Prevenção

Cardiopatia congênita afeta 30 mil crianças por ano no Brasil

5 de julho, 2022

Segundo dados do Ministério da Saúde, cardiopatias representam 40% de todas as malformações ao nascimento

As cardiopatias congênitas são diferentes tipos de malformações no coração do bebê, quando ele ainda está se desenvolvendo na barriga da mãe. Segundo dados do Ministério da Saúde, 1% do total de bebês que nascem no Brasil tem alguma cardiopatia congênita, ou seja, são cerca de 29 mil novos casos por ano – e aproximadamente 23 mil crianças que precisarão de cirurgia no primeiro ano de vida. No total, as cardiopatias representam 40% de todas as malformações ao nascimento.

“Entre as causas estão condições maternas, como diabetes mellitus, hipertensão, lúpus, infecções como a rubéola e a sífilis, uso de medicamentos e drogas e histórico familiar. Quando a mulher é cardiopata e já tem um filho também com a enfermidade, a chance de ela gerar outra criança com alterações cardíacas aumenta”, alerta Ieda Jatene, cardiologista responsável pelo Serviço de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Hcor.

Para Helenilce de Paula Fiod Costa, neonatologista e supervisora técnica da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Joana, diagnósticos e tratamentos precoces contribuem para melhorar a qualidade de vida das crianças com cardiopatia congênita. “Por isso, o trabalho da equipe multidisciplinar, de forma complementar e simultânea, é tão importante”, compartilhou a especialista durante o 1° Simpósio de Cardiologia Perinatal do Hospital e Maternidade Santa Joana, realizado em junho deste ano.

Ainda que a anomalia possa ser diagnosticada durante a gestação, por meio do ecocardiograma fetal, realizado entre 21 e 28 semanas, muitas vezes só é descoberta após o nascimento, quando o Teste do Coraçãozinho é feito na maternidade.

“O tratamento pode começar ainda na fase fetal, após um diagnóstico intrauterino, e seguir por toda a vida. Existem cardiopatias que, ao serem tratadas na infância, permitem o desenvolvimento de uma forma muito próxima da normalidade. Dependendo do caso, podemos realizar procedimentos menos invasivos, como cateterismo, implantes de balões e stents, ou mais complexos, utilizando uma sala híbrida, ambiente que une centro cirúrgico, laboratório de hemodinâmica e equipamentos de imagem de alta definição”, explica Ieda.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a cardiopatia congênita representa a terceira causa de óbito no período neonatal no Brasil. Além disso, nas regiões Sul e Sudeste, aproximadamente 80% das crianças cardiopatas são diagnosticadas e tratadas, enquanto nas regiões Norte e Nordeste a situação é diferente e até 80% dessas crianças não conseguem diagnóstico e tratamento.

Fonte: edição de textos originados pelos hospitais Santa Joana e Hcor