Especial Coronavírus

Câncer de intestino: queda na realização de exames de colonoscopia na pandemia preocupa especialistas

24 de junho, 2021

Hospital registra queda de 67% no número de exames realizados para detecção precoce da doença

A preocupação com o risco de contaminação pelo coronavírus tem levado muitos pacientes a se focar somente em medidas de prevenção, descuidando de outros aspectos da saúde. O uso da máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social seguem imprescindíveis durante a pandemia, mas manter o acompanhamento médico e os exames em dia também são medidas essenciais para se evitar o agravamento de doenças potencialmente graves, como o câncer do intestino.

Um levantamento das áreas de Coloproctologia, Endoscopia e Oncologia Gastrointestinal do Hospital Moinhos de Vento (HMV), de Porto Alegre, aponta para uma queda de 67% no número de colonoscopias entre abril e agosto de 2020, em relação ao ano anterior. A preocupação dos especialistas é que neste ano a redução ocorra novamente, diante do prolongamento da pandemia de Covid-19. Essa diminuição levou à queda de 44% no diagnóstico dos casos de câncer de intestino no mesmo período.

A colonoscopia é um exame fundamental para a detecção da doença. No Rio Grande do Sul, o câncer de intestino é o segundo tipo de maior incidência entre mulheres e o terceiro entre os homens, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Atualmente, é recomendado o rastreamento das neoplasias (multiplicação anormal de células) no intestino grosso a partir dos 45 anos para ambos os sexos. Se houver caso na família, a investigação deve se iniciar dez anos antes da idade do paciente que teve a doença”, explica o oncologista clínico Rui Weschenfelder, médico do Núcleo de Oncologia Gastrointestinal do HMV.

De acordo com a chefe do Serviço de Coloproctologia do Moinhos de Vento, Heloisa Guedes Mussnich, a colonoscopia é um exame que identifica a existência de pólipos (alterações resultantes do crescimento celular desordenado) que podem se tornar malignos e, portanto, devem ser removidos. “Deixamos de diagnosticar pacientes que podem ter pólipos que poderão se tornar tumores”, destaca Heloisa.

Rui explica que os pólipos muitas vezes não apresentam sintomas. O aparecimento de sangramento nas fezes e a alteração do hábito intestinal já podem indicar uma doença que teve tempo para se desenvolver. “O ideal é fazer o exame periodicamente. Estamos aprendendo com a pandemia. É preciso haver equilíbrio, proteger-se da Covid-19 sem descuidar da saúde. As outras doenças continuam ocorrendo”, afirma o oncologista.

Fonte: Edição do texto original do Hospital Moinhos de Vento.