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Equipe multidisciplinar apoia pacientes durante e após o tratamento do câncer de mama

Cuidar do corpo e das emoções contribui – e muito – para ter uma vida saudável. No caso de quem descobre um câncer de mama, esses cuidados ganham uma importância ainda maior para a superação da doença. Os hospitais têm buscado cada vez mais oferecer ao paciente uma jornada integrada de cuidados durante e também após o tratamento. Para isso, investem em equipes multiprofissionais e atividades diversificadas

De acordo com a médica Fabiana Makdissi, head de Mastologia e do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center, o tratamento não divide a paciente entre as múltiplas especialidades. Todos os protocolos são integrados e cada profissional sabe a etapa anterior ou posterior da jornada de cada paciente. “Esse é o grande diferencial. Pelo fato de termos esse olhar integrado, com protocolos estabelecidos e tendo o paciente como foco, oferecemos melhores resultados.”

Dentre os diversos profissionais da equipe multidisciplinar do hospital está a enfermeira navegadora, que acompanha toda a jornada da paciente e se torna uma referência importante para esclarecer dúvidas e acompanhá-la do início ao fim do tratamento.  

Um estudo feito pelo A.C.Camargo concluiu que as mulheres que recebem um cuidado multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Mama estão superando a doença em todos os estágios. Foram analisados os dados de 5095 mulheres tratadas na instituição entre 2000 e 2012. Entre as pacientes com metástases, a taxa de sobrevida  – cinco anos – saltou de 20,7% no ano 2000 para 40,8% ao final da pesquisa. No caso de tumores detectados precocemente, os índices chegam a 98,7%. Ao considerar a sobrevida global (média de todos os estágios), os números subiram de 83% para 90% no período estudado.

“A equipe multiprofissional é fundamental. O tratamento do câncer não é só o tratamento do câncer, é o tratamento da pessoa que está com câncer, e esse apoio multi é fundamental para cuidar de todas as demandas que o ser humano tem quando descobre o câncer, não só para o tratamento, mas também para restabelecer esse ser humano para as atividades que fazia antes da doença”, avalia a mastologista.

O A.C. Camargo organiza encontros para pacientes e familiares, oficinas de dança, culinária e automaquiagem, palestras e outras atividades que ocorrem durante e depois do tratamento e que contribuem para a troca de experiências, o bem-estar e a autoestima.

“O acompanhamento é tão próximo que quando termina o tratamento, muitos pacientes sentem falta e se sentem mais seguros vindo de vez em quando ao hospital”, comenta Fabiana. O A.C. Camargo tem um grupo que faz o acompanhamento de pacientes pós-quimioterapia e também oferece aconselhamento oncogenético para famílias de pacientes com câncer de mama relacionado a causas genéticas. “Cada um é acolhido de acordo com a sua necessidade”, garante.

Hospital aposta no lúdico para tornar a internação menos difícil para as crianças

Se ficar no hospital já é complicado para um adulto que consegue entender a necessidade de tratar uma doença, imagine para uma criança que gostaria apenas de estar brincando com os amigos e a família. Para que esse período seja menos angustiante, o Hospital Moinhos de Vento aposta em atividades lúdicas que ajudam os pacientes a passar pelo processo e a estabelecer uma relação de confiança com a equipe de cuidados.  

A coordenadora assistencial da Pediatria, Rosa Inês Rolim, afirma que uma das principais fontes de estresse e angústia das crianças que precisam ficar internadas é estar fora da rotina, longe da família – pois costumam ficar acompanhadas de apenas um familiar – e de tudo o que é delas: os brinquedos, o quarto, o animal de estimação e os amiguinhos do colégio. 

“Por isso realizamos muitas atividades que envolvam o brincar, que fazem com que eles se aproximem de outros pacientes e dos funcionários, fazendo novas amizades”, explica. Segundo Rosa, principalmente entre os pacientes da Pediatria na faixa de 5 e 6 anos, há uma ideia de castigo. Elas acham que ficaram doentes porque fizeram algo de errado. 

Outro aspecto é a limitação de espaço: ter que ficar em um quarto em contato com adultos que não conhece. Segundo Rosa, não é raro algumas crianças expressarem que não confiam na equipe médica. Para trabalhar estas duas questões, o hospital promove a Oficina de Brinquedo Coletivo e tem o grupo Canta e Encanta. 

Na primeira, a equipe de cuidados e os pacientes constroem brinquedos e brincam juntos. Ao conhecer outras crianças que estão em situação semelhante, os pequenos pacientes fazem novas amizades e deixam de achar que a doença é um castigo destinado só para eles. 

No Canta e Encanta, técnicos de enfermagem ensaiam uma música infantil que é sucesso entre os pacientes e apresentam dentro da Pediatria, chamando os pacientes para cantar e dançar nos corredores. Esse momentos são benéficos não somente para as crianças, conta Rosa. 

“Para os funcionários, as atividades junto com as crianças ajudam na relação de confiança e deixam a rotina mais leve também”. Ela conta que há afastamentos por depressão, porque o trabalho na Pediatria é pesado pelas questões emocionais que envolve: a convivência com o sofrimento da criança e também de toda a família. “Eles também pensam muito no filho que tem em casa, há uma contratransferência”, afirma. 

Na internação da Pediatria do Hospital Moinhos de Vento, há 42 funcionários e 47 leitos, com uma média de ocupação de 36. Na UTI, são 41 funcionários e 11 leitos, com uma média de ocupação de 10. 

Visita pet

A Pediatria do hospital também começou a promover, com a ajuda das famílias, visitas dos animais de estimação às crianças no hospital. E a medida tem se mostrado muito importante para reverter quadros depressivos de alguns pacientes. 

Rosa conta que uma das últimas experiências foi com um menino que estava na UTI. “Na internação era algo que já acontecia com frequência, e o desafio da equipe foi realizar uma visita pet na UTI. Há umas três semanas, fizemos uma com um menino com encefalite viral que estava depressivo e teve uma grande mudança de ânimo depois que recebeu a visita do cachorrinho”, conta. 

Rosa explica que são observadas uma série de regras e cuidados que as famílias ajudam a providenciar para permitir que o animal esteja com o paciente.

A Pediatria também ganhou recentemente uma nova decoração na emergência com a Turma do Moinho: três personagens crianças que levam o paciente para uma “viagem” no espaço enquanto são atendidos, e assim ficam mais calmos na hora dos procedimentos.

Outubro Rosa: incidência de câncer de mama seguirá alta, e diagnóstico precoce é o caminho para salvar vidas

Outubro é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, segunda doença mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Com o processo de envelhecimento da população, a incidência deste tipo de tumor continuará alta, e o diagnóstico precoce é o caminho para reduzir o número de mortes – que chega a 16,5 mil por ano no Brasil.

Para falar sobre os avanços no diagnóstico e tratamento da doença no país, o Saúde da Saúde conversou com o mastologista Henrique Salvador, coordenador do serviço de mastologia e presidente da Rede Mater Dei. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e vice-presidente da Sociedade Mundial de Mastologia, Salvador foi eleito um dos 100 nomes mais influentes da saúde no último ano.

Fundador e primeiro presidente da Escola Brasileira de Mastologia, hoje é também conselheiro da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).  Leia a entrevista na íntegra:

Qual o panorama do câncer de mama hoje no Brasil? Houve aumento ou redução do número de casos com relação aos anos anteriores? 

Henrique Salvador: O câncer de mama é o que mais acomete a mulher brasileira depois do câncer de pele. A estimativa é de 59,5 mil novos casos neste ano. São 16,5 mil mortes por ano em decorrência da doença. É uma doença muito prevalente e importante no mundo inteiro, não só pela gravidade com que se apresenta, mas até para o que a mama significa para a sexualidade e para a identidade feminina. Infelizmente, a doença continuará com incidência elevada, porque a população está envelhecendo. As pessoas vão viver mais, e com isso vão ter mais câncer, mas dá para aumentar o número de diagnósticos precoces. Em países como Inglaterra, Suécia e Estados Unidos a incidência continua grande, mas houve queda na mortalidade da doença porque investiram no diagnóstico precoce.

Quais os avanços mais importantes no diagnóstico e prevenção nos últimos anos? 

Henrique Salvador: A mulher hoje tem acesso ao estado da arte em diagnóstico e tratamento no Brasil e pode tratar qualquer estágio da doença da mesma maneira como trataria em qualquer país. Houve vários avanços no diagnóstico: há exames genéticos que a mulher pode fazer quando jovem para ver se tem alguma mutação nos cromossomos, há equipamentos de imagem muito sensíveis e de alta resolução que detectam a doença num estágio muito inicial. Exames como a tomossíntese, a mamotomia e a ressonância nuclear magnética da mama também são um avanço e podem ser utilizados, caso necessário, para detalhar o diagnóstico dependendo das características da paciente e da mama. O exame de ultrassom complementa a mamografia, e a ressonância também pode ser usada como complemento no caso de quem tem histórico familiar, por exemplo, para detectar a doença o mais precoce possível. 

E com relação ao tratamento?

Henrique Salvador: O tratamento é composto pelo trio cirurgia, radioterapia e medicamentos. Nas últimas décadas, caminhou-se para um tratamento menos agressivo, mais conservador. Antigamente, era oferecido o máximo de tratamento que a mulher tolerasse, e hoje é dado o tratamento mínimo necessário para controlar e tratar a doença. Antes, na maioria dos casos, era feita a mastectomia (retirada total da mama), e hoje é o inverso: na maioria das situações se conserva a mama e se retira apenas o tumor com uma margem de segurança ao redor. Com isso, os efeitos colaterais são muito menores. A radioterapia aumenta a eficiência do tratamento no local. Com relação ao tratamento com medicamentos, ele pode ser composto por quimioterapia, hormonioterapia e tratamento imunológico (vacinas). Pode ser que não precise usar nenhum medicamento, isso vai depender de uma série de informações que o tumor fornece a partir da análise dos genes do tumor e avaliação das proteínas do tumor, por exemplo. O câncer de mama não é a mesma doença para toda mulher, ele acomete as mulheres de formas diferentes.  

No Mater Dei, quais as tecnologias e iniciativas de destaque no tratamento e prevenção do câncer de mama?

Henrique Salvador: Temos todo o parque diagnóstico necessário para diagnosticar a doença como em qualquer grande centro do mundo. Para o tratamento, temos até uma sala de cirurgia dentro da área de radioterapia, ambulatório para radioterapia e quimioterapia e uma equipe multidisciplinar com 20 mastologistas e profissionais de diversas áreas – médicos nucleares, oncologistas clínicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros que se reúnem semanalmente para discutir os casos e se atualizar. 

Já foi a época em que um único profissional conduzia o tratamento. Um time articulado e habituado a trabalhar junto com base em protocolos, na literatura e na experiência faz toda a diferença para o diagnóstico precoce e para tranquilizar a paciente. Temos também investido bastante em ensino e pesquisa, com linhas de pesquisa em andamento, um centro de estudos e uma residência em mastologia reconhecida pelo Ministério da Educação com mais de 40 residentes de mastologia formados e três em fase de formação. 

No estudo da doença, já foi identificado algum fator de risco mais relevante ou medida de prevenção mais eficaz?

Henrique Salvador: A maioria dos casos de câncer de mama é causada por fatores comportamentais relacionados aos hábitos, e a menor parte tem origem hereditária. É fundamental o diagnóstico precoce: uma vez por ano, as mulheres a partir dos 40 anos devem fazer a mamografia. Hábitos de vida saudáveis como ter uma dieta mais rica em vegetais e frutas e praticar exercícios físicos reduzem o risco não apenas da incidência de câncer de mama, mas de outras doenças como as cardiovasculares. 

O Outubro Rosa é uma oportunidade de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce. Muitas mulheres ainda evitam fazer a mamografia com medo de descobrir que têm a doença, mas quanto antes o diagnóstico é feito, maior a chance de salvar mais vidas.

Hospital do futuro: como o avanço da tecnologia está revolucionando a saúde

Avanços tecnológicos como a inteligência artificial e machine learning têm um grande potencial para revolucionar a saúde. Alguns deles já chegaram aos hospitais e ajudam no dia a dia das equipes médicas e na relação com o paciente, melhorando os processos e dando mais rapidez e precisão aos diagnósticos.

O Hospital Israelita Albert Einstein é uma das instituições que já adotou a inteligência artificial no suporte para decisões clínicas e na otimização do atendimento, entre outras ações. “Somente as organizações que dominarem estas tecnologias poderão apresentar um diferencial em termos de redução de riscos aos pacientes, queda de custo, diminuição da variabilidade da prática e absorção do volume de novos conhecimentos que está sendo gerado no setor”, afirma Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Confira a entrevista completa de Klajner ao Saúde da Saúde: 

Quais tecnologias de inteligência artificial o Einstein já utiliza para melhorar os processos de saúde no hospital?

Sidney Klajner: De maneira resumida, podemos dizer que usamos inteligência artificial para sistemas de suporte à decisão clínica, automatização dos processos internos, processamento de linguagem natural para dados de prontuário eletrônico, facilitando a relação médico-paciente e o dia a dia do médico, assim como inteligência para reconhecimento de imagens, tanto para o auxílio quanto para a automação do diagnóstico. Inclusive, temos grandes projetos de parceria pública para inteligência artificial em imagens médicas. 

De que forma essa tecnologia tem sido usada para otimizar o atendimento aos pacientes – no tratamento, diagnóstico e prevenção?

Sidney Klajner: Temos soluções que ajudam a prever a possibilidade de um paciente no setor de emergência precisar de um leito de internação com base nas informações do histórico de saúde do paciente e informações coletadas no momento da passagem dele na triagem. Com isso, conseguimos otimizar o tempo de internação, encaminhando o paciente para o quarto mais adequado para o tipo de atendimento que ele precisará. 

Temos também soluções que cruzam informações de diversas fontes e alertam, caso o paciente precise ser submetido a um protocolo específico de cuidados. Além de serem capazes de prever qual a possibilidade de um paciente precisar de uma reinternação se ele tiver alta.

Estamos construindo ainda um projeto de otimização de sala cirúrgica. Cada cirurgião tem um tempo médio de cirurgia e pacientes com determinadas características. A partir do momento em que é realizada a análise de todos os dados pela inteligência digital (do paciente, dos insumos usados na cirurgia, do tipo do procedimento) é possível prever o tempo necessário de sala para esta cirurgia, podendo disponibilizar, na sequência, para outra cirurgia. A previsão é que a gente consiga gerar de três a quatro cirurgias a mais por dia com o mesmo ambiente de salas cirúrgicas.

Estas soluções acabam sendo otimizadas automaticamente à medida que eles acertam ou erram determinada condição. São soluções que permitem ao hospital trabalhar de maneira mais otimizada e, para o paciente, reduz o risco no processo de cuidados. Com estas soluções também estamos apurando reduções de custo em toda cadeia, quer seja por um tempo de internação menor, quer seja pela redução de pedidos de exames e cuidados não necessários, ou ainda porque determinada condição é identificada e tratada antes de ser agravada.

Há dados que apontam o impacto do uso destas tecnologias nos desfechos clínicos e também na rotina dos hospitais?

Sidney Klajner: Atualmente, podemos dizer que temos indícios de benefícios em grandes áreas assistenciais no hospital e também nas áreas executivas operacionais, que se beneficiam dos chamados dashboards ou analytics para gestão do negócio. No projeto que ajuda a prever a possibilidade de internação de um paciente que passa no Pronto Atendimento, por exemplo, conseguimos uma assertividade de 94%. Isso ocorre por meio da inteligência artificial que analisa o volume de dados que temos do histórico do paciente, estado de saúde, tipos de medicamentos que usa, idade e o exame solicitado no momento da triagem. 

Com isso, caso haja a necessidade de internação, do momento em que o médico pede o primeiro exame na triagem, nosso centro de comando já reserva o leito indicado para o diagnóstico deste paciente. E o tempo de espera do momento em que a internação é pedida até chegar ao quarto diminuiu em 1h30. Isso faz com que seja otimizada a operação do hospital, gerando virtualmente mais leitos. 

Para o futuro, quais as apostas do Einstein e o que já está em estudo no campo da inteligência artificial e de outras tecnologias mais avançadas?

Os projetos futuros no Einstein estão avançando para a área de processamento de dados não estruturados, principalmente o processo de imagem, laudos, dados de genética e notas clínicas. Também estamos avançando fortemente na capacidade de processamento em tempo real de dados relacionados a sinais vitais e construindo modelos capazes de prever deterioração clínica. Ainda na linha de processamento em tempo real, os novos equipamentos de engenharia clínica começam a ser dotados de capacidade para apoiar o uso destes equipamentos pelos profissionais de saúde tanto na execução quanto na correção de procedimentos cirúrgicos.

Quais tendências a instituição enxerga para o hospital do futuro?

Acredito que no setor as decisões ainda continuarão sendo tomadas por profissionais de saúde por um bom tempo, mas estas decisões serão cada vez mais aperfeiçoadas com o uso de novas tecnologias, tais como modelos preditivos IoT, machine learning etc. O conjunto destas tecnologias, incluindo as de inteligência artificial, terão um papel decisivo no setor de saúde e somente as organizações que dominarem estas tecnologias poderão apresentar um diferencial em termos de redução de risco aos pacientes, queda de custo, diminuição da variabilidade da prática e absorção do volume de novos conhecimentos que está sendo gerado no setor.

Programa focado em qualidade de vida reduz em 31% estresse de colaboradores de hospital

Lidar com a dor e a ansiedade dos pacientes e de suas famílias, além de ter que tomar decisões importantes rapidamente, é algo que pode gerar estresse das equipes no ambiente hospitalar. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um programa voltado para a saúde e a qualidade de vida conseguiu reduzir em 31% os níveis de estresse dos funcionários.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, conversamos com o geriatra e gerente médico do Saúde Integral do Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, para saber com o Programa Bem-Estar chegou a este resultado e acabou premiado internacionalmente.

“Quando começamos o programa, em 2011, 22% dos colaboradores disseram estar com um nível de estresse que impactava no seu dia a dia. Em um estudo feito entre os médicos, foram apontadas como principais causas de estresse ter que tomar decisões importantes em emergências e dificuldade de deixar de pensar no trabalho ao fim do dia”, diz Piovesan.

Ele explica que, dentro do programa, é feito um trabalho nas áreas onde são identificados muitos casos de afastamento. Nelas, psicólogo e ergonomista – profissional que analisa todo o processo de trabalho – fazem uma avaliação da psicodinâmica da área e apresentam resultados de acordo com o que foi identificado.

Pode ser um curso de comunicação não-violenta, por exemplo, ou a mudança de algum processo que não está funcionando bem e por isso causa estresse na equipe. “Ou, às vezes, sugerem a mudança de função de um colaborador que não tem o perfil para o trabalho que está fazendo e isso está causando estresse”, detalha.

Em outra frente, é trabalhado o acolhimento do profissional que apresenta sintomas de estresse na consulta com o médico generalista ou psicólogo do programa, que fazem o encaminhamento para o tratamento adequado.

Também há um canal confidencial para relatos de casos de assédio, bullying ou agressões – de pacientes ou entre colaboradores. É realizada uma apuração interna dos fatos e oferecido apoio para o colaborador.

Dentro das mais de 20 atividades oferecidas no Programa Bem-Estar, há algumas focadas diretamente no alívio do estresse, como ioga, relaxamento e meditação no bosque do hospital, cantoterapia e acupuntura.

Saúde integral

Piovesan explica que as ações do programa focam na qualidade de vida de uma forma integral, e que o primeiro passo é conhecer o perfil do colaborador. Cada um preenche um questionário antes da consulta periódica no qual conta sobre aspectos como o nível de estresse, a rotina de atividades físicas e alimentação. 

Como essas informações, mais o histórico médico e dados do RH sobre as principais causas de afastamento, é montado um plano de ação individualizado. 

“Pode ser, por exemplo, um coaching, que vai ajudar o colaborador a trabalhar seu estilo de vida como um todo. São 12 sessões com psicóloga e nutricionista, que vão focar na área que o colaborador quer mudar: perda de peso, nível de atividade física, gerenciamento de estresse, parar de fumar etc”, explica Piovesan.

Atualmente, a adesão ao Programa Bem-Estar é de 98% dos 2.840 colaboradores do hospital, pois está atrelado ao exame médico periódico. Uma academia dentro do Oswaldo Cruz faz parte do programa e hoje tem 610 funcionários matriculados que fazem pelo menos 30 minutos de musculação duas vezes por semana.

Na parte de lazer, são oferecidas aulas de balé, muay thai e pilates. Além de aulas de canto individuais ou em coral. Na parte do tratamento de estresse e problemas correlacionados, Piovesan afirma que a cantoterapia tem se mostrado muito eficiente. E em todas as ações do programa, os colaboradores têm apoio de uma equipe multidisciplinar.

Com o Programa Bem-Estar, o hospital também conseguiu reduzir em quase 50% as faltas por adoecimento, em 46% o tabagismo entre os funcionários e em 37% os casos de hipertensão. Houve ainda um aumento de 40% na prática de atividades físicas e 30% de melhora nos hábitos alimentares.

Você no hospital: receber visitas é bom, mas também precisa de cuidados

Durante o período de internação, a presença de amigos e familiares ajuda, e muito, na recuperação do paciente. Mas para que sua visita leve apenas alegria ao quarto de hospital, você tem que estar de olho em algumas regras de segurança

Primeiramente, higienize as mãos antes de tocar no paciente ou em objetos próximos a ele. Não deite, sente ou coloque seus pertences em cima da cama do paciente. Familiares, amigos e nem mesmo o próprio paciente têm permissão para trancar a porta do quarto ou do banheiro. 

Se você estiver doente, melhor adiar a visita. E nunca é demais lembrar que fumar nas dependência do hospital é proibido por lei.  

Muita atenção ao que você leva para o paciente. Aquela comidinha que ele tanto gosta, por exemplo, só com a autorização do médico ou do nutricionista. Cada paciente tem uma dieta específica de acordo com seu diagnóstico, que precisa ser seguida para o sucesso do tratamento e recuperação mais rápida.

E mesmo que você queira muito ver uma pessoa querida que está hospitalizada, lembre-se de que é fundamental respeitar a determinação da equipe médica de restrições de visitas. Há pacientes que não podem recebê-las dependendo do caso. 

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e tenha mais informações. Ela está no Anahp On Demandhttps://ondemand.anahp.com.br/curso/publicacao-cartilha-de-seguranca-do-paciente-volume-2

Por dentro do pronto-socorro de um grande hospital

Porta de entrada dos pacientes que precisam de atendimento mais imediato, o pronto-socorro tem uma dinâmica particular para identificar os casos prioritários e agilizar o diagnóstico, que definirá se há necessidade de uma intervenção cirúrgica, internação ou tratamento com remédios.

Para explicar como funciona essa área tão importante dos hospitais, o Saúde da Saúde conversou com Marco Antonio Cinquetti Junior, coordenador médico da Linha Crítica do Hospital São Camilo Santana. A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo realiza, em média, 65 mil atendimentos por mês nas três unidades onde há pronto-socorro – são cerca de 2 mil atendimentos por dia de complexidades variadas.

Cinquetti Junior explica que as unidades possuem fluxos de atendimentos padronizados e estão preparadas para receber qualquer tipo de urgência e emergência. Todo o atendimento é informatizado, desde o momento da retirada da senha, passando pelas etapas de medicação e observação até a alta, o que otimiza o tempo.

Triagem

Assim que chegam ao pronto-socorro, os pacientes passam pela triagem, onde são avaliados e há uma classificação de acordo com os sintomas e os riscos. “São priorizados os atendimentos de situações críticas, onde há risco à vida”, explica. Pacientes graves já entram pela sala de emergência e não participam deste fluxo.

A triagem é realizada por equipes de enfermagem altamente capacitadas que utilizam um protocolo internacional de classificação de risco para detectar alterações clínicas precoces e priorizar o atendimento médico nos casos de maior risco. “Com a triagem, temos um ganho não só nos tempos, mas na especificidade do atendimento, tornando-o mais rápido e seguro”, afirma.

Para atendimento no consultório, o pronto-socorro conta com clínica médica e também especialistas em cardiologia, infectologia, neurologia, ortopedia, otorrinolaringologia e geriatria.

Exames e diagnóstico

Se forem necessários exames, as unidades de pronto-socorro têm seu próprio laboratório de análises clínicas e ainda conseguem realizar tomografia, ultrassonografia, radiografia, ressonância nuclear magnética, estudos hemodinâmicos, entre outros, 24 horas por dia, diz Cinquetti Junior. Os resultados são fornecidos de forma ágil e integrada ao sistema de atendimento do pronto-socorro, o que permite a visualização direta por parte do médico.

“O paciente tem então seu diagnóstico e daí pode ser tratado de sua patologia inicial, e orientado seguimento ambulatorial, ou internado em nossas unidades de internação, para seguimento com equipe especializada”, explica o médico.

Nas unidades também há instalações e equipamentos que permitem o tratamento imediato de pacientes diagnosticados com infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, entre outras doenças tromboembólicas, respeitando os critérios de atendimento definidos por protocolos internacionais e nacionais. 

“Sabemos que, nessas situações, o tempo de diagnóstico e tratamento está diretamente ligado ao melhor resultado: quanto mais rápido o diagnóstico e mais rápido e efetivo o tratamento, melhores os resultados para o paciente”, diz Cinquetti Junior. 

Por turno, cada unidade de pronto-socorro do São Camilo tem cerca de 14 técnicos de enfermagem, nove enfermeiros e 18 médicos entre clínicos, neurologistas, cardiologistas, geriatras, otorrinos, infectologistas, cirurgiões e ortopedistas. “Este número de profissionais pode ser adequado considerando situações relacionadas a volumetria e a sazonalidade”, explica.

Você no hospital: como acompanhantes e pacientes podem evitar quedas

Durante uma internação ou atendimento no hospital, há pacientes que têm maior risco de quedas por causa de dificuldades de locomoção, idade ou pelo uso de medicamentos. E alguns cuidados são fundamentais para evitar esse tipo de acidente, que pode causar lesões que acabam estendendo o tempo de permanência no hospital.

Tanto pacientes quanto acompanhantes podem ajudar. O primeiro passo é seguir as orientações da equipe médica, pois eles conhecem melhor do que ninguém a rotina do hospital e o que pode colocar o paciente em risco. 

A cama deve ser mantida em posição baixa e com as grades levantadas por segurança. Quando o paciente precisar levantar, que seja sempre com a ajuda do acompanhante e de uma pessoa da enfermagem. O mesmo para quando for caminhar – não é recomendado que ande sozinho pelo quarto ou pelos corredores. E um calçado de solado antiderrapante é muito recomendável. 

Os acompanhantes podem e devem pedir ajuda da enfermagem sempre que for necessário tirar o paciente da cama. E nunca deixe que ele vá sozinho ao banheiro. Se o acompanhante precisar sair do quarto por alguma razão, é fundamental avisar para a enfermagem, que ficará de olho no paciente.

Crianças e idosos

E quando a queda é o motivo da internação? Esse tipo de acidente é a causa mais comum de hospitalização de crianças e adolescente no país. Entre os idosos, aproximadamente 30% têm alguma queda no ano – sendo 10% dos casos com consequência grave. Cuidados simples podem evitar que isso aconteça: 

  • As crianças devem sempre estar acompanhadas de um adulto
  • Não as deixe dormindo no sofá para evitar quedas e não as coloque em cima do sofá presas ao bebê-conforto
  • No carro, verifique se o cinto de segurança do bebê-conforto está preso corretamente
  • Evitar ter em casa tapetes de tecido ou outro material que possa escorregar. No banheiro, prefira tapetes emborrachados e antiderrapantes
  • O piso deve ser regular e de material mais aderente, e as escadas, livres de objetos e com boa iluminação
  • Idosos devem utilizar calçados com saltos baixos e solado antiderrapante 
  • Manter próximos óculos, bengalas e andadores. Os armários também devem ser de fácil alcance

Sua participação é essencial para o hospital prestar o melhor atendimento. Baixe gratuitamente a Cartilha de Segurança do Paciente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp). Ela está no Anahp On Demand: https://ondemand.anahp.com.br/curso/publicacao-cartilha-de-seguranca-do-paciente-volume-2

Nutrição no hospital: por que a dieta é importante na recuperação do paciente

É normal as pessoas sentirem falta da comidinha de casa quando estão internadas. Mas o cardápio servido no hospital é elaborado com a mesma dedicação, pois está diretamente ligado ao processo de recuperação dos pacientes.

Em 31 de agosto é comemorado o Dia do Nutricionista, e o blog conversou com Marisa Resende Coutinho, que atua na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Ela explica como esse profissional trabalha para garantir o fluxo de produção dos alimentos servidos no hospital e também na elaboração da dieta específica para cada diagnóstico.

Qual a importância da dieta no hospital para a recuperação do paciente?
Marisa Coutinho:
Ter uma alimentação harmoniosa e equilibrada associada a uma boa aceitação é essencial para garantir todos os nutrientes que o organismo necessita. Considerando o paciente internado, isso é fundamental para ajudar na recuperação, pois muitas doenças podem aumentar, diminuir ou requerer uma demanda nutricional específica.

Qual a influência do diagnóstico na dieta?
Marisa Coutinho: Há diagnósticos que consomem muita energia, aumentando o gasto energético – por exemplo, o câncer e doenças pulmonares crônicas. Outros, que podem levar a um aumento da necessidade de proteínas, como no caso de pacientes queimados. E há ainda casos que demandam a restrição de algum nutriente. Este paciente precisa de nutrientes específicos e de uma alimentação que supra essas necessidades para garantir a recuperação e reduzir o tempo de internação hospitalar.

E quando o paciente não tem apetite?
Marisa Coutinho: Não é incomum o paciente ficar inapetente em função de alteração de paladar induzida por medicamentos, por estar deprimido em estar internado, pela refeição ser diferente da habitualmente consumida, entre outros fatores. No entanto, é necessário que o especialista entenda este cenário e faça a dieta individualizada, proporcionando ao paciente o prazer de se alimentar. Para favorecer a recuperação e garantir uma boa assistência, a equipe se baseia em protocolos atendendo, assim, às necessidades de cada paciente.

Como é o trabalho do nutricionista na rotina do hospital?
Marisa Coutinho: O trabalho da nutricionista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo possui duas áreas de concentração: o processo produtivo e a assistência nutricional. No processo produtivo, está contemplada a elaboração de cardápios e a produção das refeições obedecendo dietas específicas e individualizadas para que o paciente tenha melhor aceitação e resultado no seu tratamento dietoterápico e clínico como um todo. Ele também elabora as refeições para colaboradores e médicos. No trabalho de assistência nutricional, traçamos a melhor dietoterapia de acordo com o diagnóstico, visando à recuperação ou à manutenção do estado nutricional de cada paciente.

De que forma é elaborado o cardápio dos pacientes?
Marisa Coutinho: O cardápio é a ferramenta que inicia todo o processo produtivo. A partir dele é que se determinará o que será produzido, por quem, quando, quantidade, matérias-primas, equipamentos e procedimentos. São produzidos vários tipos de dietas com diferentes consistências, nutrientes, e o nutricionista prescreve a mais indicada para o estado do paciente. Essa individualização é fundamental para a melhor aceitação e, com isso, garantir todos os nutrientes que o corpo precisa. Para a elaboração dos cardápios, são seguidas as quatro leis citadas por Pedro Escudero [pioneiro do estudo nutricional]: quantidade, qualidade, harmonia e adequação.

Nas unidades do São Camilo, como é a estrutura das cozinhas?
Marisa Coutinho: Hoje, temos uma cozinha com serviço próprio em cada unidade da rede. Contamos com 372 colaboradores, entre nutricionistas, técnicos em nutrição, cozinheiros, copeiros, auxiliares de nutrição, açougueiros, lactaristas e administrativos. Também temos apoio de vários setores, como manutenção, engenharia clínica, hotelaria, suprimentos, e a parceria de todos os setores assistenciais multiprofissionais. Os nutricionistas fazem desde a programação de cardápios, solicitações de compras, processo produtivo, acompanhamento do paciente, prescrição de dietas enterais e suplementos de acordo com cada caso e de acordo com o protocolo. Atualmente, produzimos, em média, 308 mil refeições por mês sendo: 89 mil para pacientes, 17,5 mil para acompanhantes, 187 mil para colaboradores e 14,5 mil para médicos.