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Pesquisa aponta que mulheres deixaram de lado consulta de rotina no ginecologista em 2020

Com o objetivo de entender o nível de conhecimento das mulheres sobre o câncer de colo do útero e contribuir para diminuir a desinformação sobre a doença no Brasil, o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) aplicou o questionário online “O que as mulheres sabem sobre câncer de colo do útero e HPV?”. A pesquisa contou com a adesão de 548 mulheres a partir de 18 anos. Em meio ao impacto da pandemia de covid-19, apenas pouco mais da metade (55,7%) das entrevistadas passaram por ao menos uma consulta de rotina no ginecologista em 2020.

Dentre as que marcaram consulta, 58,4% foram pela saúde suplementar e 41,1% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação ao nível de instrução apresentado na amostra, 41,6% têm ensino superior completo (graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado). A principal ocupação foi profissional liberal (19,6%), porém 28,6% das participantes estão desempregadas. Majoritariamente, as mulheres entrevistadas são casadas (55,7%) e tem filhos (74,6%).

Na amostra, 12% responderam ter recebido o diagnóstico de um tipo de câncer, sendo os mais comuns o de mama e o de colo do útero. “A pesquisa fornece dados que suscitam temas para reflexão. Mesmo entre as mulheres, que são mais zelosas com a saúde, foi baixa a procura por consulta de rotina. A pandemia continua e é fundamental fortalecer o alerta sobre a importância de prevenir o câncer de colo do útero, uma doença que, com o exame de Papanicolau e a vacina contra HPV, é evitável”, destaca Andréa Gadêlha Guimarães, oncologista clínica do IUCR)e do A.C.Camargo Cancer Center.

Exame de Papanicolau
Entre as entrevistadas, 85,2% reconhecem o Papanicolau como sendo o principal exame para diagnóstico de câncer de colo do útero e 82% realizam o exame de rotina, com intervalo entre um e três anos. Entre os 18% que não realizam o exame rotineiramente ou nunca o fizeram, as principais causas apontadas foram ser um exame desconfortável e medo de sentir dor.

Ao serem questionadas sobre sinais e sintomas, 88% responderam corretamente que, no estágio inicial, o câncer de colo do útero não apresenta sintomas e que com o avanço da doença podem ocorrer: corrimento vaginal de cor escura; sangramento vaginal após a relação sexual; dor durante o sexo; sangramento vaginal anormal (após a menopausa ou entre períodos menstruais) etc. Além disso, 96% mostraram conhecimento ao afirmar que o câncer de colo do útero é uma doença que pode acometer mulheres de todas as idades e mais de 90% apontaram que o especialista mais indicado para tratar a doença é o oncologista ou ginecologista.

Entre os pontos de atenção, alerta Andréa Gadêlha, está o fato de uma entre quatro mulheres desconhecerem a infecção pelo HPV como principal causa de câncer de colo do útero. Na amostra, 23,4% apontaram outras causas (tabagismo, ter mais de 40 anos, obesidade, início precoce da vida sexual e prática sexual com muitos parceiros e sem camisinha). “Outra questão para a qual devemos estar atentos é que metade (50,1%) respondeu ‘falso’ ou ‘não sei’ para a afirmação que o câncer de colo do útero é um dos tipos mais fáceis de serem evitados”, observa a especialista.

Vacina sem gênero
A vacina contra o vírus HPV é indicada para meninos e meninas como estratégia para evitar o câncer de colo do útero, como também para prevenir câncer de pênis, ânus e orofaringe. No entanto, a maioria das entrevistadas (53,8%) responderam “falso” ou “não sei” para a afirmação de que o HPV está relacionado com câncer de pênis, ânus e orofaringe nos homens.

“É uma evidência do quão importante é falarmos com a população, cada vez mais, sobre a importância de se imunizar também os meninos”, ressalta Andréa Gadêlha. Entre os mitos, um que se destaca é o fato da maioria (57,7%) acreditar que o uso de preservativo durante a relação sexual protege totalmente contra o HPV quando, na verdade, embora a camisinha seja uma aliada importante para prevenir esta e outras infecções sexualmente transmissíveis, o vírus pode estar em áreas que camisinha não protege, como vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal. Por isso, é fundamental, para evitar o HPV, associar o uso de preservativo com a imunização pela vacina.

Fonte: edição do texto original do IUCR.

Como o novo ICMS paulista na saúde vai impactar a sua vida, não importa o estado onde você está

No final de 2020, o governo do estado de São Paulo contrariou um acordo histórico entre o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e todos os estados da federação para isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no setor da saúde no país inteiro. Com essa decisão, saltou de 0 para 18% a cobrança sobre remédios, tratamentos, exames e dispositivos médicos e odontológicos a partir de janeiro deste ano, em plena segunda onda da pandemia de Covid-19.

Com o fim da isenção de ICMS na saúde em São Paulo, brasileiros do país inteiro serão afetados, já que grande parte da indústria especializada fica no estado. As consequências serão graves, como aumento nos preços de planos e tratamentos, fechamento de leitos, desemprego na indústria e migração em massa dos pacientes para o SUS. Tudo isso afetará diretamente a vida das pessoas.

Veja, ponto a ponto, o tamanho do problema:

Planos e tratamentos mais caros
Apenas entre os membros da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), estima-se que o ICMS com alíquota de 18% aumentará os custos em cerca de R$ 1,3 bilhão, em plena pandemia, período que registra redução de receitas com cirurgias e tratamentos eletivos, ao mesmo tempo que aumentam as despesas dos hospitais com adaptações necessárias à prevenção e ao tratamento de casos de Covid-19. Isso deve repercutir nos preços de medicações, procedimentos e planos de saúde. Quimioterapias, hemodiálises, diversos outros tratamentos e equipamentos devem ficar mais caros.

SUS desabastecido
Segundo a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi), os preços de diversos equipamentos importantes podem ficar impraticáveis para hospitais públicos. Cerca de 65% dos importadores e distribuidores de materiais hospitalares terão de deixar de atender o SUS durante a maior crise sanitária da história recente.

Aumento do desemprego
Com um novo imposto no contexto de prejuízos acumulados durante a pandemia, unidades privadas de saúde e indústrias terão de se adaptar para continuar em operação. A Abraidi estima que 72% das empresas do setor demitirão funcionários, o que agrava o cenário geral da economia brasileira. Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil já era de 14,3% no terceiro trimestre de 2020, o equivalente a 14,1 milhões de pessoas.

Dispositivos médicos mais caros
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), 70% dos dispositivos médicos que abastecem o Brasil saem do estado de São Paulo. O fim da isenção do ICMS deve custar à saúde privada, em média, R$ 1 bilhão por ano sobre o preço de cerca de 200 dispositivos de alto custo, como implantes ortopédicos, neurológicos, stents, marcapassos e desfibriladores implantáveis.

Fechamento de hospitais
Com a postergação de cirurgias e procedimentos eletivos, os hospitais privados perderam de 17% a 20% da receita ao longo da pandemia até agora, segundo estimativa da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Com o agravamento da crise desencadeado pelo novo imposto paulista, muitos estabelecimentos podem não resistir, o que é especialmente grave num contexto de pandemia. Segundo o Conselho Federal de Medicina, menos de 10% dos municípios brasileiros têm leitos de UTI no SUS. Ou seja, apenas 466 de um total de 5.570 municípios. Não é só. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, cerca de 70% das cirurgias de alta complexidade do SUS acontecem em hospitais privados. Ao mesmo tempo, 54% dos municípios brasileiros não têm nenhum hospital e mais da metade dos que têm só contam com a rede privada.

Um em cada seis adultos aumentou consumo de álcool na pandemia

Entre as válvulas de escape mais buscadas pelas pessoas no isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, destaca-se o consumo excessivo e frequente do álcool. Hoje, 20 de fevereiro, é o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. Nesta oportunidade, o médico Petrus Raulino, psiquiatra do Vera Cruz Hospital, de Campinas, alerta para riscos de ansiedade e depressão atrelados ao hábito.

Segundo o especialista, pesquisas internacionais apontam que um em cada seis adultos apresentou aumento do consumo de álcool ao longo da pandemia de Covid-19. “Quanto maior o consumo de álcool, maior a associação com transtornos mentais, como a depressão. Ou seja, o que seria uma tentativa de fugir da ansiedade pode se tornar justamente uma forma de se intensificar estes problemas”, alerta.

Ainda de acordo com o psiquiatra, há diversas maneiras de se identificar a dependência do álcool: o indivíduo bebe mais do que gostaria ou deseja controlar o uso e não consegue; sente desejo intenso de beber; percebe efeitos negativos do hábito na rotina profissional, familiar ou social; precisa consumir quantidades maiores para obter efeito; e/ou sofre de abstinência ao se interromper o consumo, com sinais como tremores, por exemplo.

“É importante alertar que o preço que se paga pelo alcoolismo deixa de ser somente financeiro, uma vez que o consumo excessivo prejudica a qualidade do sono, exatamente quando o cérebro deveria se regenerar. Além disso, podem surgir problemas como cirrose, cardiopatias, perdas cognitivas, doenças no fígado, coração, pâncreas e cérebro”, enumera o médico.

Diálogo e exercício
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem 3 milhões de mortes por ano no mundo como resultado do uso abusivo de álcool, o que representa 5,3% de todos os óbitos. As melhores opções para reverter esses índices são: diálogo, mudança de hábito e evitar a exposição ao risco. Além disso, o médico reforça que na adolescência e acima dos 60 anos, quando o cérebro ainda está, respectivamente, em formação ou com sinais de neurodegeneração, o consumo é mais prejudicial do que em qualquer outro período da vida.

“O grande erro dos pais está, por exemplo, em permitir que seus filhos adolescentes consumam bebidas alcoólicas dentro de casa por considerarem ali um lugar seguro. O ideal é não permitir e abrir um canal de comunicação, afinal, estamos na era do conhecimento e, muitas vezes, os adolescentes precisam ser entendidos e não submetidos a experiências como essas”, orienta.

Ainda segundo o psiquiatra, atividades físicas, técnicas de relaxamento, acompanhamento psicológico e até atividades ligadas a espiritualidade podem ser grandes aliados no combate a excessos. Em casos mais severos, Raulino recomenda a busca voluntária por tratamento, com medicamentos e psicoterapia.

Fonte: edição do texto original do Vera Cruz Hospital.

Conahp 2020: como e por que a telemedicina chegou para ficar

Ainda relativamente tímida no Brasil até o início da pandemia de Covid-19, a telemedicina vem crescendo exponencialmente nos últimos meses, trazendo consigo uma série de vantagens que devem garantir sua persistência depois deste longo período de isolamento social. O assunto foi desenvolvido no Conahp 2020 – Congresso Nacional de Hospitais Privados, durante plenária “Preservando a relação médico-paciente na era das tecnologias disruptivas em saúde”, com Eduardo Cordioli, gerente-médico e de operações de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein.

“A teleconsulta é apenas a ponta do iceberg”, afirmou o convidado, ao explicar que a telemedicina também inclui a troca remota de informações entre médicos (interconsulta) e o acompanhamento do paciente a distância (telemonitoramento), entre outros formatos. “Quando a telemedicina é somada à inteligência de dados podemos falar num conceito ainda mais amplo, o de saúde digital.”

Durante a plenária, Cordioli compartilhou a evolução dos números do Einstein. Em 2017, o hospital realizava uma média de apenas um atendimento online por dia, performance que dobrou em 2018. Em 2019, já eram quatro por dia. No início de 2020, antes da pandemia, a média já havia saltado para 60 teleconsultas ao dia. A pandemia acelerou essa tendência de alta, com um índice que hoje pode chegar a 1 mil atendimentos online diários.

“O coronavírus foi um catalizador de algo que já estava acontecendo”, frisou o gerente-médico, ao citar uma pesquisa realizada no ano passado pela American Well, empresa de Boston especializada em telemedicina. Estima-se que 64 milhões de pessoas nos Estados Unidos estariam dispostas a trocar seu médico por outro que aceitasse realizar consultas online.

Além da segurança em tempos de pandemia – e da comodidade em tempos “normais” –, o teleatendimento tem como outra grande vantagem a facilidade de acesso, conforme Cordioli também explicou, com dados do Hospital Israelita Albert Einstein.

Localizada no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, a instituição alcançou este ano cerca de 2 mil municípios, em todos os estados da federação, além do Distrito Federal. Em outras palavras, 92% dos atendimentos realizados pelo hospital em 2020 até agora não teriam como ocorrer de forma presencial.

Conahp 2020: o burnout como problema das instituições, não das pessoas

A síndrome de burnout é uma condição depressiva aguda, decorrente do esgotamento físico e mental causado pelo excesso de trabalho. É um problema sobretudo contemporâneo, que ocorre nas mais diversas carreiras, mas que, durante a pandemia, se tornou ainda mais recorrente entre profissionais de saúde. Por isso, o Conahp 2020 – Congresso Nacional de Hospitais Privados dedicou uma plenária ao tema, intitulada Burnout inevitável: a exaustão dos profissionais no pós-covid-19.

“É comum que uma pessoa com o problema tenha uma percepção muito negativa de si mesma – contudo, o burnout não é um problema individual, mas sistêmico”, enfatizou, logo na abertura, o médico Lewis Kaplan, presidente da Society of Critical Care Medicine, organização internacional sem fins lucrativos sediada em Los Angeles, na Califórnia. “O profissional acha que é ele quem precisa mudar, quando na verdade o problema maior está nas condições de trabalho.”

O médico André Fusco, responsável técnico pela área de Saúde Ocupacional do Itaú Unibanco, concorda que há, de fato, uma tendência social a culpar a vítima. “Quando uma pessoa sofre um burnout, a gente tende a olhar para as características dela. Tem labirintite? Será que leva uma vida equilibrada? Tem resiliência? Medita? Faz atividade física? Dorme direito? Tem problemas pessoais?” Esse foco no indivíduo minimiza as responsabilidades das empresas.

É nesse contexto que se criam hoje as chamadas “salas de descompressão”, espaços de descanso e lazer dentro dos escritórios, com sofás, jogos e lanchinhos, e os chamados programas de relaxamento, “para ‘consertar’ o profissional, em vez de se olhar para o que o está comprimindo”. Para Fusco, essa mesma mentalidade elege figuras “heróicas” nas empresas, colegas que vivem sobrecarregados, ficam sempre depois do expediente, trabalham madrugadas e fins de semana adentro.

“São profissionais muito valorizados por sua resiliência, esforço e dedicação, o que acaba transformando a sobrecarga num valor”, alertou Fusco. Ao mesmo tempo, esses “heróis” sofrem de exaustão, privação de sono, falta de qualidade de vida e tempo para seus afetos. Segundo o especialista, há de se lembrar que resiliência é, na prática, um conceito taylorista. Ou seja, parte da premissa de adaptar as pessoas ao trabalho e, não, o trabalho às pessoas. “Não que resiliência seja algo ruim, mas é preciso nos perguntarmos: por que precisamos de tanta?”

Também participou da discussão o médico Eurípedes Constantino Miguel, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Ele coordenou um programa de saúde mental voltado ao cuidado dos profissionais de saúde da linha de frente do Hospital das Clínicas, em São Paulo, durante a pandemia. As ações desse programa podem inspirar outras iniciativas no mundo corporativo para além do campo da saúde e incluem: conscientização institucional, melhora nas condições de trabalho, estímulo à atividade física, educação emocional, rodas de conversa e acesso a meios de assistência à saúde mental.

Outubro Rosa: conheça os mitos e verdades sobre o câncer de mama e saiba como se prevenir da forma certa

Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil terá 66.280 novos casos de câncer de mama por ano entre 2020 e 2022. Esse número corresponde a um risco estimado de mais de 61 novos casos a cada 100 mil mulheres. É o segundo tumor mais comum entre as brasileiras, ficando atrás apenas dos tumores de pele não-melanoma.

Com o objetivo de estimular a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, todos os anos acontece a campanha Outubro Rosa. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado se for descoberto logo no início.

Apesar de comum, o câncer de mama ainda envolve tabus e tem muita informação equivocada circulando pelas redes sociais. Abaixo, a cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center Solange Maria Torchia Carvalho explica o que é verdade e o que não passa de fake news em algumas afirmações sobre câncer de mama que circulam na internet:

Câncer de mama é tudo igual
Mito. Há vários tipos e, por isso, as respostas às terapias e a evolução da doença são diferentes em cada caso. Alguns tumores são restritos à mama, e há aqueles que afetam outros tecidos. Há os que crescem rapidamente, e os que se desenvolvem de forma lenta, entre outras peculiaridades.
Os avanços na medicina permitem classificar os subtipos de acordo com estruturas da superfície celular e que estão envolvidas na divisão e multiplicação de células cancerosas. Assim, o médico pode escolher as drogas que agem direto no alvo e barram esse processo.

Câncer de mama só aparece em quem tem histórico familiar
Mito. As estimativas mostram que aproximadamente 10% dos casos têm origem hereditária. Entre os principais fatores de risco para o câncer de mama estão o tabagismo, a obesidade, o alcoolismo e o envelhecimento. Ter casos da doença na família influencia quando o parentesco é de primeiro grau – mãe, irmã ou filha – e ainda mais quando o tumor apareceu antes dos 40 anos. Estes são casos que exigem atenção redobrada, com acompanhamento de um médico e realização de rastreamento genético.

Amamentar protege contra o câncer de mama
Verdade. A amamentação reduz a exposição a certos hormônios femininos que podem estar por trás do surgimento de tumores, como o estrógeno. Há evidências de que quanto mais prolongado o período de aleitamento, maior a proteção. Mas é importante considerar que há vários outros fatores que podem levar ao câncer e, para algumas mulheres, o fato de amamentar não determina prevenção.

Uma pancada no seio pode causar câncer
Mito. Não é por causa de um trauma que as células malignas vão se multiplicar de maneira desenfreada.

Desodorante pode causar câncer de mama
Mito. Provavelmente, esse mito começou a circular por causa da presença de sais de alumínio nas fórmulas dos produtos que inibem a transpiração. Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assegura que não existe relação entre a substância e o tumor. Também ainda não há dados na literatura científica que comprovem esse elo.

Se eu fizer o autoexame todos os meses não preciso fazer a mamografia
Mito. Embora seja um aliado, na maioria das vezes o autoexame não é capaz de detectar o início de um tumor, na fase em que as lesões são muito pequenas. Por isso, a mamografia é fundamental para o diagnóstico precoce. “Ela revela microcalcificações, nódulos menores e outras irregularidades”, explica Solange Maria Torchia Carvalho, cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center. Toda mulher, após os 40 anos de idade, deve fazer mamografia.
Outros sinais que merecem atenção são diferenças consideráveis entre o tamanho dos seios, alterações nos mamilos e na pele da mama, inchaços incomuns na área, presença de secreções ou mesmo sangue, entre outros.

O câncer de mama pode ter cura
Verdade. Muitos fatores devem ser considerados, e um dos mais importantes é o diagnóstico precoce. Quanto menor a lesão, maior a chance de cura. Mas é preciso também considerar as diferenças entre os tipos de tumor.
Mesmo para os casos em que, infelizmente, não há prognóstico de cura, já existem opções terapêuticas que permitem o controle da doença e a qualidade de vida das pacientes.

Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce segue sendo o melhor caminho para a cura e recuperação das pacientes que descobrem um câncer de mama. Responsável pelo setor de Check-Up do Hospital Marcelino Champagnat (PR), a médica Aline Moraes explica que a descoberta tardia não é somente uma questão de vida ou morte. “O diagnóstico precoce possibilita uma gama muito maior de oportunidades de tratamento e formas menos agressivas, que vão comprometer menos a qualidade de vida da mulher.”

Segundo Aline, neste serviço é feito um acompanhamento das pacientes. “Nossa dinâmica de continuidade e comparativo de exames a cada ano é essencial, já que nos apresenta um cenário completo do paciente e suas mudanças, permitindo um diagnóstico preciso e muito mais avançado”, explica.

No Hospital Santa Izabel (BA), um dos focos da campanha do Outubro Rosa também é na prevenção e busca sensibilizar especialmente as mulheres com idade entre 40 a 69 anos para que adotem um estilo de vida saudável, se atentem sobre a importância do autocuidado e não deixem de realizar o exame de mamografia.

Com o rastreamento e o tratamento de casos oncológicos impactados pela pandemia de coronavírus, a campanha ganhou novo apelo. “Temos alertado e orientado as pessoas sobre a importância de nunca deixarem de se cuidar”, diz Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “Retardar até o último momento a ida ao hospital é arriscado e pode resultar num quadro crítico mais urgente e avançado”, completa.

Controle do estresse na pandemia é o caminho para manter a saúde mental

A pandemia de covid-19 contribuiu para aumentar os níveis de estresse da população e, em alguns casos, agravar o quadro de pacientes que necessitam de tratamento psiquiátrico. “Isso se deve à antecipação de um futuro incerto, ao medo de pegar a doença e de sofrer consequências graves, além de grandes períodos de isolamento social e de sedentarismo”, explica Leandro Paulino da Costa, psiquiatra do Hospital Santa Virgínia (São Paulo – SP).
O especialista dá orientações práticas para o controle do estresse na pandemia, que é o melhor caminho para manter a saúde mental. Inspire-se no Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado neste 23 de setembro, e comece a colocar essas ações na sua rotina:

Faça atividades físicas
Tente manter uma rotina de exercícios com atividades que são prazerosas para você. A atividade física ativa a liberação de hormônios e neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar e relaxamento.

Reserve momentos para relaxar
Inclua no seu dia a dia alguns momentos de lazer, que trazem prazer e ajudam a relaxar, desativando os circuitos produtores de sintomas de estresse.

Viva o agora
Exercícios de meditação são uma forma de treinar o foco da mente no presente. Um dos mais conhecidos é o mindfulness, técnica que consiste em direcionar a atenção a partes específicas do corpo, sensações táteis ou à respiração. Quando nos concentramos no agora, evitamos que a mente entre no modo stand-by ou de ruminação, que é uma grande fonte de ansiedade e estresse.

Fale sobre os seus sentimentos
A psicoterapia é uma ótima forma de prevenir o estresse, pois favorece o autoconhecimento e nos ajuda a trabalhar questões cotidianas. Ao aceitar nossas limitações, o grau de cobrança e de culpa pode diminuir, contribuindo para reduzir os níveis de estresse.

Conecte-se com o que te faz bem
Use a tecnologia a seu favor para se conectar com pessoas queridas e cultivar laços afetivos saudáveis e positivos.

Coma bem e descanse
Procure dormir, pelo menos, sete horas por noite. A privação de sono causa irritabilidade, diminuição de atenção e concentração – o que agrava o estresse. Dê preferência a alimentos naturais e evite os industrializados, muito gordurosos e ricos em sódio.

Mas afinal, o que é o estresse?
O psiquiatra Leandro Paulino da Costa explica que o estresse, em si, não é uma doença, mas uma reação natural do organismo que ajuda a nos proteger de situações de perigo – por exemplo, um animal feroz se aproximando.
Neste momento, diversas alterações ocorrem em nosso corpo, elevando o estado de alerta e nos preparando para atacar ou fugir. Há o aumento da frequência cardíaca e da tensão muscular, ocorre a dilatação das pupilas e a respiração fica mais ofegante. Depois de um tempo, quando nos sentimos seguros, tudo volta ao estado normal.
Porém, no ritmo de vida atual – com muitas horas de trabalho, competitividade, cobranças e, agora, uma pandemia –, ficamos em estado de tensão constante, ativando os circuitos de estresse e produzindo vários sintomas incômodos, que podem aumentar o risco de doenças psiquiátricas. No longo prazo, esse quadro pode predispor a uma série de doenças como Síndrome de Burnout, depressão, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, entre outros.
A boa notícia é que existe tratamento para todas elas, envolvendo o acompanhamento psicoterápico e, quando necessário, o uso de medicamentos.

Principais sintoma de estresse
Caso algum dos sintomas abaixo persista por mais de duas semanas e comece a afetar a sua qualidade de vida, o convívio social ou o desempenho no trabalho, é importante procurar um especialista para avaliação:

– Alteração de humor
– Perda de prazer em atividades
– Falta de energia
– Dificuldade de concentração
– Dor de cabeça
– Insônia
– Sintomas adrenérgicos (sensação de falta de ar e palpitação)
– Pensamentos ruminativos (por exemplo, excesso de preocupação com as contas a pagar, problemas no trabalho e familiares…)

Tenho uma doença crônica. Devo evitar o hospital por causa do coronavírus?

Quem tem uma doença crônica está suscetível a desenvolver o quadro mais grave de Covid-19, causada pelo novo coronavírus. Mas, ao mesmo tempo, esse pacientes não devem deixar seus tratamentos sob o risco de terem complicações no quadro de saúde que podem ser fatais. As chamadas doenças crônicas não transmissíveis lideram as causas de morte no mundo – cerca de 38 milhões por ano segundo a Organização Mundial da Saúde.

“Cardiopatas, hipertensos, diabéticos, portadores de doença respiratória crônica, pacientes oncológicos em tratamento de radio ou quimioterapia, transplantados e pessoas com doença renal crônica, por exemplo, não devem suspender seus tratamentos e sempre procurar os serviços de saúde caso tenham qualquer condição de agravamento de sua doença”, afirma a infectologista e consultora da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Camila Almeida.

A especialista afirma que os serviços de saúde têm adotado medidas para garantir a continuidade do cuidado de quem precisa com segurança em meio à pandemia de Covid-19.

“A estratégia utilizada pelos hospitais envolve a rápida identificação de pacientes com sintomas respiratórios e a separação dos fluxos de atendimentos a pacientes com Covid de outros pacientes. Toda rotina de realização de exames e procedimentos também estão sendo segregadas”, explica Camila.

Alguns hospitais destinam alas de internação e unidades de terapia intensiva somente para pacientes contaminados pelo coronavírus, evitando, assim, o contato entre pacientes que procurem o hospital por outras causas e minimizando o risco de infecção.

A infectologista explica que o paciente também pode adotar algumas ações que reforçam a segurança quando precisar ir ao hospital. A primeira delas é usar máscara, recomendação que vale para todas as pessoas que precisem sair de casa durante o isolamento social imposto pela pandemia. Também levar consigo álcool em gel para a higiene da mãos, principalmente após tocar em objetos hospitalares e compartilhados.

“Levar apenas um acompanhante, diminuindo a circulação de pessoas no ambiente hospitalar, e manter o distanciamento de um metro das outras pessoas em ambientes comuns, sempre que possível, também são medidas que protegem”, diz Camila.

A médica afirma que ainda existe muita especulação e medo sobre formas pouco prováveis ou inviáveis de contágio pelo coronavírus. “Alguns pacientes acreditam que a doença pode ser transmitida pelo ar dentro do hospital ou que o vírus possa atingi-lo somente de passar na calçada. Os pacientes precisam ser esclarecidos sobre as principais formas de contágio da doença, que envolvem o contato próximo e direto, principalmente com pacientes sintomáticos ou objetos contaminados com secreção de pessoas infectadas”, diz Camila.

As doenças crônicas são também responsáveis por um grande número de internações e, se os pacientes deixarem de fazer o acompanhamento, pode acarretar em uma outra sobrecarga do sistema de saúde futuramente. “A perda da qualidade de vida dos pacientes com o agravamento da doença também gera impacto econômico, não só com os gastos com internação, mas também com as despesas geradas em função do absenteísmo, aposentadorias e óbitos da população economicamente ativa”, analisa Camila.

Hospital Pequeno Príncipe esclarece como o coronavírus pode impactar a saúde das crianças

Com foco no atendimento pediátrico, o Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná, tem buscado adaptar equipe, fluxo e espaço para acolher casos suspeitos e confirmados de infecção pelo Covid-19 entre seus pacientes. Uma ala inteira está reservada para o atendimento de crianças com síndrome respiratória aguda, sejam casos suspeitos ou confirmados. Ali, o atendimento é feito por três médicos, diminuindo, assim, a exposição de outros profissionais ao vírus.
Você sabe como o novo coronavírus pode impactar a saúde das crianças? O Hospital Pequeno Príncipe esclarece essa e outras dúvidas:

Crianças correm menos risco?
Segundo o infectologista pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio, os casos de crianças sintomáticas ainda são muito raros. Como tudo é muito novo quando se trata de conhecimento sobre o comportamento do vírus, ainda não se sabe o porquê.
“O baixo número de casos não significa que elas estão menos sujeitas à infecção ou que elas simplesmente não pegam. Elas podem ser infectadas, não desenvolver a doença e se tornar transmissoras”, diz o médico.

Como os pais podem evitar que as crianças se contaminem ou passem o vírus para outras pessoas?
Evite que crianças tenham contato com os idosos, que fazem parte do grupo de risco e estão mais vulneráveis à doença.
Os pais precisam estar atentos também aos cuidados básicos de prevenção: higiene das mãos, alimentação saudável, ensinar a etiqueta da tosse e a ingerir bastante líquido.

E se a criança apresentar sintomas de Covid-19?
Em caso de alguns sintomas aparecerem, os pais só devem levar as crianças ao pronto-atendimento se ela tiver febre e/ou dificuldade de respirar. Lembrando que nesta fase muitas estão infectadas pelo vírus influenza, que apresenta sintomas similares ao coronavírus.
Uma das formas dos pais acompanharem mais informações sobre o coronavírus e as crianças é acessando as redes sociais do Hospital Pequeno Príncipe:

Facebook: https://web.facebook.com/hospitalpp/?_rdc=1&_rdr
Instagram: https://www.instagram.com/hospitalpequenoprincipe/?hl=pt-br
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/hospitalpequenoprincipe/

#PerguntaPraAnahp: quais os riscos do novo coronavírus para gestantes e recém-nascidos

Estou grávida. Posso passar o vírus para o meu bebê?
Até o momento, não há evidências de transmissão do novo coronavírus da mãe para o bebê no útero. Mas como ainda não há muita experiência em casos de Covid-19, a indicação é de que todos os recém-nascidos de mães infectadas sejam cuidadosamente avaliados, independentemente de apresentarem sintomas ou não. Caso o recém-nascido apresente sintomas de Covid-19, deve receber suporte clínico na UTI neonatal.

O leite materno pode transmitir o vírus da mãe para o bebê?
O vírus não foi identificado no leite materno, mas há chances de infecção no contato íntimo e prolongado da amamentação. Para reduzir esse risco, a mãe infectada pode ordenhar o leite para ser oferecido ao bebê.

Mães infectadas devem ficar afastadas dos bebês?
Por segurança, caso a mãe esteja infectada e na fase aguda de transmissão, é recomendado o afastamento. Mães infectadas que não estejam na fase aguda de transmissão podem ficar no mesmo alojamento do bebê, mas precisam observar rigorosamente precauções como o uso de máscara e a higienização das mãos.
Neste momento, também é recomendada a restrição de visitas aos bebês – na maternidade ou em casa – principalmente por pessoas que estejam doentes.

Se estou grávida, devo ir ao hospital tentar fazer o teste?
Gestantes sem sintomas não devem procurar o pronto-atendimento para testar qualquer vírus respiratório. Atualmente, os testes são reservados para pacientes com sintomas graves de Covid-19.
Caso a gestante tenha sintomas leves, a orientação é que fique em isolamento domiciliar e atenta a qualquer sinal de evolução na doença – como persistência da febre ou dificuldade de respirar.
Se a gestante estiver com um quadro gripal acompanhado de febre, deverá procurar o pronto-atendimento para verificar se o caso é de influenza – que pode ser um risco para as mulheres grávidas.

Este conteúdo tem contribuição de Camila Almeida, infectologista e consultora Anahp.