Especial Coronavírus

Autoteste, antígeno, PCR… saiba a diferença entre eles e quando é a hora de testar

1 de fevereiro, 2022

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a venda de autotestes de Covid-19 em farmácias no país. Populares no exterior, esses testes podem ser feitos pelo próprio paciente em casa e sem a ajuda de um profissional da saúde. A ideia é ter um recurso a mais para diagnosticar a infecção pelo coronavírus diante do aumento de casos por causa da variante ômicron, que tem causado escassez dos outros tipos de testagem.

Porém, ainda é preciso mais uma etapa para que os autotestes cheguem aos consumidores: cada empresa que quiser comercializar o produto precisa solicitar o registro na Anvisa, que vai analisar caso a caso. A agência estima ter os primeiros testes aprovados para venda em fevereiro. O órgão ressalta que é proibida a venda de autotestes na internet, em sites que não sejam de farmácias ou estabelecimentos de saúde autorizados e licenciados pela vigilância sanitária.

Segundo a Anvisa, o autoteste de pesquisa de antígeno de Covid-19 deve ser usado como triagem para permitir o isolamento precoce e evitar a transmissão do vírus. A agência ressalta que o diagnóstico depende de confirmação em um serviço de saúde. Nos casos em que o autoteste der positivo, a orientação do Ministério da Saúde é de buscar atendimento médico.

Abaixo, você fica sabendo a diferença entre o autoteste e os demais tipos disponíveis no mercado, segundo informações da Anvisa e do Hospital Mãe de Deus (RS). Vai entender, ainda, qual o melhor momento para fazer o teste. Confira:

AUTOTESTE
Como funciona: o autoteste identifica o antígeno viral, uma estrutura que faz com que o corpo produza uma resposta imunológica, que são os anticorpos. Ao comprar o autoteste, a pessoa recebe um kit composto por um dispositivo de teste, um swab (um cotonete com haste longa e estéril), um tampão de extração e um filtro. A amostra é coletada com a introdução não muito profunda do swab no nariz. A pessoa deve então seguir as instruções detalhadas do autoteste para ter o resultado – que sai entre 15 e 20 minutos.

Quando fazer: se estiver apresentando sintomas (como febre, tosse, dor de garganta, coriza e dor de cabeça) ou se tiver contato com alguém que tenha um resultado positivo recente para Covid-19. O autoteste pode ser feito entre o 1º e o 7º dia do início dos sintomas OU a partir do 5º dia do contato com a pessoa infectada pelo coronavírus.

ATENÇÃO! A Anvisa ressalta que o autoteste NÃO DEVE ser utilizado em casos que apresentem sintomas como falta de ar, baixos níveis de saturação de oxigênio (abaixo de 95%), cianose (cor azulada nas unhas, pele, lábios), letargia (sono profundo), confusão mental e sinais de desidratação. O paciente com esses sintomas deve procurar um serviço de saúde o mais rápido possível.

RT-PCR
Como funciona: é considerado o padrão-ouro no diagnóstico da Covid-19 e identifica o vírus no período em que está ativo no organismo. A confirmação da infecção é obtida pela detecção de material genético do SARS-CoV-2 na amostra analisada, que é obtida pela raspagem de secreção nas narinas ou garganta do paciente. A coleta é feita com um swab por um profissional de saúde, e a amostra é analisada em laboratório.

Quando fazer: a coleta da amostra para o teste PCR deve ser realizada, de preferência, entre o 3º e o 10º dia após o início dos sintomas.

TESTE RÁPIDO
Como funciona: há no mercado dois tipos de testes rápidos: de antígeno (que detectam a fase de atividade da infecção) e de anticorpos (que indica uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus). A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para a decisão da conduta médica. Entretanto, eles têm sensibilidade e especificidade reduzidas em comparação às outras metodologias – por isso é importante ter a orientação e o acompanhamento de um médico.

Quando fazer: para maior eficácia, é recomendável que o material seja coletado a partir do 10º dia do início dos sintomas. O resultado fica pronto em até 2 horas.

SOROLOGIA
Como funciona: verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus a partir da detecção de anticorpos IgG e IgM em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2. O exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente.

Quando fazer: para que o teste tenha maior sensibilidade, recomenda-se que seja realizado ao menos 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que a produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus.

ATENÇÃO! Vale ressaltar que nem todas as pessoas infectadas pelo coronavírus desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis, principalmente nos casos com sintomas leves ou assintomáticos. Assim, pode haver resultados negativos na sorologia mesmo em pessoas que tiveram Covid-19 confirmada por exame RT-PCR.

Recomendação da Anahp
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) não recomenda a ida ao pronto-socorro apenas com a intenção de fazer um teste de Covid-19. Devem recorrer aos hospitais somente os pacientes com sintomas persistentes – falta de ar, febre, tosse intensa – ou com doenças crônicas pré-existentes.

Aqueles que estiverem com sintomas leves ou assintomáticos devem priorizar a busca por atendimento ambulatorial em consultas médicas, de preferência por telemedicina. Assim, o paciente se protege de uma exposição desnecessária dentro de ambientes hospitalares.

Ao passar por uma consulta, o paciente será avaliado clinicamente e terá a indicação correta sobre a necessidade ou não de testagem e também sobre o tipo de teste mais adequado de acordo com os sintomas que apresenta.