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Distanciamento social: como o cérebro rastreia os seus passos e das pessoas ao redor

Em tempos de pandemia, um estudo revela que o cérebro humano está mais atento do que se imaginava a aglomerações. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) constataram que, quando você divide um ambiente com outros indivíduos, diferentes padrões de ondas cerebrais monitoram o movimento das pessoas ao redor, ajudando você a encontrar lugares mais vazios ou mesmo evitar uma colisão involuntária.

“Nossos cérebros criam uma assinatura universal para nos colocar no lugar de outra pessoa”, explica a neurocirurgiã Nanthia Suthana, autora do estudo publicado pela revista Nature. Nanthia e uma equipe de pesquisadores observaram pacientes com epilepsia, cujos cérebros tiveram eletrodos implantados cirurgicamente para controlar convulsões. Os eletrodos foram alocados no lobo temporal medial, o centro do cérebro ligado à memória e que pode ser o responsável por controlar a navegação do indivíduo, como um GPS do corpo.

Pesquisas realizadas com roedores já haviam mostrado que ondas de baixa frequência eram geradas em neurônios do lobo temporal medial para ajudar esses animais a manter o controle de seu deslocamento. Para verificar se o conceito valeria também para seres humanos, os cientistas criaram uma mochila especial, contendo um computador capaz de se conectar, via wireless, aos eletrodos cerebrais. Os equipamentos foram entregues aos pacientes, permitindo que os pesquisadores acompanhassem a variação das ondas enquanto se movimentavam livremente.

Durante o experimento, cada paciente carregou a mochila e foi instruído a explorar uma sala vazia, encontrar um local escondido e lembrá-lo para futuras buscas. Enquanto caminhavam, a mochila registrava suas ondas cerebrais, movimentos dos olhos e caminhos pela sala em tempo real.

Conforme vasculhavam a sala, suas ondas cerebrais fluíam em um padrão distinto, sugerindo que os seus cérebros haviam mapeado as paredes e outros limites. Curiosamente, as ondas cerebrais s também fluíram de maneira semelhante quando eles se sentaram em um canto da sala e viram outra pessoa se aproximar do local. A descoberta implica que o cérebro produz o mesmo padrão para rastrear não apenas os próprios passos, mas também os de outras pessoas em um ambiente compartilhado.

A autora do estudo explica por que esta descoberta é importante: “As atividades cotidianas exigem que naveguemos constantemente em torno de outras pessoas quando estamos no mesmo lugar. Considere escolher a fila de segurança mais curta do aeroporto, procurar uma vaga em um estacionamento lotado ou evitar se esbarrar em alguém na pista de dança”, afirma Nanthia.

No atual contexto de pandemia de Covid-19, em que o distanciamento social é a melhor estratégia de prevenção enquanto as vacinas não chegam, esse recurso é mais que oportuno.

(Fonte: Edição do texto original de Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Terapia celular: reforço no tratamento de casos graves de covid-19

Um estudo brasileiro apresenta resultados preliminares animadores para o tratamento da insuficiência respiratória aguda causada pelo coronavírus. Iniciado em Salvador, no Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, o trabalho é fruto de muitos anos de pesquisa e envolvimento de dois grupos de pesquisa de referência na área de medicina regenerativa no Brasil, um liderado pelo médico Bruno Solano, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e outro comandado pela médica Patrícia Rocco, do Laboratório de Investigação Pulmonar do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ.

O poder das chamadas células tronco mesenquimais (MSCs) no tratamento de doenças oncológicas, medulares, degenerativas, entre outras, já é amplamente conhecido: com capacidade de autorrenovação e diferenciação, elas se transformam em diferentes células que compõem tecidos do corpo. Agora,  também podem representar uma esperança para o tratamento de pacientes com quadros graves de covid-19. O Saúde da Saúde conversou com o médico Bruno Solano sobre a pesquisa:

O que são as MSCs?
 
Bruno Solano – São células-tronco que podem ser obtidas de tecidos adultos, como a medula óssea e o tecido adiposo, ou perinatais, como o tecido do cordão umbilical. Estas células têm propriedades terapêuticas pois são capazes de reconhecer e responder a ambientes de lesão, estimulando o controle da inflamação e processos de regeneração e reparo. Suas ações decorrem do conjunto de moléculas e das vesículas extracelulares que essas células liberam no ambiente lesionado. Podemos utilizar terapeuticamente tanto as células como as vesículas, que carregam mediadores importantes para a resolução da inflamação e ativação de processos de reparo.
Como poderiam ser úteis em males decorrentes da pandemia?
Acreditamos que a administração de MSCs e vesículas possa ter um papel no tratamento dos casos graves da covid-19, com hiperinflamação e lesão no tecido pulmonar, além de comprometimentos sistêmicos. Dados preliminares têm demonstrado a capacidade de imunomodulação dessas células e no controle de marcadores de resposta inflamatória. Elas também exercem atividade anti-fibrose e podem contribuir para a recuperação dos pacientes com danos pulmonares decorrentes da covid-19 e do tempo prolongado de ventilação mecânica.
Qual é o formato da pesquisa? 
A primeira etapa foi um estudo piloto envolvendo dez pacientes, que já foi finalizado. Estamos agora na etapa de análise de dados. Os pacientes receberam as MSCs em diferentes doses com foco no monitoramento de segurança e na evolução clínica dos pacientes. Os dados deles são acompanhados pela Anvisa.
Quais são os possíveis riscos e efeitos colaterais envolvidos? 
O maior temor da injeção de MSCs por via endovenosa é o risco de indução de coagulação e eventos tromboembólicos, que podem ser minimizados com o uso de anticoagulação, com o adequado controle de qualidade do processo de produção das células e com a utilização de doses seguras.
Em caso de eficácia comprovada, em quanto tempo o tratamento estará disponível para pacientes fora da pesquisa?
Tudo dependerá primeiro do cumprimento do processo regulatório e da comprovação de segurança e eficácia do tratamento. Caso os resultados sejam positivos, tenho certeza de que não haverá dificuldade em buscar parcerias para viabilizar a terapia para um maior número de pacientes.
Será um tratamento caro? 
Trata-se de um produto terapêutico de alta complexidade e, portanto, o custo de produção em boas práticas é elevado. No entanto, espera-se que ocorra uma redução de custo com o ganho de escala de produção, caso a terapia venha a ser amplamente disponibilizada.

Ester Sabino: “Não há motivos para achar que a vacina não irá funcionar”

Em fevereiro de 2020, a imunologista Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical da USP e cientista do Instituto Adolfo Lutz e da Universidade de Oxford, anunciou um feito e tanto para a comunidade científica: apenas dois dias após a confirmação do primeiro caso da Covid-19 em território nacional, o grupo liderado pela médica e outros brasileiros já havia conseguido sequenciar o genoma do vírus. Um tempo recorde, especialmente considerando que, em outras nações afetadas, a média para decodificação do Sars-Cov-2 havia sido de 15 dias.

Seria exagero dizer que a vida de Ester Sabino mudou da noite para o dia. Mas o fato é que, em 48 horas, a cientista alcançou um status inédito em mais de três décadas de carreira. À frente de trabalhos importantes na área de imunologia, contribuiu para o avanço dos estudos sobre a Doença de Chagas e ainda participou dos primeiros sequenciamentos dos genomas do HIV e do Zika Vírus no Brasil – este último lhe renderia inclusive um convite para uma parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. Desta vez, no entanto, a repercussão ultrapassou os muros acadêmicos.

Com o mapeamento do genoma, é possível entender o percurso da transmissão e o tempo em que o vírus está circulando em determinada região, informações essenciais para a adoção de medidas de contenção. A façanha rendeu a Ester uma homenagem inesperada de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que emprestou os traços da personagem Magali para transformá-la na cientista. “Foi (um reconhecimento) importante porque era um momento em que os cientistas vinham sendo desqualificados”, comenta. “A ciência é algo que, se você para de investir, fica difícil de retomar. Perde-se uma geração, duas…”

O convite para trabalhar com o sequenciamento do novo coronavírus chegou de forma abrupta, como a própria eclosão da pandemia. Mas Ester e sua equipe já estavam preparados. Desde 2012, o grupo do IMT-USP vinha desenvolvendo o método de identificação de genomas virais, inicialmente durante o surto da dengue naquele ano e, depois, na epidemia do zika vírus em 2016. “Mas, no caso do zika, só conseguimos concluir o sequenciamento quando a epidemia havia acabado. Então, o nosso foco foi melhorar esse timing, para conseguir trazer resultados mais cedo”, afirma.

Ester também coordena o sequenciamento do genoma de três mil pacientes de Anemia Falciforme e ainda lidera um estudo de prevalência do novo coronavírus com base em amostras de bancos de sangue. Foi nesta oportunidade que chegou a cogitar, em setembro de 2020, a possibilidade de Manaus ter adquirido imunidade de rebanho contra a Covid-19. Porém, o novo aumento de casos na capital amazonense logo no mês seguinte acabaria afastando a tese.

“As análises do banco de sangue haviam mostrado uma prevalência de 66% de contaminados, que é o valor teórico para a imunidade de rebanho para um vírus com essa característica. É um conceito teórico, não quer dizer que a epidemia acaba.” Ester acrescenta que outras capitais, como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, também apresentam índices próximos. Mas o País, no geral, ainda estaria longe da taxa necessária para a imunidade. “Outro problema é saber se eles irão se reinfectar. Pois no momento em que isso acontece, não se pode mais falar em imunidade rebanho”, afirma.

Por isso, ela reforça a necessidade da adesão total à vacina, assim que estiver disponível, como a melhor forma de se controlar a doença no País. “Estou muito otimista, porque a vacina bem funcionou em modelos animais e não há motivos para achar que ela não irá funcionar.”

(Edição da entrevista concedida a Frederico Cursino, da Agência Einstein)

Fim de ano na pandemia de Covid-19: recomendações para festas reduzidas e seguras

Grupos pequenos, de até 10 pessoas. Essa tem sido uma recomendação arbitrária para as celebrações de fim de ano em tempos de pandemia de Covid-19. Mas essa indicação, baseada no conceito de controle de danos, não dá conta de todos os riscos envolvidos. Por isso, o Hospital Israelita Albert Einstein publicou recentemente um material com recomendações mais detalhadas, elaborado pelo Centro Para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

“É importante que as pessoas tenham consciência de que todos são responsáveis pelo controle da doença e que, antes da organização de uma reunião familiar, é preciso ponderar sobre como cada um está se cuidando”, afirma Moacyr Silva Junior, médico infectologista do Einstein, em São Paulo.

Veja, a seguir, as recomendações do CDC, desdobradas em subtemas como convidados, alimentos, bebidas, viagens e pernoites, entre outros.

Pequenas reuniões de família e amigos:

Prefira reuniões pequenas, encontrando presencialmente apenas as pessoas que morem com você, compartilhe os mesmos ambientes e esteja tomando todos os cuidados para se proteger contra o novo coronavírus. Encontros pessoais que reúnem familiares ou amigos de diferentes famílias – incluindo pessoas que moram em outras residências ou cidades – apresentam vários níveis de risco para aumento da disseminação da Covid-19:

– Não devem participar dos encontros de fim de ano pessoas diagnosticadas com Covid-19, com sintomas da doença, que aguardam os resultados ou que tiveram contato com alguém com a doença nos 14 dias antes do encontro. Indivíduos que não aderiram de forma consistente às medidas de prevenção – distanciamento físico, uso de máscara contínuo, lavagem de mãos – representam mais risco do que aqueles que seguiram as medidas de segurança.

– Níveis elevados ou crescentes de casos de Covid-19 em determinadas comunidades, regiões, aumentam o risco de infecção e disseminação entre os participantes. Por isso, é importante que, antes de realizar um encontro, familiares considerem o número de casos em seus bairros e cidades e locais de procedência de seus parentes ou amigos e dos locais onde planejam se hospedar ou realizar as celebrações. Estas informações podem ser encontradas em sites das secretarias de saúde.

– Evite viagens de avião, ônibus e outros meios coletivos. Se não for possível, redobre os cuidados em aeroportos, rodoviária, paradas. Estes são pontos de grande circulação de pessoas com aumento das chances de exposição ao vírus.

– Reuniões em locais fechados, com pouca circulação de ar (ventilação) representam mais risco que do que encontros ao ar livre. Prefira a segunda opção.

– Dê preferência a encontros mais curtos e mantenha o distanciamento físico de outros participantes. Estar a menos de 2 metros de alguém com Covid-19 por um total de 15 minutos, mesmo que ela não apresente sintomas, aumenta muito o risco de adoecimento e requer quarentena de 14 dias.

Não há uma recomendação com limite de pessoas por evento. Por isso, são importantes o bom senso e o comprometimento de todos com a saúde. O tamanho das celebrações deve ser determinado com base na capacidade dos participantes de diferentes famílias ficarem distante pelo menos dois metros de outros, usarem máscaras, lavarem as mãos e usarem álcool em gel com frequência e seguirem as recomendações locais de saúde.

Alimentos e bebidas
É possível que uma pessoa se contamine com o novo coronavírus tocando uma superfície ou objeto, incluindo alimentos, embalagens de comida e bebida e utensílios de cozinha que contenham o vírus e, em seguida, toque nariz, boca e olhos. Por isso, é importante seguir as seguintes regras:
– Incentive os convidados a trazer suas próprias comidas e bebidas.
– Use máscara ao preparar e servir as pessoas.
– Limite o número de pessoas que entram e saem dos locais onde as refeições sejam preparadas, como cozinhas e churrasqueiras.
– Todos os participantes devem retirar a máscara somente quando estiverem sentados à mesa para comer e beber. Neste momento, ela deve ser guardada em um saco seco e respirável (como um saco de papel ou tecido de malha) para mantê-la limpo entre os usos. Ao se levantar da mesa, a máscara deve ser recolocada.
– Limite a aglomeração em áreas onde a comida é servida, fazendo com que uma pessoa distribua os alimentos individualmente nos pratos, sempre mantendo uma distância mínima de 2 metros da pessoa a quem está servindo. Evite bufês lotados e estações de bebidas.

Viagens e pernoites
Se a ideia é pegar a estrada, antes de fazer as malas, faça as perguntas abaixo e, se alguma delas tiver resposta positiva, a recomendação é adiar a viagem e ficar em casa. Viajar pode aumentar as chances de obter e propagar a Covid-19.

– Você, alguém da sua casa ou alguém que visitará tem maior risco de ficar muito doente  por causa da Covid-19?
– Os casos são altos ou estão aumentando em sua comunidade ou em seu destino?
– Os hospitais em sua comunidade ou destino estão sobrecarregados com pacientes que têm Covid-19?
– A sua casa ou destino tem requisitos ou restrições para os viajantes? Verifique os requisitos estaduais e locais antes de viajar.
– Durante os 14 dias anteriores à sua viagem, você ou as pessoas que está visitando tiveram contato próximo com pessoas com quem não moram?
– Seus planos incluem viajar de ônibus, trem ou avião, o que pode dificultar a permanência de 2 metros de distância?
– Você está viajando com pessoas que não moram com você?

Passar a noite fora ou hospedar familiares
Antes de dormir fora ou hospedar alguém é importante avaliar como será feita a viagem sua ou o do hóspede, se todos os cuidados preventivos foram tomados ao longo do tempo e, como serão os cuidados caso alguém adoeça. Além disso, alguns cuidados diminuem os riscos de contaminação:

– Lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, especialmente na chegada.
– Use máscaras enquanto estiver dentro de casa. As máscaras podem ser removidas para comer, beber e dormir, mas os indivíduos de diferentes famílias devem ficar a pelo menos 2 metros de  distância uns dos outros o tempo todo.
– Melhore a ventilação abrindo janelas e portas ou colocando ar e aquecimento centrais em circulação contínua.
– Passe algum tempo juntos ao ar livre. Faça uma caminhada ou sente-se ao ar livre a pelo menos 2 metros de distância  para interações interpessoais.
– Evite cantar ou gritar, especialmente em ambientes fechados.
Trate os animais de estimação  como faria com outros membros da família humana – não deixe os animais de estimação interagirem com pessoas fora da casa.
– Monitore anfitriões e convidados quanto a sintomas  de Covid-19, como febre, tosse ou falta de ar.
– Os anfitriões e convidados devem ter um plano sobre o que fazer se alguém ficar doente.

(Fonte: Agência Einstein)

Conahp 2020: o burnout como problema das instituições, não das pessoas

A síndrome de burnout é uma condição depressiva aguda, decorrente do esgotamento físico e mental causado pelo excesso de trabalho. É um problema sobretudo contemporâneo, que ocorre nas mais diversas carreiras, mas que, durante a pandemia, se tornou ainda mais recorrente entre profissionais de saúde. Por isso, o Conahp 2020 – Congresso Nacional de Hospitais Privados dedicou uma plenária ao tema, intitulada Burnout inevitável: a exaustão dos profissionais no pós-covid-19.

“É comum que uma pessoa com o problema tenha uma percepção muito negativa de si mesma – contudo, o burnout não é um problema individual, mas sistêmico”, enfatizou, logo na abertura, o médico Lewis Kaplan, presidente da Society of Critical Care Medicine, organização internacional sem fins lucrativos sediada em Los Angeles, na Califórnia. “O profissional acha que é ele quem precisa mudar, quando na verdade o problema maior está nas condições de trabalho.”

O médico André Fusco, responsável técnico pela área de Saúde Ocupacional do Itaú Unibanco, concorda que há, de fato, uma tendência social a culpar a vítima. “Quando uma pessoa sofre um burnout, a gente tende a olhar para as características dela. Tem labirintite? Será que leva uma vida equilibrada? Tem resiliência? Medita? Faz atividade física? Dorme direito? Tem problemas pessoais?” Esse foco no indivíduo minimiza as responsabilidades das empresas.

É nesse contexto que se criam hoje as chamadas “salas de descompressão”, espaços de descanso e lazer dentro dos escritórios, com sofás, jogos e lanchinhos, e os chamados programas de relaxamento, “para ‘consertar’ o profissional, em vez de se olhar para o que o está comprimindo”. Para Fusco, essa mesma mentalidade elege figuras “heróicas” nas empresas, colegas que vivem sobrecarregados, ficam sempre depois do expediente, trabalham madrugadas e fins de semana adentro.

“São profissionais muito valorizados por sua resiliência, esforço e dedicação, o que acaba transformando a sobrecarga num valor”, alertou Fusco. Ao mesmo tempo, esses “heróis” sofrem de exaustão, privação de sono, falta de qualidade de vida e tempo para seus afetos. Segundo o especialista, há de se lembrar que resiliência é, na prática, um conceito taylorista. Ou seja, parte da premissa de adaptar as pessoas ao trabalho e, não, o trabalho às pessoas. “Não que resiliência seja algo ruim, mas é preciso nos perguntarmos: por que precisamos de tanta?”

Também participou da discussão o médico Eurípedes Constantino Miguel, chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Ele coordenou um programa de saúde mental voltado ao cuidado dos profissionais de saúde da linha de frente do Hospital das Clínicas, em São Paulo, durante a pandemia. As ações desse programa podem inspirar outras iniciativas no mundo corporativo para além do campo da saúde e incluem: conscientização institucional, melhora nas condições de trabalho, estímulo à atividade física, educação emocional, rodas de conversa e acesso a meios de assistência à saúde mental.

Entenda o papel da ciência no combate à pandemia de covid-19

No momento, há cerca de 200 estudos catalogados na Organização Mundial da Saúde (OMS) para a fabricação de vacinas contra o coronavírus – em 11 deles, os testes já chegaram à fase 3. Segundo o médico imunologista Jorge Kalil, que lidera um grupo de cientistas brasileiros na corrida pela vacina, “é absolutamente fantástico que tenhamos chegado tão rápido a esses resultados”. Ele é diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), da Universidade de São Paulo (USP) e participou da plenária sobre O Papel da Ciência e da Tecnologia no Combate à Pandemia durante a última edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados, o Conahp 2020.

Num contexto em que a ciência sofre com campanhas de descrédito político-ideológico no Brasil e em diversos outros países, Kalil ressaltou a agilidade e a eficiência de profissionais de virologia, epidemiologia e imunologia em todo o mundo. “Os resultados dessas vacinas já aparecem em menos de um ano do surgimento da pandemia, um feito histórico”, disse. A vacina contra o ebola, em comparação, tomou cerca de 15 anos de estudos e testes até ser considerada pronta.

“O Sars-CoV-2 (como foi batizado o novo coronavírus) veio para ficar”, frisou o imunologista. “Só pode ser controlado, como o vírus da influenza.”  E as únicas maneiras de enfrentar uma pandemia passam necessariamente pela ciência: o desenvolvimento de um tratamento simples, efetivo e barato, o que ainda não existe; o estabelecimento da imunidade de rebanho, que acarretaria ainda muitos adoecimentos e mortes; e uma ou mais vacinas, a perspectiva mais razoável hoje no curto prazo.

Além dessas questões cruciais, a pesquisa da vacina brasileira em desenvolvimento pela equipe liderada por Jorge Kalil tem como objetivos  ser aplicada em dose única com método não-injetável, ter baixo custo e ser produzida com autonomia tecnológica. “É um trabalho de valor incalculável, especialmente no Brasil, onde a ciência já sofria há anos com falta de recursos, mas conseguiu se reerguer.”

Controle do estresse na pandemia é o caminho para manter a saúde mental

A pandemia de covid-19 contribuiu para aumentar os níveis de estresse da população e, em alguns casos, agravar o quadro de pacientes que necessitam de tratamento psiquiátrico. “Isso se deve à antecipação de um futuro incerto, ao medo de pegar a doença e de sofrer consequências graves, além de grandes períodos de isolamento social e de sedentarismo”, explica Leandro Paulino da Costa, psiquiatra do Hospital Santa Virgínia (São Paulo – SP).
O especialista dá orientações práticas para o controle do estresse na pandemia, que é o melhor caminho para manter a saúde mental. Inspire-se no Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado neste 23 de setembro, e comece a colocar essas ações na sua rotina:

Faça atividades físicas
Tente manter uma rotina de exercícios com atividades que são prazerosas para você. A atividade física ativa a liberação de hormônios e neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar e relaxamento.

Reserve momentos para relaxar
Inclua no seu dia a dia alguns momentos de lazer, que trazem prazer e ajudam a relaxar, desativando os circuitos produtores de sintomas de estresse.

Viva o agora
Exercícios de meditação são uma forma de treinar o foco da mente no presente. Um dos mais conhecidos é o mindfulness, técnica que consiste em direcionar a atenção a partes específicas do corpo, sensações táteis ou à respiração. Quando nos concentramos no agora, evitamos que a mente entre no modo stand-by ou de ruminação, que é uma grande fonte de ansiedade e estresse.

Fale sobre os seus sentimentos
A psicoterapia é uma ótima forma de prevenir o estresse, pois favorece o autoconhecimento e nos ajuda a trabalhar questões cotidianas. Ao aceitar nossas limitações, o grau de cobrança e de culpa pode diminuir, contribuindo para reduzir os níveis de estresse.

Conecte-se com o que te faz bem
Use a tecnologia a seu favor para se conectar com pessoas queridas e cultivar laços afetivos saudáveis e positivos.

Coma bem e descanse
Procure dormir, pelo menos, sete horas por noite. A privação de sono causa irritabilidade, diminuição de atenção e concentração – o que agrava o estresse. Dê preferência a alimentos naturais e evite os industrializados, muito gordurosos e ricos em sódio.

Mas afinal, o que é o estresse?
O psiquiatra Leandro Paulino da Costa explica que o estresse, em si, não é uma doença, mas uma reação natural do organismo que ajuda a nos proteger de situações de perigo – por exemplo, um animal feroz se aproximando.
Neste momento, diversas alterações ocorrem em nosso corpo, elevando o estado de alerta e nos preparando para atacar ou fugir. Há o aumento da frequência cardíaca e da tensão muscular, ocorre a dilatação das pupilas e a respiração fica mais ofegante. Depois de um tempo, quando nos sentimos seguros, tudo volta ao estado normal.
Porém, no ritmo de vida atual – com muitas horas de trabalho, competitividade, cobranças e, agora, uma pandemia –, ficamos em estado de tensão constante, ativando os circuitos de estresse e produzindo vários sintomas incômodos, que podem aumentar o risco de doenças psiquiátricas. No longo prazo, esse quadro pode predispor a uma série de doenças como Síndrome de Burnout, depressão, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, entre outros.
A boa notícia é que existe tratamento para todas elas, envolvendo o acompanhamento psicoterápico e, quando necessário, o uso de medicamentos.

Principais sintoma de estresse
Caso algum dos sintomas abaixo persista por mais de duas semanas e comece a afetar a sua qualidade de vida, o convívio social ou o desempenho no trabalho, é importante procurar um especialista para avaliação:

– Alteração de humor
– Perda de prazer em atividades
– Falta de energia
– Dificuldade de concentração
– Dor de cabeça
– Insônia
– Sintomas adrenérgicos (sensação de falta de ar e palpitação)
– Pensamentos ruminativos (por exemplo, excesso de preocupação com as contas a pagar, problemas no trabalho e familiares…)

Como ajudar os idosos que estão sofrendo com o isolamento na pandemia

Os idosos são parte do grupo de risco para covid-19, o que significa que eles têm maiores chances de desenvolver a forma mais grave da doença quando contaminados pelo coronavírus. Precisam, então, manter o isolamento social rigorosamente, o que pode ter reflexos na saúde mental.

Em entrevista ao portal, a psicóloga Cláudia Cruz, da S.O.S Vida (Salvador – BA), explicou como os familiares e amigos podem ajudar os idosos a manterem o equilíbrio emocional, mesmo diante das restrições do contexto da pandemia, e também quando é necessário procurar ajuda de um profissional de saúde. Confira: 

Como o isolamento e o contexto da pandemia podem afetar a saúde mental dos idosos?

A pandemia trouxe a vivência de uma situação desconhecida, sem precedentes. Mudou abruptamente a rotina, os planos, os hábitos da população. Também gerou medo e a necessidade de adotar medidas que reduzam os risco de contaminação por uma doença altamente transmissível e potencialmente fatal. Assim, o distanciamento social, as mudanças na rotina e o estresse causado pelos cuidados necessários na prevenção e pelo excesso de informação impactam na saúde mental dos idosos e podem, ainda, agravar o quadro daqueles com doenças psiquiátricas prévias. Além disso, alguns estudos já realizados com esse grupo na quarentena evidenciaram aumento da prevalência de sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, irritabilidade, raiva e medo – que podem, inclusive, persistir por anos. 

Quais seriam os sinais de alerta para as famílias de que o idoso está deprimido ou ansioso por causa do isolamento?

Os sinais de alerta estão relacionados com a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina dos idosos. É preciso buscar ajuda profissional se forem observados os seguintes sintomas por mais de duas semanas: 

  • Sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança;
  • Mudanças significativas de comportamento, como irritabilidade, angústia, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações no sono, como insônia ou excesso de sono;
  • Alterações no apetite, com perda ou ganho de peso;
  • Diminuição da autoestima, quando há descuido da aparência, aspecto de cansaço, de fadiga, de perda de energia;
  • Dificuldade de concentração, de raciocínio e perda de memória; 
  • Pensamento recorrente de morte, quando o/a idoso/a manifesta desejo de morrer e falta de perspectiva. 

 

Como as famílias devem agir ao identificar esses sinais?

Em primeiro lugar, se aproximar mais desta pessoa, ver de que forma podem acolher os medos dela, dar orientação e explicar por que precisamos praticar o isolamento, além de esclarecer os benefícios de seguir as medidas de proteção contra o vírus. Também é importante buscar ajuda profissional especializada caso os sintomas relatados anteriormente persistam por mais de duas semanas. 

Quais medidas práticas ajudam a evitar problemas de saúde mental nos idosos em isolamento?

  • Manter uma rotina regular e saudável, com boa alimentação e atividade física, mesmo que não seja na intensidade de antes;
  • Incluir na rotina atividades prazerosas para o/a idoso/a, como leitura, música, algo com que ele se identifique;
  • Buscar maneiras para o/a idoso/a ajudar em casa, se sentir útil ou incentivá-lo/a a buscar fazer algo que lhe dê propósito; 
  • Estimular a manutenção dos laços sociais e da interação com a família por videoconferência ou mensagens;
  • Manter o uso das medicações regulares e buscar avaliação médica, caso apareça algum sintoma novo; 
  • Acolher os medos e auxiliar nas dúvidas para que possam entender melhor o momento e se sentirem mais seguros nesse contexto de mudanças causado pela pandemia; 
  • Exercitar a espiritualidade. Estudos mostram que as pessoas que nutrem crenças têm mais equilíbrio na conexão entre mente e corpo, têm o pensamento mais positivo e reagem melhor às adversidades. A crença ajuda ainda no processo de envelhecimento saudável, pois você se conecta com algo que não é só da cognição.

Ansiedade, raiva, tristeza: 7 formas de lidar com as emoções causadas pela pandemia

A pandemia de covid-19 trouxe incertezas sobre aspectos importantes da nossa vida, como saúde e trabalho. A necessidade de isolamento para conter o coronavírus mudou drasticamente a nossa rotina, e ainda lidamos diariamente com a infinidade de informações sobre a doença e as mortes causadas por ela – que impactaram milhares de famílias. 

Tudo isso desencadeia um turbilhão de emoções como ansiedade, raiva e medo. O portal conversou com Érika Gaioso Conti, psicóloga clínica e hospitalar do Daher Hospital Lago Sul (Brasília – DF), que apontou sete medidas práticas que podem ajudar a lidar com esses sentimentos diante da nova realidade. Confira: 

Quais os sentimentos mais comuns de serem desencadeados no contexto de incerteza e isolamento durante a pandemia?

Em primeiro lugar, o medo, a tristeza, seguidos de sentimentos de impotência, insegurança, dentre outros. Vivemos um momento jamais experienciado antes, de perdas muito significativas, rupturas abruptas, de instabilidades e incertezas nas várias esferas da vida – o que exige de nós uma readaptação a este contexto atual, ainda em curso. E tudo isso é muito assustador.

Quem está mais suscetível a ter a saúde mental impactada no contexto da pandemia?

Diante da proporção do evento, pandêmico, todas as pessoas são de alguma maneira afetadas, seja no aspecto familiar, pessoal, profissional, econômico, em maior ou menor grau. Porém, aqueles que foram diretamente vitimados, que foram literalmente devastados e que enfrentam o desafio da elaboração desta experiência traumática, acredito que sejam os indivíduos mais impactados. Além de pessoas com uma estrutura psíquica mais frágil e, por isso, com maior predisposição de desenvolverem transtornos diversos.

Quais medidas práticas ajudam a manter o equilíbrio das emoções em situações como esta de pandemia?

  1. Criar formas de manter o contato com as pessoas, mesmo que não presencialmente. Reforçar os vínculos afetivos, investir numa rede de apoio, de suporte emocional;
  2. Filtrar as informações recebidas, lembrando que o acúmulo de conteúdo negativo e, muitas vezes falso, não ajuda em nada. Pelo contrário, fomenta um estado mental desfavorável ao momento atual;
  3. Investir no autocuidado, promovendo a saúde e o bem-estar pessoal através de práticas como meditação, contemplação, atividades físicas. Investir também na melhoria do sono e da alimentação;
  4. Dedicar esse tempo aparentemente perdido para realizar atividades adiadas por falta de tempo ou por outra razão qualquer: organizar, planejar, atualizar, limpar. Mantenha o corpo e a mente ocupados e produtivos;
  5. Conectar-se com a dimensão espiritual do ser, de acordo com sua crença, religião ou filosofia de vida;
  6. Ter em mente que, apesar de todas as adversidades, essa é também uma oportunidade de reavaliação, de reinvenção, de transformação e de grande aprendizado.
  7. Lembrar que, conforme a lei da impermanência, tudo passa. Esse momento também passará.

Como a pandemia pode afetar a saúde mental das crianças

Crianças também podem sofrer com o isolamento e as incertezas do período da pandemia de covid-19, pois têm na rotina e na interação social pilares de seu desenvolvimento. O portal entrevistou o psicólogo do Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba-PR), Bruno Mader, que falou das possíveis consequências da pandemia para a saúde mental das crianças e como os pais podem identificar sinais de depressão e ansiedade nos filhos. Confira:

Como o isolamento pode afetar saúde mental de crianças?
A rotina está diretamente ligada ao desenvolvimento das funções cognitivas e à organização psíquica das crianças. Quando temos interrupções bruscas nessa rotina, isso atrapalha um pouco o desenvolvimento e é preciso buscar uma reorganização – o que dá um certo trabalho. No começo da pandemia, eram comuns relatos de pais dizendo que a criança regrediu, ficou mais irritada, mais respondona ou mais quietinha.
As crianças também se desenvolvem no contato com adultos, que não sejam os pais, e com outras crianças. No convívio entre as crianças, as noções de regras e de convivência são diferentes, pois não têm a mediação do adulto. E ali elas vão vivenciar mais situações imprevistas. Isso é muito importante para que percebam seus limites e as consequências das suas ações. A criança também precisa de um espaço de vivência longe dos pais para poder experimentar coisas e desenvolver uma certa autonomia. Com a pandemia, elas estão privadas disso tudo.

Nas crianças, ansiedade, depressão e estresse se manifestam da mesma maneira que nos adultos?
Não, é diferente. De modo geral, elas ficam um pouco mais infantilizadas. No seu desenvolvimento, a criança começa a coordenar novas formas de ver o mundo – o que é um pouco fascinante e, ao mesmo tempo, assustador. Então, quando isso fica muito assustador, elas dão um passo atrás no desenvolvimento, para uma fase que ela já conhecia. Vai ser comum voltar a fazer xixi na calça, começar a ficar infantilizada, irritada, respondona, ficar agarrada e pedindo colo para os pais.

Quais seriam os sinais de alerta para os pais de um possível quadro de depressão ou ansiedade?
Precisamos observar quando tem uma mudança de comportamento com relação a como a criança é normalmente. Se ela é uma criança falante e passa a ficar quietinha demais, a gente tem um problema. Se é uma criança um pouco mais quieta, mais organizada, mais introspectiva, mas deixa de fazer essas coisas, aí a gente pode ter um problema também. Vamos pensar nessa coisas que ela fazia e deixa de fazer, e comportamentos de manha ou de mudanças nos hábitos alimentares, de ir ao banheiro e de sono. Esse tipo de coisa deve chamar a atenção dos pais.

Quando identificado algum desses sinais, o que os pais devem fazer?
Primeiramente, tentar descobrir o que causou essas mudanças no comportamento: se foi o isolamento da pandemia ou se há alguma outra coisa acontecendo. Em seguida, os pais devem pensar em atividades que sejam prazerosas e estimulantes para a criança. Claro que existem as atividades de lazer, brincadeiras em casa, desenhar etc. Mas temos que lembrar que nem toda atividade precisa ser de distração, de entretenimento – porque os pais, obviamente, não são animadores de plateia, eles são pais.
Uma coisa que ajuda é estabelecer com o filho pequeno os horários. Tem o horário dos pais trabalharem e o horário de estar junto. No horário de brincar e estar junto, os pais devem largar o celular, o computador e ficar com os filhos, para garantir esse tempo com eles.
Também pode pedir para o filho ajudar a lavar a louça, por exemplo, para poder estar perto dos pais. Se vão limpar a casa, dar alguma atividade simples para as crianças. Aqui, mais importante do que o resultado é o processo de integrar os filhos nessa nova rotina dentro de casa. Assim, eles poderão se orientar e se educar sobre os horários: quando podem estar junto dos pais e quando não, o horário que podem demandar e o horário que o pai ou a mãe não vão responder.

Como os pais podem ajudar os filhos a passar por esse período de isolamento e incerteza?
Além de criar uma nova rotina para as crianças dentro desse contexto novo, é importante observar que elas vão precisar de atividade física, mesmo que você more em um apartamento. Pular corda, dar uma volta na quadra, ir a uma praça mais isolada – é importante para elas gastarem energia. E misturar isso com atividades projetivas: desenho, pintura, contar histórias.
O celular e a TV podem ser aliados nesse processo, mas eles não devem ter exclusividade dentro da nova rotina. É preciso existir outras possibilidades de atividade para o tempo que a criança terá enquanto os pais estão trabalhando, por exemplo. É importante também conhecer o que o filho ou a filha está acessando. Os pais precisam ajudar na escolha dos desenhos, por exemplo, pois uma criança ainda não tem maturidade para isso, especialmente dentro do universo de ofertas da internet.