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ECMO: a terapia com “pulmão externo” que tem salvado vítimas graves da pandemia

Criado na década de 1970, o tratamento requer equipamentos específicos e equipe multidisciplinar 

A Covid-19 é uma doença que acomete todo o organismo, mas os pulmões costumam ser os órgãos mais comprometido. Em casos mais graves, a inflamação pode causar falência pulmonar e morte. Indicada para pacientes com disfunção pulmonar ou cardiopulmonar graves, a Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO, na sigla em inglês) tem se tornado mais conhecida na pandemia. Por meio dela, é possível substituir, por um tempo limitado, a função pulmonar enquanto a doença de base é enfrentada.

A ECMO é um tratamento de suporte complexo, que requer equipamentos específicos e equipe multidisciplinar, como explica a médica coordenadora do programa de ECMO e da Cardiologia Pediátrica da Rede Mater Dei, Marina Pinheiro Rocha Fantini. No entanto, não se trata de uma tecnologia nova. A ECMO foi realizada pela primeira vez em 1971, em Michigan, nos Estados Unidos. Atualmente, 50 anos após sua descoberta, a terapia vem trazendo esperança às vítimas graves do novo coronavírus e suas variantes.

A terapia funciona por meio da introdução de uma cânula em uma veia calibrosa do paciente. O sangue é drenado por uma bomba e direcionado à uma membrana oxigenadora, que funciona como um pulmão artificial. Ali, são realizadas trocas gasosas essenciais à vida: o sangue recebe oxigênio ao mesmo tempo em que se retira dele gás carbônico. O sangue de qualidade é então devolvido ao paciente através de outra cânula, também inserida em uma veia calibrosa.

A ECMO só é indicada quando o paciente não responde às medidas clínicas habituais, apresenta doença de caráter reversível e, claro, quando o caso não apresenta qualquer tipo de contraindicação. O tratamento não é indicado a idosos com mais de 70 anos, pessoas com sequelas neurológicas, pacientes oncológicos sem perspectiva de cura e indivíduos que não podem receber anticoagulantes, entre outras.

“Esta não é uma terapia utilizada em todos os pacientes que estão acometidos pela Covid-19, pois é complexa e gera riscos. Considera-se que a taxa de mortalidade dos pacientes submetidos ao procedimento fica entre 40% e 50%. Então, a ECMO a só se justifica quando estamos diante de um paciente que tem uma chance maior do que 60% de falecer”, explica Fantini.

Além disso, a médica reforça a importância da capacitação dos profissionais para a segurança do procedimento: “A equipe precisa ser multidisciplinar – cirurgiões, intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas e cardiologistas, todos especialistas em ECMO e certificados para cuidar destes pacientes”, afirma.

Mesmo sem infectar células do cérebro, o coronavírus pode causar sequelas neurológicas

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos EUA, realizaram uma autópsia detalhada nos cérebros de pacientes vítimas da Covid-19

Os efeitos no cérebro causados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) têm intrigado a comunidade científica. Sequelas neurológicas como perda de memória recente e dificuldade de concentração são observadas em diversos casos e podem durar meses após a infecção. Agora, um novo estudo publicado no periódico Brain revelou que, mesmo levando a sintomas que afetam funções cerebrais, o vírus não contamina diretamente as células do órgão.

A equipe de cientistas da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, realizou autópsias no cérebro de 41 pacientes que foram hospitalizados e faleceram por Covid-19, com idades entre 38 e 97 anos. Todos tiveram os pulmões danificados pelo vírus e 59% foram encaminhados a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Após longas investigações, os pesquisadores não encontraram evidências do vírus nas células cerebrais — baixos níveis do material genético do SARS-CoV-2 foram encontrados por meio de RT-PCR, mas acreditam que isso se deve à sua presença nos vasos sanguíneos e nas leptomeninges, camadas que recobrem o cérebro.

“Ao mesmo tempo, nós observamos muitas mudanças patológicas nos cérebros, o que pode explicar por que pacientes graves podem sofrer de confusão, delírio e outros efeitos neurológicos — e por que os casos leves podem vivenciar o brain fog [condição que leva a sintomas como esquecimento e falta de foco] por semanas e meses”, explica James E. Goldman, um dos autores do estudo.

Se os pesquisadores não encontraram o vírus nas células cerebrais, o que explica, então, esses sintomas neurológicos? De acordo com o estudo, existem duas razões principais. A primeira é a hipóxia, ou seja, falta de oxigenação no órgão, o que o impede de realizar suas funções normalmente. “Todos os pacientes tiveram uma doença pulmonar severa. Não surpreende que exista dano hipóxico no cérebro”, diz Goldman.

Entre as mais de 20 regiões cerebrais estudadas nas autópsias, muitas estavam lesionadas por conta da falta de oxigênio. Em parte, o problema podia ser visto a olho nu. Havia também diversas lesões microscópicas que os cientistas acreditam terem sido provocadas por coágulos sanguíneos — comuns em pacientes graves de Covid-19 — que podem ter interrompido o fornecimento de oxigênio para as áreas prejudicadas.

Outra descoberta, que intrigou pesquisadores, foi a ativação de uma grande quantidade de micróglias, células presentes no tecido cerebral com função de vigilância contra entrada de agentes estranhos (semelhante às células de defesa). A alta concentração foi registrada principalmente no tronco cerebral inferior, que regula os ritmos do coração e da respiração assim como os níveis de consciência, e no hipocampo, uma das estruturas envolvidas no processamento da memória.

Fonte: edição do texto original da Agência Einstein

Medidas de prevenção contra a Covid-19: é importante relembrar

Saiba como se proteger em todas as idades, vacinado ou não, saudável ou doente

O Ministério da Saúde lançou uma campanha em larga escala para conscientizar a população sobre três medidas fundamentais no combate à propagação do novo coronavírus e suas variantes: higiene das mãos, uso de máscaras e distanciamento social. O Saúde da Saúde aproveitou o ensejo para conversar com a infectologista Vera Rufeisen, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, para reforçar a importância das medidas de prevenção contra a Covid-19  enquanto a vacinação avança no país e a propagação da doença segue estável, porém ainda num patamar alto.

Saúde da Saúde – A contaminação por superfícies é menos que intensa do que a por interação social? Por quê?
Vera Rufeisen – As partículas virais são transmitidas diretamente através da eliminação de gotículas respiratórias pela fala, pela tosse e pelo espirro, principalmente.  Mas também indiretamente, tocando as superfícies contaminadas com estas gotículas, e tocando o rosto (nariz, olhos e boca) com as mãos contaminadas.  A via respiratória é a principal forma de transmissão, é onde o vírus adere aos receptores nas células. As superfícies, portanto, podem servir apenas de intermediárias, caso a higiene das mãos não seja realizada adequadamente.

Há alguma diferença de eficácia entre lavar as mãos e usar álcool em gel?
O padrão ouro recomendado pela Organização Mundial da Saúde é a higiene das mãos com álcool em gel a 70%, desde que as mãos estejam sem sujidade aparente. Se estiverem sujas, devem ser lavadas com água e sabão. O álcool tem espectro de ação grande, é mais prático, pode estar no ponto de assistência, tem ação rápida e não causa lesões na pele. O tempo necessário para higiene completa das mãos com álcool em gel é de 20 a 30 segundos. A Campanha deste ano da OMS fala sobre “os 20 segundos que salvam vidas”.

Qual é o papel da alimentação na prevenção e no tratamento da doença?
A alimentação saudável, sem alimentos ultraprocessados, com frutas, legumes e verduras, associada aos bons hábitos de vida e  atividade física  promovem a base da vida saudável, e consequentemente de uma boa imunidade.

Que medidas uma pessoa já contaminada pode tomar para minimizar os riscos de desenvolver a forma grave da doença?
A pessoa contaminada deve permanecer em isolamento social – mesmo em domicílio, se morar com alguém –,  em repouso relativo: não muito tempo deitado nem na mesma posição, a fim de proporcionar expansão pulmonar adequada. Deve também se manter bem hidratado, controlar as doenças pré-existentes, além de monitorar atentamente a sua temperatura e a oximetria do sangue. Habitualmente, as complicações acontecem entre o sexto e o nono dias do início dos sintomas. Caso ocorra queda na oxigenação do sangue ou reaparecimento de febre, por exemplo, deve-se procurar imediatamente o serviço de saúde.

Qual é a importância  de uma grande campanha a nível federal sobre bons hábitos de prevenção?
É de extrema importância que o país tenha uma liderança uníssona para enfrentamento da pandemia. Algumas pessoas, por cansaço ou por desinformação tendem a relaxar as medidas de prevenção, e precisam ser estimuladas e direcionadas por um governo assertivo, guiado por posicionamento científico. Quando um líder questiona as medidas de prevenção, cria uma névoa de dúvidas, confundindo os menos esclarecidos, e dando voz aos que negam a gravidade da maior tragédia sanitária do século.

Gestação e Covid-19: avaliar os riscos é fundamental antes de decidir o melhor momento para ser mãe

Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento esclarece as principais dúvidas sobre gravidez na pandemia
 
Para as mulheres em idade reprodutiva, o contexto atual gera muitas incertezas. Qual seria o real impacto da pandemia numa possível gestação?  Ainda não se conhece por completo o novo coronavírus e todas as suas implicações para mães e bebês. Com base na literatura científica corrente e na própria experiência no enfrentamento do vírus na gestação, o médico obstetra Edson Vieira da Cunha Filho, chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Moinhos de Vento (RS), esclarece dúvidas comuns das mulheres que sonham ser mães em breve.

Em relação ao momento mais adequado para engravidar, o médico pondera: se a mulher não estiver “correndo contra o próprio tempo biológico” — estando abaixo dos 35 anos, por exemplo —, já possuir filhos e puder adiar a gestação, o melhor seria esperar. “Até o momento, não se viu aumento da incidência de abortos, da ocorrência de fetos malformados ou até mesmo uma taxa alta de transmissão vertical (da mãe para o feto) durante a gestação, mas houve aumento da internação hospitalar de gestantes e de formas mais graves da doença neste grupo”, destaca.

Um estudo americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças comparou quase 24 mil gestantes com mulheres não grávidas, todas pareadas por idade e contaminadas. A pesquisa mostrou que a chance de internação em UTI entre as gestantes foi três vezes maior, bem como a necessidade de ventilação mecânica. Entre elas, o número de mortes também foi 1,7 vez maior. O médico sugere que se considere a proximidade da vacina antes da tomada de decisão.

Já sobre uma suposta suscetibilidade maior de a grávida contrair o novo coronavírus, o médico esclarece que não há relação. “A imunidade da gestante está modificada, mas não significa que esteja com a atividade mais baixa”, afirma. Ao mesmo tempo, “os cuidados devem ser os mesmos, até porque, se pegar a doença, podem haver complicações”. Sobre o tratamento, o obstetra afirma que não há diferença entre pacientes grávidas e não grávidas.

Complicações e transmissão vertical

Edson explica que a relação entre o novo coronavírus e algumas patologias obstétricas, como a pré-eclâmpsia (uma forma grave de hipertensão arterial na gravidez), não está plenamente estabelecida. “Pela resposta inflamatória à Covid-19 e até mesmo pelo uso de determinadas medicações, a gestante pode ter elevação da pressão arterial. Também pode ocorrer alteração de enzimas hepáticas, o que pode levar à interpretação do quadro como uma pré-eclâmpsia grave e a sua diferenciação pode ser difícil ou até mesmo impossível de ser estabelecida. Essa é uma das causas do aumento da taxa de prematuridade nesse grupo.”

Mas uma gestante com Covid-19 pode contaminar a criança? O médico conta que a transmissão vertical ainda é um ponto obscuro. No entanto, a literatura mostra que a taxa fica em torno de 3% a 4%. Entre as crianças que foram contaminadas, a maioria não registrou necessidade de internação, não apresentou sintomas severos e a prevalência da doença foi baixa e de menor morbidade. “O problema também não foi associado com malformação nem abortamento no primeiro trimestre. Mas precisamos de mais tempo para termos certeza.”

Edson reforça que, até o momento, pode-se dizer que as gestantes têm maior risco de complicações devido à contaminação pela Covid-19, mas a enorme maioria têm apresentado quadros leves ou controlados. Nos primeiros sinais da doença, o obstetra deve ser consultado para fornecer as orientações necessárias. “Sinais de maior gravidade, como tosse persistente, febre alta, falta de ar, dor respiratória, dor torácica ou sinais de envolvimento obstétrico (contrações, corrimentos vaginais, dor abdominal, diminuição da movimentação fetal) devem ser avaliados em ambiente hospitalar.”

Fonte: edição do texto original do Hospital Moinhos de Vento.

Cardiologista comenta riscos da automedicação contra a Covid-19

O médico explica que, por enquanto, a vacina é o única forma de prevenir a doença

Como muita gente ainda recorre a medicamentos sem comprovação científica para prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus, o Saúde da Saúde conversou sobre os riscos da automedicação com médico Gustavo Lenci, cardiologista do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba, e professor do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ele foi enfático ao desencorajar a prática, destacando os riscos de efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Saúde da Saúde – De maneira geral, quais podem ser as consequências do uso de medicamentos sem prescrição médica?
Gustavo Lenci – A automedicação é sempre perigosa. Há uma série de doenças que o paciente pode ter ou mesmo interações de remédios que, quando associados, podem levar a mais efeitos colaterais. Por isso, sempre desestimulamos qualquer atividade de automedicação. Quando surgirem dúvidas, o mais recomendado é procurar um profissional.

Infelizmente, alguns médicos têm prescrito remédios sem comprovação científica de benefícios na prevenção ou no tratamento da Covid-19. Quais são os principais riscos envolvidos?
Os riscos se devem ao uso dessas medicações sem saber os efeitos colaterais que podem provocar. Com base em resultados laboratoriais, o médico poderia até ponderar o uso em situações extremas, mas há medicações que são prescritas que comprovadamente não funcionam. Nesses casos, pode-se expor o paciente a efeitos colaterais para algo que está provado não haver benefício.

Além de tratar os sintomas, que remédios podem realmente ser administrados no tratamento da Covid-19?
Pacientes em situações graves precisam de oxigênio ou de corticoides, único tratamento com estudos que comprovam benefício. É importante ressaltar que o tratamento adequado para a Covid-19 ocorre dentro do hospital, com uso de anticoagulação profilática. Infelizmente, para uso domiciliar, ainda não existe nada comprovado. As principais agências reguladoras, do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos, recomendam que não seja utilizado nenhum medicamento em domicílio.

Há algum remédio capaz de prevenir a doença fortalecendo o sistema imunológico?
Sabe-se que o único meio de fortalecimento do sistema imunológico contra a Covid-19 por meio de medicação chama-se vacina. Nos demais casos, ou o estudo é negativo ou ainda está em fase de teste. Medicação preventiva não existe. A melhor forma é se vacinar e garantir o seu bom estado de saúde, regulando a atividade física e mantendo uma boa dieta para controlar doenças que possam agravar o quadro.

Hipertensão e Covid-19: pressão alta aumenta o risco de morte na pandemia

A hipertensão arterial atinge cerca de 25% da população adulta no Brasil – ou seja, entre 35 e 40 milhões de pessoas

Além de estar entre os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial exige atenção durante a pandemia por também estar associada a uma maior incidência de complicações e mortes em casos de infecção pelo novo coronavírus. Apesar dessa relação apontada por estudos científicos, muitos pacientes têm retardado ou até abandonado o tratamento com receio de frequentar consultórios médicos e ambientes hospitalares.

Responsável direta ou indiretamente por metade das mortes por doenças cardiovasculares no mundo, a hipertensão atinge uma média de 25% da população adulta no Brasil – entre 35 e 40 milhões de pessoas – e responde por cerca de 350 mil óbitos anuais, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). Crônica e multifatorial, a hipertensão é a principal causa também de 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC).

“No caso da Covid-19, os hipertensos podem ter mais chances de complicações pela forma grave da doença, com maior risco de morte. Por isso, é importante que o paciente mantenha o acompanhamento de rotina e não interrompa por conta própria o uso de medicamentos”, orienta o cardiologista Eduardo Darzé, diretor-geral do Hospital Cárdio Pulmonar, de Salvador.

“Além do AVC, a hipertensão não tratada é também um importante fator de risco para infarto, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, com necessidade de diálise, e formação de aneurismas”, enumera o médico.  Ele lembra que apenas os hipertensos graves ou que apresentam complicações da doença integram os grupos prioritários de pacientes com comorbidades na fila da vacinação contra a Covid-19 na capital da Bahia.

Novos parâmetros

Diante da importância da doença como uma das principais causas de morte no mundo, especialistas têm se debruçado sobre o tema. No final de 2020, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou dados e lançou a nova edição da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (DBHA), que altera padrões para diagnóstico e tratamento.

Uma das mudanças está ligada a valores de referência para a detecção da doença pela monitorização residencial da pressão arterial (MRPA). A diretriz passou a considerar hipertensão arterial quando as medidas realizadas em casa são iguais ou superiores a 130 mmHg por 80 mmHg. “Antes, o parâmetro para hipertensão era igual ou maior que 135 mmHg por 85 mmHg pela MRPA. Na avaliação em consultório, os valores de referência continuam 140 mmHg por 90 mmHg”, explica Darzé.

O documento da SBC ainda considera como pressão “normal ótima” a que registra números abaixo de 120 mmHg por 80 mmHg. A faixa entre 120 e 129 mmHg e 80 e 84 mmHg é considerada “normal”, mas não ótima e deve ser acompanhada por um especialista. “É fundamental que o paciente tenha em vista a importância das avaliações para detecção precoce da hipertensão, assim como as consultas de acompanhamento para os já diagnosticados”, orienta.

Darzé reforça que a prevenção contra a hipertensão e o controle da doença partem de hábitos saudáveis, que incluem uma dieta com baixo teor de sal, a manutenção do peso ideal, moderação no consumo de álcool, prática de atividades físicas e não fumar.

Entenda por que pacientes com doenças crônicas não podem esperar pelo fim da pandemia para se tratar

Na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo a marcação de consultas caiu até 30% em um ano

Com quase 14 milhões de infectados pela Covid-19 e mais de 370 mil mortes, este se configura o pior momento pandemia no Brasil até agora. Mas o problema não atinge apenas os infectados pelo novo coronavírus e suas variantes. Lucas Guimarães, gerente-médico do BP Vital, rede de clínicas e consultórios do hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta que pacientes com doença renal, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares, câncer e também pacientes de idade avançada podem sofrer impactos importantes se não mantiverem acompanhamento adequado.

“Um paciente com problema cardíaco, por exemplo, se não acompanhar os níveis de pressão, poderá ter uma descompensação num período de três a quatro meses – isto é, alguma alteração que leve à piora dos sintomas”, afirma o médico. O acompanhamento periódico serve para prevenir esse tipo de piora, com ajuste de medicamentos, solicitação de exames de monitoramento e reforço de orientações relacionadas à dieta e à atividade física, entre outros fatores relacionados.
 
De acordo com dados da instituição, houve uma queda de 30% no volume de consultas em janeiro, se comparado com o mesmo período de 2020. E esse número se agravou ainda mais ao longo das últimas semanas, ocasionando uma nova diminuição de 30%. Uma série de fatores pode ter influenciado essa queda, mas o primordial é o medo – de maneira geral, as pessoas têm receio de procurar serviços de saúde durante a pandemia.

Com a perspectiva da vacinação, alguns pacientes também têm postergado a ida ao médico para depois da imunização. Mas há casos em que não se deve esperar. No mais, é importante considerar que as instituições de saúde trabalham hoje com reforço de segurança, que inclui fluxos específicos para pacientes que necessitam de atendimento. Casos suspeitos de Covid são encaminhados em separado dos demais.

“Aqui na BP, nós também podemos realizar as consultas médicas via videoconferência, as chamadas teleconsultas. E, para a realização de exames, oferecemos um drive-thru, em que o paciente não precisa sair do carro nem para a coleta de sangue”, explica Guimarães.

Hoje, o médico já percebe descompensações em doenças crônicas desencadeadas pela suspensão do acompanhamento periódico. “Não se deve negligenciar consultas, mesmo no momento de isolamento, pois elas podem ser a diferença entre manter-se saudável e necessitar de uma eventual internação.”

Fonte: edição do texto original da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Trabalha de casa na pandemia? Saiba como evitar dor e tendinite no home office

Lesões em membros superiores, como tendinopatias, dor e fadiga muscular chamam a atenção dos especialistas na pandemia

Com a chegada do coronavírus no Brasil, em março do ano passado, muitos profissionais que trabalhavam em escritórios passaram a cumprir o expediente em casa. Mas o que inicialmente parecia provisório avança pelo segundo ano. O resultado é que aumentaram as queixas de tendinopatias nos membros superiores  – especialmente nos pulsos, no pescoço e nos ombros.

Segundo o ortopedista Adalto Lima, coordenador do serviço de cirurgia da mão da Casa de Saúde São José, do Rio de Janeiro, houve um aumento significativo – cerca de 40% – na incidência de tendinopatias em membros superiores devido ao home office (horas de trabalho somadas à falta de estrutura adequada). Alguns casos podem até resultar em cirurgia.

Para o médico, o aumento da carga de trabalho, a falta de infraestrutura ergonômica, maior volume de tarefas domésticas e a redução da prática de atividades físicas são os principais fatores que explicam esse cenário.

“É fundamental dar uma atenção especial  à ergonomia, pois a falta de cuidados gera posições viciosas que afetam a carga tendinosa, causando dor, dormência e perda da capacidade funcional”, ressalta. “A pausa para o cafezinho era um momento importante na rotina do escritório, mas isso não acontece no home office – ao contrário, a carga de trabalho tem sido maior e quando há essa pausa, acabamos fazendo alguma tarefa doméstica”, acrescenta.

Outra questão  frequente nos consultórios é a fadiga muscular, problema que também aumentou durante a pandemia, especialmente no punho e nas mãos. De acordo com Lima, a diminuição dos cuidados médicos durante esse período, aliada à redução dos exercícios físicos e ao aumento da ansiedade, gera um estresse e um aumento de esforço, causando o desconforto e a dor.

Como forma de prevenir lesões e até eventuais tratamentos cirúrgicos, o médico recomenda alongamentos, fortalecimento muscular, ajuste nas posições ergonômicas, divisão adequada na carga de trabalho e de funções domésticas e avaliação periódica de um especialista.

Janeiro Branco: no encerramento do mês, uma reflexão sobre saúde mental na pandemia

Neste ano, foi realizada em todo o território nacional a oitava edição de uma grande campanha por conscientização sobre sanidade mental. Ao estilo de outras iniciativas associadas a cores como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o Janeiro Branco (uma alusão ao início do ano como uma “página em branco” a ser preenchida) busca chamar a atenção para as questões relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas, individualmente e nas instituições.

É um momento oportuno. De acordo com a médica Claudia Panfilio, neurologista do Pilar Hospital, de Curitiba, a quantidade de pacientes que chegavam aos consultórios com quadros de ansiedade e depressão no final de 2020 e início de 2021 foi aproximadamente 3 vezes maior que no mesmo período anterior.

“O ano passado foi de grandes mudanças e adaptações. Alguns viveram conflitos domésticos, desemprego, medo da morte ou, como nós da saúde, sobrecarga de trabalho. Alguns ficam relembrando saudosamente o passado, outros paralisados aguardando um futuro sem restrições. Isso ativa negativamente no cérebro um círculo vicioso”, alerta Claudia. “O segredo está em viver bem o presente, qualquer que seja ele. Achar alegria em cada coisa como estar com os filhos, elogiar o parceiro, preparar um almoço – aprender com tudo”, afirma.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas: 5,8% da população. Ou seja, perde por muito pouco para os EUA, com 5,9%. O estudo também afirma que o Brasil é ainda o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

Fatores genéticos e externos colaboram com este panorama, segundo a neurologista. “Sabemos que algumas pessoas têm predisposição genética à depressão e ansiedade. As incertezas sociais também agravam o quadro. Acredita-se que o Brasil tenha um dos maiores índices de ansiedade do mundo devido à pobreza, ao desemprego e à violência”, avalia.

Ao mesmo tempo, Cláudia destaca: “A ciência também prova que atitudes mentais e físicas mais positivas ativam circuitos neuronais que ampliam a capacidade de raciocínio, criatividade e, sobretudo, o sistema de recompensa, gerando um bem-estar muito mais sólido e duradouro.”

A neurologista é enfática ao afirmar que é necessário buscar pensamentos e atitudes positivas, como uma forma de autocuidado no segundo ano pandêmico que se inicia. “Podemos ser felizes presos em casa ou trabalhando na linha de frente? Claro que sim! Tentar fugir do presente revivendo o passado ou só pensando no futuro, ou, pior ainda, alterando a consciência com álcool não traz paz nem felicidade.”

Para a médica, a melhor estratégia é fazer justamente o contrário: ampliar a consciência sobre o que se vive aqui e agora.

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Volta às aulas: orientações de especialistas para minimizar os riscos

A partir de fevereiro, as aulas presenciais passam a ser retomadas em alguns estados brasileiros – para algumas escolas particulares, a volta ocorre já no final de janeiro. A iniciativa, mesmo que gradativa, ainda divide a opinião dos pais, tendo em vista que os casos de contaminação e morte por Covid-19 voltaram a aumentar no país em ritmo acelerado. Este texto reúne orientações de especialistas sobre as principais medidas preventivas, que envolvem triagem de sintomas, protocolos de higiene, orientação e participação da família.

Para início de conversa, a pediatra Gabriela Murteira, do Vera Cruz Hospital, de Campinas, adverte que muitos pais demonstram preocupações baseadas em notícias falsas e dados não científicos. “Este é o momento de disseminarmos informações de qualidade, pois o prejuízo dessas crianças sem acesso às aulas essenciais é muito maior do que o risco que elas possam correr. Estudos mostram que o risco dessas crianças na escola não é maior do que na comunidade”, defende.

A médica reforça ainda que a volta à sala de aula é facultativa. “Ninguém é obrigado a retornar neste momento. Se você faz parte de uma família 100% isolada e considera melhor permanecer assim, tudo bem. Mas não adianta deixar as crianças em casa enquanto os pais voltam para os escritórios, oferecendo os mesmos riscos à família”, pondera. Para Gabriela, os protocolos de segurança, redução no número de alunos e bolhas sociais que vão isolar grupos específicos são algumas das medidas de garantia.

O uso da máscara, entretanto, é obrigatório apenas para maiores de 12 anos. “Até cinco anos, o uso não é sequer indicado, e essa regra permanece mesmo com o retorno das aulas. Já para as crianças de seis a 11 anos, a decisão é facultativa”, reforça. “Tivemos muita procura por orientação nos últimos dois meses. Indicamos que as famílias avaliem o risco e entendam que se trata de um compartilhamento de responsabilidades.”

Para a pediatra, a suspensão das aulas presenciais teve um papel importante na redução de casos da Covid-19, diminuindo a circulação e desafogando o sistema de saúde. Mas, agora, os prejuízos psicológicos e educacionais de permanecer em casa podem se tornar um problema. “Temos recebido muitos pacientes com crise de ansiedade, ou seja, estão surgindo consequências de um isolamento que já pode, com todas as regras e os protocolos, ser interrompido parcialmente.”

A médica alerta ainda para o risco de se baixar a guarda diante da chegada da vacina. “É importante afirmar que, apesar de trazer respiro, a imunização tem como principal objetivo reduzir as internações, a gravidade dos casos e as mortes. Mas até que tenhamos uma vacinação em massa, não devemos mudar os nossos hábitos e cuidados diários”, orienta.

Consciência coletiva

Para o médico infectologista Leonardo Ruffing, também do Vera Cruz, a nova realidade requer certas medidas, como: notificação no caso de sintomas dos alunos ou familiares; não negligenciar nenhum quadro febril, mesmo que leve; pensar no coletivo; manter protocolos de higiene, como troca diária do uniforme, higienização completa assim que chegar em casa e diálogo da escola com os pais, além de testagem periódica dos funcionários.

Outro alerta diz respeito ao cuidado com brinquedos coletivos nos espaços de educação. O ideal é que cada criança tenha o seu e que ele seja higienizado com bastante frequência. “Sugerimos ainda as atividades ao ar livre, principalmente nos casos de pré-alfabetização”, frisa o médico.

De maneira geral, crianças não correm grandes riscos, mas são vetores da doença e é preciso levar isso em conta. “Ainda estamos ponderando riscos e benefícios. Nenhum tipo de coletividade é 100% segura, mas em países como a Alemanha, por exemplo, a educação vem sendo considerada serviço essencial”, diz Leonardo. Há de se levar isso em conta.

(Fonte: Edição de texto original do Vera Cruz Hospital)