Especial Coronavírus

Janeiro Branco: no encerramento do mês, uma reflexão sobre saúde mental na pandemia

29 de janeiro, 2021

Neste ano, foi realizada em todo o território nacional a oitava edição de uma grande campanha por conscientização sobre sanidade mental. Ao estilo de outras iniciativas associadas a cores como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o Janeiro Branco (uma alusão ao início do ano como uma “página em branco” a ser preenchida) busca chamar a atenção para as questões relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas, individualmente e nas instituições.

É um momento oportuno. De acordo com a médica Claudia Panfilio, neurologista do Pilar Hospital, de Curitiba, a quantidade de pacientes que chegavam aos consultórios com quadros de ansiedade e depressão no final de 2020 e início de 2021 foi aproximadamente 3 vezes maior que no mesmo período anterior.

“O ano passado foi de grandes mudanças e adaptações. Alguns viveram conflitos domésticos, desemprego, medo da morte ou, como nós da saúde, sobrecarga de trabalho. Alguns ficam relembrando saudosamente o passado, outros paralisados aguardando um futuro sem restrições. Isso ativa negativamente no cérebro um círculo vicioso”, alerta Claudia. “O segredo está em viver bem o presente, qualquer que seja ele. Achar alegria em cada coisa como estar com os filhos, elogiar o parceiro, preparar um almoço – aprender com tudo”, afirma.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas: 5,8% da população. Ou seja, perde por muito pouco para os EUA, com 5,9%. O estudo também afirma que o Brasil é ainda o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

Fatores genéticos e externos colaboram com este panorama, segundo a neurologista. “Sabemos que algumas pessoas têm predisposição genética à depressão e ansiedade. As incertezas sociais também agravam o quadro. Acredita-se que o Brasil tenha um dos maiores índices de ansiedade do mundo devido à pobreza, ao desemprego e à violência”, avalia.

Ao mesmo tempo, Cláudia destaca: “A ciência também prova que atitudes mentais e físicas mais positivas ativam circuitos neuronais que ampliam a capacidade de raciocínio, criatividade e, sobretudo, o sistema de recompensa, gerando um bem-estar muito mais sólido e duradouro.”

A neurologista é enfática ao afirmar que é necessário buscar pensamentos e atitudes positivas, como uma forma de autocuidado no segundo ano pandêmico que se inicia. “Podemos ser felizes presos em casa ou trabalhando na linha de frente? Claro que sim! Tentar fugir do presente revivendo o passado ou só pensando no futuro, ou, pior ainda, alterando a consciência com álcool não traz paz nem felicidade.”

Para a médica, a melhor estratégia é fazer justamente o contrário: ampliar a consciência sobre o que se vive aqui e agora.

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