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Terapia gênica: conheça novo tratamento de combate ao câncer aprovado no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso no Brasil da primeira terapia gênica contra o câncer, conhecida como CAR-T Cell. Segundo o oncologista do Hospital Dona Helena (SC) Lucas Sant’Ana, a terapia se baseia em uma premissa inédita, na qual nossas próprias células de defesa, os linfócitos, são utilizados para combater a doença.

O especialista afirma que a liberação é uma notícia muito relevante na área, como também uma nova perspectiva para os pacientes. “Para os brasileiros que enfrentam o tratamento contra o câncer, essa é uma terapia extremamente promissora, que deverá ter sua indicação ampliada nos próximos anos e beneficiará ainda mais pacientes”, afirma o oncologista.

A terapia funciona da seguinte maneira, explica Sant’Ana: primeiro, uma linhagem de células de defesa – os linfócitos T – é retirada do paciente. Depois, os linfócitos T são modificados geneticamente para se tornarem ativos contra as células tumorais e, por fim, são reinfundidos no paciente.

“O resultado é uma resposta muito intensa contra a neoplasia alvo e com excelente eficácia. Atualmente, essa terapia é aprovada para tratamento de duas neoplasias malignas, LLA (leucemia linfoblástica aguda) e alguns subtipos de linfoma”, diz o oncologista.

Em 2019, a terapia foi usada de forma experimental no Brasil para tratar o paciente Vamberto Luis de Castro na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP). À época, ele ficou conhecido por ser o primeiro paciente da América Latina a receber terapia com CAR-T Cell, afirma Sant’Ana. “Vamberto tinha diagnóstico de linfoma não-Hodgkin, e, após diversos tratamentos, já não dispunha de alternativas terapêuticas eficazes. Após a realização da terapia gênica, houve redução de quase 100% das lesões que o acometiam.”

A aprovação da terapia pela Anvisa é uma de várias etapas que precisam ser superadas até que a medicação seja incorporada ao sistema de saúde brasileiro.

Retinoblastoma: entenda o câncer ocular diagnosticado na filha do jornalista Tiago Leifert

Os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin revelaram que a filha deles, Lua, de 1 ano, foi diagnosticada com retinoblastoma. A intenção do casal ao tornar público o problema de saúde da bebê foi chamar a atenção das famílias para esse tipo raro de câncer ocular, que afeta uma em cada 20 mil crianças, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

“Vá ao oftalmo no primeiro ano de vida do seu bebê. Nossa intenção é que você descubra antes do que a gente descobriu, que foi no grau máximo”, explicou Tiago em um vídeo publicado no seu perfil no Instagram.
O Saúde da Saúde conversou com Luiz Eduardo de Aguiar Marques, oftalmologista do Hospital IPO (PR), para entender melhor como ocorre o retinoblastoma, quais os sinais de alerta para os pais e as formas de prevenção e tratamento da doença. Confira:

O que é o retinoblastoma?
O retinoblastoma é um tipo de câncer ocular que ocorre, principalmente, em crianças menores de 5 anos de idade. Ele se origina na retina, um tecido localizado no fundo do olho que serve para transmitir a imagem que enxergamos para o cérebro.

“O aparecimento desse tumor é raro. Afeta uma criança em cada 20 mil nascidos vivos, segundo o Instituto Nacional de Câncer do Ministério da Saúde”, explica Marques. O médico afirma que o tumor ocorre por uma alteração genética, que pode ou não ser hereditária (herdada dos pais). “Crianças com história familiar de retinoblastoma devem fazer exames oftalmológicos com frequência. Os pais podem fazer aconselhamento genético se houver casos na família”, orienta.

Quais os sinais de alerta para que os pais fiquem atentos?
A ausência do reflexo vermelho numa foto, com a pupila aparecendo branca; desvio ocular ao olhar; queixa de dor, vermelhidão e irritação ocular são sinais que podem servir de alerta. “Importante ressaltar que a grande maioria desses sinais não significa diagnóstico de retinoblastoma, mas sim a necessidade de um exame oftalmológico”, enfatiza Marques.

Como é feito o diagnóstico?
A forma mais comum de diagnóstico da doença é através de uma consulta oftalmológica com avaliação do fundo de olho. O “teste do olhinho”, para ver o reflexo do fundo de olho, é muito importante para a triagem. Um exame de fundo de olho é o que vai confirmar ou não a existência do câncer. Se houver tumor, outros exames de imagem serão feitos para avaliar o estágio da doença e se existem metástases.

Quais as chances de cura?
Se o diagnóstico for precoce e não houver metástases, as chances de sobrevivência e preservação da visão são muito altas – acima de 90% em 5 anos.

Quais as formas de tratamento?
O tratamento pode ser feito com quimioterapia, radioterapia, crioterapia, laser e cirurgia, se necessário.

Assista ao vídeo publicado no Instagram por Tiago Leifert e Daiana Garbin falando do diagnóstico de retinoblastoma da filha Lua.

Dezembro Laranja: queda no número de diagnósticos de câncer de pele na pandemia acende alerta para prevenção

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 556 mil novos casos de câncer de pele no triênio 2020 e 2022, sendo mais de 185 mil em cada ano. Entretanto, o total de diagnósticos feitos entre o início de 2020 e outubro deste ano não chega a 100 mil. O medo da Covid-19 fez as pessoas deixarem de ir ao médico e isso acendeu um sinal de alerta na prevenção desse tipo de câncer, que representa 30% dos casos da doença no Brasil.

“Se diagnosticado em fase inicial, há 90% de chances de cura. No entanto, no período mais recente, em razão da pandemia e do medo das pessoas de fazerem exames rotineiros ou consultarem um médico, muitos pacientes tiveram o diagnóstico retardado, resultando em aumento do número de casos de câncer de pele descobertos em fases avançadas”, afirma Veridiana Camargo, oncologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Também por causa da pandemia, foram abandonados hábitos que contribuem na prevenção da doença, como deixar de usar protetor solar por achar que, estando em casa, não se está suscetível à radiação UV. Algumas pessoas também começaram a tomar sol com o objetivo de metabolizar a vitamina D, mas nem sempre se atentando às recomendações de horário.

Os números mostram que o cenário já não era favorável antes da pandemia. Embora seja um câncer de fácil prevenção, o tipo não melanoma é a neoplasia mais frequente entre homens e mulheres no mundo todo.

“Embora o Brasil seja um país ensolarado a maior parte do ano, a população, principalmente aqueles que vivem longe do litoral, pouco adere ao uso do protetor solar nas regiões do corpo expostas ao sol no dia a dia. O hábito de examinar a pele para acompanhar o surgimento e evolução de pintas e sinais suspeitos também é pouco difundido, sendo que nem sempre esse motivo leva o brasileiro ao consultório do dermatologista”, explica Reinaldo Tovo, coordenador do Núcleo de Dermatologia do Hospital Sírio-Libanês.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia comparou os números de pedidos de biópsias para detecção do câncer de pele feitos em 2019, período anterior à pandemia, e em 2020 e constatou uma diminuição de 48%.

Como se prevenir
O câncer de pele é o crescimento anormal das células da pele, normalmente em áreas com grande exposição ao sol – mas também podem acontecer casos em regiões não expostas. Está dividido em dois tipos:

  •  Não melanoma: é um dos tumores malignos mais registrados no país, costuma ser mais brando e evoluir de forma mais lenta.
  • Melanoma: é considerado grave devido ao alto risco de metástase, que é o espalhamento do câncer para outros órgãos.

Embora menos incidente (3% dos casos), o melanoma causa cerca de 2 mil mortes por ano. Mas, diferentemente do que muitos imaginam, o câncer de pele não melanoma (o mais comum é o carcinoma, que é menos agressivo), responde por 2,6 mil óbitos por ano no país.

Os médicos alertam para uma visão equivocada de que o tumor de pele, agressivo ou não, é um câncer menos grave. “Não é. Trata-se de uma doença maligna, que exige tratamento e acompanhamento”, reforça a oncologista da BP, Veridiana Camargo.

Esse tipo de câncer pode ser totalmente assintomático, por isso os especialistas recomendam uma consulta anual com o dermatologista e procurá-lo sempre que notar:

  • Manchas ou lesões assimétricas, com bordas irregulares, diâmetro de mais de 6 mm, que mudam de cor, formato ou tamanho;
  • Feridas que não cicatrizam entre 4 a 6 semanas;
  • Nódulos na pele com pequenas ulcerações ou verrugas dolorosas de crescimento progressivo.

Alguns fatores aumentam o risco:

  • Pele, olhos ou cabelos claros;
  • Histórico familiar da doença;
  • Ter o sistema imunológico enfraquecido por transplante, tratamento oncológico e infecções (como HPV);
  • Síndromes genéticas, como o albinismo.

Mas, independentemente de estar nesses grupos, a prevenção é fundamental. Para evitar a doença, é preciso adotar os seguintes cuidados:

  • Evitar ao máximo pegar sol das 9h às 15h;
  • Usar sempre protetor solar e reaplicar ao longo do dia;
  • Também ajudam na proteção chapéus, óculos de sol, camisetas, guarda-sol e guarda-chuva.

Conheça a crioterapia, que reduz queda de cabelo durante tratamento de câncer

Um dos efeitos colaterais mais conhecidos da quimioterapia é a intensa queda de cabelo, que pode trazer desconforto físico e emocional para quem passa por tratamento contra o câncer. Mas uma tecnologia que já é adotada em hospitais brasileiros pode evitar esse efeito e contribuir para o bem-estar dos pacientes: a crioterapia capilar.

“A queda de cabelo traz uma sensibilidade para os pacientes, às vezes, até deitar-se no travesseiro incomoda. Sem proteção, eles podem ter queimadura de sol no local. Para as mulheres, é uma situação ainda mais delicada. A ausência do cabelo chama a atenção e pode mexer com a autoestima, o que interfere no tratamento”, explica Bruna Zucchetti, oncologista especializada em mamas do Hospital Nove de Julho (SP).

Os quimioterápicos para o combate do câncer de mama estão entre os que mais causam a alopecia, nome técnico para a queda de pelos e cabelo. Por isso, essas pacientes estão ente as que mais demandam o uso da touca de crioterapia.

O equipamento dispõe de uma alta tecnologia de resfriamento do couro cabeludo e precisa ser usada 30 minutos antes, durante e até 90 minutos depois das sessões de quimioterapia. A temperatura varia entre 9°C e 17°C e diminui o fluxo sanguíneo no local. Desta forma, reduz a quantidade de quimioterápico absorvido pelas células do couro cabeludo e evita a queda de cabelo.

“O uso da touca impacta em diversos aspectos, como o convívio social e a manutenção da rotina diária. Certamente, é um avanço significativo ter essa tecnologia à disposição”, afirma Nicole Golin, diretora técnica do Hospital Tacchini (RS), que também oferece a crioterapia. Segundo a instituição, a taxa de sucesso varia entre 60% e 100%, de acordo com a intensidade do tratamento.

Apesar de não ter efeitos colaterais conhecidos, a crioterapia capilar não é indicada em casos de cânceres que afetem a corrente sanguínea, como leucemias e linfomas, pois a touca causa a contração dos vasos sanguíneos e poderia diminuir a efetividade do tratamento.

O paciente precisa ter alguns cuidados em casa para que a crioterapia seja mais eficaz. O ideal é ficar de quatro a cinco dias sem lavar os cabelos – pode ser usado xampu a seco – e evitar escová-los demais. Não é permitido fazer qualquer tipo de química nos cabelos e também não é recomendado o uso de secador ou chapinha.

Novembro azul: com sintomas silenciosos e tabus sobre prevenção, câncer de próstata é o 2º mais comum entre brasileiros

Com sintomas silenciosos e cheio de tabus em relação ao exame de prevenção, o tumor de próstata é o segundo mais comum entre homens no Brasil – ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Só em 2020, cerca de 30% dos casos de câncer masculino foram de próstata.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimam 65,8 mil novos casos por ano no triênio 2020-2022 no Brasil. Todos os anos, o câncer de próstata tem 75% dos casos registrados em homens com 65 anos ou mais – e o número de mortes chega a 15,5 mil.

Questões culturais também impactam nesses números: os homens costumam cuidar menos da saúde e ir pouco ao médico para exames de rotina. Com a pandemia, esse cenário se agravou. Segundo dados do hospital A.C. Camargo Cancer Center, houve uma queda de 30% nos atendimentos da área de urologia.

O Novembro Azul traz anualmente campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata e, neste ano, tem uma mensagem principal: os homens precisam retomar os cuidados com a saúde e a prevenção deste tipo de tumor.

“O câncer de próstata, na maioria das vezes, cresce de maneira lenta, levando alguns anos para chegar a 1 cm³. Por isso, é interessante a realização de exames a partir dos 50 anos para quem não tem histórico familiar e dos 45 anos para quem tem”, explica o líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C. Camargo, Stênio de Cássio Zequi. “Quando diagnosticado precocemente, a chance de sucesso no tratamento dos casos favoráveis pode atingir os 90%”, completa.

Antonio Corrêa Lopes Neto, urologista do Hcor – hospital multiespecialista de São Paulo – ressalta que a ida aos consultórios e a realização de exames de sangue e toque permitem não só o diagnóstico precoce do câncer de próstata, como também a identificação de quadros de prostatite (infecção ou inflamação da próstata) e hiperplasia benigna da próstata (aumento de tamanho da glândula).

Segundo o especialista, a realização apenas do exame PSA não é suficiente na decisão de condutas clínicas. Por isso, a comunidade médica defende uma avaliação mais completa, com análise de fatores de risco e histórico familiar, além da realização do toque retal e outros exames complementares, conforme as necessidades de cada caso.

Abaixo, o urologista do Hcor esclarece as dúvidas mais frequentes sobre câncer de próstata:

Quanto tempo dura o exame de toque retal?
Trata-se de um procedimento muito rápido, que dura em torno de 10 segundos. Nesse breve espaço de tempo, o médico consegue verificar se há regiões irregulares na próstata, principalmente nódulos e áreas endurecidas.

O câncer na próstata causa incontinência urinária? 
Não necessariamente. A perda da capacidade de controlar a urina é comum em homens que já passaram por cirurgia ou radioterapia para tratamento do câncer de próstata. Entretanto, hoje há tecnologias que permitem que esses quadros sejam temporários, e o paciente pode recuperar o controle total da bexiga.

Todo tipo de tratamento contra câncer urológico pode causar impotência sexual? 
Não é todo câncer urológico que causa impotência sexual após o tratamento. O quadro depende da condição física prévia do paciente, assim como o tipo e o nível do tumor. “Hoje, muitos médicos utilizam a cirurgia robótica para operar tumores de próstata. Essa técnica minimamente invasiva ajuda a proteger os tecidos e músculos da região. Além disso, existem alternativas para amenizar o problema, como tratamentos hormonais, medicamentos ou próteses penianas”, reforça o urologista.

Posso ficar infértil após o tratamento contra um câncer urológico? 
A possibilidade existe, mas tudo depende do tipo do câncer, da saúde e idade do paciente, bem como do tratamento adotado. Portanto, recomenda-se que o paciente converse com o médico para pensar em alternativas de preservação de espermatozoides, se for necessário.

Vasectomia causa câncer de próstata?
Não. Esse método de contracepção não tem nenhuma influência no desenvolvimento desse tipo de tumor.

Cânceres de cabeça e pescoço: diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Aos primeiros sintomas, não espere a pandemia passar – procure um médico

Os chamados “cânceres de cabeça e pescoço” são tumores malignos na boca, no seios paranasais, no nariz ou na garganta, que podem começar silenciosamente antes de causar incômodos. Em caso de alterações nessas regiões, que às vezes podem ser confundidas com uma simples infecção de garganta, é preciso buscar orientação médica o quanto antes, mesmo em tempos de pandemia.

Alguns sinais de alerta: alterações de cor na boca, aftas persistentes, feridas nos lábios que não cicatrizam, rouquidão que não passa, nódulos no pescoço, dificuldade para engolir e mudança no timbre da voz.

O aposentado José Afonso Ramos, de 56 anos, travou uma das maiores batalhas de sua vida quando descobriu em 2018 um tumor de cabeça e pescoço, localizado abaixo da língua. Ele começou a sentir dores na língua, na garganta e no ouvido e achou que estava com infecções comuns nesta região. “Eu tinha a sensação de que algo me arranhava na garganta. Minha língua doía, mas não dei muita atenção no primeiro momento. Comecei a me automedicar”, lembra.

Segundo a filha de José Afonso, Geiciane Ramos, depois de mais de um mês de consumo de remédios que não contribuíram para a melhora do pai, o aposentado procurou por um dentista. “A língua dele começou a sangrar e aí começamos a nos preocupar. Nós os levamos a um dentista que fez o pedido da biópsia imediatamente.” Após a biópsia, ele foi encaminhado para o tratamento no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, Minas Gerais.

Ex-tabagista e adepto do consumo de álcool, o aposentado José Ramos fazia parte do grupo de risco para a doença, e entrou para o grupo das mais de 43 mil pessoas que são diagnosticadas com câncer de cabeça e pescoço no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Está entre os mais frequentes na população brasileira, e representa o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum em mulheres.

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço da Fundação São Francisco Xavier, Clineu Gaspar Hernandes Júnior, os tumores de cabeça e pescoço são localizados nas vias aerodigestivas superiores e nas glândulas salivares ou glândulas endócrinas. “Os principais locais desse tipo de câncer são a língua, lábios, gengiva, glândulas salivares como a parótida e submandibular, as amigdalas, a laringe, a tireoide, os seios paranasais e a faringe, sendo que a faringe divide em nasofaringe, porofaringe e hipofaringe”, explica.

Segundo o cirurgião, o câncer de pele também pode estar associado a essa região. “Esse tipo de câncer em cabeça e pescoço representa 60% de todos os cânceres de pele do corpo por ser uma área muito exposta ao sol”, explica.
O médico explica que os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço são feridas no corpo ou na boca que não cicatrizam, manchas vermelhas ou esbranquiçadas na boca, rouquidão maior que duas semanas, dificuldades ou dor para engolir, caroço no pescoço, irritação ou dor de garganta, mau hálito frequente, perda de peso sem motivo aparente, dentes moles ou com dor em torno deles. E, segundo ele, os principais fatores de risco são o tabagismo e o alcoolismo. Outro fator de risco para o câncer de orofaringe, é o HPV, conhecido como papiloma vírus.
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço, segundo o médico, envolve geralmente a cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sendo a ordem desses tratamentos dependente do tipo e localização do tumor. “A chance de cura está diretamente relacionada ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado. Então, naqueles tumores iniciais as chances de cura são bem altas, entre 90% e 95%”.
Fonte: edição do texto original do Hospital Márcio Cunha.

Pesquisa aponta que mulheres deixaram de lado consulta de rotina no ginecologista em 2020

Com o objetivo de entender o nível de conhecimento das mulheres sobre o câncer de colo do útero e contribuir para diminuir a desinformação sobre a doença no Brasil, o Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) aplicou o questionário online “O que as mulheres sabem sobre câncer de colo do útero e HPV?”. A pesquisa contou com a adesão de 548 mulheres a partir de 18 anos. Em meio ao impacto da pandemia de covid-19, apenas pouco mais da metade (55,7%) das entrevistadas passaram por ao menos uma consulta de rotina no ginecologista em 2020.

Dentre as que marcaram consulta, 58,4% foram pela saúde suplementar e 41,1% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em relação ao nível de instrução apresentado na amostra, 41,6% têm ensino superior completo (graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado). A principal ocupação foi profissional liberal (19,6%), porém 28,6% das participantes estão desempregadas. Majoritariamente, as mulheres entrevistadas são casadas (55,7%) e tem filhos (74,6%).

Na amostra, 12% responderam ter recebido o diagnóstico de um tipo de câncer, sendo os mais comuns o de mama e o de colo do útero. “A pesquisa fornece dados que suscitam temas para reflexão. Mesmo entre as mulheres, que são mais zelosas com a saúde, foi baixa a procura por consulta de rotina. A pandemia continua e é fundamental fortalecer o alerta sobre a importância de prevenir o câncer de colo do útero, uma doença que, com o exame de Papanicolau e a vacina contra HPV, é evitável”, destaca Andréa Gadêlha Guimarães, oncologista clínica do IUCR)e do A.C.Camargo Cancer Center.

Exame de Papanicolau
Entre as entrevistadas, 85,2% reconhecem o Papanicolau como sendo o principal exame para diagnóstico de câncer de colo do útero e 82% realizam o exame de rotina, com intervalo entre um e três anos. Entre os 18% que não realizam o exame rotineiramente ou nunca o fizeram, as principais causas apontadas foram ser um exame desconfortável e medo de sentir dor.

Ao serem questionadas sobre sinais e sintomas, 88% responderam corretamente que, no estágio inicial, o câncer de colo do útero não apresenta sintomas e que com o avanço da doença podem ocorrer: corrimento vaginal de cor escura; sangramento vaginal após a relação sexual; dor durante o sexo; sangramento vaginal anormal (após a menopausa ou entre períodos menstruais) etc. Além disso, 96% mostraram conhecimento ao afirmar que o câncer de colo do útero é uma doença que pode acometer mulheres de todas as idades e mais de 90% apontaram que o especialista mais indicado para tratar a doença é o oncologista ou ginecologista.

Entre os pontos de atenção, alerta Andréa Gadêlha, está o fato de uma entre quatro mulheres desconhecerem a infecção pelo HPV como principal causa de câncer de colo do útero. Na amostra, 23,4% apontaram outras causas (tabagismo, ter mais de 40 anos, obesidade, início precoce da vida sexual e prática sexual com muitos parceiros e sem camisinha). “Outra questão para a qual devemos estar atentos é que metade (50,1%) respondeu ‘falso’ ou ‘não sei’ para a afirmação que o câncer de colo do útero é um dos tipos mais fáceis de serem evitados”, observa a especialista.

Vacina sem gênero
A vacina contra o vírus HPV é indicada para meninos e meninas como estratégia para evitar o câncer de colo do útero, como também para prevenir câncer de pênis, ânus e orofaringe. No entanto, a maioria das entrevistadas (53,8%) responderam “falso” ou “não sei” para a afirmação de que o HPV está relacionado com câncer de pênis, ânus e orofaringe nos homens.

“É uma evidência do quão importante é falarmos com a população, cada vez mais, sobre a importância de se imunizar também os meninos”, ressalta Andréa Gadêlha. Entre os mitos, um que se destaca é o fato da maioria (57,7%) acreditar que o uso de preservativo durante a relação sexual protege totalmente contra o HPV quando, na verdade, embora a camisinha seja uma aliada importante para prevenir esta e outras infecções sexualmente transmissíveis, o vírus pode estar em áreas que camisinha não protege, como vulva, região pubiana, perineal ou bolsa escrotal. Por isso, é fundamental, para evitar o HPV, associar o uso de preservativo com a imunização pela vacina.

Fonte: edição do texto original do IUCR.

Câncer: as vantagens do aconselhamento genético e da biópsia minimamente invasiva

Hoje, 4 de fevereiro, é Dia Mundial do Câncer, uma iniciativa global da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o tema #IAmAndIWill (#EuSoueEuVou), a campanha tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença, além de influenciar a mobilização de governos e indivíduos. Hoje, grandes tendências na área são o aconselhamento genético e a biópsia minimamente invasiva.

Atualmente, 7,6 milhões de pessoas morrem de câncer a cada ano. Estima-se que 1,5 milhão de mortes anuais poderiam ser evitadas com medidas adequadas. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, para o sexo masculino, os tipos de câncer mais preponderantes atualmente são os de próstata, intestino e pulmão. Para as mulheres, os mais comuns são câncer de mama, intestino e colo de útero. O câncer pode acometer indivíduos de qualquer idade, mas é mais comum na faixa dos 60 aos 79 anos.

O oncologista Lucas Sant’Anna, do Onco Center Dona Helena, de Joinville (SC), explica que o câncer ocorre quando células do organismo passam a se dividir de forma descontrolada e adquirem ainda capacidade de invadir outras estruturas do corpo, em razão de uma alteração no DNA. Isso pode ocorrer por diversos fatores – alguns, relacionados ao estilo de vida. Por isso, a prevenção também está relacionada a hábitos saudáveis, como praticar exercícios regularmente, evitar consumo excessivo de álcool e o tabagismo, além de manter uma alimentação balanceada.

Mas não é só: a genética também conta. “Defeitos em certos genes podem elevar risco de alguns tipos de câncer, assim como algumas características individuais também podem elevar este risco, como a cor de pele – a branca pode ser fator de risco para o câncer de pele e a negra para câncer de próstata”, exemplifica Sant’Anna.

A oncogenética estuda os aspectos moleculares, celulares, clínicos e terapêuticos de síndromes de predisposição ao câncer. “O objetivo principal é identificar portadores de defeitos genéticos que aumentariam as chances do indivíduo desenvolver câncer e, então, atuar de forma preventiva para reduzir o risco, por meio de exames de rastreamento, cirurgias preventivas e/ou terapias”, afirma o oncologista.

Durante a investigação da suspeita de câncer, o médico pode solicitar uma biópsia de um nódulo detectado em exames. Procura-se hoje dar preferência a tratamentos minimamente invasivos, como a biópsia percutânea, sem necessidade de cirurgia, que pode ser realizada em pacientes de todas as idades. “Por meio de exames de imagem, como ultrassom e tomografia computadorizada, conseguimos localizar a lesão e retirar fragmentos por meio de uma agulha”, ilustra o radiologista Bruno Miranda, especialista em diagnóstico por imagem e medicina intervencionista da dor.

A técnica é feita com anestesia local e, em geral, sem sedação. A liberação do paciente ocorre, no mais tardar, depois de algumas horas em observação. “É um procedimento bastante seguro. Normalmente, o paciente não sente dor, ou sente muito pouca, e é liberado sem nenhuma intercorrência.”

(Fonte: edição do texto original do Onco Center Santa Helena.)

5 informações essenciais para a prevenção do câncer de mama

O Outubro Rosa é uma campanha mundial que tem como objetivo espalhar o máximo de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Conhecer bem a doença é uma arma poderosa, já que os pacientes podem ter um diagnóstico mais precoce, caso venham a descobrir um tumor. Quando mais cedo é iniciado o tratamento, menos invasivo tende a ser e maiores são as chances de sucesso. 

Selecionamos abaixo cinco informações sobre o câncer de mama fundamentais para ter uma rotina de prevenção. As orientações são das ginecologista e mastologista do Hospital Santa Virgínia (HSV), Karina Belickas Carreiro e Ana Gabriela de Siqueira Santos, e da médica responsável pelo Centro de Oncologia e Infusão do hospital, Simonne Quaglia. Confira: 

1- O que causa o câncer de mama: 

O câncer de mama é causado pela multiplicação anormal de células da mama, que formam o tumor. Há diferentes tipos, que podem ter desenvolvimento rápido ou mais lento. 

2- Os principais fatores de risco: 

Desenvolver ou não um câncer de mama pode ter influência de fatores hormonais, genéticos e comportamentais. Em 80% dos casos, o tumor aparece depois dos 50 anos, mas também pode ocorrer em pacientes mais jovens – antes dos 40 anos. Os principais fatores de risco são: 

 – Obesidade e sedentarismo

– Tabagismo

– Consumo de bebidas alcoólicas

– Menstruação precoce

– Não ter tido filhos

– Primeira gravidez depois dos 30 anos

– Menopausa após os 55 anos

– Exposição à radiação

– Histórico familiar

Mulheres que tenham mãe, irmã, avó ou tia com histórico de câncer de mama – principalmente antes dos 50 anos – ou de câncer de ovário devem consultar um especialista para avaliar seu risco e decidir a melhor conduta a seguir.

3- Como se prevenir: 

Mesmo com alguns fatores de risco impossíveis de se evitar, (histórico familiar, idade da primeira menstruação e menopausa), estima-se que adotar hábitos saudáveis pode evitar cerca de 30% dos casos de câncer de mama. Veja o que pode fazer a diferença na sua rotina:

– Praticar atividade física regularmente

– Ter uma alimentação balanceada

– Manter o peso adequado

– Não fumar 

– Não consumir bebidas alcoólicas

– Amamentar

 4- Sinais de alerta 

O autoexame é uma forma de conhecer as próprias mamas e, assim, terem mais chances de notar precocemente os principais sinais de alerta de tumores. Para fazer o autoexame, é preciso inspecionar o aspecto e apalpar as mamas em busca de nódulos, preferencialmente uma semana após o período menstrual.

Se você identificar alguns dos sinais abaixo durante o autoexame, procure imediatamente um mastologista:

– Caroço fixo, endurecido e, em geral, indolor

– Alterações no mamilo (bico do peito)

– Saída espontânea de líquido dos mamilos

– Pele da mama avermelhada, retraída ou com aspecto de casca de laranja

– Pequenos caroços nas axilas ou no pescoço   

Vale ressaltar que o autoexame não substitui a avaliação clínica do médico. “As consultas e os exames de rotina devem ser realizados mesmo sem nenhum sintoma. Não espere ter alguma alteração da mama para fazer o check-up preventivo”, orientam as especialistas do Hospital Santa Virgínia.  

5- Sem medo da mamografia: 

A mamografia é um exame indicado para o rastreamento – quando não há sinais nem sintomas suspeitos – e a detecção precoce do câncer de mama. Os especialistas recomendam a realização do exame anualmente a partir dos 40 anos – ou antes, caso haja histórico de câncer de mama na família ou outros fatores de risco.

Outubro Rosa: conheça os mitos e verdades sobre o câncer de mama e saiba como se prevenir da forma certa

Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que o Brasil terá 66.280 novos casos de câncer de mama por ano entre 2020 e 2022. Esse número corresponde a um risco estimado de mais de 61 novos casos a cada 100 mil mulheres. É o segundo tumor mais comum entre as brasileiras, ficando atrás apenas dos tumores de pele não-melanoma.

Com o objetivo de estimular a prevenção e o diagnóstico precoce da doença, todos os anos acontece a campanha Outubro Rosa. Segundo o Ministério da Saúde, um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado se for descoberto logo no início.

Apesar de comum, o câncer de mama ainda envolve tabus e tem muita informação equivocada circulando pelas redes sociais. Abaixo, a cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center Solange Maria Torchia Carvalho explica o que é verdade e o que não passa de fake news em algumas afirmações sobre câncer de mama que circulam na internet:

Câncer de mama é tudo igual
Mito. Há vários tipos e, por isso, as respostas às terapias e a evolução da doença são diferentes em cada caso. Alguns tumores são restritos à mama, e há aqueles que afetam outros tecidos. Há os que crescem rapidamente, e os que se desenvolvem de forma lenta, entre outras peculiaridades.
Os avanços na medicina permitem classificar os subtipos de acordo com estruturas da superfície celular e que estão envolvidas na divisão e multiplicação de células cancerosas. Assim, o médico pode escolher as drogas que agem direto no alvo e barram esse processo.

Câncer de mama só aparece em quem tem histórico familiar
Mito. As estimativas mostram que aproximadamente 10% dos casos têm origem hereditária. Entre os principais fatores de risco para o câncer de mama estão o tabagismo, a obesidade, o alcoolismo e o envelhecimento. Ter casos da doença na família influencia quando o parentesco é de primeiro grau – mãe, irmã ou filha – e ainda mais quando o tumor apareceu antes dos 40 anos. Estes são casos que exigem atenção redobrada, com acompanhamento de um médico e realização de rastreamento genético.

Amamentar protege contra o câncer de mama
Verdade. A amamentação reduz a exposição a certos hormônios femininos que podem estar por trás do surgimento de tumores, como o estrógeno. Há evidências de que quanto mais prolongado o período de aleitamento, maior a proteção. Mas é importante considerar que há vários outros fatores que podem levar ao câncer e, para algumas mulheres, o fato de amamentar não determina prevenção.

Uma pancada no seio pode causar câncer
Mito. Não é por causa de um trauma que as células malignas vão se multiplicar de maneira desenfreada.

Desodorante pode causar câncer de mama
Mito. Provavelmente, esse mito começou a circular por causa da presença de sais de alumínio nas fórmulas dos produtos que inibem a transpiração. Entretanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assegura que não existe relação entre a substância e o tumor. Também ainda não há dados na literatura científica que comprovem esse elo.

Se eu fizer o autoexame todos os meses não preciso fazer a mamografia
Mito. Embora seja um aliado, na maioria das vezes o autoexame não é capaz de detectar o início de um tumor, na fase em que as lesões são muito pequenas. Por isso, a mamografia é fundamental para o diagnóstico precoce. “Ela revela microcalcificações, nódulos menores e outras irregularidades”, explica Solange Maria Torchia Carvalho, cirurgiã oncológica e mastologista do A.C.Camargo Cancer Center. Toda mulher, após os 40 anos de idade, deve fazer mamografia.
Outros sinais que merecem atenção são diferenças consideráveis entre o tamanho dos seios, alterações nos mamilos e na pele da mama, inchaços incomuns na área, presença de secreções ou mesmo sangue, entre outros.

O câncer de mama pode ter cura
Verdade. Muitos fatores devem ser considerados, e um dos mais importantes é o diagnóstico precoce. Quanto menor a lesão, maior a chance de cura. Mas é preciso também considerar as diferenças entre os tipos de tumor.
Mesmo para os casos em que, infelizmente, não há prognóstico de cura, já existem opções terapêuticas que permitem o controle da doença e a qualidade de vida das pacientes.

Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce segue sendo o melhor caminho para a cura e recuperação das pacientes que descobrem um câncer de mama. Responsável pelo setor de Check-Up do Hospital Marcelino Champagnat (PR), a médica Aline Moraes explica que a descoberta tardia não é somente uma questão de vida ou morte. “O diagnóstico precoce possibilita uma gama muito maior de oportunidades de tratamento e formas menos agressivas, que vão comprometer menos a qualidade de vida da mulher.”

Segundo Aline, neste serviço é feito um acompanhamento das pacientes. “Nossa dinâmica de continuidade e comparativo de exames a cada ano é essencial, já que nos apresenta um cenário completo do paciente e suas mudanças, permitindo um diagnóstico preciso e muito mais avançado”, explica.

No Hospital Santa Izabel (BA), um dos focos da campanha do Outubro Rosa também é na prevenção e busca sensibilizar especialmente as mulheres com idade entre 40 a 69 anos para que adotem um estilo de vida saudável, se atentem sobre a importância do autocuidado e não deixem de realizar o exame de mamografia.

Com o rastreamento e o tratamento de casos oncológicos impactados pela pandemia de coronavírus, a campanha ganhou novo apelo. “Temos alertado e orientado as pessoas sobre a importância de nunca deixarem de se cuidar”, diz Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “Retardar até o último momento a ida ao hospital é arriscado e pode resultar num quadro crítico mais urgente e avançado”, completa.