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Dezembro Vermelho simboliza a luta contra a Aids e alerta para importância da prevenção ao HIV

O Dia Mundial de Luta Contra a Aids é o 1º de dezembro, mas o mês inteiro é marcado por ações que buscam multiplicar as informações sobre o tratamento da doença e medidas para evitar a transmissão do vírus causador, o  HIV – sigla em inglês para o Vírus da Imunodeficiência Humana – e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O Dezembro Vermelho é uma referência ao laço vermelho que simboliza a solidariedade de pessoas ao redor do mundo em relação à epidemia de aids.

Em 2017, o Senado Federal aprovou a lei 13.504, que institui a Campanha Nacional de Prevenção ao HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis durante o mês de dezembro. De acordo com o Ministério da Saúde, 93% das pessoas diagnosticadas com HIV positivo no Brasil já estão em tratamento com níveis indetectáveis para o vírus. Por outro lado, existem cerca de 135 mil brasileiros infectados pelo HIV e não sabem. 

Nos últimos anos, tem-se observado registro de 40 mil novos casos a cada ano. Segundo o Boletim epidemiológico de HIV/Aids publicado em dezembro de 2019, no período de 1980 a junho de 2019 foram 966.058 casos de Aids detectados no país, e de 2012 para 2018 ocorreu uma redução na taxa de detecção da doença de 21,4 para 17,8 para cada 100.000 habitantes.  

“Apesar dessa redução nas taxas de detecção em relação aos anos anteriores, segue um número elevado de novos diagnósticos anuais e de mortes relacionadas a doença”, afirma o chefe do Serviço de Controle de Infecção do Hospital São Lucas da PUCRS, Fabiano Ramos. O Ambulatório de Infectologia do hospital atende pacientes do SUS com HIV. De acordo com o médico, múltiplos fatores estão envolvidos, porém a falha ou o não uso de preservativos é a principal causa da transmissão do vírus. “A doença está mais concentrada em adultos jovens, e o número de homens em relação às mulheres tem aumentado (2,3 homens para cada mulher”, explica Fabiano. “Como a Aids se tornou crônica, e as pessoas que fazem tratamento geralmente não morrem pela doença, parece ser considerada simples, e o medo de possível infecção pelo vírus talvez tenha se perdido.”

Transmissão e prevenção

O vírus HIV ataca o sistema imunológico – responsável por defender o organismo de doenças – e é capaz de alterar o DNA e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. Quando não tomam as devidas medidas de prevenção, os pacientes soropositivos que têm ou não Aids podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é importante fazer o teste regularmente e se proteger em todas as situações.

Entre os métodos de prevenção que podem ser combinados estão a testagem regular para o HIV, realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), a prevenção da transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gravidez); o tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e das hepatites virais; a imunização para as hepatites A e B; programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias; profilaxia pré-exposição (PrEP); profilaxia pós-exposição (PEP); e o tratamento de pessoas que já vivem com HIV. 

“Manter os pacientes em tratamento e com carga viral indetectável no sangue garante não só um tratamento adequado individualmente, mas proporciona uma redução na transmissão viral. Outra estratégia importante adotada nos últimos anos é a utilização da PrEP, onde o uso de antirretrovirais em determinados grupos de pessoas expostas à transmissão viral pode ser fundamental na prevenção”, afirma Fabiano. A  PrEP, novo método de prevenção à infecção pelo HIV, consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo antes de a pessoa ter contato ele. Entretanto, a PrEP não protege de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis – sífilis, clamídia e gonorreia, por exemplo – e, portanto, deve ser combinada com outras formas de prevenção, como a camisinha.

Conheça as 10 principais ameaças à saúde em 2019

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista com as 10 principais ameaças à saúde em 2019, ano em que a entidade publicará o novo plano estratégico para ampliar o acesso à saúde de qualidade em todo o mundo. Na relação, estão presentes doenças que são preveníveis por vacinação, altas taxas de obesidade infantil e sedentarismo, bem como os impactos à saúde causados pela poluição do ar, pelas mudanças climáticas e pelas crises humanitárias.

De acordo com OMS, as ameaças à saúde que vão demandar mais atenção da organização e de seus parceiros neste ano são:

Poluição do ar e mudanças climáticas

Segundo a OMS, nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído todos os dias. Os poluentes microscópicos acabam penetrando nos sistemas respiratório e circulatório, causando sérios problemas para os pulmões, coração e cérebro. A consequência disso é a morte prematura de 7 milhões de pessoas por doenças como câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardiovasculares e pulmonares.

Doenças crônicas não contagiosas

De acordo com dados da entidade, doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, causam 70% de todas as mortes no mundo, ou seja, o proporcional a 41 milhões de pessoas. Problemas como má alimentação, tabagismo e sedentarismo também contribuem para o aumento de casos de doenças crônicas.

Pandemia de influenza

O comunicado da OMS contém a seguinte frase: “O mundo vai enfrentar outra pandemia do vírus influenza. Só não sabemos quando ou quão severa ela será”. O que ainda não é certo é quando chegará e a dimensão da gravidade. A OMS monitora constantemente a circulação dos vírus, avaliando os casos existentes e, a partir daí, recomenda adaptações anuais na vacina contra a gripe.

Cenários de fragilidade e vulnerabilidade

Mais de 1,6 bilhão de pessoas vivem em locais com pouquíssima infraestrutura, de acordo com dados da entidade. Do ponto de vista humanitário, esse é um grande drama mundial. Nesse contexto, praticamente 50% das metas de desenvolvimento sustentável, considerando saúde infantil e materna, permanecem sem ser cumpridas.

Resistência antimicrobiana

A OMS informa que o uso excessivo de antibióticos, tanto em seres humanos como em animais de corte acaba ocasionando o surgimento de superbactérias que não são vencidas com tratamentos convencionais. Essa resistência ameaça a humanidade a voltar a uma época em que era possível tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose.

Ebola

A República Democrática do Congo passou por dois surtos de ebola em 2018. O problema se espalhou e atingiu cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Em dezembro do mesmo ano, representantes da saúde pública, saúde animal, transporte e turismo solicitaram à OMS que considere 2019 o “ano de ação sobre a preparação para emergências de saúde”.

Atenção primária

Muitos países não possuem instalações de atenção primária de saúde adequadas. Um atendimento eficaz é capaz de afastar e reduzir o risco de uma série de doenças, além de identificar outras.. No entanto, a OMS declara que muitos países dão pouca atenção para essas consultas mais preventivas e trata esse fato como prioridade para melhorias.

Vacinação

Evitar se vacinar por medo ou relutância é algo que ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças que seriam evitáveis por imunização. Há a situação do sarampo, por exemplo, que teve aumento de 30% nos casos em todo o mundo. “[A vacina] é uma das formas mais custo-efetivas para evitar doenças – atualmente, previnem-se cerca de 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano”, informa a OMS.

Dengue

A OMS tem como objetivo reduzir pela metade as mortes por dengue até 2020 . A grande barreira é ausência de trabalho comunitário árduo. A entidade acredita que a doença vai continuar provocando grandes prejuízos.  A estimativa é que 40% de todo o mundo esteja em risco de contrair o vírus – cerca de 390 milhões de infecções por ano.

HIV

A entidade alerta que a epidemia de Aids segue se espalhando pelo mundo. Aproximadamente 1 milhão de pessoas morrem por HIV/aids a cada ano. Atualmente, cerca de 37 milhões vivem com HIV no mundo. Um grupo cada vez mais afetado são as adolescentes e as mulheres jovens (entre 15 e 24 anos), que representam uma em cada quatro infecções por HIV na África Subsaariana.