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Voltas às aulas e a ômicron: como cuidar da saúde das crianças com a alta de casos de Covid-19

A volta às aulas em meio a um pico de transmissão do coronavírus por causa da variante ômicron – e com a vacinação das crianças ainda no início – é motivo de apreensão para os pais e responsáveis. Para saber como escolas e famílias podem contribuir para um retorno mais seguro às salas de aula, o Saúde da Saúde conversou com o infectologista e gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo Oliveira Júnior. Uma das medidas indispensáveis, segundo o especialista, é vacinar as crianças entre 5 e 11 anos o mais rápido possível. Confira outras orientações:

Protocolos de segurança
O infectologista ressaltou que, com a ômicron, não houve nenhuma mudança significativa com relação às medidas de proteção contra o vírus adotadas até agora na pandemia. “É muito importante que as medidas de controle nas escolas funcionem e sejam bastante efetivas”, afirma.

Todos os alunos e funcionários devem utilizar máscaras cobrindo boca e nariz, preferencialmente de modelo N95 ou PFF2, que oferece maior proteção. Quem não tem acesso a esses modelos deve utilizar ao menos a máscara cirúrgica, que seria a segunda melhor opção em nível de segurança.

“Em último lugar, para quem não consegue uma máscara de tamanho adequado, pode-se utilizar as de tecido, fazendo trocas regulares (a cada 2h ou se ficarem úmidas) para evitar que diminua a eficiência”, ressalta Oliveira Júnior. As máscaras podem ser utilizadas por crianças a partir de 2 anos de idade e é obrigatória a partir dos 6 anos.

As escolas também devem garantir o distanciamento dentro das salas de aula e nas filas e corredores, além de reduzir atividades que causem aglomerações dos alunos, como comemorações. Todos os ambientes devem ter a ventilação adequada e, sempre que possível, dar preferência para atividades em locais abertos.

O momento das refeições exige cuidado especial com distanciamento ou que as mesas tenham divisórias de acrílico para evitar o risco de transmissão.

Outra medida importante é reduzir o acesso de pessoas de fora ao ambiente escolar. Pais e responsáveis devem buscar as crianças na porta do colégio e serem estabelecidos horários alternativos para serviços de limpeza e manutenção. “Tudo o que possa ser feito para reduzir o número de pessoas circulando vai diminuir as chances de transmissão”, afirma o infectologista do Sabará.

Casos suspeitos
Pais, responsáveis e a própria escola devem redobrar a atenção com o surgimento de sintomas respiratórios (dor de garganta e coriza, por exemplo) – mesmo que sejam leves. “Sabemos que o coronavírus não é o único vírus que pode causar febre, sintomas respiratórios ou diarreia. Mas, dentro da situação atual, com números altíssimos de novos casos, a presença desses sintomas tem sim que levantar a possibilidade de Covid-19 – e essas crianças não podem ir para a escola”, explica o infectologista.

Também não devem frequentar as aulas o aluno ou aluna que teve contato com algum caso confirmado da doença. “Se não houver essa colaboração das famílias de não mandar suas crianças sintomáticas para a escola, a gente não vai ter como controlar a transmissão dentro das salas de aula”, alerta.

A criança que for identificada dentro da escola com sintomas respiratórios deve ser imediatamente levada para uma sala onde possa ser mantida distante dos demais alunos até que a família vá buscá-la. Os pais podem usar a telemedicina para ter orientação médica.

A testagem deve ser feita sempre que for possível, e todas as pessoas do círculo familiar que apresentarem sintomas ou tiverem o diagnóstico confirmado precisam ficar isoladas para evitar a disseminação do vírus.

Oliveira Júnior diz que as famílias também devem restringir os contatos da criança fora da escola. “É uma medida de bom senso reduzir a circulação, porque é justamente nesses lugares que existe uma alta chance de contato com outras pessoas: dentro de shoppings, de lojas, festas infantis, onde você possa ter contato com outras crianças e correr o risco de transmissão.”

O especialista alerta que, no caso de condições pré-existentes que aumentam o risco de desenvolver formas graves da Covid-19, os pais devem discutir com a escola e com o médico que acompanha a criança a possibilidade de manter as aulas online – ao menos nesse momento em que a taxa de infecção está crescendo vertiginosamente. “Os casos de influenza têm diminuído bastante com relação ao que se viu no mês de dezembro e início de janeiro. O principal vírus respiratório circulando agora, e ainda em fase de crescimento, é o coronavírus”, esclarece o infectologista.

6 coisas que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 para crianças

Desde o início do ano, a inclusão das crianças no programa nacional de vacinação contra a Covid-19 gerou uma série de dúvidas. Muitas foram as informações que começaram a circular pelas redes sociais sobre a efetividade e até a necessidade de imunizar esse público. Veja o que dizem especialistas sobre os principais questionamentos e saiba o que é fato e o que é informação falsa nesse debate nas redes.

Se a Covid-19 é mais leve nas crianças, por que elas precisam ser vacinadas?

Mesmo o número sendo menor com relação aos adultos, há casos de crianças que tiveram a forma grave da doença – com o registro de mais de 310 mortes de pacientes com idade pediátrica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com a vacinação a partir de 5 anos de idade, a letalidade do vírus nas crianças deve diminuir, especialmente para aquelas com a imunidade comprometida, que são as mais vulneráveis.

Além de ser uma medida importante para proteger a saúde das crianças, a vacinação em massa ajuda a conter a circulação do vírus e funciona como uma proteção indireta para familiares que estão nos grupos de risco, como os idosos. Estudos indicam que uma pessoa imunizada tem menor tempo de transmissibilidade do vírus e menor carga viral.

Todas as crianças podem tomar a vacina contra Covid-19?

Sim. Baseado na liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as crianças a partir de 5 anos de idade podem tomar a vacina da Pfizer, que usa uma parte de RNA sintético, feito em laboratório e sem nada do vírus em si. Por isso, é segura também para crianças com a imunidade baixa, doenças inflamatórias, crônicas, entre outras.

A Coronavac, também liberada pela Agência, pode ser aplicada em crianças de 6 e 11 anos, exceto em imunodeprimidas. No caso de crianças em tratamento contra o câncer (que tenha doença ativa ou não), os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis conversem com o oncologista para saber o momento ideal da vacinação e ter a melhor resposta imunológica possível.

Essas vacinas contra Covid-19 são consideradas experimentais e podem ser perigosas?

Não. Os imunizantes liberados pela Anvisa para crianças foram testados e aprovados em todos os órgãos regulatórios – no Brasil e também em outros países. “É uma vacina eficaz, segura e confiável, liberada para as crianças por órgãos competentes”, afirma o infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

A vacina contra Covid-19 para crianças é igual à aplicada nos adultos?

Ela tem praticamente a mesma formulação, com a diferença no volume da dose – que é em torno de um terço menor do que é aplicado no adulto.

A vacina contra covid-19 para crianças pode ter efeitos colaterais?
Sim. São comuns: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e dor no corpo – que, em geral, duram até 48h após aplicação. Se passarem de 72h, é importante procurar o pediatra.

Há situações em que a criança não deve ser vacinada contra Covid?
Se a criança pegou Covid-19, deve esperar 30 dias a partir do início dos sintomas para se vacinar.

Também é importante lembrar a necessidade de seguir a programação das segundas doses ou de reforço, se houver, além de manter os cuidados de sempre, pois a pandemia ainda não acabou: uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Fontes:
– Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe
– Anna Claudia Turdo, infectologista do A.C.Camargo Cancer Center
– Carlos Eduardo Ramos Fernandes, pediatra do A.C.Camargo Cancer Center

Sintomas de Covid: conheça os principais sinais de infecção pela Ômicron e outras variantes

Seja com febre ou uma simples dor de garganta, a Covid-19 pode se manifestar de diferentes formas. É que, além de cada organismo reagir de uma maneira à infecção, as mutações pelas quais o vírus já passou tornam determinadas reações mais comuns ou mais raras.

No início da pandemia, um dos principais sintomas descritos era a perda do olfato e paladar, que poderia durar semanas, meses e, em alguns casos, seriam até irreversíveis. Agora, com a predominância da variante Ômicron no Brasil, é mais provável que pessoas infectadas sintam a garganta arranhando e dores no corpo.

Como a variante Ômicron tem altas taxas de transmissão e seus sintomas são parecidos com os de várias outras doenças – de resfriado à dengue –, é importante estar atento a qualquer alteração na sua saúde. Confira as queixas mais comuns associadas às principais variantes da Covid-19:

Ômicron
Cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e dor de garganta.

Delta
Coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta, tosse persistente e febre.

Gama
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Beta
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Alfa
Perda ou alteração do olfato, perda ou alteração do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dores musculares.

SARS-CoV-2 (vírus original)
Febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar e/ou do olfato.

Casos de Covid-19 subiram mais de 600%
O Brasil enfrenta, neste início de 2022, uma alta nos casos de Covid-19. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) fez uma pesquisa entre seus associados e registrou um aumento médio de 655% no período de dezembro de 2021 até o dia 5 de janeiro. O número foi divulgado junto com orientações importantes para a população sobre quando é preciso procurar um hospital.

(Fontes: Instituto Butantan e Hospital Moinhos de Vento)

Ômicron: o que já se sabe sobre a nova variante do coronavírus

São muitas as perguntas ainda em aberto sobre a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul no final de novembro e batizada de ômicron. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas do mundo todo estão monitorando e analisando os casos em busca de respostas. Veja o que, até agora, foi possível identificar sobre os possíveis impactos da ômicron no controle da pandemia.

> É considerada pela OMS como “variante de preocupação”
A nova variante é considerada de preocupação, porque apresenta 50 mutações, sendo mais de 30 delas na proteína spike – que funciona como uma chave para o coronavírus entrar nas células. A maioria das vacinas contra a Covid-19 tem como alvo essa proteína. A classificação da OMS coloca a ômicron no mesmo grupo de outras variantes que tiveram impacto na evolução da pandemia, como a delta, a gama, a beta e a alfa.

> A ômicron é potencialmente mais transmissível
A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que a variante é “muito transmissível”, mas ressaltou que não é necessário pânico, pois o mundo está melhor preparado devido às vacinas desenvolvidas desde o início da pandemia. “Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás”, afirmou.
Todos os continentes já registraram casos de pessoas contaminadas pela nova cepa, reportada à OMS em 24 de novembro pela África do Sul. O Brasil também já tem casos confirmados – eram cinco até o dia 3 de dezembro.

> Evidências sugerem que a ômicron pode facilitar a reinfecção
Uma reunião de especialistas da África do Sul com um grupo da OMS chegou à conclusão de um potencial aumento de risco de reinfecção pelo coronavírus num cenário com a nova variante. Segundo Mariângela Simão, vice-diretora geral de medicamentos da OMS, mais estudos estão sendo feitos e deve haver avanços sobre esse tópico nas próximas semanas.

> Até agora, os sintomas registrados foram considerados leves
Informações preliminares da OMS sugerem que os casos da variante ômicron estão ligados a sintomas leves da Covid-19 – principalmente em pessoas já vacinadas. Até o dia 3 de dezembro, não havia registro de morte causada pela variante. Dados mais concretos sobre a nova cepa devem sair nos próximos dias, mas a OMS ressalta que todas as variantes podem resultar em casos graves, principalmente nas pessoas de grupos de risco e mais vulneráveis ao coronavírus.

> Vacinação, máscara e distanciamento continuam sendo fundamentais para o controle da pandemia
Ainda não se sabe se a nova variante é resistente às vacinas que temos atualmente contra a Covid-19. Vale ressaltar que, na África do Sul, onde a cepa foi identificada, o índice de vacinação está baixo, com menos de 25% da população imunizada.

A OMS reforça a importância da vacinação para reduzir a ocorrência de casos graves e de mortes por Covid-19, inclusive pela variante delta, considerada a mais transmissível atualmente. “As vacinas protegem contra casos graves e mortes. A indústria farmacêutica já está trabalhando com as mutações [da ômicron] e, se tiver necessidade de fazer ajuste, ele será feito”, explicou a vice-diretora-geral de medicamentos da OMS, Mariângela Simão.

As demais recomendações para conter a transmissão da nova cepa são as mesmas: manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e ambientes fechados, além da higiene constante das mãos.

4 fatos sobre Covid-19 e vacinação em gestantes e puérperas

O início da vacinação contra Covid-19 gerou muitas dúvidas em gestantes e puérperas sobre os eventuais riscos de receber o imunizante. Como, por questões éticas, esse grupo não participa dos testes para a criação das vacinas, as informações científicas sobre segurança e efeitos adversos acabam sendo coletadas posteriormente.

Durante o Conahp 2021, a infectologista Rosana Richtmann (Hospital e Maternidade Santa Joana e Instituto Emílio Ribas) apresentou os dados mais recentes sobre a vacinação de gestantes contra Covid-19 e respondeu às principais dúvidas relacionadas a esse público. Confira:

Gestantes precisam se vacinar?  
Sim. É fundamental a vacinação em qualquer etapa da gestação, pois ajuda a evitar que essas mulheres, se contaminadas, desenvolvam casos mais graves da doença – o que, além dos riscos para a mãe, pode levar à prematuridade do bebê.

O que dizem os dados sobre a vacinação de gestantes e puérperas contra Covid-19? 
Segundo a infectologista, a resposta imune das gestantes se mostrou a mesma que a das demais mulheres, e a efetividade da vacina foi boa, resultando em menos casos de Covid-19 entre grávidas vacinadas.

Dados do Ministério da Saúde apresentados por Rosana mostram que a maioria dos efeitos adversos das vacinas ocorridos em gestantes não foram graves. Além disso, não houve registro de que as vacinas tenham causado abortos espontâneos, óbito fetal, prematuridade, anomalia congênita nem morte neonatal.

A especialista ressalta que as gestantes vacinadas apresentaram anticorpos protetores no sangue do cordão umbilical. Outra indicação é de que mulheres vacinadas nos primeiros 45 dias de puerpério apresentaram presença de anticorpos contra o coronavírus no leite materno.

Nos dois casos, Rosana ressalta que ainda estão em andamento estudos para medir quão eficazes e duradouros são os efeitos desses anticorpos na proteção do bebê.

Qual seria a vacina mais segura e eficiente para as gestantes? 
As vacinas de RNA mensageiro – como a da Pfizer – são as mais usadas no mundo em gestantes. “São as que julgo mais indicadas para esse grupo específico, tanto pela boa resposta quanto em relação à experiência e segurança: seja para a gestante, seja para o feto, seja para o recém-nascido.”

No Brasil, a Coronavac também é aplicada em gestantes nos locais onde a logística não permite a chegada e conservação das vacinas da Pfizer. Imunizante de vírus inativo, ela também não tem apresentado risco para esse grupo.

São contraindicadas as vacinas de vetor viral – como AstraZeneca e Janssen. Por questões de segurança, o governo brasileiro parou de aplicar vacinas da AstraZeneca em mulheres grávidas após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro por síndrome trombocitopênica trombótica – único caso registrado no mundo relacionado à vacina, segundo Rosana Ritchmann.

Gestantes podem desenvolver casos mais graves de Covid-19? 
Sim, por isso a importância da vacinação. Apesar de não terem um maior risco de se infectar pelo coronavírus, as gestantes têm mais chances de desenvolver casos graves da doença – com necessidade de hospitalização, de uso de ventilação mecânica, de internação em UTI e, até mesmo, evolução para óbito. “Gestantes são um grupo de risco”, enfatiza a infectologista.

Segundo Rosana, a maioria dos óbitos por Covid-19 em gestantes no Brasil ocorreu no final da gestação. “Essa é uma informação importante, porque mostra que precisamos ter as gestantes totalmente vacinadas quando chegam ao terceiro trimestre”, diz.

A infectologista ressalta que a vacinação para as gestantes precisa ser universal, e não apenas para aquelas que apresentam algum fator de risco, como obesidade, diabetes e hipertensão. “Os dados no Brasil mostram que a maioria das gestantes que evoluíram para casos mais graves não tinham comorbidade.”

A palestra completa de Rosana Ritchmann no Conahp 2021 está disponível no canal da Anahp no YouTube. Acesse:

“Covid longa” pede cuidados extras com o coração

É importante estar atento a sintomas como palpitações, pulsação irregular ou alteração na frequência cardíaca mesmo em repouso

Entre as mais de 50 sequelas associadas à Covid-19 mapeadas até o momento, as de origem cardíaca estão entre as repercussões mais graves, capazes de causar mudanças expressivas na qualidade de vida dos pacientes. Um estudo publicado na revista científica JAMA Cardiology aponta que 78% dos pacientes que tiveram a forma grave de Covid-19 apresentaram anomalias cardíacas após a infecção pelo vírus.

Deste percentual, 60% desenvolveram a miocardite – um enfraquecimento do coração, que, embora não seja considerada uma condição grave, pode levar à insuficiência cardíaca, caso não tratada adequadamente.

Outra pesquisa, publicada neste ano pela Universidade de Leicester, do Reino Unido, identificou que sete em cada dez pessoas internadas pelo novo coronavírus apresentam sequelas por até cinco meses.

Ainda não se sabe qual é o prazo médio de permanência destes sintomas, devido à irregularidade no modo em que se manifestam. Mesmo para indivíduos sem comorbidades, a probabilidade de desenvolver sequelas após a Covid-19 ainda é alta.

Tipos de sequelas e sintomas

De acordo com Nilton Carneiro, cardiologista e arritmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, as arritmias estão entre as sequelas pós-Covid mais frequentes que afetam o coração. Elas podem se manifestar até mesmo em pacientes que não possuem um histórico associado a complicações desta natureza.

Estas repercussões podem surgir, inclusive, semanas após o período de cura. Por isso, o acompanhamento com um cardiologista é essencial para obter um diagnóstico precoce. “De forma geral, aqueles pacientes que tiveram formas mais sintomáticas da Covid-19, ou que tenham necessitado internação hospitalar, são os mais suscetíveis a ter alguma sequela cardíaca, embora isso não seja a regra”, conta o médico.

O especialista chama a atenção para caso surjam sintomas como palpitações, desmaio, disparo do coração, batimentos irregulares, pulsação irregular ou frequência cardíaca muito baixa ou muito alta – mesmo em repouso. Se isso acontecer, a procura por um cardiologista deve ser imediata, para impedir que uma possível condição evolua para quadros graves, capazes de causar sérias repercussões na qualidade de vida.

No caso de um diagnóstico confirmado de alterações na frequência cardíaca, o tratamento irá depender da evolução do quadro e da situação clínica do paciente como um todo. “Enquanto uma parte das arritmias é de evolução benigna e necessita apenas de acompanhamento periódico, outras exigem tratamento mais urgente, como o uso de medicamentos ou até intervenções em ambiente hospitalar”, finaliza.

Estilo de vida pode ajudar a proteger o coração
Embora as sequelas cardiológicas deixadas pela infecção possam se manifestar de maneira espontânea e aleatória, existem algumas ações que podem contribuir para evitar o surgimento destas.

Sedentarismo, tabagismo, sono irregular, má alimentação, estresse e o consumo exacerbado de álcool estão entre as principais causas de complicações cardíacas em geral. Portanto, todos estes fatores devem ser adequadamente controlados e monitorados.

Praticar exercícios físicos, mesmo que leves ou moderados, no mínimo três vezes por semana, pode contribuir para a saúde cardiovascular. Uma alimentação regrada também é um aspecto essencial da prevenção, pois determinados alimentos podem diminuir as chances de desenvolver a hipertensão arterial, enquanto outros grupos ajudam a controlar o colesterol e reduzir o acúmulo de gorduras e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina – Paulista

Tudo o que já se sabe sobre a imunização continuada contra a Covid-19

Como forma de reforçar a resposta imunológica de grupos específicos, a terceira dose da vacina já começa a fazer parte do calendário das cidades

Desde que atingiu o patamar de pandemia, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde em março de 2020, a Covid-19 apresentou diversas variações e, consequentemente, diferentes respostas do vírus às plataformas vacinais existentes até o momento.

Para reforçar a ação imunizante e, possivelmente, evitar escapes provocados por cepas mutantes, o Ministério da Saúde optou por seguir o exemplo de outros países e recomendar a terceira dose da vacina – a princípio, para idosos acima de 70 anos e pessoas consideradas imunossuprimidas. No entanto, estados como São Paulo já disponibilizaram calendário contemplando outras faixas etárias, a partir dos 60 anos*.

Conversamos com especialistas e respondemos, abaixo, tudo o que você precisa saber sobre a dose de reforço contra o coronavírus.

> Dra. Viviane Hessel Dias, infectologista e coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Infecção Hospitalar do Hospital Marcelino Champagnat

Por que a necessidade de uma terceira dose da vacina contra Covid-19?
Por meio das análises de acompanhamento da vacinação, tem sido observada uma queda progressiva de proteção, especialmente em idosos acima de 70-80 anos. Outro grupo que pode ter resposta diminuída de soroconversão são os pacientes imunossuprimidos. Nesses grupos, a administração de uma terceira dose pode melhorar a resposta imunológica.

Qual o intervalo de tempo indicado para o reforço?
Seis meses após a última dose do esquema vacinal utilizado.

O que pode acontecer caso eu não tome a dose de reforço?
Se você pertence a algum dos grupos específicos em que a dose de reforço é indicada, a não realização dessa dose pode impactar em aumento do risco de infecção e hospitalização relacionada à Covid-19.

> Dra. Isabella Albuquerque, infectologista e chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo

A terceira dose da vacina deve ser da mesma marca que tomei anteriormente?
A previsão é de que a terceira dose seja feita com plataforma vacinal diferente da inicial, havendo preferência pela vacina da Pfizer, sempre que disponível. Na sua falta, as demais deverão ser utilizadas.

Que reações posso ter ao tomar a terceira dose?
As mesmas associadas às doses anteriores, dependendo da plataforma vacinal utilizada. Desde nenhuma reação, passando por dor no local da injeção, até reações sistêmicas como febre, dor de cabeça e dor no corpo.

Com a terceira dose, já é permitido abandonar hábitos como o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool em gel?
Não, tais hábitos devem ser mantidos minimamente até que toda a dinâmica da doença e da resposta imunológica às vacinas seja totalmente conhecida.

Fique sabendo!
Quais são os grupos de imunossupressão mediada por doença ou medicamentos e imunossuprimidos?

– Imunodeficiência primária grave

– Quimioterapia para câncer

– Transplantados de órgão sólido ou de células tronco hematopoiéticas (TCTH) que estão usando drogas imunossupressoras

– Pessoas vivendo com HIV/Aids com CD4 menor do que 200 céls/mm3

– Uso de corticoides em doses maior ou igual a 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por mais de 14 dias

– Uso de drogas modificadoras da resposta imune

– Pacientes em hemodiálise

– Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas (reumatológicas, auto inflamatórias, doenças intestinais inflamatórias).

 *Confira o calendário vacinal de seu município. O período pode variar de acordo com a recomendação local. 

Como fica o sistema respiratório pós-Covid?

Entenda como o novo coronavírus afeta os pulmões e as consequências para o organismo

O Sars-CoV-2, nome atribuído ao novo coronavírus, atinge cada pessoa de maneira diferente, e esse é o grande desafio em relação à Covid-19. Sabe-se que os grupos de risco, por exemplo, têm mais chances de desenvolver o estado grave da doença, como idosos, pessoas com doenças no coração e nos pulmões, além de pacientes imunossuprimidos.

Apesar de a infecção pelo novo coronavírus apresentar risco para todo o organismo, a porta de entrada acontece pelo sistema respiratório. A atuação se dá da seguinte forma: o vírus é inalado, passa pelo sistema respiratório e, nesse caminho, destrói as células que revestem os brônquios e os alvéolos – pequenos sacos de ar que se encontram dentro dos pulmões, responsáveis pela troca gasosa, ou seja, levam oxigênio ao sangue. E não é só isso: o novo coronavírus também afeta o revestimento dos vasos sanguíneos, o que prejudica a circulação pulmonar, fazendo com que seja ativada uma coagulação e, consequentemente, sejam formados os chamados microtrombos.

Já nos pulmões, o vírus começa uma inflamação grave, que atinge, sobretudo, os alvéolos. Em seguida, o corpo detecta o vírus como uma ameaça e começa o processo para combater a inflamação. Assim, os alvéolos ficam com esses sacos de ar preenchidos com líquido, o que prejudica a troca gasosa. Dessa forma, o sangue não consegue receber oxigênio de maneira suficiente e não consegue eliminar o gás carbônico, que, em grande quantidade, faz com que se torne tóxico. Esse processo, então, gera a falta de ar sentida pelos pacientes. Este é o momento em que as pessoas precisam imediatamente de cuidados médicos.

A inflamação também torna os pulmões mais sensíveis para a entrada de bactérias, ou seja, além da atuação do vírus propriamente dito, pode surgir uma pneumonia bacteriana, que agrava o quadro clínico do paciente. Nesses casos mais graves, a pessoa necessita de oxigênio ou até mesmo ventilação mecânica. Até o momento, sabe-se que pacientes obesos e diabéticos têm mais chances de desenvolver o quadro grave de Covid-19, no entanto, isso também ocorre com pessoas jovens e sem doenças prévias.

De 10% a 15% das pessoas apresentam evolução para coagulopatia trombótica. No entanto, a maior parte dos pacientes – entre 85% e 90% – desenvolve quadros leves, com melhora sem medicação e sem queda na oxigenação. Nesse percentual menor de pacientes graves, vários tecidos do corpo, incluindo os pulmões, são prejudicados pela falta de irrigação no sangue e podem ocorrer trombose, necrose (morte de células ou de parte de um tecido que compõe um organismo vivo) ou fibrose como sequelas em longo prazo.

De acordo com a médica Suzana Pimenta, chefe da Equipe de Pneumologia do Hospital Nove de Julho, a maneira como o sistema respiratório ficará depois da Covid-19 vai depender muito da gravidade da pneumonia que o paciente apresentou. “As pessoas que desenvolveram formas mais leves geralmente apresentam recuperação completa. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver limitação funcional que, na maioria das vezes, é transitória, podendo persistir de semanas a meses, mas uma pequena parcela, entretanto, pode evoluir para fibrose, com perda funcional permanente”, explica.

Ainda de acordo com a médica, as principais sequelas da Covid-19 são danos respiratórios e fraqueza muscular: “As consequências respiratórias podem incluir cansaço, falta de ar e baixa oxigenação, que podem demorar dias, semanas ou meses para normalizar, dependendo da gravidade do quadro. Na fraqueza muscular, os pacientes se queixam de fadiga intensa e indisposição, sintomas que acabam se confundindo um pouco com a falta de ar; é um relato bem persistente da maioria dos pacientes e que pode durar semanas ou meses. A perda de olfato e de paladar também pode persistir”.

Quando buscar ajuda especializada?

– Uma vez diagnosticado com Covid-19, mantenha práticas de proteção ao organismo e tenha a atenção redobrada aos sintomas.

– Monitore a oxigenação do sangue de duas a três vezes ao dia, pelo menos; caso esteja menor que 93% ou que a oxigenação habitual, vá a um hospital.

– Hidrate-se em todas as fases da doença.

– Busque atendimento médico se a febre se mantiver por seis dias depois do começo dos sintomas.

– Não tome medicamentos sem orientação médica.

Ainda segundo Pimenta: “Existem os cuidados gerais, como manter uma boa alimentação e repouso. Os pacientes que permanecem com cansaço a qualquer esforço e até mesmo precisam de oxigênio ou ainda aqueles que estão com dificuldade para se locomover por fraqueza muscular precisam fazer fisioterapia motora e respiratória em casa para auxiliar na reabilitação; os pacientes que ainda precisam de oxigênio suplementar por não terem voltado à oxigenação basal devem manter oxigenoterapia em casa até o desmame, ou seja, a redução gradual do oxigênio até sua suspensão total”.

É necessária muita atenção aos sinais caso esteja doente. Evite aglomerações, use máscara e mantenha os cuidados com a higienização para conter a disseminação da doença. Depois de ter tido Covid-19, caso apresente sintomas como tosse, falta de ar, febre e chiado no peito, procure um médico, pois podem ser consequências da doença.

A médica reforça ainda que a melhor maneira de deixar o sistema imunológico protegido é com a vacinação completa contra o novo coronavírus. “Até o momento, não existe nenhuma medicação que ofereça essa proteção, mas adotar uma boa alimentação e evitar maus hábitos, como fumar e consumir álcool excessivamente, auxilia no processo”, completa.

Fonte: edição do texto originado do Hospital Nove de Julho.

Nem sempre é Covid: no inverno, aumenta a incidência de doenças do sistema respiratório

Especialista alerta sobre cuidados necessários nesta época do ano e aponta semelhanças e diferenças sintomáticas entre doenças como a gripe e a infecção pelo coronavírus

Com a chegada do inverno, ocorrem mais alterações bruscas na temperatura, quedas da umidade do ar e aumento da poluição atmosférica. São fatores que contribuem para uma maior incidência de doenças respiratórias e para a transmissão de gripe e resfriados, assim como outras bactérias e viroses. “Em todos os anos, essas doenças têm sua incidência aumentada neste período”, afirma Marcos de Abreu, pneumologista do Hospital Márcio Cunha e da Fundação São Francisco Xavier. A diferença em 2020 e 2021 é a concomitância com a pandemia de Covid-19.

O médico alerta que é essencial ficar atento aos sintomas, que podem ser parecidos com os do novo coronavírus e confundir os pacientes. No caso da suspeita de Covid-19, é aconselhado observar sinais de alerta como desconforto respiratório progressivo (falta de ar) e febre persistente, que também ocorrem em doenças como a gripe e asma, além da perda de olfato e paladar, específicos da infecção pelo coronavírus. Na dúvida, o paciente deve procurar atendimento médico, preferencialmente por meio da telemedicina ou de algum aplicativo oficial de atendimento à Covid-19.

Segundo o pneumologista, nesta época do ano, as condições do ar contribuem para ressecar as vias aéreas. Na tentativa de compensar essa agressão, o corpo produz mais muco ao mesmo tempo em que pode surgir uma infecção secundária. Para prevenir e amenizar os casos de doenças respiratórias no inverno, Abreu recomenda reforçar a hidratação e manter o ambiente limpo e arejado. Também ajuda se lavar as vias aéreas com soro fisiológico. Outro recurso é deixar uma bacia com água ou uma toalha molhada no ambiente ou mesmo fazer uso de umidificadores.

A asma, cujas crises são mais comuns nesta época, é uma doença inflamatória crônica que acomete os brônquios, dificultando a respiração e podendo resultar em falta de ar. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a asma acomete cerca de 300 milhões de pessoas no mundo – 20 milhões apenas no Brasil.

O pneumologista alerta para o perigo de se negligenciar a asma durante a pandemia. “Quem não faz o uso correto dos medicamentos, ou mesmo suspende o controle da doença, pode retornar aos ambulatórios e consultórios com frequência ou mesmo chegar a precisar de atendimento de emergência”, alerta Abreu.

Mas e a gripe? A vacinação é a melhor estratégia de contenção da doença. E, neste longo período de pandemia, as principais medidas de prevenção contra a Covid-19, como o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização das mãos, também são ótimas estratégias para conter doenças contagiosas que atingem o sistema respiratório.

Comorbidades: confira quais são as principais doenças que podem agravar quadros de Covid-19

Mais de 20 grupos de doenças já são considerados prioritários na fila da vacinação
 
“As comorbidades determinam um maior impacto na severidade da Covid-19 e, consequentemente, provocam também aumento na mortalidade”, explica a infectologista Ingrid Napoleão Cotta, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo. Por isso, é importante que quem tem uma doença grave e/ou crônica converse com seu médico para entender se tem direito à prioridade na fila da vacinação.

O Plano Nacional de Imunização (PNI) já elencou mais de 20 grupos de comorbidades para a imunização prioritária contra a Covid-19. Contudo,  esta extensa lista está em constante atualização não apenas pelo Ministério da Saúde, mas também pelos estados e municípios, a partir de novas evidências e conclusões sobre os riscos do coronavírus. Doenças neurológicas, como paralisia cerebral e esclerose múltipla, entraram na lista recentemente.

De maneira geral, as principais comorbidades que representam perigo adicional para quadros de Covid-19 são obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças renais graves, doenças pulmonares graves e acometimentos importantes em sistema nervoso central, como elenca Ingrid. Outras doenças, ainda que graves, podem não entrar na lista por não representarem risco específico para pacientes infectados pelo novo coronavírus e suas variantes.

Um exemplo, cita a infectologista, são as doenças osteoarticulares que não necessitam de uso de imunossupressores. Não agravam a Covid-19 porque não comprometem os órgãos essenciais a vida, como o coração, o pulmão, o fígado, os rins e o cérebro.

Outras, contudo, requerem alerta imediato, como a asma, já que os principais órgãos que podem ser comprometidos pelo Sars CoV-2 (o vírus que causa a Covid-19) são os pulmões, sob risco de insuficiência respiratória. “Pacientes com asma, em geral, apresentam exacerbação da doença com infecções pulmonares”, adverte a médica.

Pessoas com alergia a ingredientes das vacinas são as únicas, a princípio, que devem evitá-las necessariamente. “Nesses casos, deve-se seguir as recomendações já oferecidas a toda a população, como distanciamento social, uso de máscara preferencialmente cirúrgica, higienização das mãos e evitar sair de casa”, orienta Ingrid.

Diante da nova variante Delta, a mutação mais perigosa do novo coronavírus até aqui, “mais transmissível e provavelmente mais mortal”, é importante que quem puder se vacinar o faça o quanto antes, tomando as duas doses dentro do período indicado quando chegar a sua vez (apenas a Janssen, da Johnson & Johnson, requer dose única). E, mesmo após a vacinação, todos precisam manter as medidas de proteção até que a maioria da população esteja efetivamente imunizada.