Medicina

Entenda como a Inteligência Artificial pode ajudar a cuidar da saúde

3 de novembro, 2021

Ensinar computadores a diferenciar alterações em exames de imagem pode aumentar a precisão de diagnósticos. Segundo Greg Corrado, a Inteligência Artificial (IA) é aliada para identificar alterações e doenças porque, “às vezes, a máquina vai ver coisas que os seres humanos não conseguem”. Ele é cientista pesquisador do Google e participou da plenária sobre Como a Inteligência Artificial Vai Mudar Seu Jeito de Cuidar da Saúde durante a última edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2021.

Outra vantagem é que, com a tecnologia de IA usada em larga escala, é possível reduzir os custos além de atingir mais pessoas. “A gente acredita que esses sistemas podem colaborar com as pessoas, da mesma forma que pessoas colaboram entre si”, afirma.

COMO FUNCIONA?

Com a capacidade de visão de computadores, as máquinas conseguem encontrar elementos em imagens, categorizar e até descrevê-las. Assim, é possível fazer também a leitura de imagens médicas, servindo de auxílio em diagnósticos.

O cientista cita como exemplo uma parceria do Google na Índia, onde havia poucos médicos disponíveis para fazer testes de fundo de olho, para detectar complicações da diabetes. A empresa pensou, então, em uma alternativa que usasse IA para que as máquinas fizessem uma triagem, identificando os casos mais claros de alterações.

Mais de 130 mil fotos foram tiradas e enviadas a médicos e os profissionais identificaram qual o nível de diabetes na retina em cada uma das imagens. Com essa avaliação dos médicos, os dados foram usados pelas máquinas, para ensiná-las a reproduzir o comportamento dos profissionais. “Como as máquinas conseguem imitar, elas conseguem capturar parte da perícia dos médicos para identificar se aquela retina está saudável ou não”, explica Greg. Assim, foram criados sistemas de computador com sensibilidade para estarem bem próximos do diagnóstico dos médicos treinados.

Um exemplo que surpreendeu os pesquisadores foi que, ao olhar as fotos da retina, a máquina conseguia ser treinada para saber qual a idade do paciente e qual a pressão sanguínea sistólica. “Isso demonstra que, às vezes, temos biomarcadores que estão presentes nos dados que já temos em nossas mãos, mas estão invisíveis para nós, seres humanos”, conta o cientista do Google.

Segundo ele, essa mesma tecnologia de reconhecimento pode ser utilizada para exames de diagnóstico de câncer de mama, câncer do cólon, câncer de próstata, para avaliação e exames de tuberculose e para outros tipos de doenças.

Greg Corrado ressalta que toda essa tecnologia não deve substituir o papel do médico. “Queremos deixar bem claro que estamos oferecendo ferramentas para ajudar os pacientes a compreender ‘será que é algo que eu tenho que prestar mais atenção ou não’ e com aquela informação verificar o que o médico vai recomendar”.