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Conahp 2020: a vacinação precisaria ocorrer antes de março para se evitar a 2ª onda no Brasil

“O timing da vacinação contra a covid-19 será crucial para se prevenir ou não uma segunda onda em 2021 – o ideal é que aconteça no hemisfério sul antes da temporada de outono-inverno”, frisou Christopher Murray durante o Conahp 2020. O pesquisador é diretor do Instituto de Métricas e Avaliações em Saúde (IHME, na sigla em inglês), localizado em Seattle, nos Estados Unidos, e foi o convidado da plenária A Importância da Mensuração e da Análise de Dados no Combate à Pandemia.

Países como o Brasil teriam uma oportunidade que a Europa não teve para prevenir a explosão da doença antes de seus meses frios. “Infelizmente, os governos não se atentam para a sazonalidade como deveriam”, disse Murray. “A motivação política para as medidas de restrição costuma surgir muito tarde, quando os hospitais já estão lotados.”

As falas de Murray ocorreram em novembro, ainda no início do que vem sendo chamado de “repique” do avanço da pandemia em alguns estados do Brasil, o que levou alguns governadores a retomarem medidas restritivas de fases anteriores. Durante a plenária, a previsão do IHME era que o país chegaria a 188 mil mortos até março de 2021, se garantida manutenção do uso de máscaras pela maioria da população e as regras de desestímulo à circulação. Não foi divulgada a projeção de mortes caso essas medidas de segurança sejam negligenciadas. Em novembro, no Brasil, a mobilidade da população, medida a partir da geolocalização dos aparelhos de celular, já era apenas 10% menor que a percebida no “antigo normal”, antes da pandemia.

Em suas previsões, o IHME considera uma série de fatores além da circulação urbana, tais como: o uso de máscaras, as medidas restritivas adotadas pelos governos, o número de testes per capta, a sazonalidade, o índice de poluição do ar, a incidência do tabagismo na população, a densidade populacional e a até a altitude da região, já que a mortalidade tende a ser menor em localidades mais elevadas em relação ao nível do mar.

Segundo Murray, o IHME previu o pico da primeira onda ao redor do mundo de forma muito efetiva, mas estimava uma desaceleração mais rápida, o que gerou um aprimoramento em seus modelos de estudo. Agora o instituto consegue fazer previsões dos números de contágio e mortes com dez semanas de antecedência com uma margem de erro de 20%, a menor de que se tem notícia na categoria. Suas pesquisas utilizam dos números de centros de monitoramento do mundo inteiro, além de dados comportamentais (autodeclarados) gerados pelo Facebook.

De acordo com o programa de pesquisas da rede social, o estado mais “mascarado” do Brasil é São Paulo, com índices de adesão que variam entre 65% e 69%, mas o melhor desempenho é o do Distrito Federal, com uma oscilação entre 70% e 74%. O estado brasileiro com menor índice de usuários que declararam usar a proteção é o Maranhão, com índice inferior a 45%. No país (entre usuários do Facebook), a hesitação em relação à vacina é relativamente baixa, variando entre 10% e 19%. Em países do Leste Europeu e da África, essa desconfiança chega a 40%.

Conahp 2020: como e por que a telemedicina chegou para ficar

Ainda relativamente tímida no Brasil até o início da pandemia de Covid-19, a telemedicina vem crescendo exponencialmente nos últimos meses, trazendo consigo uma série de vantagens que devem garantir sua persistência depois deste longo período de isolamento social. O assunto foi desenvolvido no Conahp 2020 – Congresso Nacional de Hospitais Privados, durante plenária “Preservando a relação médico-paciente na era das tecnologias disruptivas em saúde”, com Eduardo Cordioli, gerente-médico e de operações de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein.

“A teleconsulta é apenas a ponta do iceberg”, afirmou o convidado, ao explicar que a telemedicina também inclui a troca remota de informações entre médicos (interconsulta) e o acompanhamento do paciente a distância (telemonitoramento), entre outros formatos. “Quando a telemedicina é somada à inteligência de dados podemos falar num conceito ainda mais amplo, o de saúde digital.”

Durante a plenária, Cordioli compartilhou a evolução dos números do Einstein. Em 2017, o hospital realizava uma média de apenas um atendimento online por dia, performance que dobrou em 2018. Em 2019, já eram quatro por dia. No início de 2020, antes da pandemia, a média já havia saltado para 60 teleconsultas ao dia. A pandemia acelerou essa tendência de alta, com um índice que hoje pode chegar a 1 mil atendimentos online diários.

“O coronavírus foi um catalizador de algo que já estava acontecendo”, frisou o gerente-médico, ao citar uma pesquisa realizada no ano passado pela American Well, empresa de Boston especializada em telemedicina. Estima-se que 64 milhões de pessoas nos Estados Unidos estariam dispostas a trocar seu médico por outro que aceitasse realizar consultas online.

Além da segurança em tempos de pandemia – e da comodidade em tempos “normais” –, o teleatendimento tem como outra grande vantagem a facilidade de acesso, conforme Cordioli também explicou, com dados do Hospital Israelita Albert Einstein.

Localizada no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, a instituição alcançou este ano cerca de 2 mil municípios, em todos os estados da federação, além do Distrito Federal. Em outras palavras, 92% dos atendimentos realizados pelo hospital em 2020 até agora não teriam como ocorrer de forma presencial.