Bem-Estar

O psicólogo nos hospitais: suporte para pacientes e equipes médicas

Enfrentar um problema de saúde que exige aquela pausa na vida para encarar uma rotina hospitalar de exames, cirurgias e tratamentos é algo que afeta o emocional do paciente e da família que o acompanha. O papel do psicólogo hospitalar é fundamental para superar esse processo de forma mais positiva, ajudar a lidar com a dor e evitar consequências como depressão e ansiedade.

Em outra frente, o psicólogo também ajuda as equipes médicas a lidar com o estresse no trabalho. O dia 27 de agosto é dedicado a este profissional, e a coordenadora de Psicologia da AACD, Cristina Masiero, explica como ele atua dentro dos hospitais.

No Hospital Ortopédico AACD, onde são realizadas cirurgias de alta complexidade, o papel do psicólogo começa ainda no pré-cirúrgico. Ele faz uma avaliação das condições emocionais do paciente de passar pelo procedimento, e também da família de oferecer suporte no pós-cirúrgico.

Após a operação, o psicólogo também acompanha internações de longa permanência – mais que cinco dias – ou casos em que o paciente não está conseguindo cooperar com a equipe médica por medo, ansiedade ou dor. “Às vezes, o paciente tem receio de ser manuseado pela equipe ou apresenta resistência a algum medicamento, porque não entende o seu uso. Também por se sentir vulnerável pelo próprio estresse da situação cirúrgica”, explica Cristina.

Segundo a coordenadora, alguns dos assuntos mais comuns no dia a dia dos pacientes internados são o manejo da dor, sentimentos de medo, episódios de ansiedade e depressão – que costumam aparecer com alguma frequência quando ele fica internado por muito tempo.

Em 2018, o hospital da AACD realizou 7 mil cirurgias, sendo 2 mil de coluna. “Temos muitos adolescentes que fazem essa cirurgia. Eles precisam muito de suporte, porque têm que se ausentar das atividades escolares, sociais, e isso tem um impacto emocional muito grande. Outro alvo de nossa atenção no hospital são os casos de paralisia cerebral que passam por cirurgia”, diz Cristina. Entre os adultos, também é a intervenção cirúrgica na coluna que afeta mais os pacientes, que ficam com medo de qualquer manuseio do corpo por médicos e enfermeiros.

Família e equipe médica
É comum ainda a família apresentar sinais de ansiedade, pois ela deixa sua rotina para acompanhar o paciente. Quando a estadia no hospital é prolongada, esse estresse tende a aumentar, podendo surgir irritabilidade e depressão nos parentes. Desta forma, o psicólogo também pode atuar em grupos terapêuticos dentro dos hospitais ou nas salas de espera, onde escuta as demandas de familiares dos pacientes.

Cristina afirma que outro papel importante dos psicólogos nos hospitais é o atendimento às equipes, que precisam lidar diariamente com toda a bagagem emocional dos pacientes e das famílias. Ela aponta como exemplo o processo de humanização da UTI do hospital da AACD, onde passou a ser permitida a presença do acompanhante 24 horas.

“Essa mudança é boa para o paciente do ponto de vista emocional, pois ele tem um vínculo afetivo presente, o que favorece a recuperação, e também para a família, que sente que ele está sendo cuidado o tempo todo. Já para a equipe do hospital, isso é um fator complicador”, diz Cristina.

Como parte da implementação do projeto, a AACD faz um trabalho com as equipes de UTI para lidar com a família presente, com as dúvidas e questionamentos que ela pode apresentar durante o tratamento.

No hospital da AACD são feitos, em média, 32 atendimentos de psicologia por mês. Há um psicólogo que visita o hospital diariamente e, quando a demanda é maior, são acionados os profissionais do Centro de Reabilitação – também capacitados para esse tipo de atendimento. No total, são 26 psicólogos, sendo 14 para pacientes infantis, e 12 para adultos. O profissional também participa da ronda semanal com a equipe médica, quando visita todos os pacientes internados.

A AACD também treinou a equipe de enfermagem para fazer um levantamento de alguns dados psicológicos, o que agilizam o atendimento. Há ainda um fluxo especial quando são identificados pensamentos de morte no paciente e, nestes casos, também é acionado um psiquiatra.