Prevenção

Conheça os reais perigos dos alimentos ultraprocessados

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade no Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) foram responsáveis por 51,6% das mortes no ano de 2015, na população de idade entre 30 e 69 anos. Um dos causadores diretos desse número é a mudança alimentar do ser humano moderno. Alimentos in natura ou minimamente processados passaram a ser substituídos por alimentos industrializados prontos, como os preparados no micro-ondas. Estes, são ricos em sódio e açúcar, elementos que, se ingeridos em excesso, podem provocar uma série de doenças – desde obesidade até problemas cardiovasculares, diabetes e câncer.

A publicação de dois amplos estudos na Espanha e na França reforçaram a ligação desse tipo de alimento com a mortalidade precoce. O primeiro, feito pela Universidade de Navarra, acompanhou 19.899 pessoas e suas respectivas dietas por dez anos. Durante o período, 335 participantes morreram e, a cada dez falecidos que comiam menos alimentos ultraprocessados, aconteciam 16 falecimentos entre os que mais ingeriam este tipo de comida (quatro ou mais porções por dia). Já a pesquisa da Universidade de Paris, após seguir 105.158 pessoas por cinco anos, mostrou que os que mais consumiram alimentos ultraprocessados tiveram índice de 12,7% a mais na ocorrência de problemas cardiovasculares que as pessoas que consumiram menos.

Para a nutricionista Regina Stikan Carrijo, do Hospital Santa Catarina, este cenário merece forte atenção da população. “No mundo atual, imediatista e de muita demanda profissional, a tendência é de cada vez mais existir o consumo da comida pronta. Mas, essas, são altamente danosas à saúde, principalmente à saúde do coração. A taxa de nutrientes e fibras dos ultraprocessados é baixíssima”, completa.

O que são alimentos ultraprocessados?

Estes alimentos passaram por maior processamento industrial e possuem grandes quantidades de ingredientes químicos em sua composição, entre eles conservantes, modificadores de sabor e intensificadores de cor. Alguns exemplos são: refeições prontas como lasanhas, pizzas e massas; carnes processadas como bacon, salsichas e hambúrgueres; sopas e bolos instantâneos; shakes que substituem refeições; nuggets de frango e sorvetes produzidos em larga escala.

Relação com a incidência de doenças cardiovasculares

O consumo em grande quantidade dos alimentos ultraprocessados favorece o surgimento de doenças no coração, diabetes e diversos tipos de câncer. De acordo com Diego Gaia, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina, o coração recebe uma bomba quando a pessoa ingere essas comidas. “O coração é o órgão que mais sofre com esse tipo de alimentação. O trabalho dele passa a ser dobrado. Para uma vida longeva e sem sofrimentos, o ideal é investir na ingestão de carnes magras, verduras, legumes e frutas. Além disso, prática regular de exercícios e visitas periódicas ao médico”, conclui.