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Janeiro Branco: no encerramento do mês, uma reflexão sobre saúde mental na pandemia

Neste ano, foi realizada em todo o território nacional a oitava edição de uma grande campanha por conscientização sobre sanidade mental. Ao estilo de outras iniciativas associadas a cores como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o Janeiro Branco (uma alusão ao início do ano como uma “página em branco” a ser preenchida) busca chamar a atenção para as questões relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas, individualmente e nas instituições.

É um momento oportuno. De acordo com a médica Claudia Panfilio, neurologista do Pilar Hospital, de Curitiba, a quantidade de pacientes que chegavam aos consultórios com quadros de ansiedade e depressão no final de 2020 e início de 2021 foi aproximadamente 3 vezes maior que no mesmo período anterior.

“O ano passado foi de grandes mudanças e adaptações. Alguns viveram conflitos domésticos, desemprego, medo da morte ou, como nós da saúde, sobrecarga de trabalho. Alguns ficam relembrando saudosamente o passado, outros paralisados aguardando um futuro sem restrições. Isso ativa negativamente no cérebro um círculo vicioso”, alerta Claudia. “O segredo está em viver bem o presente, qualquer que seja ele. Achar alegria em cada coisa como estar com os filhos, elogiar o parceiro, preparar um almoço – aprender com tudo”, afirma.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas: 5,8% da população. Ou seja, perde por muito pouco para os EUA, com 5,9%. O estudo também afirma que o Brasil é ainda o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

Fatores genéticos e externos colaboram com este panorama, segundo a neurologista. “Sabemos que algumas pessoas têm predisposição genética à depressão e ansiedade. As incertezas sociais também agravam o quadro. Acredita-se que o Brasil tenha um dos maiores índices de ansiedade do mundo devido à pobreza, ao desemprego e à violência”, avalia.

Ao mesmo tempo, Cláudia destaca: “A ciência também prova que atitudes mentais e físicas mais positivas ativam circuitos neuronais que ampliam a capacidade de raciocínio, criatividade e, sobretudo, o sistema de recompensa, gerando um bem-estar muito mais sólido e duradouro.”

A neurologista é enfática ao afirmar que é necessário buscar pensamentos e atitudes positivas, como uma forma de autocuidado no segundo ano pandêmico que se inicia. “Podemos ser felizes presos em casa ou trabalhando na linha de frente? Claro que sim! Tentar fugir do presente revivendo o passado ou só pensando no futuro, ou, pior ainda, alterando a consciência com álcool não traz paz nem felicidade.”

Para a médica, a melhor estratégia é fazer justamente o contrário: ampliar a consciência sobre o que se vive aqui e agora.

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Burnout: problema das instituições, não das pessoas

Como controlar o estresse na pandemia

Estratégias para ajudar idosos em isolamento

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Volta às aulas: orientações de especialistas para minimizar os riscos

A partir de fevereiro, as aulas presenciais passam a ser retomadas em alguns estados brasileiros – para algumas escolas particulares, a volta ocorre já no final de janeiro. A iniciativa, mesmo que gradativa, ainda divide a opinião dos pais, tendo em vista que os casos de contaminação e morte por Covid-19 voltaram a aumentar no país em ritmo acelerado. Este texto reúne orientações de especialistas sobre as principais medidas preventivas, que envolvem triagem de sintomas, protocolos de higiene, orientação e participação da família.

Para início de conversa, a pediatra Gabriela Murteira, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, adverte que muitos pais demonstram preocupações baseadas em notícias falsas e dados não científicos. “Este é o momento de disseminarmos informações de qualidade, pois o prejuízo dessas crianças sem acesso às aulas essenciais é muito maior do que o risco que elas possam correr. Estudos mostram que o risco dessas crianças na escola não é maior do que na comunidade”, defende.

A médica reforça ainda que a volta à sala de aula é facultativa. “Ninguém é obrigado a retornar neste momento. Se você faz parte de uma família 100% isolada e considera melhor permanecer assim, tudo bem. Mas não adianta deixar as crianças em casa enquanto os pais voltam para os escritórios, oferecendo os mesmos riscos à família”, pondera. Para Gabriela, os protocolos de segurança, redução no número de alunos e bolhas sociais que vão isolar grupos específicos são algumas das medidas de garantia.

O uso da máscara, entretanto, é obrigatório apenas para maiores de 12 anos. “Até cinco anos, o uso não é sequer indicado, e essa regra permanece mesmo com o retorno das aulas. Já para as crianças de seis a 11 anos, a decisão é facultativa”, reforça. “Tivemos muita procura por orientação nos últimos dois meses. Indicamos que as famílias avaliem o risco e entendam que se trata de um compartilhamento de responsabilidades.”

Para a pediatra, a suspensão das aulas presenciais teve um papel importante na redução de casos da Covid-19, diminuindo a circulação e desafogando o sistema de saúde. Mas, agora, os prejuízos psicológicos e educacionais de permanecer em casa podem se tornar um problema. “Temos recebido muitos pacientes com crise de ansiedade, ou seja, estão surgindo consequências de um isolamento que já pode, com todas as regras e os protocolos, ser interrompido parcialmente.”

A médica alerta ainda para o risco de se baixar a guarda diante da chegada da vacina. “É importante afirmar que, apesar de trazer respiro, a imunização tem como principal objetivo reduzir as internações, a gravidade dos casos e as mortes. Mas até que tenhamos uma vacinação em massa, não devemos mudar os nossos hábitos e cuidados diários”, orienta.

Consciência coletiva

Para o médico infectologista Leonardo Ruffing, também do Vera Cruz, a nova realidade requer certas medidas, como: notificação no caso de sintomas dos alunos ou familiares; não negligenciar nenhum quadro febril, mesmo que leve; pensar no coletivo; manter protocolos de higiene, como troca diária do uniforme, higienização completa assim que chegar em casa e diálogo da escola com os pais, além de testagem periódica dos funcionários.

Outro alerta diz respeito ao cuidado com brinquedos coletivos nos espaços de educação. O ideal é que cada criança tenha o seu e que ele seja higienizado com bastante frequência. “Sugerimos ainda as atividades ao ar livre, principalmente nos casos de pré-alfabetização”, frisa o médico.

De maneira geral, crianças não correm grandes riscos, mas são vetores da doença e é preciso levar isso em conta. “Ainda estamos ponderando riscos e benefícios. Nenhum tipo de coletividade é 100% segura, mas em países como a Alemanha, por exemplo, a educação vem sendo considerada serviço essencial”, diz Leonardo. Há de se levar isso em conta.

(Fonte: Edição de texto original do Vera Cruz Hospital)

Distanciamento social: como o cérebro rastreia os seus passos e das pessoas ao redor

Em tempos de pandemia, um estudo revela que o cérebro humano está mais atento do que se imaginava a aglomerações. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) constataram que, quando você divide um ambiente com outros indivíduos, diferentes padrões de ondas cerebrais monitoram o movimento das pessoas ao redor, ajudando você a encontrar lugares mais vazios ou mesmo evitar uma colisão involuntária.

“Nossos cérebros criam uma assinatura universal para nos colocar no lugar de outra pessoa”, explica a neurocirurgiã Nanthia Suthana, autora do estudo publicado pela revista Nature. Nanthia e uma equipe de pesquisadores observaram pacientes com epilepsia, cujos cérebros tiveram eletrodos implantados cirurgicamente para controlar convulsões. Os eletrodos foram alocados no lobo temporal medial, o centro do cérebro ligado à memória e que pode ser o responsável por controlar a navegação do indivíduo, como um GPS do corpo.

Pesquisas realizadas com roedores já haviam mostrado que ondas de baixa frequência eram geradas em neurônios do lobo temporal medial para ajudar esses animais a manter o controle de seu deslocamento. Para verificar se o conceito valeria também para seres humanos, os cientistas criaram uma mochila especial, contendo um computador capaz de se conectar, via wireless, aos eletrodos cerebrais. Os equipamentos foram entregues aos pacientes, permitindo que os pesquisadores acompanhassem a variação das ondas enquanto se movimentavam livremente.

Durante o experimento, cada paciente carregou a mochila e foi instruído a explorar uma sala vazia, encontrar um local escondido e lembrá-lo para futuras buscas. Enquanto caminhavam, a mochila registrava suas ondas cerebrais, movimentos dos olhos e caminhos pela sala em tempo real.

Conforme vasculhavam a sala, suas ondas cerebrais fluíam em um padrão distinto, sugerindo que os seus cérebros haviam mapeado as paredes e outros limites. Curiosamente, as ondas cerebrais s também fluíram de maneira semelhante quando eles se sentaram em um canto da sala e viram outra pessoa se aproximar do local. A descoberta implica que o cérebro produz o mesmo padrão para rastrear não apenas os próprios passos, mas também os de outras pessoas em um ambiente compartilhado.

A autora do estudo explica por que esta descoberta é importante: “As atividades cotidianas exigem que naveguemos constantemente em torno de outras pessoas quando estamos no mesmo lugar. Considere escolher a fila de segurança mais curta do aeroporto, procurar uma vaga em um estacionamento lotado ou evitar se esbarrar em alguém na pista de dança”, afirma Nanthia.

No atual contexto de pandemia de Covid-19, em que o distanciamento social é a melhor estratégia de prevenção enquanto as vacinas não chegam, esse recurso é mais que oportuno.

(Fonte: Edição do texto original de Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Terapia celular: reforço no tratamento de casos graves de covid-19

Um estudo brasileiro apresenta resultados preliminares animadores para o tratamento da insuficiência respiratória aguda causada pelo coronavírus. Iniciado em Salvador, no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, o trabalho é fruto de muitos anos de pesquisa e envolvimento de dois grupos de pesquisa de referência na área de medicina regenerativa no Brasil, um liderado pelo médico Bruno Solano, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e outro comandado pela médica Patrícia Rocco, do Laboratório de Investigação Pulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ.

O poder das chamadas células tronco mesenquimais (MSCs) no tratamento de doenças oncológicas, medulares, degenerativas, entre outras, já é amplamente conhecido: com capacidade de autorrenovação e diferenciação, elas se transformam em diferentes células que compõem tecidos do corpo. Agora,  também podem representar uma esperança para o tratamento de pacientes com quadros graves de covid-19. O Saúde da Saúde conversou com o médico Bruno Solano sobre a pesquisa:

O que são as MSCs?
 
Bruno Solano – São células-tronco que podem ser obtidas de tecidos adultos, como a medula óssea e o tecido adiposo, ou perinatais, como o tecido do cordão umbilical. Estas células têm propriedades terapêuticas pois são capazes de reconhecer e responder a ambientes de lesão, estimulando o controle da inflamação e processos de regeneração e reparo. Suas ações decorrem do conjunto de moléculas e das vesículas extracelulares que essas células liberam no ambiente lesionado. Podemos utilizar terapeuticamente tanto as células como as vesículas, que carregam mediadores importantes para a resolução da inflamação e ativação de processos de reparo.
Como poderiam ser úteis em males decorrentes da pandemia?
Acreditamos que a administração de MSCs e vesículas possa ter um papel no tratamento dos casos graves da covid-19, com hiperinflamação e lesão no tecido pulmonar, além de comprometimentos sistêmicos. Dados preliminares têm demonstrado a capacidade de imunomodulação dessas células e no controle de marcadores de resposta inflamatória. Elas também exercem atividade anti-fibrose e podem contribuir para a recuperação dos pacientes com danos pulmonares decorrentes da covid-19 e do tempo prolongado de ventilação mecânica.
Qual é o formato da pesquisa? 
A primeira etapa foi um estudo piloto envolvendo dez pacientes, que já foi finalizado. Estamos agora na etapa de análise de dados. Os pacientes receberam as MSCs em diferentes doses com foco no monitoramento de segurança e na evolução clínica dos pacientes. Os dados deles são acompanhados pela Anvisa.
Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais envolvidos? 
O maior temor da injeção de MSCs por via endovenosa é o risco de indução de coagulação e eventos tromboembólicos, que podem ser minimizados com o uso de anticoagulação, com o adequado controle de qualidade do processo de produção das células e com a utilização de doses seguras.
Em caso de eficácia comprovada, em quanto tempo o tratamento estará disponível para pacientes fora da pesquisa?
Tudo dependerá primeiro do cumprimento do processo regulatório e da comprovação de segurança e eficácia do tratamento. Caso os resultados sejam positivos, tenho certeza de que não haverá dificuldade em buscar parcerias para viabilizar a terapia para um maior número de pacientes.
Será um tratamento caro? 
Trata-se de um produto terapêutico de alta complexidade e, portanto, o custo de produção em boas práticas é elevado. No entanto, espera-se que ocorra uma redução de custo com o ganho de escala de produção, caso a terapia venha a ser amplamente disponibilizada.

Ester Sabino: “Não há motivos para achar que a vacina não irá funcionar”

Em fevereiro de 2020, a imunologista Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP e cientista do Instituto Adolfo Lutz e da Universidade de Oxford, anunciou um feito e tanto para a comunidade científica: apenas dois dias após a confirmação do primeiro caso da Covid-19 em território nacional, o grupo liderado pela médica e outros brasileiros já havia conseguido sequenciar o genoma do vírus. Um tempo recorde, especialmente considerando que, em outras nações afetadas, a média para decodificação do Sars-Cov-2 havia sido de 15 dias.

Seria exagero dizer que a vida de Ester Sabino mudou da noite para o dia. Mas o fato é que, em 48 horas, a cientista alcançou um status inédito em mais de três décadas de carreira. À frente de trabalhos importantes na área de imunologia, contribuiu para o avanço dos estudos sobre a Doença de Chagas e ainda participou dos primeiros sequenciamentos dos genomas do HIV e do Zika Vírus no Brasil – este último lhe renderia inclusive um convite para uma parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. Desta vez, no entanto, a repercussão ultrapassou os muros acadêmicos.

Com o mapeamento do genoma, é possível entender o percurso da transmissão e o tempo em que o vírus está circulando em determinada região, informações essenciais para a adoção de medidas de contenção. A façanha rendeu a Ester uma homenagem inesperada de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que emprestou os traços da personagem Magali para transformá-la na cientista. “Foi (um reconhecimento) importante porque era um momento em que os cientistas vinham sendo desqualificados”, comenta. “A ciência é algo que, se você para de investir, fica difícil de retomar. Perde-se uma geração, duas…”

O convite para trabalhar com o sequenciamento do novo coronavírus chegou de forma abrupta, como a própria eclosão da pandemia. Mas Ester e sua equipe já estavam preparados. Desde 2012, o grupo do IMT-USP vinha desenvolvendo o método de identificação de genomas virais, inicialmente durante o surto da dengue naquele ano e, depois, na epidemia do zika vírus em 2016. “Mas, no caso do zika, só conseguimos concluir o sequenciamento quando a epidemia havia acabado. Então, o nosso foco foi melhorar esse timing, para conseguir trazer resultados mais cedo”, afirma.

Ester também coordena o sequenciamento do genoma de três mil pacientes de Anemia Falciforme e ainda lidera um estudo de prevalência do novo coronavírus com base em amostras de bancos de sangue. Foi nesta oportunidade que chegou a cogitar, em setembro de 2020, a possibilidade de Manaus ter adquirido imunidade de rebanho contra a Covid-19. Porém, o novo aumento de casos na capital amazonense logo no mês seguinte acabaria afastando a tese.

“As análises do banco de sangue haviam mostrado uma prevalência de 66% de contaminados, que é o valor teórico para a imunidade de rebanho para um vírus com essa característica. É um conceito teórico, não quer dizer que a epidemia acaba.” Ester acrescenta que outras capitais, como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, também apresentam índices próximos. Mas o País, no geral, ainda estaria longe da taxa necessária para a imunidade. “Outro problema é saber se eles irão se reinfectar. Pois no momento em que isso acontece, não se pode mais falar em imunidade rebanho”, afirma.

Por isso, ela reforça a necessidade da adesão total à vacina, assim que estiver disponível, como a melhor forma de se controlar a doença no País. “Estou muito otimista, porque a vacina bem funcionou em modelos animais e não há motivos para achar que ela não irá funcionar.”

(Edição da entrevista concedida a Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Fim de ano na pandemia de Covid-19: recomendações para festas reduzidas e seguras

Grupos pequenos, de até 10 pessoas. Essa tem sido uma recomendação arbitrária para as celebrações de fim de ano em tempos de pandemia de Covid-19. Mas essa indicação, baseada no conceito de controle de danos, não dá conta de todos os riscos envolvidos. Por isso, o Hospital Israelita Albert Einstein publicou recentemente um material com recomendações mais detalhadas, elaborado pelo Centro Para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

“É importante que as pessoas tenham consciência de que todos são responsáveis pelo controle da doença e que, antes da organização de uma reunião familiar, é preciso ponderar sobre como cada um está se cuidando”, afirma Moacyr Silva Junior, médico infectologista do Einstein, em São Paulo.

Veja, a seguir, as recomendações do CDC, desdobradas em subtemas como convidados, alimentos, bebidas, viagens e pernoites, entre outros.

Pequenas reuniões de família e amigos:

Prefira reuniões pequenas, encontrando presencialmente apenas as pessoas que morem com você, compartilhe os mesmos ambientes e esteja tomando todos os cuidados para se proteger contra o novo coronavírus. Encontros pessoais que reúnem familiares ou amigos de diferentes famílias – incluindo pessoas que moram em outras residências ou cidades – apresentam vários níveis de risco para aumento da disseminação da Covid-19:

– Não devem participar dos encontros de fim de ano pessoas diagnosticadas com Covid-19, com sintomas da doença, que aguardam os resultados ou que tiveram contato com alguém com a doença nos 14 dias antes do encontro. Indivíduos que não aderiram de forma consistente às medidas de prevenção – distanciamento físico, uso de máscara contínuo, lavagem de mãos – representam mais risco do que aqueles que seguiram as medidas de segurança.

– Níveis elevados ou crescentes de casos de Covid-19 em determinadas comunidades, regiões, aumentam o risco de infecção e disseminação entre os participantes. Por isso, é importante que, antes de realizar um encontro, familiares considerem o número de casos em seus bairros e cidades e locais de procedência de seus parentes ou amigos e dos locais onde planejam se hospedar ou realizar as celebrações. Estas informações podem ser encontradas em sites das secretarias de saúde.

– Evite viagens de avião, ônibus e outros meios coletivos. Se não for possível, redobre os cuidados em aeroportos, rodoviária, paradas. Estes são pontos de grande circulação de pessoas com aumento das chances de exposição ao vírus.

– Reuniões em locais fechados, com pouca circulação de ar (ventilação) representam mais risco que do que encontros ao ar livre. Prefira a segunda opção.

– Dê preferência a encontros mais curtos e mantenha o distanciamento físico de outros participantes. Estar a menos de 2 metros de alguém com Covid-19 por um total de 15 minutos, mesmo que ela não apresente sintomas, aumenta muito o risco de adoecimento e requer quarentena de 14 dias.

Não há uma recomendação com limite de pessoas por evento. Por isso, são importantes o bom senso e o comprometimento de todos com a saúde. O tamanho das celebrações deve ser determinado com base na capacidade dos participantes de diferentes famílias ficarem distante pelo menos dois metros de outros, usarem máscaras, lavarem as mãos e usarem álcool em gel com frequência e seguirem as recomendações locais de saúde.

Alimentos e bebidas
É possível que uma pessoa se contamine com o novo coronavírus tocando uma superfície ou objeto, incluindo alimentos, embalagens de comida e bebida e utensílios de cozinha que contenham o vírus e, em seguida, toque nariz, boca e olhos. Por isso, é importante seguir as seguintes regras:
– Incentive os convidados a trazer suas próprias comidas e bebidas.
– Use máscara ao preparar e servir as pessoas.
– Limite o número de pessoas que entram e saem dos locais onde as refeições sejam preparadas, como cozinhas e churrasqueiras.
– Todos os participantes devem retirar a máscara somente quando estiverem sentados à mesa para comer e beber. Neste momento, ela deve ser guardada em um saco seco e respirável (como um saco de papel ou tecido de malha) para mantê-la limpo entre os usos. Ao se levantar da mesa, a máscara deve ser recolocada.
– Limite a aglomeração em áreas onde a comida é servida, fazendo com que uma pessoa distribua os alimentos individualmente nos pratos, sempre mantendo uma distância mínima de 2 metros da pessoa a quem está servindo. Evite bufês lotados e estações de bebidas.

Viagens e pernoites
Se a ideia é pegar a estrada, antes de fazer as malas, faça as perguntas abaixo e, se alguma delas tiver resposta positiva, a recomendação é adiar a viagem e ficar em casa. Viajar pode aumentar as chances de obter e propagar a Covid-19.

– Você, alguém da sua casa ou alguém que visitará tem maior risco de ficar muito doente  por causa da Covid-19?
– Os casos são altos ou estão aumentando em sua comunidade ou em seu destino?
– Os hospitais em sua comunidade ou destino estão sobrecarregados com pacientes que têm Covid-19?
– A sua casa ou destino tem requisitos ou restrições para os viajantes? Verifique os requisitos estaduais e locais antes de viajar.
– Durante os 14 dias anteriores à sua viagem, você ou as pessoas que está visitando tiveram contato próximo com pessoas com quem não moram?
– Seus planos incluem viajar de ônibus, trem ou avião, o que pode dificultar a permanência de 2 metros de distância?
– Você está viajando com pessoas que não moram com você?

Passar a noite fora ou hospedar familiares
Antes de dormir fora ou hospedar alguém é importante avaliar como será feita a viagem sua ou o do hóspede, se todos os cuidados preventivos foram tomados ao longo do tempo e, como serão os cuidados caso alguém adoeça. Além disso, alguns cuidados diminuem os riscos de contaminação:

– Lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente na chegada.
– Use máscaras enquanto estiver dentro de casa. As máscaras podem ser removidas para comer, beber e dormir, mas os indivíduos de diferentes famílias devem ficar a pelo menos 2 metros de  distância uns dos outros o tempo todo.
– Melhore a ventilação abrindo janelas e portas ou colocando ar e aquecimento centrais em circulação contínua.
– Passe algum tempo juntos ao ar livre. Faça uma caminhada ou sente-se ao ar livre a pelo menos 2 metros de distância  para interações interpessoais.
– Evite cantar ou gritar, especialmente em ambientes fechados.
Trate os animais de estimação  como faria com outros membros da família humana – não deixe os animais de estimação interagirem com pessoas fora da casa.
– Monitore anfitriões e convidados quanto a sintomas  de Covid-19, como febre, tosse ou falta de ar.
– Os anfitriões e convidados devem ter um plano sobre o que fazer se alguém ficar doente.

(Fonte: Agência Einstein)

Entenda o papel da ciência no combate à pandemia de covid-19

No momento, há cerca de 200 estudos catalogados na Organização Mundial da Saúde (OMS) para a fabricação de vacinas contra o coronavírus – em 11 deles, os testes já chegaram à fase 3. Segundo o médico imunologista Jorge Kalil, que lidera um grupo de cientistas brasileiros na corrida pela vacina, “é absolutamente fantástico que tenhamos chegado tão rápido a esses resultados”. Ele é diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), da Universidade de São Paulo (USP) e participou da plenária sobre O Papel da Ciência e da Tecnologia no Combate à Pandemia durante a última edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2020.

Num contexto em que a ciência sofre com campanhas de descrédito político-ideológico no Brasil e em diversos outros países, Kalil ressaltou a agilidade e a eficiência de profissionais de virologia, epidemiologia e imunologia em todo o mundo. “Os resultados dessas vacinas já aparecem em menos de um ano do surgimento da pandemia, um feito histórico”, disse. A vacina contra o ebola, em comparação, tomou cerca de 15 anos de estudos e testes até ser considerada pronta.

“O Sars-CoV-2 (como foi batizado o novo coronavírus) veio para ficar”, frisou o imunologista. “Só pode ser controlado, como o vírus da influenza.”  E as únicas maneiras de enfrentar uma pandemia passam necessariamente pela ciência: o desenvolvimento de um tratamento simples, efetivo e barato, o que ainda não existe; o estabelecimento da imunidade de rebanho, que acarretaria ainda muitos adoecimentos e mortes; e uma ou mais vacinas, a perspectiva mais razoável hoje no curto prazo.

Além dessas questões cruciais, a pesquisa da vacina brasileira em desenvolvimento pela equipe liderada por Jorge Kalil tem como objetivos  ser aplicada em dose única com método não-injetável, ter baixo custo e ser produzida com autonomia tecnológica. “É um trabalho de valor incalculável, especialmente no Brasil, onde a ciência já sofria há anos com falta de recursos, mas conseguiu se reerguer.”

Como a pandemia pode afetar a saúde mental das crianças

Crianças também podem sofrer com o isolamento e as incertezas do período da pandemia de covid-19, pois têm na rotina e na interação social pilares de seu desenvolvimento. O portal entrevistou o psicólogo do Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba-PR), Bruno Mader, que falou das possíveis consequências da pandemia para a saúde mental das crianças e como os pais podem identificar sinais de depressão e ansiedade nos filhos. Confira:

Como o isolamento pode afetar saúde mental de crianças?
A rotina está diretamente ligada ao desenvolvimento das funções cognitivas e à organização psíquica das crianças. Quando temos interrupções bruscas nessa rotina, isso atrapalha um pouco o desenvolvimento e é preciso buscar uma reorganização – o que dá um certo trabalho. No começo da pandemia, eram comuns relatos de pais dizendo que a criança regrediu, ficou mais irritada, mais respondona ou mais quietinha.
As crianças também se desenvolvem no contato com adultos, que não sejam os pais, e com outras crianças. No convívio entre as crianças, as noções de regras e de convivência são diferentes, pois não têm a mediação do adulto. E ali elas vão vivenciar mais situações imprevistas. Isso é muito importante para que percebam seus limites e as consequências das suas ações. A criança também precisa de um espaço de vivência longe dos pais para poder experimentar coisas e desenvolver uma certa autonomia. Com a pandemia, elas estão privadas disso tudo.

Nas crianças, ansiedade, depressão e estresse se manifestam da mesma maneira que nos adultos?
Não, é diferente. De modo geral, elas ficam um pouco mais infantilizadas. No seu desenvolvimento, a criança começa a coordenar novas formas de ver o mundo – o que é um pouco fascinante e, ao mesmo tempo, assustador. Então, quando isso fica muito assustador, elas dão um passo atrás no desenvolvimento, para uma fase que ela já conhecia. Vai ser comum voltar a fazer xixi na calça, começar a ficar infantilizada, irritada, respondona, ficar agarrada e pedindo colo para os pais.

Quais seriam os sinais de alerta para os pais de um possível quadro de depressão ou ansiedade?
Precisamos observar quando tem uma mudança de comportamento com relação a como a criança é normalmente. Se ela é uma criança falante e passa a ficar quietinha demais, a gente tem um problema. Se é uma criança um pouco mais quieta, mais organizada, mais introspectiva, mas deixa de fazer essas coisas, aí a gente pode ter um problema também. Vamos pensar nessa coisas que ela fazia e deixa de fazer, e comportamentos de manha ou de mudanças nos hábitos alimentares, de ir ao banheiro e de sono. Esse tipo de coisa deve chamar a atenção dos pais.

Quando identificado algum desses sinais, o que os pais devem fazer?
Primeiramente, tentar descobrir o que causou essas mudanças no comportamento: se foi o isolamento da pandemia ou se há alguma outra coisa acontecendo. Em seguida, os pais devem pensar em atividades que sejam prazerosas e estimulantes para a criança. Claro que existem as atividades de lazer, brincadeiras em casa, desenhar etc. Mas temos que lembrar que nem toda atividade precisa ser de distração, de entretenimento – porque os pais, obviamente, não são animadores de plateia, eles são pais.
Uma coisa que ajuda é estabelecer com o filho pequeno os horários. Tem o horário dos pais trabalharem e o horário de estar junto. No horário de brincar e estar junto, os pais devem largar o celular, o computador e ficar com os filhos, para garantir esse tempo com eles.
Também pode pedir para o filho ajudar a lavar a louça, por exemplo, para poder estar perto dos pais. Se vão limpar a casa, dar alguma atividade simples para as crianças. Aqui, mais importante do que o resultado é o processo de integrar os filhos nessa nova rotina dentro de casa. Assim, eles poderão se orientar e se educar sobre os horários: quando podem estar junto dos pais e quando não, o horário que podem demandar e o horário que o pai ou a mãe não vão responder.

Como os pais podem ajudar os filhos a passar por esse período de isolamento e incerteza?
Além de criar uma nova rotina para as crianças dentro desse contexto novo, é importante observar que elas vão precisar de atividade física, mesmo que você more em um apartamento. Pular corda, dar uma volta na quadra, ir a uma praça mais isolada – é importante para elas gastarem energia. E misturar isso com atividades projetivas: desenho, pintura, contar histórias.
O celular e a TV podem ser aliados nesse processo, mas eles não devem ter exclusividade dentro da nova rotina. É preciso existir outras possibilidades de atividade para o tempo que a criança terá enquanto os pais estão trabalhando, por exemplo. É importante também conhecer o que o filho ou a filha está acessando. Os pais precisam ajudar na escolha dos desenhos, por exemplo, pois uma criança ainda não tem maturidade para isso, especialmente dentro do universo de ofertas da internet.

O efeito silencioso da covid-19: como a pandemia tem afetado a saúde mental dos brasileiros

Entre os impactos da covid-19 na população, a questão da saúde mental acende alerta entre os especialistas. Pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra que os casos de depressão praticamente dobraram durante a pandemia.

Já os sintomas de ansiedade e estresse aumentaram 80% diante do isolamento, da preocupação com a saúde e das incertezas sobre o trabalho, por exemplo. Para os pesquisadores, os resultados sugerem um agravamento preocupante dos problemas de saúde mental na população. 

No estudo da UERJ, foram entrevistadas 1.460 pessoas em 23 estados brasileiros sobre seu comportamento desde do início do isolamento, necessário para tentar conter o novo coronavírus. Profissionais da saúde e aqueles que continuaram saindo para trabalhar durante a quarentena foram mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental. O estudo também concluiu que as mulheres foram mais afetadas.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que houve menos estresse e ansiedade entre os entrevistados que recorreram à psicoterapia via internet. O mesmo aconteceu com aqueles que puderam praticar atividades aeróbicas, em comparação com os entrevistados que não fizeram nenhuma atividade física ou apenas atividades de força. 

Especialistas afirmam que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, porque estresse, depressão e ansiedade afetam diretamente o sistema imunológico. A recomendação é procurar ajuda profissional assim que forem notados os primeiros sinais de desânimo e pensamentos negativos. 

Mas, no meio dessa nova rotina, como saber se estou deprimido/a, ansioso/a ou estressado/a? Acompanhe a nossa nova série aqui no portal e veja a orientação de especialistas dos hospitais membros da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) para identificar os sinais de transtornos mentais e também formas de manter o equilíbrio diante de situações de incerteza e estresse. Siga as nossas redes sociais para não perder nenhuma publicação: 

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#AnahpOrienta: os cuidados exigidos das academias que voltarem a funcionar na pandemia

Com o início da retomada econômica e atividades comerciais, em algumas cidades brasileiras a reabertura das academias foi permitida. Por serem ambientes compartilhados e com muitas superfícies de contato coletivo, o funcionamento está sujeito a várias medidas restritivas de horário e capacidade. Em São Paulo, por exemplo, o governo permite que as academias fiquem abertas por 6 horas diárias, funcionando com apenas 30% da capacidade e realizando somente treinos individuais e com horário agendado.

A infectologista e consultora da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Camila Almeida, aponta alguns dos protocolos exigidos das academias que voltarem a funcionar nesta fase de reabertura gradual. 

Como o coronavírus segue circulando e, portanto, ainda não é possível flexibilizar totalmente o isolamento social, a especialista ressalta que a melhor forma de prevenção ainda é ficar em casa e sair somente quando for necessário.

Medidas de segurança contra o coronavírus nas academias: 

  • O uso de máscara é obrigatório em todos os ambientes, exceto durante as atividades aquáticas.
  • O espaço de exercício de cada aluno deve estar demarcado no piso nas áreas de treino.
  • No máximo 50% dos armários e aparelhos de cardio devem ser usados, com um distanciamento mínimo de 1,5 metro entre o que estiver em uso.
  • A higienização de equipamentos e objetos da academia deve ser feita antes e depois que cada cliente usar.
  • Nas áreas de musculação e peso livre, deve haver kits de limpeza em pontos estratégicos, com toalhas de papel e produtos específicos para higienização de equipamentos de treino como colchonetes, halteres e máquinas – antes e depois de cada uso.
  • A limpeza feita pelos funcionários deve ser realizada pelo menos três vezes ao dia.
  • Bebedouros e chuveiros ficam desativados nesta fase. 
  • A água das piscinas deve ser renovada regularmente.
  • Os clientes devem agendar horário para ir à academia. Recomenda-se que o estabelecimento oriente os cliente a malhar em horários alternativos, mais vazios.