em uso? 

Vitor Ferreira: Estamos neste momento fazendo uma prova de conceito com a empresa Overmind, onde toda a verificação de elegibilidade dos nossos pacientes da emergência é feito por robôs, com algoritmos programados para entrar no site das operadoras e verificar se o cliente está elegível para o atendimento. Isso é feito em segundos, o que agiliza o atendimento.

E como o machine learning está presente nos processos do hospital? 

Vitor Ferreira: Temos iniciativas com machine learning como a Memed, de prescrição médica, e o Zero Glosa. A Memed é um módulo de apoio ao médico no momento da prescrição, que oferece bulário, apoio técnico e interações medicamentosas em tempo real, deixando a prescrição mais segura. Também oferece serviços para o paciente, com um aplicativo onde o usuário pode verificar o preço do medicamento prescrito nas farmácias mais próximas.

O Zero Glosa é um sistema de apoio ao faturamento hospitalar, que agiliza os recursos de glosa. Glosa médica é o termo que se refere ao não pagamento, por parte dos planos de saúde, de valores referentes a atendimentos, medicamentos, materiais ou equipamentos que não estejam em acordo com as regras negociadas. Por exemplo, se o convênio estabelece que o paciente só pode usar duas fraldas por dia, e ele usa três, o convênio não irá pagar a terceira, ela será glosada.

O HMV tem alguma outra iniciativa em estudo para uso de tecnologias no atendimento de pacientes? 

Vitor Ferreira: Estamos sempre de olho em oportunidades com novas tecnologias, e temos um especial interesse com startups. Estas que lhe citei ou já estão operando ou estão em provas de conceito, mas temos vários alvos surgindo a cada dia. Estamos estruturando o Centro de Inovação do Hospital Moinhos de Vento, cuja principal atribuição será formular políticas e acordos de relacionamento com startups. 

Startups de quais áreas? 

Vitor Ferreira: Nós procuramos não fechar um escopo. Toda e qualquer tecnologia com potencial para agregar efetividade ao processo hospitalar será considerada. Tudo o que puder ser um apoio para nossos médicos, e com benefício real para os pacientes, será criteriosamente analisado e, quando pertinente, incorporado. Nascem novas propostas a cada dia, e sempre seremos receptivos às boas ideias. Hoje temos, como lhe citei, a questão dos algoritmos de interpretação de imagens médicas, como um foco de interesse. Também acompanhamos muito de perto as oportunidades oferecidas para robotização de processos e o desenvolvimento de dispositivos médicos inteligentes.

Quais são as tendências para o hospital do futuro? 

Vitor Ferreira: Eu creio que vivemos um momento em que teremos um conjunto de avanços tecnológicos, envolvendo conectividade (5G), capacidade analítica, Big Data e uma evolução em todos os tipos de dispositivos (internet das coisas ou IoTs), que irão transformar muito rapidamente os processos de todas as áreas. Creio que toda a polêmica, por exemplo, envolvendo a Telemedicina e o atendimento médico remoto, será superada muito em breve, estabelecendo novos paradigmas de tempo e atendimento. Não creio em tecnologias que venham para substituir os profissionais, mas sim que sirvam para empoderá-los a tomar melhores decisões. 

E quais áreas têm tecnologias mais avançadas para otimizar os processos?

Vitor Ferreira: Acho que em algumas áreas este avanço já é latente. Por exemplo, nas áreas de imagem, assim como nos balcões e estruturas de atendimento, cada vez mais apoiadas por dispositivos e assistentes virtuais. O usuário será cada vez mais intransigente com situações demoradas e que não agreguem valor ao desfecho. O usuário é inteligente, e sabe quando está perdendo tempo com processos burros. A saída para este dilema é a incorporação de tecnologias resolutivas e ágeis. Os grandes hospitais, normalmente muito burocráticos, terão que adaptar-se aos novos padrões de satisfação de uma era digital, onde todos enxergam no seu smartphone uma ferramenta de interação social, ou irão sucumbir para novos players que atuam em nichos cada vez mais específicos.

Participação do paciente no desfecho clínico contribui para melhorias no pós-alta

Durante as duas últimas semanas, quanto a doença tem me limitado a fazer o que mais gosto? Quanto o cansaço tem me incomodado? Quanto a doença afeta meu estilo de vida? Perguntas como essas possivelmente já passaram pela cabeça de pacientes que fizeram uma cirurgia do coração ou que tiveram um AVC, por exemplo. Explicar como se sente e refletir sobre isso faz bem à saúde, e com base nessa premissa os hospitais têm buscado com os pacientes informações que podem contribuir para acompanhar os desfechos clínicos e identificar oportunidades de melhoria da qualidade de vida no pós-alta. 

Essas informações são colhidas a partir de questionários padronizados e servem de base para o gerenciamento dos indicadores que integram o Programa de Desfechos Clínicos, desenvolvido pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) em 2016 e já implantado em 16 hospitais associados. O programa surgiu por meio de uma parceria com o ICHOM – International Consortium for Health Outcomes Measurement, entidade responsável por definir padrões globais de indicadores de resultados voltados para a percepção dos pacientes. Para cada condição de saúde há um grupo de perguntas e indicadores. Ao todo, quatro condições de saúde são monitoradas pelos hospitais participantes do programa da Anahp: Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), AVC, osteoartrite/osteoartrose de quadril e joelho, sepse.

O HCor foi um dos primeiros hospitais associados a implantar o programa, em julho de 2017. O hospital decidiu montar um setor específico para coletar as informações com os pacientes, analisar as respostas e, assim, monitorar os desfechos clínicos e propor melhorias. O nome escolhido foi Escritório de Valor, já que a metodologia do programa leva em conta o modelo de cuidados de saúde baseados em valor (termo internacionalmente conhecido como Value-Based Healthcare) para o paciente. 

“Acompanhar o desfecho clínico é captar justamente o que importa ao paciente, que às vezes não é só a melhora em um exame, mas a melhora da qualidade de vida, o retorno ao trabalho. É olhar a partir da visão dele” explica a cardiologista Sabrina Bernardez, coordenadora do Escritório de Valor do HCor. “Educar o paciente é algo extremamente importante em todo o processo para que ele tenha papel central e possa ser um conhecedor da própria doença e assim ajude a definir suas preferências e necessidades, o que é valor para ele, para que possamos entregar o que ele realmente deseja dentro das opções viáveis da medicina.” 

Os questionários são aplicados na maioria dos casos por telefone para os pacientes que querem participar. Atualmente, os desfechos clínicos de 15 condições de saúde são monitorados ou estão em fase de implementação no HCor, e a adesão dos pacientes abordados é de mais de 95%. Além das respostas aos questionários, são considerados para a análise outros índices computados pelo hospital – mortalidade e reinternação, por exemplo. 

Resposta dos pacientes

De acordo com Sabrina, o retorno dos pacientes tem sido muito positivo. “Foi uma grata surpresa. A gente até pensou que poderia haver resistência deles para responder, mas foi o contrário. Eles têm se sentido muito acolhidos com esse tipo de contato, inclusive os pacientes mais jovens”, afirma a médica. “O questionário é interessante para ele se conhecer melhor, conhecer a doença e particularidades que nem pensava ter. É um momento de refletir sobre a qualidade de vida, os sintomas, o quanto a doença afeta a condição de saúde, e talvez ajude até a melhorar a adesão ao tratamento pós-alta.”

No Hospital Vera Cruz, que aderiu ao programa em março de 2019, a enfermeira de desfechos clínicos Maísa Camargo já observa alguns avanços importantes decorrentes do monitoramento e da avaliação dos indicadores, tendo como premissa o melhor desfecho para o paciente. “Os resultados são bem positivos. Por meio desses dados já conseguimos fazer algumas melhorias dentro da linha de cuidados dos pacientes com insuficiência cardíaca. Otimizamos e tornamos mais eficaz o agendamento do retorno com o especialista”, exemplifica Maísa. 

Além de contribuir para melhorar a eficiência da assistência e a qualidade de vida, o programa tem contribuído para a melhoria da experiência do paciente no hospital. “Ele vê que estamos preocupados com ele, e a preocupação é sempre com o que vai gerar valor para ele, o que vai ser bom para ele, se retomou as atividades, se voltou ao trabalho, se a orientação foi boa e se ele conseguiu segui-la, se o tratamento foi eficiente”, explica Maísa. “O contato pós-alta é importante para enxergar o paciente fora do hospital e o quanto a assistência refletiu para melhorar a qualidade de vida dele após a alta.”

De acordo com Maísa, 96% dos pacientes do Vera Cruz concordam em responder às perguntas, e em geral não têm dificuldade com o questionário, apenas no caso de questões bem pessoais – como se sente em relação a conviver com a doença o resto da vida, por exemplo – ou perguntas mais subjetivas relacionadas aos sintomas. 

“As contribuições de um podem trazer melhorias para ele e para outros com a mesma doença”, afirma a enfermeira. O contato é feito após 3 dias da alta e também após 30 dias, 6 meses, 1 ano e 2 anos após a alta. Os principais achados são discutidos nas reuniões internas semanais, e há também reuniões mensais para discutir e avaliar os indicadores, os resultados e as possíveis melhorias. 

No caso do HCor, segundo Sabrina, os pacientes também não têm apresentado dificuldade em responder. “Pensamos que haveria dificuldade nas respostas sobre questões sexuais, por exemplo, mas não tem. São raros os que não respondem até o final. Algumas respostas nos remetem inclusive a sugestões de melhorias internas – estruturais, mas principalmente assistenciais”, relata a coordenadora. Os funcionários do Escritório de Valor responsáveis por fazer as perguntas foram treinados e se reúnem periodicamente com os especialistas das áreas para se aprofundar no tema. 

O programa também é uma oportunidade para os hospitais participantes compararem resultados, compartilharem experiências e aprenderem uns com os outros nas reuniões periódicas realizadas na Anahp, sempre pensando no que vai agregar valor para o paciente.

Você no hospital: como evitar infecções no ambiente hospitalar

O ambiente hospitalar pode ser propício a infecções se não forem observados alguns cuidados, que precisam da atenção de pacientes e familiares durante o período de internação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 7% e 10% dos pacientes internados são afetados por infecções hospitalares – principal causa de complicações durante a permanência no hospital.

Como sempre, o primeiro passo é respeitar as recomendações feitas pela equipe médica. Também é importante questionar diariamente se ainda é necessário o uso do cateter, pois eles podem ser uma fonte de infecção. Os cateteres ficam na veia do paciente e são usados para administrar medicação e coletar exames.

Alguns vírus, como o da gripe, podem ser transmitidos ao paciente por espirro ou tosse. Se uma visita ou familiar estiver com sintomas da doença, é importante usar máscara cirúrgica para proteger as pessoas do entorno. Outro cuidado importante é cobrir a boca e o nariz com um lenço ou com o antebraço quando for tossir ou espirrar. Não use as mãos. 

A higienização das mãos, inclusive, é a medida individual mais simples para prevenir infecções, e ao mesmo tempo uma das mais importantes, pois elas são a principal via de transmissão de microrganismos durante os cuidados com os pacientes. 

Para saber como higienizar as mãos corretamente, pergunte para a equipe do hospital. Pode-se usar água e sabão ou álcool em gel. Primeiro, limpe as palmas e depois o dorso, polegares, articulações e pontas dos dedos.

Nas seguintes situações, é fundamental fazer a higienização das mãos: 

  • Antes e depois de tocar no paciente para, por exemplo, ajudá-lo em algum movimento, dar um aperto de mão ou verificar a pressão arterial; 
  • Antes e depois de tocar alguma superfície ou objeto próximo ao paciente;
  • Antes de realizar algum procedimento asséptico, como fazer um curativo, mexer no cateter ou sonda; 
  • Após ficar exposto a fluidos corporais do paciente.

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e tenha mais informações. Ela está no Anahp On Demand: https://ondemand.anahp.com.br/curso/publicacao-cartilha-de-seguranca-do-paciente-volume-2

Equipe multidisciplinar apoia pacientes durante e após o tratamento do câncer de mama

Cuidar do corpo e das emoções contribui – e muito – para ter uma vida saudável. No caso de quem descobre um câncer de mama, esses cuidados ganham uma importância ainda maior para a superação da doença. Os hospitais têm buscado cada vez mais oferecer ao paciente uma jornada integrada de cuidados durante e também após o tratamento. Para isso, investem em equipes multiprofissionais e atividades diversificadas

De acordo com a médica Fabiana Makdissi, head de Mastologia e do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center, o tratamento não divide a paciente entre as múltiplas especialidades. Todos os protocolos são integrados e cada profissional sabe a etapa anterior ou posterior da jornada de cada paciente. “Esse é o grande diferencial. Pelo fato de termos esse olhar integrado, com protocolos estabelecidos e tendo o paciente como foco, oferecemos melhores resultados.”

Dentre os diversos profissionais da equipe multidisciplinar do hospital está a enfermeira navegadora, que acompanha toda a jornada da paciente e se torna uma referência importante para esclarecer dúvidas e acompanhá-la do início ao fim do tratamento.  

Um estudo feito pelo A.C.Camargo concluiu que as mulheres que recebem um cuidado multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Mama estão superando a doença em todos os estágios. Foram analisados os dados de 5095 mulheres tratadas na instituição entre 2000 e 2012. Entre as pacientes com metástases, a taxa de sobrevida  – cinco anos – saltou de 20,7% no ano 2000 para 40,8% ao final da pesquisa. No caso de tumores detectados precocemente, os índices chegam a 98,7%. Ao considerar a sobrevida global (média de todos os estágios), os números subiram de 83% para 90% no período estudado.

“A equipe multiprofissional é fundamental. O tratamento do câncer não é só o tratamento do câncer, é o tratamento da pessoa que está com câncer, e esse apoio multi é fundamental para cuidar de todas as demandas que o ser humano tem quando descobre o câncer, não só para o tratamento, mas também para restabelecer esse ser humano para as atividades que fazia antes da doença”, avalia a mastologista.

O A.C. Camargo organiza encontros para pacientes e familiares, oficinas de dança, culinária e automaquiagem, palestras e outras atividades que ocorrem durante e depois do tratamento e que contribuem para a troca de experiências, o bem-estar e a autoestima.

“O acompanhamento é tão próximo que quando termina o tratamento, muitos pacientes sentem falta e se sentem mais seguros vindo de vez em quando ao hospital”, comenta Fabiana. O A.C. Camargo tem um grupo que faz o acompanhamento de pacientes pós-quimioterapia e também oferece aconselhamento oncogenético para famílias de pacientes com câncer de mama relacionado a causas genéticas. “Cada um é acolhido de acordo com a sua necessidade”, garante.

Hospital aposta no lúdico para tornar a internação menos difícil para as crianças

Se ficar no hospital já é complicado para um adulto que consegue entender a necessidade de tratar uma doença, imagine para uma criança que gostaria apenas de estar brincando com os amigos e a família. Para que esse período seja menos angustiante, o Hospital Moinhos de Vento aposta em atividades lúdicas que ajudam os pacientes a passar pelo processo e a estabelecer uma relação de confiança com a equipe de cuidados.  

A coordenadora assistencial da Pediatria, Rosa Inês Rolim, afirma que uma das principais fontes de estresse e angústia das crianças que precisam ficar internadas é estar fora da rotina, longe da família – pois costumam ficar acompanhadas de apenas um familiar – e de tudo o que é delas: os brinquedos, o quarto, o animal de estimação e os amiguinhos do colégio. 

“Por isso realizamos muitas atividades que envolvam o brincar, que fazem com que eles se aproximem de outros pacientes e dos funcionários, fazendo novas amizades”, explica. Segundo Rosa, principalmente entre os pacientes da Pediatria na faixa de 5 e 6 anos, há uma ideia de castigo. Elas acham que ficaram doentes porque fizeram algo de errado. 

Outro aspecto é a limitação de espaço: ter que ficar em um quarto em contato com adultos que não conhece. Segundo Rosa, não é raro algumas crianças expressarem que não confiam na equipe médica. Para trabalhar estas duas questões, o hospital promove a Oficina de Brinquedo Coletivo e tem o grupo Canta e Encanta. 

Na primeira, a equipe de cuidados e os pacientes constroem brinquedos e brincam juntos. Ao conhecer outras crianças que estão em situação semelhante, os pequenos pacientes fazem novas amizades e deixam de achar que a doença é um castigo destinado só para eles. 

No Canta e Encanta, técnicos de enfermagem ensaiam uma música infantil que é sucesso entre os pacientes e apresentam dentro da Pediatria, chamando os pacientes para cantar e dançar nos corredores. Esse momentos são benéficos não somente para as crianças, conta Rosa. 

“Para os funcionários, as atividades junto com as crianças ajudam na relação de confiança e deixam a rotina mais leve também”. Ela conta que há afastamentos por depressão, porque o trabalho na Pediatria é pesado pelas questões emocionais que envolve: a convivência com o sofrimento da criança e também de toda a família. “Eles também pensam muito no filho que tem em casa, há uma contratransferência”, afirma. 

Na internação da Pediatria do Hospital Moinhos de Vento, há 42 funcionários e 47 leitos, com uma média de ocupação de 36. Na UTI, são 41 funcionários e 11 leitos, com uma média de ocupação de 10. 

Visita pet

A Pediatria do hospital também começou a promover, com a ajuda das famílias, visitas dos animais de estimação às crianças no hospital. E a medida tem se mostrado muito importante para reverter quadros depressivos de alguns pacientes. 

Rosa conta que uma das últimas experiências foi com um menino que estava na UTI. “Na internação era algo que já acontecia com frequência, e o desafio da equipe foi realizar uma visita pet na UTI. Há umas três semanas, fizemos uma com um menino com encefalite viral que estava depressivo e teve uma grande mudança de ânimo depois que recebeu a visita do cachorrinho”, conta. 

Rosa explica que são observadas uma série de regras e cuidados que as famílias ajudam a providenciar para permitir que o animal esteja com o paciente.

A Pediatria também ganhou recentemente uma nova decoração na emergência com a Turma do Moinho: três personagens crianças que levam o paciente para uma “viagem” no espaço enquanto são atendidos, e assim ficam mais calmos na hora dos procedimentos.