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Trabalho remoto na pandemia pode aumentar os casos de Síndrome de Burnout. Entenda como tratar e prevenir

A pandemia de Covid-19 trouxe desafios para além do combate ao vírus. Muitos profissionais passaram a acumular cargas de trabalho excessivas e desgastantes em paralelo ao medo do desemprego e do endividamento, da doença e da morte. Trabalhadores da saúde, professores e profissionais de diversas áreas que também precisam cuidar dos filhos são exemplos emblemáticos das categorias mais prejudicadas. Por isso, é preciso falar também de saúde mental. Em especial, da Síndrome de Burnout, mal desencadeado pelo esgotamento físico e psíquico em períodos de estresse intenso e persistente.

Por razões culturais, há quem ainda enxergue a sobrecarga profissional como um sinônimo de relevância ou de sucesso, mas os riscos à saúde são graves.
Para a psicóloga Marina Arnoni Balieiro, do Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, o cenário atual é altamente propício a desenvolvimento do problema. Entre os motivos, destacam-se a flexibilidade de horário do trabalho remoto e as restrições dos escapes antes habituais, como a pausas para o almoço e o cafezinho ao longo do dia, além da tradicional happy hour com colegas do trabalho no fim do expediente. “Tudo isso eleva a pressão sobre o indivíduo, o que pode levar a uma crise de ansiedade ou mesmo à depressão”, adverte Marina.

Mas por que algumas pessoas se tornam ansiosas, deprimidas ou chegam a desenvolver burnout ao passo que outras conseguem atravessar este período difícil com mais tranquilidade? “O desenvolvimento da síndrome não pode ser generalizado para toda a população, pois se trata de uma soma de fatores ambientais e atributos individuais. Por vezes, a pressão profissional pode ter origem na instituição empregadora, na própria profissão ou mesmo estar associada a características do paciente”, explica.

Independentemente do fator desencadeante, é importante observar os primeiros sinais para um diagnóstico precoce, considerando que o esgotamento costuma ocorrer de forma gradual. Ao longo da evolução do quadro, podem ocorrer, por exemplo, sinais como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade, baixa autoestima e desânimo. Quando o quadro atinge um estágio mais grave, surgem também dores (no corpo e de cabeça), uma insegurança bastante acentuada e depressão.

Para evitar essa evolução dos sintomas, o ideal é que o diagnóstico ocorra logo no início. Nesse estágio, em geral, psicoterapia e mudança de hábitos podem proporcionar o reestabelecimento da saúde física e mental antes do colapso. Em quadros mais avançados, quando o paciente tem crises de choro sucessivas e/ou não consegue mais sair da cama, pode ser necessário haver também acompanhamento psiquiátrico e medicação, em paralelo à psicoterapia. Ainda que a distância, no atual contexto de distanciamento social, o indivíduo precisa contar com uma rede de apoio para além dos profissionais de saúde, que inclua também familiares, amigos, vizinhos, chefes e colegas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Edmundo Vasconcelos.

Um em cada seis adultos aumentou consumo de álcool na pandemia

Entre as válvulas de escape mais buscadas pelas pessoas no isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, destaca-se o consumo excessivo e frequente do álcool. Hoje, 20 de fevereiro, é o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo. Nesta oportunidade, o médico Petrus Raulino, psiquiatra do Vera Cruz Hospital, de Campinas, alerta para riscos de ansiedade e depressão atrelados ao hábito.

Segundo o especialista, pesquisas internacionais apontam que um em cada seis adultos apresentou aumento do consumo de álcool ao longo da pandemia de Covid-19. “Quanto maior o consumo de álcool, maior a associação com transtornos mentais, como a depressão. Ou seja, o que seria uma tentativa de fugir da ansiedade pode se tornar justamente uma forma de se intensificar estes problemas”, alerta.

Ainda de acordo com o psiquiatra, há diversas maneiras de se identificar a dependência do álcool: o indivíduo bebe mais do que gostaria ou deseja controlar o uso e não consegue; sente desejo intenso de beber; percebe efeitos negativos do hábito na rotina profissional, familiar ou social; precisa consumir quantidades maiores para obter efeito; e/ou sofre de abstinência ao se interromper o consumo, com sinais como tremores, por exemplo.

“É importante alertar que o preço que se paga pelo alcoolismo deixa de ser somente financeiro, uma vez que o consumo excessivo prejudica a qualidade do sono, exatamente quando o cérebro deveria se regenerar. Além disso, podem surgir problemas como cirrose, cardiopatias, perdas cognitivas, doenças no fígado, coração, pâncreas e cérebro”, enumera o médico.

Diálogo e exercício
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem 3 milhões de mortes por ano no mundo como resultado do uso abusivo de álcool, o que representa 5,3% de todos os óbitos. As melhores opções para reverter esses índices são: diálogo, mudança de hábito e evitar a exposição ao risco. Além disso, o médico reforça que na adolescência e acima dos 60 anos, quando o cérebro ainda está, respectivamente, em formação ou com sinais de neurodegeneração, o consumo é mais prejudicial do que em qualquer outro período da vida.

“O grande erro dos pais está, por exemplo, em permitir que seus filhos adolescentes consumam bebidas alcoólicas dentro de casa por considerarem ali um lugar seguro. O ideal é não permitir e abrir um canal de comunicação, afinal, estamos na era do conhecimento e, muitas vezes, os adolescentes precisam ser entendidos e não submetidos a experiências como essas”, orienta.

Ainda segundo o psiquiatra, atividades físicas, técnicas de relaxamento, acompanhamento psicológico e até atividades ligadas a espiritualidade podem ser grandes aliados no combate a excessos. Em casos mais severos, Raulino recomenda a busca voluntária por tratamento, com medicamentos e psicoterapia.

Fonte: edição do texto original do Vera Cruz Hospital.

Conahp 2020: o burnout como problema das instituições, não das pessoas

A síndrome de burnout é uma condição depressiva aguda, decorrente do esgotamento físico e mental causado pelo excesso de trabalho. É um problema sobretudo contemporâneo, que ocorre nas mais diversas carreiras, mas que, durante a pandemia, se tornou ainda mais recorrente entre profissionais de saúde. Por isso, o Conahp 2020 – Congresso Nacional de Hospitais Privados dedicou uma plenária ao tema, intitulada Burnout inevitável: a exaustão dos profissionais no pós-covid-19.

“É comum que uma pessoa com o problema tenha uma percepção muito negativa de si mesma – contudo, o burnout não é um problema individual, mas sistêmico”, enfatizou, logo na abertura, o médico Lewis Kaplan, presidente da Society of Critical Care Medicine, organização internacional sem fins lucrativos sediada em Los Angeles, na Califórnia. “O profissional acha que é ele quem precisa mudar, quando na verdade o problema maior está nas condições de trabalho.”

O médico André Fusco, responsável técnico pela área de Saúde Ocupacional do Itaú Unibanco, concorda que há, de fato, uma tendência social a culpar a vítima. “Quando uma pessoa sofre um burnout, a gente tende a olhar para as características dela. Tem labirintite? Será que leva uma vida equilibrada? Tem resiliência? Medita? Faz atividade física? Dorme direito? Tem problemas pessoais?” Esse foco no indivíduo minimiza as responsabilidades das empresas.

É nesse contexto que se criam hoje as chamadas “salas de descompressão”, espaços de descanso e lazer dentro dos escritórios, com sofás, jogos e lanchinhos, e os chamados programas de relaxamento, “para ‘consertar’ o profissional, em vez de se olhar para o que o está comprimindo”. Para Fusco, essa mesma mentalidade elege figuras “heróicas” nas empresas, colegas que vivem sobrecarregados, ficam sempre depois do expediente, trabalham madrugadas e fins de semana adentro.

“São profissionais muito valorizados por sua resiliência, esforço e dedicação, o que acaba transformando a sobrecarga num valor”, alertou Fusco. Ao mesmo tempo, esses “heróis” sofrem de exaustão, privação de sono, falta de qualidade de vida e tempo para seus afetos. Segundo o especialista, há de se lembrar que resiliência é, na prática, um conceito taylorista. Ou seja, parte da premissa de adaptar as pessoas ao trabalho e, não, o trabalho às pessoas. “Não que resiliência seja algo ruim, mas é preciso nos perguntarmos: por que precisamos de tanta?”

Também participou da discussão o médico Eurípedes Constantino Miguel, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Ele coordenou um programa de saúde mental voltado ao cuidado dos profissionais de saúde da linha de frente do Hospital das Clínicas, em São Paulo, durante a pandemia. As ações desse programa podem inspirar outras iniciativas no mundo corporativo para além do campo da saúde e incluem: conscientização institucional, melhora nas condições de trabalho, estímulo à atividade física, educação emocional, rodas de conversa e acesso a meios de assistência à saúde mental.

Como ajudar os idosos que estão sofrendo com o isolamento na pandemia

Os idosos são parte do grupo de risco para covid-19, o que significa que eles têm maiores chances de desenvolver a forma mais grave da doença quando contaminados pelo coronavírus. Precisam, então, manter o isolamento social rigorosamente, o que pode ter reflexos na saúde mental.

Em entrevista ao portal, a psicóloga Cláudia Cruz, da S.O.S Vida (Salvador – BA), explicou como os familiares e amigos podem ajudar os idosos a manterem o equilíbrio emocional, mesmo diante das restrições do contexto da pandemia, e também quando é necessário procurar ajuda de um profissional de saúde. Confira: 

Como o isolamento e o contexto da pandemia podem afetar a saúde mental dos idosos?

A pandemia trouxe a vivência de uma situação desconhecida, sem precedentes. Mudou abruptamente a rotina, os planos, os hábitos da população. Também gerou medo e a necessidade de adotar medidas que reduzam os risco de contaminação por uma doença altamente transmissível e potencialmente fatal. Assim, o distanciamento social, as mudanças na rotina e o estresse causado pelos cuidados necessários na prevenção e pelo excesso de informação impactam na saúde mental dos idosos e podem, ainda, agravar o quadro daqueles com doenças psiquiátricas prévias. Além disso, alguns estudos já realizados com esse grupo na quarentena evidenciaram aumento da prevalência de sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, irritabilidade, raiva e medo – que podem, inclusive, persistir por anos. 

Quais seriam os sinais de alerta para as famílias de que o idoso está deprimido ou ansioso por causa do isolamento?

Os sinais de alerta estão relacionados com a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina dos idosos. É preciso buscar ajuda profissional se forem observados os seguintes sintomas por mais de duas semanas: 

  • Sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança;
  • Mudanças significativas de comportamento, como irritabilidade, angústia, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações no sono, como insônia ou excesso de sono;
  • Alterações no apetite, com perda ou ganho de peso;
  • Diminuição da autoestima, quando há descuido da aparência, aspecto de cansaço, de fadiga, de perda de energia;
  • Dificuldade de concentração, de raciocínio e perda de memória; 
  • Pensamento recorrente de morte, quando o/a idoso/a manifesta desejo de morrer e falta de perspectiva. 

 

Como as famílias devem agir ao identificar esses sinais?

Em primeiro lugar, se aproximar mais desta pessoa, ver de que forma podem acolher os medos dela, dar orientação e explicar por que precisamos praticar o isolamento, além de esclarecer os benefícios de seguir as medidas de proteção contra o vírus. Também é importante buscar ajuda profissional especializada caso os sintomas relatados anteriormente persistam por mais de duas semanas. 

Quais medidas práticas ajudam a evitar problemas de saúde mental nos idosos em isolamento?

  • Manter uma rotina regular e saudável, com boa alimentação e atividade física, mesmo que não seja na intensidade de antes;
  • Incluir na rotina atividades prazerosas para o/a idoso/a, como leitura, música, algo com que ele se identifique;
  • Buscar maneiras para o/a idoso/a ajudar em casa, se sentir útil ou incentivá-lo/a a buscar fazer algo que lhe dê propósito; 
  • Estimular a manutenção dos laços sociais e da interação com a família por videoconferência ou mensagens;
  • Manter o uso das medicações regulares e buscar avaliação médica, caso apareça algum sintoma novo; 
  • Acolher os medos e auxiliar nas dúvidas para que possam entender melhor o momento e se sentirem mais seguros nesse contexto de mudanças causado pela pandemia; 
  • Exercitar a espiritualidade. Estudos mostram que as pessoas que nutrem crenças têm mais equilíbrio na conexão entre mente e corpo, têm o pensamento mais positivo e reagem melhor às adversidades. A crença ajuda ainda no processo de envelhecimento saudável, pois você se conecta com algo que não é só da cognição.

Ansiedade, raiva, tristeza: 7 formas de lidar com as emoções causadas pela pandemia

A pandemia de covid-19 trouxe incertezas sobre aspectos importantes da nossa vida, como saúde e trabalho. A necessidade de isolamento para conter o coronavírus mudou drasticamente a nossa rotina, e ainda lidamos diariamente com a infinidade de informações sobre a doença e as mortes causadas por ela – que impactaram milhares de famílias. 

Tudo isso desencadeia um turbilhão de emoções como ansiedade, raiva e medo. O portal conversou com Érika Gaioso Conti, psicóloga clínica e hospitalar do Daher Hospital Lago Sul (Brasília – DF), que apontou sete medidas práticas que podem ajudar a lidar com esses sentimentos diante da nova realidade. Confira: 

Quais os sentimentos mais comuns de serem desencadeados no contexto de incerteza e isolamento durante a pandemia?

Em primeiro lugar, o medo, a tristeza, seguidos de sentimentos de impotência, insegurança, dentre outros. Vivemos um momento jamais experienciado antes, de perdas muito significativas, rupturas abruptas, de instabilidades e incertezas nas várias esferas da vida – o que exige de nós uma readaptação a este contexto atual, ainda em curso. E tudo isso é muito assustador.

Quem está mais suscetível a ter a saúde mental impactada no contexto da pandemia?

Diante da proporção do evento, pandêmico, todas as pessoas são de alguma maneira afetadas, seja no aspecto familiar, pessoal, profissional, econômico, em maior ou menor grau. Porém, aqueles que foram diretamente vitimados, que foram literalmente devastados e que enfrentam o desafio da elaboração desta experiência traumática, acredito que sejam os indivíduos mais impactados. Além de pessoas com uma estrutura psíquica mais frágil e, por isso, com maior predisposição de desenvolverem transtornos diversos.

Quais medidas práticas ajudam a manter o equilíbrio das emoções em situações como esta de pandemia?

  1. Criar formas de manter o contato com as pessoas, mesmo que não presencialmente. Reforçar os vínculos afetivos, investir numa rede de apoio, de suporte emocional;
  2. Filtrar as informações recebidas, lembrando que o acúmulo de conteúdo negativo e, muitas vezes falso, não ajuda em nada. Pelo contrário, fomenta um estado mental desfavorável ao momento atual;
  3. Investir no autocuidado, promovendo a saúde e o bem-estar pessoal através de práticas como meditação, contemplação, atividades físicas. Investir também na melhoria do sono e da alimentação;
  4. Dedicar esse tempo aparentemente perdido para realizar atividades adiadas por falta de tempo ou por outra razão qualquer: organizar, planejar, atualizar, limpar. Mantenha o corpo e a mente ocupados e produtivos;
  5. Conectar-se com a dimensão espiritual do ser, de acordo com sua crença, religião ou filosofia de vida;
  6. Ter em mente que, apesar de todas as adversidades, essa é também uma oportunidade de reavaliação, de reinvenção, de transformação e de grande aprendizado.
  7. Lembrar que, conforme a lei da impermanência, tudo passa. Esse momento também passará.

O efeito silencioso da covid-19: como a pandemia tem afetado a saúde mental dos brasileiros

Entre os impactos da covid-19 na população, a questão da saúde mental acende alerta entre os especialistas. Pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra que os casos de depressão praticamente dobraram durante a pandemia.

Já os sintomas de ansiedade e estresse aumentaram 80% diante do isolamento, da preocupação com a saúde e das incertezas sobre o trabalho, por exemplo. Para os pesquisadores, os resultados sugerem um agravamento preocupante dos problemas de saúde mental na população. 

No estudo da UERJ, foram entrevistadas 1.460 pessoas em 23 estados brasileiros sobre seu comportamento desde do início do isolamento, necessário para tentar conter o novo coronavírus. Profissionais da saúde e aqueles que continuaram saindo para trabalhar durante a quarentena foram mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental. O estudo também concluiu que as mulheres foram mais afetadas.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que houve menos estresse e ansiedade entre os entrevistados que recorreram à psicoterapia via internet. O mesmo aconteceu com aqueles que puderam praticar atividades aeróbicas, em comparação com os entrevistados que não fizeram nenhuma atividade física ou apenas atividades de força. 

Especialistas afirmam que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, porque estresse, depressão e ansiedade afetam diretamente o sistema imunológico. A recomendação é procurar ajuda profissional assim que forem notados os primeiros sinais de desânimo e pensamentos negativos. 

Mas, no meio dessa nova rotina, como saber se estou deprimido/a, ansioso/a ou estressado/a? Acompanhe a nossa nova série aqui no portal e veja a orientação de especialistas dos hospitais membros da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) para identificar os sinais de transtornos mentais e também formas de manter o equilíbrio diante de situações de incerteza e estresse. Siga as nossas redes sociais para não perder nenhuma publicação: 

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Hospitais oferecem plantão psicológico e programa de saúde mental no Janeiro Branco

No mês dedicado à saúde mental, os hospitais desenvolvem ações voltadas para o público interno e externo para conscientizar e orientar sobre problemas como depressão, ansiedade e estresse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 12% da população mundial necessita de cuidados para esse tipo de transtorno, mas nem todos conseguem procurar por ajuda profissional. A OMS estima, por exemplo, que são 350 milhões de pessoas com depressão, sendo que 45% não tiveram um diagnóstico especializado – e, logo, não recebem o tratamento adequado.

Em apoio à campanha do Janeiro Branco, o Hospital Santa Virgínia (HSV) realizou uma semana inteira dedicada à saúde mental, com um plantão psicológico para atendimento gratuito da população no ambulatório da instituição em São Paulo. “Realizamos esta ação para orientar, sensibilizar e direcionar os participantes para o cuidado com a saúde mental, fazendo psicoeducação referente às doenças mentais”, explica a psicóloga Maricélia Brito de Lima, coordenadora do serviço de Psicologia do HSV.

Segundo Maricélia, na maioria dos atendimentos foram relatados sintomas de ansiedade, depressão, alto nível de estresse negativo e questões existenciais. “Na Região Metropolitana de São Paulo, há 29,6% de pessoas com transtornos mentais – sendo 10% distúrbios graves –, conforme revelou o estudo São Paulo Megacity Mental Health Survey”, diz a psicóloga. Os transtornos de ansiedade foram os mais comuns, afetando 19,9% dos entrevistados. Em seguida, aparecem transtornos de comportamento (11%), de controle de impulso (4,3%) e abuso de substâncias (3,6%).

“A hora de procurar ajuda profissional é quando os sintomas estão prejudicando a funcionalidade saudável das pessoas. Entretanto, o olhar para o cuidado com a saúde mental necessita vir desde o início da vida, cuidando das crianças para se tornarem adultos mais saudáveis”, afirma Maricélia.

Programa exclusivo de saúde mental
Em atenção à saúde mental dos profissionais que trabalham em ambiente hospitalar, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, lançou durante o Janeiro Branco um serviço permanente de atendimento exclusivo de transtornos mentais voltado para colaboradores e seus familiares.

Segundo o gerente médico do programa de Saúde Integral do hospital, Leonardo Piovesan, o objetivo é mapear as áreas com maior acometimento de doenças, criar um plano individual para cada colaborador ou familiar e trabalhar a gestão de estresse, comunicação e resiliência para líderes de cada setor do hospital. “Partimos da mesma premissa do programa de saúde do colaborador, de que quem é bem cuidado cuida melhor. Por isso, também vamos atuar com iniciativas de acolhimento e prevenção”, comenta Piovesan.

Para derrubar tabus sobre o tema e fazer a informação circular, os colaboradores podem acessar na intranet e também receber por e-mail ou celular conteúdos que falam dos sintomas e das consequências do adoecimento emocional.

A cada seis meses, os profissionais também respondem a um questionário digital, validado cientificamente pela OMS, e que auxilia na compreensão das doenças. O resultado da pesquisa dá acesso ao diagnóstico da saúde mental do indivíduo e propõe o encaminhamento para o tratamento, caso necessário.

O Centro Avançado em Terapia de Suporte e Medicina Integrativa do hospital pode indicar ainda práticas como acupuntura, aromaterapia, cromoterapia e meditação focadas em saúde mental como parte do tratamento.

Uma equipe formada por psicólogos, psiquiatras e médicos de família realiza os atendimentos e, na análise dos casos, recebe consultoria da empresa Gattaz Health & Results – liderada por Wagner Gattaz, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Gattaz afirma que doenças mentais são a segunda principal causa de afastamento em ambientes hospitalares. Em primeiro, estão as doenças osteomusculares, porém parte das queixas de dores podem estar relacionadas a questões de fundo psicológico.

Janeiro Branco: como a vida moderna afeta nossa saúde mental

Os casos de depressão, estresse e ansiedade têm crescido no mesmo ritmo intenso que as mudanças ocorrem na sociedade moderna. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de depressão – que deve ser a doença mais incapacitante de 2020. Quando se fala de ansiedade, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking, com 9,3% da população (mais de 18 milhões de pessoas) convivendo com o transtorno.

Esses números colocam a saúde mental no foco dos cuidados com os pacientes, que buscam o equilíbrio em uma rotina cada vez mais extenuante e exigente. O Janeiro Branco é uma campanha que pretende chamar atenção para o adoecimento emocional da população e para a importância de políticas voltadas para a saúde mental.

Os fatores que influenciam negativamente na saúde mental costumam estar relacionados às pressões sociais, pessoais e profissionais, à falta de tempo para cuidar de si e de um espaço para falar sobre os problemas.

Um caminho para evitar a ansiedade e a depressão é ter na rotina um momento reservado para atividades que considera prazerosas, tentar minimizar o estresse contínuo e equilibrar as emoções, além de cultivar relações que fazem bem. Também é fundamental praticar exercícios físicos, se alimentar adequadamente e ter um sono adequado.

Notar que não está conseguindo lidar com situações do dia a dia sozinho e de forma saudável pode ser um sinal para procurar orientação de um psicólogo. Todos podemos ter nossa saúde mental afetada, em maior ou menor grau, por acontecimentos como a perda de um ente querido, um divórcio ou desemprego. Também pode ocorrer em fases de mudança na vida, como a entrada na escola, em um emprego novo, na adolescência ou no envelhecimento.

O Hospital Tacchini, no Sul do país, participa de uma programação de Janeiro Branco, em parceria com as secretarias municipais de Saúde de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves, que promoverá rodas de conversa e orientação com profissionais, além de palestras.

Em São Paulo, o Hospital São Camilo realiza ações internas e externas de conscientização sobre os cuidados com a saúde mental. As fachadas das unidades do hospital estão iluminadas com a cor da campanha Janeiro Branco. Ao longo do mês estão sendo realizadas palestras com os colaboradores e a divulgação de informações sobre o tema nas redes sociais e canais internos da instituição.

Programa focado em qualidade de vida reduz em 31% estresse de colaboradores de hospital

Lidar com a dor e a ansiedade dos pacientes e de suas famílias, além de ter que tomar decisões importantes rapidamente, é algo que pode gerar estresse das equipes no ambiente hospitalar. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um programa voltado para a saúde e a qualidade de vida conseguiu reduzir em 31% os níveis de estresse dos funcionários.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, conversamos com o geriatra e gerente médico do Saúde Integral do Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, para saber com o Programa Bem-Estar chegou a este resultado e acabou premiado internacionalmente.

“Quando começamos o programa, em 2011, 22% dos colaboradores disseram estar com um nível de estresse que impactava no seu dia a dia. Em um estudo feito entre os médicos, foram apontadas como principais causas de estresse ter que tomar decisões importantes em emergências e dificuldade de deixar de pensar no trabalho ao fim do dia”, diz Piovesan.

Ele explica que, dentro do programa, é feito um trabalho nas áreas onde são identificados muitos casos de afastamento. Nelas, psicólogo e ergonomista – profissional que analisa todo o processo de trabalho – fazem uma avaliação da psicodinâmica da área e apresentam resultados de acordo com o que foi identificado.

Pode ser um curso de comunicação não-violenta, por exemplo, ou a mudança de algum processo que não está funcionando bem e por isso causa estresse na equipe. “Ou, às vezes, sugerem a mudança de função de um colaborador que não tem o perfil para o trabalho que está fazendo e isso está causando estresse”, detalha.

Em outra frente, é trabalhado o acolhimento do profissional que apresenta sintomas de estresse na consulta com o médico generalista ou psicólogo do programa, que fazem o encaminhamento para o tratamento adequado.

Também há um canal confidencial para relatos de casos de assédio, bullying ou agressões – de pacientes ou entre colaboradores. É realizada uma apuração interna dos fatos e oferecido apoio para o colaborador.

Dentro das mais de 20 atividades oferecidas no Programa Bem-Estar, há algumas focadas diretamente no alívio do estresse, como ioga, relaxamento e meditação no bosque do hospital, cantoterapia e acupuntura.

Saúde integral

Piovesan explica que as ações do programa focam na qualidade de vida de uma forma integral, e que o primeiro passo é conhecer o perfil do colaborador. Cada um preenche um questionário antes da consulta periódica no qual conta sobre aspectos como o nível de estresse, a rotina de atividades físicas e alimentação. 

Como essas informações, mais o histórico médico e dados do RH sobre as principais causas de afastamento, é montado um plano de ação individualizado. 

“Pode ser, por exemplo, um coaching, que vai ajudar o colaborador a trabalhar seu estilo de vida como um todo. São 12 sessões com psicóloga e nutricionista, que vão focar na área que o colaborador quer mudar: perda de peso, nível de atividade física, gerenciamento de estresse, parar de fumar etc”, explica Piovesan.

Atualmente, a adesão ao Programa Bem-Estar é de 98% dos 2.840 colaboradores do hospital, pois está atrelado ao exame médico periódico. Uma academia dentro do Oswaldo Cruz faz parte do programa e hoje tem 610 funcionários matriculados que fazem pelo menos 30 minutos de musculação duas vezes por semana.

Na parte de lazer, são oferecidas aulas de balé, muay thai e pilates. Além de aulas de canto individuais ou em coral. Na parte do tratamento de estresse e problemas correlacionados, Piovesan afirma que a cantoterapia tem se mostrado muito eficiente. E em todas as ações do programa, os colaboradores têm apoio de uma equipe multidisciplinar.

Com o Programa Bem-Estar, o hospital também conseguiu reduzir em quase 50% as faltas por adoecimento, em 46% o tabagismo entre os funcionários e em 37% os casos de hipertensão. Houve ainda um aumento de 40% na prática de atividades físicas e 30% de melhora nos hábitos alimentares.

Entenda o que é e como lidar com uma crise de ansiedade

Ansiedade e nervosismo são sensações normais do ser humano. Ao falar em público, sob pressão no trabalho ou diante de situações do dia a dia, esse sentimento pode aparecer como uma reação natural do corpo. No entanto, quando chega a níveis extremos, é preciso se atentar. Mas você sabe o que é e como controlar uma crise de ansiedade?

Momentos de crise de ansiedade podem acontecer com qualquer pessoa. Entre seus aspectos principais estão o medo e a preocupação extrema, o que acaba aumentando a tensão e o estresse interno, levando a confusão mental e sintomas físicos.

Sintomas de crise de ansiedade

Com o aumento da adrenalina no sangue durante uma crise, alguns sintomas comuns podem aparecer, como:

  • Medo e preocupação extrema e incontrolável;
  • Dificuldade em se concentrar e irritabilidade;
  • Taquicardia e fortes palpitações;
  • Hiperventilação ou sensação de sufocação;
  • Tremores e sudoreses;
  • Tensão muscular e cansaço.

É importante procurar ajuda médica ao menor sinal, apenas um especialista poderá diagnosticar o distúrbio e indicar o melhor tratamento.

Como controlar uma crise de ansiedade

Mesmo com medicação e terapia alguns sintomas podem reaparecer às vezes. Além de seguir à risca o tratamento indicado por um especialista, há algumas pequenas medidas disponíveis que podem auxiliar a evitar uma crise.

Atualmente diversos aplicativos ajudam a prevenir e a controlar as emoções durante uma crise. Eles disponibilizam sons relaxantes, desaceleram a mente ou registam o que foi sentido. Os mais utilizados são:

  • Querida Ansiedade: criado por uma psicóloga, oferece meditações e exercícios.
  • Pacífica: cria uma rotina de tarefas para prevenir uma futura crise.
  • MindShift: oferece sons relaxantes e permite que o usuário relate o que está sentindo
  • Calm: possui exercícios de respiração e meditação simples que podem ser feitos  em qualquer lugar.

Fique atento na hora de buscar soluções ou alternativas na internet, pois muitas podem não ser úteis e acabam agravando ainda mais a situação.

Mindfulness para tratar ansiedade

Mindfulness (atenção plena) é um estado mental que serve como um antídoto para a vida no “piloto automático”, facilitando o maior reconhecimento de nossas emoções e impulsos. São diversas técnicas utilizadas para treinar esse estado mental, que se relaciona, em partes, com a meditação.

O especialista e coordenador da Especialização em Mindfulness da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Marcelo Demarzo, apresenta em seu blog que diversos programas do método estão se tornando comuns dentro das universidades. Os resultados mostram uma melhoria no bem-estar e diminuição nos sintomas de ansiedade e depressão.

É indicado realizar uma avaliação do ritmo de vida e optar por situações menos estressantes, anotar fatores que podem desencadear uma crise e evitá-los. Além disso, praticar exercícios físicos, fortalecer o autoconhecimento, manter uma dieta natural e investir em momentos de lazer são medidas simples que podem ajudar a controlar uma crise de ansiedade.