Especial Coronavírus

Cinco fatos sobre o coronavírus que é importante saber

O Brasil registrou nesta quarta-feira (26/2) o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus. O homem de 61 anos que mora em São Paulo e esteve recentemente na Itália também é o primeiro caso da doença na América Latina. Descoberto na China, na província de Hubei, o vírus tem se espalhado para outros países, e em todo o mundo já são mais de 80,9 mil casos segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor da OMS, Hans Kluge, afirmou que “não há necessidade de pânico”, pois a letalidade do vírus é de apenas 2%. “Lembrem-se que quatro de cada cinco pacientes têm sintomas leves e se recuperam”, afirmou.

O coronavírus foi tema de um talk show no Hospital Sírio-Libanês (HSL) no dia 11 de fevereiro. Participaram do evento os médicos que fazem parte do Centro de Infectologia do HSL, anunciado oficialmente na mesma ocasião. Os infectologistas esclareceram algumas questões sobre o coronavírus e responderam às dúvidas do público. Veja abaixo cinco fatos sobre o coronavírus que a população deve saber:

Qual a origem do vírus?
Os coronavírus pertencem a uma família de vírus que tem esse nome porque são esféricos e com várias espículas em seu contorno, assemelhando-se a uma coroa – “corona”, em latim. De um modo geral, infectam animais como morcegos, gatos selvagens, porcos e dromedários. “O vírus só infecta humanos quando consegue ter mutações para se ligar a receptores de células do trato respiratório humano”, explicou o infectologista Antonio Carlos Nicodemo. Ao todo, já foram identificados sete coronavírus que causam infecção em humanos.

Qual a letalidade do novo coronavírus?
A epidemia de SARS, a síndrome respiratória grave por coronavírus, que ocorreu em 2002 e também se iniciou na China, teve uma letalidade de 9,6%. Dez anos depois, em 2012, uma outra epidemia por coronavírus que começou na Arábia Saudita foi chamada de síndrome respiratória do Oriente Médio. Assim como a SARS, ela também se espalhou por outros continentes e atingiu uma letalidade de 34,4%. O novo coronavírus foi identificado após casos de pneumonias na China, que foram relacionados ao mercado de uma cidade onde eram vendidos animais selvagens e também alguns alimentos. Uma semana depois de descobrir o vírus, já havia sido feito o seu sequenciamento genético e, por enquanto, se estima a letalidade entre 2% e 3%. “Parece uma letalidade bem inferior aos outros dois surtos de 2002 e 2012”, afirma Nicodemo.
Sobre as chances de contágio, ainda não há um dado específico do novo coronavírus. Para título de comparação, a epidemia de SARS teve cerca de 8 mil casos confirmados, e o novo coronavírus já ultrapassou 80 mil no mundo.

Quais são os principais sintomas?
A doença tem características clínicas muito parecidas com uma gripe habitual. “Os sintomas principais são febre muito elevada, tosse pouco produtiva e dificuldade respiratória. Uma quantidade muito grande de pacientes evolui com dificuldade de respiração. Chamamos isso de dispneia, ou seja, a pessoa sente falta de ar”, explica a infectologista Maria Beatriz Gandra Souza Dias.
No início da epidemia, em torno de 25% dos casos eram mais graves e com necessidade de internação. Ao longo do tempo, isso foi diminuindo, afirma a especialista. “De acordo com o último trabalho publicado, atualmente, cerca de 5% são casos graves”, afirma Maria Beatriz.
Ela explicou ainda que um número menor de casos pode ter desconforto digestivo, com ocorrência de diarreia entre 5% e 10% dos pacientes.

Existe alguma vacina?
A vacina é sempre a situação ideal para a prevenção de qualquer agente infeccioso. Cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) divulgaram um boletim afirmando que devem começar a testar vacinas contra o novo coronavírus em humanos dentro de até três meses. “Mas não vai ser algo rápido. Começam os testes em cerca de três meses e, num cenário muito otimista, com todas as fases para liberação e produção de uma vacina, isso poderia durar cerca de um ano”, afirma a infectologista Tânia Mara Varejão Strabelli.
Até o momento, não há um tratamento específico para o novo coronavírus. Os pacientes recebem medicação para o alívio dos sintomas e suporte de terapia intensiva quando têm dificuldade de respirar.

Como posso me proteger?
Há alguns cuidados simples que podem reduzir as chances de contágio: evitar contato direto com pessoas que tenham sinais de infecção respiratória, cobrir nariz e boca quando for tossir ou espirrar e higienizar as mãos com frequência utilizando água e sabão ou álcool em gel – principalmente após tossir ou espirrar.
A OMS recomenda evitar viagens para a província de Hubei, na China, onde fica a cidade de Wuhan, considerada o epicentro do novo coronavírus.

Quer saber mais? Você pode assistir ao talk show completo no canal do YouTube do HSL.