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Hipertensão e Covid-19: pressão alta aumenta o risco de morte na pandemia

A hipertensão arterial atinge cerca de 25% da população adulta no Brasil – ou seja, entre 35 e 40 milhões de pessoas

Além de estar entre os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial exige atenção durante a pandemia por também estar associada a uma maior incidência de complicações e mortes em casos de infecção pelo novo coronavírus. Apesar dessa relação apontada por estudos científicos, muitos pacientes têm retardado ou até abandonado o tratamento com receio de frequentar consultórios médicos e ambientes hospitalares.

Responsável direta ou indiretamente por metade das mortes por doenças cardiovasculares no mundo, a hipertensão atinge uma média de 25% da população adulta no Brasil – entre 35 e 40 milhões de pessoas – e responde por cerca de 350 mil óbitos anuais, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). Crônica e multifatorial, a hipertensão é a principal causa também de 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC).

“No caso da Covid-19, os hipertensos podem ter mais chances de complicações pela forma grave da doença, com maior risco de morte. Por isso, é importante que o paciente mantenha o acompanhamento de rotina e não interrompa por conta própria o uso de medicamentos”, orienta o cardiologista Eduardo Darzé, diretor-geral do Hospital Cárdio Pulmonar, de Salvador.

“Além do AVC, a hipertensão não tratada é também um importante fator de risco para infarto, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, com necessidade de diálise, e formação de aneurismas”, enumera o médico.  Ele lembra que apenas os hipertensos graves ou que apresentam complicações da doença integram os grupos prioritários de pacientes com comorbidades na fila da vacinação contra a Covid-19 na capital da Bahia.

Novos parâmetros

Diante da importância da doença como uma das principais causas de morte no mundo, especialistas têm se debruçado sobre o tema. No final de 2020, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou dados e lançou a nova edição da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (DBHA), que altera padrões para diagnóstico e tratamento.

Uma das mudanças está ligada a valores de referência para a detecção da doença pela monitorização residencial da pressão arterial (MRPA). A diretriz passou a considerar hipertensão arterial quando as medidas realizadas em casa são iguais ou superiores a 130 mmHg por 80 mmHg. “Antes, o parâmetro para hipertensão era igual ou maior que 135 mmHg por 85 mmHg pela MRPA. Na avaliação em consultório, os valores de referência continuam 140 mmHg por 90 mmHg”, explica Darzé.

O documento da SBC ainda considera como pressão “normal ótima” a que registra números abaixo de 120 mmHg por 80 mmHg. A faixa entre 120 e 129 mmHg e 80 e 84 mmHg é considerada “normal”, mas não ótima e deve ser acompanhada por um especialista. “É fundamental que o paciente tenha em vista a importância das avaliações para detecção precoce da hipertensão, assim como as consultas de acompanhamento para os já diagnosticados”, orienta.

Darzé reforça que a prevenção contra a hipertensão e o controle da doença partem de hábitos saudáveis, que incluem uma dieta com baixo teor de sal, a manutenção do peso ideal, moderação no consumo de álcool, prática de atividades físicas e não fumar.

Dieta cardioprotetora: entenda quais alimentos fazem bem ao coração – e quais é melhor reduzir ou evitar

Fator de risco para diferentes tipos de doenças, das cardiovasculares ao câncer, a obesidade não para de crescer. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de obesos na população acima de 20 anos mais que dobrou no Brasil entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para 26,8%. Nas mulheres, o índice subiu de 14,5% para 30,2% e, nos homens, de 9,6% para 22,8%, nesse período. Uma alimentação balanceada, adaptada à cultura brasileira, pode ser a chave para combater a obesidade e prevenir, em especial, problemas cardíacos.

“O segredo da alimentação cardioprotetora não é restringir o cardápio, mas estimular o consumo balanceado de alimentos mais ou menos cardioprotetores. Alguns promovem maior redução do peso, colesterol e glicemia, enquanto outros, se consumidos em excesso, podem levar ao aumento do colesterol, por exemplo”, explica Ângela Bersch, nutricionista e pesquisadora do maior estudo de nutrição clínica já realizado no Brasil pelo HCor, de São Paulo.

A Alimentação Cardioprotetora Brasileira foi criada pelo Instituto de Pesquisa e pela equipe de nutrição do HCor, em parceria com o Ministério da Saúde. O modelo do programa é inspirado na dieta mediterrânea, que preconiza o consumo de peixes, azeite de oliva e vinho. Mas o cardápio abrange opções acessíveis à população brasileira, considerando diferenças regionais e culturais.

Modelo da bandeira

Nesse programa, os alimentos são divididos em grupos, de acordo com as cores da bandeira do Brasil. Frutas, verduras, legumes, feijão, leite e iogurte desnatado, por exemplo, estão no grupo verde, a cor mais presente na bandeira. São considerados os alimentos mais cardioprotetores, ou seja, que contêm nutrientes que protegem o coração, como antioxidantes, fibras, vitaminas e minerais, bem como não têm quantidades elevadas de calorias, gorduras, sal e açúcar.

Já o grupo amarelo, segunda cor mais presente na bandeira brasileira, reúne alimentos que devem ser consumidos com moderação, por se tratarem de alimentos com mais calorias, mas que fornecem energia para o dia a dia. Estão nesse grupo alimentos como macarrão, pães e óleos.

Por fim, no grupo azul, menos presente na bandeira, estão os alimentos que têm mais gordura saturada, colesterol e sódio, e que devem ser consumidos em menor quantidade ao longo do dia. Nele, estão as carnes, ovos, manteiga, queijos e doces caseiros, como pudim e brigadeiro.

Os alimentos ultraprocessados compõe o grupo vermelho – cor ausente na bandeira. São produtos que passam por uma série de modificações industriais e levam em sua formulação ingredientes como edulcorantes, conservantes e estabilizantes, além de elevadas quantidades de açúcar e sal. O consumo desses alimentos não é recomendado e está associado ao ganho de peso e a impactos negativos para saúde no longo prazo.

Saiba mais
Está disponível no YouTube um debate intitulado Alimentação Cardioprotetora na Prevenção e no Tratamento da Obesidade, com a participação de especialistas. Assista em bit.ly/dietacardio

Fonte: edição do texto original do HCor.

Saiba como o controle do colesterol reduz riscos de doenças cardiovasculares

O dia 8 de agosto é celebrado como Dia Nacional de Combate ao Colesterol. O objetivo da data é conscientizar sobre a prevenção desse tipo de gordura que, embora tenha função importante no organismo, em excesso pode prejudicar o sistema cardiovascular, principalmente, com a obstrução de vasos sanguíneos no coração e no cérebro. Por isso, o controle do colesterol é essencial para identificar riscos de doenças cardíacas e deve ser feito, pelo menos uma vez ao ano, por meio de um simples exame de sangue.

Antonio Carlos Chagas, cardiologista do Hospital do Coração – HCor, detalha o que é o colesterol e qual é sua função no corpo humano. “O colesterol é um tipo de gordura existente no organismo, que auxilia na produção de hormônios como estrógeno, testosterona, cortisol e ácidos biliares. Mais da metade do colesterol é produzido pelo organismo o restante vem da alimentação e se esta estiver desequilibrada pode aumentar os níveis desta gordura no sangue”, explica.  Embora importante, a presença excessiva de colesterol estimula a formação de placas de gordura nas paredes das artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo.

As Doenças Cardiovasculares (DCV), que podem aparecer quando o nível de colesterol está alto, representaram mais de 30% dos óbitos no mundo, e em países em desenvolvimento, como o Brasil, contabilizam mais de três quartos das causas de morte, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento no índice de colesterol é mais comum nas mulheres (25,9%) do que nos homens (18,8%), de acordo com a Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Tipos de colesterol
Existem dois tipos de colesterol. O LDL (lipoproteína de baixa densidade), que é conhecido como “mau colesterol” e o HDL (lipoproteína de alta densidade), conhecido como “bom colesterol”. O LDL é responsável por levar um pouco de triglicerídeos (tipo de gordura presente no sangue) do fígado e do intestino para os tecidos. E o HDL faz o caminho inverso, removendo o excesso de colesterol dos tecidos e levando para o fígado.

O LDL descontrolado favorece a formação de placas nos vasos do coração e do cérebro que podem evoluir para um infarto ou AVC. Já concentrações elevadas de HDL ajudam a proteger contra essas doenças. Há ainda o colesterol total, que é a soma dos dois. Os índices recomendados são: LDL abaixo de 100mg/dl e HDL superior a 40mg/dl. O colesterol total não deve ultrapassar 200mg/dl, isto para adultos maiores de 20 anos, de acordo com Chagas.

Histórico familiar e tratamento
Thiago Midlej, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, relata que é importante que as pessoas saibam quais são os seus índices de colesterol, sobretudo quando há histórico familiar de doenças cardiovasculares e LDL elevados. Para o especialista, “o tratamento é individualizado, mas seguir uma dieta equilibrada, rica em verduras, frutas e legumes, além da ingestão de pouca gordura animal, é essencial para todos os perfis de pacientes”, diz. Para aqueles que já têm o diagnóstico de colesterol alto e por isso, já fazem uso de medicamentos, é preciso aliar ao tratamento uma boa alimentação e a prática regular de atividades físicas. “O exercício físico potencializa a ação das medicações, reduzindo assim, o colesterol ruim”, comenta Midlej.

O responsável técnico do Anchieta Diagnósticos do Hospital Anchieta, Anderson Benine Belezia, destaca a importância dos procedimentos laboratoriais como ferramenta de auxílio no diagnóstico e tratamento dos altos índices de colesterol. “Os exames laboratoriais são importantes para este acompanhamento bem como exames cardiológicos específicos para a condição/doença da pessoa. A Tomografia Computadorizada das artérias coronárias é capaz de identificar alguma obstrução arterial destes vasos que pode ser decorrente de um controle inadequado dos níveis de colesterol pelo paciente”, conclui.

A importância do tratamento da menopausa

Já falamos aqui no blog Saúde da Saúde sobre menstruação e como calcular o ciclo fértil, mas o que fazer quando esse processo do corpo para? Como o controle da ovulação pode apresentar diversos sintomas, é importante buscar auxílio e fazer um bom tratamento da menopausa.

Mas afinal, o que é menopausa?

Apesar do termo ser popularmente utilizado para definir todo o processo pelo qual se passa com a diminuição de hormônios, a menopausa é, na verdade, a última menstruação. Todo o conjunto de sintomas da menopausa é chamado, tecnicamente, de climatério.

Sintomas da menopausa

Por tratar-se de uma etapa natural de controle da ovulação do corpo feminino, os sinais podem se manifestar em diferentes áreas do corpo:

  • Ondas de calor no rosto, pescoço e peitoral: um dos sintomas da menopausa mais comuns, os “fogachos”, como também são conhecidos, podem vir acompanhados de vermelhidão, cansaço em excesso, sudorese, vertigens e até de alterações cardíacas;
  • Desconforto nos órgãos genitais e internos: alterações na vagina e na uretra não são raridade quando falamos sobre menopausa. As mudanças hormonais podem acarretar em incontinência urinária e ardor ao urinar, sensibilidade vaginal à dor e ressecamento, o que resulta em diminuição da libido;
  • Com a queda na produção de estrogênio, principal hormônio associado ao controle da ovulação, é comum também que sintomas psíquicos, ou seja, emocionais, façam parte dessa transição do período fértil para o não fértil. Alta irritabilidade, ansiedade e depressão podem ser parte do quadro;
  • Com a diminuição do estrogênio, as unhas, cabelos e pele também podem apresentar aspecto enfraquecido e a concentração de gordura abdominal também pode aumentar;
  • Maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares.

Todos esses sintomas, no entanto, podem ser solucionados ou, pelo menos, intensamente amenizados. Para isso, é preciso ter um bom acompanhamento do processo de controle da ovulação para que seu médico indique o tratamento da menopausa mais adequado para você.

Um dos tratamentos da menopausa mais conhecidos é a terapia de reposição hormonal. Mas atenção, saiba que essa forma não é indicada para toda mulher. Seguir orientações de seu médico é fundamental, pois também existem chances de aumentar o risco de desenvolver câncer de endométrio em alguns casos.

Outra possibilidade de tratamento para solucionar ou abrandar os sintomas da menopausa, é o uso de um composto orgânico derivado da soja, o isoflavona. Alguns estudos indicam que o derivado tem uma atuação semelhante à do estrogênio, podendo aliviar as ondas de calor.

Alimentação adequada

Como tudo que está relacionado ao nosso organismo, a alimentação desempenha um papel fundamental. No caso das alterações provocadas pela menopausa não é diferente, e os alimentos ingeridos podem ser grandes aliados nessa fase.

Além da inclusão da soja, o inhame também tem potencial para ajudar, já que é outra fonte natural de isoflavona. Mas lembre-se de sempre ter um acompanhamento de especialistas para saber as quantidades certas a serem ingeridas.

Alimentos que sejam fontes de cálcio são outros componentes importantes em uma rotina saudável para a menopausa. Como uma das possíveis consequência das alterações hormonais é a osteoporose, incluir o mineral no dia a dia pode ser decisivo para o seu bem-estar durante as mudanças.

Tomar uma boa quantidade de água também é uma medida que pode auxiliar com os desconfortos causados pelo ressecamento dos cabelos e da pele. E, claro, alimentar-se com uma boa frequência é sempre saudável, mas especialmente recomendado em momentos como esse, em que a saúde pode ser prejudicada.