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Controle do estresse na pandemia é o caminho para manter a saúde mental

A pandemia de covid-19 contribuiu para aumentar os níveis de estresse da população e, em alguns casos, agravar o quadro de pacientes que necessitam de tratamento psiquiátrico. “Isso se deve à antecipação de um futuro incerto, ao medo de pegar a doença e de sofrer consequências graves, além de grandes períodos de isolamento social e de sedentarismo”, explica Leandro Paulino da Costa, psiquiatra do Hospital Santa Virgínia (São Paulo – SP).
O especialista dá orientações práticas para o controle do estresse na pandemia, que é o melhor caminho para manter a saúde mental. Inspire-se no Dia Mundial de Combate ao Estresse, celebrado neste 23 de setembro, e comece a colocar essas ações na sua rotina:

Faça atividades físicas
Tente manter uma rotina de exercícios com atividades que são prazerosas para você. A atividade física ativa a liberação de hormônios e neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar e relaxamento.

Reserve momentos para relaxar
Inclua no seu dia a dia alguns momentos de lazer, que trazem prazer e ajudam a relaxar, desativando os circuitos produtores de sintomas de estresse.

Viva o agora
Exercícios de meditação são uma forma de treinar o foco da mente no presente. Um dos mais conhecidos é o mindfulness, técnica que consiste em direcionar a atenção a partes específicas do corpo, sensações táteis ou à respiração. Quando nos concentramos no agora, evitamos que a mente entre no modo stand-by ou de ruminação, que é uma grande fonte de ansiedade e estresse.

Fale sobre os seus sentimentos
A psicoterapia é uma ótima forma de prevenir o estresse, pois favorece o autoconhecimento e nos ajuda a trabalhar questões cotidianas. Ao aceitar nossas limitações, o grau de cobrança e de culpa pode diminuir, contribuindo para reduzir os níveis de estresse.

Conecte-se com o que te faz bem
Use a tecnologia a seu favor para se conectar com pessoas queridas e cultivar laços afetivos saudáveis e positivos.

Coma bem e descanse
Procure dormir, pelo menos, sete horas por noite. A privação de sono causa irritabilidade, diminuição de atenção e concentração – o que agrava o estresse. Dê preferência a alimentos naturais e evite os industrializados, muito gordurosos e ricos em sódio.

Mas afinal, o que é o estresse?
O psiquiatra Leandro Paulino da Costa explica que o estresse, em si, não é uma doença, mas uma reação natural do organismo que ajuda a nos proteger de situações de perigo – por exemplo, um animal feroz se aproximando.
Neste momento, diversas alterações ocorrem em nosso corpo, elevando o estado de alerta e nos preparando para atacar ou fugir. Há o aumento da frequência cardíaca e da tensão muscular, ocorre a dilatação das pupilas e a respiração fica mais ofegante. Depois de um tempo, quando nos sentimos seguros, tudo volta ao estado normal.
Porém, no ritmo de vida atual – com muitas horas de trabalho, competitividade, cobranças e, agora, uma pandemia –, ficamos em estado de tensão constante, ativando os circuitos de estresse e produzindo vários sintomas incômodos, que podem aumentar o risco de doenças psiquiátricas. No longo prazo, esse quadro pode predispor a uma série de doenças como Síndrome de Burnout, depressão, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, entre outros.
A boa notícia é que existe tratamento para todas elas, envolvendo o acompanhamento psicoterápico e, quando necessário, o uso de medicamentos.

Principais sintoma de estresse
Caso algum dos sintomas abaixo persista por mais de duas semanas e comece a afetar a sua qualidade de vida, o convívio social ou o desempenho no trabalho, é importante procurar um especialista para avaliação:

– Alteração de humor
– Perda de prazer em atividades
– Falta de energia
– Dificuldade de concentração
– Dor de cabeça
– Insônia
– Sintomas adrenérgicos (sensação de falta de ar e palpitação)
– Pensamentos ruminativos (por exemplo, excesso de preocupação com as contas a pagar, problemas no trabalho e familiares…)

Como a pandemia pode afetar a saúde mental das crianças

Crianças também podem sofrer com o isolamento e as incertezas do período da pandemia de covid-19, pois têm na rotina e na interação social pilares de seu desenvolvimento. O portal entrevistou o psicólogo do Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba-PR), Bruno Mader, que falou das possíveis consequências da pandemia para a saúde mental das crianças e como os pais podem identificar sinais de depressão e ansiedade nos filhos. Confira:

Como o isolamento pode afetar saúde mental de crianças?
A rotina está diretamente ligada ao desenvolvimento das funções cognitivas e à organização psíquica das crianças. Quando temos interrupções bruscas nessa rotina, isso atrapalha um pouco o desenvolvimento e é preciso buscar uma reorganização – o que dá um certo trabalho. No começo da pandemia, eram comuns relatos de pais dizendo que a criança regrediu, ficou mais irritada, mais respondona ou mais quietinha.
As crianças também se desenvolvem no contato com adultos, que não sejam os pais, e com outras crianças. No convívio entre as crianças, as noções de regras e de convivência são diferentes, pois não têm a mediação do adulto. E ali elas vão vivenciar mais situações imprevistas. Isso é muito importante para que percebam seus limites e as consequências das suas ações. A criança também precisa de um espaço de vivência longe dos pais para poder experimentar coisas e desenvolver uma certa autonomia. Com a pandemia, elas estão privadas disso tudo.

Nas crianças, ansiedade, depressão e estresse se manifestam da mesma maneira que nos adultos?
Não, é diferente. De modo geral, elas ficam um pouco mais infantilizadas. No seu desenvolvimento, a criança começa a coordenar novas formas de ver o mundo – o que é um pouco fascinante e, ao mesmo tempo, assustador. Então, quando isso fica muito assustador, elas dão um passo atrás no desenvolvimento, para uma fase que ela já conhecia. Vai ser comum voltar a fazer xixi na calça, começar a ficar infantilizada, irritada, respondona, ficar agarrada e pedindo colo para os pais.

Quais seriam os sinais de alerta para os pais de um possível quadro de depressão ou ansiedade?
Precisamos observar quando tem uma mudança de comportamento com relação a como a criança é normalmente. Se ela é uma criança falante e passa a ficar quietinha demais, a gente tem um problema. Se é uma criança um pouco mais quieta, mais organizada, mais introspectiva, mas deixa de fazer essas coisas, aí a gente pode ter um problema também. Vamos pensar nessa coisas que ela fazia e deixa de fazer, e comportamentos de manha ou de mudanças nos hábitos alimentares, de ir ao banheiro e de sono. Esse tipo de coisa deve chamar a atenção dos pais.

Quando identificado algum desses sinais, o que os pais devem fazer?
Primeiramente, tentar descobrir o que causou essas mudanças no comportamento: se foi o isolamento da pandemia ou se há alguma outra coisa acontecendo. Em seguida, os pais devem pensar em atividades que sejam prazerosas e estimulantes para a criança. Claro que existem as atividades de lazer, brincadeiras em casa, desenhar etc. Mas temos que lembrar que nem toda atividade precisa ser de distração, de entretenimento – porque os pais, obviamente, não são animadores de plateia, eles são pais.
Uma coisa que ajuda é estabelecer com o filho pequeno os horários. Tem o horário dos pais trabalharem e o horário de estar junto. No horário de brincar e estar junto, os pais devem largar o celular, o computador e ficar com os filhos, para garantir esse tempo com eles.
Também pode pedir para o filho ajudar a lavar a louça, por exemplo, para poder estar perto dos pais. Se vão limpar a casa, dar alguma atividade simples para as crianças. Aqui, mais importante do que o resultado é o processo de integrar os filhos nessa nova rotina dentro de casa. Assim, eles poderão se orientar e se educar sobre os horários: quando podem estar junto dos pais e quando não, o horário que podem demandar e o horário que o pai ou a mãe não vão responder.

Como os pais podem ajudar os filhos a passar por esse período de isolamento e incerteza?
Além de criar uma nova rotina para as crianças dentro desse contexto novo, é importante observar que elas vão precisar de atividade física, mesmo que você more em um apartamento. Pular corda, dar uma volta na quadra, ir a uma praça mais isolada – é importante para elas gastarem energia. E misturar isso com atividades projetivas: desenho, pintura, contar histórias.
O celular e a TV podem ser aliados nesse processo, mas eles não devem ter exclusividade dentro da nova rotina. É preciso existir outras possibilidades de atividade para o tempo que a criança terá enquanto os pais estão trabalhando, por exemplo. É importante também conhecer o que o filho ou a filha está acessando. Os pais precisam ajudar na escolha dos desenhos, por exemplo, pois uma criança ainda não tem maturidade para isso, especialmente dentro do universo de ofertas da internet.

Doação de sangue em tempos de Covid-19

No mês em que se comemora o Dia Mundial do Doador de Sangue (14/6), os responsáveis pelos hemocentros dos hospitais pedem aos doadores para que voltem a fazer coletas regulares. E acrescentam que os hospitais estão preparados para recebê-los com toda segurança em relação à covid-19. 

“Em meio à pandemia do coronavírus e com o movimento de isolamento social, nós tivemos uma queda importante do número de doadores de sangue — todos os hospitais do Brasil estão passando por isso”, afirma o hematologista e presidente do Comitê Transfusional do Vera Cruz Hospital (Campinas – SP), Gustavo de Carvalho Duarte.

“Agora, com a volta das cirurgias eletivas e dos tratamentos que não podem mais ser adiados, existe uma demanda maior por transfusões de sangue e, com isso, necessitamos que os doadores retomem suas atividades de doação de sangue regular”, prossegue.

Os bancos de sangue se prepararam para este momento, com medidas que garantem a segurança dos doadores no contexto da pandemia — como agendamento de doações, maior espaço entre as pessoas, equipamentos de proteção individual, coletas em locais espaçosos e, claro, utilização de máscaras e álcool em gel. “É um processo seguro, e os doadores vão poder ajudar pessoas que estão precisando muito.”

Mobilização

“Assim como enfrentamos a letalidade do vírus e a escassez de leitos de terapia intensiva, temos que entender que se não houver uma mobilização social promovendo a doação de sangue, teremos um grande adversário pela frente”, diz Duarte. 

 Segundo o hematologista, a cada dez segundos, uma unidade de sangue é transfundida no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para atender a todos os pacientes que precisam de sangue, seriam necessárias doações regulares de aproximadamente 4% da população. 

“Em um primeiro olhar este número parece algo fácil de ser atingido, mas a realidade não é bem esta. Atualmente, no Brasil, somente 1,6% da população faz doações de sangue regular. Este descompasso nos coloca em uma situação perigosa, na qual podem existir pessoas precisando de sangue, e os bancos sem sangue para atendê-las”, afirma.

Doenças cardíacas: atendimentos diminuem e medo da covid-19 pode impactar nas taxas de mortalidade

Os hospitais que atendem pacientes cardiopatas registraram queda nas demandas de urgência com a chegada da pandemia de covid-19. O medo de se infectar ao procurar ajuda médica é uma das razões apontadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Porém, a demora desses pacientes em buscar atendimento nas emergências é uma postura arriscada e que pode refletir no aumento da mortalidade desse tipo de doença, que é uma das que mais mata no país, segundo o presidente da SBC, Marcelo Queiroga.

Em entrevista ao portal, Queiroga aponta os sintomas que precisam de assistência médica imediata, e que devem ser observados pelos pacientes. “É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo”, completa. Leia a entrevista completa abaixo:

Houve redução de atendimento a pacientes cardiopatas pelo medo de irem aos hospitais por causa da covid-19?

Marcelo Queiroga: A pandemia do novo coronavírus tem reduzido atendimentos cardiológicos de urgência em o todo o país. Somente no hospital em que atuo, na Paraíba, costumávamos atender 16 mil pacientes por mês na emergência. Hoje, não ultrapassamos 3 mil atendimentos mensais.

No Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), uma das principais referências de serviços de saúde do Brasil, a redução das angioplastias primárias em março deste ano foi de 50%, quando comparada com o mesmo período de 2019. A média mensal é de 40 casos; mas nos primeiros 13 dias de abril, apenas nove procedimentos foram realizados. 

Esses dados são um indicativo de que podemos ter impacto nas taxas de mortalidade. Ainda não há informações consolidadas e nem uma explicação única sobre essa diminuição. As hipóteses vão desde a possibilidade de estar havendo, de fato, uma diminuição das ocorrências, até a teoria mais plausível, de que as pessoas estão retardando a busca por socorro durante a pandemia, o que pode agravar o quadro cardíaco ou levar à morte repentina em casa. Há também a hipótese dos riscos competitivos.

O fato é que as pessoas não estão chegando às emergências, mas vão continuar morrendo de causas cardíacas. A covid-19 é um fator complicador. O medo pode atrasar a busca por socorro e complicar as doenças cardiovasculares agudas e crônicas.

Quais as consequências futuras para estes pacientes que estão deixando de procurar assistência agora por medo do coronavírus?

Marcelo Queiroga: A demora dos pacientes portadores de doenças cardiovasculares em buscar atendimento nas emergências pode refletir em aumento da mortalidade. Ao procurar ajuda somente na última hora, esses pacientes assumem uma postura considerada arriscada para quem tem a doença que mais mata no país. O problema é grave porque essas doenças, principalmente o infarto, foram responsáveis por cerca de 30% de todas as mortes em 2017, segundo divulgamos em nosso Cardiômetro. Foram 383.961 óbitos por doença cardiovascular naquele ano no Brasil. É um problema de saúde pública que agora é agravado pela pandemia de covid-19, especialmente pelos riscos competitivos.

Quais sintomas não podem ser ignorados por pacientes cardiopatas e que são sinal de que precisam buscar ajuda médica imediatamente?

Marcelo Queiroga: A dor ou desconforto na região do peito, podendo irradiar para as costas, rosto, braço esquerdo e, mais raramente, o braço direito, é o principal sintoma do infarto. Esse desconforto costuma ser intenso e prolongado, acompanhado de sensação de peso ou aperto sobre tórax, com suor frio, palpitações, palidez e vômitos. 

Os portadores de doenças cardiovasculares precisam procurar o médico e as emergências, como faziam anteriormente à pandemia, caso tenham esses sinais de alerta para o infarto do miocárdio. A demora em procurar o atendimento médico de emergência pode levar à morte.

Como os pacientes podem seguir com seus tratamentos em segurança?

Marcelo Queiroga: É muito importante que os pacientes cardiopatas tomem todos os cuidados para evitar a infecção pelo novo coronavírus, já que a letalidade da covid-19 é maior quando há essa comorbidade. Além disso, eles jamais devem abandonar seus tratamentos, mantendo o uso regular de seus medicamentos conforme prescrição médica e fazendo mudanças apenas com orientação, uma vez que a suspensão abrupta dos esquemas terapêuticos em uso pode causar instabilidade clínica e desfechos adversos. É a hora, também, de todos se atentarem para a prevenção, adotando uma alimentação balanceada, eliminando o tabagismo e reduzindo o sedentarismo.

Os pacientes cardíacos são portadores de doenças crônicas e se, porventura, contrair a infecção pelo novo coronavírus, também devem continuar tomando os medicamentos que utilizam para o tratamento da doença cardíaca. Só deve fazer modificação com orientação do seu médico.    

Como os hospitais têm garantido a segurança dos atendimentos não-covid?

Marcelo Queiroga: Os atendimentos de urgência e emergência nos hospitais e unidades de saúde continuam normais em todas as especialidades. Este tipo de atendimento não pode parar. Uma mudança importante nos hospitais e unidades de saúde foi a separação dos pacientes com sintomas respiratórios dos demais. A classificação deve ser feita logo na porta de entrada, onde um profissional deve oferecer máscara e direcionar os pacientes com sintomas respiratórios para uma área isolada.

Já os pacientes sem sintomas respiratórios devem ser direcionados para outra sala para receber atendimento e outros procedimentos, sem cruzar com os que têm sintomas respiratórios. Dessa forma, busca-se proteger os pacientes, proporcionar o atendimento mais eficiente e mais seguro a todos e garantir que as pessoas não fiquem sem assistência ou acompanhamento médico por medo da pandemia.

#SuaSaúdeNaPandemia: sintomas de nariz e garganta que precisam de atenção médica

Por causa da pandemia, muitas pessoas pensam duas vezes antes de procurar o hospital quando notam que algo não vai bem na saúde. Para sintomas gripais e relacionados à covid-19, é importante, sim, observar a evolução do quadro em casa e procurar atendimento médico se os sintomas se agravarem – além de febre, falta de ar e tosse, vale também observar se há perda de olfato e paladar.

Mas há outros sinais relacionados a nariz e garganta que, se não forem tratados rapidamente, podem representar um risco maior para o paciente. Abaixo você confere uma lista de sintomas elaborada pelos especialistas em otorrinolaringologia da Rede Mater Dei (MG) que são um sinal de que é preciso ir ao hospital: 

  • Dor de garganta com mais de dois dias de evolução com febre
  • Secreção amarelada no nariz por mais de sete dias
  • Rouquidão por mais de cinco dias ou com falta de ar
  • Sangramento nasal
  • Corpo estranho no ouvido e/ou nariz
  • Dor nos dois ouvidos
  • Perda da audição de início súbito
  • Dor de ouvido com febre em menores de 2 anos de idade
  • Paralisia da musculatura da face
  • Inchaço ou vermelhidão na região ao redor dos olhos
  • Tonteira de início repentino
  • Inchaço da orelha com ou sem dor

 

Sintomas que não podem esperar

A vice-presidente assistencial e operacional da Rede, Márcia Salvador Géo, alerta que nem tudo o que é eletivo na saúde pode, necessariamente, ser adiado. “Temos recebido em nossos prontos-socorros pacientes com doenças em estágio avançado e que se agravam devido à demora em vir para o hospital por medo de uma possível contaminação por coronavírus. Cirurgias adiadas também trazem risco de uma deterioração do quadro clínico, com um risco maior para o paciente. E aqui vai outro alerta: nem tudo que é eletivo pode ser adiado”, afirma. 

A médica ressalta que a Rede Mater Dei de Saúde criou fluxos diferentes nos seus hospitais para receber cada tipo de paciente. São entradas e elevadores diferentes, guichês de atendimento, protocolos ainda mais rígidos, tudo para que os clientes tenham a segurança necessária e qualidade no atendimento, afirma Márcia Salvador. 

“Hoje, os hospitais já têm protocolos e fluxos separados para pacientes com sintomas gripais, casos suspeitos e/ou confirmados do coronavírus, além de outros fluxos para quem precisa frequentar o hospital”, explica. 

“Na prática, são entradas e espaços físicos e equipes de atendimento separados. Com certeza, hoje, não há risco de contágio intra-hospitalar nas unidades da Rede Mater Dei de Saúde. Sem dúvida, vir a um hospital é mais seguro do que a maioria dos ambientes comerciais e sociais. Aqui, além da separação total de casos suspeitos ou positivos, toda a comunidade usa máscara cirúrgica ou N95 e tem álcool gel acessível em todos os locais”, completa.

Outras ferramenta que a Rede tem usado no atendimento aos seus pacientes é a Telemedicina Mater Dei, que possibilita a realização de consultas e orientação com clínico geral, ginecologista, obstetra e pediatra pela internet.

#SuaSaúdeNaPandemia: a importância de manter tratamentos oncológicos e exames diagnósticos de câncer

Com o início da pandemia de coronavírus, o medo de se contaminar com a doença nos serviços de saúde tem levado pacientes com doenças graves, como o câncer, a suspenderem seus tratamentos. Também estão sendo adiados exames que poderiam resultar na descoberta precoce de um tumor, por exemplo, o que aumentaria as chances de cura. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) alerta para uma queda de 70% a 80% no diagnóstico de câncer por cancelamento de exames pelos próprios pacientes nos meses da pandemia.

O portal Saúde da Saúde conversou com o coordenador da equipe de oncologia do Hospital Vera Cruz de Campinas (SP), Paulo Eduardo Pizão, que explicou quais são as diretrizes internacionais para a manutenção do tratamento de pacientes oncológicos durante a pandemia. Ele apontou uma preocupação da comunidade médica para o possível represamento de casos câncer, que agravaria ainda mais o funcionamento dos sistemas de saúde no mundo todo.

Quais os principais riscos para um paciente oncológico que decide parar o tratamento por medo de se infectar com Covid-19 no hospital? 

Essa pandemia é uma situação que a medicina mundial considera inédita, e todos estamos ainda aprendendo com esses primeiros meses. Os casos têm demonstrado que o paciente oncológico que desenvolve a forma grave da Covid-19 tem uma chance maior de evolução desfavorável. É importante, obviamente, que o paciente esteja ciente disso. Porém, vamos lembrar que é apenas uma minoria que se contamina com o vírus e que desenvolve uma forma grave de insuficiência respiratória e da infecção. Então, não faz sentido abandonar o tratamento oncológico, deixar de fazer o controle do câncer por causa dessa possibilidade menor de desenvolver um quadro grave da Covid-19. Esclarecemos aos nossos pacientes que é importante, sim, manter o tratamento para controlar o câncer.

Muito importante, neste sentido, é o esclarecimento e o diálogo com o paciente. Há tanta informação disponível na internet, na televisão, que muitos ficam realmente confusos. Por isso, a equipe médica deve estar sempre disponível para tirar dúvidas não só dos pacientes, mas também dos familiares.

Quais são as orientações para os pacientes oncológicos durante a pandemia? 

Para quem está em vigência de tratamento – fazendo quimioterapia ou com cirurgia prevista, por exemplo – seguimos diretrizes internacionais e procuramos manter o tratamento, e não adiar. Esclarecemos para esses pacientes a importância de manter o cronograma, ao mesmo tempo em que tomamos todas as medidas no sentido de reforçar a educação sobre a necessidade da higiene das mãos, das medidas de distanciamento social etc. 

Além disso, no ambiente da clínica onde são realizados os atendimentos foram tomadas medidas no sentido de reforçar a higienização de superfícies e aumentar a distância entre as poltronas – não só da sala de quimioterapia, mas também na espera.

 Para os pacientes que já passaram pelo tratamento com objetivo de cura e que estão bem, assintomáticos e com exames bons, nós demos a opção de adiar o retorno de consultas e exames para a partir de agosto. Essa decisão também segue diretrizes internacionais, e o paciente que, por qualquer motivo, decidiu manter a consulta para agora, foi atendido. 

E para os pacientes em processo de diagnóstico, que precisam fazer vários exames, qual a recomendação? 

Estamos esclarecendo que, quando há uma suspeita de diagnóstico de câncer e indicação de exame de imagem, ou de uma endoscopia ou mesmo de uma biópsia, esses exames não estão sendo adiados. 

O risco do agravamento de uma doença como o câncer pode ser maior do que o risco do coronavírus? 

Sim. Inclusive, temos conversado com colegas fora do Brasil e existe uma preocupação a nível mundial de que, se não tomarmos cuidado, vamos viver dois problemas. O primeiro é a pandemia em si. E o segundo pode ser causado pelo adiamento desses diagnósticos de câncer, levando, talvez, a um represamento dos casos e até ao prejuízo do paciente por não ter um diagnóstico precoce. A orientação é que todo esforço seja feito no sentido de não deixar que esse segundo problema venha agravar ainda mais a questão do funcionamento dos sistemas de saúde no mundo todo.

Existe um fluxo de atendimento diferente para os pacientes com suspeita de Covid-19 no hospital? 

Sim. Nosso complexo hospitalar tem uma situação que considero privilegiada. Estamos em Campinas, onde a Rede Vera Cruz dispõe de dois hospitais: a Casa de Saúde e o Hospital Vera Cruz. Nesse momento, o Hospital Casa de Saúde foi designado como referência para Covid-19. Todos os pacientes oncológicos com sintomas respiratórios suspeitos de contaminação pelo vírus são orientados a entrar em contato conosco e, se for o caso, são direcionados a esse hospital – onde seguimos um protocolo específico para casos de coronavírus. Então, pacientes com suspeita da doença nem chegam a entrar na clínica onde são realizados atendimentos oncológicos, que é uma unidade separada dos dois hospitais.