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Base científica: 9 fatos sobre a Covid-19 em que você pode confiar

Fake news se combatem com informação de qualidade. Durante uma pandemia, o conhecimento científico salva vidas

Em conversa com a infectologista Silvana de Barros Ricardo, médica coordenadora do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar da Rede Mater Dei de Saúde, de Belo Horizonte, o Saúde da Saúde elenca os principais fatos cientificamente comprovados sobre a principal doença dos últimos 100 anos, a Covid-19.

1. Origem
Muito antes da pandemia, os coronavírus já eram considerados agentes patógenos – isto é, capazes de causar doenças – para humanos e animais. No final de 2019, um novo coronavírus foi identificado como a causa de um grupo de casos de pneumonia em Wuhan, uma cidade na província de Hubei, na China. O vírus se espalhou rapidamente, resultando em uma epidemia em toda a China, seguida por uma pandemia. “Em fevereiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde denominou a doença Covid-19, que significa ‘doença do coronavírus 2019′”, explica Silvana. O vírus foi batizado como SARS-CoV-2.

2. Contaminação
A principal forma de contágio da Covid-19 é o contato interpessoal próximo (até 2 metros). “Também transmite a doença o toque em superfícies contaminadas com partículas respiratórias denominadas perdigotos, que são liberadas quando uma pessoa com infecção tosse, espirra ou fala”, afirma a infectologista, ponderando que esta forma de contágio é menos expressiva.  O SARS-CoV-2 também pode ser transmitido por distâncias mais longas através de aerossóis, partículas respiratórias bem menores que os perdigotos, mas essa forma de contaminação também é menos comum do que o contato interpessoal próximo.

3. Prevenção
As principais medidas de prevenção são distanciamento social, a higienização das mãos e o uso de máscaras adequadas (preferencialmente cirúrgicas descartáveis, N95/FPP ou de três camadas, caso sejam de tecido). A vacinação completa, uma conquista recente e gradual, é a medida preventiva mais efetiva. O processo costuma incluir duas doses, a exceção no Brasil da vacina da Janssen (Johnson & Johnson), de dose única.

4. Tratamento precoce
Não existe tratamento precoce para a Covid-19, embora muitas fake news tenham sido propagadas orientando o contrário. Indicados para lúpus e artrite reumatóide, a cloroquina e a hidroxicloroquina foram testadas contra a Covid-19 pela Universidade de Colúmbia (EUA). Resultado: sem eficácia, mas com efeitos colaterais. A OMS recomenda “fortemente” que esses medicamentos não sejam usados no combate ao novo coronavírus. Também não há comprovação de que a ivermectina, antiparasitário empregado no combate a vermes e ácaros, funcione contra a Covid-19. Em fevereiro, a MSD, empresa norte-americana que fabrica o medicamento, publicou uma nota informando o público sobre a questão.

5. Gravidade variável
A Covid-19 pode ser assintomática, leve, moderada, grave ou mortal, a depender do quadro clínico de cada paciente. Mesmo com o melhor tratamento, o desfecho pode ser imprevisível. Isso ocorre, explica Silvana, porque a doença ainda não é totalmente compreendida e nenhum tratamento avaliado mostra benefício uniforme para todas as pessoas. A médica acrescenta que “indivíduos de qualquer idade podem adquirir a infecção por SARS-CoV-2, embora adultos de meia-idade e mais velhos sejam os mais comumente afetados, com maior probabilidade de ter doença grave”. A idade é um dos fatores de risco mais importantes para gravidade e morte – e o risco aumenta a cada década adicional. Outros fatores que podem contribuir para as complicações de Covid-19 incluem doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, diabetes, doença pulmonar crônica e obesidade. Assim como a idade, essas comorbidades garantem prioridade na fila da vacinação.

6. Sequelas
“A Covid-19 pode causar sequelas e outras complicações médicas que podem durar de semanas a meses após a recuperação inicial, fenômeno que passou a ser chamado de síndrome pós-Covid”, afirma Silvana. Uma revisão científica, publicada em janeiro no site especializado MedRxiv, avaliou os efeitos de longo prazo da Covid-19 para concluir que 80% dos pacientes desenvolveram um ou mais sintomas de longo prazo. Os cinco mais comuns foram fadiga (58%), dor de cabeça (44%), distúrbio de atenção (27%), queda de cabelo (25%) e falta de ar (24%).

7. Reinfecções
Casos de reinfecções têm sido confirmados, mas são proporcionalmente pouco frequentes. “Na maioria deles, o segundo episódio foi mais leve que o primeiro”, contextualiza a médica. As possíveis razões para a reinfecção incluem uma resposta imune variável do paciente, a exposição a uma nova cepa do vírus ou resultados anteriores de falso-positivos.

8. Imunidade de rebanho
A OMS advoga que a ‘imunidade de rebanho’ e o controle da pandemia devem ser obtidos por meio da imunização via vacinação de, pelo menos, 70% da população. Sem ela, haveria uma enormidade de adoecimentos e mortes desnecessários até se atingir esse percentual.

9. Vacinados que adoecem
Como nenhuma vacina contra a Covid-19 é 100% eficaz, são esperadas alguns casos de infecção em indivíduos vacinados, como o ocorrido recentemente com a apresentadora de TV Ana Maria Braga. Pessoas vacinadas tendem a desenvolver as formas leve ou assintomática da doença – mas podem transmiti-la. Por isso, todos devem manter as máscaras e as demais medidas preventivas até que a pandemia seja controlada em termos populacionais.Desde o início da pandemia, muitas fake news circularam com informações enganosas sobre a Covid-19. Hoje, 8 de julho, é Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, uma data oportuna para esclarecer o que é fato e o que é fake.

Cardiologista comenta riscos da automedicação contra a Covid-19

O médico explica que, por enquanto, a vacina é o única forma de prevenir a doença

Como muita gente ainda recorre a medicamentos sem comprovação científica para prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus, o Saúde da Saúde conversou sobre os riscos da automedicação com médico Gustavo Lenci, cardiologista do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba, e professor do curso de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ele foi enfático ao desencorajar a prática, destacando os riscos de efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Saúde da Saúde – De maneira geral, quais podem ser as consequências do uso de medicamentos sem prescrição médica?
Gustavo Lenci – A automedicação é sempre perigosa. Há uma série de doenças que o paciente pode ter ou mesmo interações de remédios que, quando associados, podem levar a mais efeitos colaterais. Por isso, sempre desestimulamos qualquer atividade de automedicação. Quando surgirem dúvidas, o mais recomendado é procurar um profissional.

Infelizmente, alguns médicos têm prescrito remédios sem comprovação científica de benefícios na prevenção ou no tratamento da Covid-19. Quais são os principais riscos envolvidos?
Os riscos se devem ao uso dessas medicações sem saber os efeitos colaterais que podem provocar. Com base em resultados laboratoriais, o médico poderia até ponderar o uso em situações extremas, mas há medicações que são prescritas que comprovadamente não funcionam. Nesses casos, pode-se expor o paciente a efeitos colaterais para algo que está provado não haver benefício.

Além de tratar os sintomas, que remédios podem realmente ser administrados no tratamento da Covid-19?
Pacientes em situações graves precisam de oxigênio ou de corticoides, único tratamento com estudos que comprovam benefício. É importante ressaltar que o tratamento adequado para a Covid-19 ocorre dentro do hospital, com uso de anticoagulação profilática. Infelizmente, para uso domiciliar, ainda não existe nada comprovado. As principais agências reguladoras, do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos, recomendam que não seja utilizado nenhum medicamento em domicílio.

Há algum remédio capaz de prevenir a doença fortalecendo o sistema imunológico?
Sabe-se que o único meio de fortalecimento do sistema imunológico contra a Covid-19 por meio de medicação chama-se vacina. Nos demais casos, ou o estudo é negativo ou ainda está em fase de teste. Medicação preventiva não existe. A melhor forma é se vacinar e garantir o seu bom estado de saúde, regulando a atividade física e mantendo uma boa dieta para controlar doenças que possam agravar o quadro.