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Efeito El Niño propicia casos de dengue no inverno

Normalmente não damos muita atenção à previsão do tempo nos noticiários, a não ser para descobrir se precisamos levar ou não um guarda chuva ao sair. Por isso mesmo, deixamos passar informações importantes, como a recorrência do efeito El Niño nos últimos anos – que influencia muito mais do que simplesmente saber se vai chover.

Diversas mudanças climáticas são desencadeadas pelo aquecimento global, e o El Niño é uma delas. O efeito consiste, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, na oscilação positiva da temperatura das águas do Oceano Pacífico. Nele, as águas são normalmente mais geladas que o Atlântico, o que propicia a entrada de frente fria na América do Sul. Com águas mais quentes, a entrada de ar polar é prejudicada. Mas como isso afeta a sua vida?

El Niño: mais calor, mais mosquitos

A lógica é simples: menos frio equivale a mais calor, o que equivale à proliferação do Aedes Aegypti em meses não usuais, como a temporada de inverno. “No inverno deveria haver uma queda de casos de dengue”, explica o Dr. Manuel Palácios, infectologista do Hospital Anchieta, “mas o El Niño faz com que o inverno não seja tão frio: o ar fica um pouquinho mais quente e isso já favorece o aumento da população de mosquitos e a disseminação da doença”.

As áreas mais afetadas são o Sul e o Sudeste. Nessas regiões, o El Niño, além de impedir a entrada de ar frio, favorece as chuvas, o que cria as condições ideias para a proliferação do mosquito: clima quente e úmido. O Dr. Manuel explica, ainda, que o aumento dos casos de dengue no inverno já tinha sido previsto: “Nós também tivemos o El Niño em 2015, 2016, e desde então os especialistas já nos falavam que teríamos que nos preparar para um surto em 2019 e 2020, que é o que está acontecendo”. A proliferação do Aedes Aegypti é alarmante, o infectologista explica que “é algo que já devia ter sido evitado, e agora precisamos nos prevenir, pois o aumento de casos comuns da doença propicia o aumento de casos mais graves, como a dengue hemorrágica”.

Prevenção deve ser mantida mesmo no inverno

Os alertas do Dr. Manuel nos levam aos cuidados básicos que já conhecemos sobre a dengue: não deixar água limpa parada, fechar muito bem a caixa d’água e outras atitudes preventivas que evitam a procriação do mosquito – e não descuidar desses detalhes mesmo no inverno. 

A professora de Educação Física Kirtty Bruzzighello, 45, teve dengue duas vezes e sabe muito bem da importância de fazer sua parte na prevenção. “Eu tive febre e uma dor no corpo horrível”, lembra Kirtty, que teve os sintomas junto com as irmãs que vivem na mesma casa, na Zona Sul de São Paulo. “Aqui tem muita casa com piscina, e eu acredito que isso fez ter casos na região”, opina.

Hoje, Kirtty e a família fazem sua parte para prevenir a procriação do mosquito da dengue, e ela afirma que não usam nem pratinho com areia desde que ela e outras pessoas na rua passaram pelo mesmo. “Já até ligamos para a prefeitura resolver a situação de uma casa com foco de dengue, mas que estava fechada”, lembra, “mas infelizmente prevenir ou não é uma atitude da pessoa, de caráter”, completa.

Atenção redobrada aos sintomas

Antes de ir ao médico, Kirtty acreditou que estava com uma gripe forte: “quando eu cheguei lá, o médico fez um teste e acusou dengue”. De fato, os sintomas são considerados “comuns”, e facilmente confundidos outras doenças mais simples, como resfriados, gripes e afins.  “Ao chegar no médico com os sintomas”, explica o Dr. Manuel, “a pessoa será submetida a um teste rápido. Em caso positivo, é medicada. Em caso negativo, é mantida em observação até o quarto dia, quando o teste completo acusa definitivamente a dengue ou não”. 

Para tanto, é preciso ficar atento aos sinais que o corpo pode apresentar em caso de suspeita de dengue, como febre alta que não abaixa com facilidade, dores no corpo, manchas avermelhadas, náuseas e vômitos. Aos primeiros sintomas, mesmo que manifestados no inverno, a consulta médica não deve ser descartada.

Conheça as 10 principais ameaças à saúde em 2019

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista com as 10 principais ameaças à saúde em 2019, ano em que a entidade publicará o novo plano estratégico para ampliar o acesso à saúde de qualidade em todo o mundo. Na relação, estão presentes doenças que são preveníveis por vacinação, altas taxas de obesidade infantil e sedentarismo, bem como os impactos à saúde causados pela poluição do ar, pelas mudanças climáticas e pelas crises humanitárias.

De acordo com OMS, as ameaças à saúde que vão demandar mais atenção da organização e de seus parceiros neste ano são:

Poluição do ar e mudanças climáticas

Segundo a OMS, nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído todos os dias. Os poluentes microscópicos acabam penetrando nos sistemas respiratório e circulatório, causando sérios problemas para os pulmões, coração e cérebro. A consequência disso é a morte prematura de 7 milhões de pessoas por doenças como câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardiovasculares e pulmonares.

Doenças crônicas não contagiosas

De acordo com dados da entidade, doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, causam 70% de todas as mortes no mundo, ou seja, o proporcional a 41 milhões de pessoas. Problemas como má alimentação, tabagismo e sedentarismo também contribuem para o aumento de casos de doenças crônicas.

Pandemia de influenza

O comunicado da OMS contém a seguinte frase: “O mundo vai enfrentar outra pandemia do vírus influenza. Só não sabemos quando ou quão severa ela será”. O que ainda não é certo é quando chegará e a dimensão da gravidade. A OMS monitora constantemente a circulação dos vírus, avaliando os casos existentes e, a partir daí, recomenda adaptações anuais na vacina contra a gripe.

Cenários de fragilidade e vulnerabilidade

Mais de 1,6 bilhão de pessoas vivem em locais com pouquíssima infraestrutura, de acordo com dados da entidade. Do ponto de vista humanitário, esse é um grande drama mundial. Nesse contexto, praticamente 50% das metas de desenvolvimento sustentável, considerando saúde infantil e materna, permanecem sem ser cumpridas.

Resistência antimicrobiana

A OMS informa que o uso excessivo de antibióticos, tanto em seres humanos como em animais de corte acaba ocasionando o surgimento de superbactérias que não são vencidas com tratamentos convencionais. Essa resistência ameaça a humanidade a voltar a uma época em que era possível tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose.

Ebola

A República Democrática do Congo passou por dois surtos de ebola em 2018. O problema se espalhou e atingiu cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Em dezembro do mesmo ano, representantes da saúde pública, saúde animal, transporte e turismo solicitaram à OMS que considere 2019 o “ano de ação sobre a preparação para emergências de saúde”.

Atenção primária

Muitos países não possuem instalações de atenção primária de saúde adequadas. Um atendimento eficaz é capaz de afastar e reduzir o risco de uma série de doenças, além de identificar outras.. No entanto, a OMS declara que muitos países dão pouca atenção para essas consultas mais preventivas e trata esse fato como prioridade para melhorias.

Vacinação

Evitar se vacinar por medo ou relutância é algo que ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças que seriam evitáveis por imunização. Há a situação do sarampo, por exemplo, que teve aumento de 30% nos casos em todo o mundo. “[A vacina] é uma das formas mais custo-efetivas para evitar doenças – atualmente, previnem-se cerca de 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano”, informa a OMS.

Dengue

A OMS tem como objetivo reduzir pela metade as mortes por dengue até 2020 . A grande barreira é ausência de trabalho comunitário árduo. A entidade acredita que a doença vai continuar provocando grandes prejuízos.  A estimativa é que 40% de todo o mundo esteja em risco de contrair o vírus – cerca de 390 milhões de infecções por ano.

HIV

A entidade alerta que a epidemia de Aids segue se espalhando pelo mundo. Aproximadamente 1 milhão de pessoas morrem por HIV/aids a cada ano. Atualmente, cerca de 37 milhões vivem com HIV no mundo. Um grupo cada vez mais afetado são as adolescentes e as mulheres jovens (entre 15 e 24 anos), que representam uma em cada quatro infecções por HIV na África Subsaariana.