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Trabalho remoto na pandemia pode aumentar os casos de Síndrome de Burnout. Entenda como tratar e prevenir

A pandemia de Covid-19 trouxe desafios para além do combate ao vírus. Muitos profissionais passaram a acumular cargas de trabalho excessivas e desgastantes em paralelo ao medo do desemprego e do endividamento, da doença e da morte. Trabalhadores da saúde, professores e profissionais de diversas áreas que também precisam cuidar dos filhos são exemplos emblemáticos das categorias mais prejudicadas. Por isso, é preciso falar também de saúde mental. Em especial, da Síndrome de Burnout, mal desencadeado pelo esgotamento físico e psíquico em períodos de estresse intenso e persistente.

Por razões culturais, há quem ainda enxergue a sobrecarga profissional como um sinônimo de relevância ou de sucesso, mas os riscos à saúde são graves.
Para a psicóloga Marina Arnoni Balieiro, do Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, o cenário atual é altamente propício a desenvolvimento do problema. Entre os motivos, destacam-se a flexibilidade de horário do trabalho remoto e as restrições dos escapes antes habituais, como a pausas para o almoço e o cafezinho ao longo do dia, além da tradicional happy hour com colegas do trabalho no fim do expediente. “Tudo isso eleva a pressão sobre o indivíduo, o que pode levar a uma crise de ansiedade ou mesmo à depressão”, adverte Marina.

Mas por que algumas pessoas se tornam ansiosas, deprimidas ou chegam a desenvolver burnout ao passo que outras conseguem atravessar este período difícil com mais tranquilidade? “O desenvolvimento da síndrome não pode ser generalizado para toda a população, pois se trata de uma soma de fatores ambientais e atributos individuais. Por vezes, a pressão profissional pode ter origem na instituição empregadora, na própria profissão ou mesmo estar associada a características do paciente”, explica.

Independentemente do fator desencadeante, é importante observar os primeiros sinais para um diagnóstico precoce, considerando que o esgotamento costuma ocorrer de forma gradual. Ao longo da evolução do quadro, podem ocorrer, por exemplo, sinais como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade, baixa autoestima e desânimo. Quando o quadro atinge um estágio mais grave, surgem também dores (no corpo e de cabeça), uma insegurança bastante acentuada e depressão.

Para evitar essa evolução dos sintomas, o ideal é que o diagnóstico ocorra logo no início. Nesse estágio, em geral, psicoterapia e mudança de hábitos podem proporcionar o reestabelecimento da saúde física e mental antes do colapso. Em quadros mais avançados, quando o paciente tem crises de choro sucessivas e/ou não consegue mais sair da cama, pode ser necessário haver também acompanhamento psiquiátrico e medicação, em paralelo à psicoterapia. Ainda que a distância, no atual contexto de distanciamento social, o indivíduo precisa contar com uma rede de apoio para além dos profissionais de saúde, que inclua também familiares, amigos, vizinhos, chefes e colegas.

Fonte: edição do texto original do Hospital Edmundo Vasconcelos.

Como ajudar os idosos que estão sofrendo com o isolamento na pandemia

Os idosos são parte do grupo de risco para covid-19, o que significa que eles têm maiores chances de desenvolver a forma mais grave da doença quando contaminados pelo coronavírus. Precisam, então, manter o isolamento social rigorosamente, o que pode ter reflexos na saúde mental.

Em entrevista ao portal, a psicóloga Cláudia Cruz, da S.O.S Vida (Salvador – BA), explicou como os familiares e amigos podem ajudar os idosos a manterem o equilíbrio emocional, mesmo diante das restrições do contexto da pandemia, e também quando é necessário procurar ajuda de um profissional de saúde. Confira: 

Como o isolamento e o contexto da pandemia podem afetar a saúde mental dos idosos?

A pandemia trouxe a vivência de uma situação desconhecida, sem precedentes. Mudou abruptamente a rotina, os planos, os hábitos da população. Também gerou medo e a necessidade de adotar medidas que reduzam os risco de contaminação por uma doença altamente transmissível e potencialmente fatal. Assim, o distanciamento social, as mudanças na rotina e o estresse causado pelos cuidados necessários na prevenção e pelo excesso de informação impactam na saúde mental dos idosos e podem, ainda, agravar o quadro daqueles com doenças psiquiátricas prévias. Além disso, alguns estudos já realizados com esse grupo na quarentena evidenciaram aumento da prevalência de sintomas de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, irritabilidade, raiva e medo – que podem, inclusive, persistir por anos. 

Quais seriam os sinais de alerta para as famílias de que o idoso está deprimido ou ansioso por causa do isolamento?

Os sinais de alerta estão relacionados com a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina dos idosos. É preciso buscar ajuda profissional se forem observados os seguintes sintomas por mais de duas semanas: 

  • Sentimentos de tristeza, desânimo, falta de energia, pensamento negativo, falta de esperança;
  • Mudanças significativas de comportamento, como irritabilidade, angústia, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações no sono, como insônia ou excesso de sono;
  • Alterações no apetite, com perda ou ganho de peso;
  • Diminuição da autoestima, quando há descuido da aparência, aspecto de cansaço, de fadiga, de perda de energia;
  • Dificuldade de concentração, de raciocínio e perda de memória; 
  • Pensamento recorrente de morte, quando o/a idoso/a manifesta desejo de morrer e falta de perspectiva. 

 

Como as famílias devem agir ao identificar esses sinais?

Em primeiro lugar, se aproximar mais desta pessoa, ver de que forma podem acolher os medos dela, dar orientação e explicar por que precisamos praticar o isolamento, além de esclarecer os benefícios de seguir as medidas de proteção contra o vírus. Também é importante buscar ajuda profissional especializada caso os sintomas relatados anteriormente persistam por mais de duas semanas. 

Quais medidas práticas ajudam a evitar problemas de saúde mental nos idosos em isolamento?

  • Manter uma rotina regular e saudável, com boa alimentação e atividade física, mesmo que não seja na intensidade de antes;
  • Incluir na rotina atividades prazerosas para o/a idoso/a, como leitura, música, algo com que ele se identifique;
  • Buscar maneiras para o/a idoso/a ajudar em casa, se sentir útil ou incentivá-lo/a a buscar fazer algo que lhe dê propósito; 
  • Estimular a manutenção dos laços sociais e da interação com a família por videoconferência ou mensagens;
  • Manter o uso das medicações regulares e buscar avaliação médica, caso apareça algum sintoma novo; 
  • Acolher os medos e auxiliar nas dúvidas para que possam entender melhor o momento e se sentirem mais seguros nesse contexto de mudanças causado pela pandemia; 
  • Exercitar a espiritualidade. Estudos mostram que as pessoas que nutrem crenças têm mais equilíbrio na conexão entre mente e corpo, têm o pensamento mais positivo e reagem melhor às adversidades. A crença ajuda ainda no processo de envelhecimento saudável, pois você se conecta com algo que não é só da cognição.

O efeito silencioso da covid-19: como a pandemia tem afetado a saúde mental dos brasileiros

Entre os impactos da covid-19 na população, a questão da saúde mental acende alerta entre os especialistas. Pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra que os casos de depressão praticamente dobraram durante a pandemia.

Já os sintomas de ansiedade e estresse aumentaram 80% diante do isolamento, da preocupação com a saúde e das incertezas sobre o trabalho, por exemplo. Para os pesquisadores, os resultados sugerem um agravamento preocupante dos problemas de saúde mental na população. 

No estudo da UERJ, foram entrevistadas 1.460 pessoas em 23 estados brasileiros sobre seu comportamento desde do início do isolamento, necessário para tentar conter o novo coronavírus. Profissionais da saúde e aqueles que continuaram saindo para trabalhar durante a quarentena foram mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental. O estudo também concluiu que as mulheres foram mais afetadas.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que houve menos estresse e ansiedade entre os entrevistados que recorreram à psicoterapia via internet. O mesmo aconteceu com aqueles que puderam praticar atividades aeróbicas, em comparação com os entrevistados que não fizeram nenhuma atividade física ou apenas atividades de força. 

Especialistas afirmam que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, porque estresse, depressão e ansiedade afetam diretamente o sistema imunológico. A recomendação é procurar ajuda profissional assim que forem notados os primeiros sinais de desânimo e pensamentos negativos. 

Mas, no meio dessa nova rotina, como saber se estou deprimido/a, ansioso/a ou estressado/a? Acompanhe a nossa nova série aqui no portal e veja a orientação de especialistas dos hospitais membros da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) para identificar os sinais de transtornos mentais e também formas de manter o equilíbrio diante de situações de incerteza e estresse. Siga as nossas redes sociais para não perder nenhuma publicação: 

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Hospitais oferecem plantão psicológico e programa de saúde mental no Janeiro Branco

No mês dedicado à saúde mental, os hospitais desenvolvem ações voltadas para o público interno e externo para conscientizar e orientar sobre problemas como depressão, ansiedade e estresse. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 12% da população mundial necessita de cuidados para esse tipo de transtorno, mas nem todos conseguem procurar por ajuda profissional. A OMS estima, por exemplo, que são 350 milhões de pessoas com depressão, sendo que 45% não tiveram um diagnóstico especializado – e, logo, não recebem o tratamento adequado.

Em apoio à campanha do Janeiro Branco, o Hospital Santa Virgínia (HSV) realizou uma semana inteira dedicada à saúde mental, com um plantão psicológico para atendimento gratuito da população no ambulatório da instituição em São Paulo. “Realizamos esta ação para orientar, sensibilizar e direcionar os participantes para o cuidado com a saúde mental, fazendo psicoeducação referente às doenças mentais”, explica a psicóloga Maricélia Brito de Lima, coordenadora do serviço de Psicologia do HSV.

Segundo Maricélia, na maioria dos atendimentos foram relatados sintomas de ansiedade, depressão, alto nível de estresse negativo e questões existenciais. “Na Região Metropolitana de São Paulo, há 29,6% de pessoas com transtornos mentais – sendo 10% distúrbios graves –, conforme revelou o estudo São Paulo Megacity Mental Health Survey”, diz a psicóloga. Os transtornos de ansiedade foram os mais comuns, afetando 19,9% dos entrevistados. Em seguida, aparecem transtornos de comportamento (11%), de controle de impulso (4,3%) e abuso de substâncias (3,6%).

“A hora de procurar ajuda profissional é quando os sintomas estão prejudicando a funcionalidade saudável das pessoas. Entretanto, o olhar para o cuidado com a saúde mental necessita vir desde o início da vida, cuidando das crianças para se tornarem adultos mais saudáveis”, afirma Maricélia.

Programa exclusivo de saúde mental
Em atenção à saúde mental dos profissionais que trabalham em ambiente hospitalar, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, lançou durante o Janeiro Branco um serviço permanente de atendimento exclusivo de transtornos mentais voltado para colaboradores e seus familiares.

Segundo o gerente médico do programa de Saúde Integral do hospital, Leonardo Piovesan, o objetivo é mapear as áreas com maior acometimento de doenças, criar um plano individual para cada colaborador ou familiar e trabalhar a gestão de estresse, comunicação e resiliência para líderes de cada setor do hospital. “Partimos da mesma premissa do programa de saúde do colaborador, de que quem é bem cuidado cuida melhor. Por isso, também vamos atuar com iniciativas de acolhimento e prevenção”, comenta Piovesan.

Para derrubar tabus sobre o tema e fazer a informação circular, os colaboradores podem acessar na intranet e também receber por e-mail ou celular conteúdos que falam dos sintomas e das consequências do adoecimento emocional.

A cada seis meses, os profissionais também respondem a um questionário digital, validado cientificamente pela OMS, e que auxilia na compreensão das doenças. O resultado da pesquisa dá acesso ao diagnóstico da saúde mental do indivíduo e propõe o encaminhamento para o tratamento, caso necessário.

O Centro Avançado em Terapia de Suporte e Medicina Integrativa do hospital pode indicar ainda práticas como acupuntura, aromaterapia, cromoterapia e meditação focadas em saúde mental como parte do tratamento.

Uma equipe formada por psicólogos, psiquiatras e médicos de família realiza os atendimentos e, na análise dos casos, recebe consultoria da empresa Gattaz Health & Results – liderada por Wagner Gattaz, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. Gattaz afirma que doenças mentais são a segunda principal causa de afastamento em ambientes hospitalares. Em primeiro, estão as doenças osteomusculares, porém parte das queixas de dores podem estar relacionadas a questões de fundo psicológico.

Programa focado em qualidade de vida reduz em 31% estresse de colaboradores de hospital

Lidar com a dor e a ansiedade dos pacientes e de suas famílias, além de ter que tomar decisões importantes rapidamente, é algo que pode gerar estresse das equipes no ambiente hospitalar. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, um programa voltado para a saúde e a qualidade de vida conseguiu reduzir em 31% os níveis de estresse dos funcionários.

No Dia Mundial de Combate ao Estresse, 23 de setembro, conversamos com o geriatra e gerente médico do Saúde Integral do Oswaldo Cruz, Leonardo Piovesan, para saber com o Programa Bem-Estar chegou a este resultado e acabou premiado internacionalmente.

“Quando começamos o programa, em 2011, 22% dos colaboradores disseram estar com um nível de estresse que impactava no seu dia a dia. Em um estudo feito entre os médicos, foram apontadas como principais causas de estresse ter que tomar decisões importantes em emergências e dificuldade de deixar de pensar no trabalho ao fim do dia”, diz Piovesan.

Ele explica que, dentro do programa, é feito um trabalho nas áreas onde são identificados muitos casos de afastamento. Nelas, psicólogo e ergonomista – profissional que analisa todo o processo de trabalho – fazem uma avaliação da psicodinâmica da área e apresentam resultados de acordo com o que foi identificado.

Pode ser um curso de comunicação não-violenta, por exemplo, ou a mudança de algum processo que não está funcionando bem e por isso causa estresse na equipe. “Ou, às vezes, sugerem a mudança de função de um colaborador que não tem o perfil para o trabalho que está fazendo e isso está causando estresse”, detalha.

Em outra frente, é trabalhado o acolhimento do profissional que apresenta sintomas de estresse na consulta com o médico generalista ou psicólogo do programa, que fazem o encaminhamento para o tratamento adequado.

Também há um canal confidencial para relatos de casos de assédio, bullying ou agressões – de pacientes ou entre colaboradores. É realizada uma apuração interna dos fatos e oferecido apoio para o colaborador.

Dentro das mais de 20 atividades oferecidas no Programa Bem-Estar, há algumas focadas diretamente no alívio do estresse, como ioga, relaxamento e meditação no bosque do hospital, cantoterapia e acupuntura.

Saúde integral

Piovesan explica que as ações do programa focam na qualidade de vida de uma forma integral, e que o primeiro passo é conhecer o perfil do colaborador. Cada um preenche um questionário antes da consulta periódica no qual conta sobre aspectos como o nível de estresse, a rotina de atividades físicas e alimentação. 

Como essas informações, mais o histórico médico e dados do RH sobre as principais causas de afastamento, é montado um plano de ação individualizado. 

“Pode ser, por exemplo, um coaching, que vai ajudar o colaborador a trabalhar seu estilo de vida como um todo. São 12 sessões com psicóloga e nutricionista, que vão focar na área que o colaborador quer mudar: perda de peso, nível de atividade física, gerenciamento de estresse, parar de fumar etc”, explica Piovesan.

Atualmente, a adesão ao Programa Bem-Estar é de 98% dos 2.840 colaboradores do hospital, pois está atrelado ao exame médico periódico. Uma academia dentro do Oswaldo Cruz faz parte do programa e hoje tem 610 funcionários matriculados que fazem pelo menos 30 minutos de musculação duas vezes por semana.

Na parte de lazer, são oferecidas aulas de balé, muay thai e pilates. Além de aulas de canto individuais ou em coral. Na parte do tratamento de estresse e problemas correlacionados, Piovesan afirma que a cantoterapia tem se mostrado muito eficiente. E em todas as ações do programa, os colaboradores têm apoio de uma equipe multidisciplinar.

Com o Programa Bem-Estar, o hospital também conseguiu reduzir em quase 50% as faltas por adoecimento, em 46% o tabagismo entre os funcionários e em 37% os casos de hipertensão. Houve ainda um aumento de 40% na prática de atividades físicas e 30% de melhora nos hábitos alimentares.

Como combater a síndrome do pensamento acelerado?

Nos últimos anos, o número de casos de pessoas com doenças psicológicas tem aumentado expressivamente em todo o mundo. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmam que só na última década os casos de depressão aumentaram em 18,4% – isso corresponde a 322 milhões de pessoas no planeta. No Brasil, 5,8% da população tem a doença. O nosso País também possui o maior número de casos de ansiedade: 9,3% da população sofre desse mal.

Embora a divulgação sobre o tema tenha crescido, existem algumas síndromes que não só afetam um grande número de pessoas, como também podem levar ao desenvolvimento das doenças anteriormente citadas: as síndromes de burnout e do pensamento acelerado. Ambas possuem sintomas parecidos, entre eles o estresse, a irritabilidade e os distúrbios do sono.

No entanto, cada uma tem características específicas, como no caso da burnout que, geralmente, surge em decorrência do ambiente profissional. Já a síndrome do pensamento acelerado pode afetar qualquer pessoa (até mesmo crianças) e em qualquer lugar. Normalmente ela antecede a ansiedade, por isso, muitas vezes não é facilmente diagnosticada, até que manifeste um quadro mais intenso.

Como identificar a síndrome do pensamento acelerado?

Você está sempre cansado, mesmo logo que acorda? Tem dores de cabeça e musculares constantemente? Vive entediado e impaciente? Tem dificuldade em lidar com pessoas lentas? Está constantemente irritado e não sabe lidar com contrariedades às suas opiniões? Tem problemas em manter o foco e de memória? Insônia? Sofre por antecipação? Todos esses sintomas costumam se manifestar em pessoas com a síndrome do pensamento acelerado.

A pessoa que possui essa síndrome está constantemente preocupada, tentando absorver e lidar com um número cada vez maior de informações e estímulos recebidos no dia a dia, especialmente devido ao uso intenso da internet e das redes sociais. Como não consegue se “desligar”, o indivíduo tem a vida afetada, no campo pessoal e profissional, devido ao estresse gerado por tentar dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Como evitar?

Diante de qualquer sinal da síndrome do pensamento acelerado é importante buscar ajuda com um profissional da área da Saúde Mental, como psicólogo ou psiquiatra. Abaixo, seguem algumas atividades e dicas que podem ajudar a garantir uma vida mais tranquila e desacelerada:

  1. Ouça uma música relaxante (em volume baixo) durante o período de estudo ou de trabalho.
  2. Evite o excesso de informações. Limite o número de vezes que acessa as redes sociais e tente não entrar em polêmicas quando estiver online.
  3. Estabeleça prioridades nas suas atividades diárias.
  4. Faça atividade física. Pode ser musculação, caminhada, dança, natação, yoga ou qualquer outro exercício de sua preferência. O importante é se movimentar.
  5. Diminua o ritmo. Faça menos horas-extras, descanse quando puder e tire férias.
  6. Evite a competição. O mundo corporativo pode ser um lugar competitivo, no entanto, é importante evitar comparações. Aprender a lidar com os altos e baixos da vida e da carreira, sem deixar a essência pessoal de lado pode trazer menos ansiedade e mais tranquilidade.

O que é Transtorno de Estresse Pós-Traumático?

Passar por situações que não são exatamente como queríamos, é algo que acontece com todos. Mas quando situações passam de desagradáveis para trágicas, os traumas psicológicos e emocionais podem resultar em um Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

É claro que uma situação que traumatiza alguém a ponto de causar complicações psicológicas, não necessariamente causará os mesmos efeitos em outras pessoas. Mas, algumas vivências têm maiores chances de causar um impacto negativo na saúde mental, como situações de violência (aqui, entram momentos que vão desde um assalto, até guerras) e situações de abuso físico ou psicológico.

Sintomas do Transtorno de Estresse Pós-Traumático

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático está no extenso guarda-chuva de manifestações da ansiedade e pode acontecer em qualquer idade. Seja por situações de violência urbana vividas por adultos ou situações de abuso físico e sexual experienciadas por crianças, o TEPT causa sintomas que são divididos em três grupos:

  • Revivência do trauma: refere-se aos quadros que incluem flashbacks, pensamentos intrusivos e pesadelos sobre o momento em que os traumas psicológicos aconteceram;
  • Esquiva: neste grupo estão os portadores de TEPT que veem seus traumas emocionais interferirem de forma mais direta em sua vida social, pois trata-se do isolamento buscado por alguns pacientes a fim de evitar situações que desencadeiam ou engatilham lembranças da situação traumática;
  • Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: grupo que sente de forma física o TEPT, através de sintomas como taquicardia, sudorese, insônia, distúrbios de concentração e intenso estado de alerta.

Tratamentos

Não são apenas situações individuais que causam as complicações psicológicas, inclusive, nem sempre somos os personagens principais da razão do nosso trauma. Ao presenciar momentos de ameaça à vida e ao psicológico de pessoas queridas, por exemplo, o TEPT também pode se desenvolver. Testemunhar violências muito fortes com outras pessoas, não necessariamente próximas a você afetivamente, também pode desencadear o problema.

Essa é uma das maiores preocupações em casos de tragédias. Acontecimentos como os rompimentos de barragens nas cidades de Mariana e Brumadinho, no estado de Minas Gerais, chamaram a atenção da sociedade para a necessidade de abordagens científicas para amenizar os traumas emocionais e psicológicos causados nos sobreviventes.

O essencial em casos de situações que marcam tão negativamente a vida de alguém, é buscar a psicoterapia. Não é em todos os casos que os próprios pacientes levam os indicativos a sério, por serem de ordem psicológica e emocional. Mas quanto antes o quadro for diagnosticado, melhor será para manter a saúde mental em dia.

Só terapia funciona?

Em alguns casos, sim. Em outros, não. Assim como a origem de traumas psicológicos é algo relativo e com uma série de variáveis de acordo com a personalidade de cada pessoa, a resposta a tratamentos também.

Por isso, combater o Transtorno de Estresse Pós-Traumático com a ajuda de medicamentos pode ser necessário. Neste caso, costuma-se usar antidepressivos e ansiolíticos, mas sempre combinados com a psicoterapia.

É de extrema importância que as pessoas em dificuldade mental façam um bom acompanhamento psicológico, pois a TEPT não é a única doença que pode surgir através de traumas emocionais. A depressão e o próprio transtorno de ansiedade generalizada também podem indicar reflexos de situações que deixaram lembranças incômodas.

Se você está sentindo alguns desses sintomas, não deixe de procurar um médico. Caso já tenha passado por situações traumáticas na vida, busque ajuda, pois elas podem interferir na sua vida mesmo anos depois do acontecido.

Entenda o que é e como lidar com uma crise de ansiedade

Ansiedade e nervosismo são sensações normais do ser humano. Ao falar em público, sob pressão no trabalho ou diante de situações do dia a dia, esse sentimento pode aparecer como uma reação natural do corpo. No entanto, quando chega a níveis extremos, é preciso se atentar. Mas você sabe o que é e como controlar uma crise de ansiedade?

Momentos de crise de ansiedade podem acontecer com qualquer pessoa. Entre seus aspectos principais estão o medo e a preocupação extrema, o que acaba aumentando a tensão e o estresse interno, levando a confusão mental e sintomas físicos.

Sintomas de crise de ansiedade

Com o aumento da adrenalina no sangue durante uma crise, alguns sintomas comuns podem aparecer, como:

  • Medo e preocupação extrema e incontrolável;
  • Dificuldade em se concentrar e irritabilidade;
  • Taquicardia e fortes palpitações;
  • Hiperventilação ou sensação de sufocação;
  • Tremores e sudoreses;
  • Tensão muscular e cansaço.

É importante procurar ajuda médica ao menor sinal, apenas um especialista poderá diagnosticar o distúrbio e indicar o melhor tratamento.

Como controlar uma crise de ansiedade

Mesmo com medicação e terapia alguns sintomas podem reaparecer às vezes. Além de seguir à risca o tratamento indicado por um especialista, há algumas pequenas medidas disponíveis que podem auxiliar a evitar uma crise.

Atualmente diversos aplicativos ajudam a prevenir e a controlar as emoções durante uma crise. Eles disponibilizam sons relaxantes, desaceleram a mente ou registam o que foi sentido. Os mais utilizados são:

  • Querida Ansiedade: criado por uma psicóloga, oferece meditações e exercícios.
  • Pacífica: cria uma rotina de tarefas para prevenir uma futura crise.
  • MindShift: oferece sons relaxantes e permite que o usuário relate o que está sentindo
  • Calm: possui exercícios de respiração e meditação simples que podem ser feitos  em qualquer lugar.

Fique atento na hora de buscar soluções ou alternativas na internet, pois muitas podem não ser úteis e acabam agravando ainda mais a situação.

Mindfulness para tratar ansiedade

Mindfulness (atenção plena) é um estado mental que serve como um antídoto para a vida no “piloto automático”, facilitando o maior reconhecimento de nossas emoções e impulsos. São diversas técnicas utilizadas para treinar esse estado mental, que se relaciona, em partes, com a meditação.

O especialista e coordenador da Especialização em Mindfulness da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Marcelo Demarzo, apresenta em seu blog que diversos programas do método estão se tornando comuns dentro das universidades. Os resultados mostram uma melhoria no bem-estar e diminuição nos sintomas de ansiedade e depressão.

É indicado realizar uma avaliação do ritmo de vida e optar por situações menos estressantes, anotar fatores que podem desencadear uma crise e evitá-los. Além disso, praticar exercícios físicos, fortalecer o autoconhecimento, manter uma dieta natural e investir em momentos de lazer são medidas simples que podem ajudar a controlar uma crise de ansiedade.

Combatendo o estresse: dicas de prevenção pelos principais especialistas do coração

Dizer que está estressado virou algo comum ou até mesmo banal. Com a vida agitada e com muitas cobranças no dia a dia, quem nunca se sentiu com mau humor ou com aquela sensação de exaustão, não é mesmo? Momentos de estresse fazem parte da vida de qualquer ser humano e, geralmente, são provocados por algum gatilho emocional, como problemas no trabalho, vida afetiva, pensamentos negativos, perdas importantes, entre outros.

“O estresse representa uma situação de perigo para o organismo, que libera uma série de neuro hormônios, como a adrenalina, que teoricamente prepararam a pessoa para lidar com aquela situação. Com isso, a respiração fica acelerada e o coração dispara”, explica Leopoldo Piegas, médico cardiologista e coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio do Hospital do Coração.

Há pessoas que lidam melhor com o estresse, outras sofrem diariamente os efeitos desse problema. Um alerta é quando o indivíduo começa a se sentir constantemente estressado. Ao contrário do que muitos pensam, o estresse pode trazer sérios riscos à saúde, principalmente, para o coração, órgão vital do corpo humano. Saiba mais.

Consequências do estresse para o corpo humano

O estresse pode atingir o corpo humano como um todo, trazendo complicações para diversos órgãos. No cérebro, há a diminuição da concentração, memória e até mesmo déficit de aprendizado. Já no sistema imunológico, o estresse pode reduzir a capacidade de lutar contra as infecções. Geralmente, quem vive estressado fica mais vezes com gripes e infecções urinárias.

O estresse também pode elevar o cortisol causando aumento de peso, além de gastrites, dores de cabeça, quedas de cabelo e até mesmo acelerar o processo de envelhecimento. Já em relação ao psicológico, pode causar depressão, ansiedade e até dependência. Com o intuito de relaxar, muitas pessoas recorrem ao álcool, drogas e desenvolvem vícios alimentares.

O coração é mais afetado pelo estresse. De acordo com o cardiologista Pedro Mekhitarian, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, há o aumento da pressão arterial, levando a um risco de acidente vascular cerebral (AVC). “Há o risco de ataque cardíaco e síndrome de Takotsubo, conhecida como síndrome do coração partido, que é uma cardiomiopatia induzida por estresse”, destaca.

Saiba como combater o estresse

A boa notícia é que é possível prevenir e combater o estresse, garantindo uma melhor qualidade de vida. Para isso, é importante o comprometimento do indivíduo em procurar soluções para o que sente e, principalmente, descobrir a causa do estresse. “É interessante que a pessoa tente relaxar o máximo que puder e busque entender o que está causando aquela situação de estresse. Assim, ficará mais fácil combatê-lo”, destaca Piegas.

Exercício físico, meditação e qualquer outra atividade que seja benéfica para a pessoa a ajudará a desestressar. “Atividades em geral que ajudem no equilíbrio emocional, físico e mental são importantes. Além da ajuda de profissionais como psicólogos”, explica Mekhitarian. O especialista também destaque que, em alguns casos, há a necessidade de medicação e acompanhamento com psiquiatra para ajudar o paciente a controlar e reduzir as crises de estresse. Além disso, é recomendado evitar o uso de substâncias estimulantes, como cafeína, energéticos e termogênicos. Seguem abaixo algumas dicas dos profissionais para se ter uma melhor qualidade de vida:

  • Meditação: com esta prática há o exercício e controle da respiração, importante mecanismo de desaceleração do corpo. São muitos os efeitos positivos da meditação, entre eles, o treino da atenção ao momento presente. Dessa forma, há uma educação da mente, o que desenvolve e aprimora a capacidade de lidar melhor com as emoções.

 

  • Alimentação equilibrada: certos alimentos têm relação com o cansaço, estresse e mal estar. Por isso, é importante investir em uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e sementes que são benéficas para o sistema nervoso. A alimentação é essencial para se ter boa qualidade de vida.

 

  • Exercício físico: A prática regular de atividades físicas é muito importante para diminuir a quantidade de cortisol no organismo, um hormônio ligado ao estresse e liberação de endorfina, responsável por promover o bem-estar.

 

  • Vá ao cardiologista: vive constantemente estressado? É importante visitar um cardiologista. “Como o estresse pode elevar a pressão sanguínea, é recomendado que pessoas que estejam nestas situações procurem um cardiologista para fazer exames e checar se está tudo bem com a sua saúde. A prevenção é sempre o melhor para a saúde”, explica Piegas.