Medicina

Endometriose: tratamentos modernos envolvem implantes hormonais e cirurgia robótica

24 de março, 2021

Cerca de 50% das mulheres que não podem ter filhos têm problemas relacionados à endometriose. Quando se fala em dor pélvica crônica, o índice salta para 90%. “Trata-se de uma doença relacionada à descamação do endométrio (tecido que reveste a parte interna do útero), que se espalha para outros locais do corpo da mulher, como trompas, ovários, útero e reto, podendo atingir também o diafragma e os pulmões”, explica o ginecologista Charles Jean Berger, do Hospital Santa Isabel, de Blumenau (SC), uma referência em cirurgia robótica para endometriose.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a doença atinge cerca de 10% da população feminina brasileira. Mulheres jovens, entre 25 e 35 anos de idade, são as mais afetadas. O ginecologista explica que, quanto mais a mulher menstrua, mais suscetível se torna ao problema, já que a doença é causada pelo refluxo do tecido endometrial na menstruação. Mulheres com filhos, que passam fases da vida grávidas e, portanto, sem menstruar, tendem a ficar mais protegidas.

O diagnóstico se dá a partir do quadro clínico – infertilidade e dor (pélvica, ao urinar ou durante o ato sexual) – e por meio de exames de imagem, como ressonância magnética da pelve e ultrassonografia com preparo intestinal. O tratamento pode envolver implantes e medicação – oral ou injetável –, mas a indicação cirúrgica é bastante frequente.

“Hoje, o que há de mais moderno no tratamento da endometriose são os progestágenos, medicação hormonal que pode ser administrada por meio de implantáveis subcutâneos ou via por via oral”, explica Charles. “Outra abordagem bastante moderna é a cirurgia robótica minimamente invasiva”, acrescenta.

A cirurgia de endometriose é tradicionalmente realizada por meio de videolaparoscopia. O emprego de uma plataforma robótica comandada pelo cirurgião torna a cirurgia mais precisa, tendo como vantagem mais rapidez e menos dor durante a recuperação, além de menores riscos de complicações.