Especial Coronavírus

Conheça o medicamento contra Covid-19 aprovado pela Anvisa para pessoas com imunidade comprometida

25 de março, 2022

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, temporariamente, o uso emergencial e em caráter experimental do medicamento Evusheld da empresa AstraZeneca. Trata-se do primeiro remédio contra Covid-19 com indicação profilática. Neste caso, o remédio não é usado para tratar a doença, mas sim para prevenir que a pessoa tenha sintomas se for infectada.

Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês e médica do serviço de Controle de Infecção Hospitalar, explica que, para receber esse medicamento, o paciente não pode estar com Covid-19 e nem ter sido exposto ao vírus.

Na autorização, a Anvisa restringiu a indicação do medicamento a pessoas imunocomprometidas, que são mais propensas a ter uma resposta imunológica menor à vacina contra a Covid-19 e também com mais chances de desenvolver a forma grave da doença.

“É um medicamento indicado para aquele grupo que tem o sistema imune fraco. Essas pessoas não vão ficar protegidas, ou ficarão muito pouco protegidas, pela vacina. Por exemplo: pessoas que fizeram transplante – dependendo do tipo e das medicações imunosupressoras que usam; pessoas que têm tumores reumatológicos; pessoas com HIV numa fase muito avançada e sem tratamento”, exemplifica Mirian Dal Ben.

A aplicação do Evusheld é feita em duas doses, por injeção intramuscular, em hospital ou serviço de saúde.

Segundo a infectologista, ainda não há um estudo para avaliar os resultados práticos do uso do Evusheld no Brasil. Mas, no estudo clínico considerado para a validação do uso emergencial do medicamento pela Anvisa, o grupo de pessoas imunosuprimidas que recebeu o medicamento teve menos sintomas de Covid-19 do que o grupo que não foi medicado.

Vacina

A autorização da Anvisa prevê a indicação do Evusheld também para pessoas às quais as vacinas contra a Covid-19 não sejam recomendadas. Por exemplo, indivíduos com histórico de reação alérgica grave à vacina ou a qualquer um de seus componentes.

A agência ressalta, no entanto, que o medicamento não substitui a vacina para aquelas pessoas que podem tomar o imunizante. “Pessoas para as quais a vacinação é indicada devem receber a vacina contra Covid-19 normalmente. Isso inclui aquelas com comprometimento imunológico moderado a grave, mas que podem se beneficiar da vacinação contra a infecção, segundo avaliação profissional”, informa a Anvisa.

O medicamento já possui aprovação para uso emergencial pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e também pelas autoridades reguladoras da França, Israel, Itália, Barein, Egito e Emirados Árabes Unidos.