Especial Coronavírus

Conheça os principais distúrbios neurológicos causados pela Covid-19

19 de agosto, 2021

Pacientes com comorbidades correm mais risco de potencialização dos sintomas

Conforme avança o tempo de pandemia, surgem cada vez mais relatos acerca da incidência de diferentes sequelas pós-Covid, com destaque para as manifestações neurológicas, que estão entre as mais frequentes. Um levantamento conduzido por universidades do México, Suécia e Estados Unidos identificou que entre as 55 repercussões da chamada “Covid longa”, como dores de cabeça, dificuldade em manter a atenção e fadiga.

Já uma matéria publicada pela revista científica The Lancet Psychiatry demonstrou que, após serem curados, 34% daqueles infectados pelo SARS-COV-2 desenvolvem problemas neuropsiquiátricos. Esta não é a única associação entre a infecção causada pelo coronavírus e o cérebro. Dados da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte mostram que, no caso de pacientes que já sofrem de determinadas comorbidades neurológicas, as repercussões causadas pelo vírus podem se apresentar de maneira acentuada.

Entre os sintomas neuropsiquiátricos que podem persistir em pacientes já curados da Covid-19 estão dores de cabeça, déficit de atenção, perda de memória, ansiedade, depressão, fadiga, dor muscular e a perda do paladar e do olfato. Não se sabe a origem específica das sequelas, mas uma possível explicação seria uma resposta inflamatória sistêmica, desencadeada pelo organismo para combater as agressões provocadas pelo coronavírus.

Neurologista do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, Maurício Hoshino explica que o cérebro está entre os órgãos mais sensíveis diante da infecção pelo novo coronavírus e, por isso, o monitoramento do processo de reabilitação neurológica pós-Covid é essencial. “Ainda não se sabe por que estas repercussões apresentam dificuldade elevada na reabilitação”, afirma o especialista.

Vale notar que o surgimento dessas manifestações é menos frequente entre pacientes que tiveram quadros leves ou assintomáticos, mas mesmo esse grupo está suscetível às repercussões citadas.  Em casos graves, a infecção pelo coronavírus pode levar a incidência de convulsões e, até mesmo, a um acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC.

Não existe uma média definitiva para a permanência dos sintomas neurológicos causados, porém um estudo publicado no jornal médico Jama Network identificou que estes problemas podem persistir por até nove meses.  Se não monitorados a tempo, os casos podem se agravar e levar a sequelas duradouras.

No entanto, Hoshino destaca que, devido ao modo como o vírus se manifesta no sistema neurológico, os tratamentos disponíveis nem sempre têm a eficácia esperada. “Os tratamentos são específicos e sintomáticos, ou seja, variam de acordo com a função comprometida. Se um indivíduo apresenta certa fraqueza e fadiga, a reabilitação vai girar em torno de exercícios musculares e a utilização de analgésicos. Contudo, sabemos que a resposta será parcial e lenta.”

O neurologista reforça que ainda não existe um tratamento padronizado para estas sequelas. Outro dado preocupante é que não há medidas preventivas ou grupos de risco associados ao fenômeno. Entretanto, o especialista aponta que, para pacientes que já possuíam comorbidades neurológicas antes de serem acometidos pela Covid-19, os novos sintomas causados pela doença podem agravar o quadro já presente.

Os sintomas acabam sendo muito mais intensos e difíceis de aliviar. Segundo o médico, algumas condições crônicas podem ser potencializadas pela presença do vírus e, por isso, indivíduos que se enquadram nessas características devem ficar especialmente atentos a todos os cuidados sanitários recomendados durante a pandemia, visto que não existem métodos específicos de prevenção para essas manifestações.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina.