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5 informações essenciais para a prevenção do câncer de mama

O Outubro Rosa é uma campanha mundial que tem como objetivo espalhar o máximo de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Conhecer bem a doença é uma arma poderosa, já que os pacientes podem ter um diagnóstico mais precoce, caso venham a descobrir um tumor. Quando mais cedo é iniciado o tratamento, menos invasivo tende a ser e maiores são as chances de sucesso. 

Selecionamos abaixo cinco informações sobre o câncer de mama fundamentais para ter uma rotina de prevenção. As orientações são das ginecologista e mastologista do Hospital Santa Virgínia (HSV), Karina Belickas Carreiro e Ana Gabriela de Siqueira Santos, e da médica responsável pelo Centro de Oncologia e Infusão do hospital, Simonne Quaglia. Confira: 

1- O que causa o câncer de mama: 

O câncer de mama é causado pela multiplicação anormal de células da mama, que formam o tumor. Há diferentes tipos, que podem ter desenvolvimento rápido ou mais lento. 

2- Os principais fatores de risco: 

Desenvolver ou não um câncer de mama pode ter influência de fatores hormonais, genéticos e comportamentais. Em 80% dos casos, o tumor aparece depois dos 50 anos, mas também pode ocorrer em pacientes mais jovens – antes dos 40 anos. Os principais fatores de risco são: 

 – Obesidade e sedentarismo

– Tabagismo

– Consumo de bebidas alcoólicas

– Menstruação precoce

– Não ter tido filhos

– Primeira gravidez depois dos 30 anos

– Menopausa após os 55 anos

– Exposição à radiação

– Histórico familiar

Mulheres que tenham mãe, irmã, avó ou tia com histórico de câncer de mama – principalmente antes dos 50 anos – ou de câncer de ovário devem consultar um especialista para avaliar seu risco e decidir a melhor conduta a seguir.

3- Como se prevenir: 

Mesmo com alguns fatores de risco impossíveis de se evitar, (histórico familiar, idade da primeira menstruação e menopausa), estima-se que adotar hábitos saudáveis pode evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama. Veja o que pode fazer a diferença na sua rotina:

– Praticar atividade física regularmente

– Ter uma alimentação balanceada

– Manter o peso adequado

– Não fumar 

– Não consumir bebidas alcoólicas

– Amamentar

 4- Sinais de alerta 

O autoexame é uma forma de conhecer as próprias mamas e, assim, terem mais chances de notar precocemente os principais sinais de alerta de tumores. Para fazer o autoexame, é preciso inspecionar o aspecto e apalpar as mamas em busca de nódulos, preferencialmente uma semana após o período menstrual.

Se você identificar alguns dos sinais abaixo durante o autoexame, procure imediatamente um mastologista:

– Caroço fixo, endurecido e, em geral, indolor

– Alterações no mamilo (bico do peito)

– Saída espontânea de líquido dos mamilos

– Pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja

– Pequenos caroços nas axilas ou no pescoço   

Vale ressaltar que o autoexame não substitui a avaliação clínica do médico. “As consultas e os exames de rotina devem ser realizados mesmo sem nenhum sintoma. Não espere ter alguma alteração da mama para fazer o check-up preventivo”, orientam as especialistas do Hospital Santa Virgínia.  

5- Sem medo da mamografia: 

A mamografia é um exame indicado para o rastreamento – quando não há sinais nem sintomas suspeitos – e a detecção precoce do câncer de mama. Os especialistas recomendam a realização do exame anualmente a partir dos 40 anos – ou antes, caso haja histórico de câncer de mama na família ou outros fatores de risco.

Outubro Rosa: conheça os mitos e verdades sobre o câncer de mama e saiba como se prevenir da forma certa

Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil terá 66.280 novos casos de câncer de mama por ano entre 2020 e 2022. Esse número corresponde a um risco estimado de mais de 61 novos casos a cada 100 mil mulheres. É o segundo tumor mais comum entre as brasileiras, ficando atrás apenas dos tumores de pele não-melanoma.

Com o objetivo de estimular a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, todos os anos acontece a campanha Outubro Rosa. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado se for descoberto logo no início.

Apesar de comum, o câncer de mama ainda envolve tabus e tem muita informação equivocada circulando pelas redes sociais. Abaixo, a cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center Solange Maria Torchia Carvalho explica o que é verdade e o que não passa de fake news em algumas afirmações sobre câncer de mama que circulam na internet:

Câncer de mama é tudo igual
Mito. Há vários tipos e, por isso, as respostas às terapias e a evolução da doença são diferentes em cada caso. Alguns tumores são restritos à mama, e há aqueles que afetam outros tecidos. Há os que crescem rapidamente, e os que se desenvolvem de forma lenta, entre outras peculiaridades.
Os avanços na medicina permitem classificar os subtipos de acordo com estruturas da superfície celular e que estão envolvidas na divisão e multiplicação de células cancerosas. Assim, o médico pode escolher as drogas que agem direto no alvo e barram esse processo.

Câncer de mama só aparece em quem tem histórico familiar
Mito. As estimativas mostram que aproximadamente 10% dos casos têm origem hereditária. Entre os principais fatores de risco para o câncer de mama estão o tabagismo, a obesidade, o alcoolismo e o envelhecimento. Ter casos da doença na família influencia quando o parentesco é de primeiro grau – mãe, irmã ou filha – e ainda mais quando o tumor apareceu antes dos 40 anos. Estes são casos que exigem atenção redobrada, com acompanhamento de um médico e realização de rastreamento genético.

Amamentar protege contra o câncer de mama
Verdade. A amamentação reduz a exposição a certos hormônios femininos que podem estar por trás do surgimento de tumores, como o estrógeno. Há evidências de que quanto mais prolongado o período de aleitamento, maior a proteção. Mas é importante considerar que há vários outros fatores que podem levar ao câncer e, para algumas mulheres, o fato de amamentar não determina prevenção.

Uma pancada no seio pode causar câncer
Mito. Não é por causa de um trauma que as células malignas vão se multiplicar de maneira desenfreada.

Desodorante pode causar câncer de mama
Mito. Provavelmente, esse mito começou a circular por causa da presença de sais de alumínio nas fórmulas dos produtos que inibem a transpiração. Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assegura que não existe relação entre a substância e o tumor. Também ainda não há dados na literatura científica que comprovem esse elo.

Se eu fizer o autoexame todos os meses não preciso fazer a mamografia
Mito. Embora seja um aliado, na maioria das vezes o autoexame não é capaz de detectar o início de um tumor, na fase em que as lesões são muito pequenas. Por isso, a mamografia é fundamental para o diagnóstico precoce. “Ela revela microcalcificações, nódulos menores e outras irregularidades”, explica Solange Maria Torchia Carvalho, cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center. Toda mulher, após os 40 anos de idade, deve fazer mamografia.
Outros sinais que merecem atenção são diferenças consideráveis entre o tamanho dos seios, alterações nos mamilos e na pele da mama, inchaços incomuns na área, presença de secreções ou mesmo sangue, entre outros.

O câncer de mama pode ter cura
Verdade. Muitos fatores devem ser considerados, e um dos mais importantes é o diagnóstico precoce. Quanto menor a lesão, maior a chance de cura. Mas é preciso também considerar as diferenças entre os tipos de tumor.
Mesmo para os casos em que, infelizmente, não há prognóstico de cura, já existem opções terapêuticas que permitem o controle da doença e a qualidade de vida das pacientes.

Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce segue sendo o melhor caminho para a cura e recuperação das pacientes que descobrem um câncer de mama. Responsável pelo setor de Check-Up do Hospital Marcelino Champagnat (PR), a médica Aline Moraes explica que a descoberta tardia não é somente uma questão de vida ou morte. “O diagnóstico precoce possibilita uma gama muito maior de oportunidades de tratamento e formas menos agressivas, que vão comprometer menos a qualidade de vida da mulher.”

Segundo Aline, neste serviço é feito um acompanhamento das pacientes. “Nossa dinâmica de continuidade e comparativo de exames a cada ano é essencial, já que nos apresenta um cenário completo do paciente e suas mudanças, permitindo um diagnóstico preciso e muito mais avançado”, explica.

No Hospital Santa Izabel (BA), um dos focos da campanha do Outubro Rosa também é na prevenção e busca sensibilizar especialmente as mulheres com idade entre 40 a 69 anos para que adotem um estilo de vida saudável, se atentem sobre a importância do autocuidado e não deixem de realizar o exame de mamografia.

Com o rastreamento e o tratamento de casos oncológicos impactados pela pandemia de coronavírus, a campanha ganhou novo apelo. “Temos alertado e orientado as pessoas sobre a importância de nunca deixarem de se cuidar”, diz Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “Retardar até o último momento a ida ao hospital é arriscado e pode resultar num quadro crítico mais urgente e avançado”, completa.

Equipe multidisciplinar apoia pacientes durante e após o tratamento do câncer de mama

Cuidar do corpo e das emoções contribui – e muito – para ter uma vida saudável. No caso de quem descobre um câncer de mama, esses cuidados ganham uma importância ainda maior para a superação da doença. Os hospitais têm buscado cada vez mais oferecer ao paciente uma jornada integrada de cuidados durante e também após o tratamento. Para isso, investem em equipes multiprofissionais e atividades diversificadas

De acordo com a médica Fabiana Makdissi, head de Mastologia e do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center, o tratamento não divide a paciente entre as múltiplas especialidades. Todos os protocolos são integrados e cada profissional sabe a etapa anterior ou posterior da jornada de cada paciente. “Esse é o grande diferencial. Pelo fato de termos esse olhar integrado, com protocolos estabelecidos e tendo o paciente como foco, oferecemos melhores resultados.”

Dentre os diversos profissionais da equipe multidisciplinar do hospital está a enfermeira navegadora, que acompanha toda a jornada da paciente e se torna uma referência importante para esclarecer dúvidas e acompanhá-la do início ao fim do tratamento.  

Um estudo feito pelo A.C.Camargo concluiu que as mulheres que recebem um cuidado multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Mama estão superando a doença em todos os estágios. Foram analisados os dados de 5095 mulheres tratadas na instituição entre 2000 e 2012. Entre as pacientes com metástases, a taxa de sobrevida  – cinco anos – saltou de 20,7% no ano 2000 para 40,8% ao final da pesquisa. No caso de tumores detectados precocemente, os índices chegam a 98,7%. Ao considerar a sobrevida global (média de todos os estágios), os números subiram de 83% para 90% no período estudado.

“A equipe multiprofissional é fundamental. O tratamento do câncer não é só o tratamento do câncer, é o tratamento da pessoa que está com câncer, e esse apoio multi é fundamental para cuidar de todas as demandas que o ser humano tem quando descobre o câncer, não só para o tratamento, mas também para restabelecer esse ser humano para as atividades que fazia antes da doença”, avalia a mastologista.

O A.C. Camargo organiza encontros para pacientes e familiares, oficinas de dança, culinária e automaquiagem, palestras e outras atividades que ocorrem durante e depois do tratamento e que contribuem para a troca de experiências, o bem-estar e a autoestima.

“O acompanhamento é tão próximo que quando termina o tratamento, muitos pacientes sentem falta e se sentem mais seguros vindo de vez em quando ao hospital”, comenta Fabiana. O A.C. Camargo tem um grupo que faz o acompanhamento de pacientes pós-quimioterapia e também oferece aconselhamento oncogenético para famílias de pacientes com câncer de mama relacionado a causas genéticas. “Cada um é acolhido de acordo com a sua necessidade”, garante.

Outubro Rosa: incidência de câncer de mama seguirá alta, e diagnóstico precoce é o caminho para salvar vidas

Outubro é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, segunda doença mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Com o processo de envelhecimento da população, a incidência deste tipo de tumor continuará alta, e o diagnóstico precoce é o caminho para reduzir o número de mortes – que chega a 16,5 mil por ano no Brasil.

Para falar sobre os avanços no diagnóstico e tratamento da doença no país, o Saúde da Saúde conversou com o mastologista Henrique Salvador, coordenador do serviço de mastologia e presidente da Rede Mater Dei. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e vice-presidente da Sociedade Mundial de Mastologia, Salvador foi eleito um dos 100 nomes mais influentes da saúde no último ano.

Fundador e primeiro presidente da Escola Brasileira de Mastologia, hoje é também conselheiro da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).  Leia a entrevista na íntegra:

Qual o panorama do câncer de mama hoje no Brasil? Houve aumento ou redução do número de casos com relação aos anos anteriores? 

Henrique Salvador: O câncer de mama é o que mais acomete a mulher brasileira depois do câncer de pele. A estimativa é de 59,5 mil novos casos neste ano. São 16,5 mil mortes por ano em decorrência da doença. É uma doença muito prevalente e importante no mundo inteiro, não só pela gravidade com que se apresenta, mas até para o que a mama significa para a sexualidade e para a identidade feminina. Infelizmente, a doença continuará com incidência elevada, porque a população está envelhecendo. As pessoas vão viver mais, e com isso vão ter mais câncer, mas dá para aumentar o número de diagnósticos precoces. Em países como Inglaterra, Suécia e Estados Unidos a incidência continua grande, mas houve queda na mortalidade da doença porque investiram no diagnóstico precoce.

Quais os avanços mais importantes no diagnóstico e prevenção nos últimos anos? 

Henrique Salvador: A mulher hoje tem acesso ao estado da arte em diagnóstico e tratamento no Brasil e pode tratar qualquer estágio da doença da mesma maneira como trataria em qualquer país. Houve vários avanços no diagnóstico: há exames genéticos que a mulher pode fazer quando jovem para ver se tem alguma mutação nos cromossomos, há equipamentos de imagem muito sensíveis e de alta resolução que detectam a doença num estágio muito inicial. Exames como a tomossíntese, a mamotomia e a ressonância nuclear magnética da mama também são um avanço e podem ser utilizados, caso necessário, para detalhar o diagnóstico dependendo das características da paciente e da mama. O exame de ultrassom complementa a mamografia, e a ressonância também pode ser usada como complemento no caso de quem tem histórico familiar, por exemplo, para detectar a doença o mais precoce possível. 

E com relação ao tratamento?

Henrique Salvador: O tratamento é composto pelo trio cirurgia, radioterapia e medicamentos. Nas últimas décadas, caminhou-se para um tratamento menos agressivo, mais conservador. Antigamente, era oferecido o máximo de tratamento que a mulher tolerasse, e hoje é dado o tratamento mínimo necessário para controlar e tratar a doença. Antes, na maioria dos casos, era feita a mastectomia (retirada total da mama), e hoje é o inverso: na maioria das situações se conserva a mama e se retira apenas o tumor com uma margem de segurança ao redor. Com isso, os efeitos colaterais são muito menores. A radioterapia aumenta a eficiência do tratamento no local. Com relação ao tratamento com medicamentos, ele pode ser composto por quimioterapia, hormonioterapia e tratamento imunológico (vacinas). Pode ser que não precise usar nenhum medicamento, isso vai depender de uma série de informações que o tumor fornece a partir da análise dos genes do tumor e avaliação das proteínas do tumor, por exemplo. O câncer de mama não é a mesma doença para toda mulher, ele acomete as mulheres de formas diferentes.  

No Mater Dei, quais as tecnologias e iniciativas de destaque no tratamento e prevenção do câncer de mama?

Henrique Salvador: Temos todo o parque diagnóstico necessário para diagnosticar a doença como em qualquer grande centro do mundo. Para o tratamento, temos até uma sala de cirurgia dentro da área de radioterapia, ambulatório para radioterapia e quimioterapia e uma equipe multidisciplinar com 20 mastologistas e profissionais de diversas áreas – médicos nucleares, oncologistas clínicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros que se reúnem semanalmente para discutir os casos e se atualizar. 

Já foi a época em que um único profissional conduzia o tratamento. Um time articulado e habituado a trabalhar junto com base em protocolos, na literatura e na experiência faz toda a diferença para o diagnóstico precoce e para tranquilizar a paciente. Temos também investido bastante em ensino e pesquisa, com linhas de pesquisa em andamento, um centro de estudos e uma residência em mastologia reconhecida pelo Ministério da Educação com mais de 40 residentes de mastologia formados e três em fase de formação. 

No estudo da doença, já foi identificado algum fator de risco mais relevante ou medida de prevenção mais eficaz?

Henrique Salvador: A maioria dos casos de câncer de mama é causada por fatores comportamentais relacionados aos hábitos, e a menor parte tem origem hereditária. É fundamental o diagnóstico precoce: uma vez por ano, as mulheres a partir dos 40 anos devem fazer a mamografia. Hábitos de vida saudáveis como ter uma dieta mais rica em vegetais e frutas e praticar exercícios físicos reduzem o risco não apenas da incidência de câncer de mama, mas de outras doenças como as cardiovasculares. 

O Outubro Rosa é uma oportunidade de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce. Muitas mulheres ainda evitam fazer a mamografia com medo de descobrir que têm a doença, mas quanto antes o diagnóstico é feito, maior a chance de salvar mais vidas.

Outubro Rosa: doação de perucas e lenços ajudam mulheres com câncer de mama no Brasil

O câncer de mama faz parte da realidade de muitas mulheres. Os dados mais recentes revelam que em 2016 foram diagnosticados 57.960 casos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ele é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no país, vindo logo após o de pele não melanoma.

O mês de Outubro se tornou o mês para conscientização e prevenção da doença, mais conhecido como “Outubro Rosa”, por isso várias ações são feitas durante o mês.

Doação de cabelo e criação de perucas

Recentemente na Beauty Fair, maior evento de beleza da América Latina, o projeto “Solidariedade em Fios” reuniu cerca de 80 mulheres que cortaram o cabelo para doação ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. O lugar transforma as mechas doadas em próteses capilares para pacientes em tratamento de câncer.

Aline Maeshiro foi uma das doadoras. Ela estava com um cabelo até o fim das costas e resolveu doar 42 centímetros de mechas, deixando o cabelo bem curto. Foi a maior doação que o projeto teve no dia, gerando um grande material para a construção de perucas.

Como doar cabelo

As pessoas interessadas em participar do projeto podem enviar suas mechas pelos Correios para o Fundo Social (Avenida Morumbi, 4.500, 2º andar, sala 232, São Paulo, SP, Cep 05650-905) ou entregá-las pessoalmente na Escola de Beleza (Condomínio Edifício Água Branca – 73, R. Coriolano, 631 – Água Branca, São Paulo). A única exigência é que as madeixas estejam limpas, secas, amarradas, dentro de um saquinho e que tenham no mínimo 15 centímetros. Ainda existe a possibilidade de o doador cortar o cabelo gratuitamente na própria Escola.

Doação de lenços

Outro projeto que apoia a causa é o Instituto Quimioterapia e Beleza (IQeB). O instituto faz mensalmente uma doação com cerca de 700 lenços para o projeto De Bem Com Você – A beleza contra o câncer, coordenado pelo Instituto Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o qual promove oficinas de automaquiagem à mulheres que estão em tratamento contra o câncer.

O IQeB foi idealizado pela blogueira e ativista Flávia Flores, com uma história de superação que incentivou a criação do projeto. Formada em Administração, ela já trabalhou em grandes empresas do mercado de moda nacional e internacional. Em 2012, Flávia foi diagnosticada com câncer de mama e foi quando resolveu criar o inédito projeto “Quimioterapia e Beleza”. Em 2013, ela publicou o best seller homônimo, e em 2015 inaugurou o IQeB, e desde então ajuda mulheres que estão na luta pela cura do câncer, igual ela passou.

Má Mascarenhas, uma das presenteadas, postou sua alegria nas redes sociais, com um depoimento em agradecimento aos lenços que ganhou.

“Não sei como agradecer o carinho e o acolhimento de pessoas que nunca me viram. Quando o chão se abre e parece que a queda não vai ter fim, aparece uma página amiga, com pessoas que enxugam suas lágrimas e que você ajuda a enxugar lágrimas também. Você descobre que a maior arma contra o que vai enfrentar é a resistência, a perseverança, a resiliência e sua fé.”

Para Má Mascarenhas, receber o lenço foi como receber um troféu. “Meu troféu, que eu vou erguer e amarrar no alto da minha cabeça e ficar linda para enfrentar o que tiver de enfrentar”, afirma.

Como doar lenços

As pacientes conseguem solicitar ou doar pelo site: www.bancodelencos.com.br. Quando solicitam, elas têm opção de descrever como são e como querem o seu lenço. Antes do envio, que é gratuito, existe um processo operacional que consiste no armazenamento dos lenços, novos ou usados, triagem, higienização, embalagem, separação de pedidos e postagem, além de fazer uma mensagem específica para cada mulher.

Câncer de mama: avanços na medicina aumentam as possibilidades de tratamento

Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) revelam que o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo todo, sendo responsável por 28% dos novos casos a cada ano. O Instituto estima ainda que, para cada ano do biênio 2018-2019, serão 59.700 casos novos da doença. Embora raro, o câncer de mama também pode acometer os homens, somando apenas 1% dos registros. Além desses números, as pesquisas também apontam que a detecção precoce da doença aumenta as chances de cura.

Existem diversos tipos de câncer de mama, e cada um deles com processos de evolução diferentes, sendo alguns mais agressivos que outros. Diante das particularidades de cada tumor, juntamente aos avanços da medicina, o tratamento da doença tem sido feito, cada vez mais, de forma única e personalizada.

Avanços na medicina

O conceito da medicina de precisão, um modelo que visa reconhecer o tratamento correto, no momento correto, para o paciente correto, tem sido cada vez mais utilizado na oncologia. Este modelo busca adequar o histórico do paciente, seu estado clínico e as características moleculares da doença como forma de identificar as melhores opções de tratamento.

Um estudo divulgado este ano durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), apontou que a maior parte das mulheres com o tipo mais comum de câncer de mama, em estágio inicial e com risco médio de reincidência da doença, pode evitar a quimioterapia após a cirurgia. Isso porque, ao estudar mais profundamente o comportamento do tumor através de suas características moleculares, foi possível identificar um tratamento do câncer de mama com menos efeitos colaterais e até mais barato, como a terapia hormonal.

Outro avanço no tratamento do câncer de mama é o equipamento INTRABEAM utilizado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz para a realização de radioterapia intraoperatória (IOT). O procedimento é feito logo após a remoção do tumor, ainda durante a cirurgia. Normalmente, em um tratamento convencional por radioterapia, o paciente passa por 25 a 30 sessões. Com este equipamento inovador há redução no tempo de tratamento, pois a aplicação é feita em dose única com duração de 20 a 30 minutos. Os efeitos colaterais do método convencional, como fadiga, sensibilidade ou alteração na cor da pele e vermelhidão na região também são reduzidos com o novo procedimento.

Medicina integrativa

A medicina integrativa também tem sido uma aliada no tratamento do câncer de mama. Em uma palestra realizada no Hospital Alemão Oswaldo Cruz sobre o uso da medicina integrativa na oncologia, o Dr. Thomas Breitkreuz, clínico geral com especialização em Oncologia e chefe do Hospital Paracelsus, em Munique, na Alemanha, falou sobre os benefícios da prática: “O objetivo da terapia convencional é eliminar a doença, já as terapias alternativas intensificam o processo de cura. Quanto mais grave a doença, mais é preciso buscar essas terapias que visam aumentar a qualidade de vida”.

Vale ressaltar que a prevenção, aliada à detecção precoce, ainda é o melhor tratamento para o câncer de mama. Por isso, desde 1990 existe a campanha do Outubro Rosa. Anualmente, o mês de outubro é inteiramente dedicado à disseminação de informações sobre como prevenir e tratar a doença, além de proporcionar à população um maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento. Então, se você é mulher, não deixe de realizar o autoexame, especialmente a partir dos 35 anos. Além disso, pratique atividades físicas regularmente, se alimente de forma saudável, e cuide-se, afinal, a sua saúde vem em primeiro lugar.