Prevenção

Faça seus exames: câncer de mama pode dobrar de tamanho em apenas seis meses

14 de outubro, 2021

Ouvimos especialistas para entender porque a doença mata mais mulheres no Brasil do que em outros países

O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre as brasileiras todos os anos. E, embora os números de diagnósticos da doença em outros países também sejam altos, o índice de mortalidade do Brasil é muito maior do que o de países desenvolvidos.

Para Afonso Nazário, mastologista do Hcor, entre os principais fatores para a alta mortalidade no Brasil está o fato de não existir no país um programa organizado de rastreamento. Ele cita, como um bom exemplo, o modelo adotado no Reino Unido.

“Quando completa 50 anos, a mulher inglesa recebe um SMS do órgão equivalente ao Ministério da Saúde de lá, convocando-a para fazer a primeira mamografia. E, se ela não faz, a assistente social vai atrás para ela realizar a mamografia. Isso não existe no Brasil”.

A falta desse tipo de controle, segundo o médico,  impacta no número de diagnósticos tardios, ou seja, casos que são descobertos quando o quadro já está avançado. E quem sofre mais é a rede pública.  “Na rede pública não tem muito caso inicial, é o contrário da rede privada. E esse é o primeiro entrave para mudar esse panorama”.

Nazário explica que a evolução da doença pode ser rápida e silenciosa. Por isso, é essencial diagnosticar e começar o tratamento o mais breve possível. “Em média, o câncer de mama duplica de tamanho em seis meses. Tem tumor que é mais lento, e tem o superagressivo que, em dois meses, duplica de tamanho. São vários subtipos diferentes, com ritmo de crescimento, evolução diferente e, portanto, prognóstico diferente”.

Tratamento no estágio inicial pode elevar chances de cura a 90%

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, o Brasil já teve 66 mil novos casos de câncer de mama diagnosticados em 2021. Esse número corresponde a um risco estimado de 61,6 casos a cada 100 mil mulheres.

A mamografia tem papel essencial para o diagnóstico. Flora Finguerman, mastologista da rede de hospitais e laboratórios Dasa, ressalta que este exame pode salvar muitas vidas. “Ele é capaz de identificar com precisão lesões não palpáveis e milimétricas que, quando detectadas e tratadas precocemente, aumentam as chances de cura em 90% dos casos”.

Nazário revela que, em uma pesquisa da Unifesp na qual ele trabalhou, as pacientes esperavam mais de sete meses após receberem diagnóstico para buscar o tratamento. E, com isso, o tumor já havia crescido consideravelmente.

“Isso tem um impacto absurdo no prognóstico. Se ela apalpa hoje, em outubro, um nódulo de 2cm, em abril do ano que vem, sem tratamento, ele vai estar com 4cm. E assim sucessivamente. E, se não for tratado, em dois anos é óbito.”

Portanto, é muito importante que todas as mulheres, principalmente a partir dos 40 anos, procurem uma ginecologista ou mastologista para fazer seus exames regularmente e, caso recebam o diagnóstico de câncer de mama, comecem o tratamento o quanto antes.

“Seis meses parece pouco tempo pra gente. Mas para as células são 180 dias. Multiplique isso por horas. Não é um tempo assim tão pequeno, não é? No dia a dia pode parecer nada, mas na oncologia pode mudar o prognóstico”, alerta o especialista do Hcor.

Segundo Nazário, diminuir a incidência do câncer de mama é um grande desafio, já que tem relação com o estilo de vida reprodutiva. “Quanto mais cedo a mulher começa a menstruar e quanto mais tarde entra na menopausa, há maior risco. Quanto menos filhos ela tenha ou se não tem filho, se não amamentou ou amamentou pouco, tudo isso aumenta o risco. Então, não tem como voltar atrás, é muito difícil mudar o estilo de vida reprodutiva, voltar aos padrões do século 19 e começo do século 20.” Por isso o diagnóstico precoce é fundamental para diminuir a mortalidade.

Vale lembrar que a pandemia também impactou os diagnósticos da doença, já que, por conta do isolamento social, muita gente evitou idas ao médico. Segundo um levantamento divulgado pela Dasa, 2,8 milhões de mulheres com idade elegível e indicação clínica para a realização de mamografia deixaram de fazer exames de rastreio ou para o diagnóstico de câncer de mama nas unidades da rede, no último ano. O grupo estima que mais de 49 mil casos suspeitos de câncer de mama deixaram de ser rastreados dentro da rede neste período.

Fique atenta para os principais sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama: 

– Caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor;
– Pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja
– Alterações nos mamilos;
– Saída espontânea de líquido de um dos mamilos;
– Nódulos no pescoço ou nas axilas.