Tecnologia

Startup de saúde utiliza telemedicina no monitoramento inteligente de recém-nascidos

Finalista do Startups Anahp, concurso da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a PBSF – Protegendo Cérebros, Salvando Futuros apresentou na edição 2019 do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp) o conceito de UTI neonatal neurológica. Trata-se de um sistema que faz uso da telemedicina e do telediagnóstico para o monitoramento cerebral, 24 horas por dia, de bebês considerados em situação de risco com o objetivo de reduzir sequelas neurológicas.

Os bebês são monitorados e avaliados em tempo real. Entre os exemplos de casos que contam com o suporte da PBSF estão prematuros extremos, recém-nascidos com crises convulsivas, hemorragia intracraniana ou cardiopatias congênitas.

A empresa possui uma central de monitoramento com uma equipe de profissionais especializados sempre disponível para atendimento. O médico à beira do leito pode contar com essa assistência remota para discutir, a qualquer momento, protocolos aplicados aos pacientes. Atualmente, 20 hospitais no Brasil contam com o sistema, entre eles a Maternidade Santa Joana, o Pro Matre Paulista, Sepaco, Grupo Perinatal e o Hospital Santa Luzia, da Rede D’Or.

O cofundador da PBSF, Alexandre Netto, conversou com o blog Saúde da Saúde e explicou como é a atuação da empresa nos hospitais e de que forma as tecnologias podem melhorar a experiência e o atendimento dos pacientes no futuro.

Como funciona o trabalho da PBSF apresentado no Conahp 2019?
Alexandre Netto: A PBSF é uma empresa formada por um grupo de especialistas que visa difundir, facilitar e aplicar metodologias capazes de prover diagnóstico precoce e neuroproteção a pacientes de alto risco através do conceito de UTI neonatal neurológica, apoiado em telemedicina e telediagnóstico.
Atuamos desde julho de 2016, e o racional do nosso serviço é que muitas são as patologias no período neonatal e pediátrico que estão associadas ao alto risco de desenvolvimento de sequelas neurológicas. Além disso, recém-nascidos, em 80% das vezes, podem ter crises convulsivas totalmente assintomática, ficando impossível o diagnóstico e o tratamento sem a monitorização.
Estudos sugerem que uma criança com deficiência neurológica grave pode ter incremento do custo direto em saúde até 150 vezes maior, quando comparado a crianças sem deficiência. É para diminuir esse número que a telemedicina e o telediagnóstico facilitam a implantação de assistência altamente especializada de forma rápida, segura e eficaz.

Que tipo de tecnologia a PBSF utiliza em sua atuação nos hospitais?
Alexandre Netto: A tecnologia usada é o monitoramento remoto – 365 dias por ano, 24 horas por dia – de eletroencefalografia de amplitude integrada, espectroscopia infravermelho próximo e hipotermia terapêutica.
Além disso, oferecemos ensinamentos e treinamentos iniciais e longitudinais para cada centro associado, dando homogeneidade ao tratamento e padronização através de protocolos mundialmente validados. O mais interessante é que o centro associado não tem gastos com equipamentos, pois todos são disponibilizados em forma de comodato.

Quais resultados o sistema da PBSF já apresentou?
Alexandre Netto: Já apresentamos nossos resultados em diversos congressos nacionais e internacionais de Neonatologia e Pediatria, assim como em eventos de tecnologia. Até janeiro de 2020, realizamos mais de 159 mil horas de monitorização de mais de 2,4 mil crianças. Também fomos vencedores de prêmios de inovação e de gestão de tecnologia.

Qual sua avaliação sobre os avanços no uso de tecnologias na saúde e, em especial, no ambiente hospitalar?
Alexandre Netto: A tecnologia veio para apoiar, facilitar e, acima de tudo, massificar o conhecimento. Na área de saúde não pode ser diferente. No Brasil, que tem o quinto maior território mundial e é o quinto mais populoso, a tecnologia é a única forma de termos tratamentos semelhantes, de alto padrão e com especialistas, por todo o país.

Como imagina que será o hospital do futuro?
Alexandre Netto: A essência do hospital e, principalmente, da medicina não pode jamais ser substituída pela tecnologia. Imagino que a tecnologia vem para melhorar diagnósticos, otimizar e precisar tratamentos. Mas vem também para dar mais conforto e acolhimento a todos os pacientes. Vejo o hospital do futuro como um ambiente altamente tecnológico, mas principalmente mais humano.