Especial Coronavírus

Doação de sangue em tempos de Covid-19

No mês em que se comemora o Dia Mundial do Doador de Sangue (14/6), os responsáveis pelos hemocentros dos hospitais pedem aos doadores para que voltem a fazer coletas regulares. E acrescentam que os hospitais estão preparados para recebê-los com toda segurança em relação à covid-19. 

“Em meio à pandemia do coronavírus e com o movimento de isolamento social, nós tivemos uma queda importante do número de doadores de sangue — todos os hospitais do Brasil estão passando por isso”, afirma o hematologista e presidente do Comitê Transfusional do Vera Cruz Hospital (Campinas – SP), Gustavo de Carvalho Duarte.

“Agora, com a volta das cirurgias eletivas e dos tratamentos que não podem mais ser adiados, existe uma demanda maior por transfusões de sangue e, com isso, necessitamos que os doadores retomem suas atividades de doação de sangue regular”, prossegue.

Os bancos de sangue se prepararam para este momento, com medidas que garantem a segurança dos doadores no contexto da pandemia — como agendamento de doações, maior espaço entre as pessoas, equipamentos de proteção individual, coletas em locais espaçosos e, claro, utilização de máscaras e álcool em gel. “É um processo seguro, e os doadores vão poder ajudar pessoas que estão precisando muito.”

Mobilização

“Assim como enfrentamos a letalidade do vírus e a escassez de leitos de terapia intensiva, temos que entender que se não houver uma mobilização social promovendo a doação de sangue, teremos um grande adversário pela frente”, diz Duarte. 

 Segundo o hematologista, a cada dez segundos, uma unidade de sangue é transfundida no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para atender a todos os pacientes que precisam de sangue, seriam necessárias doações regulares de aproximadamente 4% da população. 

“Em um primeiro olhar este número parece algo fácil de ser atingido, mas a realidade não é bem esta. Atualmente, no Brasil, somente 1,6% da população faz doações de sangue regular. Este descompasso nos coloca em uma situação perigosa, na qual podem existir pessoas precisando de sangue, e os bancos sem sangue para atendê-las”, afirma.