Especial Coronavírus

Cuidado com pacientes oncológicos durante pandemia de Covid-19

Sem imunidade e sem vacina contra o novo coronavírus, toda a população está exposta e suscetível a contrair a doença. Mas alguns grupos estão ainda mais vulneráveis, como é o caso de pessoas em tratamento contra o câncer e que, por conta disso, têm seu sistema imunológico abalado.

O superintendente e diretor médico do A.C. Camargo Cancer Center, Victor Piana, esclarece que a rotina imposta à população nesse momento muito se assemelha à qual os pacientes oncológicos já estão habituados e que, agora, é necessário apenas redobrar a atenção. Decisões sobre rotina de tratamento devem ser tomadas junto ao médico e visitas ao pronto-socorro devem ocorrer exclusivamente se houver presença de sintomas típicos da Covid-19, como a falta de ar. O especialista também chama a atenção para o fato de que alguns pacientes oncológicos, devido à sua condição, podem não apresentar febre.

Confira a entrevista completa:

Qualquer paciente oncológico pode ser considerado parte do grupo de risco?

Victor Piana: Pacientes oncológicos, em geral, são considerados grupo de risco e demandam de mais cuidados e atenção. E os pacientes em vigência de quimioterapia, em especial os oncohematológicos e transplantados, são mais vulneráveis que os demais.

Frente à pandemia do Covid-19, um tratamento quimioterápico deve ser mantido ou há caminhos alternativos?

Piana: O sucesso do tratamento oncológico depende de muita disciplina. A sobrevida específica do paciente com câncer depende da aderência ao plano terapêutico, e os intervalos de tempo para início ou entre as fases do tratamento são muito importantes. Então, a recomendação é que os pacientes não interrompam o tratamento. O ideal é que conversem com seus médicos e juntos decidam qual caminho seguir neste momento.

Pacientes oncológicos, devido à imunossupressão causada pelas terapias, devem adotar medidas mais rígidas para se proteger?

Piana: A rotina dessas pessoas já é bem criteriosa. Então, não há novas recomendações. Apenas reforçamos a importância de evitar aglomerações, lavar as mãos, evitar contato com pessoas doentes etc. Como são rotineiramente informados da sua vulnerabilidade, sempre estiveram sob os cuidados de higiene e isolamento que toda a população está sujeita neste momento.

É possível realizar o tratamento em casa, para evitar o deslocamento e, portanto, o contato com outras pessoas?

Piana: O tratamento oncológico envolve um conjunto de possibilidades, mas cada tipo de câncer utiliza especificamente algumas destas opções. Nesse momento de pandemia, sempre que for possível, o uso de medicamentos orais deve ser indicado, ao invés de infusão. Mas nem todos têm essa alternativa. Então, nossa recomendação é de que continuem seguindo o que já foi proposto por seus médicos e que evitem aglomerações e contato com outras pessoas.

Pacientes oncológicos que estiverem com sintomas ligados ao coronavírus devem procurar o pronto-socorro imediatamente?

Piana: O pronto-atendimento, principalmente nesse momento de pandemia, traz riscos aos pacientes oncológicos pela potencial convivência com outras pessoas com sintomas gripais. Assim, quem estiver com sintomas gripais leves (tosse, coriza, dor de garganta) não precisa ir ao pronto-atendimento. Mas é necessário ficar atendo à progressão dos sintomas e reavaliar todos os dias. Se surgir febre acima de 37,8º C, dor ao respirar ou falta de ar, o paciente oncológico deve procurar avaliação médica, incluindo o pronto-socorro se necessário. É importante lembrar também que, pelas condições desse paciente, pode ser que ele não desenvolva febre.