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Covid-19: Ministério da Saúde reduz para 7 dias isolamento de pacientes

O Ministério da Saúde reduziu o período de isolamento para pacientes com covid-19 de dez para sete dias. A nova recomendação foi anunciada em entrevista coletiva do ministro Marcelo Queiroga nesta segunda-feira (10). O ministério ressalta, no entanto, que a medida vale para casos leves e moderados da doença, desde que o paciente não apresente febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24 horas e sem o uso de antitérmicos.

Segundo a recomendação do ministério, o período de isolamento pode ser menor ou maior que 7 dias, dependendo da evolução do paciente com covid-19. Confira abaixo:

Pacientes que ainda apresentem sintomas no 7º dia: é obrigatória a realização da testagem antes de deixar o isolamento. Se o resultado for negativo, a pessoa deve aguardar 24 horas sem sintomas respiratórios e febre (sem o uso de antitérmicos) para sair do isolamento. Em caso de resultado positivo, deve ser mantido o isolamento por pelo menos 10 dias a partir do início dos sintomas. Depois desse prazo, o paciente está liberado do isolamento se não tiver febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24h e sem o uso de remédios.

Pacientes sem sintomas no 7º dia: se o paciente não apresentar sintomas respiratórios nem febre há pelo menos 24 horas e sem o uso de medicação, pode sair do isolamento sem a necessidade de teste.

Pacientes sem sintomas a partir do 5º dia: aqueles que tiverem resultados de teste RT-PCR ou teste rápido de antígeno para covid-19 negativo poderão sair do isolamento, desde que não tenham febre nem sintomas respiratórios (sem o uso de antitérmicos). Se o resultado for positivo, é necessário ficar isolado por 10 dias a contar do início dos sintomas.

O ministério enfatiza que, para todos os casos em que o isolamento for encerrado no 5º ou no 7º dia, as pessoas devem manter as medidas adicionais até o 10º dia, como o uso de máscaras, higienização das mãos, evitar contato com pessoas imunocomprometidas ou que tenham fatores de risco para agravamento da Covid-19.
Segundo o secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Arnaldo Medeiros, a decisão do ministério decorre da atualização do guia epidemiológico, elaborado por especialistas. O material com as orientações está disponível no site do ministério.

Aumento de casos de Covid lotam hospitais: saiba como agir

Hospitais Anahp registram aumento de 655% nos casos de Covid-19 e 270% de Influenza

O ano de 2022 começou já registrando um grande aumento de casos de Covid. Após os encontros e viagens de final de ano, o número de exames positivos para coronavírus disparou por diferentes regiões do país. Como consequência, hospitais particulares e públicos estão com prontos-socorros cheios.

Uma pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) mostrou que o aumento no número de casos de Covid-19 entre os hospitais associados à entidade foi, em média, de 655%, desde dezembro de 2021. Algumas instituições chegaram a relatar aumentos maiores que 1000%.

Além do coronavírus, outra preocupação é o surto de Influenza. O levantamento da Anahp mostrou uma alta, em média, de 270% no número de casos, também sobrecarregando as instituições. Em muitas cidades brasileiras, hospitais estão com espera de várias horas para atendimento no pronto-socorro.

Para ajudar a orientar a população sobre o que fazer em caso de sintomas gripais, a Anahp divulgou importantes recomendações, inclusive sobre quem deve procurar atendimento no pronto-socorro dos hospitais. Confira:

· Devem procurar o pronto-socorro apenas os pacientes com: sintomas persistentes, falta de ar, febre persistente, tosse intensa ou com doenças crônicas pré-existentes.

· A população deve manter rígidos os cuidados com a utilização correta de máscara, o distanciamento social e a higienização adequada das mãos.

· Aqueles que estiverem com sintomas leves ou assintomáticos devem priorizar a busca por atendimentos ambulatoriais (por exemplo, consultas médicas, preferencialmente via telemedicina). Assim, o paciente se protege de uma exposição desnecessária dentro de ambientes como hospitais, que devem ser utilizados para o atendimento de pessoas com sintomas mais severos.

· Ao passar por uma consulta, o paciente será avaliado clinicamente e terá a indicação médica correta sobre a necessidade ou não de testagem, assim como de qual tipo de teste é o mais adequado de acordo com os sintomas que apresenta.

As orientações divulgadas pela Anahp foram listadas por Vania Rohsig, Superintendente Assistencial e de Educação do Hospital Moinhos de Vento e Coordenadora do Grupo de Trabalho Organização Assistencial da Anahp, e Priscila Rosseto, Gerente-executiva de Qualidade, Segurança e Práticas Assistenciais da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e Coordenadora do Grupo de Trabalho de Melhores Práticas Assistenciais da Anahp.

Dezembro Laranja: queda no número de diagnósticos de câncer de pele na pandemia acende alerta para prevenção

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 556 mil novos casos de câncer de pele no triênio 2020 e 2022, sendo mais de 185 mil em cada ano. Entretanto, o total de diagnósticos feitos entre o início de 2020 e outubro deste ano não chega a 100 mil. O medo da Covid-19 fez as pessoas deixarem de ir ao médico e isso acendeu um sinal de alerta na prevenção desse tipo de câncer, que representa 30% dos casos da doença no Brasil.

“Se diagnosticado em fase inicial, há 90% de chances de cura. No entanto, no período mais recente, em razão da pandemia e do medo das pessoas de fazerem exames rotineiros ou consultarem um médico, muitos pacientes tiveram o diagnóstico retardado, resultando em aumento do número de casos de câncer de pele descobertos em fases avançadas”, afirma Veridiana Camargo, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Também por causa da pandemia, foram abandonados hábitos que contribuem na prevenção da doença, como deixar de usar protetor solar por achar que, estando em casa, não se está suscetível à radiação UV. Algumas pessoas também começaram a tomar sol com o objetivo de metabolizar a vitamina D, mas nem sempre se atentando às recomendações de horário.

Os números mostram que o cenário já não era favorável antes da pandemia. Embora seja um câncer de fácil prevenção, o tipo não melanoma é a neoplasia mais frequente entre homens e mulheres no mundo todo.

“Embora o Brasil seja um país ensolarado a maior parte do ano, a população, principalmente aqueles que vivem longe do litoral, pouco adere ao uso do protetor solar nas regiões do corpo expostas ao sol no dia a dia. O hábito de examinar a pele para acompanhar o surgimento e evolução de pintas e sinais suspeitos também é pouco difundido, sendo que nem sempre esse motivo leva o brasileiro ao consultório do dermatologista”, explica Reinaldo Tovo, coordenador do Núcleo de Dermatologia do Hospital Sírio-Libanês.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia comparou os números de pedidos de biópsias para detecção do câncer de pele feitos em 2019, período anterior à pandemia, e em 2020 e constatou uma diminuição de 48%.

Como se prevenir
O câncer de pele é o crescimento anormal das células da pele, normalmente em áreas com grande exposição ao sol – mas também podem acontecer casos em regiões não expostas. Está dividido em dois tipos:

  •  Não melanoma: é um dos tumores malignos mais registrados no país, costuma ser mais brando e evoluir de forma mais lenta.
  • Melanoma: é considerado grave devido ao alto risco de metástase, que é o espalhamento do câncer para outros órgãos.

Embora menos incidente (3% dos casos), o melanoma causa cerca de 2 mil mortes por ano. Mas, diferentemente do que muitos imaginam, o câncer de pele não melanoma (o mais comum é o carcinoma, que é menos agressivo), responde por 2,6 mil óbitos por ano no país.

Os médicos alertam para uma visão equivocada de que o tumor de pele, agressivo ou não, é um câncer menos grave. “Não é. Trata-se de uma doença maligna, que exige tratamento e acompanhamento”, reforça a oncologista da BP, Veridiana Camargo.

Esse tipo de câncer pode ser totalmente assintomático, por isso os especialistas recomendam uma consulta anual com o dermatologista e procurá-lo sempre que notar:

  • Manchas ou lesões assimétricas, com bordas irregulares, diâmetro de mais de 6 mm, que mudam de cor, formato ou tamanho;
  • Feridas que não cicatrizam entre 4 a 6 semanas;
  • Nódulos na pele com pequenas ulcerações ou verrugas dolorosas de crescimento progressivo.

Alguns fatores aumentam o risco:

  • Pele, olhos ou cabelos claros;
  • Histórico familiar da doença;
  • Ter o sistema imunológico enfraquecido por transplante, tratamento oncológico e infecções (como HPV);
  • Síndromes genéticas, como o albinismo.

Mas, independentemente de estar nesses grupos, a prevenção é fundamental. Para evitar a doença, é preciso adotar os seguintes cuidados:

  • Evitar ao máximo pegar sol das 9h às 15h;
  • Usar sempre protetor solar e reaplicar ao longo do dia;
  • Também ajudam na proteção chapéus, óculos de sol, camisetas, guarda-sol e guarda-chuva.

Medicina do Futuro: a tecnologia como aliada da sua saúde

Garantir mais qualidade de vida à população que está envelhecendo é um dos grandes focos da medicina do futuro. Para isso, a chave é dar mais atenção à prevenção de doenças, em uma proposta “mais proativa na questão da saúde”, segundo Emmanuel Fombu, médico e autor do best-seller “The Future of Healthcare” (“O Futuro do cuidado com a Saúde”, em tradução livre). Ele participou da palestra de abertura da mais recente edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2021.

O médico comenta que o sistema de saúde atual foca em esperar que sintomas apareçam, progridam, para só então fazer múltiplos exames, diagnosticar e aí poder fazer a intervenção. “O que desejamos para o sistema de saúde até 2030 é diferente. Entender quais são os riscos de ter a doença, intervir antes e chegar a um diagnóstico mais preventivo. E quando a doença acontecer, se ela acontecer, a gente terá como tratá-la da melhor forma, para que possamos ser a melhor versão de nós mesmos”.

O que a tecnologia pode fazer pela sua saúde?

No mundo ideal, o tratamento adequado a cada caso seria discutido com base em dados prévios de cada pessoa, e não apenas os registros do paciente no momento do exame. Graças à tecnologia, essa tendência já vem se delineando no presente. “Estamos falando de bilhões de dólares investidos em telessaúde e muito tem se dedicado ao monitoramento do que acontece com o paciente”, ressalta. Ele lembra que custa mais caro para o plano de saúde ou para o governo atender a pessoa já doente no hospital do que fazer esse monitoramento prévio.

Alguns smartwatches disponíveis no mercado permitem coletar dados de saúde com facilidade – até quando você está dormindo – captando variações e detectando problemas de saúde antes que os primeiros sintomas apareçam. Esses dados podem ser transmitidos para uma equipe médica que entenderá melhor o contexto em que as alterações na saúde ocorreram.

O futurologista aponta que esse histórico de saúde do paciente faz toda a diferença. Fombu compara a medição comum da pressão sanguínea com a foto de um momento específico da sua saúde, enquanto o ideal seria captar todo o seu histórico. Ele exemplifica com eventos que podem alterar seus exames momentaneamente: “A pressão de um paciente estava normal, mas ao meio dia aumentou. A namorada terminou o relacionamento com ele, o que aumentou o batimento cardíaco. Se você tivesse que medir a pressão dele apenas neste momento, você acharia que ele tem hipertensão. Mas, se você olhar o contexto, vai ver que foi um evento específico que causou esse aumento do batimento cardíaco. Com acesso a essa informação, o tratamento seria outro”, explica.

Outra frente viabilizada pela tecnologia é a telemedicina. O especialista lembra que há alguns anos já se previa o uso massivo de serviços de medicina remota, que foram adotados em larga escala apenas durante a pandemia. “A gente já está implementando isso agora e a adoção dessa abordagem vai ser muito massiva muito em breve”, avalia. No entanto, existem alguns desafios neste caminho. “Precisamos educar os pacientes sobre os benefícios de uma consulta virtual. Também a tecnologia, por si só, é um grande desafio. Várias pessoas não têm acesso à internet, outras não têm um celular compatível com a tecnologia necessária”, lamenta.

Conheça os principais distúrbios neurológicos causados pela Covid-19

Pacientes com comorbidades correm mais risco de potencialização dos sintomas

Conforme avança o tempo de pandemia, surgem cada vez mais relatos acerca da incidência de diferentes sequelas pós-Covid, com destaque para as manifestações neurológicas, que estão entre as mais frequentes. Um levantamento conduzido por universidades do México, Suécia e Estados Unidos identificou que entre as 55 repercussões da chamada “Covid longa”, como dores de cabeça, dificuldade em manter a atenção e fadiga.

Já uma matéria publicada pela revista científica The Lancet Psychiatry demonstrou que, após serem curados, 34% daqueles infectados pelo SARS-COV-2 desenvolvem problemas neuropsiquiátricos. Esta não é a única associação entre a infecção causada pelo coronavírus e o cérebro. Dados da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte mostram que, no caso de pacientes que já sofrem de determinadas comorbidades neurológicas, as repercussões causadas pelo vírus podem se apresentar de maneira acentuada.

Entre os sintomas neuropsiquiátricos que podem persistir em pacientes já curados da Covid-19 estão dores de cabeça, déficit de atenção, perda de memória, ansiedade, depressão, fadiga, dor muscular e a perda do paladar e do olfato. Não se sabe a origem específica das sequelas, mas uma possível explicação seria uma resposta inflamatória sistêmica, desencadeada pelo organismo para combater as agressões provocadas pelo coronavírus.

Neurologista do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, Maurício Hoshino explica que o cérebro está entre os órgãos mais sensíveis diante da infecção pelo novo coronavírus e, por isso, o monitoramento do processo de reabilitação neurológica pós-Covid é essencial. “Ainda não se sabe por que estas repercussões apresentam dificuldade elevada na reabilitação”, afirma o especialista.

Vale notar que o surgimento dessas manifestações é menos frequente entre pacientes que tiveram quadros leves ou assintomáticos, mas mesmo esse grupo está suscetível às repercussões citadas.  Em casos graves, a infecção pelo coronavírus pode levar a incidência de convulsões e, até mesmo, a um acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC.

Não existe uma média definitiva para a permanência dos sintomas neurológicos causados, porém um estudo publicado no jornal médico Jama Network identificou que estes problemas podem persistir por até nove meses.  Se não monitorados a tempo, os casos podem se agravar e levar a sequelas duradouras.

No entanto, Hoshino destaca que, devido ao modo como o vírus se manifesta no sistema neurológico, os tratamentos disponíveis nem sempre têm a eficácia esperada. “Os tratamentos são específicos e sintomáticos, ou seja, variam de acordo com a função comprometida. Se um indivíduo apresenta certa fraqueza e fadiga, a reabilitação vai girar em torno de exercícios musculares e a utilização de analgésicos. Contudo, sabemos que a resposta será parcial e lenta.”

O neurologista reforça que ainda não existe um tratamento padronizado para estas sequelas. Outro dado preocupante é que não há medidas preventivas ou grupos de risco associados ao fenômeno. Entretanto, o especialista aponta que, para pacientes que já possuíam comorbidades neurológicas antes de serem acometidos pela Covid-19, os novos sintomas causados pela doença podem agravar o quadro já presente.

Os sintomas acabam sendo muito mais intensos e difíceis de aliviar. Segundo o médico, algumas condições crônicas podem ser potencializadas pela presença do vírus e, por isso, indivíduos que se enquadram nessas características devem ficar especialmente atentos a todos os cuidados sanitários recomendados durante a pandemia, visto que não existem métodos específicos de prevenção para essas manifestações.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina.

Como não confundir uma crise alérgica típica de inverno com a Covid-19?

Com o surgimento das variantes do coronavírus, está cada vez mais difícil distinguir os sintomas de certas alergia e os da Covid

O inverno pode desencadear ou agravar crises alérgicas, que, por sua vez, podem causar desconfortos no nariz e na garganta. Em tempos de pandemia, é natural que o paciente se pergunte se está com Covid-19. O Saúde da Saúde conversou sobre o assunto com a otorrinolaringologista Renata Vecentin Becker, do Hospital IPO, de Curitiba. Atualmente, essa confusão faz mesmo sentido.

Saúde da Saúde – Quais são as alergias que costumam ter crises desencadeadas no inverno?
Renata Becker – Alergias respiratórias relacionadas a ácaros (poeira) e fungos (bolor, mofo) são as mais comuns.

Por que isso acontece?
Com o inverno, os ambientes ficam mais fechados e há maior proliferação de ácaros e fungos nos ambientes. Além da rinite alérgica, nessa época do ano, sofremos com a rinite não alérgica ou vasomotora, que causa sintomas devido à irritação da mucosa nasal, ocasionada por agentes como mudança de temperatura, cheiros fortes ou tempo seco.

Quais são os sintomas típicos dessas alergias?
Congestão nasal, espirros, coriza, tosse seca, ressecamento nasal, que muitas vezes, podem evoluir para infecções em ouvido, nariz, garganta e pulmões.

Como diferenciar esses sintomas de alergia dos da Covid-19?
Atualmente, com o aparecimento de novas variantes, está cada vez mais difícil diferenciar um quadro de rinite e Covid. Nesses casos, além de conversarmos sobre a exposição do paciente, solicitamos o isolamento social e pedimos o exame de PCR ou antígeno viral a partir do terceiro dia de sintomas para descartar infecção pelo coronavírus.

Uma pessoa que tem rinite, por exemplo, e tem sofrido com coriza e incômodo na garganta deve fazer exame de Covid-19, por via das dúvidas?
Com certeza!

Como prevenir crises alérgicas no inverno?
Manter os ambientes bem ventilados, aumentar a ingestão de água, manter dieta saudável e umidificar as narinas com uso de soro fisiológico 0,9% frequentemente.

E como tratá-las?
O tratamento deve ser individualizado. Além da lavagem nasal com soro, alguns pacientes se beneficiarão do uso de determinados medicamentos. Para a melhor escolha, o seu médico de confiança deve ser consultado.

Trabalho remoto na pandemia pode aumentar os casos de Síndrome de Burnout. Entenda como tratar e prevenir

A pandemia de Covid-19 trouxe desafios para além do combate ao vírus. Muitos profissionais passaram a acumular cargas de trabalho excessivas e desgastantes em paralelo ao medo do desemprego e do endividamento, da doença e da morte. Trabalhadores da saúde, professores e profissionais de diversas áreas que também precisam cuidar dos filhos são exemplos emblemáticos das categorias mais prejudicadas. Por isso, é preciso falar também de saúde mental. Em especial, da Síndrome de Burnout, mal desencadeado pelo esgotamento físico e psíquico em períodos de estresse intenso e persistente.

Por razões culturais, há quem ainda enxergue a sobrecarga profissional como um sinônimo de relevância ou de sucesso, mas os riscos à saúde são graves.
Para a psicóloga Marina Arnoni Balieiro, do Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, o cenário atual é altamente propício a desenvolvimento do problema. Entre os motivos, destacam-se a flexibilidade de horário do trabalho remoto e as restrições dos escapes antes habituais, como a pausas para o almoço e o cafezinho ao longo do dia, além da tradicional happy hour com colegas do trabalho no fim do expediente. “Tudo isso eleva a pressão sobre o indivíduo, o que pode levar a uma crise de ansiedade ou mesmo à depressão”, adverte Marina.

Mas por que algumas pessoas se tornam ansiosas, deprimidas ou chegam a desenvolver burnout ao passo que outras conseguem atravessar este período difícil com mais tranquilidade? “O desenvolvimento da síndrome não pode ser generalizado para toda a população, pois se trata de uma soma de fatores ambientais e atributos individuais. Por vezes, a pressão profissional pode ter origem na instituição empregadora, na própria profissão ou mesmo estar associada a características do paciente”, explica.

Independentemente do fator desencadeante, é importante observar os primeiros sinais para um diagnóstico precoce, considerando que o esgotamento costuma ocorrer de forma gradual. Ao longo da evolução do quadro, podem ocorrer, por exemplo, sinais como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade, baixa autoestima e desânimo. Quando o quadro atinge um estágio mais grave, surgem também dores (no corpo e de cabeça), uma insegurança bastante acentuada e depressão.

Para evitar essa evolução dos sintomas, o ideal é que o diagnóstico ocorra logo no início. Nesse estágio, em geral, psicoterapia e mudança de hábitos podem proporcionar o reestabelecimento da saúde física e mental antes do colapso. Em quadros mais avançados, quando o paciente tem crises de choro sucessivas e/ou não consegue mais sair da cama, pode ser necessário haver também acompanhamento psiquiátrico e medicação, em paralelo à psicoterapia. Ainda que a distância, no atual contexto de distanciamento social, o indivíduo precisa contar com uma rede de apoio para além dos profissionais de saúde, que inclua também familiares, amigos, vizinhos, chefes e colegas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Edmundo Vasconcelos.