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Voltas às aulas e a ômicron: como cuidar da saúde das crianças com a alta de casos de Covid-19

A volta às aulas em meio a um pico de transmissão do coronavírus por causa da variante ômicron – e com a vacinação das crianças ainda no início – é motivo de apreensão para os pais e responsáveis. Para saber como escolas e famílias podem contribuir para um retorno mais seguro às salas de aula, o Saúde da Saúde conversou com o infectologista e gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Francisco Ivanildo Oliveira Júnior. Uma das medidas indispensáveis, segundo o especialista, é vacinar as crianças entre 5 e 11 anos o mais rápido possível. Confira outras orientações:

Protocolos de segurança
O infectologista ressaltou que, com a ômicron, não houve nenhuma mudança significativa com relação às medidas de proteção contra o vírus adotadas até agora na pandemia. “É muito importante que as medidas de controle nas escolas funcionem e sejam bastante efetivas”, afirma.

Todos os alunos e funcionários devem utilizar máscaras cobrindo boca e nariz, preferencialmente de modelo N95 ou PFF2, que oferece maior proteção. Quem não tem acesso a esses modelos deve utilizar ao menos a máscara cirúrgica, que seria a segunda melhor opção em nível de segurança.

“Em último lugar, para quem não consegue uma máscara de tamanho adequado, pode-se utilizar as de tecido, fazendo trocas regulares (a cada 2h ou se ficarem úmidas) para evitar que diminua a eficiência”, ressalta Oliveira Júnior. As máscaras podem ser utilizadas por crianças a partir de 2 anos de idade e é obrigatória a partir dos 6 anos.

As escolas também devem garantir o distanciamento dentro das salas de aula e nas filas e corredores, além de reduzir atividades que causem aglomerações dos alunos, como comemorações. Todos os ambientes devem ter a ventilação adequada e, sempre que possível, dar preferência para atividades em locais abertos.

O momento das refeições exige cuidado especial com distanciamento ou que as mesas tenham divisórias de acrílico para evitar o risco de transmissão.

Outra medida importante é reduzir o acesso de pessoas de fora ao ambiente escolar. Pais e responsáveis devem buscar as crianças na porta do colégio e serem estabelecidos horários alternativos para serviços de limpeza e manutenção. “Tudo o que possa ser feito para reduzir o número de pessoas circulando vai diminuir as chances de transmissão”, afirma o infectologista do Sabará.

Casos suspeitos
Pais, responsáveis e a própria escola devem redobrar a atenção com o surgimento de sintomas respiratórios (dor de garganta e coriza, por exemplo) – mesmo que sejam leves. “Sabemos que o coronavírus não é o único vírus que pode causar febre, sintomas respiratórios ou diarreia. Mas, dentro da situação atual, com números altíssimos de novos casos, a presença desses sintomas tem sim que levantar a possibilidade de Covid-19 – e essas crianças não podem ir para a escola”, explica o infectologista.

Também não devem frequentar as aulas o aluno ou aluna que teve contato com algum caso confirmado da doença. “Se não houver essa colaboração das famílias de não mandar suas crianças sintomáticas para a escola, a gente não vai ter como controlar a transmissão dentro das salas de aula”, alerta.

A criança que for identificada dentro da escola com sintomas respiratórios deve ser imediatamente levada para uma sala onde possa ser mantida distante dos demais alunos até que a família vá buscá-la. Os pais podem usar a telemedicina para ter orientação médica.

A testagem deve ser feita sempre que for possível, e todas as pessoas do círculo familiar que apresentarem sintomas ou tiverem o diagnóstico confirmado precisam ficar isoladas para evitar a disseminação do vírus.

Oliveira Júnior diz que as famílias também devem restringir os contatos da criança fora da escola. “É uma medida de bom senso reduzir a circulação, porque é justamente nesses lugares que existe uma alta chance de contato com outras pessoas: dentro de shoppings, de lojas, festas infantis, onde você possa ter contato com outras crianças e correr o risco de transmissão.”

O especialista alerta que, no caso de condições pré-existentes que aumentam o risco de desenvolver formas graves da Covid-19, os pais devem discutir com a escola e com o médico que acompanha a criança a possibilidade de manter as aulas online – ao menos nesse momento em que a taxa de infecção está crescendo vertiginosamente. “Os casos de influenza têm diminuído bastante com relação ao que se viu no mês de dezembro e início de janeiro. O principal vírus respiratório circulando agora, e ainda em fase de crescimento, é o coronavírus”, esclarece o infectologista.

6 coisas que você precisa saber sobre a vacina contra Covid-19 para crianças

Desde o início do ano, a inclusão das crianças no programa nacional de vacinação contra a Covid-19 gerou uma série de dúvidas. Muitas foram as informações que começaram a circular pelas redes sociais sobre a efetividade e até a necessidade de imunizar esse público. Veja o que dizem especialistas sobre os principais questionamentos e saiba o que é fato e o que é informação falsa nesse debate nas redes.

Se a Covid-19 é mais leve nas crianças, por que elas precisam ser vacinadas?

Mesmo o número sendo menor com relação aos adultos, há casos de crianças que tiveram a forma grave da doença – com o registro de mais de 310 mortes de pacientes com idade pediátrica no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Com a vacinação a partir de 5 anos de idade, a letalidade do vírus nas crianças deve diminuir, especialmente para aquelas com a imunidade comprometida, que são as mais vulneráveis.

Além de ser uma medida importante para proteger a saúde das crianças, a vacinação em massa ajuda a conter a circulação do vírus e funciona como uma proteção indireta para familiares que estão nos grupos de risco, como os idosos. Estudos indicam que uma pessoa imunizada tem menor tempo de transmissibilidade do vírus e menor carga viral.

Todas as crianças podem tomar a vacina contra Covid-19?

Sim. Baseado na liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as crianças a partir de 5 anos de idade podem tomar a vacina da Pfizer, que usa uma parte de RNA sintético, feito em laboratório e sem nada do vírus em si. Por isso, é segura também para crianças com a imunidade baixa, doenças inflamatórias, crônicas, entre outras.

A Coronavac, também liberada pela Agência, pode ser aplicada em crianças de 6 e 11 anos, exceto em imunodeprimidas. No caso de crianças em tratamento contra o câncer (que tenha doença ativa ou não), os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis conversem com o oncologista para saber o momento ideal da vacinação e ter a melhor resposta imunológica possível.

Essas vacinas contra Covid-19 são consideradas experimentais e podem ser perigosas?

Não. Os imunizantes liberados pela Anvisa para crianças foram testados e aprovados em todos os órgãos regulatórios – no Brasil e também em outros países. “É uma vacina eficaz, segura e confiável, liberada para as crianças por órgãos competentes”, afirma o infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe, Victor Horácio de Souza Costa Júnior.

A vacina contra Covid-19 para crianças é igual à aplicada nos adultos?

Ela tem praticamente a mesma formulação, com a diferença no volume da dose – que é em torno de um terço menor do que é aplicado no adulto.

A vacina contra covid-19 para crianças pode ter efeitos colaterais?
Sim. São comuns: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e dor no corpo – que, em geral, duram até 48h após aplicação. Se passarem de 72h, é importante procurar o pediatra.

Há situações em que a criança não deve ser vacinada contra Covid?
Se a criança pegou Covid-19, deve esperar 30 dias a partir do início dos sintomas para se vacinar.

Também é importante lembrar a necessidade de seguir a programação das segundas doses ou de reforço, se houver, além de manter os cuidados de sempre, pois a pandemia ainda não acabou: uso de máscara, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Fontes:
– Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista e vice-diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe
– Anna Claudia Turdo, infectologista do A.C.Camargo Cancer Center
– Carlos Eduardo Ramos Fernandes, pediatra do A.C.Camargo Cancer Center

Sintomas de Covid: conheça os principais sinais de infecção pela Ômicron e outras variantes

Seja com febre ou uma simples dor de garganta, a Covid-19 pode se manifestar de diferentes formas. É que, além de cada organismo reagir de uma maneira à infecção, as mutações pelas quais o vírus já passou tornam determinadas reações mais comuns ou mais raras.

No início da pandemia, um dos principais sintomas descritos era a perda do olfato e paladar, que poderia durar semanas, meses e, em alguns casos, seriam até irreversíveis. Agora, com a predominância da variante Ômicron no Brasil, é mais provável que pessoas infectadas sintam a garganta arranhando e dores no corpo.

Como a variante Ômicron tem altas taxas de transmissão e seus sintomas são parecidos com os de várias outras doenças – de resfriado à dengue –, é importante estar atento a qualquer alteração na sua saúde. Confira as queixas mais comuns associadas às principais variantes da Covid-19:

Ômicron
Cansaço extremo, dores pelo corpo, dor de cabeça e dor de garganta.

Delta
Coriza, dor de cabeça, espirros, dor de garganta, tosse persistente e febre.

Gama
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Beta
Febre, tosse, dor de garganta, falta de ar, diarreia, vômito, dor no corpo, cansaço e fadiga.

Alfa
Perda ou alteração do olfato, perda ou alteração do paladar, febre, tosse persistente, calafrios, perda de apetite e dores musculares.

SARS-CoV-2 (vírus original)
Febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar e/ou do olfato.

Casos de Covid-19 subiram mais de 600%
O Brasil enfrenta, neste início de 2022, uma alta nos casos de Covid-19. A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) fez uma pesquisa entre seus associados e registrou um aumento médio de 655% no período de dezembro de 2021 até o dia 5 de janeiro. O número foi divulgado junto com orientações importantes para a população sobre quando é preciso procurar um hospital.

(Fontes: Instituto Butantan e Hospital Moinhos de Vento)

Covid-19: Ministério da Saúde reduz para 7 dias isolamento de pacientes

O Ministério da Saúde reduziu o período de isolamento para pacientes com covid-19 de dez para sete dias. A nova recomendação foi anunciada em entrevista coletiva do ministro Marcelo Queiroga nesta segunda-feira (10). O ministério ressalta, no entanto, que a medida vale para casos leves e moderados da doença, desde que o paciente não apresente febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24 horas e sem o uso de antitérmicos.

Segundo a recomendação do ministério, o período de isolamento pode ser menor ou maior que 7 dias, dependendo da evolução do paciente com covid-19. Confira abaixo:

Pacientes que ainda apresentem sintomas no 7º dia: é obrigatória a realização da testagem antes de deixar o isolamento. Se o resultado for negativo, a pessoa deve aguardar 24 horas sem sintomas respiratórios e febre (sem o uso de antitérmicos) para sair do isolamento. Em caso de resultado positivo, deve ser mantido o isolamento por pelo menos 10 dias a partir do início dos sintomas. Depois desse prazo, o paciente está liberado do isolamento se não tiver febre nem sintomas respiratórios há pelo menos 24h e sem o uso de remédios.

Pacientes sem sintomas no 7º dia: se o paciente não apresentar sintomas respiratórios nem febre há pelo menos 24 horas e sem o uso de medicação, pode sair do isolamento sem a necessidade de teste.

Pacientes sem sintomas a partir do 5º dia: aqueles que tiverem resultados de teste RT-PCR ou teste rápido de antígeno para covid-19 negativo poderão sair do isolamento, desde que não tenham febre nem sintomas respiratórios (sem o uso de antitérmicos). Se o resultado for positivo, é necessário ficar isolado por 10 dias a contar do início dos sintomas.

O ministério enfatiza que, para todos os casos em que o isolamento for encerrado no 5º ou no 7º dia, as pessoas devem manter as medidas adicionais até o 10º dia, como o uso de máscaras, higienização das mãos, evitar contato com pessoas imunocomprometidas ou que tenham fatores de risco para agravamento da Covid-19.
Segundo o secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Arnaldo Medeiros, a decisão do ministério decorre da atualização do guia epidemiológico, elaborado por especialistas. O material com as orientações está disponível no site do ministério.

Aumento de casos de Covid lotam hospitais: saiba como agir

Hospitais Anahp registram aumento de 655% nos casos de Covid-19 e 270% de Influenza

O ano de 2022 começou já registrando um grande aumento de casos de Covid. Após os encontros e viagens de final de ano, o número de exames positivos para coronavírus disparou por diferentes regiões do país. Como consequência, hospitais particulares e públicos estão com prontos-socorros cheios.

Uma pesquisa da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) mostrou que o aumento no número de casos de Covid-19 entre os hospitais associados à entidade foi, em média, de 655%, desde dezembro de 2021. Algumas instituições chegaram a relatar aumentos maiores que 1000%.

Além do coronavírus, outra preocupação é o surto de Influenza. O levantamento da Anahp mostrou uma alta, em média, de 270% no número de casos, também sobrecarregando as instituições. Em muitas cidades brasileiras, hospitais estão com espera de várias horas para atendimento no pronto-socorro.

Para ajudar a orientar a população sobre o que fazer em caso de sintomas gripais, a Anahp divulgou importantes recomendações, inclusive sobre quem deve procurar atendimento no pronto-socorro dos hospitais. Confira:

· Devem procurar o pronto-socorro apenas os pacientes com: sintomas persistentes, falta de ar, febre persistente, tosse intensa ou com doenças crônicas pré-existentes.

· A população deve manter rígidos os cuidados com a utilização correta de máscara, o distanciamento social e a higienização adequada das mãos.

· Aqueles que estiverem com sintomas leves ou assintomáticos devem priorizar a busca por atendimentos ambulatoriais (por exemplo, consultas médicas, preferencialmente via telemedicina). Assim, o paciente se protege de uma exposição desnecessária dentro de ambientes como hospitais, que devem ser utilizados para o atendimento de pessoas com sintomas mais severos.

· Ao passar por uma consulta, o paciente será avaliado clinicamente e terá a indicação médica correta sobre a necessidade ou não de testagem, assim como de qual tipo de teste é o mais adequado de acordo com os sintomas que apresenta.

As orientações divulgadas pela Anahp foram listadas por Vania Rohsig, Superintendente Assistencial e de Educação do Hospital Moinhos de Vento e Coordenadora do Grupo de Trabalho Organização Assistencial da Anahp, e Priscila Rosseto, Gerente-executiva de Qualidade, Segurança e Práticas Assistenciais da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, e Coordenadora do Grupo de Trabalho de Melhores Práticas Assistenciais da Anahp.

Ômicron: o que já se sabe sobre a nova variante do coronavírus

São muitas as perguntas ainda em aberto sobre a nova variante do coronavírus identificada na África do Sul no final de novembro e batizada de ômicron. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas do mundo todo estão monitorando e analisando os casos em busca de respostas. Veja o que, até agora, foi possível identificar sobre os possíveis impactos da ômicron no controle da pandemia.

> É considerada pela OMS como “variante de preocupação”
A nova variante é considerada de preocupação, porque apresenta 50 mutações, sendo mais de 30 delas na proteína spike – que funciona como uma chave para o coronavírus entrar nas células. A maioria das vacinas contra a Covid-19 tem como alvo essa proteína. A classificação da OMS coloca a ômicron no mesmo grupo de outras variantes que tiveram impacto na evolução da pandemia, como a delta, a gama, a beta e a alfa.

> A ômicron é potencialmente mais transmissível
A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que a variante é “muito transmissível”, mas ressaltou que não é necessário pânico, pois o mundo está melhor preparado devido às vacinas desenvolvidas desde o início da pandemia. “Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás”, afirmou.
Todos os continentes já registraram casos de pessoas contaminadas pela nova cepa, reportada à OMS em 24 de novembro pela África do Sul. O Brasil também já tem casos confirmados – eram cinco até o dia 3 de dezembro.

> Evidências sugerem que a ômicron pode facilitar a reinfecção
Uma reunião de especialistas da África do Sul com um grupo da OMS chegou à conclusão de um potencial aumento de risco de reinfecção pelo coronavírus num cenário com a nova variante. Segundo Mariângela Simão, vice-diretora geral de medicamentos da OMS, mais estudos estão sendo feitos e deve haver avanços sobre esse tópico nas próximas semanas.

> Até agora, os sintomas registrados foram considerados leves
Informações preliminares da OMS sugerem que os casos da variante ômicron estão ligados a sintomas leves da Covid-19 – principalmente em pessoas já vacinadas. Até o dia 3 de dezembro, não havia registro de morte causada pela variante. Dados mais concretos sobre a nova cepa devem sair nos próximos dias, mas a OMS ressalta que todas as variantes podem resultar em casos graves, principalmente nas pessoas de grupos de risco e mais vulneráveis ao coronavírus.

> Vacinação, máscara e distanciamento continuam sendo fundamentais para o controle da pandemia
Ainda não se sabe se a nova variante é resistente às vacinas que temos atualmente contra a Covid-19. Vale ressaltar que, na África do Sul, onde a cepa foi identificada, o índice de vacinação está baixo, com menos de 25% da população imunizada.

A OMS reforça a importância da vacinação para reduzir a ocorrência de casos graves e de mortes por Covid-19, inclusive pela variante delta, considerada a mais transmissível atualmente. “As vacinas protegem contra casos graves e mortes. A indústria farmacêutica já está trabalhando com as mutações [da ômicron] e, se tiver necessidade de fazer ajuste, ele será feito”, explicou a vice-diretora-geral de medicamentos da OMS, Mariângela Simão.

As demais recomendações para conter a transmissão da nova cepa são as mesmas: manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e ambientes fechados, além da higiene constante das mãos.

4 fatos sobre Covid-19 e vacinação em gestantes e puérperas

O início da vacinação contra Covid-19 gerou muitas dúvidas em gestantes e puérperas sobre os eventuais riscos de receber o imunizante. Como, por questões éticas, esse grupo não participa dos testes para a criação das vacinas, as informações científicas sobre segurança e efeitos adversos acabam sendo coletadas posteriormente.

Durante o Conahp 2021, a infectologista Rosana Richtmann (Hospital e Maternidade Santa Joana e Instituto Emílio Ribas) apresentou os dados mais recentes sobre a vacinação de gestantes contra Covid-19 e respondeu às principais dúvidas relacionadas a esse público. Confira:

Gestantes precisam se vacinar?  
Sim. É fundamental a vacinação em qualquer etapa da gestação, pois ajuda a evitar que essas mulheres, se contaminadas, desenvolvam casos mais graves da doença – o que, além dos riscos para a mãe, pode levar à prematuridade do bebê.

O que dizem os dados sobre a vacinação de gestantes e puérperas contra Covid-19? 
Segundo a infectologista, a resposta imune das gestantes se mostrou a mesma que a das demais mulheres, e a efetividade da vacina foi boa, resultando em menos casos de Covid-19 entre grávidas vacinadas.

Dados do Ministério da Saúde apresentados por Rosana mostram que a maioria dos efeitos adversos das vacinas ocorridos em gestantes não foram graves. Além disso, não houve registro de que as vacinas tenham causado abortos espontâneos, óbito fetal, prematuridade, anomalia congênita nem morte neonatal.

A especialista ressalta que as gestantes vacinadas apresentaram anticorpos protetores no sangue do cordão umbilical. Outra indicação é de que mulheres vacinadas nos primeiros 45 dias de puerpério apresentaram presença de anticorpos contra o coronavírus no leite materno.

Nos dois casos, Rosana ressalta que ainda estão em andamento estudos para medir quão eficazes e duradouros são os efeitos desses anticorpos na proteção do bebê.

Qual seria a vacina mais segura e eficiente para as gestantes? 
As vacinas de RNA mensageiro – como a da Pfizer – são as mais usadas no mundo em gestantes. “São as que julgo mais indicadas para esse grupo específico, tanto pela boa resposta quanto em relação à experiência e segurança: seja para a gestante, seja para o feto, seja para o recém-nascido.”

No Brasil, a Coronavac também é aplicada em gestantes nos locais onde a logística não permite a chegada e conservação das vacinas da Pfizer. Imunizante de vírus inativo, ela também não tem apresentado risco para esse grupo.

São contraindicadas as vacinas de vetor viral – como AstraZeneca e Janssen. Por questões de segurança, o governo brasileiro parou de aplicar vacinas da AstraZeneca em mulheres grávidas após a morte de uma gestante no Rio de Janeiro por síndrome trombocitopênica trombótica – único caso registrado no mundo relacionado à vacina, segundo Rosana Ritchmann.

Gestantes podem desenvolver casos mais graves de Covid-19? 
Sim, por isso a importância da vacinação. Apesar de não terem um maior risco de se infectar pelo coronavírus, as gestantes têm mais chances de desenvolver casos graves da doença – com necessidade de hospitalização, de uso de ventilação mecânica, de internação em UTI e, até mesmo, evolução para óbito. “Gestantes são um grupo de risco”, enfatiza a infectologista.

Segundo Rosana, a maioria dos óbitos por Covid-19 em gestantes no Brasil ocorreu no final da gestação. “Essa é uma informação importante, porque mostra que precisamos ter as gestantes totalmente vacinadas quando chegam ao terceiro trimestre”, diz.

A infectologista ressalta que a vacinação para as gestantes precisa ser universal, e não apenas para aquelas que apresentam algum fator de risco, como obesidade, diabetes e hipertensão. “Os dados no Brasil mostram que a maioria das gestantes que evoluíram para casos mais graves não tinham comorbidade.”

A palestra completa de Rosana Ritchmann no Conahp 2021 está disponível no canal da Anahp no YouTube. Acesse:

Casos leves de Covid-19 também podem levar a sequelas tardias no cérebro

Pesquisadores brasileiros identificam alterações que a Covid-19 pode causar no sistema nervoso

Meses após ser curado da Covid-19, as consequências da doença podem afetar o cérebro, causando alterações no córtex cerebral, área responsável pela consciência, memória, linguagem, cognição e atenção. E isso pode acontecer tanto com quem teve a forma grave quanto sintomas leves da doença.

Os casos recorrentes da chamada Covid longa são alvo de uma pesquisa realizada pela Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP), junto ao Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Também conhecidos como síndrome pós-Covid ou Covid-19 pós-aguda, os episódios da doença pós-viral se mostraram mais comuns do que se imaginava inicialmente.

Além dos sintomas neurológicos presentes na fase inicial da doença, pacientes que não apresentaram complicações primárias ou comorbidades durante a infecção passaram a experimentar, meses depois, sequelas neurológicas críticas.

Entre as síndromes tardias associadas à Covid-19, as mais comuns são fadiga, névoa cerebral, dores musculares e nas articulações, distúrbios do sono, enxaquecas, dor no peito, erupções cutâneas, nova sensibilidade a cheiros e sabores, além da disautonomia, uma condição normalmente rara que causa um aumento rápido e desconfortável dos batimentos cardíacos quando a pessoa tenta realizar qualquer atividade.

Curto-circuito no cérebro

Outros dados preliminares de um estudo recente conduzido na Unicamp sugerem que, mesmo nos casos brandos, a Covid-19 pode alterar o padrão de conectividade funcional do cérebro, provocando uma espécie de “curto-circuito”.

No cérebro normal, enquanto determinadas áreas estão sincronizadas durante uma atividade, outras ficam em repouso. Nos indivíduos que tiveram Covid-19, porém, os pesquisadores notaram uma perda severa da especificidade das redes cerebrais. Para compensar essa falha no sinal, o cérebro ativa todas as redes ao mesmo tempo, gastando mais energia e trabalhando de forma menos eficiente.

Estimativas sinalizam que cerca de 50% dos pacientes diagnosticados com Sars-CoV-2 apresentaram problemas neurológicos. Conheça alguns deles:
– encefalite (inflamação no cérebro)
– anosmia (perda de olfato)
– acroparestesia (sensação de formigamento)
– aneurisma
– acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico (AVE)
– síndrome de Guillain-Barré

Como identificar esses casos

Para poder reduzir a incidência de danos graves e diminuir riscos futuros, o maior desafio atualmente é monitorar os danos colaterais de todos os contaminados.

Não observar os sintomas neurológicos leves e intermediários – de assintomáticos, de quem não foi diagnosticado ou entre as pessoas com sintomas leves que não acessam o sistema de saúde – atrapalha o cálculo da verdadeira taxa de danos presentes nos pacientes pós-Covid, pois muitos casos podem não ter sido relatados.

“Covid longa” pede cuidados extras com o coração

É importante estar atento a sintomas como palpitações, pulsação irregular ou alteração na frequência cardíaca mesmo em repouso

Entre as mais de 50 sequelas associadas à Covid-19 mapeadas até o momento, as de origem cardíaca estão entre as repercussões mais graves, capazes de causar mudanças expressivas na qualidade de vida dos pacientes. Um estudo publicado na revista científica JAMA Cardiology aponta que 78% dos pacientes que tiveram a forma grave de Covid-19 apresentaram anomalias cardíacas após a infecção pelo vírus.

Deste percentual, 60% desenvolveram a miocardite – um enfraquecimento do coração, que, embora não seja considerada uma condição grave, pode levar à insuficiência cardíaca, caso não tratada adequadamente.

Outra pesquisa, publicada neste ano pela Universidade de Leicester, do Reino Unido, identificou que sete em cada dez pessoas internadas pelo novo coronavírus apresentam sequelas por até cinco meses.

Ainda não se sabe qual é o prazo médio de permanência destes sintomas, devido à irregularidade no modo em que se manifestam. Mesmo para indivíduos sem comorbidades, a probabilidade de desenvolver sequelas após a Covid-19 ainda é alta.

Tipos de sequelas e sintomas

De acordo com Nilton Carneiro, cardiologista e arritmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, as arritmias estão entre as sequelas pós-Covid mais frequentes que afetam o coração. Elas podem se manifestar até mesmo em pacientes que não possuem um histórico associado a complicações desta natureza.

Estas repercussões podem surgir, inclusive, semanas após o período de cura. Por isso, o acompanhamento com um cardiologista é essencial para obter um diagnóstico precoce. “De forma geral, aqueles pacientes que tiveram formas mais sintomáticas da Covid-19, ou que tenham necessitado internação hospitalar, são os mais suscetíveis a ter alguma sequela cardíaca, embora isso não seja a regra”, conta o médico.

O especialista chama a atenção para caso surjam sintomas como palpitações, desmaio, disparo do coração, batimentos irregulares, pulsação irregular ou frequência cardíaca muito baixa ou muito alta – mesmo em repouso. Se isso acontecer, a procura por um cardiologista deve ser imediata, para impedir que uma possível condição evolua para quadros graves, capazes de causar sérias repercussões na qualidade de vida.

No caso de um diagnóstico confirmado de alterações na frequência cardíaca, o tratamento irá depender da evolução do quadro e da situação clínica do paciente como um todo. “Enquanto uma parte das arritmias é de evolução benigna e necessita apenas de acompanhamento periódico, outras exigem tratamento mais urgente, como o uso de medicamentos ou até intervenções em ambiente hospitalar”, finaliza.

Estilo de vida pode ajudar a proteger o coração
Embora as sequelas cardiológicas deixadas pela infecção possam se manifestar de maneira espontânea e aleatória, existem algumas ações que podem contribuir para evitar o surgimento destas.

Sedentarismo, tabagismo, sono irregular, má alimentação, estresse e o consumo exacerbado de álcool estão entre as principais causas de complicações cardíacas em geral. Portanto, todos estes fatores devem ser adequadamente controlados e monitorados.

Praticar exercícios físicos, mesmo que leves ou moderados, no mínimo três vezes por semana, pode contribuir para a saúde cardiovascular. Uma alimentação regrada também é um aspecto essencial da prevenção, pois determinados alimentos podem diminuir as chances de desenvolver a hipertensão arterial, enquanto outros grupos ajudam a controlar o colesterol e reduzir o acúmulo de gorduras e outras substâncias nas paredes das artérias e dentro delas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Santa Catarina – Paulista

Estudo mostra que Covid-19 pode afetar placenta e prejudicar bebês

Em parceria com Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, resultados apontam que comprometimento do órgão pode provocar partos prematuros e até mesmo óbito

A placenta funciona como um pulmão para o bebê, sendo a responsável pela respiração e também pelo recebimento de nutrientes. Entretanto, gestantes contaminadas pela Covid-19, que desenvolvem quadros mais graves, podem ter a placenta comprometida, provocando partos prematuros e até mesmo a morte intrauterina.

Esse é o resultado de uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em parceria com os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. O estudo foi publicado no periódico Frontiers in Immunology, revista científica referência mundial em imunologia.

“Ao comparar as placentas de mães com Covid-19 às de mães saudáveis, percebemos que as contaminadas pelo SARS-CoV-2 tinham maior propensão a mostrar características de má perfusão vascular devido à trombose placentária, materna e fetal”, explica o cientista e professor Cleber Machado de Souza, que integra o grupo de pesquisadores.

Ou seja: se a Covid-19 afeta os vasos da mãe, o bebê passa a não receber nutrientes nem oxigênio. Como consequências, foram verificadas morte intrauterina, óbito logo após o nascimento e partos prematuros. Alguns recém-nascidos também precisaram ser hospitalizados por terem sido infectados com o vírus. Já as pacientes com forma leve da doença deram à luz a bebês saudáveis e suas placentas não apresentaram lesões decorrentes da infecção pelo SARS-CoV-2.

A pesquisa

  • Os cientistas compararam a placenta de 19 mães com diagnóstico de Covid-19, oriundas do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), a de 19 mães saudáveis, oriundas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
  • O estudo seguiu o pareamento de idade materna, idade gestacional e comorbidades entre os dois grupos.
  • As gestantes do grupo Covid-19 foram atendidas no Hospital Nossa Senhora das Graças, e as do grupo controle, no Hospital de Clínicas (HC), ambos em Curitiba, com consentimento das pacientes e aprovação do Comitê de Ética das instituições.

Próximos passos
Segundo Souza, a pesquisa terá continuidade, avaliando agora os aspectos genéticos envolvidos. “Queremos entender por que algumas mulheres apresentam maior propensão a desenvolverem a trombose enquanto outras não. Isso poderia, no futuro, ajudar a estabelecer condutas mais seguras na condução de gestações associadas à Covid-19”, realça.

Prevenção é fundamental
Para o professor, a prevenção segue como a melhor opção:

– Higienize as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel;
– Evite tocar nos olhos, nariz e boca se as mãos não estiverem limpas;
– Limpe e desinfete objetos e superfícies tocados com frequência;
– Restrinja o contato com pessoas doentes.
– Evite aglomerações e, se possível, fique em casa;
– Ao sair de casa, sempre utilize a máscara de proteção;
– Mantenha o distanciamento social de, no mínimo, 1,5 m entre as pessoas.

Vacinação

De acordo com Heloísa Giamberardino, coordenadora do Centro de Vacinas do Pequeno Príncipe, há um protocolo a ser seguido para a vacinação de gestantes no Brasil. Segundo a especialista, a imunização é indicada principalmente com os imunizantes da Coronavc e Pfizer. “É muito importante que as gestantes sejam vacinadas, pois há mais risco de complicações. Hoje, o que se discute é se será necessário manter a prescrição médica. Atualmente, existe essa orientação do Ministério da Saúde, o que pode estar afastando muitas gestantes do acesso vacinal.”

Fonte: edição do texto original do Hospital Pequeno Príncipe.