Arquivo da tag: gestante

#SuaSaúdeNaPandemia: gestantes devem manter pré-natal e ficarem atentas a sintomas gripais

A gestação já é, naturalmente, um período cheio de dúvidas e expectativas para as famílias. Durante a pandemia, o medo de se contaminar por Covid-19 pode levar mulheres a adiar uma visita ao hospital ou os exames de acompanhamento. 

O portal conversou com a coordenadora do pronto-socorro de ginecologia do Vera Cruz Hospital de Campinas (SP), Vanessa de Souza Santos Machado, que explicou a importância de manter o pré-natal em dia mesmo durante a pandemia, e quais são os sintomas e cuidados aos quais as gestantes devem estar ainda mais atentas nesse período.

Qual o risco para a gestante que decide suspender o acompanhamento da gravidez por medo de se contaminar ao procurar um serviço de saúde?

Vanessa: A realização do pré-natal tem papel fundamental na prevenção ou detecção precoce de doenças maternas e fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. Além de ser um tempo dedicado a sanar dúvidas em relação à gestação, parto, pós-parto e amamentação. Nesse momento de isolamento e ansiedade que estamos vivendo, um olhar integral à saúde física e mental da gestante é fundamental. Assim, a manutenção do pré-natal, coleta de exames, realização dos ultrassons e vacinas é muito importante e recomendado mesmo em época de pandemia.

Quais as orientações para as gestantes seguirem com o pré-natal em segurança?

Vanessa: Os cuidados não são muito diferentes da população em geral. A gestante precisa se resguardar, evitar contatos desnecessários e aglomerações, usar máscara cobrindo  boca e nariz ao sair para consultas ou exames. Também deve manter hábitos de higiene adequados, como lavar as mãos com frequência e usar álcool em gel, higienizar as compras, retirar sapatos e higienizá-los ao voltar da rua. As gestantes que apresentarem síndrome gripal deverão ter suas consultas e exames de rotina adiados em 14 dias e, quando necessário, serem atendidas em local isolado das demais pacientes

Quais sintomas são sinal de que a gestante precisa procurar rapidamente um serviço de saúde e que não podem ser negligenciados por medo de ir ao hospital?

Vanessa: Toda gestante deve procurar atendimento se tiver febre associada à tosse, falta de ar ou dificuldade de respirar. Além, claro, se apresentar qualquer sintoma relacionado à gestação, como contrações frequentes e rítmicas, perda de sangue, perda de líquido ou diminuição da movimentação fetal.

No grupo Hospital Care, do qual faz parte o Vera Cruz e a Casa de Saúde, as gestantes com sintomas respiratórios exclusivos são encaminhadas à Casa de Saúde – que se tornou uma espécie de “Covid Care”, blindando ao máximo nosso hospital e maternidade.

As gestantes fazem parte do grupo de risco para Covid-19? 

Vanessa: As gestantes foram incluídas no grupo de risco pela OMS (Organização Mundial da Saúde) há algumas semanas. Essa inclusão se deu por se tratar de uma população normalmente mais suscetível e com imunidade menor. Não existem evidências de que o novo vírus pode ser transmitido da mãe para o bebê durante a gravidez. Até o momento, o novo coronavírus não foi encontrado no sangue do cordão, no líquido amniótico, no fluido vaginal e nem no leite materno, e não se associou ao risco de maior gravidade em gestante. A melhor coisa a se fazer é tomar todas as precauções necessárias para evitar a contaminação pelo novo vírus.

#PerguntaPraAnahp: quais os riscos do novo coronavírus para gestantes e recém-nascidos

Estou grávida. Posso passar o vírus para o meu bebê?
Até o momento, não há evidências de transmissão do novo coronavírus da mãe para o bebê no útero. Mas como ainda não há muita experiência em casos de Covid-19, a indicação é de que todos os recém-nascidos de mães infectadas sejam cuidadosamente avaliados, independentemente de apresentarem sintomas ou não. Caso o recém-nascido apresente sintomas de Covid-19, deve receber suporte clínico na UTI neonatal.

O leite materno pode transmitir o vírus da mãe para o bebê?
O vírus não foi identificado no leite materno, mas há chances de infecção no contato íntimo e prolongado da amamentação. Para reduzir esse risco, a mãe infectada pode ordenhar o leite para ser oferecido ao bebê.

Mães infectadas devem ficar afastadas dos bebês?
Por segurança, caso a mãe esteja infectada e na fase aguda de transmissão, é recomendado o afastamento. Mães infectadas que não estejam na fase aguda de transmissão podem ficar no mesmo alojamento do bebê, mas precisam observar rigorosamente precauções como o uso de máscara e a higienização das mãos.
Neste momento, também é recomendada a restrição de visitas aos bebês – na maternidade ou em casa – principalmente por pessoas que estejam doentes.

Se estou grávida, devo ir ao hospital tentar fazer o teste?
Gestantes sem sintomas não devem procurar o pronto-atendimento para testar qualquer vírus respiratório. Atualmente, os testes são reservados para pacientes com sintomas graves de Covid-19.
Caso a gestante tenha sintomas leves, a orientação é que fique em isolamento domiciliar e atenta a qualquer sinal de evolução na doença – como persistência da febre ou dificuldade de respirar.
Se a gestante estiver com um quadro gripal acompanhado de febre, deverá procurar o pronto-atendimento para verificar se o caso é de influenza – que pode ser um risco para as mulheres grávidas.

Este conteúdo tem contribuição de Camila Almeida, infectologista e consultora Anahp.

Parto humanizado: o que você precisa levar em conta na hora da escolha

Além de ter uma gestação saudável, o desejo de toda mãe é o de que a chegada do bebê aconteça da melhor forma possível e que seja repleto de amor e afeto. O parto é um momento de grande intensidade para a mulher, que pode marcá-la para sempre de uma forma positiva ou negativa, o que dependerá de como será conduzido.

O parto humanizado surge como uma alternativa que garante conforto e segurança tanto para mãe como para o bebê. De acordo com informações do Ministério da Saúde, durante o trabalho de parto, a mulher tem direito a um ambiente acolhedor e a presença de um acompanhante. Muito se fala sobre a humanização do parto, porém o termo não se refere a um tipo de parto e, sim, às suas características com um padrão de qualidade que respeita a mulher e o bebê.

O que é parto humanizado?

O parto humanizado é um modelo de atenção, no qual a mulher é a protagonista e é empoderada. Esta proposta, ao contrário do que muitos pensam, não se refere somente ao parto natural, excluindo as cesarianas. Como o próprio nome diz, o parto humanizado propõe humanizar aquele momento do nascimento do bebê, seja em parto normal ou cesariana. Isso inclui promover à gestante um ambiente acolhedor, oferecer a presença de um acompanhante que possa lhe transmitir segurança e confiança e ser informada sobre os procedimentos, que deverão ser autorizados ou não por ela a serem realizados. Além disso, o parto deverá seguir as evidências científicas e os mais altos padrões de qualidade, de acordo com as normas técnicas e recomendações do Ministério da Saúde.

Você sabe o que é violência obstétrica?

O parto humanizado surgiu como uma luta em busca de empoderamento e contra a violência obstétrica que, infelizmente, ainda se faz presente no mundo todo. Este tipo de violência pode ser físico, verbal ou psicológico, além de negligência ou discriminação. Alguns exemplos de violência obstétrica são: ameaças, gritos, omissão de informações, não permitir acompanhamento e não receber alívio da dor.

Outros tipos de violência obstétrica são a episiotomia, o corte no períneo (região entre o ânus e a vagina), para ampliar o canal no parto normal, que em muitas vezes é feito como rotina, sem a autorização da mulher, além de cesarianas em que não há necessidade de realização.

Caso alguma mulher sofra este tipo de violência, ela ou a família podem denunciar no próprio estabelecimento ou na secretaria municipal/estadual/distrital, nos conselhos de classe – CRM quando for médico e COREN quando for por enfermeiro – e pelo 180 ou Disque Saúde 136.

Caderneta da gestante

No intuito de ampliar o debate sobre o assunto e munir as mulheres de informações sobre os seus direitos, o Ministério da Saúde lançou a Caderneta da Gestante. No conteúdo que pode ser facilmente baixado no site do órgão, constam todas as leis que protegem a mãe e o bebê, além de informações sobre o pré-natal, partos, amamentação, entre outras. Para baixar o e-book, clique aqui.