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Novo Coronavírus: BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo reuniu informações sobre o tema

2 de março, 2020

Mitos e verdades

O novo coronavírus, identificado na China e já detectado em alguns países, é motivo de atenção das autoridades de saúde pelo mundo.

No dia 26 de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou o primeiro caso confirmado no Brasil. Trata-se de um homem de 61 anos que voltou de viagem da Itália e, depois de alguns dias, procurou um serviço de saúde com sintomas respiratórios.

Como esse é um assunto de bastante repercussão, preparamos informações importantes para que você se mantenha sempre atualizado. Confira abaixo:

O coronavírus é um vírus novo?
Embora o tipo desse vírus seja considerado novo, ele vem de uma família de coronavírus identificada pela primeira vez na década de 1960.

Álcool em gel mata o vírus?
Sim, o álcool funciona. Entretanto, não tem um efeito duradouro e, por isso, é recomendado que as pessoas lavem as mãos ou usem o álcool em gel muitas vezes ao longo do dia.

Há relação entre tomar chá de erva-doce várias vezes ao dia e impedir a doença?
Não há comprovação científica nessa recomendação.

Vitamina C reforça a imunidade?
Não há estudos que comprovem a eficácia da vitamina C na prevenção de infecções. Em excesso, inclusive, ela deixa a urina ácida, o que pode causar a formação de cálculos renais em pessoas predispostas

Todo contato físico é um risco?
Esse vírus não se propaga tão facilmente como o do sarampo. Mesmo sendo menos contagioso, é importante saber que ele é transmitido pelo ar, de pessoa para pessoa, ou por contato com superfícies contaminadas.

Há alimentos que impedem o organismo de ser afetado ou que reforcem a imunidade?
Nenhum alimento tem o poder de impedir que alguém seja infectado nem é capaz de reforçar a imunidade a ponto de combater um vírus. Ter uma alimentação balanceada e hábitos saudáveis é bom para a saúde de forma geral.

Meus amigos disseram que um medicamento específico, indicado para tratar e prevenir a gripe, pode ajudar. É verdade?
Estudos estão sendo feitos para verificar a eficácia de medicamentos utilizados contra a gripe em conjunto com outros. Ainda não há evidências de que isso irá funcionar contra o novo coronavírus.

Se eu tomei as vacinas contra a gripe, estou protegido?
Tomar as vacinas é muito importante, mas são vírus diferentes. Por isso, a vacina contra a gripe não protege contra o coronavírus.

Há algum risco de que animais de estimação espalhem o vírus?
Não. Mesmo na China, onde o vírus está circulando, não se sabe de casos em que animais domésticos tenham sido responsáveis pela transmissão do vírus.

Existem doenças ou condições que tornam algumas pessoas mais vulneráveis ao vírus?
Sim. Idosos, pessoas com a imunidade comprometida e portadores de doenças crônicas, como câncer, doenças cardíacas e pulmonares graves, têm maior risco de ficarem doentes.

Existe risco ao receber correspondência ou pacote vindos da China?
Fique tranquilo, esse risco não existe. Como o vírus não sobrevive muito tempo fora de um organismo vivo, é seguro receber cartas ou pacotes vindos da China.

Usar soro fisiológico várias vezes para limpar as narinas pode evitar a infecção?
Não. O soro é usado para umidificar as narinas e trazer alívio de sintomas como coriza ou obstrução nasal, mas sua fórmula não traz nenhum tipo de componente que tenha atividade contra o vírus.

Desinfetantes vendidos em supermercados podem ajudar a limpar o ambiente e evitar esse vírus?
Sim, eles ajudam a manter o ambiente limpo e podem eliminar o vírus.

Tomar antibióticos pode ajudar o organismo a combater o vírus?
Antibióticos não têm efeito algum contra vírus. Eles devem ser usados somente com receita médica para combater infecções causadas por bactérias. Aqui, estamos falando de um vírus.

Principais sintomas

  • Febre
  • Calafrios Tosse
  • Irritação na garganta
    Congestão nasal
  • Dificuldade para respirar
  • Dor de cabeça

Se você apresentar um ou mais dos sintomas ao lado:

  • procure atendimento médico e, se for o caso, informe sobre qualquer viagem nos últimos 14 dias para áreas com transmissão local (Austrália, China, Coreia do Sul e do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Singapura, Tailândia, Itália, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos);
  • proteja a boca e o nariz com um lenço ao tossir ou espirrar;
  • higienize as mãos constantemente, principalmente após tossir, espirrar e manipular alimentos.

Como funciona o banco de sangue de um grande hospital

Em 25 de novembro foi celebrado o Dia do Doador Voluntário de Sangue. A data marca o período de campanhas que antecedem uma época de baixa nas doações de sangue, com as férias e as festas de fim de ano. 

Para explicar melhor sobre essa sazonalidade e também como funciona o banco de sangue de um grande hospital, o blog conversou com André Larrubia,  gerente de banco de sangue da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Por mês, o banco realiza em média 1,2 mil a 1,4 mil coletas e 1,9 mil a 2 mil transfusões nas três unidades que atende. 

Como funciona o banco de sangue da BP? 

André Larrubia: Hoje, em São Paulo, só os grandes hospitais na rede privada que têm um banco de sangue próprio. O nosso atende exclusivamente aos pacientes da BP nos três hospitais: BP Paulista, BP Mirante e BP Filantrópico. Não fornecemos para outros hospitais e também não recebemos sangue de outros hospitais. Nossa demanda é toda interna. 

Quantas pessoas trabalham no banco? 

André Larrubia: Temos aproximadamente 100 pessoas entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, biomédicos, biólogos, farmacêuticos, médicos e os administrativos. Aqui a gente faz toda a captação e coleta e depois distribui para as três unidades. Dentro de cada hospital temos uma agência transfusional, que tem mais funcionários, de diferentes áreas, para fazer todo esse abastecimento para as transfusões.

E como é o fluxo do banco de sangue para as agências transfusionais? 

André Larrubia: A gente chama de ciclo do sangue. No banco, recebemos os doadores e fazemos as coletas. A próxima etapa chamamos de produção, que é todo o fracionamento do sangue. Cada bolsa que a gente colhe, fracionamos em hemocomponentes diferentes: o concentrado de hemácias, o concentrado de plaquetas, o plasma e o crioprecipitado. Uma vez que temos tudo isso produzido e separado dentro de sua bolsa específica, a gente aguarda o processo de liberação dos exames que são feitos em cada bolsa – não só a tipagem sanguínea como toda a sorologia: HIV, hepatite C, hepatite B, sífilis e etc. Na hora em que tudo isso está pronto para o uso, transportamos para as agências transfusionais, com as quantidades específicas para cada hospital. 

Cada agência tem seu estoque, que vai abastecer os pedidos dos pacientes de cada hospital. Então, a agência transfusional de um hospital é aquele setor onde trabalhamos 24 horas por dia atendendo aos pedidos de transfusão que chegam. 

Há uma sazonalidade nas doações? 

André Larrubia: Com certeza. Na BP, temos aproximadamente 1,2 mil a 1,4 mil doações por mês e fazemos entre 1,9 mil e 2 mil transfusões por mês. Para cada doação, até quatro pacientes podem ser atendidos. Pensando em Brasil, temos mais ou menos 3,4 milhões de doações e 2,8 milhões de transfusões por ano. 

Mas é muito cíclico. Há períodos bem específicos nos quais cai muito o número de doações. No inverno, principalmente final de julho e metade de agosto, que são meses mais frios aqui em São Paulo. Também no período de férias e festas, que começa pelo dia 10, 15 de dezembro e, dependendo do ano, vai até o carnaval. Nesse período as doações caem aproximadamente 20%. 

E o que o banco faz para compensar essa baixa? 

André Larrubia: Fazemos campanhas com os doadores que temos no nosso cadastro. Como já sabemos a sazonalidade, começamos com um pouco de antecedência a intensificar a campanha de doação. Chamamos os doadores fidelizados, com os exames negativos e que sabemos que voltam com frequência, e fazemos a campanha para que eles venham doar. 

E qual é o estoque mínimo para um banco de sangue? 

André Larrubia: O estoque mínimo é um cálculo que é feito baseado em tudo o que foi transfundido no período de 6 meses para saber quanto precisa ter de cada hemocomponente de cada grupo sanguíneo. Então, é um cálculo variável. Cada agência transfusional tem o seu estoque mínimo para que nenhum paciente deixe de ser atendido.

Quantos doadores voluntários a BP tem hoje? 

André Larrubia: Temos dois tipos de voluntários: o chamado doador de repetição, que é aquele melhor doador possível. Ele vem mais de duas vezes por ano e tem exames negativos. Há ainda os doadores esporádicos, ou de primeira vez, que o resultado dos exames é sempre uma incerteza. Pensando na segurança do paciente que vai receber, o ideal é que a gente tenha um número cada vez maior de doadores de repetição. Na BP, do total que fazemos de doações, temos aproximadamente 50% de doadores de repetição – de um banco de dados com cerca de 4 mil pessoas. 

Na BP, qual o perfil do paciente geralmente atendido pelo banco? 

André Larrubia: Pacientes oncológicos, que fizeram transplante de medula óssea ou de fígado e que passaram por cirurgias cardíacas. 

Quem quer ser um doador o que deve fazer? 

André Larrubia: Pode ser um doador qualquer pessoa em boa situação de saúde, de 16 a 69 anos de idade e acima de 50 kg. Pela segurança dos pacientes que vão receber as transfusões, há outros requisitos que são avaliados em um questionário bem extenso que é aplicado a todos os voluntários todas as vezes que vão doar.