Especial Coronavírus

Como fica o sistema respiratório pós-Covid?

30 de agosto, 2021

Entenda como o novo coronavírus afeta os pulmões e as consequências para o organismo

O Sars-CoV-2, nome atribuído ao novo coronavírus, atinge cada pessoa de maneira diferente, e esse é o grande desafio em relação à Covid-19. Sabe-se que os grupos de risco, por exemplo, têm mais chances de desenvolver o estado grave da doença, como idosos, pessoas com doenças no coração e nos pulmões, além de pacientes imunossuprimidos.

Apesar de a infecção pelo novo coronavírus apresentar risco para todo o organismo, a porta de entrada acontece pelo sistema respiratório. A atuação se dá da seguinte forma: o vírus é inalado, passa pelo sistema respiratório e, nesse caminho, destrói as células que revestem os brônquios e os alvéolos – pequenos sacos de ar que se encontram dentro dos pulmões, responsáveis pela troca gasosa, ou seja, levam oxigênio ao sangue. E não é só isso: o novo coronavírus também afeta o revestimento dos vasos sanguíneos, o que prejudica a circulação pulmonar, fazendo com que seja ativada uma coagulação e, consequentemente, sejam formados os chamados microtrombos.

Já nos pulmões, o vírus começa uma inflamação grave, que atinge, sobretudo, os alvéolos. Em seguida, o corpo detecta o vírus como uma ameaça e começa o processo para combater a inflamação. Assim, os alvéolos ficam com esses sacos de ar preenchidos com líquido, o que prejudica a troca gasosa. Dessa forma, o sangue não consegue receber oxigênio de maneira suficiente e não consegue eliminar o gás carbônico, que, em grande quantidade, faz com que se torne tóxico. Esse processo, então, gera a falta de ar sentida pelos pacientes. Este é o momento em que as pessoas precisam imediatamente de cuidados médicos.

A inflamação também torna os pulmões mais sensíveis para a entrada de bactérias, ou seja, além da atuação do vírus propriamente dito, pode surgir uma pneumonia bacteriana, que agrava o quadro clínico do paciente. Nesses casos mais graves, a pessoa necessita de oxigênio ou até mesmo ventilação mecânica. Até o momento, sabe-se que pacientes obesos e diabéticos têm mais chances de desenvolver o quadro grave de Covid-19, no entanto, isso também ocorre com pessoas jovens e sem doenças prévias.

De 10% a 15% das pessoas apresentam evolução para coagulopatia trombótica. No entanto, a maior parte dos pacientes – entre 85% e 90% – desenvolve quadros leves, com melhora sem medicação e sem queda na oxigenação. Nesse percentual menor de pacientes graves, vários tecidos do corpo, incluindo os pulmões, são prejudicados pela falta de irrigação no sangue e podem ocorrer trombose, necrose (morte de células ou de parte de um tecido que compõe um organismo vivo) ou fibrose como sequelas em longo prazo.

De acordo com a médica Suzana Pimenta, chefe da Equipe de Pneumologia do Hospital Nove de Julho, a maneira como o sistema respiratório ficará depois da Covid-19 vai depender muito da gravidade da pneumonia que o paciente apresentou. “As pessoas que desenvolveram formas mais leves geralmente apresentam recuperação completa. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver limitação funcional que, na maioria das vezes, é transitória, podendo persistir de semanas a meses, mas uma pequena parcela, entretanto, pode evoluir para fibrose, com perda funcional permanente”, explica.

Ainda de acordo com a médica, as principais sequelas da Covid-19 são danos respiratórios e fraqueza muscular: “As consequências respiratórias podem incluir cansaço, falta de ar e baixa oxigenação, que podem demorar dias, semanas ou meses para normalizar, dependendo da gravidade do quadro. Na fraqueza muscular, os pacientes se queixam de fadiga intensa e indisposição, sintomas que acabam se confundindo um pouco com a falta de ar; é um relato bem persistente da maioria dos pacientes e que pode durar semanas ou meses. A perda de olfato e de paladar também pode persistir”.

Quando buscar ajuda especializada?

– Uma vez diagnosticado com Covid-19, mantenha práticas de proteção ao organismo e tenha a atenção redobrada aos sintomas.

– Monitore a oxigenação do sangue de duas a três vezes ao dia, pelo menos; caso esteja menor que 93% ou que a oxigenação habitual, vá a um hospital.

– Hidrate-se em todas as fases da doença.

– Busque atendimento médico se a febre se mantiver por seis dias depois do começo dos sintomas.

– Não tome medicamentos sem orientação médica.

Ainda segundo Pimenta: “Existem os cuidados gerais, como manter uma boa alimentação e repouso. Os pacientes que permanecem com cansaço a qualquer esforço e até mesmo precisam de oxigênio ou ainda aqueles que estão com dificuldade para se locomover por fraqueza muscular precisam fazer fisioterapia motora e respiratória em casa para auxiliar na reabilitação; os pacientes que ainda precisam de oxigênio suplementar por não terem voltado à oxigenação basal devem manter oxigenoterapia em casa até o desmame, ou seja, a redução gradual do oxigênio até sua suspensão total”.

É necessária muita atenção aos sinais caso esteja doente. Evite aglomerações, use máscara e mantenha os cuidados com a higienização para conter a disseminação da doença. Depois de ter tido Covid-19, caso apresente sintomas como tosse, falta de ar, febre e chiado no peito, procure um médico, pois podem ser consequências da doença.

A médica reforça ainda que a melhor maneira de deixar o sistema imunológico protegido é com a vacinação completa contra o novo coronavírus. “Até o momento, não existe nenhuma medicação que ofereça essa proteção, mas adotar uma boa alimentação e evitar maus hábitos, como fumar e consumir álcool excessivamente, auxilia no processo”, completa.

Fonte: edição do texto originado do Hospital Nove de Julho.