Especial Coronavírus

Perguntas e respostas sobre as diferentes vacinas contra a Covid-19

26 de maio, 2021

Tudo o que já se pode saber sobre os imunizantes hoje disponíveis. E o que ainda falta descobrir

Quem se vacina não protege apenas a si mesmo, mas também as pessoas ao redor – e em outros lugares onde a doença pode chegar. Por tabela, os imunizantes beneficiam até pessoas que não podem se proteger, por ter outras doenças graves. Por isso, as vacinas contra a Covid-19 têm sido tão disputadas no mundo inteiro. São oportunas, eficazes e seguras, mas muito novas na perspectiva da ciência.

Para várias perguntas sobre este tema, ainda não há respostas, como explica a bióloga e doutora em imunologia Cristina Beatriz Bonorino, pesquisadora associada do Sistema Único de Saúde (SUS) e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), que falou sobre esse assunto em uma live promovida pelo Hospital Moinhos do Vento, de Porto Alegre. Mas respondemos algumas perguntas sobre o que se sabe até o momento em relação às vacinas disponíveis contra a Covid-19. Confira:

As vacinas contra Covid-19 são seguras?

Sim, de acordo com a SBI. Para qualquer vacina ser liberada, são feitos diversos testes de segurança e eficácia. As vacinas contemporâneas são de vírus inativados ou fragmentados, entre outras tecnologias ainda mais novas, mas nenhuma com potencial infeccioso. Antes de serem liberadas para aplicação na população, os imunizantes também são submetidos aos critérios pré-estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As vacinas contra Covid-19 podem alterar o DNA?
Não. A vacina da Pfizer atua no RNA, um mensageiro que direciona  a produção de proteínas do vírus pelas células do indivíduo para que o sistema imunológico aprenda a reconhecê-lo e criar defesas. Nesse processo, o RNA exerce suas ações em uma região da célula que não tem contato com o DNA.

Quais são os efeitos colaterais dessas vacinas?
Segundo Bonorino, os mais comuns são febre baixa, dores no corpo, fadiga e dor no local da aplicação, que são sinais de que o sistema imunológico está respondendo à vacina. Esses efeitos colaterais são passageiros e desaparecem em 24 horas. Se passar disso, podem ser sintomas de uma infecção viral de outra ordem, que nada têm a ver com a vacinação. Então, é recomendado buscar ajuda médica.

O que fazer caso haja atraso na segunda dose?
“Várias pessoas hoje no Brasil estão nesse limbo, o que não poderia ter acontecido”, afirma a doutora em imunologia. O fato é que a segunda dose deveria ter sido reservada pelas autoridades competentes. Em geral, o que se tem feito é administrar a segunda dose assim que disponível, mas não há estudos sobre a eficácia das vacinas em prazos superiores aos estabelecidos pelos fabricantes. “O ideal agora seria que o Ministério da Saúde promovesse estudos clínicos para verificar isso.”

E se uma pessoa tomar uma dose de um fabricante e a segunda de outro?
Não há estudos que comprovem a eficácia dessa combinação, explica Bonorino. “No Brasil, em particular, há duas vacinas muito diferentes, a Coronavac e a AstraZeneca – uma não vale como segunda dose da outra porque induzem a formas de proteção diferentes”.

Com apenas uma dose, uma pessoa fica ao menos parcialmente imunizada?
A vacina da Johnson & Johnson é a única até o momento que pode ser aplicada em apenas uma dose. As demais preveem duas doses e não se sabe se têm algum grau de eficácia para além de poucas semanas caso a segunda etapa não se concretize.

Deve haver um intervalo entre as vacinas da gripe e da Covid-19?
Não há indicações de riscos relacionados à administração das duas ao mesmo tempo, mas tem se estabelecido um intervalo de 15 dias apenas para evitar confusão com efeitos colaterais dos dois imunizantes. Diversas vacinas para outras doenças já são tradicionalmente aplicadas em conjunto.

Quem já teve a doença, precisa se vacinar?

Sim. Ainda não se sabe exatamente por quanto tempo dura a proteção natural de quem já se contaminou e se curou.

Quem já está imunizado pode abrir mão dos cuidados preventivos (uso de máscaras, distanciamento social e higiene das mãos)?
Não. Nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Ainda é possível, por exemplo, que a pessoa se infecte e permaneça assintomática, sendo capaz de transmitir o vírus. Por isso, os cuidados devem ser mantidos por tempo ainda indeterminado.

A imunização contra a Covid-19 deve se tornar anual, como a da gripe?

Como as vacinas contra a doença ainda são muito recentes, ainda não se sabe ao certo quanto tempo deve durar a imunidade que proporcionam. Isso ainda está sendo estudado. “O importante agora é que o maior número de pessoas seja vacinado no menor tempo possível”, afirma a imunologista.