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Feridas na boca que não cicatrizam e rouquidão permanente podem ser sinais de câncer na cavidade oral

O aparecimento frequente de feridas na boca e rouquidão por mais de duas semanas podem indicar a presença de câncer de cabeça e pescoço, quinto tipo de tumor mais incidente no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) cerca de 15 mil novos casos da doença devem ser registrados no país até o final deste ano. Desde 2014, sociedades médicas ao redor do mundo instituíram o Julho Verde, mês da Campanha Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, que tem como objetivo conscientizar sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce da enfermidade.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Flávio Carneiro Hojaij, adultos com mais de 55 anos, estão entre a população mais acometida pela doença, quando associado ao tabagismo e ao consumo excessivo de bebida alcoólica. No entanto, nas últimas décadas, esse tipo de câncer vem crescendo entre adultos mais jovens, com idade entre 35 e 45 anos, independente de fumarem ou beberem em excesso. A junção de cigarro e bebida aumenta em até 20 vezes os riscos do desenvolvimento de tumores de cabeça e pescoço.

O especialista alerta sobre a importância da observação frequente da boca, garganta e pescoço. “Devemos adquirir o hábito de realizar o autoexame da cavidade oral. Ao escovar os dentes, é importante investigar se há a presença de feridas na parte interna e externa da boca. Dor de garganta sem motivo aparente e pequenos caroços na região do pescoço podem indicar a presença de nódulos”, afirma Hojaij.

HPV e Câncer de Cabeça e Pescoço

O Vírus do Papiloma Humano (HPV) se tornou um preocupante fator de risco para novos casos da doença, principalmente entre a população jovem e sexualmente ativa, que pratica o ato sexual sem proteção. Dados do INCA estimam que cerca de 7% da população brasileira tem HPV oral, aquele transmitido por relação sexual sem preservativo.

Para prevenir o câncer de cabeça e pescoço é importante manter uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, conservar uma higienização bucal correta, consultar-se anualmente com o dentista e abandonar o tabagismo. O consumo de álcool deve ser feito com moderação e deve-se usar camisinha ao praticar sexo oral.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico precoce é um importante aliado do tratamento. “Mais de 95% dos tumores de cabeça e pescoço podem ser tratados de forma simples, se forem diagnosticados em estágios iniciais. Quanto mais precoce o tratamento é realizado, menos agressivo e mais eficaz ele é, deixando menos sequelas”, diz o especialista.

A conduta do tratamento deve ser individualizada, de acordo com cada caso. Entre as opções estão cirurgia, radioterapia ou ambos, associados ou não à quimioterapia.

Desidratação também pode ser um risco durante o inverno

A desidratação é um perigo conhecido do verão, mas o que poucos sabem é que as baixas temperaturas típicas do inverno também podem oferecer risco, por diminuir a vontade de tomar água. “As pessoas tendem a achar que no inverno não precisam beber tanta água quanto no verão, por não sentirem sede com a mesma frequência. Isso aumenta o risco de desidratação”, alerta o fisiologista do esporte do Hospital do Coração – HCor, Diego Leite de Barros.

O especialista esclarece que, nas baixas temperaturas, o nosso organismo desencadeia reações, que fazem com que a circulação sanguínea se concentre nos vasos centrais para preservar o calor do corpo. Esse processo traz uma sensação interna de hidratação, por isso levamos mais tempo para sentir sede. Apesar disso, a quantidade de água ingerida durante o dia deve ser mantida, pois continuamos perdendo líquido.

De acordo com Barros, sentir sede já pode ser um sinal de desidratação. “A sede nada mais é que o organismo sinalizando que precisa de líquido”, revela. Entretanto, os sintomas da desidratação vão muito além dessa simples sensação, que também pode se manifestar pelo ressecamento da pele, temperatura corporal elevada, cansaço, sonolência, vontade de urinar com menor frequência e coloração mais escura, prisão de ventre, além de perda de coordenação motora e consciência, nos casos mais severos.

Para evitar o problema o indicado é tomar entre 1,5 e 2,5 litros de água por dia, quantidade que pode variar de acordo com o sexo, idade, massa corporal e estilo de vida. “O ideal é ter água sempre por perto para se hidratar tanto nos dias quentes quanto nos mais frios”, orienta o fisiologista.

Entre os praticantes de atividade física, o consumo de líquidos deve ser proporcional ao gasto, que pode ser acompanhado na balança antes e depois do treino. “Ao se pesar é possível ter uma noção da perda líquida e estabelecer um equilíbrio entre gasto e consumo. Essa consciência é ainda mais importante no caso de quem pratica exercícios regularmente, o que sempre demanda mais cuidados com a hidratação”, acrescenta o médico.

O que é o sarampo? Saiba mais sobre os sintomas e importância da vacinação

A cidade de São Paulo viu nas últimas semanas os números de casos de sarampo serem multiplicados. A Secretaria Municipal de Saúde registrou até o momento 32 casos confirmados da doença. De acordo com um levantamento realizado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil está em 3º lugar no ranking de países que mais tiveram o aumento de casos da doença entre 2017 e 2018.

No último dia 29 de junho, a cidade de São Paulo promoveu o Dia D pela vacinação contra o sarampo. A campanha, que está prevista para seguir até o dia 12 de julho e pretende vacinar 2,9 milhões de pessoas, foi realizada em algumas estações de Metrô e trens da CPTM, além das 464 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e postos de vacinação móveis pela cidade.

O sarampo é uma doença infectocontagiosa, causada por um vírus, e que pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de partículas da saliva e secreções nasais eliminadas no momento de espirros, tosses e fala. O infectologista Filipe Piastrelli, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC), explica que ficar em locais fechados com pessoas infectadas aumenta ainda mais as chances de contágio. “O vírus pode perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas”, comenta.

Os principais sintomas da doença são febre alta, que começa entre oito e 12 dias após a exposição ao vírus, tosse, secreções no nariz, vermelhidão na pele e olhos. O sarampo é uma doença grave, explica Piastrelli, e que pode levar a morte, principalmente crianças menores de cinco anos. Também pode provocar complicações graves em adultos, como cegueira, diarreia grave, infecções respiratórias e nos ouvidos.

O tratamento para o sarampo é sintomático, ou seja, é focado no alívio dos sintomas. Recomenda-se que os pacientes repousem, se hidratem, tenham uma alimentação leve e rica em vitaminas, além de limpar os olhos com água morna para evitar a infecção e o aparecimento de conjuntivites.

Importância da vacinação

A vacina contra o sarampo é a forma mais eficaz de se prevenir da doença, sendo assertiva em 97% dos casos. A primeira dose da vacina deve ser aplicada a partir dos 12 meses de idade, por meio do tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba). Já a segunda dose, aos 15 meses de idade, é por meio da tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela). Essas vacinas são oferecidas tanto pela rede pública, quanto pela privada.

Piastrelli explica ainda que, adultos que nunca foram vacinados, também devem ser imunizados. “Adolescentes e adultos com até 29 anos que não tiveram sarampo antes, podem receber as duas doses da vacina com um intervalo de 30 dias cada. Já os adultos com mais de 30 anos, devem ser vacinados com apenas uma dose”, finaliza.

Depressão pode aumentar doenças cardíacas em homens e mulheres

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é uma das doenças mais comuns da atualidade, afetando mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. Um trabalho publicado na revista Journal of the American College of Cardiology relata que a depressão se relaciona a muitas doenças cardiovasculares, e pode aumentar o risco de infarto se não for tratada adequadamente.

De acordo com Abrão Cury, cardiologista do Hospital do Coração – HCor, é muito comum existir a associação entre depressão e várias doenças cardiovasculares e, somados os dois problemas, englobamos as principais doenças do mundo moderno. Pacientes com doenças cardíacas podem chegar a ter uma taxa de depressão entre 20% e 36%. E por que ocorre essa associação?

Pessoas com doença coronariana, por exemplo, possuem um agravamento da doença quando estão deprimidas. “Muitos justificam isso ao fato de que praticam menos atividades físicas e se alimentem mal, com pouca aderência ao tratamento cardiológico devido à falta de motivação e energia típicas de quadros depressivos. O entupimento das artérias pode ocorrer devido a um mal funcionamento do sistema nervoso em pessoas deprimidas, pois a doença é capaz de modificar o funcionamento de glândulas e alterar o funcionamento de células responsáveis pela coagulação sanguínea”, esclarece o especialista.

Essa questão é tão importante que pessoas deprimidas têm um risco de mortalidade quatro vezes maior após seis a 18 meses do evento de infarto agudo do miocárdio. A Associação Americana de Cardiologia recomenda, como uma de suas principais diretrizes na atualidade, o tratamento antidepressivo obrigatório dos pacientes cardíacos deprimidos, a fim de melhorar o prognóstico da doença cardíaca.

Diversos fatores podem explicar esse elo entre depressão e doenças do coração, sendo os mais estudados as alterações nas plaquetas, inflamação e o aumento da atividade do sistema nervoso simpático. “Depressão é uma doença multissistêmica, não é uma doença apenas cerebral, sendo que um dos aspectos mais estudados atualmente é seu caráter inflamatório. Substâncias pró-inflamatórias aumentam sua concentração sanguínea durante a depressão e isso, somado ao aumento do tônus simpático, piora o prognóstico das doenças cardiovasculares”, explica o psiquiatra do HCor, Fernando Fernandes.

A depressão e os problemas cardíacos
De acordo com Cury, cerca de 30% dos pacientes que tiveram um infarto têm depressão, o que aumenta o risco de mortalidade nos doentes com doenças cardiovasculares. O problema faz com que as pessoas se mexam menos, ganhem peso, e cuidem menos de si, o que pode levar ao abandono da medicação.

A depressão aumenta também o risco de aparecimento da diabetes por mecanismos diversos, como o aumento de níveis de cortisol, além de levar a um pior controle metabólico no doente que já é diabético. “Desta forma, é importante que tanto o paciente como os seus familiares estejam atentos aos sinais de alarme, como as alterações no apetite, no peso e no sono, a perda de interesse pelas atividades que antes eram prazerosas. A depressão tem tratamento eficaz quando devidamente reconhecida e medicada”, explica Fernandes.

Os cuidados com a mente podem evitar problemas no coração. Manter um estado emocional positivo e combater a depressão são atitudes fundamentais na prevenção de doenças. Diversos estudos científicos já comprovaram que as boas emoções são excelentes reforços contra gripes, resfriados, alergias, obesidade, problemas de pele, hormonais, cardíacos e gástricos. Essa maneira de agir também vale para quem passa por dificuldades emocionais.

“Independentemente do tamanho e do tipo de problema de cada um, é preciso ter domínio sobre os próprios pensamentos e aprender a enxergar a luz no fim do túnel. Esperança é um sentimento a ser cultivado. A depressão deve ser encarada como uma doença, semelhante ao diabetes e às doenças do coração. Ou seja, tem controle e tratamento”, alerta o psiquiatra.