Especial Coronavírus

ECMO: a terapia com “pulmão externo” que tem salvado vítimas graves da pandemia

4 de junho, 2021

Criado na década de 1970, o tratamento requer equipamentos específicos e equipe multidisciplinar 

A Covid-19 é uma doença que acomete todo o organismo, mas os pulmões costumam ser os órgãos mais comprometido. Em casos mais graves, a inflamação pode causar falência pulmonar e morte. Indicada para pacientes com disfunção pulmonar ou cardiopulmonar graves, a Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO, na sigla em inglês) tem se tornado mais conhecida na pandemia. Por meio dela, é possível substituir, por um tempo limitado, a função pulmonar enquanto a doença de base é enfrentada.

A ECMO é um tratamento de suporte complexo, que requer equipamentos específicos e equipe multidisciplinar, como explica a médica coordenadora do programa de ECMO e da Cardiologia Pediátrica da Rede Mater Dei, Marina Pinheiro Rocha Fantini. No entanto, não se trata de uma tecnologia nova. A ECMO foi realizada pela primeira vez em 1971, em Michigan, nos Estados Unidos. Atualmente, 50 anos após sua descoberta, a terapia vem trazendo esperança às vítimas graves do novo coronavírus e suas variantes.

A terapia funciona por meio da introdução de uma cânula em uma veia calibrosa do paciente. O sangue é drenado por uma bomba e direcionado à uma membrana oxigenadora, que funciona como um pulmão artificial. Ali, são realizadas trocas gasosas essenciais à vida: o sangue recebe oxigênio ao mesmo tempo em que se retira dele gás carbônico. O sangue de qualidade é então devolvido ao paciente através de outra cânula, também inserida em uma veia calibrosa.

A ECMO só é indicada quando o paciente não responde às medidas clínicas habituais, apresenta doença de caráter reversível e, claro, quando o caso não apresenta qualquer tipo de contraindicação. O tratamento não é indicado a idosos com mais de 70 anos, pessoas com sequelas neurológicas, pacientes oncológicos sem perspectiva de cura e indivíduos que não podem receber anticoagulantes, entre outras.

“Esta não é uma terapia utilizada em todos os pacientes que estão acometidos pela Covid-19, pois é complexa e gera riscos. Considera-se que a taxa de mortalidade dos pacientes submetidos ao procedimento fica entre 40% e 50%. Então, a ECMO a só se justifica quando estamos diante de um paciente que tem uma chance maior do que 60% de falecer”, explica Fantini.

Além disso, a médica reforça a importância da capacitação dos profissionais para a segurança do procedimento: “A equipe precisa ser multidisciplinar – cirurgiões, intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas e cardiologistas, todos especialistas em ECMO e certificados para cuidar destes pacientes”, afirma.