Tratamento

O que é endometriose? Fique atenta aos sintomas mais comuns e saiba como tratar

Todos os meses, a maioria das mulheres em idade reprodutiva passa pelos desconfortos do período menstrual, que normalmente são marcados por cólicas, indisposição, dor de cabeça ou enxaqueca.

Porém,  para cerca de 15% delas, a época da menstruação é ainda pior. O ciclo menstrual costuma ser insuportável, com fortes dores na região inferior do abdômen e cólicas intensas, que chegam, muitas vezes, a prejudicar a rotina.

Um dos motivos para esse quadro pode ser a endometriose.

O que é endometriose?

 

A endometriose é caracterizada pelo surgimento do endométrio, mucosa que reveste o útero internamente, fora da cavidade uterina.

Em 90% dos casos, ela acomete a região pélvica, área localizada na parte inferior do abdômen. Porém, em 10% das situações, a endometriose também pode surgir na porção superior do abdômen e mais raramente na região do tórax.

Em todo o mundo, estima-se que cerca de 7% a 15% das mulheres em idade reprodutiva são afetadas pela doença. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 20 milhões de mulheres com alguma forma de endometriose. Felizmente, a maioria não necessita de tratamento e menos de 50% dos casos afetam a fertilidade.

 “Infelizmente, as causas que levam à endometriose ainda não foram totalmente desvendadas pela ciência. Embora existam diversas teorias, não há uma conclusão que justifique sua origem”, afirma o Dr. Ricardo Pereira, diretor do Centro de Endometriose e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Endometriose – sintomas

 

Como a localização mais comum da doença é na região pélvica, frequentemente os sintomas da endometriose ocorrem neste local. São eles: cólica menstrual, dor na relação sexual (dispareunia de profundidade), sensação de pontada no baixo ventre, distensão do abdômen inferior, alterações na evacuação ou na micção, movimentos de gases intestinais dolorosos, sintomas digestivos semelhantes à gastrite, constipação intestinal, entre outros.

“Raramente, a endometriose determina dores contínuas, mas, quando isto ocorre, há uma intensificação na fase pré-menstrual, durante a menstruação e, algumas vezes, no período da ovulação, no meio do ciclo menstrual. Entretanto, se a endometriose estiver localizada em outras regiões, podem surgir reações e repercussões em diferentes partes do corpo e sistemas do organismo, alterando seu funcionamento e provocando inflamações no local com o consequente surgimento de lesões, que podem ser de diferentes tamanhos, aspectos e profundidades”, explica o médico.

Nesses casos, segundo o especialista, o processo inflamatório pode aparecer acompanhado de fadiga crônica ou cansaço intenso, que não é reparado por um período de sono adequado. “Em casos raros, quando a doença surge na região alta do abdômen superior, em especial no diafragma direito, os sintomas podem ser caracterizados por dores no pescoço, ombro, face lateral do antebraço e braço, intensificados também durante os períodos pré-menstrual, menstrual e ovulatório”, acrescenta o Dr. Pereira.

Mulheres contemporâneas: principais vítimas da endometriose

 

Embora não seja possível ainda determinar uma razão para o surgimento da endometriose, acredita-se que o perfil da mulher contemporânea, que vai engravidar mais tarde e ter um ou dois filhos, seja o mais acometido.

“Antigamente, as mulheres iniciavam a vida materna cedo e, não raro, chegavam aos 30 anos com quatro, cinco ou mais filhos, passando um longo tempo gestando e amamentando. Tanto o período da gestação quanto o da amamentação causam um bloqueio ao estímulo de crescimento da lesão endometriótica, então essas mulheres passavam boa parte da vida reprodutiva com a doença estagnada. Hoje, as mulheres com propensão para desenvolver a enfermidade terão maior impacto e consequências para a saúde decorrentes do problema, que se manifestará de forma mais frequente, intensa e agressiva”, explica o médico.

 Endometriose causa infertilidade?

 

A endometriose é considerada uma das causas infertilidade e pode representar cerca de 50%. Mas se você está tentando engravidar e sofre com esta doença, tenha calma, pois existe tratamento.

“A doença causa um processo inflamatório que pode alterar o funcionamento dos ovários, interferindo na qualidade da ovulação, na fecundidade do espermatozóide com o óvulo, no percurso do ovo (produto da união do óvulo com o espermatozóide) e na aderência do ovo na cavidade uterina, processo que determina o desenvolvimento da gestação. Se o diagnóstico for de endometriose profunda, que é a forma mais grave da doença, o sistema reprodutor feminino pode sofrer danificações mais severas com o tempo, resultando no acometimento das trompas e impedindo a união do óvulo com o espermatozóide.

Como tratar a endometriose

 

Segundo o Dr. Ricardo Pereira, cada caso deve ser analisado individualmente por um médico especialista no problema.

“Ainda não existe um tratamento medicamentoso que cure a endometriose, que é uma doença benigna silenciosa. Quando os sintomas interferem na qualidade de vida, na capacidade de engravidar ou ambos os casos, o que é muito frequente, podem ser prescritos medicamentos que agem no bloqueio de hormônios que cessam o ciclo menstrual, agindo indiretamente no problema e aliviando ou suprimindo os sintomas”, explica.

Porém, a única forma de eliminar a doença é extraindo as lesões cirurgicamente, mas nem sempre é necessário ou possível. Quando a cirurgia é indicada, é possível eliminar as lesões e, consequentemente, a doença na maioria dos casos.

Agora que você já sabe mais sobre a endometriose, ao sinal de qualquer sintoma, busque o diagnóstico médico para iniciar o tratamento o quanto antes.