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Equipe multidisciplinar apoia pacientes durante e após o tratamento do câncer de mama

Cuidar do corpo e das emoções contribui – e muito – para ter uma vida saudável. No caso de quem descobre um câncer de mama, esses cuidados ganham uma importância ainda maior para a superação da doença. Os hospitais têm buscado cada vez mais oferecer ao paciente uma jornada integrada de cuidados durante e também após o tratamento. Para isso, investem em equipes multiprofissionais e atividades diversificadas

De acordo com a médica Fabiana Makdissi, head de Mastologia e do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center, o tratamento não divide a paciente entre as múltiplas especialidades. Todos os protocolos são integrados e cada profissional sabe a etapa anterior ou posterior da jornada de cada paciente. “Esse é o grande diferencial. Pelo fato de termos esse olhar integrado, com protocolos estabelecidos e tendo o paciente como foco, oferecemos melhores resultados.”

Dentre os diversos profissionais da equipe multidisciplinar do hospital está a enfermeira navegadora, que acompanha toda a jornada da paciente e se torna uma referência importante para esclarecer dúvidas e acompanhá-la do início ao fim do tratamento.  

Um estudo feito pelo A.C.Camargo concluiu que as mulheres que recebem um cuidado multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Mama estão superando a doença em todos os estágios. Foram analisados os dados de 5095 mulheres tratadas na instituição entre 2000 e 2012. Entre as pacientes com metástases, a taxa de sobrevida  – cinco anos – saltou de 20,7% no ano 2000 para 40,8% ao final da pesquisa. No caso de tumores detectados precocemente, os índices chegam a 98,7%. Ao considerar a sobrevida global (média de todos os estágios), os números subiram de 83% para 90% no período estudado.

“A equipe multiprofissional é fundamental. O tratamento do câncer não é só o tratamento do câncer, é o tratamento da pessoa que está com câncer, e esse apoio multi é fundamental para cuidar de todas as demandas que o ser humano tem quando descobre o câncer, não só para o tratamento, mas também para restabelecer esse ser humano para as atividades que fazia antes da doença”, avalia a mastologista.

O A.C. Camargo organiza encontros para pacientes e familiares, oficinas de dança, culinária e automaquiagem, palestras e outras atividades que ocorrem durante e depois do tratamento e que contribuem para a troca de experiências, o bem-estar e a autoestima.

“O acompanhamento é tão próximo que quando termina o tratamento, muitos pacientes sentem falta e se sentem mais seguros vindo de vez em quando ao hospital”, comenta Fabiana. O A.C. Camargo tem um grupo que faz o acompanhamento de pacientes pós-quimioterapia e também oferece aconselhamento oncogenético para famílias de pacientes com câncer de mama relacionado a causas genéticas. “Cada um é acolhido de acordo com a sua necessidade”, garante.

Outubro Rosa: incidência de câncer de mama seguirá alta, e diagnóstico precoce é o caminho para salvar vidas

Outubro é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, segunda doença mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Com o processo de envelhecimento da população, a incidência deste tipo de tumor continuará alta, e o diagnóstico precoce é o caminho para reduzir o número de mortes – que chega a 16,5 mil por ano no Brasil.

Para falar sobre os avanços no diagnóstico e tratamento da doença no país, o Saúde da Saúde conversou com o mastologista Henrique Salvador, coordenador do serviço de mastologia e presidente da Rede Mater Dei. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e vice-presidente da Sociedade Mundial de Mastologia, Salvador foi eleito um dos 100 nomes mais influentes da saúde no último ano.

Fundador e primeiro presidente da Escola Brasileira de Mastologia, hoje é também conselheiro da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).  Leia a entrevista na íntegra:

Qual o panorama do câncer de mama hoje no Brasil? Houve aumento ou redução do número de casos com relação aos anos anteriores? 

Henrique Salvador: O câncer de mama é o que mais acomete a mulher brasileira depois do câncer de pele. A estimativa é de 59,5 mil novos casos neste ano. São 16,5 mil mortes por ano em decorrência da doença. É uma doença muito prevalente e importante no mundo inteiro, não só pela gravidade com que se apresenta, mas até para o que a mama significa para a sexualidade e para a identidade feminina. Infelizmente, a doença continuará com incidência elevada, porque a população está envelhecendo. As pessoas vão viver mais, e com isso vão ter mais câncer, mas dá para aumentar o número de diagnósticos precoces. Em países como Inglaterra, Suécia e Estados Unidos a incidência continua grande, mas houve queda na mortalidade da doença porque investiram no diagnóstico precoce.

Quais os avanços mais importantes no diagnóstico e prevenção nos últimos anos? 

Henrique Salvador: A mulher hoje tem acesso ao estado da arte em diagnóstico e tratamento no Brasil e pode tratar qualquer estágio da doença da mesma maneira como trataria em qualquer país. Houve vários avanços no diagnóstico: há exames genéticos que a mulher pode fazer quando jovem para ver se tem alguma mutação nos cromossomos, há equipamentos de imagem muito sensíveis e de alta resolução que detectam a doença num estágio muito inicial. Exames como a tomossíntese, a mamotomia e a ressonância nuclear magnética da mama também são um avanço e podem ser utilizados, caso necessário, para detalhar o diagnóstico dependendo das características da paciente e da mama. O exame de ultrassom complementa a mamografia, e a ressonância também pode ser usada como complemento no caso de quem tem histórico familiar, por exemplo, para detectar a doença o mais precoce possível. 

E com relação ao tratamento?

Henrique Salvador: O tratamento é composto pelo trio cirurgia, radioterapia e medicamentos. Nas últimas décadas, caminhou-se para um tratamento menos agressivo, mais conservador. Antigamente, era oferecido o máximo de tratamento que a mulher tolerasse, e hoje é dado o tratamento mínimo necessário para controlar e tratar a doença. Antes, na maioria dos casos, era feita a mastectomia (retirada total da mama), e hoje é o inverso: na maioria das situações se conserva a mama e se retira apenas o tumor com uma margem de segurança ao redor. Com isso, os efeitos colaterais são muito menores. A radioterapia aumenta a eficiência do tratamento no local. Com relação ao tratamento com medicamentos, ele pode ser composto por quimioterapia, hormonioterapia e tratamento imunológico (vacinas). Pode ser que não precise usar nenhum medicamento, isso vai depender de uma série de informações que o tumor fornece a partir da análise dos genes do tumor e avaliação das proteínas do tumor, por exemplo. O câncer de mama não é a mesma doença para toda mulher, ele acomete as mulheres de formas diferentes.  

No Mater Dei, quais as tecnologias e iniciativas de destaque no tratamento e prevenção do câncer de mama?

Henrique Salvador: Temos todo o parque diagnóstico necessário para diagnosticar a doença como em qualquer grande centro do mundo. Para o tratamento, temos até uma sala de cirurgia dentro da área de radioterapia, ambulatório para radioterapia e quimioterapia e uma equipe multidisciplinar com 20 mastologistas e profissionais de diversas áreas – médicos nucleares, oncologistas clínicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros que se reúnem semanalmente para discutir os casos e se atualizar. 

Já foi a época em que um único profissional conduzia o tratamento. Um time articulado e habituado a trabalhar junto com base em protocolos, na literatura e na experiência faz toda a diferença para o diagnóstico precoce e para tranquilizar a paciente. Temos também investido bastante em ensino e pesquisa, com linhas de pesquisa em andamento, um centro de estudos e uma residência em mastologia reconhecida pelo Ministério da Educação com mais de 40 residentes de mastologia formados e três em fase de formação. 

No estudo da doença, já foi identificado algum fator de risco mais relevante ou medida de prevenção mais eficaz?

Henrique Salvador: A maioria dos casos de câncer de mama é causada por fatores comportamentais relacionados aos hábitos, e a menor parte tem origem hereditária. É fundamental o diagnóstico precoce: uma vez por ano, as mulheres a partir dos 40 anos devem fazer a mamografia. Hábitos de vida saudáveis como ter uma dieta mais rica em vegetais e frutas e praticar exercícios físicos reduzem o risco não apenas da incidência de câncer de mama, mas de outras doenças como as cardiovasculares. 

O Outubro Rosa é uma oportunidade de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce. Muitas mulheres ainda evitam fazer a mamografia com medo de descobrir que têm a doença, mas quanto antes o diagnóstico é feito, maior a chance de salvar mais vidas.

Outubro Rosa: doação de perucas e lenços ajudam mulheres com câncer de mama no Brasil

O câncer de mama faz parte da realidade de muitas mulheres. Os dados mais recentes revelam que em 2016 foram diagnosticados 57.960 casos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ele é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no país, vindo logo após o de pele não melanoma.

O mês de Outubro se tornou o mês para conscientização e prevenção da doença, mais conhecido como “Outubro Rosa”, por isso várias ações são feitas durante o mês.

Doação de cabelo e criação de perucas

Recentemente na Beauty Fair, maior evento de beleza da América Latina, o projeto “Solidariedade em Fios” reuniu cerca de 80 mulheres que cortaram o cabelo para doação ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. O lugar transforma as mechas doadas em próteses capilares para pacientes em tratamento de câncer.

Aline Maeshiro foi uma das doadoras. Ela estava com um cabelo até o fim das costas e resolveu doar 42 centímetros de mechas, deixando o cabelo bem curto. Foi a maior doação que o projeto teve no dia, gerando um grande material para a construção de perucas.

Como doar cabelo

As pessoas interessadas em participar do projeto podem enviar suas mechas pelos Correios para o Fundo Social (Avenida Morumbi, 4.500, 2º andar, sala 232, São Paulo, SP, Cep 05650-905) ou entregá-las pessoalmente na Escola de Beleza (Condomínio Edifício Água Branca – 73, R. Coriolano, 631 – Água Branca, São Paulo). A única exigência é que as madeixas estejam limpas, secas, amarradas, dentro de um saquinho e que tenham no mínimo 15 centímetros. Ainda existe a possibilidade de o doador cortar o cabelo gratuitamente na própria Escola.

Doação de lenços

Outro projeto que apoia a causa é o Instituto Quimioterapia e Beleza (IQeB). O instituto faz mensalmente uma doação com cerca de 700 lenços para o projeto De Bem Com Você – A beleza contra o câncer, coordenado pelo Instituto Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o qual promove oficinas de automaquiagem à mulheres que estão em tratamento contra o câncer.

O IQeB foi idealizado pela blogueira e ativista Flávia Flores, com uma história de superação que incentivou a criação do projeto. Formada em Administração, ela já trabalhou em grandes empresas do mercado de moda nacional e internacional. Em 2012, Flávia foi diagnosticada com câncer de mama e foi quando resolveu criar o inédito projeto “Quimioterapia e Beleza”. Em 2013, ela publicou o best seller homônimo, e em 2015 inaugurou o IQeB, e desde então ajuda mulheres que estão na luta pela cura do câncer, igual ela passou.

Má Mascarenhas, uma das presenteadas, postou sua alegria nas redes sociais, com um depoimento em agradecimento aos lenços que ganhou.

“Não sei como agradecer o carinho e o acolhimento de pessoas que nunca me viram. Quando o chão se abre e parece que a queda não vai ter fim, aparece uma página amiga, com pessoas que enxugam suas lágrimas e que você ajuda a enxugar lágrimas também. Você descobre que a maior arma contra o que vai enfrentar é a resistência, a perseverança, a resiliência e sua fé.”

Para Má Mascarenhas, receber o lenço foi como receber um troféu. “Meu troféu, que eu vou erguer e amarrar no alto da minha cabeça e ficar linda para enfrentar o que tiver de enfrentar”, afirma.

Como doar lenços

As pacientes conseguem solicitar ou doar pelo site: www.bancodelencos.com.br. Quando solicitam, elas têm opção de descrever como são e como querem o seu lenço. Antes do envio, que é gratuito, existe um processo operacional que consiste no armazenamento dos lenços, novos ou usados, triagem, higienização, embalagem, separação de pedidos e postagem, além de fazer uma mensagem específica para cada mulher.

Câncer de mama: avanços na medicina aumentam as possibilidades de tratamento

Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) revelam que o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo todo, sendo responsável por 28% dos novos casos a cada ano. O Instituto estima ainda que, para cada ano do biênio 2018-2019, serão 59.700 casos novos da doença. Embora raro, o câncer de mama também pode acometer os homens, somando apenas 1% dos registros. Além desses números, as pesquisas também apontam que a detecção precoce da doença aumenta as chances de cura.

Existem diversos tipos de câncer de mama, e cada um deles com processos de evolução diferentes, sendo alguns mais agressivos que outros. Diante das particularidades de cada tumor, juntamente aos avanços da medicina, o tratamento da doença tem sido feito, cada vez mais, de forma única e personalizada.

Avanços na medicina

O conceito da medicina de precisão, um modelo que visa reconhecer o tratamento correto, no momento correto, para o paciente correto, tem sido cada vez mais utilizado na oncologia. Este modelo busca adequar o histórico do paciente, seu estado clínico e as características moleculares da doença como forma de identificar as melhores opções de tratamento.

Um estudo divulgado este ano durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), apontou que a maior parte das mulheres com o tipo mais comum de câncer de mama, em estágio inicial e com risco médio de reincidência da doença, pode evitar a quimioterapia após a cirurgia. Isso porque, ao estudar mais profundamente o comportamento do tumor através de suas características moleculares, foi possível identificar um tratamento do câncer de mama com menos efeitos colaterais e até mais barato, como a terapia hormonal.

Outro avanço no tratamento do câncer de mama é o equipamento INTRABEAM utilizado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz para a realização de radioterapia intraoperatória (IOT). O procedimento é feito logo após a remoção do tumor, ainda durante a cirurgia. Normalmente, em um tratamento convencional por radioterapia, o paciente passa por 25 a 30 sessões. Com este equipamento inovador há redução no tempo de tratamento, pois a aplicação é feita em dose única com duração de 20 a 30 minutos. Os efeitos colaterais do método convencional, como fadiga, sensibilidade ou alteração na cor da pele e vermelhidão na região também são reduzidos com o novo procedimento.

Medicina integrativa

A medicina integrativa também tem sido uma aliada no tratamento do câncer de mama. Em uma palestra realizada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz sobre o uso da medicina integrativa na oncologia, o Dr. Thomas Breitkreuz, clínico geral com especialização em Oncologia e chefe do Hospital Paracelsus, em Munique, na Alemanha, falou sobre os benefícios da prática: “O objetivo da terapia convencional é eliminar a doença, já as terapias alternativas intensificam o processo de cura. Quanto mais grave a doença, mais é preciso buscar essas terapias que visam aumentar a qualidade de vida”.

Vale ressaltar que a prevenção, aliada à detecção precoce, ainda é o melhor tratamento para o câncer de mama. Por isso, desde 1990 existe a campanha do Outubro Rosa. Anualmente, o mês de outubro é inteiramente dedicado à disseminação de informações sobre como prevenir e tratar a doença, além de proporcionar à população um maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento. Então, se você é mulher, não deixe de realizar o autoexame, especialmente a partir dos 35 anos. Além disso, pratique atividades físicas regularmente, se alimente de forma saudável, e cuide-se, afinal, a sua saúde vem em primeiro lugar.